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Revision 403 Feb 2010 - JoenioCosta

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Revision 329 Jan 2010 - JoenioCosta

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Título, Autor, Ano Instituição Resumo
Psychedelic Psychotherapy - The Ethics of Medicine for the Soul
ANDERSON, Brian, 2006
Penn Bioethics Journal
Penn Bioethics Journal
Psychedelic drugs like LSD and MDMA (Ecstasy) are known to have profound psychological effects on people. These substances are now being evaluated in clinical trials in the US as aids to psychotherapy. The use of these substances in Transpersonal Psychology is thought to help patients by inducing spiritual experiences that lead to improved mental health. Some people challenge the claim that authentic spiritual experiences can be induced by drugs and still others question whether spirituality and religion have any place in medicine at all. The potential emergence of the use of psychedelics in medicine calls for a consideration of these and many other concerns.
A fabricação do vício
CARNEIRO, Henrique, 2002

 
Saúde e povos indígenas: tradição e mudança
MOTA, Clarice Novaes da, 2003
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Editora Unicentro
O trabalho discute alguns conceitos relacionados com o tema, tais como saúde e doença, problematizando também o aporte teórico que entende práticas médicas como sendo determinadas pelo conjunto de idéias veiculadas pela cultura. Uma premissa é de que cultura exerce papel fundamental sobre os estados de saúde e doença, mas se questiona a determinação das idéias sobre a prática. Coloca-se o conceito de experiência da doença e da saúde, voltando-se para o indivíduo doente, o corpo do doente, onde o saber está radicado, e para a estrutura subjacente de significados culturais. O que é fazer saúde dentro dos contextos de mudança experimentados pelas populações indígenas brasileiras? No caso indígena é a experiência dupla do rompimento com o hábito da vida quotidiana e da intromissão de práticas médicas modernas, que enclausura zonas de imprecisão e elementos contraditórios. Ao se comprometer com as condições de saúde indígenas, a modernidade co-existe com práticas médicas antigas, baseadas no saber tradicional. O processo de contato com a sociedade dominante modificou o entendimento sobre doença e bem-estar, mas as práticas herdadas através da história oral e da práxis não desapareceram por completo, nem deverão ser destruídas, pois existem contextos médicos plurais dentro das aldeias. Relata-se a experiência em andamento do projeto de saúde indígena conhecido como Farmácia Viva Kariri-Xocó para exemplificar como tradição e modernidade podem caminhar ao encontro do entendimento do processo tradicional de saberes e práticas médicas, ao passo que se capacitam indígenas para revitalizar sua práxis enquanto usam um aparatus tecnológico moderno.
O que nos ensina o San Pedro? O que nos ensina a folha de coca?
HENMAN, A., 2005
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Instituto Alto das Estrelas
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AYAHUASCA E REDUÇÃO DO USO ABUSIVO DE PSICOATIVOS: EFICÁCIA TERAPÊUTICA?
SANTOS, Rafael Guimarães dos; MORAES, Célia Carvalho de; HOLANDA, Adriano , 2006
Scientific Electronic Library Online - SciELO?
Revista Psicologia: Teoria e Pesquisa
Trata-se de uma avaliação do possível papel do uso da ayahuasca, em contexto religioso, como auxiliar na redução do consumo abusivo de psicoativos, a partir de uma pesquisa de estudo de caso. Foi realizada uma entrevista aberta com uma usuária regular de cocaína, nicotina e álcool que abandonou este comportamento após entrar em contato com a ayahuasca num contexto ritualizado. O caso foi analisado à luz da comparação deste com a literatura existente sobre o assunto. Foi traçada uma relação entre o início do uso da ayahuasca e o abandono do uso de cocaína, nicotina e álcool pela entrevistada, a partir da avaliação das representações simbólicas e das descrições de suas primeiras experiências com a bebida.
Contrastes e continuidades entre os grupos do Santo Daime e da Barquinha
GOULART, Sandra Lúcia, 1999
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
IX JORNADAS SOBRE ALTERNATIVAS RELIGIOSAS NA AMÉRICA LATINA
A minha proposta é realizar uma comparação entre dois grupos religiosos, conhecidos como Santo Daime e Barquinha, ambos surgidos em Rio Branco, Acre. Pretendo observar o jogo de acusações, de afastamentos e intermediações entre os dois grupos. A intenção é compreender o que os conflitos e as alianças afirmam sobre esses sistemas religiosos. Trata-se de pensar como, ao manipularem os conteúdos de seu universo religioso, esses fiéis também o constroem e o transformam. Ao mesmo tempo, mostrarei, no decorrer desta comunicação, que os contrastes e mediações entre Santo Daime e Barquinha, em certo sentido, se definem em função das relações que estes grupos tem com a sociedade.
Comunicações alteradas festa e xamanismo na Guiana
SZTUTAMN, Renato, 2003
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Campos
Este artigo propõe uma reflexão sobre os modos de comunicação ritual na Guiana indígena, partindo de exemplos colhidos entre os Wajãpi, grupo tupi-guarani que vive na fronteira do estado do Amapá com a Guiana Francesa. Esses modos podem ser encontrados nas chamadas festas de caxiri e nas sessões xamânicas. De um lado, a embriaguez propiciada pela bebida fermentada, de outro, uma espécie de viagem da alma (ou metamorfose do corpo) potencializada pela ingestão de tabaco. Nesse último caso, a conjunção entre agentes humanos e sobrenaturais pode ocasionar uma ruptura no tecido das relações humanas.
Redes Juvenis, Subscultura da Droga Injetável e o HIV/AIDS
FERNANDEZ, Osvaldo F. Ribas Lobos, 1997
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Revista USP
 
Drogas e o (Des)Controle Social
FERNANDEZ, Osvaldo F. Ribas Lobos, 1997
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Instituto Brasileiro de Ciências Criminais - IBICICrim
 
AYAHUASCA: chá de uso religioso - Estudo microbiológico, observações comportamentais e estudo histomorfológico de cérebro em Murídeos (Rattus norvegicus da linhagem Wistar)
SANTOS, Rafael Guimarães dos, 2004
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Faculdade de Ciências da Saúde - FACS, Centro Universitário de Brasília - UniCEUB?
O consumo de psicoativos sempre existiu na história da humanidade Indígenas de várias partes do mundo utilizaram e utilizam plantas com propriedades para alterar a consciência em seus rituais mágico-religiosos e em seus processos de cura e diagnóstico. A ayahuasca é um destes seres divinos que grupos indígenas utilizaram e/ou utilizam para as mais diversas finalidades. O objetivo deste trabalho foi o de apresentar algumas conclusões preliminares sobre os efeitos da ayahuasca (em forma de bebida) no comportamento de ratos, seus possíveis efeitos na histomorfologia do cérebro destes animais e os resultados de alguns estudos microbiológicos e físico-químicos de amostras desta bebida, onde foram encontradas características incomuns relacionadas com o tempo de preparo da bebida como, por exemplo, bebidas mais antigas ou nvelhecidas possuem uma cor mais escura, um pH mais ácido, uma turbidez maior e um resíduo sedimenta do total da amostra que corresponde a restos de leveduras mortas. Foi realizada também uma revisão bibliográfica. Ratos condicionados a água tiveram seus comportamentos comparados com os que tomaram a ayahuasca, na tentativa de se observar os possíveis efeitos da ayahuasca na histomorfologia do cérebro. O comportamento observado nos ratos que beberam a ayahuasca não diferiu de maneira significante dos animais que beberam água. Não foram encontradas alterações histomorfológicas nos cérebros dos ratos.
Partilhando Idéias - Santo Daime: teoecologia e adaptação aos tempos modernos
ARAÚJO, Maria Clara Rebel,
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
 
OPIÁCEOS E PROIBICIONISMO CONTEMPORÂNEO
GALLINA, José Ricardo, 2004
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Departamento de História, Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas � FFLCH, UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO � USP
 
Drogas e Estigmas
MOTA, Leonardo de Araújo e, 2005
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
II Semana de Humanidades da Universidade Federal do Ceará (UFC)
 
PARAÍSO PSICODÉLICO
NASCIMENTO, Ana Flávia Nogueira,
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
 
A Cultura do Uso de Psicoativos nas Grandes Civilizações Pré-Colombianas (aproximações e perspectivas)
VARELLA, Alexandre Camera, 2005
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Departamento de História, Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas - FFLCH, UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - USP
 
Un panorama del uso ritual de la ayahuasca en el Brasil contemporáneo
LABATE, Beatriz C., 2001
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Takiwasi
 
O PALÁCIO DE JURAMIDAM - SANTO DAIME: um ritual de transcendência e despoluição
SILVA, Clodomir Monteiro, 1983
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS, INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS, UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
O culto do Santo Daime responde a necessidades de grupos que se situam entre populações primitivo/rústicas e rústico/urbanizadas e que também sofrem pressões do contexto macrossocial amazônico, pertencendo, pois, a uma formação sociocultural intermediária. Santo Daime identifica o ritual de consumo e a hierofanização da própria bebida, produzida por decocção da Banisteriopsis Caapi Spruce e Psychotria Spruce, duas plantas utilizadas por indígenas e caboclos bolivianos, peruanos e brasileiros. Os dois grupos (modelos socioculturais) descritos aqui funcionam na cidade e arredores de Rio Branco com raízes históricas comuns no grupo pioneiro surgido na segunda década deste século na cidade acreana de Brasiléia. Histórica e estruturalmente estão associados ao movimento migratório regional e inter-regional e à progressiva expansão da sociedade global. Os comportamentos (Cantos do Exílio e Vozes do Êxodo) caracterizam respectivamente grupos antigos já fixados e os mais recentes expulsos dos seringais ou atraídos pela frente de ocupação capitalista. Não se trata porém de oposição exclusiva entre os social. Os Sistemas de Juramidan, dois comportamentos e sim de uma dialogia todavia, não se explicam apenas como resposta a crises, mas se constituem em experiências de homogeneidade onde a imprevisibilidade gerou manifestações culturais híbridas através da repetição de ritos de renovação universais. O sonho e padronização de as experiências extáticas instituem estruturas de plausibilidade relações sociais onde a metade noturna do homem não se divorcia da metade diurna. A ponte entre o tempo onírico e o tempo da vigília ainda não se rompeu ou já foi reconstituída.
Em Busca do Encontro - A Demanda Numinosa no Contexto Religioso da União do Vegetal.
CARVALHO, Tatiana Barbosa, 2005
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica do Departamento de Psicologia da PUC-Rio
Este trabalho se dedica ao estudo da subjetividade de pessoas mentalmente saudáveis, que vivenciam a religiosidade através de experiências de contato direto com o sagrado, alcançado mediante a ingestão de uma substância enteógena de nome Hoasca, no âmbito religioso da União do Vegetal. A fundamentação teórica para a compreensão deste modelo de vivência religiosa é baseada em W. James R. Otto e C. G. Jung, autores que conferem importância à religiosidade, e ao contato direto com o sagrado na vida do ser humano.
My Father and My Mother, Show Me Your Beauty: Ritual Use of Ayahuasca in Rio de Janeiro
SOIBELMAN, Tania, 1995
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
California Institute of Integral Studies
This ethnographic study discusses the use of ayahuasca by contemporary urban Brazilians, in the city of Rio de Janeiro. Ayahuasca, a Peruvian Quechua word meaning �he vine of the spirits� is one of the most powerful entheogens (formerly called hallucinogens) found on the planet. In the last twelve years there has been an enormous increase in the use of this brew among Brazilian urbanites. This study investigates how ayahuasca affects the core religious beliefs and spirituality in every human; how contemporary Cariocas -- inhabitants of Rio de Janeiro city -- relate to the drink; how contemporary Cariocas are re-creating traditional shamanic ayahuasca rituals in their own environment, and how they interpret these rituals. For some, ayahuasca is a religion; and for all, a path toward self-knowledge.
Sobre o uso de ecstasy: uma pesquisa com vistas à formulação de intervenção preventiva
ALMEIDA, Stella Pereira de, 2005
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade de São Paulo
O primeiro objetivo do presente estudo, de cunho metodológico, foi verificar a viabilidade da realização de uma pesquisa com usuários de ecstasy via internet. A metodologia desenvolvida para o recrutamento e coleta de dados atingiu os objetivos propostos, demonstrando-se viável e profícua, além de apresentar grandes vantagens em relação à coleta de dados presencial. O segundo objetivo foi oferecer subsídio para futuras ntervenções de Redução de Danos para o uso de ecstasy. O questionário on-line foi respondido por 1.140 pessoas, primordialmente jovens, com boa formação escolar, inseridos no mercado de trabalho e/ou estudantes, pertencentes às classes socioeconômicas A e B, e poliusuários de drogas. As respostas dos participantes foram descritas estatisticamente e os dados comparados através dos testes t ou chi-quadrado, e analisados por regressão categórica (CatReg? ) em que se relacionaram os comportamentos de risco associados ao uso de ecstasy com as variáveis dependentes relevantes. Os resultados não fundamentam a elaboração de materiais preventivos com direcionamentos específicos, seja para gêneros, para opções sexuais ou para classes socioeconômicas. Indicam, porém, locais privilegiados para a distribuição de material preventivo: ambientes de lazer noturno, festas e eventos ligados à música eletrônica, eventos como paradas comunitárias, e universidades públicas e privadas. São discutidos os principais conteúdos a serem veiculados, tendo sempre como princípio básico a transmissão de informações cientificamente comprovadas. Os dados mostram ainda que é crescente a disponibilidade de ecstasy no Brasil indicando urgência na implantação de um primeiro programa preventivo brasileiro voltado para essa droga. A acolhida e as declarações de interesse dos participantes demonstraram que o projeto inspirou confiabilidade, que existe demanda por intervenções na área e que uma proposta de Redução de Danos teria grande receptividade dos usuários de ecstasy, embora sua implantação dependa do interesse das autoridades responsáveis pela política pública brasileira em relação ás drogas ilegais.
EFEITOS DA INGESTÃO DE AYAHUASCA EM ESTADOS PSICOMÉTRICOS RELACIONADOS AO PÂNICO, ANSIEDADE E DEPRESSÃO EM MEMBROS DO CULTO DO SANTO DAIME
SANTOS, Rafael Guimarães dos, 2006
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília
A utilização da ayahuasca, cujo uso religioso é legitimado juridicamente no Brasil desde 1986, vem crescendo nos centros urbanos nas ultimas décadas. A despeito desta difusão, pouso se sabe sobre seus efeitos nos estados emocionais. O presente estudo investigou possíveis alterações na expressão de ansiedade, depressão e pânico em membros de uma igreja do culto do Santo Daime nos arredores de Brasília, DF. Foram aplicados questionários padronizados para avaliações de ansiedade-estado (IDATE-estado), ansiedade-traço (IDATE-traço), pânico (ESA-R) e depressão (BHS) em indivíduos que faziam uso ritual desta bebida há pelo menos 10 anos consecutivos. O estudo foi conduzido na própria igreja em nove membros do culto selecionados mediante aceitação de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Os questionários foram aplicados 1 h após a ingestão do psicoativo e foi utilizado o método duplo-cego com placebo. Sob efeito da ayahuasca, os participantes exibiram estados atenuados de sinais psicométricos agudos relacionados ao pânico e à depressão. A ingestão da bebida não alterou o estado ou o traço de ansiedade avaliados pelo IDATE. Os resultados são discutidos em termos da possível utilização terapêutica da ayahuasca no pânico e na depressão.
Diagnóstico geoambiental e planejamento do uso do espaço na FLONA do Purus, Amazônia Ocidental : um subsídio ao Plano de Manejo
BRANDÃO, Pedro Christo, 2005
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Programa de Pós-Graduação em Ciência Florestal, Universidade Federal de Viçosa
A Floresta Nacional do Purus é uma Unidade de Conservação (UC) de Uso Sustentável localizada no município de Pauiní, Estado do Amazonas, que abrange 256 mil hectares de floresta altamente conservados, onde residem populações tradicionais. Criada pelo Decreto Federal n° 96.190, de 21/06/88, a UC ainda não possui um plano de manejo, o que tem inviabilizado o desenvolvimento de atividades produtivas e a geração de renda para as comunidades locais. O presente trabalho representa uma contribuição à elaboração do plano de manejo desta UC e teve como objetivos a caracterização geral do meio físico, a identificação dos padrões de uso e ocupação do solo e o macro-zoneamento da FLONA do Purus, além do estudo detalhado da área de influência direta do igarapé Mapiá (maior núcleo populacional da FLONA). O trabalho foi conduzido por meio da interpretação de imagens orbitais e sub-orbitais e levantamentos de campo, atendendo as especificações do Roteiro Metodológico para Elaboração de Planos de Manejo para Florestas Nacionais (IBAMA, 2003). Aerofotos não-convencionais foram obtidas para o estudo detalhado ao longo da calha do igarapé Mapiá. Constatou-se que menos de 0,5 % (1.159,71 ha) da área total da FLONA do Purus está sobre uso antrópico, sendo a região do igarapé Mapiá a mais antropizada, com 619,89 ha (0,2 % da área da FLONA). A análise do meio físico permitiu a distinção e mapeamento, em escala de 1:100.000, de três Unidades Geoambientais, com base, principalmente, nos aspectos pedo-geomorfológicos, que foram assim definidas: Platôs dissecados com mata sobre Latossolos e Argissolos; Encostas e rampas com mata sobre Argissolos; e Planícies aluviais com Neossolos Flúvicos e Gleissolos. Com exceção das áreas de várzea sobre influência do rio Purus, onde os solos são eutróficos, as demais áreas da FLONA apresentam solos profundamente intemperizados e lixiviados, nos quais os 3+ constituem limitações baixos níveis de todos os nutrientes e a alta atividade de Al severas para o crescimento das plantas cultivadas. Na Zona de Amortecimento observou-se uma grande presença de várzeas produtivas, que representaram 62,7% (1260,46 ha) das classes de uso mapeadas nesta área. Com base no Roteiro Metodológico e nos resultados alcançados no presente trabalho, foi estabelecido um macro-zoneamento para a FLONA, que resultou na alocação de duas zonas de proteção (Intangível e de Conservação) e três de produção (Populacional, de Manejo Florestal e de Produção Agrícola). No estudo detalhado da área de influência direta do igarapé Mapiá foram mapeadas, em escala de 1:20.000, sete classes de uso do solo, a saber: vila, quintal, pastagem, roçado, sistema agroflorestal, capoeira jovem e capoeira. Estas classes ocupam 810,52 ha, representando 0,3% da área total da FLONA.
Algumas reflexões a respeito dos discursos médicos sobre uso de drogas
FIORE, Mauricio, 2002
Núcleo Interdiscipinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Este trabalho é o resultado parcial de uma pesquisa de mestrado que visa analisar discursos médicos contemporâneos sobre uso de “drogas”. Partindo do pressuposto de que as “drogas” e seu consumo não foram desde sempre questões públicas, buscar-se-á compreender alguns aspectos contemporâneos do fenômeno das “drogas” através de uma de suas vertentes mais importantes, a medicalização, entendendo-na como fundamental na composição de um dispositivo do uso de “drogas”, que ordenaria a produção e reprodução de discursos sobre o tema. Através de dados obtidos em entrevistas, eventos, publicações e imprensa, algumas temáticas conceituais presentes nos discursos médicos serão levantadas para que seja mais bem compreendida a sua participação neste dispositivo.
PSIQUIATRIA CULTURAL DO USO RITUALIZADO DE UM ALUCINÓGENO NO CONTEXTO URBANO: UMA INVESTIGAÇÃO DOS ESTADOS DE CONSCIÊNCIA INDUZIDOS PELA INGESTÃO DA AYAHUASCA NO SANTO DAIME E UNIÃO DO VEGETAL EM MORADORES DE SÃO PAULO
BARBOSA, Paulo Cesar Ribeiro, 2001
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas
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DOTTRINA E PRATICA DEL SANTO DAIME: Una forma di nuova spiritualità tra Amazzonia e Europa
LUPPICHINI, Elena, 2006
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
FACOLTA�DI LETTERE E FILOSOFIA, UNIVERSITA�DEGLI STUDI DI PISA
 
Fazendo o Doze na Pista: Um estudo de caso do mercado ilegal de drogas na classe média
GRILLO, Carolina Christoph, 2008
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro
 
Marachimbé chegou foi para apurar: Estudo sobre o castigo simbólico, ou peia, no culto do Santo Daime
SILVA, Leandro Okamoto da, 2004
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
A peia é popularmente conhecida entre os adeptos do culto do Santo Daime como � surra do daime� Expressa-se por vômitos, diarréias, tremedeiras, mal estar, ou qualquer outro tipo de evento desagradável pelo qual possa se encontrar o sujeito sob efeitos do potente alucinógeno de origem indígena. A escolha da peia, ou castigo simbólico, se deu por motivos pessoais e pelo fato de não haver quaisquer pesquisas sobre esse tema. É nossa hipótese que a peia é uma experiência simbólica de caráter polissêmico e não se limita somente à idéia de castigo. A sua interpretação e significação estão intimamente relacionadas com a noção de cura e doença, e tem como implicação principal a ordenação simbólica dos adeptos. Os efeitos purgativos comuns à bebida, no Santo Daime, são resignificados e interpretados a partir de um sistema de valores que prioriza o bem, a luz, a �erdade� em detrimento do mal, das trevas e da �lusão� A peia tem, assim, ação coercitiva e mediadora, agindo no sentido de promover o aprimoramento da conduta dos adeptos segundo o modelo idealizado por mestre Irineu e padrinho Sebastião, líderes principais da linha daimista pesquisada. A peia, enfim, não é um fenômeno a priori, é produto cultural das experiências idiossincráticas dos líderes e demais daimistas e, dessa forma, tem também importância histórica, na medida em que grandes peias coletivas são lembradas como momentos de dificuldades vivido pelo grupo. A pesquisa foi participante e realizou-se na igreja paulista Céu de Maria, localizada nos arredores da capital paulistana, junto à fiscais masculinos e femininos.
SANTO DAIME: UM SACRAMENTO VIVO, UMA RELIGIÃO EM FORMAÇÃO
OLIVEIRA, Isabela, 2007
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA, UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
A Ayahuasca é uma substância psicoativa formada pela deccoção do cipó Banisteriopsis caapi, conhecido como Jagube, e pela folha Psychotria viridis, por sua vez chamada de Rainha. Esse chá tem sido consumido milenarmente pela população nativa amazônica. A partir do início do século XX a população não-india passou a ter contato com a bebida e se formaram novos contextos de utilização desse chá. O Sr. Raimundo Irineu Serra foi um migrante maranhense que nasceu em 1890 e se mudou para o Acre dentro do movimento migratório do �Ciclo da Borracha�. Trabalhando como seringueiro conheceu a Ayahuasca numa prática nativa, na fronteira entre o Brasil e o Peru, na década de 10. Ao longo de suas experiências iniciais com a Ayahuasca ele obteve revelações espirituais que o levaram a constituir uma religião conhecida como Santo Daime na década de 30, na cidade de Rio Branco (AC). Ao longo do processo de formação da religião houve uma ressignificação do sentido original da bebida Ayahuasca. O assunto principal dessa pesquisa versa sobre a constituição do significado atual da bebida Ayahuasca dentro do Santo Daime. A hipótese do trabalho é que a ressignificação da Ayahuasca no contexto da religião se insere dentro do processo dialético de construção social de significados que fundamenta a constituição da religião compreendida como um evento contínuo e determinado por condições históricas, sociais e culturais. Tendo em vista o fato de que o Santo Daime é um grupo de cultura essencialmente oral, para avaliar como se deu esse processo de ressignificação da Ayhausca, foram coletadas, degravadas e tematizadas narrativas orais que descrevem os momentos inicias do contato do Sr. Irineu com a Ayahuasca e se procedeu a uma análise do conteúdo dessas narrativas à luz de um corpo teórico pertinente à história oral, memória, religião além de diferentes referências sobre a utilização da Ayahausca. A escolha desse período inicial deveu-se à importância do conteúdo expresso nas narrativas que descrevem esses momentos, em especial, aqueles relatos que narram o encontro do Sr. Irineu com uma entidade espiritual que se identificou inicialmente como Clara e mais tarde foi reconhecida por ele como a Virgem da Conceição e também como a Rainha da Floresta. A partir do conteúdo desses relatos procedeu-se à análise de outras narrativas orais presentes nessa doutrina, em especial dos hinos da religião que surgiram a partir da formação das práticas rituais a partir da década de 30. Por meio dessa metodologia de trabalho foi possível concluir que a bebida Ayahuasca adquiriu para os seguidores do Santo Daime o significado de ser um veículo de um sacramento eucarístico cristão cujo conceito se explica por meio do conceito de Juramidam, que tanto se refere ao nome espiritual do fundador da religião como ao conjunto dos filhos de Deus unidos ao criador. De maneira simples, Juramidam é percebido pelos seguidores do Santo Daime como o nome da segunda vinda de Jesus Cristo que se manifesta em seu retorno à terra como uma presença do Espírito Santo - Terceira Pessoa da Santíssima Trindade.
Os Usos do Corpo nos festivais de música eletrônica
COUTINHO, Tiago, 2004
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
VI Jornada Interna dos alunos do Programa de Pós Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro
-
A construção de fronteiras religiosas através do consumo de um psicoativo: as religiões da ayahuasca e o tema das drogas
GOULART, Sandra Lúcia, 2003
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Reunião de Antropologia do Mercosul
Esta comunicação pretende analisar a construção das fronteiras entre os grupos religiosos do Santo Daime, da Barquinha e da União do Vegetal, os quais se caracterizam pela utilização ritual do chá psicoativo ayahuasca. A análise se pauta na idéia de que a delimitação de fronteiras entre estes grupos se dá a partir de um complexo jogo acusatório. Procurarei mostrar que o movimento de construção de fronteiras internas a este campo religioso se relaciona ao debate mais geral sobre o consumo de “drogas” em nossa sociedade.
A pesquisa do inconsciente no século dos alucinógenos
ADAIME, Rafael Domingues, 2005
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Editora Hucitec
-
Um Llamado por la Tolerância entre las Diferentes Líneas Ayahuasqueras a partir de uma Visíon Brasileña
MACRAE, Edward, 2001
Grupo interdisciplinar de Estudos sobre Substâncias Psicoativas - GIESP
Takiwasi
-
O Ritual do Santo-Daime como Espetáculo e Performance
MACRAE, Edward, 2000
Grupo interdisciplinar de Estudos sobre Substâncias Psicoativas - GIESP
Editora da UNB
 
Entre colinas verdes: trabalhos espirituais, plantas e culinária. Reflexões sobre experiências de campo numa comunidade do Santo Daime
ROSE, Isabel Santana de, 2006
Núcleo Interdiscipinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
 
Ritual and Religious Use of Ayahuasca in Contemporary Brazil
MACRAE, Edward, 2001
Grupo interdisciplinar de Estudos sobre Substâncias Psicoativas - GIESP
International Conference on Drug Policy Reform
?
L´Utilisation Religieuse de L´Ayahuasca dans le Bresil Contemporain
MACRAE, Edward, 1998
Grupo interdisciplinar de Estudos sobre Substâncias Psicoativas - GIESP
CRBC
?
Abuso de Drogas: Problema Pessoal ou Social?
MACRAE, Edward, 1998
Grupo interdisciplinar de Estudos sobre Substâncias Psicoativas - GIESP
Editora da Universidade Federal da Bahia - Edufba
 
A excessiva simplificação da questão das drogas nas abordagens legislativas
MACRAE, Edward, 1997
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Fundação Memorial da América Latina
-
O Controle Social do Uso de Substâncias Psicoativas
MACRAE, Edward, 1997
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Instituto Brasileiro de Ciências Criminais - IBICICrim
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El uso religioso de la Ayahuasca em el Brasil contemporáneo
MACRAE, Edward, 1995
Grupo interdisciplinar de Estudos sobre Substâncias Psicoativas - GIESP
Takiwasi
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A Abordagem Etnográfica do Uso de Drogas
MACRAE, Edward, 1994
Grupo interdisciplinar de Estudos sobre Substâncias Psicoativas - GIESP
Editora Hucitec
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A importância de fatores socioculturais na determinação da política oficial sobre o uso ritual da ayahuasca
MACRAE, Edward, 1994
Grupo interdisciplinar de Estudos sobre Substâncias Psicoativas - GIESP
Editora Brasiliense
Torna-se cada vez mais corrente e aceita a noção de que para se fazer julgamentos sobre o uso de psicoativos é necessário levar em conta três aspectos de sua atuação. São os aspectos farmacologicos, relacionados à atuação no organismo da substância em si, o estado psíquico do usuário e o contexto sociocultural em que se dá o uso.
A Prevenção à AIDS entre Escolares Usuários de Substâncias Psicoativas
MACRAE, Edward, 1994
Grupo interdisciplinar de Estudos sobre Substâncias Psicoativas - GIESP
Grupo de Apoio aos Portadores de Aids �GAPA/BA
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A prevenção da Aids entre usuários de drogas injetáveis
MACRAE, Edward, 1992
Grupo interdisciplinar de Estudos sobre Substâncias Psicoativas - GIESP
Summus Editorial
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Repensando as fronteiras entre espiritualidade e terapia: reflexões sobre a cura no Santo Daime
ROSE, Isabel Santana de, 2006
Núcleo Interdiscipinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Revista Campos
O Céu da Mantiqueira é uma comunidade do Santo Daime localizada no sul do estado de Minas Gerais e considerada pelos seus participantes como sendo um centro de cura. Neste artigo, faço uma análise do sistema de cuidados da saúde desta comunidade, realizando um levantamento dos principais procedimentos terapêuticos utilizados. Estes procedimentos terapêuticos são provenientes de diversas fontes, tais como a própria doutrina daimista; outras tradições religiosas; grupos indígenas; as chamadas terapias alternativas e a biomedicina. A partir deste levantamento proponho uma reflexão a respeito das fronteiras que costumam ser estabelecidas entre as categorias espiritualidade e terapia. O que eu sugiro é que, neste contexto, estas dimensões não podem ser consideradas separadamente, pelo contrário, se interpenetram e formam um continuum espiritual-terapêutico.
A Antropologia e o uso de Drogas: A questão da maconha
MACRAE, Edward, 1987
Grupo interdisciplinar de Estudos sobre Substâncias Psicoativas - GIESP
Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo - IMESC
 
Observações sobre o documento do Grupo de Trabalho do Conselho Federal de Entorpecentes - CONFEN
MACRAE, Edward, 1986
Grupo interdisciplinar de Estudos sobre Substâncias Psicoativas - GIESP
SUFRAMA
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Aspectos socioculturais do uso de drogas e políticas de redução de danos
MACRAE, Edward, ?
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
?
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The ritual use of ayahuasca by three Brazilian religions
MACRAE, Edward, 2004
Grupo interdisciplinar de Estudos sobre Substâncias Psicoativas - GIESP
Free Association Books
 
A subcultura da maconha, seus valores e rituais entre setores socialmente integrados
MACRAE, Edward; SIMÕES, Júlio, 2003
Grupo interdisciplinar de Estudos sobre Substâncias Psicoativas - GIESP
Editora da UERJ
 
Representações sociais de profissionais de saúde sobre o consumo de drogas: um olhar numa perspectiva de gênero
OLIVEIRA, Jeane Freitas de, 2006
Scientific Electronic Library Online - SciELO?
Revista Ciência & Saúde Coletiva
Estudo de caráter qualitativo, desenvolvido com objetivo de apreender as representações sociais de profissionais de saúde sobre o consumo de drogas, numa perspectiva de gênero. Os dados foram coletados de março a julho de 2004, através da observação participante, em uma unidade de saúde especializada na assistência a pessoas usuárias de drogas em Salvador-Bahia; e de entrevista semi-estruturada com 19 profissionais que atuam na referida unidade. Os dados foram submetidos à técnica de análise de conteúdo temática, sendo identificadas duas categorias: o consumo de drogas como uma forma de enfrentar a vida; o ocultamento das mulheres usuárias. O contexto de atuação dos profissionais revelou diferentes realidades em relação às mulheres que consomem drogas, que vão de encontro às representações dos profissionais sobre este grupo populacional. Ressaltamos a influência do contexto na elaboração das representações sociais. Visando uma assistência humanizada e equânime, sugerimos ampliação da abordagem de gênero para os entrevistados e a inclusão de outros profissionais em estudos como este.
Viagem ao encontro da Iboga
LABATE, Beatriz C., 2005
Terra Mística, NEIP
Terra Mística
 
O toxicômano: sua entrada em análise
MIRANDA, Maria Luiza Mota, 2004
CETAD
EDUFBA;CETAD/UFBA
 
Narcotráfico e repressão estatal no Brasil - um panorama do tráfico de drogas brasileiro
RODRIGUES, Thiago M. S., 2003
Núcleo Interdiscipinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
 
Adolescência e toxicomania: paradigmas da modernidade
TAVARES, Luiz Alberto , 2004
CETAD/UFBA
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD
 
O adolescente e a droga: manifestações do agir
TAVARES, Luiz Alberto, 2009
CETAD/UFBA
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD
 
Um adolescente entre duas mortes: uma tragédia moderna
TAVARES, Luiz Alberto, 1998
CETAD/UFBA
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD
 
Juventude desabrigada e abuso de drogas: pesquisando as necessidades dos meninos de rua em Salvador (Brasil)
SCHENKER, Don, 2004
CETAD/UFBA
CETAD/UFBA
 
Toxicomania e família: amor de mãe, amor de mais...
NUÑEZ, Maria Eugênia , 2004
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
 
Mídia e drogas: confrontando texto e contexto da publicidade comercial e de prevenção
TRAD, Sérgio, 2004
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
CETAD/UFBA
 
Redução de danos: um novo paradigma?
ANDRADE, Tarcísio Mattos de , 2004
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
 
Uso do crack nas metrópoles modernas: observações preliminares sobre o fenômeno em Salvador, Bahia
MOREIRA, Esdras Cabus, 2009
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
CETAD/UFBA
 
A regulamentação do cultivo de maconha para consumo próprio: uma proposta de Redução de Danos
VIDAL, Sérgio, 2009

CETAD/UFBA
 
Alvos, miragens e guerras infindáveis
RODRIGUES, Thiago M. S., 2002
Núcleo Interdiscipinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Núcleo de Relações Internacionais do Curso de Relações Internacionais da Faculdade Santa Marcelina
 
Controle do uso de drogas e prevenção no Brasil: revisitando sua trajetória para entender os desafios atuais
TRAD, Sérgio , 2009
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
CETAD/UFBA
 
Violência, contemporaneidade e infração juvenil
MELO, Karla , 2009
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
 
O uso de substâncias psicoativas por crianças e adolescentes em situação de rua: uma leitura winnicottiana
MONTEIRO, Luiz Felipe Campos , 2009
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
 
O sonho e o despertar
SILVA, Jane Alves Cohim , 2009
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
CETAD/UFBA
 
EU SOU BORDERLINE, DOUTORA
MIRANDA, Maria Luiza Mota , 2009
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
CETAD/UFBA
 
Estratégias clínicas em uma instituição para toxicômanos
QUEIROZ, Andréa; MIRANDA, Maria Luiza Mota; NUÑES, Maria Eugênia; REGO, Marlize, 2009
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
CETAD/UFBA
Este trabalho discute a condução do tratamento em um centro de atendimento a
pacientes toxicômanos, tomando a função do analista como operador necessário às
estratégias clínicas que aqui se propõem.
A partir de fragmentos de casos e da utilização de diversas estratégias, argumenta
que o ato analítico se constitui como um recurso eficaz na criação de novos modelos de
tratamento na clínica das toxicomanias.
São estratégias que interrogam a posição ontológica do individuo, introduzindo
novos “fazeres” que permitem um deslizamento da satisfação retida no uso de drogas.
Nesta perspectiva, constrói-se um dispositivo diferente do padrão standard, onde a
noção de tempo e espaço se inserem em uma outra modalidade, deixando de lado a idéia
de um tempo longo e contínuo de tratamento. A noção de uma temporalidade do aqui e
agora, onde recursos, interpretações e intervenções se colocam a cada sessão, tomam
força e se associam à construção de um projeto terapêutico para cada caso.
Família, drogas e adolescência
MOTTA, Vera, 1995

 
A família diante da droga
MOTTA, Vera , 1996
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD
 
FAMÍLIA E DROGAS : UMA ABORDAGEM POSSÍVEL
MOTTA, Vera, 1999
Universidade Estadual da Bahia - UNEB
Universidade Estadual da Bahia - UNEB
 
Feminidade e maternidade
MOTTA, Vera, 1995
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
Centro de Estudos e Terapias do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
 
A Guerra da Cannabis
RODRIGUES, Thiago M. S., 2002
Núcleo Interdiscipinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
 
Mulher, mãe e toxicomania
MOTTA, Vera, 1995
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
Círculo Psicanalítico da Bahia
 
O LUGAR DO SUJEITO : uma reflexão sobre a clínica
MOTTA, Vera, 1995
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
 
O USUÁRIO DE DROGAS E SUA FAMÍLIA: ASSISTÊNCIA, LIMITES E POSSIBILIDADES
MOTTA, Vera, 1996
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
 
Co-morbidade e dependência química: repercussões na adesão ao tratamento e evolução clínica
MOREIRA, Esdras Cabus , 2004
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
 
O uso ritual de substâncias psicoativas na religião do Santo Daime como um exemplo de redução de danos
MACRAE, Edward, 2009
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
 
Os tempos e os espaços das drogas
ESPINHEIRA, Gey, 2009
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
 
Exclusão ou desvio? Sofrimento ou prazer?
NERY FILHO, Antônio & MESSENDER, Marcos Luciano , 2004
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
 
Práticas Profissionais dos(as) Psicólogos(as) nos Centros de Atenção Psicossocial
Conselho Federal de Psicologia, 2009
Conselho Federal de Psicologia & FGV
Conselho Federal de Psicologia, Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas - Centro de Estudos em Administração Pública e Governo da Fundação Getúlio Vargas
 
Drogas, proibição e a abolição das penas
RODRIGUES, Thiago M. S. , 2004
Núcleo Interdiscipinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Editora Revan/Nu-Sol
 
A prática profissional dos(as) psicólogos(as) no campo das medidas socioeducativas em meio aberto
Conselho Federal de Psicologia. - Brasília, 2009
Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo
 
Consumir e ser consumido, eis a questão! configurações entre usuários de drogas numa cultura de consumo
DA SILVA JUNIOR, Wilton Valença, 2005
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas - UFBA
Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais - FFCH/UFBA
Este projeto propõe uma leitura configuracional dos estilos de vida de específicos
professores universitários: Homo academicus usuários de drogas, recortados numa cultura
de consumo onde se busca um maior equilíbrio entre indivíduo e sociedade nas suas
operacionalizações da liberdade e da segurança. A análise de suas práticas e representações
em meio às comunidades várias do cotidiano - da família à academia, passando pelas redes
básicas de sociabilidade visa capturar como eles lidam com os controles sociais, como
ressignificam o estigma de usuários tendo como contraponto o status de professor,
e como a partir do papel de professor eles refletem a problemática das drogas para a sociedade.
Violência vivenciada por trabalhadores(as) de rua
SOUZA, Sinara de Lima, 2000
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA - ENFERMAGEM
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA - ENFERMAGEM
O presente estudo teve como objetivo compreender a violência vivenciada pelos adolescentes trabalhadores de rua na cidade de feira de santana-ba e foi realizado no período de março de 1998 a fevereiro de 2000, através do conhecimento da concepção dos
(as) adolescentes acerca deste fenômeno e da identificação dos tipos de violência por eles
(as) vivenciada. Optamos pela abordagem qualitativa na sua execução, por percebermos a
violência como um fenômeno social e histórico, que tem a sua ocorrência vinculada a
significados e percepções que não são quantificáveis. Os dados foram coletados através da
observação simples, observação participante e entrevista semi-estruturada, tendo como
caminho metodológico o materialismo dialético. Utilizamos como referencial teórico, os
estudos sobre a violência nas suas formas de ocorrência, incluindo o trabalho infanto-
juvenil, realizado por autores como minayo (1994-1999), cruz neto (1995), medeiros,
ferriani (1995), assis(1994), guerra (1998), entre outros; documentos oficiais relacionados
ao tema e matérias veiculadas pela mídia. constatamos que as concepções dos adolescentes
acerca da violência estão relacionadas com suas formas de expressão: brigas, discussões,
bater, espancar, apanhar e por atos de matar, roubar, usar drogas, estuprar, tragédia e
assaltos. Verificamos que estes adolescentes sofrem as seguintes violências: o trabalho
precoce, a violência doméstica; a institucional e também a praticada pelos concorrentes e
bandidos. Quanto à violência praticada verificamos que esta reflete a violência por eles (as)
sofrida: a violência física através de brigas, a prática de pequenos delitos, tomar
mercadorias dos meninos menores e expulsão de concorrentes dos pontos de trabalho.
concluímos que se faz importante o conhecimento do cotidiano da clientela em estudo, a
fim de obtermos subsídios para criarmos estratégias de prevenção da violência e inclusão
destes indivíduos nas pautas de elaboração de políticas públicas que venham atenuar as
desigualdades sociais, parte integrante da violência estrutural que alicerça as múltiplas
formas como este fenômeno de exterioriza.
Uso de psicofármacos em tentativas de suicídio - Registros do CIAVE em 2004-2006
CONCEIÇÃO FILHO, Jucelino Nery (et al.), 2007
Centro de Informação Antiveneno - CIAVE
Centro de Informação Antiveneno - CIAVE
De acordo com dados da ONU, o suicídio e a tentativa de suicídio encontram-se entre as 10 principais causas de morte no mundo para indivíduos de todas as idades e entre a segunda ou terceira das maiores causas entre 15 e 34 anos. O Brasil ocupa a nona posição mundial em números absolutos e septuagésima primeira de suicídio no mundo. Nos anos de 1999-2002, os medicamentos corresponderam ao principal agente de intoxicações (28,2%), sendo 19,88% destas envolvendo tentativas de suicídio. Dentre os medicamentos mais empregados nas intoxicações intencionais estão os benzodiazepínicos (28%), com 13% do total ocasionados pelo Diazepam em 2003-2004. Os anticonvulsivantes foram o segundo
grupo de maior incidência nas tentativas de auto-extermínio em 2004 e o terceiro em 2003, com a incidência da Carbamazepina de 6,28% e 10,47% respectivamente. Os antidepressivos corresponderam a 10% dos casos de intoxicação: Amitripitilina por 51% e Fluoxetina por 31%, em 2003, e em 2004, 68% e 5,50%, respectivamente. Objetivos: Avaliar a incidência do uso de psicofármacos em tentativas de suicídio, estabelecendo o perfil destes eventos nos casos registrados pelo CIAVE-BA no período de 2004-2006. Método: Realizou-se um estudo retrospectivo dos casos de tentativas de suicídio por
medicamentos registrados pelo CIAVE-BA, no período de 2004-2006, dos quais foram selecionados aqueles cujas classes pertencem aos psicofármacos. Variáveis como: idade e sexo dos pacientes, classe dos psicofármacos envolvidos, quantidade de agentes,
classificação e evolução dos casos foram tratados estatisticamente através do programa SPSS e avaliados. Resultados: Neste período, o CIAVE registrou 19.249 casos de intoxicações humanas por diversos agentes, sendo 4.281 (22,2%) com o uso de
medicamentos. As tentativas de suicídio corresponderam a 41% destes casos, com o predomínio de medicamentos considerados como psicofármacos, sendo os mais freqüentes o fenobarbital, o diazepam, a carbamazepina, o haloperidol e o clonazepam. Conclusão: Deve-se atentar para a importância das intoxicações por esta classe de medicamentos, os quais deveriam ser comercializado e dispensados sob rigoroso controle, de acordo com a legislação, e que tem sido muito utilizado nas intoxicações intencionais. A fácil disponibilidade destes medicamentos e o relativo abuso nas prescrições tendenciam a esta realidade.
(MAL)DITA LIBERDADE E CIDADANIA: A redução de danos em questão
VALÉRIO, Andréa Leite Ribeiro , 2010
Universidade Católica do Salvador, Superintendência de Pesquisa e Pós-Graduação. Mestrado em Políticas Sociais e Cidadania
Universidade Católica do Salvador
As questões relacionadas ao uso e abuso de Substâncias Psicoativas (SPAs) ao
longo das transformações da sociedade, vêm sofrendo alterações no que tange ao
tratamento do usuário. Em 2003, o Ministério da Saúde publicou portarias que deram
início a um modelo de tratamento aos dependentes e cria os Centros de Atenção
Psicossocial de Álcool e outras Drogas (CAPSad), sendo estes norteados pela
Política de Atenção Integral ao usuário de álcool e outras Drogas do Ministério da
Saúde. Essa Política tem sua lógica pautada na Redução de Danos (RD), e o seu
objetivo principal é a proposição de intervenções que produzam melhorias sociais e
na saúde dos usuários. Nesse sentido, o presente trabalho pretende apreender de
que maneira os profissionais de um CAPSad da Bahia utilizam e refletem a
Estratégia Redutora de Danos no seu cotidiano de trabalho, comparando-a com o
modelo Redutor de Danos à saúde e social. Os dados foram coletados durante o
ano de 2009, sendo estes: entrevistas com coordenadores de dois serviços que
foram diretamente responsáveis pela implantação da RD na Bahia, com o
coordenador do CAPSad de um município baiano e com o coordenador de saúde
mental deste, além de entrevista com um redutor de danos que participou do
processo de implantação da RD na Bahia e com pacientes do serviço pesquisado.
Aos técnicos foram aplicados questionários semi-estruturados e realizado grupo
focal. Os dados demonstraram que, apesar de reconhecer a importância da RD no
CAPSad, a adoção desta ainda está distante de ser utilizada. Dessa forma, apesar
de encontrar campo fértil nos CAPSad, a efetivação da Redução de Danos ainda
está em processo de implantação.
Consumir e ser consumido, eis a questão! (parte II) outras configurações entre usuários de drogas numa cultura de consumo
VALENÇA, Tom , 2010
Universidade Federal da Bahia - Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas - Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais
Universidade Federal da Bahia
Nos debates acadêmicos e nas representações midiáticas sobre a problemática das drogas, se tende a centralizar a abordagem na relação entre tráfico, violência e exclusão, muitas vezes naturalizando o consumo de substâncias psicoativas como um fator de
desequilíbrio nas configurações socioculturais contemporâneas. Tal perspectiva enfatiza menos o discurso emitido do lugar do usuário que o seu papel como elo mais vulnerável da rede de consumo – principalmente sendo o comércio das drogas ilícitas um dos mais rentáveis do mercado. Se, ao naturalizar a relação entre drogas e ilicitude, se estigmatiza
a identidade e as marcas distintivas do usuário, esta pesquisa investiga o discurso identitário que perpassa representações de estudantes universitários usuários – em um momento histórico no qual estes são colocados em evidência pela ampla exibição do filme Tropa de elite, e das proibições da apresentação do filme Maconha/Grass (a verdadeira história da proibição da maconha) em uma universidade federal e da Marcha da Maconha em várias capitais do país.
Controle Internacional de Drogas e Estratégias Políticas
RODRIGUES, Thiago M. S., 2002
Núcleo Interdiscipinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Núcleo de Relações Internacionais do Curso de Relações Internacionais da Faculdade Santa Marcelina
 
CONSULTÓRIO DE RUA: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA
OLIVEIRA, Mírian Gracie Plena Nunes de , 2009
INSTITUTO DE SAÚDE COLETIVA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
Essa dissertação realiza uma reflexão sobre a experiência do Consultório de Rua (CR), projeto desenvolvido pelo Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (CETAD/UFBA), e
implantado também no Centro de Atenção Psicossocial para Álcool e Drogas (CAPS AD) – Pernambués, em Salvador, Bahia no período compreendido entre 1999 e
2006. Seu objeto consiste em uma análise do Consultório de Rua enquanto prática de saúde que se propõe a atuar em contextos de risco psicossocial e uso de drogas entre jovens. Para a análise aqui empreendida, optou-se por um estudo de caráter
qualitativo, utilizando como procedimento, a narrativa da experiência, por um viés
autobiográfico, introduzindo o leitor desde a trajetória profissional da pesquisadora,
até uma descrição detalhada da prática do CR, contemplando os cenários e a
população-objeto. Do ponto de vista técnico-metodológico, foram utilizados os
registros e notas dos diários de campo resultantes da observação participante dos
profissionais da equipe do CR, relatórios das atividades, registros de reuniões da
equipe multidisciplinar, informações gravadas fornecidas em entrevistas no formato
de grupo focal e fotografias. Aspectos relacionados ao consumo de substâncias
psicoativas lícitas e ilícitas, desde a Antiguidade até a sociedade atual, as
características do seu consumo na contemporaneidade, a Política de Álcool e
Drogas no Brasil, a experimentação de novas práticas de cuidado em saúde, como a
clínica na rua, funcionando em novos settings terapêuticos tal como a Redução de
Danos, são aqui abordados, com foco no consumo de substâncias psicoativas pelo
segmento da população de rua, em particular, pelas crianças e adolescentes nessa
situação. Finalmente, apresenta-se a experiência do Consultório de Rua, desde a
concepção do Projeto até o desenvolvimento de suas ações, reforçando a
pertinência da sua proposta como um dispositivo de atendimento ao segmento de
usuários de drogas em situação de rua, e sugerindo a inclusão deste dispositivo na
rede de serviços de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS).
O controle sanitário da importação de substâncias psicotrópicas no Brasil
SEBASTIÃO, Patrícia Cristina Antunes , 2007
INSTITUTO DE SAÚDE COLETIVA, PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA, MESTRADO PROFISSIONAL EM SAÚDE COLETIVA ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: VIGILÂNCIA SANITÁRIA
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
O objetivo principal foi analisar a etapa da importação que integra o controle sanitário
geral das substâncias psicotrópicas, realizado por meio da área de portos, aeroportos,
fronteiras e recintos alfandegados da Anvisa. Neste estudo, as substâncias psicotrópicas foram
entendidas como sendo os insumos farmacêuticos ativos constantes da lista B1 da Portaria nº.
344/98 e que necessitam da anuência da Anvisa, no sistema Siscomex, para serem
importados. Foram escolhidos por abranger os insumos mais utilizados no País. Trata-se de
uma pesquisa que envolveu dois procedimentos distintos. O primeiro deles visou à
identificação de informações relativas ao perfil das substâncias psicotrópicas importadas pelo
Brasil nos sistemas informatizados – Datavisa, Alice-web e Siscomex; o segundo focou o
controle sanitário exercido sobre a importação dessas drogas por meio de entrevistas semiestruturadas
com informantes-chaves e observação participante. Os dados foram coletados e
sistematizados por meio de análise de conteúdo, modalidade temática. Os resultados
apontaram uma significativa concentração das empresas importadoras; apenas cerca de um
terço das substâncias importadas estudadas correspondeu de fato a psicotrópicos; uma
discrepância entre a posição ocupada pelos países exportadores e fabricantes, em especial,
Uruguai e Suíça e, um controle bastante complexo que envolve um intenso processo
burocrático. Os principais pontos críticos do processo identificados foram: a utilização da
Nomenclatura Comum Mercosul (NCM) como identificador das substâncias que sofrem a
ação da vigilância sanitária; a precariedade do sistema de informação; a carência, tanto em
qualidade quanto em quantidade, dos recursos humanos; a deficiência de apoio laboratorial e
de infra-estrutura dos recintos alfandegados. A página eletrônica da Anvisa e a legislação
mostraram-se como pontos fortes, embora necessitem de aprimoramentos. Percebeu-se que,
apesar de se considerar que houve um avanço, muito ainda precisa ser feito para que o País
possa contar com um sistema de controle sanitário eficiente sobre a importação dessas
substâncias.
Política de saúde pública para usuários de álcool e outras drogas no Brasil: a prática no CAPS AD em Feira de Santana, Bahia, Brasil
SANTOS, Jamerson Luis Gonçalves dos , 2009
Universidade Católica do Salvador, Superintendência de Pesquisa e Pós-Graduação. Mestrado em Políticas Sociais e Cidadania
Universidade Católica do Salvador
A pesquisa analisou a prática institucional efetivada pela equipe multiprofissional do Centro de Atenção Psicossocial para usuários de álcool e outras drogas (CAPS ad) Dr. Gutemberg de Almeida, em Feira de Santana, Bahia, Brasil, entre os meses de setembro e dezembro de 2008. Foi empregado o arcabouço teórico crítico que concebe a realidade sociopolítica situada historicamente e que orienta uma práxis emancipatória para a saúde pública na assistência às pessoas usuárias de álcool e outras drogas. O objetivo geral foi analisar a prática institucional multiprofissional desenvolvida na instituição citada e sua coerência com o paradigma da interdisciplinaridade, tendo em vista a concretização da Atenção Integral aos Usuários de Álcool e outras Drogas, conforme as diretrizes da Política do Ministério da Saúde, vigente desde 2004. Os 19 profissionais componentes da equipe técnica do CAPS ad constituíram os sujeitos da pesquisa Foi usada à metodologia qualitativa do estudo de caso. Os dados foram coletados mediante a realização de 10 entrevistas semi-estruturadas e um grupo focal. Estes foram problematizados a partir da análise de conversação de Greg Myers, identificando os encontros e desencontros entre os discursos dos sujeitos. Resultados da análise dos dados apontam clara tensão entre o modelo tradicional e o novo, fundamentado nos pressupostos ideopolíticos e teórico-metodológico da Reforma Psiquiátrica, na implementação da política vigente. Os principais desafios enfrentados estão relacionados à cultura tradicional na forma de conceber as questões relativas ao álcool e outras drogas e seus usuários, à hierarquização de saberes vigente na sociedade e entre membros da equipe, como a super-valorização do saber médico e a gestão do sistema público municipal de saúde baseada em princípios neoliberais. A complexidade do problema em pauta solicita o concurso interdisciplinar no atendimento aos usuários de álcool e outras drogas, para que possa ser posta em prática em sua plenitude e impactar positivamente usuários, familiares e sociedade em geral. Ao mesmo tempo, exige mais estudos, uma vez que na prática as mudanças culturais ocorrem muito lentamente.
Os sentidos das drogas na sociedade contemporânea: ecos entre os jovens e a família
MIRANDA, Marlene Barreto Santos , 2007
Universidade Católica do Salvador, Superintendência de Pesquisa e Pós-Graduação. Mestrado em Políticas Sociais e Cidadania
Universidade Católica do Salvador
Combina-se nesta dissertação ensaio reflexivo sobre o imaginário com relação às drogas e como esse rebate sobre as famílias, considerando tais construtos na atualidade, o sentido de inseguranças, culpas e onipotências e o pouco investimento em compreender a juventude como rito de passagem, suas angústias e sentidos da fratria assim como da socialização por ethos contemporâneo de consumismo, individualismo e buscas. Insiste-se na proposta de estudiosos que as SPAs (substâncias psicoativas) conjugam histórias de vidas, ambiências e condicionamentos macro referenciados, contudo a tendência é redução no plano de senso comum de tais níveis analíticos como também da diversidade de usuários. Na dissertação após tais debates sobre imaginário, historiação sobre drogas, discursos competentes, especializados de diversas disciplinas, volta-se para o empírico, tendo como foco alunos dos últimos anos do ensino fundamental e do ensino médio em Salvador procedendo a uma leitura própria de pesquisa realizada sobre o tema drogas e escola (CASTRO e ABRAMOVAY, 2002).
A percepção da comunidade escolar sobre o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência – PROERD – Na Escola Pública Estadual Manoel Vitorino em Salvador – Bahia
SOUZA FILHO, Roberto Pereira de, 2008
Universidade Católica do Salvador, Superintendência de Pesquisa e Pós-Graduação. Mestrado em Políticas Sociais e Cidadania
Universidade Católica do Salvador
Este trabalho examinou a percepção da Comunidade Escolar sobre o Programa Educacional de Resistência às Drogas e Violência na Escola – PROERD, aplicado na Escola Estadual Manoel Vitorino no ano de 2006. Foi usada a metodologia qualitativa. Os sujeitos da pesquisa foram constituídos pela Comunidade Escolar da Escola Estadual Manoel Vitorino, envolvida na aplicação do PROERD no ano de 2006; Policiais Militares que aplicaram o Curso; os PM que trabalham na Vigésima Sexta Companhia Independente de Polícia Militar –26ª CIPM, no serviço de Ronda Escolar e os que trabalham na Administração Central do Programa. A coleta dos dados foi realizada através de entrevistas semi-estruturadas, grupos focais e análise de documentos do PROERD. A aplicação do programa, segundo a percepção da Comunidade Escolar, é de grande valia para a prevenção as drogas e a violência no ambiente escolar. Contudo, é evidente a necessidade de se flexibilizar o PROERD, adaptando-o à realidade de cada localidade onde for aplicado. Alguns dos achados são contraditórios. Há discrepâncias entre as declarações de professores, funcionários, alunos PM da Ronda Escolar: para os dois primeiros, não há violência na escola estudada; os dois últimos afirmam o contrário. A pesquisa sinaliza a importância do PROERD acontecer nas cinco últimas séries do ensino fundamental e também no ensino médio.
Adolescência: olhares sobre teorias, dados empíricos e políticas públicas
GÓES, Ângela Cristina Fagundes , 2006
Universidade Católica do Salvador, Superintendência de Pesquisa e Pós-Graduação. Mestrado em Políticas Sociais e Cidadania
Universidade Católica do Salvador
A adolescência enquanto objeto de estudo e intervenção apresenta-se complexa devido a várias influências, como da família, dos grupos institucionalizados, da cultura e do momento histórico. Este estudo objetiva conhecer a produção científica sobre adolescência, desenvolver uma análise conceitual sobre a concepção de adolescência e seu desenvolvimento na literatura; construir mapas conceituais que buscam sintetizar o debate observado nas fontes consultadas e discutir a concepção de adolescência nas políticas públicas brasileiras voltadas para esse grupo populacional. Para isto, foi realizada uma revisão da literatura orientada por três origens: os textos teóricos, a literatura empírica e as políticas públicas. A literatura com bases empíricas foi identificada em cinco periódicos da área de saúde: Caderno de Saúde Pública, Caderno de Ciência e Saúde, Revista de Saúde Pública, Caderno CEDES e Revista Latino-americana de Enfermagem. Pode-se afirmar que a adolescência era apresentada de forma universalizada e naturalizada pelos primeiros autores que propunham uma concepção de fase de desenvolvimento marcada pelo conflito, a rebeldia e a irresponsabilidade. Recentemente, a análise sócio-histórica tem apresentado uma concepção questionadora. Na literatura produzida a partir de bases empíricas brasileiras foram estabelecidas cinco categorias: Sexualidade, Contracepção e Gravidez; Doenças Sexualmente Transmissíveis; Uso de Substâncias Psicoativas; Escola e Trabalho e Violência. No estudo destes temas reconheceu-se uma concepção de adolescência como fase marcada pela vulnerabilidade e discutida a partir do conceito de risco. Não foi encontrado nenhum estudo que adote a proposta do empowerment com relação às políticas públicas. A concepção de adolescência nas políticas públicas baseia-se na idade cronológica, entretanto, essa apresenta variações de um órgão oficial para outro.
Consumo de álcool por motoristas de táxi da orla de Salvador
CARIBÉ, Gustavo Luis Caribé Cerqueira, 2007
Faculdade Ruy Barbosa
Faculdade Ruy Barbosa
Os acidentes de transporte terrestre representam, em vários locais do mundo, a principal causa de morte matando muitas vezes mais do que guerras. Neste estudo, buscou-se identificar o padrão de consumo de bebida alcoólica, exibido por motoristas de táxi de Salvador antes e durante o horário de trabalho. Assim como, caracterizar o perfil de consumo de álcool entre estes, considerando o tipo de bebida consumida, ocasião, freqüência, grau de consumo e a ocorrência de acidentes automobilísticos. Compreendeu-se que existe um consumo relativamente alto entre os taxistas mais jovens e que quanto mais cedo o inicio do consumo de bebida alcoólica, entre dez e vinte anos, maior a probabilidade de adquirir Doença Alcoólica na vida adulta. Conclui-se com este estudo a necessidade de medidas preventivas e sócio-educativas, assim como, maior atenção à saúde num caráter biopsicosocial para estes trabalhadores.
Planejamento Cultural e Propaganda de Cerveja: Uma análise das metacontingências envolvidas na produção de VTs publicitários de cerveja.
Rodrigo Araújo Caldas, 2005
Faculdade Ruy Barbosa - FRB
Faculdade Ruy Barbosa
A população brasileira no ultimo século tem estado cada vez mais exposta à televisão e seus
conteúdos. As propagandas vêm planejando diversas estratégias de persuasão para controlar o
comportamento dos consumidores e através da televisão, e do vídeo – tape, tem conseguido um
alcance enorme. A variação das estratégias utilizadas nas propagandas de cerveja não tem
contemplado a necessidade de estimular um consumo responsável nos consumidores. A
sobrevivência da prática de fazer VT esta diretamente ligada a seu ambiente externo
selecionador, onde regulamentações governamentais e do conselho de ética, influenciam as
estratégias utilizadas nos VTs. A ética envolvida na produção de VTs se mostra essencial para a
sobrevivência das praticas envolvidas na produção e consumo dessa substancia.
Os cocaleros do Chapare : coca, cocaína e políticas internacionais antidrogas na Bolívia
SOUZA, Rosinaldo Silva de , 2006
Instituto de Ciências Sociais, Departamento de Antropologia, Programa de pos-graduação em Antropologia Social
Universidade de Brasília
Ao longo desta tese meu interesse foi descrever a capacidade que agentes poderosos têm para transformar e determinar relativamente o campo de possibilidades dos indivíduos em países com inserção subordinada no sistema internacional. Mais especificamente, descrevi alguns dos resultados da política internacional antidrogas na atividade cotidiana das pessoas relacionadas ao cultivo de coca no Chapare, região boliviana onde realizei pesquisa de campo. Procurei demonstrar, em relato etnográfico e histórico, de que maneira a extensa legislação antidrogas pode ser considerada para se compreender o presente da Bolívia, desde que se leve em conta nessa explicação a história e culturas locais. Particularmente, argumentei que jamais compreenderemos o que acontece com as pessoas nessa região produtora de coca, se não levarmos em consideração as idéias características do Ocidente sobre consumo de drogas e sua maneira de lidar com elas.
Possibilidades integradoras da redução de danos na perspectiva da complexidade : estudo teórico clínico no contexto da psicoterapia de dependentes de drogas
TOTUGUI, Márcia Landini , 2009
Instituto de Psicologia, Departamento de Psicologia Clínica, Programa de pos-graduação em Psicologia Clínica e Cultura
Universidade de Brasília
O presente estudo refere-se à construção de referenciais teórico-clínicos acerca do processo psicoterápico na perspectiva da redução de danos com pessoas que fazem uso não injetável de drogas. Reflete uma série de questões clínicas e epistemológicas acerca das possibilidades e limites da redução de danos, a partir do diálogo com a teoria da complexidade de Edgar Morin. O estudo adotou a teoria sistêmica como referencial de acesso ao paradigma da complexidade. Apresenta uma breve excursão por alguns episódios históricos da gênese da redução de danos enquanto movimento social que se situa numa transição paradigmática. Os procedimentos metodológicos incluíram o método de estudo de casos, definindo sua unidade de análise a partir do perfil contextual de três casos clínicos de usuários de drogas, em processo de psicoterapia na perspectiva da redução de danos, entre 23 a 30 anos de idade, sendo dois do sexo masculino e um do sexo feminino, de classe média, todos com ensino médio concluído. As drogas presentes eram maconha, cocaína, bebida alcoólica e merla. Os dados foram extraídos a partir da análise documental das sessões de atendimento psicoterápico registrados em prontuários de um serviço público especializado no tratamento para dependência de drogas e de consultório particular. As trajetórias individual, familiar e social, a contextualização do uso de drogas e o processo desenvolvido em psicoterapia de cada caso clínico passaram por uma análise longitudinal. Dessa análise, foram retiradas as três principais dimensões que atravessaram, em todos os casos, o processo psicoterápico: a dimensão do trabalho psicoterápico no contexto da continuidade do uso de drogas, a dimensão da interdisciplinaridade e a dimensão das redes de apoio. A partir de uma análise transversal, foi estabelecido um diálogo epistemológico entre essas dimensões e a perspectiva da redução de danos no processo psicoterápico. Como considerações finais, construíram-se algumas reflexões críticas de estudos para ampliar os resultados desta investigação em torno de importantes questões, que situam a redução de danos diante de seus próprios princípios e da sociedade.
Uso de Drogas: a alter-ação como evento
VARGAS, Eduardo Viana, 2006
Revista de Antropologia da USP
Revista de Antropologia da USP
Este artigo problematiza o elenco de questões e de respostas que costumamos formular a respeito dos usos de drogas e propõe outro modo de pensar essas práticas. Sugere-se que já não é mais suficiente indagar “por que as pessoas usam drogas?” e “qual o significado do uso de drogas?”, nem se contentar com as respostas que são apresentadas quando essas questões são colocadas, pois elas costumam concluir pelo “erro”, pela “falta” ou pela “fraqueza”. Propõem-se, então, outras questões: “o que ocorre em práticas como essas?”, “que experiência usuários e substâncias realizam?”. Conseqüen- temente, propõem-se também outras respostas. Estas novas respostas apon- tam para a existência de eventos – as ‘ondas’ das drogas – que envolvem agenciamentos paradoxais de auto-abandono. Propõe-se que o evento ‘onda’ não resulta de fantasias subjetivas dos usuários, nem de determinações obje- tivas da substância, mas exige modalidades de (in)ação como aquelas pre- sentes no paradoxo da paixão e nos jogos profundos. Sustenta-se que o even- to ‘onda’ envolve modos singulares de engajamento no mundo, nos quais as substâncias são mediadores indispensáveis. Por fim, sugere-se que, em vez de se indagar quem controla a ‘onda’, cabe perguntar se ela ocorre ou não, ou, baseado em Gabriel Tarde, se há ou não alter-ação.
Política de drogas e a lógica dos danos
RODRIGUES, Thiago M. S., 2003
Núcleo Interdiscipinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Revista Verve
 
Avaliação das redes socias da escola : uma estratégia de prevenção do uso de drogas
VASCONCELOS, Mackill Lima , 2008
Instituto de Psicologia, Departamento de Psicologia Clínica, Programa de pos-graduação em Psicologia Clínica e Cultura
Universidade de Brasília
A escola precisa sentir-se protegida para poder proteger os alunos do risco do envolvimento com drogas. Por sua vez, esta proteção da escola depende de suas redes de apoio junto às famílias e à comunidade. A pesquisa realizada apresenta subsídios teórico-metodológicos para a prevenção do uso de drogas no contexto da escola, seguindo a Política Nacional sobre Drogas que destaca a construção de redes sociais como estratégia para a melhoria das condições de vida e promoção da saúde. Uma intervenção em rede tem a proposta de levar a comunidade a assumir a responsabilidade pelo gerenciamento dos seus recursos e pela solução dos seus problemas, adotando-se uma perspectiva de diagnóstico sistêmico relacional e contextualizado. A proposta metodológica deste estudo é de natureza qualitativa e participante com entrevistas semiestruturadas, grupos reflexivos e observação participante realizadas em uma escola pública de Goiânia/GO. Participaram da pesquisa, representantes de todos os segmentos da comunidade escolar. Num primeiro nível de análise, apresenta-se uma proposta metodológica para o mapeamento das redes sociais da escola que consiste em um trabalho individual e coletivo, envolvendo alunos, professores, funcionários e famílias num processo crítico e reflexivo sobre a realidade das parcerias existentes no contexto escolar. Este estudo mostrou que a metodologia de mapeamento das redes sociais além de promover uma consciência sobre a constelação social da escola é também uma estratégia mobilizadora e integradora da rede interna da instituição. Num segundo nível são apresentados os resultados procedentes do mapeamento que informam o estado da rede social da escola. Foi adotada a hermenêutica de profundidade para analisar os resultados das informações verbais nos grupos reflexivos apresentados na forma de um capítulo que revela o retrato das contradições da escola pública brasileira, a partir da avaliação da rede social de uma escola goiana. Conclui-se, portanto, que a proposta construída de avaliação das redes sociais da escola, é uma estratégia que viabiliza a sua ampliação junto às famílias, às instituições de saúde, assistência e segurança e comunidade para uma efetiva prevenção do uso de drogas.
Redes sociais de adolescentes em contexto de vulnerabilidade social e sua relação com os riscos de envolvimento com o tráfico de drogas
Sandra Eni Fernandes Nunes Pereira, 2009
Instituto de Psicologia, Departamento de Psicologia Clínica.
Universidade de Brasília
Atualmente, com a temática da requalificação dos espaços urbanos, com a crescente demanda de espaços de lazer e recreação e com a introdução das dimensões ambiental e paisagística no planejamento, o tema “Parque Urbano” assume um papel significativo no desenvolvimento dos planos e projetos. Deste modo, o presente trabalho veio propor uma investigação sobre este tema, buscando-se fazer uma análise da apropriação pelos usuários dos parques urbanos localizados na Bacia da Pampulha, em Belo Horizonte. Na impossibilidade de se trabalhar com todos os parques da bacia, optou-se por selecionar três deles: Parque do Confisco, Parque Cássia Eller e Parque Ecológico Promotor Francisco Lins do Rego. Para alcançar tal objetivo, trabalhou-se com questionários, mapas mentais, levantamento fotográfico e um roteiro estruturado para observação, buscando dados que traçassem o perfil dos usuários e auxiliassem na compreensão do uso e das formas de apropriação dos espaços. Verificou-se que o Parque do Confisco tem bastante vitalidade, sobretudo em virtude da Escolinha de Futebol que funciona diariamente no mesmo. Entretanto, ele enfrenta sérios problemas como a falta de segurança, o vandalismo e a presença de usuários de drogas. Já o Parque Cássia Eller é o mais bem cuidado, pois suas instalações e equipamentos apresentam-se bastante onservados, como também os seus jardins. Todo este cuidado deve-se à Associação de Moradores do Loteamento Fazenda da Serra, a qual é a responsável pelo espaço, mesmo ele sendo público. No entanto, este parque apresenta uma situação inusitada, visto que na entrada para a área do referido loteamento, encontra-se uma guarita com cancelas, o que dá a impressão aos passantes que aquele espaço seja um espaço privado. Ressalta-se ainda que, na prática, a entrada é limitada aos condôminos e seus convidados, o que gera questionamentos quanto à definição da referida área como parque. O Parque Ecológico Promotor Francisco Lins do Rego é bastante popular e percebeu-se nele um potencial para se tornar um parque metropolitano, dadas as características de seu programa e sua localização junto à orla e conjunto da Lagoa da Pampulha. Acredita-se que os resultados deste trabalho contribuirão no processo de gestão dos parques de Belo Horizonte, uma vez que o público visitante e as características de cada um deles são bastante diversificados.
Do sujeito à lei, da lei ao sujeito: o revelar das experiências subjetivas de envolvimento com a justiça por uso de drogas no contexto do acolhimento psicossocial
SÓCRATES, Adriana Barbosa , 2008
Instituto de Psicologia, Departamento de Psicologia Clínica, Programa de pos-graduação em Psicologia Clínica e Cultura
Universidade de Brasília
O presente estudo aborda as experiências subjetivas vivenciadas e reveladas no Acolhimento Psicossocial de usuários de drogas em seu envolvimento com a Justiça. A inserção da pesquisadora na execução do Projeto Piloto de Intervenção Psicossocial para jurisdicionados do MPDFT em cumprimento de medidas alternativas pelo uso de drogas possibilitou alcançar o objetivo de verificar como ocorrem essas experiências em 24 sujeitos nesse contexto, bem como subsidiar teórica e metodologicamente os Serviços Psicossociais. Adotamos como condução teórica a psicossociologia pela vertente psicanalítica, que emancipa o sujeito para além de suas experiências com a Justiça. A epistemologia qualitativa consistiu a orientação metodológica utilizada. Inauguramos quatro zonas de sentido, a partir dos indicadores de sentido que instauraram as demarcações abstratas e dinâmicas, no movimento contínuo e recíproco vivenciado pelos sujeitos, considerados como colaboradores desse estudo. As duas primeiras zonas de sentido perpassam as experiências dos sujeitos com o pessoal singular, e as outras duas perpassam as experiências dos sujeitos com o social, nesse cenário. Verificamos estar presente no campo de estudo um movimento do sujeito à Lei e da Lei ao sujeito, e apontamos a importância do acolhimento nestes moldes para as intervenções psicossociais no âmbito da Justiça
Redes sociais e fatores de risco e proteção para o envolvimento com drogas na adolescência: abordagem no contexto da escola
SANTOS, Juliana Borges dos , 2006
Instituto de Psicologia, Departamento de Psicologia Clínica.
Universidade de Brasília
O presente estudo desenvolve um instrumento para avaliação e abordagem das redes sociais e dos fatores de risco e proteção para o envolvimento com drogas na adolescência, adequado para o uso no contexto da escola. O trabalho se fundamenta teórica e epistemologicamente na teoria sistêmica e no paradigma da complexidade, compreendendo a drogadição em uma perspectiva relacional, e podendo ser abordada por meio da teoria e prática de redes sociais. Este estudo se articula com o que prevê a legislação atual sobre drogas, em relação à abordagem dos fatores de risco e de proteção para a prevenção do envolvimento com drogas na adolescência. Foi realizado em uma escola da rede pública de Brasília ¿ DF, dentro da abordagem qualitativa e da pesquisa participante, no contexto de um curso presencial para educadores dessa escola, sobre prevenção ao uso de drogas na adolescência. A metodologia seguiu três etapas: observação participante; desenvolvimento do instrumento em conjunto com os educadores e adolescentes em contexto de sala de aula; aplicação piloto em duas turmas de 8a série do ensino fundamental, envolvendo dois professores da escola que passaram por um treinamento e utilizaram a proposta de avaliação e abordagem, cada um em uma turma. Os resultados evidenciam que o instrumento desenvolvido mostrou-se compreensível pelos alunos e educadores; adequado ao contexto da escola; relevante para o autoconhecimento do adolescente e conhecimento da turma sobre os principais fatores de risco e proteção de envolvimento com drogas, presentes nas redes sociais dos adolescentes; propiciando a intervenção do educador junto à turma. Para tanto, observou-se a importância do educador conhecer sobre a teoria sistêmica e de redes sociais, a fim de que possa se apropriar desta proposta, indicando a capacitação e orientação direta do educador como recursos mais adequados à sua preparação. A partir da pesquisa, os professores puderam refletir sobre seu papel de educador e modificaram-se as relações entre os alunos da turma. As contribuições finais envolvem: construções teóricas sobre a especificidade dos fatores de risco e proteção à drogadição na adolescência e discussões sobre possibilidades, desafios e limites da proposta para o empoderamento do educador e alunos na prevenção da drogadição.
Uso de solventes por crianças e adolescentes em situação de rua no Distrito Federal
NASCIMENTO, Amanda do , 2009
Programa de pós-graduação em Ciências da Saúde. Área de concetração: Toxicologia
Universidade de Brasília
A precariedade de acesso aos bens materiais e imateriais nas periferias faz com que centenas de famílias cheguem à Brasília todos os anos. Nesse cenário, crianças e adolescentes são expostos a uma série de riscos à sua saúde e bem-estar, inclusive o uso de drogas. O uso de solventes é o mais preocupante nessa população, tanto devido ao seu amplo consumo, quanto devido aos danos à saúde e sociais relacionados ao seu uso. O objetivo deste trabalho foi avaliar os fatores associados ao uso de solventes pelas crianças e adolescentes em situação de rua no Distrito Federal. Foram realizados estudo quantitativo e qualitativo, através da aplicação de questionários estruturados e entrevistas abertas, respectivamente, aos jovens em situação de rua. Cento e trinta e dois jovens participaram do estudo quantitativo e destes, sete participaram das entrevistas abertas. O período de coleta de dados perdurou quinze meses, de agosto de 2006 a novembro de 2007. Foi utilizada a análise do discurso crítica como ferramenta, por conter em seu arcabouço de análise noções de ideologia e poder na pósmodernidade; portanto contextualizando a percepção dos jovens ao risco que estão expostos inseridos no espaço de vulnerabilidade, exclusão e volatilidade marcantes na pósmodernidade. Os solventes foram as drogas de maior prevalência entre os indivíduos do estudo. O uso dessa substância está relacionado aos jovens desacompanhados dos pais, principalmente a mãe, do sexo masculino e ausentes da escola; das crianças que não freqüentavam a escola 84 % eram usuários de solventes. Foi observado que a prevalência de usuários de solventes do sexo masculino foi quase 20% maior do que a prevalência de meninas usuárias de solventes e que os meninos têm duas vezes mais chances de serem usuários de solventes do que as meninas. Os jovens acompanhados das mães iniciam sua jornada nas ruas mais cedo, porém o seu nível de envolvimento com as ruas é menor. Em comparação com os diferentes tipos de acompanhantes nas ruas, a presença da mãe foi a única relevante para o não uso de solventes. Porém, em avaliação qualitativa a família tem papel antagônico, ora protetor, ora facilitador, na vida dos jovens com relação ao uso de drogas, em especial solventes. A percepção dos riscos pessoais parece ter maior influência na proteção dos meninos ao uso de solventes, principalmente as experiências relacionadas com a família. Embora os jovens percebam os riscos relacionados a situação de rua, estes não estão associados ao uso de solventes.
Comportamentos de risco para DST / AIDS em mulheres na cidade de Pelotas : prevalência, autopercepção e fatores associados
SILVEIRA, Mariângela Freitas da , 2000
Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas - Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia
Universidade Federal de Pelotas
Este estudo teve como objetivo investigar comportamentos de risco e autopercepção de vulnerabilidade às Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e à Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (AIDS) em uma amostra representativa de mulheres da cidade de Pelotas, RS. Dos 281 setores censitários existentes na cidade, foram selecionados 48 a partir de amostragem sistemática. Utilizou-se um questionário confidencial, sendo investigadas 1543 mulheres, de 15 a 49 anos com relato de já haver iniciado sua vida sexual. Houveram 3,5% de perdas e recusas. Na amostra, 64% das mulheres achavam impossível ou quase impossível adquirir DST/AIDS. Os principais comportamentos de risco foram o não uso de preservativo na última relação (72%); início das relações sexuais com menos de 18 anos (47%); uso de álcool ou drogas pelo parceiro (14%) ou pela mulher (7%) antes da última relação; dois ou mais parceiros nos últimos três meses (7%) e sexo anal na última relação (3%); 44% das mulheres apresentaram dois ou mais comportamentos de risco. A sensibilidade da autopercepção, usando como padrão-ouro o escore de risco igual ou superior a 2, foi de 41 % e sua especificidade de 67%. A autopercepção de vulnerabilidade não é um bom indicador, pois as mulheres não identificam corretamente seu nível de risco.
Adolescência: um efoque sobre o consumo de bebidas alcoólicas
SCHLICKMANN, Maria Marlene, 2003
Programa de Mestrado em Educação e Cultura da Universidade do Estado de Santa Catarina
Universidade do Estado de Santa Catarina
O presente estudo está alicerçado no objetivo de identificar, analisar e discutir fatores que interferem no comportamento do adolescente inserido nas diferentes realidades culturais e de verificar neste contexto o consumo de álcool, bem como a óptica do jovem sul catarinense sobre esta droga lícita. Os sujeitos pesquisados são quinhentos e trinta e dois adolescentes dos municípios de Braço do Norte, Grão-Pará, Gravatal, Orleans, Rio Fortuna e São Ludgero. Utilizou-se como instrumentos de coleta de dados a pesquisa de campo do tipo qualitativa, com aplicação de questionário, observação, entrevistas não-estruturadas e análise documental. Após análise quantitativa e qualitativa dos dados observa-se que, no que tange ao desenvolvimento biológico, muitas características são universais e independem da cultura existindo também, uma gama bastante grande de semelhanças no comportamento dos jovens de um mesmo contexto cultural, apesar da maneira singular de sentir, pensar e fazer de cada adolescente. Percebeu-se que os adolescentes, pelo menos grande maioria, nutrem admiração e respeito pelos seus pais, anseiam que estes lhes sirvam de parâmetro e que possibilitem o diálogo franco e aberto, contrariando a tão disseminada conotação de adolescência como fase difícil e de conflito. Identifica o conflito como fomento para a construção da identidade do adolescente e para a compreensão do que é e do que significa. As ações e reações semelhantes também estão presentes na problemática das drogas, mais especificamente no consumo de bebidas alcoólicas. A ingestão de bebidas alcoólicas inicia-se precocemente, principalmente nas festas e na companhia dos amigos, sem grandes preocupações com os efeitos ou possíveis conseqüências de tais atitudes. Em termos gerais, o estudo aponta para a importância de uma visão mais otimista e menos rotuladora dos adolescentes por parte dos adultos e para a necessidade de um trabalho preventivo ao uso de drogas, pautado nos sentimentos, nas expectativas, nas aspirações e no potencial criativo de cada jovem, dentro de uma concepção educativa destituída de mitos e preconceitos e alicerçada na afetividade.
O adolescente infrator e a ressignificação da vida a partir da leitura
BASTOS, Ivanilda Maria e Silva , 2005
Programa de Pós-Graduação em Educação e Cultura da Universidade do Estado de Santa Catarina - UNESC
Universidade do Estado de Santa Catarina - UNESC
O presente dissertação realiza um estudo acerca das possibilidades e benefícios que a leitura proporciona a adolescentes considerados "infratores". Assim sendo, inicialmente aborda a conceituação de adolescente infrator, tomando como ponto de partida a problemática da: falência dos valores morais, permissividade, violência urbana, tráfico de drogas, hedonismo exacerbado, núcleos familiares desestruturados. Feito isto, passou-se para a investigação do segundo aspecto do problema aqui em jogo, as leituras de literatura para adolescentes considerados infratores. A seguir foi apresentada a relevância da leitura para o desenvolvimento das capacidades de ensino-aprendizagem dos adolescentes mas, sobretudo, como via de reconstrução e ressignificação de seus mundos. A leitura abordada como estimuladora da atividade reflexiva e viabilizadora de reconstrução de mundo, ampliando horizontes e ressignificando valores dos adolescentes. Em seu terceiro e último capítulo, este estudo, até então teórico, foi enriquecido com pesquisa de campo realizada junto ao Projeto UNIVILLE (Joinville/SC), que presta auxílio sócio-educativo a dolescentes infratores através de oficinas de leitura. A partir destes encontros, pretendemos expor em que medida a leitura pôde contribuir para a transformação destes.
Tratamento do Centro de Atenção Psicossocial para usuários de álcool e outras drogas CAPSad II – Leste Natal/RN : uma avaliação da efetividade
SILVA, Adriana Melo da , 2006
Instituto de Serviço Social do Centro de Ciências Sociais da UFRN
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
O tratamento para usuários abusivos de álcool e outras drogas, sofreu significativas modificações até chegar ao modelo psicossocial, utilizado pelo Centro de Atenção Psicossocial para usuários de álcool e outras drogas (CAPSad II – leste Natal/RN). Esse modelo surge a partir das Reformas Sanitária e Psiquiátrica Brasileira expressas nos princípios e proposições do Sistema Único de Saúde – SUS. A Reforma Psiquiátrica significou uma ruptura com o padrão de tratamento manicomial e hospitalocêntrico destinado aos usuários abusivos de álcool e outras drogas. A nova proposta propõe a universalização, democratização, regionalização e integralidade das ações no campo da saúde mental. Reúne uma equipe de saúde necessariamente interdisciplinar. Este estudo tem como objetivo avaliar a efetividade do tratamento para usuários abusivos de álcool e outras drogas oferecido pelo CAPSad II – leste Natal /RN. A avaliação utilizou, como prioritária, a pesquisa social de caráter qualitativa através de um estudo avaliatório a partir do modelo nãoexperimental. O processo metodológico utilizou diferentes instrumentos de coleta de dados: pesquisa bibliográfica e documental, observações sistemáticas no CAPSad II – leste, e, principalmente, às entrevistas semi-estruturadas (21) que foram realizadas com os profissionais, usuários e familiares do CAPSad II – leste. A investigação apontou para a efetividade do serviço e, portanto, o CAPSad II – leste se constitue enquanto principal estratégia de enfrentamento ao modelo manicomial e hospitalocêntrico de tratar os usuários abusivos de álcool e outras drogas.
A experiência da criança com a droga :características do uso e circunstâncias familiares
DE ARAÚJO, Katia Cristiane Vasconcelos , 2004
Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes. Programa de Pós-Graduação em Psicologia
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
O estudo faz uma reflexão sobre o uso de drogas entre crianças situando-o como um dos mais graves problemas sociais da atualidade. Caracterizar o abuso de drogas, refletindo sobre sua condição de infância e investigar a influência da família no desencadeamento do problema nestas crianças, se configura como o objetivo central deste trabalho. Optando pelo método de pesquisa qualitativa, a investigação se dá a partir dos relatos de crianças e mães atendidas pelo Centro de Referência e Apoio à Criança e ao Adolescente Usuários de Drogas, programa de atendimento especializado da 1ª Vara da Infância e da Juventude de Natal/RN. Os dados foram coletados através de entrevistas semi-estruturadas, com um total de seis sujeitos, sendo três crianças e suas respectivas mães. Através das falas e depoimentos dos sujeitos, busca-se trazer reflexões teóricas que ilustrem as percepções e concepções deles acerca de temas como o uso de drogas, as circunstâncias em que se iniciou o uso, a estrutura e dinâmica familiares, a situação de rua, e outros fatores que comprometem o desenvolvimento da criança no meio em que vive. Comprova-se que o uso de drogas no Brasil, problema que acomete cada vez um maior número de crianças, é um fenômeno multifacetado e complexo, porém, alguns fatores de risco sociais e familiares merecem destaque como forma de subsidiar futuras intervenções na área de prevenção.
Ódio humanista e o combate às drogas
RODRIGUES, Thiago M. S., 2002
Núcleo Interdiscipinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
 
AS POLÍTICAS PÚBLICAS SOBRE DROGAS NO MUNICÍPIO DE PONTA GROSSA
SANTOS, Edna Maria Siqueira , 2007
Programa de Pós-graduação em Educação, setor de Ciências Humans e Artes
Universidade Estadual de Ponta Grossa
Este trabalho faz um resgate histórico sobre as drogas, entendendo-as como um fenômeno histórico-cultural com implicações médicas, políticas, religiosas e econômicas, para chegar às políticas que estão postas à estrutura nacional, estadual e municipal. Tendo como questão-problema: qual é a política de drogas no município de Ponta Grossa, este estudo objetiva identificá-la, para assim conhecer e identificar a natureza dos obstáculos, que dificultam e até mesmo impedem o trabalho de prevenção. A partir do entendimento de que as diretrizes políticas ganham corpo pelos que a executam, foram enfocados na pesquisa os profissionais da educação, da segurança pública e da saúde que atuam com a questão das drogas dentro do município de Ponta Grossa. A pesquisa é de abordagem qualitativa com enfoque teórico-metodológico nas representações sociais. A análise feita mostrou os depoimentos de profissionais de áreas de atuação diferentes, mas que convergiram para vários pontos centrais, sendo que o principal deles é a urgência de um local para tratamento de adolescentes usuários de drogas. Diante dos dados coletados, contatou-se que a política pública de drogas não é operacionalizada no Município, pois o Poder Público local não reconhece a necessidade de estruturação do Conselho Municipal Antidrogas. Conclui-se que aos esforços dos profissionais que trabalham com os jovens para realização da prevenção, devem somar-se condições efetivas no local de trabalho e política de droga condizente.
Usuários de drogas: desvelando regras e identidades num grupo em Ponta Grossa- PR
MACHADO, Ricardo, 2008
Programa de Pós-graduação em Educação, setor de Ciências Humans e Artes
Universidade Estadual de Ponta Grossa
O presente trabalho tem por objetivo analisar um grupo de usuários de drogas e conhecer as razões pelas quais os mantêm próximos, ainda que haja consciência de seus integrantes serem considerados outsiders pela sociedade onde residem. Por intermédio de uma pesquisa exploratória, qualitativa, e com um enfoque baseado na Sociologia e na Antropologia, buscou-se desvelar qual a identidade que assumem esses indivíduos usuários de drogas em função desse agrupamento, bem como desvelar a existência de regras internas nesse grupo. Foram selecionados sete indivíduos integrantes de um mesmo grupo, residentes na Vila Vilela, no município de Ponta Grossa – PR, cujo vício foi desenvolvido ao longo da adolescência e que, apesar de adultos, ainda permanecem como usuários de drogas ilícitas. Ao final, após as análises dos dados, foi possível compreender que esses indivíduos assumem uma identidade de grupo e/ou coletiva e também a existência de regras internas tal qual os demais integrantes da sociedade.
Mulheres alcoolistas: histórico reprodutivo e alterações do crescimento e desenvolvimento dos filhos
SOUZA, Sheila Carla de , 2009
Mackenzie
UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE
O álcool é a substância teratogênica mais utilizada no mundo ocidental e seu consumo moderado a severo durante a gestação é um grave problema de saúde pública pelos riscos que pode oferecer à mãe (aumento de abortos espontâneos e descolamento prematuro de placenta) e ao feto (prejuízos físicos, mentais, de comportamento e/ou de aprendizagem), sendo sua forma de comprometimento mais grave denominada de Síndrome Alcoólica Fetal (SAF). O presente estudo foi realizado a partir de uma amostra de 89 mulheres em tratamento atual ou pregresso devido ao uso e/ou abuso de álcool e seus filhos. A faixa etária das mulheres variou entre 19 anos (mínimo) e 71 anos (máximo), com uma média de 44 anos. A faixa etária e o gênero dos filhos não foram considerados como critérios de exclusão. Os três principais objetivos desta pesquisa foram descrever o histórico reprodutivo de mulheres alcoolistas, o crescimento e desenvolvimento dos filhos e investigar manifestações dos quadros dos Transtornos Invasivos do Desenvolvimento (TID) nos filhos. Os principais resultados encontrados apontam perdas reprodutivas em alcoolistas e altos índices de problemas de aprendizagem, hiperatividade e agressividade nos filhos. Esses dados convergem com a literatura existente. No entanto, não foram observadas co-segregação de autismo para indivíduos expostos ao álcool em período gestacional. O presente estudo alerta para os malefícios que podem ser advindos do álcool consumido na gravidez. Pesquisas deste tipo são escassas no Brasil.
I Levantamento Nacional sobre Uso de Álcool, Tabaco e Outras Drogas entre Universitários das 27 Capitais Brasileiras
ANDRADE, Arthur Guerra de [et. al.], 2010
Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas; GREA/IPQ-HCFMUSP
Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas; GREA/IPQ-HCFMUSP
ESTUDO REVELA QUE QUASE METADE DOS ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS JÁ FIZERAM USO DE SUBSTÂNCIA ILÍCITA

Em estudo inédito no Brasil, realizado pela Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas (SENAD), o primeiro Levantamento Nacional Sobre Uso de Álcool, Tabaco e Outras Drogas entre Universitários das 27 capitais brasileiras revelam que quase metade destes já fizeram uso de alguma substância ilícita. Esses dados revelam um consumo maior entre essa população e alertam para as necessidades de políticas públicas voltadas para os mesmos.
O levantamento foi realizado através de questionários aplicados com alunos matriculados no ano de 2009, em instituições de ensino superior pública e privada. Ao todo foram quase 18.000 estudantes participantes. Os resultados indicam que 49% já experimentaram alguma droga ilícita. Dos menores de 18 anos, 80% afirmaram já ter consumido algum tipo de bebida alcoólica. 43% revelaram já ter feito uso múltiplo e simultâneo de drogas na vida.
O consumo de substâncias ilícitas foi maior entre estudantes da região Sul e Sudestes em instituições privadas da área de humanas. A prevalência de dependência encontrada foi maior entre a população geral que entre os universitários apesar de 22% dos universitários estarem sob risco de desenvolver dependência a álcool e 8% de maconha.
Drogas, Discursos e Mídia: Um diálogo sobre o (des) encontro de representações em processos judiciais
CAIXETA, Mário Henrique Cardoso, 2009
Universidade Católica de Goiás (PUC) - Departamento de História
Universidade Católica de Goiás (PUC)
A política sobre (ou anti) drogas adotada pelo Brasil está calcada em um discurso de intolerância, unidimensional e de exclusão, responsável pela criação de estereótipos humanos sobre os quais recaem medidas de normalização e controle. Essa política, presente no Brasil desde 1921, é consentânea às legislações sobre drogas adotadas no plano internacional, através de tratados e convenções. O discurso que a informa encontra ressonância na mídia, que por meio de mecanismos de persuasão, ligados à criação de um verdadeiro clima de guerra contra a droga e contra o traficante, conferem legitimidade ao discurso oficial. A associação do discurso oficial ao discurso midiático provoca a sedimentação do estereótipo criminoso, que passa a ser identificado como inimigo a ser destruído. Além disso, essa associação discursiva, por meio de procedimentos de exclusão e de limitação do discurso, não permite o florescer de discursos contrários ou refratários. Os portadores do discurso marginal ficam, portanto, alijados de voz, porque sobre eles há o estereótipo criado. Uma das mais importantes ferramentas de que se vale o Estado para aplicar o discurso oficial é o processo. No curso do processo, tem-se o encontro do indivíduo com o estereótipo que lhe foi criado pela política oficial e reafirmado pela mídia. Tem-se o encontro de representações sobre o tráfico. Apesar desse encontro, o discurso marginal, nem mesmo nos casos em que houve absolvição, não aparece, por força dos mesmos mecanismos de exclusão e limitação do discurso, em especial, em razão da desqualificação discursiva do indivíduo processado, sempre coletado das camadas mais baixas da sociedade. Tem-se o desencontro de representações sobre o tráfico. Resulta da pesquisa que a política criminal sobre drogas, tanto no Brasil como no plano internacional, foi erigida sobre um discurso dotado de eficientes mecanismos de manutenção. Mesmo quando esse discurso não se afirma concretamente, com a condenação de alguém acusado de tráfico ilícito de drogas, não se observa fissuras em sua estrutura. O indivíduo processado não procura infirmar o discurso predominante. Limita-se a buscar o “descolamento” de sua imagem à imagem estereotipada do traficante, contribuindo, ao final, com o fortalecimento desse estereótipo. Assim, se em princípio a absolvição criminal pode significar a ruptura do discurso oficial, fica demonstrado que, muito longe disso acontecer, a absolvição criminal representa a reafirmação deste discurso.
Impacto do Uso de Drogas Ilícitas na Contagem de Linfócitos TCD4+ de Portadores do HIV em Goiânia (Brasil)
MILKI, Marcos Vinicius, 2006
Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais e Saúde
Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC)
A AIDS é considerada um importante problema de Saúde Pública, afetando milhões de pessoas por todo o mundo, apesar dos importantes avanços que vêem ocorrendo no conhecimento sobre a epidemiologia, a patologia da infecção e ainda do advento da terapia antiretroviral, a epidemia de HIV/AIDS continua a crescer de forma preocupante. Atualmente, os principais aspectos epidemiológicos relacionados ao HIV/AIDS têm assumido impacto crescente entre os socialmente marginalizados com baixo nível sócio-econômico, dependentes de drogas de abuso (lícitas e ilícitas), feminilização, baixa escolaridade e o avanço da doença em indivíduos acima dos cinqüenta anos de idade. Esse estudo objetivou investigar a correlação entre o uso de drogas ilícitas (maconha, crack, cocaína, ecstasy, heroína, metadona, LSD, GHB, special key e speed ball) na contagem de linfócitos T CD4+ em portadores do HIV. Foi aplicado um questionário sobre estilo de vida (QEV) em 176 portadores do HIV, divididos em “caso” e “controle”, sendo o grupo “caso” 68 portadores do HIV e usuários de drogas ilícitas e “controle” 108 portadores do HIV não usuários de drogas ilícitas. Foi realizada uma procura ativa em prontuários no HAA/HDT dos soropositivos entrevistados para verificar os últimos resultados de contagem de linfócitos T CD4+ que foram realizados no LACEN-GO. O perfil geral dos participantes foi formado por indivíduos de ambos os sexos (com maioria do sexo masculino) cientes de que são portadores de HIV de 5 a 10 anos, residentes em Goiânia-GO, com idade média entre 30 e 40 anos e baixo nível de escolaridade. No grupo “caso”, a maconha se mostrou a droga de abuso mais usada. Entretanto os usuários de crack foram os que revelaram menor média de linfócitos T CD4+ dosados. Os resultados do estudo se mostraram surpreendentes, visto que o uso de drogas de abuso não gerou, diretamente, influência na dosagem de linfócitos T CD4+. Contudo, outros estudos demonstraram que o uso de drogas ilícitas está, por muitas vezes, associado à falta de informação e uma vida social de risco (com violência e promiscuidade) as quais podem induzir, indiretamente, à contaminação pelo HIV e a provável disseminação da AIDS.
Jovens Estudantes: Interdição e Inserção no Consumo de Substâncias Psicoativas
MARTINS, Maria do Carmo Canto , 2003
Programa de Pós-graduação em Educação
Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC)
Trata-se de uma pesquisa abordando o consumo de substância psicoativas entre jovens estudantes. O fenômeno da drogadição imbrica-se a fatores fundamentais, que são as agências socializadoras, sobretudo a família e a escola. Portanto, investiga-se o papel dessas agências na formação do jovem e seus significados na constituição do jovem como sujeito. Neste sentido, o jovem foi tomado como sujeito social, portador de uma historicidade, uma origem familiar, ocupando um lugar determinado na sociedade. É um ser singular, que age sobre o mundo, e nesta ação, se produz e é produzido no conjunto das relações sociais a que pertence. Ao definir o jovem como um sujeito social, adota-se uma postura metodológica em que o jovem é percebido como capaz de refletir sobre suas ações, ter posicionamentos diante da vida, o que requer do pesquisador distanciamento e auto-reflexão. O método que melhor se adequou às especificidades da pesquisa foi o fenomenológico, por possibilitar adentrar no universo conceitual dos sujeitos e perguntar quem são estes jovens, verificar sua realidade cotidiana, o significado que atribuem a ela, seus anseios e seus dilemas. Utilizou-se como instrumento de pesquisa a técnica de depoimentos. Foram entrevistados seis jovens, divididos em dois grupos: o primeiro, composto por jovens escolhidos em virtude do não-uso de drogas, exceto álcool e tabaco, o segundo, por usuários de drogas em processo de recuperação. Os critérios seguidos nos dois grupos foram: estarem na faixa etária de 15 a 24 anos; terem freqüência escolar e pertencerem ao mesmo estrato sócio-econômico. As entrevistas seguiram um roteiro em que foram inquiridos aspectos fundamentais da vida do jovem: lazer, participação política, atividade remunerada, vida escolar, consumo de drogas, e prevenção. A intenção principal desta pesquisa foi a de organizar um conhecimento que possa subsidiar a formulação de projetos de prevenção ao uso de drogas nas escolas.
Filhos Dependentes e Pais Penalizados: Fenomenologia da Drogadição em Cocaína
SILVA, Annelize Lisita Moreira, 2008
Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia
Pontificia Universidade Católica de Goiás (PUC)
O presente trabalho pretendeu alcançar dois objetivos: descrever alguns dos significados vivenciados na experiência da dependência química, tanto por parte dos filhos dependentes de cocaína, quanto por parte dos pais, afligidos por tal conduta de seus filhos, e verificar como esse mundo interior ou fenomenal vivenciado se traduz na vida cotidiana dos implicados. Pra isso, foi empregado o método qualitativo de base fenomenológica, pois ele facilita a exploração mais aprofundada e reflexiva dos possíveis significados da referida vivência. Participaram desse estudo: dois pais, duas mães e seus respectivos filhos dependentes. O dado de maior valor heurístico observado foi: 1º) que a experiência da dependência química, nas duas modalidades de vivencia apresentada, como dependente ou como responsável penalizado, pode gerar dois tipos de reação comportamental diferente, de caráter positivo ou negativo; 2º) que a mesma modalidade de reação é compartilhada pelos membros de ambas as famílias pesquisada.
Epidemiologia da infecção pelo vírus da hepatite B em usuários de drogas ilícitas em Campo Grande, MS
RODRIGUES, Fabiana Perez, 2006
Programa de Pós-Graduação em Enfermagem
Universidade Federal de Goiás
Com o objetivo de investigar o perfil soroepidemiológico da infecção pelo vírus da hepatite B em usuários de drogas ilícitas (UD) de Campo Grande, MS, 268 UD foram entrevistados sobre dados sócio-demográficos e fatores de risco para a infecção pelo HBV. A seguir, foram coletadas amostras sanguíneas para a detecção dos marcadores sorológicos do HBV (HBsAg? , anti-HBs e anti-HBc) pelo ensaio imunoenzimático (ELISA). A média de idade da população foi de 27,8 anos, houve predomínio de indivíduos do sexo masculino (88%), solteiros (60,5%), brancos (75%), natural do MS (66,8%), de baixa renda (66,3%) e escolaridade (60%). Do total de indivíduos investigados, 10,1% (IC 95%: 6,9 – 14,5) eram positivos para os marcadores da infecção pelo HBV, variando de 9,4% em UD não injetáveis a 14,7% em UD injetáveis. Um indivíduo apresentou positividade para o HBsAg? , dois para o anti-HBc isoladamente e 24 para o anti- HBc e anti-HBs. Somente vinte e seis indivíduos foram positivos apenas para o anti-HBs, indicando vacinação prévia contra hepatite B. Ainda, ter idade igual ou superior a 30 anos e usar de forma irregular preservativos durante relações sexuais foram fatores independentemente associados a infecção pelo HBV (p<0,05). Os resultados desse estudo evidenciam a necessidade de programas de saúde pública para a população de usuários de drogas, com ênfase na prevenção da transmissão sexual, bem como vacinação contra hepatite B.
A Nova Lei Antidrogas e o aumento da pena do delito de tráfico de entorpecentes
BOITEUX, Luciana, 2006
Núcleo Interdiscipinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Boletím do IBCCrim - Instituto Brasileiro de Ciências Criminais
 
Investigação epidemiológica e molecular da infecção pelo vírus da hepatite C em usuários de drogas ilícitas no Brasil Central
LOPES, Carmem Luci Rodrigues , 2009
Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical e Saúde Pública
Universidade Federal de Goiás
A infecção pelo vírus da hepatite C (HCV) é um importante problema de saúde pública. Os usuários de drogas (UD) constituem um grupo com freqüente exposição ao HCV e, pouco se conhece sobre essa infecção em UD no Brasil. Este estudo teve como objetivo investigar o perfil soroepidemiológico e molecular da infecção pelo HCV em usuários de drogas ilícitas no Brasil Central. Um total de 691 UD, sendo 102 injetáveis (UDI) e 589 não injetáveis (UDNI), foi entrevistado e amostras sanguíneas coletadas em 26 centros de tratamento de uso de drogas situados em Campo Grande-MS e Goiânia-GO. As amostras sanguíneas (soros) foram testadas para a detecção de anticorpos para o HCV (anti-HCV). As amostras anti-HCV positivas foram submetidas à detecção do RNA-HCV pela reação em cadeia da polimerase (PCR) com iniciadores complementares às regiões 5’ NC e NS5B? do genoma viral e, genotipadas pelo LiPA? e por seqüenciamento direto, seguido de análise filogenética, respectivamente. A prevalência para anti-HCV foi 6,9% (IC 95%: 5,2-9,2). A população estudada apresentou conhecimento limitado sobre as formas de transmissão parenteral (20,8-30,5%), sexual (31,7%) e vertical (20%) do HCV. A análise multivariada de fatores de risco revelou que idade > 40 anos, via (injetável) e tempo de uso de drogas e transfusão de sangue foram associados à infecção pelo HCV. O RNA viral foi detectado em 85,4% das amostras anti-HCV positivas. Trinta e três amostras foram do genótipo 1 pelo LiPA? , subtipos 1a (63,4%) e 1b (17,1%), e oito (19,5%) do genótipo 3, subtipo 3a. A análise filogenética da região NS5B? mostrou que 17 (68%), 5 (20%) e 3 (12%) amostras foram dos subtipos 1a, 3a e 1b, respectivamente. Este estudo mostra uma prevalência elevada da infecção e do subtipo 1a do HCV em usuários de drogas no Brasil Central, bem como o uso injetável de drogas como principal fator de risco para essa infecção. Além disso, evidenciou conhecimento limitado da população estudada sobre as formas de transmissão do HCV. Assim, medidas preventivas são necessárias para o controle dessa infecção em usuários de drogas ilícitas.
Uso de Drogas Psicotrópicas Por Policiais Militares de Goiânia e Aparecida de Goiânia, Goiás, Brasil.
COSTA, Sérgio Henrique Nascente, 2009
Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde
Universidade Federal de Goiás
Drogas lícitas, como o álcool, e ilícitas, como a maconha, a cocaína, os opióides e as anfetaminas são utilizadas por milhões de pessoas no mundo. Os prejuízos à saúde ocorrem em virtude da intoxicação aguda ou crônica, e também devido às alterações comportamentais e psicomotoras que essas substâncias provocam nos usuários. Uma das situações que merecem especial atenção é o uso de drogas no ambiente de trabalho, notadamente em empresas e/ou instituições que necessitam de constante concentração e equilíbrio emocional nas atividades laborais. Desta forma, o objetivo deste trabalho foi realizar um levantamento sobre o uso de drogas psicotrópicas em 12 unidades da Polícia Militar do Estado de Goiás, nos municípios de Goiânia e Aparecida de Goiânia. Este levantamento foi feito por meio da aplicação de um questionário e da realização de análise toxicológica, em amostras de urina coletadas no início da jornada de trabalho, para a pesquisa de canabinóides, cocaína, anfetaminas, metanfetaminas, opiáceos e benzodiazepínicos. Os resultados obtidos a partir da aplicação do questionário em 221 sujeitos foram os seguintes: uso na vida – tabaco – 39,9%; álcool – 87,8%; maconha – 8,1%; cocaína – 1,8%; estimulantes – 7,2%; solventes – 10,0%; sedativos, ansiolíticos, antidepressivos – 6,8%; LSD – 0,5%; Bentyl® – 0,5%; anabolic steroids – 5,4%; uso no último ano – tabaco – 15,4%; álcool – 72,9%; estimulantes – 6,3%; solventes – 0.5%; sedativos, ansiolíticos, antidepressivos – 3,7%; uso no mês anterior – tabaco – 14,5%; álcool – 57,5%; estimulantes – 5,0%; solventes – 0,5 %; sedativos, ansiolíticos, antidepressivos – 3,7%. Por outro lado, as 299 amostras de urina obtidas para análise toxicológica foram submetidas aos testes de triagem imunocromatográficos, cujos resultados Resumo xv positivos para canabinóides e anfetaminas foram encaminhados para confirmação por GC/MS. Desta forma, os resultados foram os seguintes: 0,33% de amostras positivas para anfetaminas; 0,67% de amostras positivas para canabinóides; 1,34% para benzodiazepínicos; 97,66% foram de resultados negativos. Assim o percentual total de amostras positivas foi de 2,34%. Não foi encontrado nenhum caso de associação de drogas. Em relação aos casos positivos, 57,1% corresponderam ao uso de benzodiazepínicos; 28,6% ao uso de canabinóides e 14,3% ao uso de anfetaminas. A pesquisa realizada de forma inédita, voluntariamente, em policiais militares revela que estes profissionais, como a comunidade civil em geral, estão sujeitos a riscos semelhantes de se tornarem usuários de drogas lícitas e ilícitas, e alerta em relação à necessidade da implantação de testes de drogas no ambiente de trabalho, visando evitar as conseqüências decorrentes do consumo de substâncias psicoativas.
II Levantamento Domiciliar sobre Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil – 2005
CARLINI, E. A. [et al.], 2005
SENAD - Secretaria Nacional Antidrogas ; CEBRID/UNIFESP.
SENAD - Secretaria Nacional Antidrogas ; CEBRID/UNIFESP.
 
V levantamento nacional sobre o consumo de drogas psicotrópicas entre estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública de ensino nas 27 capitais brasileiras 2004
GALDURÓZ, J. C. F. [et. al.], 2004
CEBRID - Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas
CEBRID - Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas - Universidade Federal de São Paulo Escola Paulista de Medicina - Departamento de Psicobiologia
 
Representações Sociais do Medicamento por Farmacêuticos
LIMA, Rosemary Sousa Cunha, 2001
UniversidadInterde? Estadual da Paraíba -Programa isciplinar em Saúde Coletiva
Universidade Estadual da Paraíba
Há muito tempo, a Saúde Pública se ressente de uma efetiva atuação do especialista em medicamentos: o farmacêutico. A industrialização, advinda da própria evolução histórica, proporcionou uma grande mudança na vida desse profissional, direcionando-a para eixos marginais da profissão, como as análises clínicas. Com o objetivo de analisar as Representações Sociais do medicamento, realizou-se uma pesquisa com farmacêuticos inscritos no Conselho Regional de Farmácia da Paraíba, seccional Campina Grande, que detinham responsabilidade técnica por farmácias e/ou drogarias na época da coleta dos dados (abril a agosto de 2000). A amostra foi composta por sessenta farmacêuticos, dos quais 56,6% eram graduados há mais de dez anos; 81,7% do sexo feminino; 65% casados e 53,4% possuíam idade superior a trinta e cinco anos. Utilizou-se o questionário misto, a associação de palavras e a entrevista semi-estruturada para a efetivação da triangulação metodológica, como uma forma de aprofundamento da análise das Representações Sociais. Os resultados foram analisados em percentis, freqüência e ordem média de evocação e as entrevistas segundo a análise temática de conteúdo. O Teste de Associação de Palavras evidenciou as palavras saúde, cura e doença como pertencentes ao Núcleo Central; e farmácia, tratamento, cuidados, necessidade, pesquisa, alívio e problemas sociais no Sistema Periférico das Representações Sociais. O medicamento, a atuação do farmacêutico, a propaganda de medicamentos e o genérico foram evocados, simultaneamente, em seus aspectos positivos e negativos, na entrevista. Dentre as categorias apontadas, a conduta do farmacêutico pareceu orientada pelo fato desse profissional ter perdido o poder de oferecer fórmulas “milagrosas” que provocariam a cura ao paciente. Assim, alienados do “fazer”, os profissionais sentem-se distantes de seu objeto de trabalho, mergulham numa crise existencial que guia suas atitudes, resultando na falta de atuação.
Um Estudo Sobre a Drogadição como Problema Relativo a Falhas na Fase da Transicionalidade
UCHÔA, Lucas Cortelletti, 2010
PUC-Campinas/ Programa de Pós Graduação Stricto Sensu em Psicologia do Centro de Ciências da Vida
Pontifícia Universidade Católica - Campinas
Este trabalho pretende analisar a questão da drogadição como problema relacionado a falhas na fase da transicionalidade, tal como sugere Winnicott em seu artigo “Objetos Transicionais e Fenômenos Transicionais”. Considerando que o fenômeno da transicionalidade diz respeito tanto à separação como à integração do mundo subjetivo com o mundo objetivamente percebido, trata-se de analisar não só as falhas ambientais que podem ocorrer na fase da transicionalidade e que poderiam contribuir para o surgimento da drogadição em data mais tardia, mas também a interpretação de que a drogadição pode corresponder a uma tentativa de experienciar este estado de união-separação como uma busca de integração de si mesmo.
A Religiosidade Vivenciada na Recuperação de Dependentes Químicos
LUZ, Márcia Maria Carvalho, 2007
PUC - Campinas / Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Centro de Ciências da Vida
Pontifícia Universidade Católica de Campinas
Trata-se de um estudo qualitativo que teve por objetivo descrever e compreender, a partir de depoimentos pessoais, a religiosidade vivenciada no contexto da recuperação de jovens em tratamento da dependência química. Foram feitas 4 entrevistas, estas posteriormente foram escritas em forma de 4 narrativas e analisadas segundo o método fenomenológico. Os resultados encontrados permitem concluir que a fé religiosa vivenciada na recuperação de dependentes químicos foi importante na medida em que proporcionou esperança e ânimo para que os participantes deste estudo buscassem sua autonomia perante a drogadicção, sendo que em 3 entrevistas, a religiosidade possibilitou um sentido para a vida, uma nova forma de ver a si mesmo e o mundo.
Práticas Educativas Parentais em Dependentes Químicos
GRANETTO, Walter Eduardo, 2008
PUC - Campinas / Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Centro de Ciências da Vida
Pontifícia Universidade Católica de Campinas
As práticas educativas parentais são definidas como classes comportamentais emitidas pelos pais que têm o objetivo de suprimir comportamentos indesejáveis e incentivar a ocorrência de comportamentos adequados nos filhos (uso de explicações, de punições ou de recompensas). Assim, este trabalho teve como objetivo descrever as práticas parentais relatadas por jovens internados numa instituição de recuperação de dependentes químicos e discutir com base em outras pesquisas, as possíveis relações de contingência entre as práticas parentais e o comportamento dos participantes. Participaram desta pesquisa nove adolescentes, de ambos os sexos, solteiros, com idades entre 17 a 21 anos, oriundos de famílias biparentais. Para obtenção dos dados foi utilizado ficha de identificação contendo dados sobre a idade e sexo dos participantes, a escolaridade e ocupação dos sujeitos e do casal parental, a renda familiar, o inicio de consumo de substâncias psicoativas, o consumo no último mês que antecedeu a internação e se houveram internações anteriores; um instrumento (Escalas de Qualidade de Interação Familiar – EQIF) e uma entrevista semi-estruturada. Os resultados mostraram que a maioria dos participantes da amostra estudada estava inserida em um ambiente familiar de risco para o desenvolvimento de condutas anti-sociais, pois eram pais que não utilizavam práticas positivas como o envolvimento paterno, supervisão e monitoria eficazes e diálogo com os filhos, mas utilizavam freqüentemente práticas negativas, principalmente a punição verbal e a comunicação negativa, caracterizando assim um ambiente familiar coercitivo. A presente pesquisa demonstrou a importância da família, em especial das práticas educativas, no desenvolvimento de problemas de comportamento nos filhos como o uso e dependência de drogas.
Uso de Drogas Psicoativas entre Estudantes Adolescentes Trabalhadores e não Trabalhadores da Rede Estadual de Ensino de Cuiabá, Mato Grosso
SOUZA, Delma Perpétua Oliveira de, 2006
Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina/ Programa de Pós-Graduação em Saúde Mental do Departamento de Psiquiatria
Universidade Federal de São Paulo
Objetivo: Analisar a prevalência e os fatores associados ao uso, na vida, de drogas psicoativas entre estudantes adolescentes trabalhadores e não trabalhadores. Métodos: Trata-se de um estudo analítico de corte transversal realizado por amostragem de conglomerados e estratificada por tipo de ensino. Aplicou-se, em sala de aula, um questionário anônimo de auto-preenchimento. A amostra foi constituída de 2718 estudantes adolescentes, sendo 993 trabalhadores e 1725 não trabalhadores matriculados, em 1998, na rede estadual de ensino de Cuiabá, Estado de Mato Grosso, Brasil. Considerou-se, para efeito da pesquisa, o uso de alguma droga psicoativa pelo menos uma vez na vida. Utilizaram-se as análises bivariada e multivariada, incluindo regressão logística e árvore de decisão através do algoritmo CHAID (Chi-squared automatic interaction Detection). Resultados: Verificaram-se prevalências de 22,7% para o uso de drogas na vida, exceto o álcool e tabaco, na amostra, sendo maior entre os estudantes trabalhadores (28,5%) comparativamente aos não-trabalhadores (19,3%), como também para o uso do álcool (81,0% e 65,8%), tabaco (43,7% e 26,8%), solventes (14,6% e 11,7%), maconha (8,6% e 4,4%), anfetaminas (6,9% e 3,6%), ansiolíticos (6,4% e 3,3%) e cocaína (3,2% e 1,4%). Faltas às aulas constituiu fator de chances para o uso de drogas entre ambos os grupos de adolescentes. Entre os trabalhadores apareceu a relação insatisfatória entre os pais (RO = 1,53, IC 95%:1,10-2,12) e, entre os não trabalhadores, a qualidade da relação com o pai (RO = 1,56, IC 95%:1,14-2,14). Conclusão: As diferenças e semelhanças observadas entre os adolescentes trabalhadores e não trabalhadores devem ser consideradas na implementação de ações educativas, visando a mudanças de comportamento relacionadas ao uso de drogas.
Ecletismo, Caridade e Cura na Barquinha da Madrinha Chica
MERCANTE, Marcelo Simão, ???
Núcleo Interdiscipinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
 
As Drogas Psicotrópicas e a Imprensa Brasileira: Análise do material publicado e do discurso dos profissionais da área de jornalismo.
MASTROIANNI, Fábio de Carvalho, 2006
Universidade Federal de São Paulo - Programa de Pós-graduação em Psicobiologia
Universidade Federal de São Paulo
O jornalismo exerce um importante papel na construção social da realidade e está diretamente relacionado ao processo de formação da opinião pública. A presente pesquisa buscou unir aspectos quantitativos e qualitativos objetivando analisar e comparar o conteúdo dos textos jornalísticos sobre drogas, publicados na imprensa brasileira nos anos de 2000 e 2003, assim como compreender o processo de construção dessas notícias a partir do referencial de seus autores. Para tanto, foram realizados dois estudos complementares: a) a análise de conteúdo de 2.510 matérias (1.110 em 2000 e 1.400 em 2003) extraídas por clipping dos principais jornais e revistas do Brasil; e b) a análise do discurso dos profissionais da área de comunicação (N=22) autores de matérias sobre drogas, obtidos por entrevistas semi-estruturadas, gravadas e transcritas literalmente. Entre as matérias jornalísticas analisadas verificou-se que tanto para o tabaco quanto para o álcool, predominaram temas relativos a políticas públicas, enquanto que para as demais drogas (maconha, derivados da coca e textos sobre drogas de maneira geral) os textos foram mais restritos às conseqüências negativas do uso e ao tráfico de drogas. Entre os anos de 2000 e 2003 foi observado um aumento de matérias sobre políticas relacionadas ao álcool enquanto que para maconha e cocaína aumentou o número de matérias que utilizaram termos pejorativos. Cerca de metade dos textos analisados em ambos os anos foram do tipo nota. Em relação ao discurso dos profissionais, a maioria considerou inadequada a cobertura jornalística sobre o tema, apontando dificuldades tais como a falta de conhecimento mais amplo sobre o assunto, assim como o tempo escasso para a elaboração de matérias com maior profundidade. Os resultados confirmam o descompasso entre imprensa e epidemiologia, bem como a superficialidade com que um tema tão complexo é tratado. Além disso, para que haja uma cobertura mais adequada do tema é necessária uma maior capacitação dos profissionais da área de comunicação, assim como uma aproximação maior destes com profissionais e acadêmicos da área de saúde.
Lazer e Sociabilidade Juvenil de Usúarios de Drogas em Contexto Risco
CUNHA, Clara Maria Pereira Carvalho Carneiro da, 2006
Universidade Federal da Paraíba/Programa de Pós-Graduação em Serviço Social
Universidade Federal da Paraíba
Este estudo objetiva analisar as práticas de lazer, encontradas por jovens usuários de drogas, de bairros populares e periféricos de João Pessoa-PB, focalizando suas formas de sociabilidade num contexto de atração pelo risco. Os jovens selecionados para a pesquisa foram os que estavam em tratamento no Centro de Atenção Psicossocial CAPS/Jovem Cidadão), um serviço localizado em João Pessoa, pertencente à Secretaria de Saúde do Estado da Paraíba, que oferece tratamento gratuito. O pressuposto deste estudo é que, devido às exigências sociais contemporâneas impostas aos jovens que, não correspondendo a tais expectativas são tomados por sentimentos de incapacidade e baixa auto-estima, estes, vão buscar nas drogas sensações prazerosas, embora ilusórias, para redução das dores sociais e afetivas, exercendo as mesmas, o papel de diversão e de muletas emocionais que os possibilitam caminhar amparados. O eixo central deste trabalho é que, uma das formas de lazer, o uso abusivo de drogas, deve-se em parte ao impacto da modernidade que vem deteriorando a percepção dos indivíduos sobre si mesmos e, na ânsia de se sentirem poderosos, arriscam-se como forma de pertencimento à sociedade, que os exclui. A análise das falas dos sujeitos demonstra que o uso de drogas por si só é um tipo de lazer diretamente associado ao risco e que, a socialização nos espaços de lazer, mesmo propiciando riscos, é buscada como forma de obtenção de prazer e superação de desafios impostos, para que, ao superarem, encontrem-se em condições de pertencimento social.
Estudo da ação psicofarmacológica de Herissantia crispa (L.) Brizicky (Malvaceae)
PEREIRA, Charlane Kelly Souto, 2009
Universidade Federal da Paraíba/ Programa de Pós-Graduação em Produtos Naturais e Sintéticos Bioativos
Universidade Federal da Paraíba
A espécie Herissantia crispa (L.) Brizicky, popularmente conhecida como malvaísco, é uma planta pertencente à família Malvaceae. Não há muitos relatos sobre H. crispa na literatura, no entanto, esteróides, flavonóides e glicosídeos flavonoídicos com atividades comprovadas foram isolados desta planta. Outras espécies da família Malvaceae são usadas na medicina tradicional e estudos comprovaram atividades anti-inflamatórias, antinociceptivas, diuréticas, entre outras. O objetivo do presente trabalho foi avaliar as possíveis ações psicofarmacológicas do extrato etanólico de Herissantia crispa (EEHc), pela investigação de seus efeitos no sistema nervoso central (SNC), em camundongos. Inicialmente, foi realizada a triagem farmacológica comportamental, para verificar o possível efeito do EEHc no sistema nervoso. Algumas alterações comportamentais semelhantes às de drogas depressoras do SNC foram observadas nos camundongos tratados, tais como, redução da ambulação e pequeno grau de ptose. Nas 72 horas seguintes não houve morte dos animais, nem presença de sinais tóxicos na maior dose possível (2000 mg/kg i.p), sendo estabelecidas as doses de 500 e 800 mg/kg para os testes subsequentes. Nenhuma das doses testadas do EEHc diminuíram o tempo de permanência dos animais na barra giratória no teste do rota-rod. No teste do campo aberto, as duas doses testadas do EEHc diminuíram significativamente a ambulação, o comportamento de levantar e a defecação, sugerindo perfil semelhante ao de drogas sedativo-hipnóticas. O comportamento de autolimpeza não foi alterado por nenhuma dose. O tratamento dos animais com o EEHc nas doses testadas não alteraram seu comportamento no teste do labirinto em cruz elevado e também não protegeram os animais contra as convulsões induzidas pelo eletrochoque auricular, descartando-se os efeitos ansiolítico e anticonvulsivante, respectivamente. As doses de 500 e 800 mg/kg do EEHc induziram significante potencialização do tempo do sono induzido pelo tiopental, no entanto, não alteraram a latência de indução do sono, característica semelhante à de drogas sedativa-hipnóticas. Na avaliação da atividade antinociceptiva, o EEHC reduziu significativamente o número de contorções abdominais, evidenciando atividade antinociceptiva. Tal efeito não foi dose dependente, pois foi mais pronunciado na dose de 500mg/kg do que na dose de 800mg/kg. No teste da placa quente o EEHc aumentou o tempo de latência ao estímulo térmico apenas na dose de 500 mg/kg, 60 minutos após o tratamento. No teste da formalina, o EEHc na dose de 500 mk/kg só foi capaz de reduzir o tempo de lambida na primeira fase do teste, mas a dose de 800 mg/kg reduziu o tempo de lambida da pata na primeira e segunda fase do teste , confirmando assim o efeito antinociceptivo de ação central. Para detalhar essa atividade antinociceptiva, realizou-se o teste da formalina submetendo os animais a um tratamento prévio com a naloxona, um antagonista opióide, no entanto, o efeito antinociceptivo não foi revertido, excluindo assim a participação do sistema opióide no mecanismo desta atividade. Portanto, baseado nos resultados obtidos no presente estudo, o EEHC apresentou características de drogas com perfil sedativo-hipnótico e atividade antinociceptiva central, sem participação do sistema opióide.
Suplementos alimentares: adequabilidade à legislação e efeitos metabólicos em ratos
FERREIRA, Alan de Carvalho Dias, 2010
Universidade Federal da Paraíba/ Programa de Pós-Graduação em Ciências da Nutrição.
Universidade Federal da Paraíba
Suplementos alimentares têm sido extensamente consumidos por praticantes de exercícios físicos e atletas. Pesquisadores têm observado a inadequabilidade da composição destes produtos, além de detectar a presença de andrógenos, aumentando a suspeita sobre sua verdadeira composição. O objetivo dessa pesquisa foi listar e classificar os suplementos alimentares comercializados nos pontos de venda de João Pessoa; verificar a adequabilidade dos produtos à legislação vigente; analisar os efeitos em ratos jovens submetidos a exercício físico, desencadeados pela ingestão crônica de suplementos amplamente comercializados sobre: o consumo alimentar e ganho de peso corporal; níveis de testosterona total; e, composição corporal (percentual de gordura e massa magra). Em uma pesquisa de campo descritiva e experimental, em um primeiro momento, identificou-se os produtos nos pontos de venda da cidade de João Pessoa-PB, representados por farmácias, lojas especializadas e supermercados. Comparou-se a composição e as características rotuladas dos suplementos com os fatores essenciais de composição e qualidade fixadas pela Portaria 222/98 da ANVISA. Os produtos que não se enquadravam na Portaria foram classificados em categorias de acordo com sua composição e/ou sua denominação de mercado. No trabalho experimental, distribuiu-se 60 ratos machos jovens Wistar em cinco grupos (n=12/grupo) (CT – controle treinado; CS – controle sedentário; ST1 – treinado/suplementado 1; ST2 – treinado/suplementado 2; ST3 – treinado/suplementado 3). Por gavagem, ST1, ST2 e ST3 receberam 2,5g de cada suplemento e CT e CS receberam água filtrada. Semanalmente, registrou-se o peso e o consumo alimentar. Após oito semanas, realizaram-se dosagens de testosterona total e determinação de gordura e proteína das carcaças. Catalogou-se 945 produtos diferentes, a maior parte (43%) considerada Alimentos para Praticantes de Atividade Física (APAF) e 28% de produtos com comercialização proibida no Brasil. Dentre os APAF, nenhum apresentou todas as características exigidas pela legislação, principalmente por conter, de acordo com o rótulo dos produtos, excesso de vitaminas e minerais, ou não apresentar a quantidade mínima de proteínas. Entre os suplementos analisados 42% apresentavam denominação inadequada e 33% apresentaram expressões proibidas. Os resultados do trabalho experimental demonstraram que tanto o exercício como a suplementação promoveram menor ganho de peso (p<0,05). O exercício não alterou os níveis de testosterona total, entretanto, os três suplementos promoveram redução destes níveis (p<0,001). Os grupos ST1, ST2, ST3 apresentaram percentual de gordura duas vezes maior do que o grupo CT (p<0,001). CT apresentou quantidade de proteína corporal total maior (p<0,05) que os suplementados. Considerando-se o alto índice de inadequabilidade, principalmente quanto ao excesso de vitaminas e minerais e à menor proporção de proteínas rotuladas, demonstra-se a necessidade de controle e fiscalização desses produtos. A avaliação da adequabilidade da composição e das características rotuladas permite verificar se o suplemento ou grupo de suplementos contém os nutrientes mínimos para gerar seus efeitos esperados, seja na performance, na saúde ou na nutrição. Os dados encontrados indicam que cronicamente os suplementos causaram aumento de tecido adiposo, menor ganho de massa muscular e menor ganho de peso, provável consequência da menor secreção de testosterona. Os resultados similares para os três grupos reforçam a hipótese de que os suplementos continham andrógenos ou seus precursores.
O corpo na toxicomania: uma primazia da sensação?
ARTEIRO, Isabela Lemos, 2007
Universidade Católica de Pernambuco/ Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação do Centro de Teologia e Ciências Humanas - Psicologia Clínica
Universidade Católica de Pernambuco
O presente estudo tem por objetivo interrogar se o que está em questão na toxicomania é uma primazia da sensação, uma busca excessiva por experimentar um plano que arranca o sujeito do campo da representação, do pensamento e da palavra, mantendo-o em um nível energizado e potencializado. Investigamos o funcionamento psíquico do toxicômano a luz da Psicanálise Freudiana e de alguns de seus comentadores, como Hanns e Garcia-Roza. Trata-se de uma pesquisa psicanalítica e, nesse sentido, parte de questões emergentes da clínica em um primeiro momento. Seguidamente, nos dedicamos ao trabalho de campo, a fim de submeter à comprovação as hipóteses elaboradas no projeto de pesquisa. Para a realização da coleta de dados, foram visitadas duas instituições especializadas em atendimento para dependentes químicos, nas quais realizamos 23 entrevistas com residentes que se dispuseram, livremente, a contribuir com o estudo. Aos entrevistados foi disponibilizado um espaço de fala livre, onde puderam descrever o que vivenciaram no plano sensorial ao usar drogas. Evidenciamos que na toxicomania há um silenciamento das simbolizações, na qual a droga responde ao ímpeto do sujeito pela excitabilidade – estimulação pura. Trabalhamos, então, no espaço próprio da pulsão, ou seja, no limite entre o psíquico e o somático. Além disso, consideramos que a imprevisibilidade dos movimentos pulsionais nos coloca diante de uma gama, cada vez maior, de repertórios clínicos segundo os quais nossos referenciais teóricos clássicos parecem não dar conta. Portanto, dedicamos um espaço para repensar os aparatos técnicos que os psicanalistas dispõem para manejar com a clínica em questão. Face à necessidade de buscar novas estratégias terapêuticas que não privilegie a nomeação dos sintomas, sustentadas em um formato subjetivo dado a priori, propomos um fazer clínico onde a escuta não se restrinja ao campo da palavra, mas que o psicanalista possa apreender sensações e experiências. O estudo empreendido sobre a clínica da toxicomania parte do modelo clássico da psicanálise e recebe significativas contribuições de Olievenstein.
O uso da cannabis sativa (maconha) pelo filho e suas repercussões nas relações familiares
MANGUEIRA, Renata Torres da Costa, 2005
Universidade Católica de Pérnambuco/ Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação; Centro de Teologia e Ciências Humanas - Psicologia Clínica
Universidade Católica de Pernambuco
A existência de um usuário de drogas compromete a organização do sistema familiar, interferindo na qualidade das suas relações. A revelação do uso de droga é um momento crucial no relacionamento entre o usuário e seus familiares, e todas as condutas posteriores dependerão de como transcorre este momento. São recentes, no Brasil, estudos sobre as relações entre o usuário de Cannabis sativa e seus familiares. A ampliação das pesquisas e práticas nesta área poderá ser uma alternativa a mais para tratar a dependência, o que ressalta a relevância da nossa pesquisa. Este trabalho teve como objetivo geral realizar um estudo de caso sobre uma família cujo filho é usuário de Cannabis sativa (maconha) e como objetivos específicos: 1. analisar como os familiares lidam com o uso de Cannabis sativa pelo filho; 2. investigar como o usuário acolhe as interferências de seus familiares diante do seu uso de droga; 3. estudar o que ocorre nesta família, quando o uso de Cannabis sativa pelo filho é revelado. Para a execução da pesquisa, mantivemos contato com um usuário em atendimento no Centro Eulâmpio Cordeiro de Recuperação Humana (CECRH) — instituição de tratamento para usuários e/ou dependentes de substâncias psicoativas pertencente à Rede de Saúde do Estado de Pernambuco — como também com seus familiares. O trabalho foi desenvolvido com base na Teoria Geral dos Sistemas e utilizou, como técnica, a entrevista semidirigida. As conclusões do nosso trabalho demonstraram que, a partir do momento em que a revelação do uso de droga é assumida pela família, o filho passa a ocupar um papel central nas relações familiares. Questões de significativa importância para essa família e que, até então, não haviam sido discutidas, tais como o fato do filho usuário ter nascido para “substituir” uma irmã falecida precocemente; a ausência de cuidados dos pais na vida do filho; o uso abundante de bebidas alcoólicas pela família; a dependência de álcool do avô e do pai; assim como o uso de Cannabis sativa pelo primo, mobilizaram a busca de uma convivência mais saudável entre os membros dessa família, que apresenta intensa disfuncionalidade nas suas propriedades sistêmicas. Concluímos ser essencial a terapia familiar do usuário de droga, para que o sistema retome as possibilidades de funcionamento adequado, solucionando, assim, seus impasses e restaurando a harmonia entre seus membros.
Paixão e droga como vínculos patológicos: um estudo psicanalítico sobre a relação de dependência entre sujeito e objeto
SILVA, Antonieta Lira e, 2005
Universidade Católica de Pernambuco/ Programa de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia Clínica
Universidade Católica de Pernambuco
O mundo onde vivemos vem apresentando mudanças avassaladoras e, evidentemente, transformações também ocorrem na clínica psicanalítica, que se depara com novas formas dos sintomas. O homem, ao nascer, depende de alguém para continuar vivendo, o que confere a ele a característica de um desamparo fundamental, no qual necessita do suporte do outro para sua sobrevivência. Alguns “necessitam” permanecer na posição de “dependente” do outro ou de algo, forma com que ele “consegue” vincular-se ao longo da vida. Buscando entender essa forma de vinculação, objetivamos compreender, a partir das contribuições de Freud, de Lacan e de teóricos que podem acrescentar de forma significativa, a relação de dependência entre sujeito e objeto. Primeiramente, procedemos a uma reflexão das noções de sujeito e de objeto segundo a psicanálise, na perspectiva de Freud e Lacan, fazendo um recorte no contexto da paixão e da droga. Distinguimos o objeto de desejo, do objeto de necessidade e do objeto de dependência. Em seguida, discutimos a questão do vínculo patológico, articulando-o com a relação de dependência. Fizemos ainda algumas aproximações de teóricos do vínculo com a noção de relação de objeto conforme Lacan. Entendemos que, subjacente ao vínculo patológico, encontra- se uma relação de dependência. Finalizando, falamos de um vínculo que se estabelece entre sujeito e objeto no sentido de dependência, que deve ser entendida como relativa a determinados comportamentos caracterizados pelo abuso e pelo excesso, essa relação passa a se configurar numa patologia pela intensidade e preponderância, independente das características desse objeto. A dependência ao “objeto escolhido” leva o sujeito à servidão. Submeter-se a qualquer coisa para não perder é a regra do sujeito que apresenta uma estrutura aditiva. Logo, a conseqüência marcante é a perpetuação da situação de dependência em relação ao outro, negando-se o princípio básico da alteridade
Um Olhar Sistêmico do Processo de Tratamento da Drogadicção na Família
BRASIL, Valéria Rocha , 2005
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/ Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Este trabalho teve por objetivo compreender o funcionamento familiar ao longo do processo de tratamento do dependente químico, a partir do pensamento complexo descrito por Edgard Morin em sua obra. Para tanto, efetuei um estudo de caso longitudinal com uma família cuja filha, adolescente de dezoito anos, era dependente de drogas e passou por um tratamento especializado em regime de internação. A configuração familiar apresentou as seguintes características: ausência e desqualificação da figura paterna, figura materna muito presente, adicções no sistema intergeracional, incoerências constantes na educação dos filhos, dificuldade na comunicação, dispersão familiar, problemas de relacionamento entre os pais, a droga aparecendo como um fator de “união” e os filhos servindo para preencher o vazio da mãe. Esses aspectos coincidiram com padrões de funcionamento de outras famílias de drogadictos descritas em parte da literatura que aborda esse assunto. O processo de internação e de pós - internação do dependente químico junto à sua família foi permeado por movimentos paradoxais, contraditórios, ambíguos e antagônicos ocorrendo simultaneamente. A reinserção familiar do mesmo representou, dialogicamente, momentos de ordem e desordem se influenciando reciprocamente. A drogadicção passa a ser paradoxalmente necessária para a manutenção do status quo e da organização familiar, sendo, portanto, o tratamento e as mudanças do drogadicto ao mesmo tempo ameaçadoras e gratificantes para o sistema em questão. Os resultados mostram que trabalhar o processo de reinserção do dependente de drogas na família pressupõe compreender as relações complexas que se estabelecem neste fenômeno, assim como desenvolver um tratamento muito próximo, acolhedor e compreensivo a fim de construir novos arranjos possíveis no sistema, sem que a ameaça e as perdas superem os ganhos do processo de mudança.
Prevalência do uso de drogas em estudantes de uma escola particular: subsídios para prevenção
SARTORI, Claudia Neri, 2008
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/ Programa de Pós-Graduação
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
O presente trabalho teve por objetivo diagnosticar o padrão de consumo dos estudantes de uma escola particular do estado de São Paulo, contribuindo para a obtenção de dados a respeito da prevalência do uso de drogas entre os estudantes brasileiros e levantar questões a respeito da prevenção. A pesquisa teve a participação voluntária de 839 estudantes do 6º ano do Ensino Fundamental II ao 3º ano do Ensino Médio, de uma escola particular. O instrumento de coleta consistiu em um questionário anônimo, fechado de múltipla-escolha, autopreenchido, com 76 questões abordando alguns temas, tendo sido aplicado nos laboratórios de informática da escola. Os resultados mostraram que as drogas mais consumidas pelos participantes foram o álcool (com uma prevalência bem superior das demais drogas), com início também mais precoce, o tabaco e a narguile. Entre as ilícitas, a maconha/haxixe e os solventes ou inalantes foram as mais experimentadas segundo o relato dos participantes. Os estudantes, que nunca haviam experimentado qualquer droga, avaliaram seus pais como mais controladores do que os demais. O motivo mais apontado para justificar a experimentação de drogas, independentemente do tipo, foi a curiosidade. Grande parte dos estudantes afirmou considerar importante a prevenção ao uso de drogas. A maneira mais interessante de se prevenir, segundo a maioria dos participantes, seria a orientação familiar e a orientação dos professores. Os dados obtidos neste estudo e em estudos anteriores sugerem a necessidade de implementar um programa preventivo na escola, uma vez que ela pode assumir o papel de mediadora entre os alunos, a família e a comunidade
O sistema de cuidados da saúde do Céu da Mantiqueira e o continuum espiritual- terapêutico: análises sobre a �cura� no Santo Daime
ROSE, Isabel Santana de,
Núcleo Interdiscipinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
O Céu da Mantiqueira é uma comunidade do Santo Daime filiada ao CEFLURIS e localizada no sul do estado de Minas Gerais. Neste artigo, a partir das expressões das experiências dos participantes desta comunidade, eu faço uma breve análise do sistema de cuidados da saúde do Céu da Mantiqueira, procurando identificar os modelos que motivam e sustentam os procedimentos terapêuticos grupais e as categorias culturais relacionadas às experiências de cura, saúde e doença.
Educação e políticas públicas de redução de riscos e danos do uso abusivo de bebidas alcoólicas entre estudantes universitários
MAURINA, Leda Rúbia Corbulim, 2007
Universidade de Passo Fundo
Universidade de Passo Fundo/Programa de Pós-Graduação em Educação
O uso abusivo de bebidas alcoólicas, tema de variadas discussões atuais, tem estado presente na mídia, evidenciando que a sua análise é uma necessidade social. A educação como uma prática social é co-responsável pelo futuro dessa questão. O presente estudo remete às políticas públicas direcionadas à educação de um grupo de jovens em processo de formação: os estudantes universitários. Sua abordagem teve como objetivos: conhecer a percepção dos jovens quanto aos riscos a que ficam expostos quando abusam de álcool; investigar alguns dos motivos subjacentes ao seu consumo e visualizar possibilidades de ações pedagógicas voltadas para a redução desses riscos em decorrência do uso abusivo de bebidas alcoólicas. Para tanto, utilizou-se da técnica do grupo focal e de questionário complementar; para o tratamento das informações foi utilizada a análise de conteúdo. As categorias emergentes das falas dos universitários explicitaram como motivos subjacentes ao consumo a importância da família, o álcool como “lubrificante” social, a influência da mídia, as festas e o contexto universitário e o alívio de tensões inerentes à vida acadêmica. Os sujeitos identificaram como riscos ao uso abusivo de bebidas alcoólicas: danos físicos, dependência de álcool e uso de outras drogas, prejuízos no desempenho acadêmico e nas relações familiares. Como ações a serem implementadas na universidade, os jovens sugeriram atividades sócio-integrativas, recreativo-culturais e reflexivo-publicitárias integradas numa política institucional, envolvendo toda comunidade acadêmica na sua construção e execução. Esta investigação proporcionou uma reflexão sobre a importância de pesquisas que envolvam essa problemática para subsidiar políticas e programas de prevenção ao abuso de álcool e outras drogas no contexto universitário. Da mesma forma, evidenciou a função pedagógica e social da universidade de coordenar ações pedagógicas de redução de riscos e danos à formação integral dos jovens por meio de sua educação em relação ao consumo de bebidas alcoólicas, levando-os a refletir sobre a possibilidade de aliviar suas tensões e fazer suas integrações e comemorações sem a necessidade de exposição ao uso abusivo do álcool e às suas conseqüências
O Papel da Gestão Educacional no Enfrentamento do Uso do Álcool entre Universitários
BERTUCCHI, Edilaine Tiraboschi de Oliveira, 2007
Universidade do Oeste Paulista/Programa de Pós-Graduação
Universidade do Oeste Paulista
Este estudo tratou do uso de álcool no meio acadêmico universitário. Procurou-se constatar o consumo da droga, pelos alunos dos primeiros, penúltimos e últimos termos dos cursos de graduação universitária. O problema que se abordou foi a disseminação e o uso do álcool entre jovens e quais as ações pedagógicas estão presentes na universidade para prevenção, controle e conscientização dos prejuízos de seu uso. O assunto é relevante, pois vem aumentando com grande incidência a experimentação de álcool entre jovens, há necessidade de fazer-se a prevenção do abuso e dependência dessa substância, de forma educativa na universidade. Os resultados da pesquisa auxiliarão na consciência política acadêmica da comunidade universitária para o problema apontado e comunidade local e regional. Como objetivos, pretendeu-se: contribuir com propostas educativas no ambiente curricular, analisar a proximidade e o uso pelo graduando de bebidas alcoólicas e suas motivações; determinar por amostragem a incidência do uso de bebidas alcoólicas entre universitários; verificar o comportamento inicial no 1º termo e compará-la ao penúltimo e último termo, em destaque aos futuros educadores quanto ao uso; ainda propor as intervenções pedagógicas na universidade para educação dos jovens quanto ao uso e abuso da droga. A pesquisa apóia-se no método de investigação quali-quantitativo, estudo de caso com reflexão crítica-teórica e instrumentos como entrevistas semi-estruturadas e questionários. Dos resultados obtidos, podemos verificar que o maior consumo se dá com a entrada dos jovens na universidade, na porcentagem de 20%; na opinião de professores e alunos, não existem projetos para a prevenção e a conscientização dos malefícios do álcool, dado que a gestão educacional não trata este assunto, embora tenha sido apontada a presença de alunos alcoolizados em sala de aula. Os professores entrevistados responderam, na porcentagem de 30%, que a educação não contribui para este tipo de prevenção, 12% não possui opinião formada e outros 12% não souberam opinar. Conclui-se que: professores e gestores sabem que o problema do alcoolismo existe, mas não possuem suporte suficiente para enfrentar o problema.
Investigação dos Efeitos Adversos Provocados pelos Esteroides Anabolizantes e suas Impurezas de Metais Pesados, na Saúde dos Consumidores
LUCENA, Rogerio Rocha, 2009
Universidade Católica de Santos/Programa de Mestrado de Saúde Coletiva
Universidade Católica de Santos
O uso indiscriminado de esteróides anabólicos androgênicos (EAA) de base sintética tem gerado conseqüências fisiológicas danosas, e muitas vezes letais para os usuários. Unindo-se a hipótese da existência de contaminação por metais pesados no processo de fabricação destas substâncias sintéticas os riscos tornam-se potencialmente maiores. Esta revisão não sistemática teve como objetivo principal verificar os efeitos adversos provocados pelos esteróides anabolizantes sintéticos (EAA), e suas possíveis impurezas de metais pesados, na saúde dos consumidores destas drogas injetáveis. Observou-se que os agravos mais importantes à saúde dos consumidores de EAA têm como alvo o sistema nervoso, sistema cardiovascular, fígado e rins, órgãos estes, também afetados pela ingestão de metais pesados, potencializando, portanto, os seus efeitos. Em uma simulação conservadora para o consumo do Decanoato de Nandrolona, em doses suprafisiológicas (100 vezes a recomendada) e considerando impurezas da ordem de 1ppm de Cd, 1ppm Pb, 0,5ppm de Hg e 5ppm de As, a contribuição percentual para o valor provisório de ingestão diária tolerável (PTDI) destes metais seria em torno de 8,4%, 2,3%, 18,1% e 19,5% respectivamente.
Drogas Ilícitas: Prevalência e Fatores Associados ao Uso em Adolescentes de Pelotas
HORTA, Lúcia Lessa, 2002
Universidade Católica de Pelotas
Universidade Católica de Pelotas
Objetivo: Determinar a prevalência e os fatores associados ao uso de maconha, solventes e cocaína, na vida e no último mês, em adolescentes da zona urbana da cidade de Pelotas – RS Metodologia: Um estudo transversal de base populacional foi realizado entre os meses de maio e outubro de 2002. Foi selecionada uma amostra sistemática com 90 setores censitários, onde 86 residências foram visitadas e todos os adolescentes na faixa etária de 15 a 18 anos completos eram entrevistados. Eles respondiam a um questionário auto-aplicável e, após, colocavam-no em uma urna. Foi considerado usuário de drogas aquele adolescente que mencionava ter usado pelo menos uma vez qualquer uma das três drogas estudadas.Resultados: Foram entrevistados 960 adolescentes e 79 foram perdas. As prevalências de uso na vida e no mês, para o consumo de qualquer uma das três drogas estudadas, foram 14,3% e 8,6% respectivamente. A maconha foi a droga de maior prevalência, seguida dos solventes e da cocaína. Os principais fatores de risco foram: repetência escolar 1,89 (95% IC 1,23 – 2,91), uso de tabaco 7,68 (95% IC 3,73 - 15,81) e uso de álcool 2,03 (95% IC 1,31 – 3,16). Conclusões: Este estudo demonstra a associação do uso de maconha,solventes e cocaína com o uso de álcool e tabaco. Além disso, a cocaína apresentou prevalências de uso na vida e no último mês muito similares o que indica o fato de que a maioria dos adolescentes que experimentam a droga, segue sendo usuária.
As Vivências de Adolescentes e Jovens com o Crack e suas Relações com as Políticas Sociais Protetoras neste Contexto
NONTICURI, Amélia Rodrigues, 2010
Uiversidade Católica de Pelotas/ Departamento de Políticas Sociais
Universidade Católica de Pelotas
As mudanças ocorridas historicamente nas sociedades ocidentais, marcaram o aumento do uso de substâncias psicoativas, principalmente entre os jovens, cujo acesso foi facilitado pelo desenvolvimento da indústria química, que possibilitou a produção de drogas como a heroína, a cocaína, a morfina, o ecstasy, o crack, entre outras, capazes de gerar forte dependência. As conseqüências do progresso na industrialização e comercialização da droga em nível transnacional, tornou o uso indevido de drogas um problema de saúde pública. O crack é uma droga de rápido efeito, que produz uma fissura intensa e traz várias perdas para familiares, para a comunidade e usuários, oferecendo riscos à própria vida. A pesquisa sobre as vivências dos jovens relacionadas ao crack contribui para conhecer melhor sobre esta droga a partir das experiências vividas, com o objetivo de subsidiar as ações de prevenção e tratamento. A pesquisa mostrará que o crack tem sua importância histórica no sentido de chamar a atenção da sociedade civil e do Estado para a questão do uso de drogas, uma vez que a dependência química não começa pelo crack, mas por outras drogas, com um consumo bem maior como o álcool, o tabaco e a maconha. A pesquisa traz considerações sobre as características da dependência química do crack, o uso relacionado a outras drogas, relações dos usuários com a escola, família, amigos, religião, lazer, envolvimento em situações de risco e a presença das políticas sociais nas experiências de vida dos alunos e usuários entrevistados
Prevalência do Uso de Álcool e Fatores Associados em Adolescentes entre 11 a 15 Anos da Zona Urbana de Pelotas, RS
STRAUCH, Eliane Schneider, 2007
Universidade Católica de Pelotas/Departamento de Saúde e Comportamento
Universidade Católica de Pelotas
Objetivo: Estimar a prevalência e os fatores associados ao uso de álcool em adolescentes com idade entre 11 a 15 anos. Métodos: Foi realizado no em 2006 um estudo transversal de base populacional em Pelotas, RS. Aplicado um questionário de auto-preenchimento anônimo, elaborado pelo CEBRID, baseado no modelo da OMS para uso de drogas. A análise foi ajustada através da Regressão de Poisson. Resultados: Foram entrevistados 1145 adolescentes, não foi possível realizar a entrevista completa em 7,8%. Dos 1056 adolescentes 23,0% (IC 95% 20,4 a 25,4) referiram o consumo de bebidas alcoólicas no último mês, 21,7% para as meninas e de 24,2% para os meninos. Na análise multivariada, entre os meninos, o uso de bebidas alcoólicas foi maior naqueles que relataram o uso de tabaco no último mês, nos mais velhos e naqueles que já tinham tido uma relação sexual, enquanto que as meninas a idade foi a única variável associada ao uso de bebidas alcoólicas. Discussão: O uso de bebidas alcoólicas foi prevalente em ambos os sexos e com início extremamente precoce
Estudo das regiões organizadoras nucleolares em citologia exfoliativa da mucosa bucal de pacientes usuários de crack
THIELE, Magna Carvalho de Menezes, 2009
Pontifícia Universidade Católica do Paraná/ Departamento de Pós-Graduação em Odontologia
Pontifícia Universidade Católica do Paraná
O consumo de drogas ilícitas tem aumentado nos últimos anos. Este fato tem sido considerado um problema de saúde pública. O crack, forma fumável e economicamente viável da cocaína, tornou-se uma droga popular e consumida em todos os meios sociais. Esta droga é capaz de aumentar o risco ao desenvolvimento do câncer na mucosa brônquica e também provocar lesões ulceradas e queimaduras na mucosa bucal. O objetivo deste trabalho foi analisar as regiões organizadoras nucleolares (NORs) por meio da técnica de impregnação por prata (AgNORs? ) em células epiteliais da mucosa bucal em função do uso crônico de crack. A amostra foi composta por 60 indivíduos do sexo masculino divididos em dois grupos; grupo crack - 30 indivíduos usuários de crack; e grupo controle - 30 indivíduos saudáveis e que não faziam uso de qualquer droga ilícita. Amostras de células epiteliais da mucosa bucal foram obtidas de cada participante por meio da citologia exfoliativa em base líquida. Os esfregaços foram processados em laboratório e corados pela técnica do AgNOR? . As NORs foram aleatoriamente contadas em 100 núcleos celulares por esfregaço usando a microscopia de luz. O teste t de Student foi aplicado e a média de NORs para os grupos crack e controle foram 7,1 ± 2,7 e 3,8 ± 1,7, respectivamente. A diferença entre os grupos foi estatisticamente diferente (p < 0,001). Como as NORs estão diretamente relacionadas com a síntese protéica, este número elevado nas células do grupo crack reforça a hipótese de que a mucosa bucal dos indivíduos usuários de crack apresenta uma maior atividade proliferativa quando comparada a dos indivíduos não usuários.
Uso de drogas entre estudantes universitários
GASPARINI, Helena Demétrio, 2003
Universidade Católica Dom Bosco/Departamento de Comportamento Social e Psicologia da Saúde
Universidade Católica Dom Bosco
Esse estudo objetivou conhecer a tendência do uso de drogas lícitas e/ou ilícitas, entre estudantes universitários, para dar subsídios à implantação de um programa de prevenção e qualidade de vida na Universidade Católica Dom Bosco –(UCDB), em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Foi realizado um levantamento epidemiológico entre 1.026 estudantes de graduação dessa instituição, no período de 04 a 19 de novembro de 1999. Foi aplicado um questionário de autopreenchimento, com o anonimato do entrevistado, levando-se em conta o relato e não, propriamente, o consumo de drogas pelos estudantes universitários. Na análise dos resultados, para as drogas em geral, houve o relato de maior uso das drogas lícitas, na vida, no ano, e no mês, com o álcool apresentando as maiores porcentagens de uso, seguido pelo tabaco. O uso pesado de álcool por 9,45% dos estudantes e de tabaco por 9,55% dos estudantes, indica o uso de risco. Na seqüência de maior uso, na vida, destacaram-se os solventes, a maconha, os anfetamínicos e ansiolíticos. Observa-se na análise estatística, um maior uso de ansiolíticos, na vida, pelo sexo feminino e, no sexo masculino, um maior uso de álcool, no mês. pelos relatos nessa pesquisa, com uso freqüente e pesado para o álcool e o tabaco e, de uso ocasional de drogas, nas faixas mais jovens, se confirma a importância das universidades estabelecerem programas de prevenção e intervenção. O uso de drogas é um problema de saúde pública, que requer constantes estudos.
O Processo de Contato com Drogas: Uso e Abuso, Sentidos e Lugares
BITTENCOURT, Adroaldo, 2007
Universidade Católica Dom Bosco/Departamento de Psicologia da Saúde
Universidade Católica de Dom Bosco
Esta dissertação insere-se no âmbito do Laboratório de Psicologia da Saúde, Cultura e Sociedade, do Mestrado em Psicologia, e alinha-se a estudos voltados à prevenção de doenças e promoção da saúde, enfocando a problemática da dependência de substâncias psicoativas. O objetivo geral da pesquisa foi compreender os sentidos que são atribuídos ao processo de adicção, na perspectiva de pessoas em tratamento para recuperação da dependência dessas substâncias. Para o seu desenvolvimento, adotamos o método qualitativo, tendo como base teórico-metodológica a abordagem sobre práticas discursivas e produção de sentidos no cotidiano e a literatura especializada em drogadicção e nos processos de prevenção de doença e promoção da saúde. A pesquisa foi realizada no Centro de Apoio, Reabilitação e Terapia ao Dependente Químico (CARTA), envolvendo 37 pessoas, em tratamento, no período da pesquisa, e que aceitaram o convite para participar das “Oficinas sobre Substâncias Psicoativas”. No total realizamos oito oficinas, com uma média de quatro participantes cada uma. Como resultado desta pesqusia, apuramos que o primeiro contato com algum tipo de droga – usando ou presenciando – acontece com o tabaco e o álcool ao longo da infância e, geralmente, as pessoas envolvidas são do meio familiar ou conhecidas. Já o contato com as drogas ilícitas ocorre mais na adolescência, por volta dos quatorze anos, e embora possa envolver familiares, a maior parte desse contato dá-se fora do ambiente familiar, principalmente com colegas de escola, amigos e vizinhos. Segundo os participantes da pesquisa, o envolvimento com drogas trouxe diversos riscos à sua saúde e à sua vida e, ao discutirem as possibilidades de prevenção, ressaltaram alguns aspectos importantes para pensarmos estratégias de prevenção. Por exemplo, que são necessárias campanhas de prevenção direcionadas, também, contra o uso do álcool, uma vez que esse se caracteriza como a porta de entrada para outras drogas, principalmente em casos de recidiva. Em síntese, independentemente de serem lícitas ou lícitas, as drogas trazem prejuízos às pessoas e à sociedade. Entretanto, a análise mostrou que é necessário evitar o moralismo como forma de abordagem e que as campanhas de prevenção devem ser elaboradas por equipes multidisciplinares que contenham diferentes profissionais da área de saúde, mas também pessoas que já tiveram problemas com drogas. Por fim, observamos que as oficinas usadas para esta pesquisa podem constituir uma estratégia a ser utilizada como parte do processo terapêutico com as pessoas em tratamento no CARTA.
The Extraordinary Case of the United States Versus the União do Vegetal Church
BRONFMAN, Jeffrey, 2007
Núcleo Interdiscipinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
 
O uso de esteróides androgênicos anabolizantes entre estudantes do Ensino Médio no Distrito Federal
ARAUJO, Jordano Pereira, 2003
Universidade Católica de Brasília/Programa de Pós-Graduação em Educação Física
Universidade Católica de Brasília
A prevalência do uso de esteróides androgênicos anabolizantes (EAA) entre adolescentes brasileiros não tem sido estudada. OBJETIVO: Os objetivos do presente estudo foram verificar a prevalência do uso de EAA entre os estudantes do ensino médio do Distrito Federal e identificar os principais fatores de risco associados a tal uso. MATERIAL E MÉTODOS: Um questionário foi aplicado a 3830 estudantes de ensino médio de escolas públicas e particulares do Distrito Federal, de forma anônima e voluntária. A comparação entre a prevalência do uso de EAA nos diversos grupos foi feita através do teste de X2, considerando um intervalo de confiança de 95%. RESULTADOS E DISCUSSÃO: A prevalência encontrada para o uso de EAA foi de 5,46%, sendo maior no sexo masculino (10,69%) do que no sexo feminino (1,10%) (p<0,01). A prevalência foi maior também entre alunos de escolas particulares (9,10%) do que entre alunos de escolas públicas (4,47%), sendo p<0,01. Entre os praticantes de esportes a prevalência foi de 10,77%, e entre os não praticantes foi de 1,05% (p<0,01). A média de idade de início do uso foi de 16,15 (+-1,07) anos. As drogas mais utilizadas foram Deca-Durabolin (37,80%), Durateston (31,10%) e Anabol (21,53%). A orientação do uso foi feita por um colega ou amigo em 39,23% dos casos. Como motivo para o uso de EAA, 66,03% referiram que foi ter um corpo mais bonito. CONCLUSÕES: Na amostra estudada, a prevalência do uso de EAA foi maior entre adolescentes do sexo masculino, entre praticantes de esportes e entre alunos de escolas particulares. A principal motivação para uso de EAA foi a melhora na aparência. Os dados sugerem que medidas de prevenção ao uso de EAA entre adolescentes devem ser tomadas, especialmentes nos grupos de maior risco.
Modificações no padrão de consumo de psicofármacos em uma cidade do sul do Brasil
RODRIGUES, Maria Aparecida Pinheiro, 2004
Universidade Federal de Pelotas/Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia
Universidade Federal de Pelotas
Objetivos: avaliar a prevalência e padrão de consumo de psicofármacos em um período de duas semanas. Comparar esses resultados com um estudo de 1994, realizado na mesma cidade, Pelotas, RS. Metodologia: em um estudo transversal de base populacional, 3542 indivíduos de 15 anos ou mais foram selecionados na zona urbana de Pelotas. A amostragem foi realizada em múltiplos estágios. Dados foram coletados em entrevistas domiciliares, utilizando um questionário idêntico ao utilizado em 1994. As variáveis estudadas foram idade, sexo, cor da pele, situação conjugal, renda familiar, escolaridade, tabagismo, diagnóstico médico de hipertensão e consulta médica nos últimos três meses. Resultados: em 2003, a prevalência de consumo de psicofármacos foi de 9,9% (IC95% 8,9-10,9). Não houve diferença significativa em relação à prevalência de 11,9% (IC95% 10,1-13,7), observada em 1994, ao comparar as prevalências padronizadas por idade. O sexo feminino, o aumento da idade, o diagnóstico médico de hipertensão e a utilização de serviços médicos associaram-se significativamente em 1994 e 2003 a um maior consumo de psicofármacos. Em 2003, 74% dos usuários estavam utilizando psicofármacos há mais de três meses. Conclusões: após uma década, a prevalência permanece alta, porém o consumo de psicofármacos não aumentou, entretanto a alta prevalência de uso crônico é preocupante. Esses achados mostram a importância da indicação adequada dos psicofármacos e do acompanhamento médico regular desses usuários.
Estilo de Vida Relacionado à Saúde e Hábitos Comportamentais em Escolares do Ensino Médio do Município de Blumenau, SC: A Influência da Escola
NOVAES, Artur José, 2002
Universidade Federal de Santa Catarina/Programa de Pós-Graduação em Educação Física
Universidade Federal de Santa Catarina
O presente estudo objetivou descrever as características e analisar posslvels associações entre sexo, idade, escola pública e particular, no que tange ao estilo de vida relacionado à saúde e aos hábitos comporta mentais em escolares do ensino médio do município de Blumenau - SC. Foi utilizada a seleção da amostra por conglomerado, incluindo 431 escolares de escolas públicas e particulares, com idades entre 14 e 18 anos. Os dados referentes ao estilo de vida dos escolares foram coleta dos com a utilização de um questionário, que possibilitou o levantamento de informações sociodemográficas, prática de atividades físicas, tabagismo, comportamento, álcool, drogas e relacionamento. Os resultados evidenciaram que 77,6% dos jovens não exercia trabalho remunerado, tinham 1 ou 2 irmãos (74,5%), eram de famílias composta por 3 ou 4 pessoas (68,3%), e pertenciam, predominantemente à classe socioeconômica B (77,5%). A porcentagem de 75,1% não possuía o hábito de alimentar-se diariamente com cinco ou mais porções de frutas elou verduras. Ficou evidenciado, também, que os jovens pesquisados não se preocupavam em evitar gorduras (70,3%). Mais da metade dos jovens (57,8%) não possuía o hábito de praticar atividades físicas. Ficou evidenciado, ainda, que boa parte dos jovens cultivava o hábito de fumar ou beber mais de uma dose diária (42,9%), porém notou-se que outra boa parte não mantinha essa prática de forma constante (40,9%). A maioria dos jovens (85,1 %) sempre ou quase sempre respeitava as normas de trânsito. Quase todos os alunos pesquisados estavam completamente satisfeitos com os seus colegas (92,5%). Mais da metade dos jovens (55,7%) possuía o hábito de reservar cinco minutos do seu dia para relaxar, e essa atividade não diferia entre os sexos. A maioria dos jovens pesquisados (60,6%) nunca experimentou cigarro; contudo, pequena parcela dos jovens (7,4%) fuma atualmente. Ambos os sexos apresentaram as mesmas características sobre o álcool. Os jovens, em sua maioria, já o experimentaram (89,7%). Uma parte considerável dos jovens (14,5%) já experimentou algum tipo de droga ilícita e 6,3% (n=22) são usuários, atualmente. Na prática da relação sexual, notou-se que há mais rapazes que já tiveram a primeira relação (39,1%) e que têm a primeira relação mais cedo que as moças (22,3%). Comparando a variável escola, notou-se que havia diferença apenas no uso de preservativo, pois enquanto na escola pública (96,4%) dos jovens sempre usam a proteção, na escola particular apenas 82% a usam. A pesquisa mostrou que o professor de Educação Física não influi no sexo de maneira diferente, e que, quando influi, o faz de maneira geral. Pode-se observar que . quase a metade dos jovens (68,3%) achava que o seu professor influía no seu estilo de vida. Mais da metade (71,1%) disseram que não influencia nada no consumo de bebidas, e também não (72,4%) no uso de drogas. Também declararam que ele não influía no hábito sexual nem no hábito de fumar. No controle do peso corporal as opiniões divergia bastante, e mais da metade (52,4%) achava que ele influencia no hábito alimentar. Os alunos mostraram que consideram importante o processo educativo, valorizando-o sobremaneira, e, especialmente, as aulas e o professor de Educação Física. Quanto à variável escola, sobre os mesmos assuntos, as opiniões dos jovens das duas redes de ensino, sobre a influência do professor, somente se diferenciaram quanto ao ato sexual e no hábito alimentar. No ato sexual os alunos, acham que o professor não influi, porém esta opinião é mais comum nas escolas particulares (75,5%) do que nas escolas públicas (59,9%).
Drogas ilícitas e homicídio juvenil: um estudo acerca dos determinantes socioeconômicos da criminalidade no Brasil
CASTRO, Lisa Biron de Araújo, 2009
Universidade do Estado do Rio de Janeiro/Programa de Pós-Graduação em Ciências Econômicas
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Entre tiros, drogas, e aspirações sociais e financeiras, vítimas de um sistema social excludente tornam-se homicidas da noite para o dia, engrossando as estatísticas da criminalidade no Brasil. O presente trabalho, calcado na Teoria Econômica do Crime, investiga os principais determinantes socioeconômicos da criminalidade nos estados brasileiros, entre 2001 e 2005, considerando duas principais modalidades: mercado de drogas ilícitas e homicídios entre jovens. Realizando estimações através de dados em painel, a exemplo de estudos nacionais e internacionais, foi observado entre os resultados que aspectos sociais e econômicos exercem influência sobre o comportamento racional do criminoso, especialmente os indicadores de urbanização, educação e desemprego.
O Ensino do Fenômeno das Drogas na Faculdade de Enfermagem da UERJ: Estratégias Pedagógicas Desenvolvidas pelos Docentes
PASSANHA, Halyne Limeira, 2008
Universidade do Estado do Rio de Janeiro/Programa de Pós-Graduação em Enfermagem
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Este estudo tem como objeto as estratégias pedagógicas adotadas pelos docentes da Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro no ensino de conteúdos relativos ao fenômeno das drogas na formação profissional dos Enfermeiros. Tem como objetivos identificar as concepções dos docentes sobre o fenômeno das drogas; verificar as percepções dos docentes no que se relaciona ao uso/abuso de drogas; analisar as estratégias pedagógicas desenvolvidas pelos professores da Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro no ensino de conteúdos sobre drogas, discutir as estratégias pedagógicas utilizadas pelos professores correlacionando-as com os modelos explicativos para uso/abuso de drogas. O decurso metodológico se deu através de uma pesquisa descritiva, com abordagem qualitativa. O cenário do estudo foi a Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, tendo como sujeitos da pesquisa os docentes que abordam em algum momento da formação dos Enfermeiros os conteúdos referentes ao fenômeno das drogas. Foram entrevistados 10 docentes que possuem vínculo efetivo com a instituição, sendo cumpridos todos os preceitos estabelecidos pelo decreto 196/96 para pesquisa com seres humanos. O estudo foi cadastrado no SISNEP e submetido à avaliação do Conselho de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Pedro Ernesto. A coleta de dados se deu mediante a aplicação de um roteiro contendo 8 questões de identificação dos sujeitos e 6 questões abertas relativas ao objeto de estudo. A coleta de dados foi realizada no período de abril a agosto de 2007. Os dados coletados foram tratados conforme o referencial metodológico da análise de conteúdo temática segundo Bardin. Da análise surgiram 3 categorias, a saber: Concepções dos Professores da FENF/UERJ sobre o Fenômeno das Drogas, Percepções dos Docentes sobre o Uso/Abuso de Drogas, Estratégias Pedagógicas Adotadas pelos Docentes para o Ensino do Fenômeno das Drogas, sendo a última categoria a mais expressiva contendo o maior número de unidades de registro. Da análise das falas dos docentes conclui-se que o ensino sobre o fenômeno das drogas na Faculdade de Enfermagem se apresenta num movimento crescente de complexidade dentro do currículo da FENF, está embasado nos modelos biomédico e psicossocial para o uso/abuso de drogas e as estratégias teórico-práticas se fundamentam na teoria da problematização de Paulo Freire, conforme preconizado no arcabouço teórico do currículo da FENF. Os dados evidenciaram que ainda existem lacunas na formação dos futuros enfermeiros no que se refere aos conteúdos sobre o fenômeno das drogas e que a capacitação dos professores da Faculdade de Enfermagem é uma estratégia de extrema importância para que o ensino sobre drogas acompanhe as tendências nacional e mundial deste fenômeno de natureza macroestruturante.
Drogas – Da Medicina à Repressão Policial: a Cidade do Rio de Janeiro entre 1921 e 1945
SILVA, Maria de Lourdes da, 2009
Universidade do Estado do Rio de Janeiro/ Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Este trabalho tratou de analisar o processo de criminalização das drogas no Brasil. A cidade do Rio de Janeiro entre os anos de 1921 e 1945 foi tomada como limite espaço-temporal desta investigação que teve por objetivo compreender como a sociedade carioca de então passou a processar a existência d as drogas a partir do momento em que elas se tornaram ilegais. O propósito foi entender como foram estabelecidos os campos de interdição para as drogas criminalizadas naqueles anos. O ponto de partida foram os discursos médicos produzidos no período resgatados das atas da Academia Nacional de Medicina, das publicações da Liga Nacional de Higiene Mental, da Liga Nacional Contra o Alcoolismo e em outras revistas e jornais da cidade procurando remontar suas argumentações para sustentar o novo ideário de ilegalidade das drogas ilegais. A visão médica – pela própria natureza da função social deste campo do conhecimento à época – se espraia pela sociedade alçando outros setores igualmente fundamentais no preparo da proscrição das drogas. Assim, a percepção do legislativo – através da leitura da letra da lei mesma – e do jurídico – aqui esboçado apenas pela vertente da medicina-legal – também foram analisadas. Utilizando clivagens sócio- antropológicas numa perspectiva diacrônica, a pesquisa alcança jornais, revistas especializadas, produção acadêmica (médica) e literária de então,além dos discursos da polícia através de seus relatórios e prática diária relativa às drogas para configurar questões raciais, sociais, político-ideológicas entre outras. A pesquisa se debruça sobre as implicações destas orientações na cultura das drogas desenvolvida desde então procurando observar como as instituições sociais forjavam seus instrumentos de controle e repressão.
Aventuras do assistente social: uma abordagem sobre o desafio da prática profissional frente ao gênero e a religião nos tratamentos para usuários de drogas
BERNARDO, Thais Tavares, 2007
Universidade do Estado do Rio de Janeiro/Programa de Pós-Graduação em Serviço Social
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
ada a escassez de produções teóricas sobre a temática das drogas no âmbito do Serviço Social, o presente estudo objetiva introduzir a abordagem sobre o desafio da prática profissional frente às questões de gênero e religião que se fazem presentes nos tratamentos voltados para os usuários de álcool e outras drogas, configurando-se como fortes elementos no contexto profissional. Iniciamos o desenvolvimento deste trabalho pautados na hipótese de que essa escassez teórica apresentada sobre o tema é reveladora não da ausência de assistentes sociais neste campo de atuação, mas sim de uma fragilidade para sistematizações de suas práticas profissionais. O eixo condutor deste estudo girou entre as categorias “uso de álcool e outras drogas, gênero, religião e prática profissional”. Utilizamos como método de análise a perspectiva teórico-metodologica de Marx. Ao buscarmos elucidar os desafios postos ao Serviço Social, realizamos uma pequena análise sobre a intervenção do Estado e da sociedade civil nesta área, principalmente nas dimensões das políticas públicas, enfocando a saúde e a assistência social. Também percorremos o caminho feito pela profissão, via seus códigos de ética, para alcançar a maturidade teórico-política e ético-profissional no decorrer de sua existência no Brasil. Apresentamos os depoimentos de quatro assistentes sociais como forma ilustrativa deste estudo. Tais profissionais possuem como locais de atuação instituições que objetivam oferecer serviços voltados para a área do uso de álcool e outras drogas, localizadas no Estado Federativo do Rio de Janeiro; sendo duas (2) no município do Rio de Janeiro e duas (2) no município de Campos dos Goytacazes. Em cada município elegemos (1) uma instituição de caráter explicitamente religioso que funcionasse em sistema de internação dos seus usuários e outra que fosse uma instituição sem vinculação explícita com a religião e que funcionasse em sistema de atendimento ambulatorial. Sendo assim, são elas: Núcleo de Estudo e Pesquisa em Atenção ao Uso de Drogas – NEPAD/UERJ e Primeira Clínica Popular do Estado do Rio de Janeiro - “Michele de Moraes”, no Rio de Janeiro, e Projeto Resgate e a Associação Manoel José Barbosa – Projeto Amai, em Campos dos Goytacazes. Buscamos apresentar a problemática emergente do tema que elegemos para estudo de uma forma criativa, leve e até mesmo divertida. Para tanto, nos apoiamos na produção infantil de Lewis Carrol, Aventuras de Alice no País das Maravilhas, para apresentar toda a construção teórica elaborada neste estudo.
Considerações Sobre a Clínica Psicanalítica na Instituição Pública Destinada ao Atendimento de Usuários de Álcool e/ou Drogas
BASTOS, Adriana Dias de Assumpção, 2009
Universidade do Estado do Rio de Janeiro/Programa de Pós-Graduação em Psicanálise
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
A presente dissertação teve como objetivo investigar a toxicomania a partir da clínica psicanalítica com usuários de álcool e/ou drogas. Empreendeu-se para tanto, uma revisão teórica do campo psicanalítico orientado pela obra freudiana e pelo ensino de Lacan, articulada a uma análise de cinco casos clínicos. O tema e questões relacionadas surgiram dos desafios ante a prática e de uma atitude investigativa, por parte da autora, diante do serviço público assistencial, além de perceber a relevância atribuída ao tema pela sociedade contemporânea em virtude de seu expressivo crescimento como problema de saúde pública. As questões que se colocam no texto podem ser propostas a partir das perguntas: o que é toxicomania? Qual a influência desse signo? __ uma vez que o termo toxicomania significa alguma coisa para alguém, para a medicina, por exemplo, o sintoma é um signo. Quais as consequências para a direção do tratamento de fazer da toxicomania umsintoma, signo da doença? É possível que a toxicomania seja um sintoma, não como signo, mas, como significante, e, como tal, passível de ser decifrado? Portanto, a linha de trabalho segue, inicialmente, a ética da psicanálise e o lugar do psicanalista na instituição pública de saúde; destaca a toxicomania articulada aos discursos, tal como propostos por Jacques Lacan, e suas modalidades de tratamento; aponta os avatares da toxicomania na contemporaneidade; e, por fim, levanta a questão sobre a toxicomania à luz da psicanálise, bem como seu papel no diagnóstico clínico. Nessa perspectiva, foram verificadas duas hipóteses: a toxicomania como um fenômeno clínico e no caso de pacientes cuja estrutura clínica seja neurótica, a toxicomania ser um sintoma. Para Freud, o sintoma é uma formação de compromisso que promove uma satisfação substitutiva. Ao longo do trabalho, verificou-se que, por vezes, a toxicomania também pode ser uma substituição desse tipo.
"A realidade da vida é que o bagulho é doido" : percepções de jovens moradores da Maré sobre favela, juventude e violência em diálogo com Falcão
SANTOS, Andreia Cesar dos, 2009
Universidade do Estado do Rio de Janeiro/Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Na noite de 19 de março de 2006, o documentário Falcão: Meninos do Tráfico aparecia na grande mídia pela primeira vez. Sua proposta era desvelar a vida de jovens integrantes do tráfico de drogas a partir da fala dos mesmos. Esta dissertação examina as condições de produção do projeto Falcão, situando-o no contexto mais amplo do debate contemporâneo sobre violência urbana e segurança pública no Brasil, e analisa como jovens moradores de uma favela carioca percebem e interpretam os principais argumentos apresentados por este projeto.
Em busca da racionalidade perdida
MARONNA, Cristiano Avila, 2008
Núcleo Interdiscipinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Boletím do IBCCrim - Instituto Brasileiro de Ciências Criminais
 
HIV-1: Avaliação da Resistência às Drogas Antiretrovirais em Pacientes Pediátricos
SIMONETTI, Sandra Regina Rodrigues, 2009
Universidade do Estado do Rio de Janeiro/Programa de Pós-Graduação em Fisiopatologia Clínica e Experimental
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
A utilização da terapia antiretroviral, atualmente mais amplamente acessível, implica na permanência da identificação da resistência viral e monitoramento da doença como itens importantes em adultos e pacientes pediátricos infectados pelo vírus da imunodeficiência humana tipo 1. Os principais marcadores da infecção por HIV-1, utilizados no monitoramento da infecção e curso da doença, são as contagens de células T CD4+ e a carga viral. Ambos são úteis como parâmetros indicadores para o início da terapia e na avaliação de sua eficácia. Além disto, a sua associação a testes de genotipagem para a identificação de mutações de resistência viral, pode auxiliar na indicação da conduta clínica mais adequada. No presente estudo, analisamos os valores da carga viral e taxas de linfócitos T CD4+ e CD8+ na avaliação do status imunológico de 25 crianças com indicação para a terapia antiretroviral, condicionando o regime terapêutico aos resultados do teste de genotipagem. A identificação dos subtipos virais foi feita por análise filogenética e a genotipagem incluiu a análise dos genes protease e transcriptase reversa do HIV-1. Dezoito amostras foram agrupadas no subtipo viral B e três no subtipo F1; cepas recombinantes também foram observadas, sendo uma BF, duas BD e uma DF. Dezoito crianças apresentaram mutações conferindo resistência viral aos inibidores da transcriptase reversa análogos de nucleosídeo e sete crianças apresentaram resistência aos inibidores não-análogos, com seis relatando resistência a nevirapina, delavirdina e efavirenz. Além disto, duas crianças, nas quais a terapia havia sido descontinuada dois a três anos antes da avaliação do teste de genotipagem, apresentaram as mutações K101E? , K103N? e G190A? , conferindo resistência às três drogas. As mutações mais frequentes para o gene da transcriptase reversa foram observadas nos codons M41L? , M184V? e T215FY? . Entretanto, dez crianças apresentaram relevante número de mutações de resistência viral, variando entre cinco a dez, que conferiram resistência a no mínimo quatro e até onze drogas antiretrovirais. Para o gene da protease, as mutações de resistência mais comuns foram observadas nos codons M46I? , D30N? e I54LV? . Treze crianças apresentaram resistência viral a, no mínimo, duas e até 12 drogas. A adequação da terapia antiretroviral altamente potente (HAART), de acordo com o padrão de resistência viral, permitiu observar aumento dos valores de células T CD4+ em 12 dos 25 pacientes pediátricos, demonstrando melhoria na sua condição de imunodeficiência associada ao HIV. Decréscimos importantes da carga viral foram observados em 17 crianças, com níveis indetectáveis de RNA HIV alcançados em 13 delas, sendo 11 com linhagens virais resistentes a múltiplas drogas. O desenvolvimento de linhagens virais resistentes é uma das principais razões da falha terapêutica. Mesmo considerando outros fatores causais, tais como aderência, metabolismo e níveis adequados das drogas, a identificação do perfil de resistência viral é um importante fator na conduta para a adequação de esquemas terapêuticos, dando suporte ao uso racional das drogas antiretrovirais em programas de tratamento.
Transtorno de Estresse Pós Traumático e uso de drogas psicoativas em uma amostra do Sistema Penitenciário Feminino do RJ
FIGUEIRA, Byanka Quitete Silva, 2008
Universidade Federal Fluminense/Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas
Universidade Federal Fluminense
O Transtorno de Estresse Pós Traumático tem se evidenciado cada vez mais, principalmente com o aumento da violência urbana. Este trabalho avaliou a influência dos estressores traumáticos ocorridos na vida de mulheres encarceradas do Sistema Penitenciário Feminino do RJ sobre a prevalência do Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), assim como no uso / abuso de drogas. Embora existam pesquisas realizadas nesta população, pouco é encontrado na revisão bibliográfica nacional sobre as mulheres aprisionadas, particularmente em revistas indexadas. Foram aplicados instrumentos validados para a identificação de TEPT, traumas vivenciados, uso / abuso de drogas e para traçar o perfil sócio-demográfico desta categoria. Os dados analisados permitem concluir que a prevalência de TEPT nesta população é alta e comparável às populações de maior risco encontradas na literatura, como veteranos da guerra. A relação entre TEPT e consumo de drogas ilícitas também é fortemente sugerida: houve diferença significativa entre as mulheres diagnosticadas com TEPT e aquelas não diagnosticadas em relação ao consumo de drogas ilícitas: 53,5% x 27,3 % (p= 0,016).
Só por hoje : um estudo sobre Narcóticos Anônimos, estigma social e sociedade contemporânea
CARDOSO, Ricardo Muniz Mattos, 2006
Universidade Federal Fluminense/Programa de Pós-Graduação em Hitória
Universidade Federal Fluminense
Este trabalho é uma análise histórica do programa de recuperação da drogadição promovido pela "irmandade" de ajuda mútua conhecida como Narcóticos Anônimos. No primeiro capítulo, um histórico da entidade é traçado; assim como seu conceito de "adicção" e sua estrutura organizacional são apresentados. No capítulo seguinte, são avaliados as estigmatizações sociais sobre a drogadição e os impactos destes nas representações sociais formuladas pelo NA. As convergências existentes entre a programação terapêutica do NA e a revigorada ética do trabalho da virada do século XX para o XXI também são avaliadas. No último capítulo, as representações sociais formuladas pelo NA são confrontadas com os individualismos e o hedonismo da moderna sociedade de consumo.
A política de proteção integral no Município de Niterói dirigida a crianças e adolescentes em situaçao de risco social por envolvimento com drogas : avanços e entraves institucionais
ROCHA, Roseli da Fonseca Rocha , 2005
Universidade Federal Fluminense/Programa de Pós-Graduação em Política Social
Universidade Federal Fluminense
Este trabalho teve como objetivo mais amplo examinar o estado da política de atenção às crianças e adolescentes em risco social por envolvimento com drogas na cidade de Niterói- Rio de Janeiro. Centra sua análise no exame de duas organizações envolvidas diretamente com esta problemática na cidade: o I Conselho Tutelar e o CRIAA – UFF. Dados para a pesquisa foram obtidos de diferentes fontes: prontuários das crianças e adolescentes existentes no Conselho e no CRIAA-UFF, entrevistas com usuários e técnicos das organizações, documentos oficiais, etc. Resultados apontam para a existência de um discurso relativamente avançado em relação à questão, mas que não consegue ainda se expressar em termos de políticas eficazes de atendimento. Contribui para isso, dentre outros fatores, a pouca visibilidade do problema e ausência de infra - estrutura nas organizações.
Atenção de enfermagem ao usuário de álcool e outras drogas no contexto dos serviços de saúde extra- hospitalares: um estudo exploratório de campo
GONÇALVES, Sonia Silva Paiva Mota, 2006
Universidade Federal Fluminense/Programa de Pós-Graduação em Enfermagem Assistencial
Universidade Federal Fluminense
O uso abusivo do álcool e outras drogas são destacados pelo Ministério da Saúde como um dos principais problemas de saúde pública. Na rede extra- hospitalar de saúde há pouco esclarecimento dos profissionais quanto às atribuições junto aos usuários de álcool e outras drogas. Tal fato se complica em virtude dos próprios usuários preferirem recorrer à internação como forma de resolução dos agravos decorrentes do uso abusivo de álcool e outras drogas. Por não se sentir capaz de estabelecer trocas sociais e afetivas fora do ambiente hospitalar, o usuário de drogas, principalmente o alcolista, elege a hospitalização como um momento de pausa, controle e possibilidade de cura do sofrimento. Neste sentido, a atuação do enfermeiro junto a usuários de álcool e outras drogas deve levar em consideração uma complexa rede de interações e instituições para a garantia da integralidade da assistência. Este estudo tem como objetivos: conhecer as demandas do usuário de álcool e outras drogas na rede de saúde extra-hospitalar; descrever quais são as atividades desenvolvidas pelo enfermeiro no atendimento ao usuário de álcool e outras drogas e analisar a relação entre o enfermeiro e o SUS na busca da integralidade da assistência. Na equipe de saúde, os enfermeiros são os profissionais que mantêm maior contato com os usuários, com grande potencial para reconhecer os problemas relacionados ao uso de álcool e drogas e desenvolver ações assistenciais. O presente estudo constitui uma pesquisa qualitativa de abordagem descritiva de campo, tendo como cenário a Região Centro-Sul Fluminense. Os sujeitos são trinta enfermeiros da rede extra-hospitalar, compreendendo coordenações de Programas do Ministério da Saúde, unidades de PSF, CAPS I, CAPS AD e Comunidade Terapêutica. Os dados foram coletados por meio da realização de entrevista semi-estruturada e analisados de acordo com a análise temática de conteúdo. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do CCM/UFF, em 2004. Como resultados observaram-se que a demanda por atendimento do usuário de álcool e outras drogas ocorre de forma espontânea direta ou indireta, por busca ativa e que alguns enfermeiros não identificam esta demanda em sua unidade ou não sabem informar como ocorre a demanda. Foram identificadas ações de enfermagem no âmbito da prevenção, tratamento e reabilitação. Entre as dificuldades apontadas estão a não aceitação pelo usuário ao tratamento, falta de capacitação para o atendimento, dificuldade de acesso, tempo não disponível em virtude do acúmulo de atividades. Os dados analisados apontam para necessidade de o enfermeiro redirecionar a sua prática junto a esta clientela, buscando formas inovadoras e criativas que assegurem maior resolutividade de suas ações. Conclui-se que a própria rede de serviços, e não apenas o enfermeiro, não responde as necessidades de saúde do usuário de álcool e outras drogas na perspectiva da integralidade da assistência. Contudo, alguns avanços já foram obtidos pelos enfermeiros, como por exemplo, a construção de vínculo com a comunidade local e a percepção de suas próprias fragilidades e necessidades de capacitação.
Saberes Construídos em Projeto de Prevenção ao Abuso de Drogas: Subsídios para Formação do Educador
ROBAINA, José Vicenti Lima, 2007
Universidade do Vale do Rio dos Sinos/Programa de Pós-Graduação em Educação
Universidade do Vale do Rio dos Sinos
A tese intitulada Saberes construídos em projeto de prevenção ao abuso de drogas: subsídio para a formação do educador se caracteriza como uma pesquisa de cunho qualitativo que tem como objetivo analisar o processo de desenvolvimento de programas de prevenção à droga na escola, de forma a possibilitar suporte para a formação do educador, com base nos saberes construídos por todos os segmentos envolvidos nesse processo (professores, pais, adolescentes e outros profissionais que trabalham nos programas). Três eixos fundantes presidiram o trabalho: drogadição e prevenção, formação de professores e saberes. O primeiro sustentou-se teoricamente em Carlini, Bucher, Tiba, Zagury, Vizzolto, Santos e Asinelli-Luz. O segundo em Zeichner, Nóvoa e Moraes. O terceiro em Tardif e Gauthier (professores) e Charlot (adolescentes). A pesquisa realizada estudou diferentes projetos de prevenção ao uso de drogas e optou pela análise em profundidade do realizado pela Escola Vida por já apresentar resultados relevantes em sua comunidade. Foram realizadas entrevistas com nove interlocutores: 03 professores, 03 adolescentes e 03 membros da comunidade escolar. Para o tratamento dos dados utilizou-se a análise de conteúdo. A tese assumida e defendida teve como premissa que as escolas que possuem projetos cujo foco central é a “vida” e que desenvolvem ações de qualificação dos professores, constituem-se em escolas que auxiliam na construção de saberes sobre prevenção do abuso de drogas. Desta maneira contribuem com os professores, adolescentes e comunidade no sentido de compreensão do fenômeno na busca de alternativas para a sua solução. Dentre os resultantes da análise destacam-se, entre outros, o conhecimento prévio sobre drogadição trazido por professores e adolescentes, o uso de diferentes práticas pedagógicas que propiciaram aos adolescentes uma melhor condição para prevenirem-se sobre drogas, a multivariedade de temas transversais que foram trabalhados em sala de aula, a visão interdisciplinar do projeto de prevenção, a capacitação anual dos professores e a criação do Conselho Municipal Antidrogas, produtos que evidenciaram o sucesso do projeto. O projeto desenvolvido pela escola mostrou que busca possibilidades concretas de uma prática preventiva do uso indevido de drogas pela via educativa, e com o envolvimento de toda a comunidade escolar. Logo, pode-se destacar como princípios fundamentais de um projeto bem sucedido: partir de necessidades concretas; reconhecer que o uso e o tráfico de drogas estão fora e dentro da escola; estabelecer parcerias entre diferentes profissionais; elaborar proposta com os diferentes segmentos da escola; admitir que a adesão ao projeto precisa ser espontânea e gradativa; socializar conquistas, mas olhá-las com humildade; reconhecer os limites e as possibilidades que a escola enquanto espaço formativo tem, pois constitui-se como ente social
Violência: drogas e aspectos emocionais dos apenados do presídio de São Leopoldo
TAVARES, Gislaine Cristina Pereira, 2009
Universidade do Vale do Rio dos Sinos/Programa de Pós-Graguação em Psicologia
Universidade do Vale do Rio dos Sinos
O presente artigo consiste em uma pesquisa bibliográfica da literatura, baseada em artigos selecionados nas fontes eletrônicas: Scielo, Pub Med e Web of Science no período entre 1998 a 2008; nas quais foram encontrados 408 artigos e, destes, foram utilizados 60, para a discussão, juntamente com 23 livros e teses que abordam a problemática da violência e sua relação com aspectos emocionais e uso abusivo/dependência de álcool ou outras drogas, enfatizando o contexto da instituição penal. O trabalho tem por finalidade analisar a relação entre o comportamento violento e a dependência química na população carcerária. Inicia com a contextualização da violência, relacionando com aspectos emocionais, transtornos mentais e dependência química nos homens presos. Conclui-se, que o uso abusivo de drogas é um importante fator de risco para a violência e pesquisas nessa área são de grande relevância, pois se considera que o comportamento agressivo pode ser modificado, porém, a punição não gera transformação se não houver investimento também nos cuidados com os demais aspectos envolvidos nas situações de violência, destacando-se aqui os emocionais.
Estratégias de midiatização das drogas: Estudo de uma campanha de prevenção às drogas promovida pela CTDIA
CHAGAS, Arnaldo Toni Sousa das, 2009
Universidade do Vale do Rio dos Sinos/Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação
Universidade do Vale do Rio dos Sinos
Nesta tese nos propomos investigar a midiatização do fenômeno das drogas através de uma ampla campanha de prevenção desenvolvida pela ONG CTDia e pela agência de publicidade OpusMúltipla? . O foco da pesquisa examina as estratégias e operações desenvolvidas, procurando chamar atenção para a natureza complexa da campanha, ao tomar como referências vários campos sociais, principalmente, operações midiáticas. A problemática das drogas, sob forma de uma campanha, é vista nesta tese como um fenômeno amplo, complexo e multifacetado, chamando atenção para uma estratégia que é desenvolvida por campos não midiáticos, levando em conta a existência e o funcionamento da midiatização. Propomos-nos, assim, saber por que uma área tão sólida, que trata das drogas produz um manejo estratégico de uma campanha, com auxilio de operações midiáticas, sendo contaminada pela sua lógica para fazer um ponto de vista se tornar público. As ações preventivas contra o uso de drogas existem há décadas, enquanto que, paradoxalmente, seu consumo aumenta todos os anos. Assim, buscamos saber o que está em jogo nesse tipo de empreendimento discursivo e simbólico, sobretudo, por que há um interesse social e institucional constante em mostrar que se trata de uma problemática social séria. Por fim, procuramos elucidar, dentro de um dado contexto sócio-histórico, frente às interações dos campos sociais, instituições e discursos, que tipo de especificidades essa campanha promove na ocasião em que se apropria de operações do campo midiático para sua construção.
A escuta de usuários de crack no contexto de comunidade terapêutica
SAFT, Letícia, 2008
Universidade do Vale do Rio dos Sinos/Programa de Pós-Graduação em Psicologia
Universidade do Vale do Rio dos Sinos
A presente pesquisa tem como objetivo geral analisar o processo de tratamento de usuários de crack internados na Comunidade Terapêutica Fazenda do Senhor Jesus do Vale dos Sinos – Vida Vale, a partir da inclusão da proposta de escuta psicanalítica. Essa se desdobra nos seguintes objetivos específicos: investigar a relação dos sujeitos com a droga, especialmente no uso de crack; analisar as modificações do lugar da droga, mais especificamente do crack para os sujeitos nas diferentes etapas do tratamento e pesquisar a possibilidade de mudança subjetiva na sistemática do tratamento na Comunidade Terapêutica. Trata-se de uma pesquisa qualitativa adotando como ferramenta a pesquisa-intervenção com referencial teórico psicanalítico, utilizando-se do processo de escrita como ato de pesquisa clínica. Como resultados, temos a compreensão do processo de tratamento, a partir de três diferentes momentos. Primeiramente, a adesão ao programa de tratamento, onde os sujeitos se perceberam precisando se pensar enquanto sujeitos a partir da disposição inicial de deixar o uso de drogas. Em seguida, o momento em que começaram a pensar em si e realizar um processo interno de mudança subjetiva. Finalizando, terceiro momento em que conseguiram se olhar e perceber algumas mudanças nessa ordem, configurando assim, a importância e a efetivação da escuta, concebida pela psicanálise, como ferramenta no processo de mudança da posição subjetiva dos sujeitos que realizam tratamento na Comunidade Terapêutica.
O silêncio dos docentes: a droga e a violência nas escolas
SANT´ANA, Deise Franco, 2007
Universidade Federal de Alagoas/Programa de Pós-Graduação em Educação Brasileira
Universidade Federal de Alagoas
Esta pesquisa resulta da confluência de dois campos de interesse – o medo dos professores diante da violência motivada pelo tráfico de drogas nas escolas públicas da periferia de Maceió e como tudo isso interfere no processo pedagógico. Objetivou-se com esse estudo de abordagem qualitativa, compreender por que a escola silencia diante dessa violência, e se põe num dilema entre denunciar e não denunciar. Utilizaram-se, para isso, entrevistas realizadas com três professores de escolas estaduais e municipais de Maceió, bem como coleta em jornais alagoanos, de depoimentos de professores (também de escolas púbicas) vitimados pela violência. A partir disso, buscou-se identificar as condições de produção dos discursos desses professores. Além disso, discutiu-se a relação entre as influências do contexto em interação com esses sujeitos específicos dentro da escola e o silêncio sobre a violência das drogas, sob uma perspectiva psicanalítica. Tomou-se como referencial teórico para Análise do Discurso (AD), os pressupostos de Michel Pêcheux (2004), perspectiva teórica que propõe um imbricamento entre Lingüística e Psicanálise. Da primeira toma-se a linguagem e da segunda toma-se o conceito de inconsciente, a idéia de falha que coloca a possibilidade de deslocamento de sentidos, de transformações, de novas interpretações. Ainda como referencial teórico, recorreu-se a La Taille (2002) para entender a relação entre violência e ética; a Freud e Lacan como suporte psicanalítico para compreensão das relações interpessoais dos atores envolvidos no espaço escola-comunidade, dos silenciamentos diante da violência das drogas e das relações de perversão que permeiam essas relações. Os resultados permitiram compreender o lugar social do professor. Falando sobre a violência ele critica e nega a violência como estratégia de defesa da própria vida, pois ciente de que o tráfico e a delinqüência permitem estruturações perversas das relações de poder, abrindo portas para pactos bárbaros entre o tráfico e o Estado, mais propensos ao domínio de territórios e de grupos pelo uso da força bruta. A análise permitiu concluir que existe uma relação de sentidos que é mais forte; a “lei do silêncio” que existe há tempos ainda tem mais força do que o discurso jurídico atual, incapaz de transformar as práticas. Ainda que o discurso jurídico defina o procedimento, no caso da violência das drogas, ser denunciada pelo professor, a ausência de segurança por parte do Estado e o fortalecimento do poder do traficante acabam por silenciar o professor. O silenciamento ocorre porque o que se demanda da escola – reconhecer e denunciar – é um papel que ela não consegue cumprir: a dúvida que se coloca devido à tensão constitutiva de duas posições em conflito que geram ordens discursivas distintas, levando ao silêncio.
Nova lei de drogas: retrocesso travestido de avanço
MARONNA, Cristiano Avila, 2006
Núcleo Interdiscipinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Boletím do IBCCrim - Instituto Brasileiro de Ciências Criminais
 
A espiritualidade e a religiosidade na recuperação de dependentes químicos
VITT, Samanta Juliana dos Santos, 2009
Faculdade Escola Superior de Teologia/Programa de Pós-Graduação em Teologia
Faculdade Escola Superior de Teologia
A presente pesquisa propõe investigar a influência da religiosidade e da espiritualidade na recuperação de dependentes químicos em abstinência, bem como compreender que fatores são apontados como importantes na recuperação, observar se há influência positiva do desenvolvimento da espiritualidade na recuperação da dependência química, além de pesquisar na literatura a importância do desenvolvimento da espiritualidade para a saúde mental. Este estudo adotou as metodologias qualitativa e quantitativa, e a amostra foi composta por 10 dependentes químicos em recuperação. Os instrumentos utilizados foram: Um breve protocolo com informações sóciodemográficas, escala de coping religioso espiritual (CRE) e um questionário individual, semi-estruturado criado pela autora. Os resultados obtidos nesse estudo demonstram que 70% dos entrevistados atribuíram a religiosidade/espiritualidade como principal fator para alcançar e manter-se abstinentes. De modo geral, pelos resultados de pesquisas já realizadas nessa área, e pelos achados encontrados neste estudo, fica evidente a necessidade de os tratamentos médicos convencionais incluírem em suas abordagens terapêuticas a espiritualidade/religiosidade do paciente, não só como um item coadjuvante ao tratamento, mas como item indispensável para o bem-estar do ser humano em todos seus aspectos e dimensões.
Cannabis e humor
SANCHES, Rafael Faria & MARQUES, João Mazzoncini de Azevedo , 2010
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), Universidade de São Paulo (USP) e Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Translacional em Medicina
Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), Universidade de São Paulo (USP), Ribeirão Preto e Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Translacional em Medicina (CNPq), Ribeirão Preto.
Objetivo: Avaliar as relações entre o uso agudo e crônico de cannabis e alterações do humor. Método: Os artigos foram selecionados por meio de busca eletrônica no indexador PubMed? . Capítulos de livros e as listas de referências dos artigos selecionados também foram revisados. Resultados: Observam-se elevados índices de comorbidade entre abuso/ dependência de cannabis e transtornos afetivos em estudos transversais e em amostras clínicas. Estudos longitudinais indicam que, em longo prazo, o uso mais intenso de cannabis está relacionado com um risco
maior de desenvolvimento de doença bipolar e, talvez, depressão maior em indivíduos inicialmente sem quadros afetivos; porém, os mesmos não encontraram maior risco de uso de cannabis entre aqueles com mania ou depressão sem esta comorbidade. Outra importante observação é que o uso de substâncias psicoativas em bipolares pode estar associado a uma série de características negativas, como dificuldade na recuperação dos sintomas afetivos, maior número de internações, piora na adesão ao tratamento, risco aumentado de suicídio, agressividade e a uma pobre resposta ao lítio.
Tratamentos psicossociais e farmacológicos são indicados para o manejo da comorbidade entre cannabis e transtornos afetivos. Conclusão: As
relações entre o uso de cannabis e alterações do humor são observadas tanto epidemiologicamente quanto nos contextos clínicos.
(Des)velando os efeitos jurídico-penais da lei de drogas frente ao encarceramento feminino na penitenciária madre pelletier em Porto Alegre: em busca de alternativas viáveis
MELLO, Thaís Zanetti de, 2010
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul/ Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
O presente trabalho objetiva (des)velar os efeitos jurídico-penais da Lei de Drogas, frente ao encarceramento feminino na Penitenciária Feminina Madre Pelletier, através de pesquisa envolvendo a legislação e jurisprudência aplicáveis, análise de processos de execução criminal, prontuários e entrevistas, de modo a propor alternativas viáveis. Busca-se, ainda, tornar possível compreender que o fenômeno do proibicionismo criminalizador, perceptível através da hipercriminalização e dos enrijecidos recrudescimentos penais, destinados indistintamente às mulheres encarceradas pela comercialização das drogas ilegais, não só tem se demonstrado inócuo como ainda mais prejudicial. Somam-se a tais fatores as facetas exploradas pela Lei 11.343/06, a qual destina tratamento preventivo aos consumidores de drogas e excessivamente repressor aos varejistas, o que pode ser perceptível desde a generalizada (im)possibilidade de benesses legais aos traficantes até o incremento da pena mínima abstratamente cominada a eles.
A efetividade da entrevista motivacional em adolescentes usuários de drogas que cometeram ato infracional
ANDRETTA, Ilana, 2009
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul/Programa de Pós-Gradiação em Psicologia
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Esta tese de doutorado objetivou realizar uma pesquisa clínica sobre a Entrevista Motivacional em adolescentes usuários de drogas que cometeram ato infracional e para tal, realizou-se três estudos. O primeiro aborda os aspectos teóricos acerca de motivação para tratamento, abordagem de pacientes desmotivados e os construtos envolvidos na técnica da Entrevista Motivacional. O segundo, relata um estudo clínico realizado com 48 adolescentes que finalizaram o processo de tratamento para dependência química. Foram alocados 27 adolescentes em um grupo que recebeu 5 sessões de Entrevista Motivacional e 21 adolescentes, em outro grupo, que receberam Psicoeducação como tratamento controle. Os instrumentos de medida formam uma entrevista semi-estruturada para avaliação de dados sócio-demográficos, padrão de consumo e comorbidades, o Inventário Beck de Depressão (BDI) e o Inventário Beck de Ansiedade (BAI) para avaliação de intensidade de sintomas de depressão e ansiedade respectivamente, e a University of Rhode Island Change Assessment (URICA) para avaliação dos estágios motivacionais e prontidão para mudança. O grupo da EM diminuiu consumo de maconha e tabaco e o grupo da Psicoeducação diminuiu o consumo de maconha e álcool. Com relação aos estágios motivacionais, na avaliação, o grupo da EM teve médias menores de pré-contemplação e maiores de contemplação mas na reavaliação apenas a média da pré-contemplação era menor em relação as médias do grupo Psicoeducação. Na ação e na manutenção não houve interação entre fator tempo e grupos. Não houve diferença significativa entre as duas técnicas evidenciando que as duas intervenções podem ser aplicadas nesta população. O terceiro estudo foi realizado para verificar fatores relacionados ao abandono de tratamento, visto que, nesta população, foi bastante significativo (64,5% da amostra inicial). Os fatores que apresentaram relação com o abandono do tratamento foram: não estar estudando no momento, ter sido expulso ou suspenso da escola em algum momento da vida, idade precoce para início do primeiro uso de álcool, usar cocaína atualmente, não apresentar diagnóstico de dependência de tabaco, ser abusador de tabaco, não apresentar diagnóstico para dependência de maconha e ser abusador de cocaína. Este estudo mostrou que técnicas breves diminuem o consumo de drogas na adolescência e, a prevenção ao uso precoce de drogas e comprometimento com a escola, são fatores de proteção a adesão a tratamento
Uso de drogas : do senso comum às percepções dos operadores do direito na área criminal
SILVA, Pollyanna Maria da, 2008
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul/Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Dentro da linha de pesquisa Criminologia e Controle Social do Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS, a presente dissertação investiga a influência dos juízos do senso comum nas percepções dos operadores do Direito sobre as drogas, as pessoas que delas fazem uso e, a respeito da violência. Para tanto, é utilizado um enfoque transdisciplinar, ultrapassando o campo específico do Direito. Inicia-se situando a problemática da demanda pelas drogas, enfocando o mal-estar, as sensações e os dilemas vivenciados pelo homem contemporâneo. Comenta-se o fenômeno de formação das tribos contemporâneas. Na seqüência, demonstra-se que, por influência da mídia, dos discursos políticos e das every day theories, o comportamento e o ponto de vista da sociedade são modificados, sendo criada uma exacerbada sensação de medo e insegurança. Além disso, a instância judicial passa a ser vista, ilusoriamente, como um recurso contra todos os males sociais. Dando continuidade, tecem-se considerações sobre a política criminal de drogas e apresenta-se um breve relato histórico da legislação de drogas no Brasil. Posteriormente, explana-se sobre a extrema vulnerabilidade (devido aos estigmas e estereótipos) da pessoa que usa droga ao controle social informal e ao processo de seleção do sistema penal. Após esse aporte teórico, revela-se e se analisa de forma crítica os dados coletados, em pesquisa de campo, por meio da aplicação de questionários a advogados, delegados, juízes e promotores da região do Médio Vale do Itajaí/SC. Por fim, constata-se o aguçado impacto da perspectiva do senso comum sobre a criminalidade, as drogas e as pessoas que delas fazem uso nesses atores jurídicos que, em sua maioria, se apegam aos mecanismos de seleção, aos estereótipos, estigmas e ao autoritarismo ditado por esta visão simplificada e simplificadora.
Motivos que levam jovens a recusar drogas : subsídios a propostas de prevenção à drogatização na escola, com ênfase na saúde cerebral
FLORES, Mariel Hidalgo, 2004
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul/Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Esta dissertação investigou a complexa problemática das drogas entre os estudantes de uma escola de nível médio na cidade de Porto Alegre/RS. Ao contrário do que se focaliza comumente, busquei nessa pesquisa conhecer a realidade dos adolescentes não usuários de drogas, na expectativa de identificar os motivos que levam esses jovens a recusá-las. Assim, para melhor compreensão dessa temática, pesquisei os aspectos legais sobre drogas, a funcionalidade do sistema nervoso, as substâncias psicoativas e seus efeitos orgânicos e, ainda, os principais modelos de prevenção ao uso de drogas, buscando engajar educação e saúde, principalmente no nível cerebral. As informações coletadas junto aos alunos, em depoimentos e entrevistas, foram analisadas qualitativamente, servindo de base para planejar algumas atividades interdisciplinares para prevenção ao uso de drogas, no Colégio Estadual Júlio de Castilhos. Com essas atividades, será promovido um processo de conscientização quanto às condições para uma vida com maior qualidade e saúde cerebral. O jovem com vigor mental poderá desenvolver um potencial reflexivo mais elevado, bem como melhor capacidade crítica para promover modificações no contexto social em que se encontra inserido, contribuindo para o crescimento e progresso do país. Portanto, esta pesquisa poderá servir como subsídio para a construção de uma proposta de prevenção às drogas em escolas de ensino médio, e também para trabalhar com a capacitação de professores, num processo de educação continuada, ressaltando a realidade do mundo das drogas na adolescência
Mulheres e drogas : o que a família tem com isso? : argumentos do discurso contemporâneo
HORTA, Rogério Lessa, 2007
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul/Programa de Pós-Graduação em Psicologia
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Em relação aos transtornos por uso de substâncias psicoativas, as abordagens terapêuticas consideram modelos explicativos da participação das famílias no estabelecimento destes fenômenos, mas não têm ampliado a resolutividade das intervenções. Além disso, não pode ser estabelecida correlação entre o uso de todos os grupos de substâncias e co-habitação parental ou tabagismo parental nos dados aqui revisados de um estudo com a população adolescente de um município brasileiro de porte médio. Este estudo amplia a perspectiva do fenômeno, a partir de um recorte de gênero, voltando-se ao exame da relação entre mulheres e substâncias psicoativas. O espaço midiático, através dos veículos de comunicação impressa Veja, Zero Hora, Diário Gaúcho e Correio do Povo, é tomado como fonte documental para responder à questão do título: o que a família tem com isso? Os textos foram selecionados por mineração de textos e submetidos à análise argumentativa, que leva à identificação das principais proposições, cada uma desdobrando-se em dados, garantias, apoios e refutações. A Síntese de Argumentos e a elaboração de um Meta-Texto, onde já não se identificam mais os textos originários explicita os resultados. Duas constatações foram destacadas: a emergência de estereotipias - algumas de gênero - e a importância de silêncios percebidos. Três estereotipias destacadas foram a distinção de sexo para as categorias profissionais, os casamentos mencionados serem todos heterossexuais e as medidas terapêuticas mencionadas incluírem apenas hospitalização e orientação médica para interromper o uso da substância. O silêncio passa quase despercebido. O silêncio é o fato de que em nenhum texto as questões ligadas às substâncias psicoativas são relacionadas à ordem política e econômica ou às dimensões sociais e históricas das comunidades. A proximidade entre estes silêncios e estereotipias (de gênero ou relacionadas aos papéis parentais) leva a um padrão repetitivo de atribuição dos problemas com drogas aos indivíduos ou às famílias. Isso estabelece uma forma discreta de sustentação tanto do estado quanto dos mercados vigentes, mantendo o tecido social permeável aos produtos que são as substâncias psicoativas. O estudo leva à recomendação do desenvolvimento de uma nova pedagogia para as famílias, através de um trabalho conjunto entre população em geral e profissionais de mídia, da saúde, da educação e das ciências sociais. Esta proposta deve garantir, desde sempre, espaços de interlocução com menos silêncios
Políticas públicas na (des)atenção à família com drogadição
LINS, Mara Regina Soares Wanderley, 2009
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul/Programa de Pós-Graduação em Psiologia
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
As características contemporâneas têm mostrado que o aumento da drogadição é um sintoma do contexto social atual. As conseqüências no abuso de substâncias psicoativas (SPA) mostram-se no alto custo anual com internações psiquiátricas, acidentes de trânsito, violência, molestação infantil, prisões, ausências no trabalho e na escola. Esses dados, por si só, explicam a relevância da existência de pesquisas na área da drogadição revelando um Problema de Saúde Pública. Como a família constitui-se na fonte de socialização primária, influenciando na formação da identidade dos sujeitos, podemos dizer que, além de ser afetada pela drogadição, a família pode estimular, facilitar e perpetuá-la. Diante da complexidade do problema, há diferentes tipos de tratamento para a dependência química. A política do Ministério da Saúde para a atenção integral a usuários de álcool e outras drogas reconhece um atraso histórico do SUS em relação às políticas públicas para a drogadição. O presente estudo examinou as propostas dos documentos oficiais do Ministério da Saúde acerca das políticas sociais referentes à drogadição e relacionou suas intencionalidades formais com as práticas realizadas nos centros de tratamentos vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS) que estavam credenciados na Secretaria Nacional Antidrogas – SENAD, averiguando a presença ou não de estímulo a intervenções que indicavam atendimento às famílias dos drogaditos. Apoiado no paradigma da complexidade proposto por Edgar Morin, o estudo contemplou diversos modos de articular a compreensão do fenômeno. A necessidade de uma abordagem complexa da drogadição é derivada da percepção de que a dependência química é uma complexa composição de aspectos individuais, familiares e culturais. Partindo do referencial teórico exposto, foi realizada uma pesquisa de levantamento, exploratória e descritiva. A população para a pesquisa foi constituída de seis profissionais da área da saúde dos locais de atendimento à dependência química, do município de Porto Alegre-RS, vinculados à SENAD. Para a coleta dos dados, foram realizadas entrevistas semi-estruturadas aplicadas individualmente. Essas entrevistas foram gravadas e transcritas. Foram realizados, ainda, registros das observações da pesquisadora num Diário de Campo. A análise dos dados evidenciou situações de desatenção não só à família com drogadição, mas à totalidade desse complexo sistema: desatenção ao usuário de SPA; ao profissional que, apoiado num referencial teórico da modernidade que dissocia, tenta realizar um trabalho quase heróico, também solitário; desatenção às instituições que emperram com a tecnoburocracia; desatenção à rede, que não está articulada de forma fluida. Dentre as considerações e encaminhamentos propostos por este estudo, ressaltam-se a necessidade de maior interlocução, de ações efetivas no campo das políticas, a capacidade ou habilidade de propor espaços dialógicos entre as interfaces relacionadas e as dicotomias que precisam ser postas numa contínua reformulação.
Intoxicações medicamentosas no Estado Bahia
CONCEIÇÃO FILHO, Jucelino Nery , 2009
Conselho Regional de Farmácia - Bahia
Conselho Regional de Farmácia - BA
 
Configurações entre o tráfico de drogas e a violência
VALENÇA, Tom, 2005
Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais
Universidade Federal da Bahia
 
Uma casa de preto-velho para marinheiros cariocas: a religiosidade em adeptos da Barquinha da Madrinha Chica no estado do Rio de Janeiro
COSTA, Cristiane Albuquerque, 2008
Núcleo Interdiscipinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Esta dissertação pretendeu investigar o processo de construção da religiosidade em adeptos e freqüentadores da filial carioca do Centro Espírita Obras de Caridade Príncipe Espadarte (a Igrejinha). A Igrejinha faz parte de um sistema religioso sincrético (Barquinha) que surgiu no estado do Acre e que utiliza em seus rituais uma beberagem psicoativa, ayahuasca (conhecida popularmente por daime), como sacramento. Através do tipo específico de trabalho mediúnico aí desenvolvido, que é vinculado ao uso do daime e direcionado por entidades espirituais da linha de umbanda (os pretos-velhos), foi possível mapear a formação de uma religiosidade que é agenciada pelo grupo, mas vivenciada individualmente. Esta, por sua vez, foi investigada através da observação participante e por meio da pesquisa sobre a formação do centro bem como de seus membros. A experiência do pesquisador em campo a partir de uma ótica nativa atuou também como uma eficaz ferramenta metodológica. Em um contexto de pós-modernidade onde o trânsito religioso abre espaço para um fluxo constante de relações entre indivíduos de diferentes grupos, a Igrejinha formou-se a partir de buscas e encontros entre pessoas que, muito mais que uma religião, passaram a experienciar uma religiosidade.
Drogas na cultura de consumo: do estigma ao preço da felicidade
VALENÇA, Tom, 2008
Departamento de Enfermagem Psiquiátrica e Ciências Humanas da EERP-USP
DEPCH/EERP/USP
 
Detecção precoce e intervenção breve para o uso de risco e nocivo de drogas: avaliação dos resultados para implementação na atenção primária à saúde em três municípios do Paraná
ZOTTIS, CÁssia Regina, 2009
Universidade Federal do Paraná/Programa de Pós-Graduação em Farmacologia
Universidade Federal do Paraná
A efetividade da detecção e intervenção breve (DIB) para álcool e outras drogas no
mundo real ainda não é bem conhecida, apesar da comprovação na área da pesquisa.
A fase inicial da implementação é fundamental para o planejamento de estratégias
que minimizem ou eliminem as barreiras existentes. Sabe-se que a transferência
de conhecimentos para a prática cotidiana é um processo complexo, lento e muitas
vezes imprevisível. Este estudo foi desenvolvido em locais de atenção primária à
saúde (APS) e teve por objetivo avaliar o processo de implementação da DIB quando
realizada por profissionais de saúde nas cidades de Curitiba, Lapa e São José
dos Pinhais (SJP), todas no estado do Paraná, durante o período de janeiro de 2007
a dezembro de 2008. Foi solicitado aos gestores de saúde dos 3 municípios, com o
apoio da Secretaria Estadual de Saúde do Paraná, que indicassem profissionais da
APS para participar de um treinamento em DIB. A indicação dos profissionais deveria
ser feita de acordo com a política local. Na Lapa, o próprio secretário da saúde
indicou pelo menos um representante de cada unidade básica de saúde, totalizando
13 profissionais de 11 unidades. Em SJP, foi a coordenadora de saúde mental do
município que fez indicação de todos os profissionais de todas as unidades de APS,
totalizando 58 profissionais de 17 unidades. Em Curitiba, a indicação foi feita pela
Coordenação de Saúde Mental, porém, apenas os profissionais motivados com o
tema participaram, totalizando 32 profissionais de 10 unidades, sendo estas oriundas
do Distrito do Cajuru, conhecido como uma região com muitos problemas relacionados
às drogas. No total, foram 103 profissionais treinados no uso do ASSIST
(Alcohol Smoking and Substance Involvement Screening Test) para identificar usuários
de risco de álcool e outras drogas e conduzir a intervenção breve (IB). A IB é
uma estratégia de prevenção baseada na entrevista motivacional que tem por finalidade
a redução do consumo de drogas evitando assim o aparecimento da dependência.
Entre os profissionais treinados estavam médicos, enfermeiros, psicólogos,
auxiliares de enfermagem e agentes comunitários de saúde. Doze meses depois, 20
profissionais que aplicaram pelo menos um ASSIST (A) e 24 que não aplicaram nenhum
ASSIST (N) foram entrevistados pessoalmente ou por telefone para avaliação
das barreiras enfrentadas, assim como, dos pontos positivos e negativos da DIB. As
respostas foram anotadas pelo entrevistador e, posteriormente, interpretadas e codificadas
por dois pesquisadores independentemente. Os índices dos usuários de
drogas obtidos pelos profissionais foram comparados aos obtidos por pesquisadores
em estudo similar realizado previamente. Pesquisadores detectaram maior número
de usuários que os profissionais. Nenhuma diferença significante foi observada entre
as barreiras relatadas pelos profissionais “A)” e “N”. Profissionais “A” relataram não
haver nenhum ponto negativo, mas também, não houve nenhuma mudança na unidade
de saúde após o estudo, sugerindo que mesmo executando a DIB, eles estavam
desmotivados e sem expectativas. De maneira geral, os profissionais têm crenças
positivas, mas é necessário melhorar suas atitudes relacionadas aos problemas
com drogas. Este estudo confirma a lacuna entre pesquisa e mundo real.
Concepções dos Instrutores do Programa Educacional de resistência às drogas e à violência sobre sua formação
PEROVANO, Dalton Gean, 2006
Universidade Federal do Paraná/Programa de Pós-Graduação em Educação
Universidade Federal do Paraná
A dissertação intitulada “Concepções dos instrutores do Programa Educacional de
Resistência às Drogas e à Violência sobre a sua formação”, caracteriza-se como
uma pesquisa exploratória de cunho qualitativo, que tem por fim estudar
concepções de formação do policial-militar que atua no PROERD do Paraná. O
trabalho verifica que os instrutores do PROERD, a partir de sua formação inicial,
possuem necessidades e expectativas que poderão contribuir para o aumento de
seu nível profissional. Foi realizada a comparação de teorias e práticas da
educação para a constituição desse profissional, pois a formação desse educador
exige um saber profissional específico, assim como procurou-se demonstrar quais
estratégias de ensino serão necessárias e poderão contribuir para a melhora na
compreensão e aperfeiçoamento do processo de ensino e aprendizagem do
educador do Proerd e de seus educandos. Para a coleta de dados foi utilizado
questionário semi-estruturado, bem como, realizou-se a técnica de observação
participante e análise de conteúdo. Para o desenvolvimento do trabalho discutiu-se
a formação do policial militar instrutor do Proerd, no sentido de sua caracterização
como educador social. No trabalho foram enfocados aspectos acerca da educação
preventiva, políticas públicas sobre drogas, formação de educadores sociais e,
assuntos que encontram comum ligação com os temas principais, como
adolescência, família, formação de professores, e outros. O trabalho concluiu que o
educador do PROERD percebe que a sua formação inicial não é suficiente para o
atendimento às necessidades cotidianas da prática docente, pelas lacunas que
observa no seu conhecimento profissional, necessitando sobretudo de
conhecimentos psicopedagógicos, do conteúdo didático e da leitura teórica do
contexto social.
As representaçőes sociais de prevençăo ao abuso de drogas dos professores do ensino fundamental: um estudo de caso
LOPES, Jandicleide Evangelista, 2003
Universidade Federal do Paraná/Programa de Pós-Graduação em Educação
Universidade Federal do Paraná
O objetivo principal deste estudo foi identificar as representações de prevenção ao
abuso de drogas, e a produção dessas representações pelas professoras em cujas
salas de aulas acontecem o treinamento do PROERD (Programa de Resistência as
Drogas e a Violência). Como referencial teórico utilizou-se a teoria da
Representação social de MOSCOVICI em articulação com a perspectiva Histórico-
Social de VIGOTSKY sobre a produção de sentido, para poder se apreender o
movimento entre o concebido e o vivido e suas implicações nas práticas cotidianas.
Por meio dessa abordagem foi possível verificar como o professor pensa a
prevenção (o conteúdo das representações) e situa esse conhecimento no cotidiano
escolar (a prática advinda das representações e que instituem, ao mesmo tempo,
estas representações) como, também, verificar o movimento de produção dessas
representações na dialética do individual/social. Embora diversos trabalhos abordem
o tema da prevenção ao abuso de drogas, não encontramos trabalhos que
explicitasse as representações e sua produção, principalmente na perspectiva de
professores que participam de um programa como esse. A pesquisa desenvolveu-se
em uma escola pública estadual de um bairro da cidade de Curitiba, constituindo-se
em um estudo de caso. A metodologia, numa perspectiva de análise qualitativa, se
constituiu de observação direta em sala de aula dos treinamentos do PROERD,
análise documental das apostilas do programa, do projeto político pedagógico da
escola pesquisada, além de entrevistas semi-estruturadas com as cinco professoras,
onde se coletou informação acerca dos dados pessoais, referente à formação
profissional, experiências profissionais, sobre a percepção das mesmas a respeito
do PROERD, das drogas, e da prevenção na escola. O tratamento dos dados se deu
pela análise de conteúdo proposta por BARDIN. O resultado nos mostra que a
prevenção ao abuso de drogas não se apresenta como foco principal de intervenção
dessas professoras, pois elas estão bastante envolvidas em repassar o conteúdo do
currículo básico e não se consideram competentes para lidar com esta temática. No
entanto, as imagens associadas às drogas e a prevenção estão sempre ligadas a a
concepção sempre negativas. Elas possuem informações sobre a questão do uso e
do abuso de drogas, porem elas desconsideram o tripé sujeito-droga-contexto social.
Tudo isto faz parte da representação que elas possuem do indivíduo usuário de
substancias. A representação de prevenção ao abuso de drogas das professoras,
orienta ações voltadas para o combate às drogas, realizadas ou não por elas. Elas
não estão sendo estimuladas a ultrapassarem este tipo de abordagem. Pelo
contrário encontram respaldo no próprio discurso e prática do PROERD. A ausência
de um espaço para interlocução a respeito da temática em questão na escola,
inviabiliza uma superação deste paradigma
Adições às drogas : o desencontro de uma ilusão
LOMBARDI, Rosane, 2004
Universidade Federal do Rio Grande do Sul/Instituto de Psicologia
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
A concepção deste trabalho surgiu a partir de observações de lacunas na clínica das adições às drogas. Com o objetivo de oferecer maior suporte no tratamento do uso abusivo de drogas, essa pesquisa propõe-se a abordar o problema reconhecendo a multiplicidade de fatores presentes nas adições. Inicialmente foi revisada a literatura sobre o uso de drogas na história da humanidade e seu possível significado de acordo com o momento histórico. Na pesquisa da literatura, procurou-se descrever o desenvolvimento psíquico do sujeito, e foram abordadas formas de resolução de conflitos comuns a quem chegou ao uso abusivo de drogas. Foi apresentada uma visão do sujeito na sua totalidade, tanto individual quanto social. Essa versão serviu como suporte para investigar a possível interferência da sociedade de consumo no uso de drogas. A investigação também deu ênfase às vicissitudes surgidas durante a trajetória do adicto após a tentativa de deixar esse comportamento. Para realização desse trabalho, foi utilizada metodologia qualitativa de caráter descritivo. Na pesquisa de campo, optou-se por entrevistas semi-estruturadas como instrumento de investigação. Essa escolha deu-se pela intenção de buscar na palavra do adicto uma percepção própria a respeito de sua trajetória após o tratamento, quando está experimentando um novo modo de existência. A análise das entrevistas mostrou um tipo de pensamento concreto presente no discurso do adicto. Isso foi identificado pela ausência de uma percepção crítica a respeito da influência do meio no uso de drogas. Essa verificação levou a algumas conclusões. A droga, usada como uma mentira, evita, de forma onipotente, que o adicto entre em contato com as verdadeiras emoções. Com o uso de drogas, o adicto fica impossibilitado de pensar, já que o pensamento supõe uma experiência emocional correspondente. Sem a possibilidade de ter uma referência simbólica, ele adere a crenças sem atingir o nível do pensar. Portanto, é importante que os profissionais envolvidos no tratamento das adições ajudem os sujeitos adictos a ampliarem a sua capacidade de pensar. Isso poderá ser feito através da integração do pensar e sentir. Somente assim será possível a utilização da palavra como recurso simbólico que permite tolerar e nomear, tanto a presença quanto a ausência de satisfação. Sem a capacidade de pensar ampliada, produz-se um hábito sem que ocorram transformações verdadeiras. Corre-se o risco de que o tratamento das adições não auxilie o sujeito a ter experiências reflexivas, onde o pensamento se antecipa à ação.
Desenvolvimento e Avaliação do Efeito de um Jogo Terapêutico para Jovens Usuários de Drogas
WILLIAMS, Anna Virgínia, 2006
Universidade Federal do Rio Grande do Sul/Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
O uso de substâncias psicoativas está em crescimento no mundo, sendo grande a sua prevalência na população jovem. A adolescência é conhecida por ser um período de vulnerabilidade para o uso de drogas, e os danos em conseqüência do seu uso são de forte impacto na vida dos adolescentes. Portanto, devem ser intensos os investimentos em intervenções para essa condição. Recentemente, algumas intervenções focadas em habilidades cognitivas têm sido incorporadas aos tratamentos, como, por exemplo, o treinamento de habilidades de enfrentamento e de estratégias de recusa à oferta de drogas. Nessa perspectiva, o desenvolvimento de jogos terapêuticos que possam promover tais habilidades é uma alternativa inovadora e dinâmica para o tratamento de adolescentes usuários de drogas. A presente dissertação, composta por dois artigos, teve por objetivo desenvolver um jogo terapêutico para jovens usuários de drogas e avaliar o seu efeito. Intitulada “O Jogo da Escolha”, essa técnica pretende, de uma forma lúdica e atrativa, abordar crenças típicas de jovens com problemas com drogas e promover estratégias de enfrentamento para situações e pensamentos que os coloquem em risco para recaída. O processo de desenvolvimento do “O Jogo da Escolha” está descrito no primeiro artigo. Essa fase constituiu-se da elaboração, da adaptação da linguagem e das instruções do jogo. Para tanto, foram realizados grupos focais com pacientes ambulatoriais de um Centro para tratamento de dependência química em Porto Alegre. As sugestões obtidas nesses grupos foram submetidas à avaliação por profissionais especializados em dependência química; também foi realizada a avaliação do conteúdo da técnica e da organização de uma seqüência de apresentação das cartas do jogo. Um estudo piloto do jogo possibilitou modificações finais nas instruções, e no formato de aplicação, chegando à versão atual do “Jogo da Escolha”. A avaliação do efeito dessa versão, que constituiu o segundo artigo, foi realizada através de um quase-experimento. Os sujeitos foram recrutados por anúncio de jornal e rádio, e 110 sujeitos preencheram os critérios de inclusão e exclusão, permanecendo no estudo 32 jovens, com idade média de 19 anos, sendo 91% do sexo masculino e 96,9% apresentava dependência de substâncias e uso freqüente de crack e maconha. Os sujeitos foram submetidos a uma entrevista inicial que avaliou além do uso de drogas, pensamentos a respeito das vantagens e desvantagens de usar drogas, e motivação para cessar o consumo. Após a entrevista, eles participaram de três sessões individuais do “Jogo da Escolha”, com um intervalo de sete dias entre cada aplicação. Na última semana, os sujeitos retornaram para a avaliação final, quando lhes foram reaplicados os instrumentos. Os achados sugeriram que após a intervenção os sujeitos apresentaram um aumento na motivação, movendo-se do estágio de “Ambivalência” para o estágio de “Ação”; 27,6% da amostra moveu-se nessa direção (p=0,01). Eles também diminuíram os dias de uso de crack e de maconha no mês. No caso de crack, passou de, em média, 10 para 6 dias (p= 0,017) e de maconha, em média, 18 para 12 dias (p= 0,01); não houve decréscimo significativo no uso de álcool e de outras drogas. Além disso, a auto-eficácia, aferida através de uma escala de 0 a 10 para a pergunta “o quanto você se sente capaz de parar de usar drogas?”, aumentou significativamente de uma média de 6,8 para 7,6 (p=0,31); A intervenção, todavia, não mostrou efeito na pontuação da Balança Decisional. Os achados indicam que o “Jogo da Escolha” se presta para motivar pacientes que estão ambivalentes em relação a parar de usar drogas, aumentar o seu senso de autoeficácia e efetivamente diminuir o uso droga. Portanto, o jogo terapêutico pode ser ou indicado para ser aplicado no início do tratamento, como um motivador, ou como um pré-tratamento para pacientes que estão em uma lista de espera de atendimento. No entanto, são necessários novos estudos para testar os efeitos específicos da intervenção.
Uso de drogas entre crianças e adolescentes em situação de rua : um estudo longitudinal
NEIVA-SILVA, Lucas, 2008
Universidade Federal do Rio Grande do Sul/Instituto de Psicologia
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
O objetivo geral foi investigar, transversalmente e longitudinalmente, o uso de drogas entre crianças e adolescentes em situação de rua, identificando padrões de uso e fatores de risco e proteção. No Estudo I, foram entrevistados, em instituições abertas, 216 participantes entre 10 e 18 anos. No Estudo II, um ano após a coleta inicial, foram entrevistados novamente 68 participantes. No Estudo III, foram entrevistados 10 funcionários das instituições sobre os participantes não encontrados na etapa longitudinal. Observou-se elevado uso de drogas lícitas e ilícitas. Longitudinalmente, identificou-se um aumento significativo no uso de álcool, tabaco, solventes, maconha e cocaína/crack. As variáveis “Não morar com a família”, “Passar mais de oito horas na rua” e “Estar há mais de cinco anos na rua” foram preditoras do uso de drogas ilícitas no último mês e do início de uso de crack no último ano. Subsídios para intervenção em nível primário e secundário são discutidos.
A dependência de drogas no discurso do psicólogo: efeitos de sentido
MORALES, Blanca de Souza Viera, 2002
Universidade Federal do Rio Grande do Sul/Programa de Pós-Graduação em Letras
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Na presente tese, buscamos investigar o discurso do psicólogo sobre o sujeito dependente de drogas para analisar os aspectos ideológicos constitutivos deste discurso, tendo como referencial teórico-analítico a Análise do Discurso de linha francesa. Escolhemos como espaço discursivo o discurso do psicólogo sobre o sujeito dependente de drogas e o discurso do sujeito usuário e dependente de drogas onde analisamos o funcionamento das designações utilizadas para referir-se ao sujeito que depende de drogas. Por conseguinte, trabalhamos com o discurso sobre e com o discurso do sujeito dependente. Dividimos nossa investigação em duas partes. Na primeira parte apresentamos os conceitos que sustentarão o trabalho, entre eles o conceito de sujeito e sentido, determinados pelas posições ideológicas em jogo no processo sócio-histórico em que o discurso é produzido e pela intervenção do inconsciente. Trabalhamos com os conceitos de imaginário, real e simbólico e com a designação bem como com categorias que nela intervêm como silêncio e memória. Ao final desta primeira parte, mostramos as repercussões decorrentes da concepção de sujeito e sentido da Análise do Discurso para a analise do trabalho clínico. Na segunda parte da tese apresentamos nossa metodologia, mostramos a constituição do corpus e preparamos as análises. Fazem parte do corpus discursivo desta tese seqüências discursivas extraídas do discurso de oito psicólogos; de dois sujeitos dependentes de drogas em tratamento e de quatro sujeitos usuários de drogas que não estão em tratamento. Dividimos o corpus em dois Recortes. No primeiro Recorte, analisamos as imagens que o psicólogo tem de seu lugar e seu discurso sobre o sujeito dependente de drogas e, no segundo Recorte, estudamos o discurso do sujeito usuário e dependente de drogas sobre o sujeito dependente de drogas. No percurso do trabalho, foi possível identificar que todas as posições-sujeito ocupadas pelo psicólogo estão inscritas numa mesma formação discursiva, existindo deslizamentos de sentidos que não representam uma ruptura com a formação ideológica. A prática discursiva do psicólogo está determinada pelo seu próprio processo histórico de constituição, que impõe a neutralidade e objetividade na clínica assim como os sentidos que devem circular sobre os sujeitos a serem tratados. Nossas análises indicam que não existe neutralidade na prática discursiva do psicólogo: os sentidos que se produzem nessa formação discursiva são regulados pelas identificações com os sentidos dominantes da Psicologia. Comparando o discurso dos psicólogos com o do próprio sujeito dependente, não existem posições ideologicamente contrárias. De acordo com a análise de nosso corpus o sujeito dependente de drogas e em tratamento se encaixa nas expectativas do psicólogo e faz um movimento de incorporação dos sentidos do discurso do psicólogo.
As campanhas anti-droga e moralização do jovem criminoso
COELHO, Zara Pinto, 1998
Universidade do Minho - Instituto de Ciências Sociais
Universidade do Minho
 
O uso da negação na retórica anti-droga
COELHO, Zara Pinto, 2004
Universidade do Minho - Instituto de Ciências Sociais
Universidade do Minho
Ao longo desta comunicação irei falar sobre o uso da negação como estratégia retórica. Fá-lo-ei partindo de um conjunto de exemplos de negativas em textos multimodais que integram o discurso das campanhas públicas anti-droga, e abordarei estes dados numa perspectiva interaccional. Através de uma análise da forma como a negativa é usada para influenciar a credibilidade do dito e a do próprio falante/escritor, em que a polifonia é fundamental, irei mostrar que estamos perante um tipo de discurso que na sua manifestação interaccional está marcado por algum tipo de antagonismo, e mesmo de conflito, entre os participantes. Este exercício de interpretação implica assumir um papel simultaneamente de cooperação e de resistência ao lugar que nos é atribuído pelo escritor ou falante, mostrando os vários tipos de discurso que podem derivar de um só texto e evidenciando desta forma a força e a fragilidade do uso da negação como estratégia retórica anti-droga.
Ayahuasca in Adolescence: Qualitative Results
RIOS, Marlene Dobkin de; GROB, Charles S.; LOPEZ, Enrique; SILVEIRA, Dartiu Xavier da; ALONSO, Luisa K. & SILVEIRA, Evelyn Doering, 2005
Núcleo Interdiscipinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Journal of Psychoactive Drugs
Qualitative research was conducted in Brazil among 28 ayahuasca-consuming adolescents members of the União do Vegetal Church, and 28 adolescents who never used ayahuasca. They were compared on a number of qualitative variables, including vignettes measuring moral and ethical concerns. Psychocultural studies utilizing co-occurences of variables in the realm of qualitative studies are useful in understanding and complementing quantitative studies also conducted among this population. Qualitative data show that the teens in the União do Vegetal religion appear to be healthy, thoughtful, considerate and bonded to their families and religious peers. This study examines the modern use of a powerful hallucinogenic compound within a legal religious context, and the youth who participated in these ayahuasca religious ceremonies (usually with parents and other family members) appeared not to differ from their nonayahuasca-using peers. This study helps to elucidate the full range of effects of plant hallucinogenic use within a socially-sanctioned, elder-facilitated and structured religious context.
Discurso das campanhas anti-droga e as desigualdades entre a maioria straight e as minorias consumidoras
COELHO, Zara Pinto, 2004
Universidade do Minho - Instituto de Ciências Sociais
Universidade do Minho
Nesta comunicação evidencio a forma como o discurso das campanhas públicas anti-droga actua, expressa e pode contribuir para re-produzir as assimetrias e as desigualdades entre maiorias “straight” e as minorias consumidoras de drogas ilegais. Irei mostrar, por um lado, o poder social por detrás deste discurso e, por outro, a forma como o poder é exercido no próprio discurso. Para responder à primeira preocupação centro-me na questão do acesso às campanhas públicas, ou melhor, na forma como o acesso às mesmas é controlado. Mostro que esse controlo se efectiva de várias formas, e evidencio também os efeitos do mesmo a vários níveis sociais. O segundo conjunto de estratégias pertence às estruturas do texto e fala que materializam essas campanhas. Nestas estruturas realço o papel retórico das negações polémicas e as suas funções políticas.
Para a análise uso as teorias e instrumentos fornecidos pela Análise Crítica do Discurso (van Dijk 2000), uma forma de análise de discurso que se distingue, entre outras coisas, pela seu carácter multidisciplinar e pelo seu empenho político na construção de uma forma de conhecimento que funcione como princípio de solidariedade. Os exemplos são retirados de um corpus que integrou um estudo mais alargado sobre o discurso destas campanhas e suas ideologias (Pinto Coelho 2003).
Consumo de drogas: um enfoque pouco emocional
MORGADO, A. F., 1985

Escola Nacional de Saúde Pública — FIOCRUZ
 
Nota sobre surto de malária em usuários de drogas injetáveis
BARATA, Luiz Carlos Barradas; ANDRIGUETTI, Maria Tereza Macoris; CORTÁS, Mara Caraça; MENEGUETTI, Cleusa, 1990

Relata-se surto de malária por Plasmodium vivax entre usuários de drogas injetáveis, detectado na cidade de Bauru, Estado de São Paulo, Brasil. Até julho de 1989 12 casos haviam sido confirmados pelo exame de gota espessa, e 20 outros contactantes suspeitos estavam sendo investigados. Todos os casos relataram uso freqüente de cocaína injetável, compartilhando seringas e agulhas, e negaram viagens por áreas endêmicas de malária.
Os livros didáticos e o ensino para a saúde: o caso das drogas psicotrópicas
CARLINI-COTRIM, Beatriz and ROSEMBERG, Fúlvia, 1991

Revista de Saúde Pública
Foram analisados 18 livros didáticos de primeiro e segundo graus, das disciplinas de Ciências/Biologia, Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política do Brasil, em relação ao tratamento dado ao tema consumo de drogas psicotrópicas. A análise da estrutura dos textos evidenciou preocupação excessiva com a discussão dos efeitos (nocivos) das drogas em detrimento de outros tópicos como conceituação, causas que levam ao uso, incidência, tratamento ou prevenção. Os textos se caracterizaram por uma linguagem pouco científica, onde o apelo emocional e o estilo dramático são a tônica. O usuário de drogas foi retratado como sendo necessariamente um ser decadente moral, física e psicologicamente. Os resultados da análise são discutidos à luz de teorias recentes de prevenção ao abuso de drogas.
Atividades extra-curriculares e prevenção ao abuso de drogas: uma questão polêmica
CARVALHO, Vera Aparecida; CARLINI-COTRIM, Beatriz , 1992
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Revista de Saúde Pública
O presente trabalho descreve dados colhidos entre 16.117 estudantes de primeiro e segundo graus, de quinze cidades brasileiras, sobre a prática de algumas atividades não curriculares e o consumo de álcool e drogas. Não foi encontrada, na ampla maioria dos casos, nenhuma associação entre praticar esportes, artes e atividades comunitárias e o consumo dessas substâncias. Mas foi encontrada correlação negativa fraca, mas constante, entre consumo de álcool e drogas e freqüência a atividades religiosas. Os achados são discutidos à luz de alguns preconceitos correntes na sociedade brasileira, que rotula o jovem sem ocupação definida como drogado em potencial. Discutem também as implicações do fato de entre os jovens praticantes de atividades religiosas haver uma discreta diminuição do uso de álcool e drogas.
O discurso do "combate às drogas" e suas ideologias
Richard Bucher,

À luz de considerações científicas sobre o abuso de drogas, discute-se a ideologia dos textos sobre drogas que seguem uma orientação moralista e repressora, a despeito das condições sócio-históricas do consumo. Colocam-se em foco os sentidos não-literais para situar tais discursos no contexto da sua produção e para detectar neles formas de manutenção de poder presentes nas relações sociais. Utiliza-se a teoria da análise do discurso como a metodologia apropriada para se desvendar os indicadores da ideologia que impõe aos textos sobre drogas uma determinada modalidade. Os resultados revelam um discurso com propósitos claramente persuasivos, direcionando e manipulando modos de ser e de ver na sociedade, deixando-se interpretar como parte interessada em um pesado sistema de conformismo social. Conclui-se que a questão das drogas não é tratada em si, mas enquanto mito construído, usado para combater série de desvios da ordem social vigente.
Potencialidades da técnica qualitativa grupo focal em investigações sobre abuso de substâncias
CARLINI-COTRIM, Beatriz, 1996

Revista de Saúde Pública
Descreve-se e discute-se o grupo focal, método qualitativo de coleta de dados de ampla aplicação na Saúde Pública. Especial ênfase é conferida às potencialidades do uso do grupo focal em investigações, na área de abuso de drogas.
Ruína e reconstrução: AIDS e drogas injetáveis na cena contemporânea
AYRES, José Ricardo de Carvalho Mesquita, 1996

História, Ciências, Saúde-Manguinhos
 
CURAS E MILAGRES: O RECONHECIMENTO DE JOSÉ GABRIEL DA COSTA COMO MESTRE SUPERIOR
ANDRADE, Afrânio Patrocínio de, ?
Núcleo Interdiscipinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
?
Este artigo é resultado de pesquisa de campo que realizamos atentamente ao longo de vinte anos. Nesta pesquisa, o procedimento adotado foi a observação dos temas tratados exclusivamente em sessão de escala da União do Vegetal (UDV), seguido de entrevistas formais e informais com pessoas que, direta ou indiretamente, participaram das narrativas coletadas. Trata-se de uma pesquisa participativa na medida em que o pesquisador, na condição de integrante da comunidade religiosa, evitou deliberadamente emitir sua opinião sobre as narrativas coletadas, selecionando os conteúdos de potencial interesse para aqueles que, de alguma forma, acreditam no que lhes é transmitido. Em síntese, o texto trata do Mestre e de narrativas de acontecimentos que podem, de alguma forma, indicar sua condição de Mestre superior. Para tanto, são coletados testemunhos que sinalizam nessa direção, entre os quais, relatos de curas e, inclusive, da ressurreição de uma pessoa.
Ayahuasca in Adolescence: A Neuropsychological Assessment
SILVEIRA, Evelyn Doering; LOPEZ, Enrique; GROB, Charles S.; RIOS, Marlene Dobkin de; ALONSO, Luisa K.; TACLA, Cristiane; SHIRAKAWA, Itiro; BERTOLUCCI, Paulo H. & SILVEIRA, Dartiu X. da, 2005
Núcleo Interdiscipinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Journal of Psychoactive Drugs
The purpose of the study was to evaluate neuropsychologically adolescents who use ayahuasca in a religious context. A battery of neuropsychological tests was administered to adolescents who use ayahuasca. These subjects were compared to a matched control group of adolescents who did not use ayahuasca. The controls were matched with regards to sex, age, and education. The neuropsychological battery included tests of speeded attention, visual search, sequencing, psychomotor speed, verbal and visual abilities, memory, and mental flexibility. The statistical results for subjects from matched controls on neuropsychological measures were computed using independent t-tests. Overall, statistical findings suggested that there was no significant difference between the two groups on neuropsychological measures. Even though, the data overall supports that there was not a difference between ayahuasca users and matched controls on neuropsychological measures, further studies are necessary to support these findings.
Consumo de substâncias psicoativas por adolescentes escolares de Ribeirão Preto, SP (Brasil). I - Prevalência do consumo por sexo, idade e tipo de substância.
MUZA, Gilson M. et al., 1997

Revista de Saúde Pública
A preocupação suscitada quanto ao consumo de substâncias psicoativas pelos adolescentes tem mobilizado grandes esforços em todo o mundo na produção de conhecimento sobre este fenômeno. Decidiu-se estudar as taxas de prevalência de consumo de substâncias psicoativas de uso lícito e ilícito, sua distribuição por idade, sexo e a idade da primeira experiência com essas substâncias, entre adolescentes escolares do Município de Ribeirão Preto, SP, Brasil.
Drogas e adolescência: uma análise da ideologia presente na mídia escrita destinada ao grande público
RIBEIRO, Tatiana Weiss; PERGHER, Nicolau Kuckartz and TOROSSIAN, Sandra Djambolakdjian, 1998
niversidade Federal do Rio Grande do Sul
Psicologia: Reflexão e Crítica
Atualmente, o uso e abuso de substâncias psicoativas entre adolescentes é um tópico freqüente em debates. Na mídia, por exemplo, encontram-se diversas reportagens referindo-se ao tema "drogas". Analisamos quatro textos sobre drogas encontrados em revistas direcionadas a adolescentes, baseados na Teoria da Análise do Discurso. Procuramos encontrar que ideologias estão embutidas nas entrelinhas desses textos e que efeitos podem causar no leitor, tendo em vista o poder de persuasão da mídia. Os resultados mostram, dentro dos textos, a figura de um jovem carente de informações sobre esse tema e incapaz de formular um julgamento crítico. Relatam-se efeitos assustadores causados pelas drogas, através de um tom assertivo. Encontra-se um caráter moralista, que define a ideologia da prevenção ao uso de drogas. A partir do conhecimento do tipo de informação e de como ela está sendo consumida pelo jovem, os profissionais podem lidar de maneira mais adequada com as questões sobre drogas.
A complexidade das relações entre drogas, álcool e violência
MINAYO, Maria Cecília de Souza and DESLANDES, Suely Ferreira., 1998

Cadernos de Saúde Pública
Este artigo discute as complexas relações existentes entre drogas e violência. Valendose
de alguns estudos com base empírica e dos discursos correntes, analisa os problemas conceituais
e metodológicos relacionados ao estabelecimento de nexos causais, riscos e associações. Ao
demonstrar as dificuldades teóricas e práticas destas delimitações, aponta também para um debate
necessário no campo da saúde pública e das políticas sociais. Preocupa-se com que as intervenções
e a prevenção não se contaminem por falácias, que em nada ajudam a compreensão e a
ação relativas à problemática social das drogas.
Características da clientela de um centro de tratamento para dependência de drogas
PASSOS, Sônia R. L. and CAMACHO, Luiz A. B., 1998

Revista de Saúde Pública
Os pacientes em sua maioria eram homens, jovens, solteiros ou que viviam sós, da raça branca e com baixa inserção profissional. A média de idade de início do consumo de droga foi de 17,4 anos, e a proporção de indivíduos com mais de 9 anos de escolaridade foi de 51,8%. Trinta e seis porcento eram filhos de pais separados, 14% foram abandonados pelos pais na infância e 14% perderam os pais por morte. Abuso físico na infância foi referido por 16% dos pacientes, e o pai era o perpretrador em 68% dos casos. A cocaína foi a droga mais consumida, seja isoladamente (34%) ou com outras drogas (52%). Observou-se redução do consumo de maconha e de usuários de drogas por via injetável e aumento na proporção de consumidores de cocaína.
Uso de bebidas alcoólicas e outras drogas nas rodovias brasileiras e outros estudos
Flavio Pechansky, Paulina do Carmo Arruda Vieira Duarte, Raquel Brandini De Boni, [ORG], 2010
Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas
Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas
Este livro é produto de um esforço coletivo de mais de 130 profissionais. Dos contatos iniciais até a sua publicação se passaram aproximadamente quatro anos. Nascida de um inte¬resse comum entre a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas – SENAD e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFGRS, a ideia inicialmente discutida transformou-se em um grande núcleo de geração de informações e tecnologias de pesquisa inovadoras na área de trânsito e álcool no Brasil. Para a execução dos diversos estudos que são descritos neste livro, a SENAD desenvolveu uma estrutura específica de gestão para o acompanhamento deste grande projeto, inclusive designando profissionais em tempo integral para sua realização. Por parte da UFRGS, foi criado o NEPTA – Núcleo de Estudos e Pesquisa em Trânsito e Álcool que atualmente é um Grupo de Pesquisa do CNPq e agrega profissionais envolvidos nessa área do conhecimento. A criação do NEPTA foi possível graças ao acolhimento dado ao grupo pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), onde o Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas (CPAD) da UFRGS se situa há cinco anos. Criado em caráter permanente, o NEPTA não se extingue com o final das coletas e análises dos dados deste projeto. Ele continuará desenvol¬vendo conhecimento e metodologia de pesquisa, agregando profissionais e estabelecendo parcerias com outras instituições visando contribuir com o avanço da ciência.
O livro ora apresentado é composto de 15 capítulos, divididos em duas seções principais. A Seção A tem um caráter introdutório ao tema álcool/outras drogas/trânsito, e traz seis capí¬tulos conceituais, versando desde as relações políticas e técnicas para a execução deste proje¬to em nível nacional e local até a descrição de cenários de coleta de dados com o objetivo de inserir o leitor na peculiar realidade de obtenção de informações de pesquisa em ambientes atípicos, como por exemplo rodovias federais. Além disso, traz capítulos sobre a história do álcool relacionado ao trânsito no Brasil, sobre a teoria que estuda o impacto econômico dos acidentes de trânsito e sobre os delicados aspectos ético-jurídicos que envolvem estudos des¬ta natureza. Há também um capítulo que versa sobre os testes toxicológicos que foram utili¬zados para obtenção de amostras biológicas dos motoristas estudados nos diferentes proje¬tos. A Seção B é eminentemente prática. Traz nove capítulos que descrevem detalhadamente as rotinas de coleta de dados dos diferentes estudos e seus achados principais analisados até a data de fechamento deste livro. O foco principal não é uma grande e detalhada elocubração teórica sobre cada tema pesquisado, mas sim uma descrição pormenorizada dos métodos – o que permitirá a outros grupos de pesquisa repetir e aprimorar coletas desta natureza – e dos achados fundamentais.
Por motivos de concisão, todos os anexos indicados nos diferentes capítulos em notas de rodapé encontram-se disponíveis para acesso integral ao leitor interessado no site do Obser¬vatório Brasileiro de Informações sobre Drogas – OBID (www.obid.senad.gov.br).
A parceria entre os diferentes órgãos do governo – em especial a Presidência da República, Ministério da Educação, Ministério da Justiça, Ministério da Saúde e Ministério das Cidades, por meio de diferentes órgãos e departamentos – demonstrou que a interdisciplinariedade é um ideal possível de ser obtido. Diferentes atores participaram da intensa articulação neces¬sária para a execução de oito projetos de pesquisa em pouco mais de dois anos, em alguns casos abrangendo capitais de todo o país. É impossível nesta nota introdutória, agradecer a todos os que diligentemente dedicaram horas e esforço para a correta execução dos passos de pesquisa previstos no projeto. Uma lista completa dos parceiros encontra-se ao final deste livro. Em especial, gostaríamos de expressar nosso reconhecimento às dezenas de coletadores de dados e pessoal de apoio – e ao grupo que realizou as coletas nas capitais federais – pelo denodo em executar sua tarefa. Além deles, é importante ressaltar o especial esforço que as colegas Fernanda Cubas e Sinara Santos tiveram na supervisão editorial deste livro. Certamente a qualidade deste material é um espelho da motivação e superação que estes profissionais enfrentaram ao longo de todo este período.
Psychiatric Comorbidity Related to Alcohol Use Among Adolescents
FIDALGO, T. M.; SILVEIRA, E. D.; and SILVEIRA, D. X., 2008
Department of Psychiatry
Programa de Orientação e Assistência a Dependêntes (PROAD)
Introduction: Alcohol use is apparently related to high prevalences of
psychiatric comorbidity, although scientific studies focusing the problem among
adolescents are still lacking. Objective: To evaluate the performance of
adolescents with different patterns of alcohol use on screening instruments for
psychiatric disorders. Method: Forty-one adolescents seeking assistance for
alcohol-related problems were compared to a nonclinical sample of 43 adolescents.
These 84 users were divided in three sub-groups according to pattern of
recent alcohol intake. All subjects responded to validated versions of screening
scales for mental disorders. Comparison of groups was held through Analysis
of variance (ANOVA). Results: Self Report Questionnaire (SRQ) aims to evaluate
the presence of mental disorders. Heavy users presented significant higher
scores than the other groups (p < .05) and half of them presented a psychiatry
diagnosis. The same was observed for the CES-D. Using the cut-off, 76.9% of
daily-users adolescents were considered depressive. In the Beck Anxiety Inventory
the same was observed and 50.0% of those adolescents who drank daily could be
considered at risk of presenting anxiety disorders. Conclusion: We detected higher
prevalences of mental disorders among heavy alcohol users. This reinforces the
importance of detailed diagnostic investigation of patients.
Situações relacionadas ao uso indevido de drogas nas escolas públicas da cidade de São Paulo
MOREIRA, Fernanda Gonçalves; SILVEIRA, Dartiu Xavier da; ANDREOLI, Sérgio Baxter, 2006

Revista de Saúde Pública
OBJETIVO: Investigar situações, atitudes e comportamentos dos coordenadores pedagógicos das escolas municipais de ensino fundamental relacionados ao uso indevido de substâncias psicoativas.
MÉTODOS: Estudo realizado na cidade de São Paulo, em 2002. As informações foram colhidas por meio de entrevista semi-estruturada, com oito informantes-chave locados em setor administrativo e com experiência de coordenação pedagógica. Foi realizada a análise qualitativa de conteúdo, com o referencial etnográfico.
RESULTADOS: A idéia da transmissão de conhecimentos como base da prevenção permeia a maioria dos discursos, entretanto, os coordenadores relataram sentirem-se mal informados. As atitudes mais freqüentes frente ao usuário de drogas são de impotência e paralisia e algumas vezes, repressora. Elas são motivadas pelo desconhecimento e medo devido à associação entre usuário e marginalidade. Nas situações indiretamente associadas ao abuso de drogas (problemas familiares e de comportamento) foram relatadas atitudes mais compreensivas e inclusivas, compatível com práticas do paradigma da redução de danos.
CONCLUSÕES: Uma capacitação teórica dos educadores para uma prática preventiva teria a função de ratificar aquela desenvolvida a partir da sua vivência na escola com as situações (in)diretamente associadas ao abuso de drogas. Conseqüentemente, os tornaria mais seguros nas suas intervenções de redução de danos ou risco com os usuários
Situações relacionadas ao uso indevido de drogas nas escolas públicas da cidade de São Paulo
MOREIRA, Fernanda Gonçalves; SILVEIRA, Dartiu Xavier da; ANDREOLI, Sérgio Baxter, 2006

Revista de Saúde Pública
OBJETIVO: Investigar situações, atitudes e comportamentos dos coordenadores pedagógicos das escolas municipais de ensino fundamental relacionados ao uso indevido de substâncias psicoativas.
MÉTODOS: Estudo realizado na cidade de São Paulo, em 2002. As informações foram colhidas por meio de entrevista semi-estruturada, com oito informantes-chave locados em setor administrativo e com experiência de coordenação pedagógica. Foi realizada a análise qualitativa de conteúdo, com o referencial etnográfico.
RESULTADOS: A idéia da transmissão de conhecimentos como base da prevenção permeia a maioria dos discursos, entretanto, os coordenadores relataram sentirem-se mal informados. As atitudes mais freqüentes frente ao usuário de drogas são de impotência e paralisia e algumas vezes, repressora. Elas são motivadas pelo desconhecimento e medo devido à associação entre usuário e marginalidade. Nas situações indiretamente associadas ao abuso de drogas (problemas familiares e de comportamento) foram relatadas atitudes mais compreensivas e inclusivas, compatível com práticas do paradigma da redução de danos.
CONCLUSÕES: Uma capacitação teórica dos educadores para uma prática preventiva teria a função de ratificar aquela desenvolvida a partir da sua vivência na escola com as situações (in)diretamente associadas ao abuso de drogas. Conseqüentemente, os tornaria mais seguros nas suas intervenções de redução de danos ou risco com os usuários
Redução de danos do uso indevido de drogas no contexto da escola promotora de saúde
MOREIRA, Fernanda Gonçalves; SILVEIRA, Dartiu Xavier da; ANDROELI, Sérgio Baxter, 2006

Ciência & Saúde Coletiva
Este trabalho tem por objetivo revisar os modelos de prevenção do uso indevido de drogas em ambiente escolar, relacionando-os aos conceitos de "promoção de saúde" e "escola promotora de saúde", e propor um modelo de intervenção. Os modelos de intervenção são múltiplos, os resultados provenientes das avaliações de impacto são modestos. As abordagens preventivas mais promissoras ampliam o campo de intervenções para o ambiente físico e social, enfocando a saúde como um todo, aproximando-se do conceito de promoção de saúde. A aplicação deste no âmbito escolar resultou no conceito de escola promotora de saúde. Esta pode ser definida como a escola com políticas, procedimentos, atividades e estrutura que resultem na proteção e promoção à saúde e ao bem-estar de todos os membros da comunidade escolar. A proposta da "redução de danos", pensada como estratégia de prevenção, converge para a da escola promotora de saúde, e neste sentido propomos ações de promoção de saúde pautadas por: objetivos amplos e escalonados; ruptura com o maniqueísmo; ações inclusivas; parcerias intersetoriais; incentivo à autonomia dos alunos; abordagem do indivíduo em toda a sua complexidade. Esta proposta amplia a abrangência da intervenção para todos os alunos, independentemente se estes já experimentaram, já fizeram ou fazem algum uso de substâncias psicoativas.
Co-morbidade psiquiátrica em dependentes de substâncias psicoativas: resultados preliminares
SILVEIRA, Dartiu Xavier da e JORGE, Miguel Roberto, 1999

Revista Brasileira de Psiquiatria
INTRODUÇÃO: Os dependentes de substâncias psicoativas freqüentemente deixam de ser submetidos a avaliações diagnósticas. A não identificação de transtornos psiquiátricos associados à farmacodependência resulta em intervenções terapêuticas inadequadas. O objetivo do presente trabalho foi avaliar a ocorrência de transtornos psiquiátricos em farmacodependentes.
MÉTODOS: Foi estudada uma amostra de 50 farmacodependentes do sexo masculino, selecionados aleatoriamente entre os pacientes de um serviço de tratamento ambulatorial para dependentes químicos. Utilizaram-se os Critérios Diagnósticos para Pesquisa (RDC) na avaliação diagnóstica.
RESULTADOS: As prevalências de transtornos mentais ao longo da vida e no momento da entrevista foram de 77% e 72%, respectivamente. Trinta e dois por cento dos pacientes apresentavam-se deprimidos por ocasião da avaliação e 44% preencheram critérios diagnósticos para depressão na vida. Os transtornos depressivos precederam a instalação da farmacodependência em 77,3% dos pacientes. Outros transtornos psiquiátricos apareceram em proporções maiores do que as observadas em estudos envolvendo população geral. Os resultados do presente estudo foram comparados com estudos similares internacionais.
CONCLUSÃO: A alta correlação entre psicopatologia e farmacodependência enfatiza a importância de estratégias terapêuticas baseadas na identificação de co-morbidade psiquiátrica nestes casos.
Ensaio sobre a cura no contexto de um grupo da Barquinha
SANTOS, Rafael Guimarães dos,

 
Um Estudo sobre a Eficácia da Psicoterapia em Grupo no Tratamento de Alcoolistas
BORGES, Soraya e FRANÇA, Luciana Sayago, 2006
Programa de Orientação e Atendimento ao Dependente - PROAD - do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina
Universidade Federal de São Paulo
 
O Papel Humanizante da Enfermagem na Unidade de Psiquiatria para Tratamento de Farmacodependência em um Hospital Geral
CORREA, Sandra Regina, 2002
Programa de Orientação e Assistência a Dependêntes (PROAD)
Universidade Federal de São Paulo
 
Anestesiologistas e uso de drogas: um estudo qualitatitvo
NIEL, Marcelo, 2006
Escola Paulista de Medicina
Universidade Federal de São Paulo
 
Avaliação de sintomas de depressão e ansiedade em uma amostra de familiares de usuários de drogas que freqüentaram grupos de orientação familiar em um serviço assistencial para dependentes químicos
MALUF, Thais Pugliani Gracie, 2002
Escola Paulista de Medicina
Universidade Federal de São Paulo
 
Politica de proibição as drogas : solução ou problema?
Marconi Tabosa de Andrade , 2003
Universidade Estadual de Campinas . Instituto de Filosofia e Ciencias Humanas
Universidade Estadual de Campinas
Resumo: A dissertação trata da política de proibição às drogas, procurando avaliar as condições em que ocorre sua reprodução. São estudados dois casos nos quais a proibição às drogas é posta em questão. Nestes estudos, observamos que há íntima relação entre o ambiente de ilegalidade criado em torno de algumas substâncias de efeito psicoativo e a dinâmica social na qual se dá seu consumo. Além disso, percebemos que a política de proibição às drogas, no que diz respeito ao consumo, tem sido alvo de críticas bastante intensas, colocando em questão sua continuidade. Mas é a esfera da oferta (tráfico de drogas) que confere o principal dinamismo à reprodução da política de proibição às drogas: em torno de algumas substâncias de uso proibido forma-se um sistema bipolar constituído, de um lado, pelos aparatos de repressão à produção, circulação e consumo das drogas e, de outro, por organizações criminosas cujas atividades garantem o abastecimento do mercado ilegal de drogas. Os lados que compõem este sistema são mutuamente determinados e reciprocamente constituídos. A reprodução da política de proibição às drogas decorre, fundamentalmente, desta interação sistêmica e do seu aspecto retroalimentativo
Adolescencia e drogas : um estudo clinico-qualitativo da perspectiva da mãe do adolescente
CASTO, Marcelo Jose de, 2003
Universidade Estadual de Campinas . Faculdade de Ciencias Médicas
Universidade Estadual de Campinas
INTRODUÇÃO: O uso de drogas por adolescentes tem sido predominantemente abordado nos meios de comunicação e em ações preventivas pela ênfase ideológica do ?combate às drogas?, em detrimento da devida consideração dos fatores individuais e familiares e dos aspectos socioculturais de sua demanda e ocorrência. Considerada a importância dos papéis parentais na adolescência, objetivou-se investigar qualitativamente o tema na perspectiva da mãe do adolescente e formular hipóteses a respeito de fatores subjetivos possivelmente relacionáveis a dificuldades de prevenção do problema. MÉTODOS: Realizou-se estudo qualitativo e exploratório sobre uma amostra intencional, fechada por saturação e variedade de tipos, composta por 10 mães de adolescentes matriculados em instituição privada de ensino. Foram realizadas entrevistas semidirigidas de questões abertas, cujo conteúdo transcrito foi submetido à análise qualitativa de conteúdo temática e interpretado à luz de referenciais teóricos psicanalíticos e psicossociais. RESULTADOS: As entrevistadas evidenciaram uma visão predominantemente negativa do mundo e da sociedade em que vivem, bem como muitas angústias e dificuldades de reformulação do papel materno diante da sexualidade adolescente e das transformações físicas e emocionais da adolescência de seus filhos. Estes foram ambivalentemente percebidos como ingênuos e vulneráveis, para os quais a droga, reificada no discurso das entrevistadas, representaria um mal onipresente e um perigo iminente. Neste contexto, predominaram atitudes de medo e condenação das drogas ilegais e de discriminação dos seus usuários, reproduzindo aspectos ideológicos típicos do ?combate às drogas?. O consumo de álcool e tabaco revelou-se, porém, bem mais tolerado, enquanto o início dos problemas relacionados às drogas na adolescência foi predominantemente identificado pelas entrevistadas somente a partir do uso de maconha. CONCLUSÕES: O enfoque repressivo da ideologia de combate às drogas reproduziu-se na fala das entrevistadas, revelando-se prejudicial à sua percepção da amplitude e complexidade do problema, e comprometendo seu papel potencial na prevenção do uso de drogas por seus filhos. Os resultados do estudo indicam que a atenção às angústias maternas relacionadas à adolescência de seus filhos deve ser considerada na formulação de programas voltados para a saúde do adolescente e da família, e que as estratégias preventivas do uso de drogas na adolescência poderiam ser maximizadas através da abordagem dos aspectos psicodinâmicos e psicossociais do adolescente e de sua família. Algumas categorias e subcategorias formuladas indicaram possibilidades abertas para novas pesquisas quantitativas e qualitativas. As limitações do estudo foram assinaladas
Drogas na adolescencia : um estudo sobre exposição e riscos associados
LIMA, Elson da Silva, 2000
Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva
Universidade Estadual de Campinas
Esta tese baseia-se num estudo epidemiológico transversal ("survey"), realizado numa amostra de 1328 estudantes, com idade entre 12 e 20 anos, matriculados em 7 escolas públicas do Município de Campinas e uma escola pública do Município de Jaguariúna, Estado de São Paulo. O estudo apurou, entre os entrevistados, variáveis socioeconômicas, coeficientes de prevalência de consumo de substâncias psicoativas lícitas e ilícitas e percepção dos entrevistados quanto à facilidade para obtenção dessas substâncias. A coleta de dados foi feita por meio de um questionário fechado, anônimo e de auto-preenchimento. Os principais resultados obtidos foram: 21,6% (IC95%: 19,5-23,9) de prevalência de consumo ao longo da vida para as drogas ilícitas pesquisadas (inalantes, maconha, cocaína entre outras), 85,5 (IC95% 83,5-87,4) para bebidas alcoólicas, 47,8% (IC95%: 45,0-50,5) para cigarro de tabaco e 9,3% para tranqüilizantes (IC95%: 7,8-11,0); a média de idade da amostra é 16,0 (mediana 16,0, desvio-padrão 2,2). Os resultados aferidos indicam que o consumo de drogas ilícitas em Campinas apresenta-se elevado em relação ao restante do país; a questão do acesso mostra que, apesar da percepção de facilidade em muitos dos entrevistados que experimentaram drogas ilícitas, o uso mais freqüente, representado pelo uso nos últimos trinta dias anteriores à entrevista, não apresenta associações significativas, contrariando assim um dos principais postulados sobre a questão que aponta esta facilidade como um dos fatores de risco fundamentais para o consumo. Além disto. o autor desenvolve uma discussão sobre os paradigmas de estudo da questão 'uso indevido de drogas', apontando suas incongniências e indicando um modelo sistêmico de saúde pública, tendo a unidade primária de .saúde como /ocus privilegiado para o atendimento aos pacientes com problemas devido ao uso abusivo de drogas. O objetivo da discussão levantada é de prevenir e/ou diminuir os problemas sociais e sanitários provocados pela drogadição. Palavras-chaves: Drogas, adolescência, uso indevido, epidemiologia
Uso de drogas, marcadores sociais e corporalidades : uma perspectiva comparada
Taniele Cristina Rui, 2007
Universidade Estadual de Campinas . Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Universidade Estadual de Campinas
Esta pesquisa pretende descrever e apreender distintas concepções e práticas do uso de "drogas". Para tanto, são descritos e analisados três grupos: ex-usuários que passam por tratamento de recuperação de "drogas", "meninos de rua" e estudantes universitários. Proponho que as diferenças entre os modos de conceber esses usos podem nos indicar caminhos para complexificar a questão das "drogas" na contemporaneidade; para o entendimento das classificações sociais e dos processos sociais envolvidos no consumo de "drogas" e na relação entre os grupos consumidores, bem como para o modo que o tema é abordado pelas ciências sociais. Temáticas essas que ganham em profundidade quando a materialidade do corpo e das "drogas" adquirem lugar nesta discussão.
Praticas educativas da policia militar do estado de São Paulo : o programa educacional de resistencia as drogas e a violência
MACEDO, Juliana de Carvalho Albrecht, 2008
Universidade Estadual de Campinas . Faculdade de Educação
Universidade Estadual de Campinas
Este trabalho teve por finalidade verificar os interesses que levaram o Drug Abuse Resistance Education, um programa de prevenção ao uso de drogas criado nos Estados Unidos no início da década de 1980, a ser aplicado pela Polícia Militar do Estado de São Paulo a partir de 1993, adotando no Brasil o nome de Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência, conhecido através da sigla PROERD. Para tanto, fez-se necessário estudar as políticas de prevenção ao uso de drogas adotadas pelos dois países, bem como a legislação que permitiu à polícia militar aplicar um programa de prevenção nas escolas. As relações entre Brasil e Estados Unidos a partir de 1930 também foram pesquisadas, fazendo-se um levantamento histórico desde então, até o final do regime militar e início da redemocratização do Brasil, abordando o papel desempenhado pelas forças repressivas do Estado durante este período. A criação da Polícia Militar do Estado de São Paulo no inicio da década de 1970 também foi pesquisada, assim como as mudanças sociais que ocorreram ao longo de sua existência e que passaram a exigir alterações em seu modo de agir, requerendo a adoção do policiamento comunitário. A imagem construída pela instituição policial militar, principalmente durante o regime militar, favoreceu o seu distanciamento da comunidade e a reprovação dos seus atos pelos cidadãos, que passaram a cobrar uma polícia comprometida com a defesa da vida e da integridade, sendo o PROERD e o policiamento comunitário tentativas de resgatar o relacionamento com a sociedade, construindo uma imagem mais positiva da polícia no que se refere a uma perspectiva humanista.
Uso de drogas por estudantes de 1° e 2° graus na cidade de Campinas : prevalencia e fatores socio-democraticos, culturais e psicopatologicos associados
SOLDEIRA, Meire Aparecida , 2001
Universidade Estadual de Campinas . Faculdade de Ciências Médicas
Universidade Estadual de Campinas
o presente trabalho tem por objetivo identificar a prevalência de uso de drogas lícitas e ilícitas, por estudantes de 1. e 2. graus na cidade de Campinas, SP, bem como, examinar a relação de facilitação ou inibição que se pode estabelecer entre a intensidade de uso de drogas e alguns fatores sócio-demográficos, culturais e psicopatológicos associados a este uso. A amostra foi constituída por 2375 estudantes de escolas públicas centrais, escolas públicas periféricas e escolas particulares. Foi utilizado um questionário de autopreenchimento baseado no questionário do Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID). A aplicação foi coletiva, em sala de aula, sem a presença do professor. Para a classificação do uso de drogas, utilizou-se o critério de classificação da OMS (1981): uso na vida (uso de droga pelo menos uma vez na vida); uso no ano (uso de droga pelo menos uma vez nos 12 meses que antecederam a pesquisa); uso no mês (uso de droga nos 30 dias que antecederam a pesquisa); uso freqüente (uso de 6 ou mais vezes no mês) e uso pesado (uso de 20 ou mais vezes no mês)...Observação: O resumo, na íntegra, poderá ser visualizado no texto completo da tese digital
Prevenção ao abuso de drogas na pratica pedagogica dos professores do ensino fundamental
FONSECA, Marília Saldanha da, 2006
Universidade Estadual de Campinas . Faculdade de Educação
Universidade Estadual de Campinas
Levantamentos epidemiológicos realizados nos últimos anos comprovam a presença de
drogas psicotrópicas nas escolas, assim como, a existência do abuso dessas substâncias
entre alunos. Pesquisas apontam para revisões necessárias na formação de educadores, no
que tange a práticas de ação preventiva, especialmente, quanto ao consumo de drogas. No
Brasil, as investigações em práticas pedagógicas de professores são escassas. O presente
estudo, uma pesquisa de campo, de natureza exploratória, teve como objetivo investigar se
as atuais práticas docentes em educação preventiva estão coerentes à demanda do abuso
de drogas entre estudantes, se não, buscar alternativas para novas práticas preventivas
concebidas e organizadas nas condições do contexto existente. Foi realizada uma
intervenção pedagógica, denominada Encontro Pedagógico em Prevenção ao Abuso de
Drogas na Escola, na Secretaria Municipal de Educação (SME), de uma cidade do Estado de
São Paulo, com duração total de trinta horas, em dez encontros diários, durante duas
semanas. Participaram da amostra vinte e três professoras do ensino fundamental, em dois
grupos de estudo, manhã e tarde. O processo de investigação estruturou-se à luz do
paradigma dialético, segundo os seguintes princípios: a) a prática concreta como ponto de
partida (tese), b) a compreensão da prática para sua superação (antítese), c) a elaboração
de práticas concebidas, organizadas e recriadas em novas condições, como ponto de
chegada (síntese). Para registro de dados foram utilizados questionários abertos,
observações e depoimentos. Os dados foram analisados qualitativamente, sendo
considerados os procedimentos do Método Dialético e da Análise de Conteúdo. Os
resultados encontrados na pesquisa constataram que as inconsistentes propostas
apresentadas no primeiro momento da intervenção foram se redefinindo cada vez mais, até a
formulação de novas alternativas para resolverem situações concretas. É importante
enfatizar que uma visão sincrética ascendeu ao nível de síntese, e que essa passagem
qualitativa deu-se pela incorporação de referenciais teóricos e práticos necessários ao
equacionamento dos problemas detectados na prática atual das professoras. Alguns
resultados interessantes emergiram. No Questionário 1, a divulgação de informações de
cunho alarmista foi a solução para a questão da droga; a análise dos resultados no
Questionário 2 mostrou não existir registro nesta categoria de resposta. Assim, ao serem
comparadas as práticas descritas inicialmente com as propostas de práticas pedagógicas ao
final do Encontro foi percebido um salto qualitativo, que se evidenciou em termos de
conhecimentos articulados sobre prevenção. Espera-se que os resultados obtidos possam
abrir novas perspectivas para a educação preventiva. Embora a intervenção realizada tenha
sido de curta duração, acredita-se que resultados encorajadores foram alcançados. Nesse
sentido, é essencial que professores recebam formação nessa área para que possam
promover a prevenção ao abuso de drogas nas escolas.
Tratamento de dependentes de drogas : dialogos com profissionais da area de saude mental
Rezende, Manuel Morgado, 1999
Universidade Estadual de Campinas . Faculdade de Ciências Médicas
Universidade Estadual de Campinas.
No presente estudo, apresentamos e discutimos, uma revisão bibliográfica sobre aspectos individuais, familiares e socioculturais do uso, abuso e dependência de drogas, dando ênfase às intervenções terapêuticas. Em geral, optamos por apresentar detalhadamente estudos da literatura científica atual, os quais foram considerados padrões para o aspecto discutido. Destacamos, outrossim, documentos da Organização Mundial de Saúde (WHO, 1996) que refletem a preocupação com a necessidade de avaliarem-se os tratamentos de usuários de drogas, bem como o treinamento e a formação dos profissionais que atuam na assistência a estes usuários e na prevenção ao consumo de substâncias psicoativas. Entrevistamos vinte e dois profissionais de Saúde Mental, de diversas formações de nível universitário - Medicina, Serviço Social, Terapia Ocupacional, Psicologia, Enfermagem, Psicanálise - que atendem farmacodependentes nas cidades de Taubaté e São José dos Campos, localizadas no Vale do Paraíba, Estado de São Paulo. Incluímos, na presente pesquisa, profissionais que atuam nos hospitais psiquiátricos (localizados em São José dos Campos), na área de Saúde Mental do serviço público e (ou) em consultório particular das cidades supracitadas. Investigamos características relativas à formação, atuação e alguns dos pontos de vista e observações destes profissionais sobre a experiência de atendimento a pacientes que apresentam transtornos relacionados a substancias. Compilamos o que os profissionais pensam do usuário de drogas e da família deste, quais os objetivos estabelecidos para o atendimento e quais os métodos e (ou) técnicas enipregados para que tais objetivos sejam atingidos. Abordamos, também, os resultados que eles relatam ter obtido, os critérios para avaliação destes, as principais dificuldades encontradas no decorrer dos atendimentos, se empregam alguma forma de registro de dados e de observações e se ocorreram mudanças na compreensão da dependência de drogas no decorrer da experiência profissional. A análise estatística descritiva, da amostra pesquisada, revelou que o tempo médio de experiência na área é de 13.1 anos. A quase totalidade dos profissionais começou a lidar com dependentes de drogas por acaso, 4.6 anos, em média, após o término da graduação. Em geral, não tiveram formação prévia. Atendem uma média de 17.2 pacientes e de 9.5 famílias por semana. Os diálogos com os entrevistados indicaram que há insatisfação com os resultados obtidos e com as condições de trabalho. Praticamente não há cursos de recic1agem, controle de eficácia, ou "follow-up". A improvisação e o uso de técnicas ec1éticas predominam sobre as intervenções definidas e avaliadas sistematicamente. A experiência assistencial é dominante em relação a de pesquisa, ou de atualização da literatura científica especializada
O uso, o abuso e a dependencia de drogas : da teoria a prática num serviço universitario
SEIBEL, Sérgio Dario, 1995
Universidade Estadual de Campinas . Faculdade de Ciências Médicas
Universidade Estadual de Campinas
Esta tese representa a experiência de instalação de um núcleo de atenção integral e integrada ao usuário de drogas em um Serviço Universitário no Brasil. Apresenta uma revisão nos conceitos básicos, a compreensão do fenômeno de dependência a drogas, o histórico e modalidades socioculturais da utilização, abrangendo estudo cuidadoso das complicações c1ínicas relacionadas ao uso da droga. Relata a experiência, desde a criação do projeto até a sua implantação em área universitária, situação considerada pelo autor como ideal para seu funcionamento. Elabora o perfil dos demandantes e sua trajetória pelos Setores de Métodos Estatísticos e Quantitativos e de Atenção Secundária, bem como uma abertura à comunidade, no Setor de Atenção Primária. É um enfoque médico-psiquiátrico do tema e constitui subsídio para profissionais de outras áreas c1ínicas. O Núcleo de Estudos e Pesquisas em Uso de Drogas (NEPAD) pode ser considerado um incentivo para a abertura de outros núcleos a serem implantados no Brasil, respeitando-se as especificidades regionais, de acordo com os critérios da Lei 6368/76 sobre entorpecentes
A perspectiva da redução de danos com usuários de drogas : um olhar sobre os modos éticos de existência
BRASIL, Caroline Schneider , 2003
Instituto de Psicologia. Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional.
Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Esta dissertação surge das inquietações e percepções vivenciadas, cotidianamente, junto a pessoas que convivem com a questão do uso e abuso de drogas e muitas vezes também, com o fato de serem portadoras do vírus HIV/Aids. Na Parte I, apresentamos e problematizamos a Redução de Danos atravessada pela perspectiva genealógica de análise proposta por Michel Foucault, apontando para as relações entre a constituição de verdades, saberes e exercício de dispositivos de poder, tanto no que diz respeito à relação entre a Perspectiva de Redução de Danos e a Política Anti-Drogas, quanto no próprio operar da redução de danos enquanto um modo de intervenção singular, tomando falas de usuários de drogas e/ou redutores de danos como a fonte mais vociferante para a construção destas relações. Na Parte II, traçamos a partir da perspectiva genealógica de análise, algumas relações entre os diferentes modos de intervenção dirigidos ao uso e abuso de drogas, apontando as relações de saber-poder que sustentam as práticas dos campos da psiquiatria biológica, psicanálise e as de cunho religioso. Por fim, construímos uma tecitura que demarca sob a forma de “um olhar”, o percurso que engendra os diferentes modos de exercício ético e constituição moral, acompanhando a visitação que fez Michel Foucault às culturas da antiguidade grega, passando pelos estóicos e epicuristas até o fortalecimento do cristianismo. Para a contextualização do cristianismo, tomamos Nietzsche e com Freud trazemos questões importantes na constituição do sujeito moral moderno que nos atravessa na contemporaneidade, subjetiva e culturalmente.
“CRAQUEIROS E CRACADOS: BEM VINDO AO MUNDO DOS NÓIAS!” Estudo sobre a implementação de estratégias de redução de danos para usuários de crack nos cinco projetos-piloto do Brasil
DOMANICO, Andrea, 2006
Faculêdade de Filosofia e Cincias Humanas - Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
O objetivo deste trabalho é analisar o processo de implantação e desenvolvimento das estratégias de redução de danos associados ao uso de cocaína fumada (crack), através do estudo dos cinco projetos-piloto para usuários de crack desenvolvidos no Brasil, financiados pelo Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde. Este estudo é relevante por levar em conta as especificidades que o uso seguro de crack exige. Os projetos piloto desenvolvidos entre 2002 e 2005, implantaram ações de redução de danos associados ao uso de crack com o objetivo de prevenir a transmissão de doenças infecto-contagiosas pelo uso compartilhado dos equipamentos de uso de crack e diminiur a disseminação das doenças sexualmente transmissíveis pela dificuldade de uso de preservativos. Esta
pesquisa de campo buscou abarcar de que forma os projetos foram implementados e desenvolvidos e quais os principais entraves na sua execução. Para a realização deste estudo forma abordados os seguintes aspectos: a
história do crack no mundo e no Brasil; as respostas do governo brasileiro e do
movimento social à epidemia de aids e a repercussão dos empréstimos do
Banco Mundial nestas respostas; a história da redução da danos no mundo e no Brasil e a implementação dos projetos de redução de danos associados ao uso de crack.
Na discussão buscamos entender porque é tão dificil implementar estratégias de redução de danos para usuários de crack e podemos perceber que a forma como os financiamentos aconteceram afetaram diretamente na
execução dos projetos submetendo as instituições e suas equipes ao que intitulamos de “ditadura dos projetos”. Além de observarmos o alto grau de exclusão que os usuários de crack estavam expostos nos remetendo a discussão sobre o “pânico moral”.
Nossas considerações finais vão na direção de propor uma discussão ampla com a sociedade sobre as estratégias de redução de danos associados ao uso de drogas, como forma de garantir os direitos à saúde dos usuários de drogas.
O recurso à droga nas psicoses: entre o objeto e significante
MARTINS, Viviane Tinoco , 2009
CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS INSTITUTO DE PSICOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM TEORIA PSICANALÍTICA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
A presente tese tem como objetivo investigar a articulação entre a clínica das psicoses e o
consumo de drogas. Com base em um percurso que articula teoria e clínica, elaboramos uma
hipótese central que norteia nossa pesquisa calcada na adoção da terminologia recurso à droga,
cuja etimologia remete à idéia de uma tentativa de apaziguamento de dificuldades, que, em
nosso trabalho, corresponde à tentativa de dar uma solução aos efeitos da foraclusão do Nomedo-
Pai. Ao formularmos nossa hipótese, tivemos o cuidado de introduzir a noção de tentativa de
solução para apontar que este recurso não é absoluto e pode apresentar fragilidades. Reconhecer
essa fragilidade permite que nos afastemos da interpretação de alguns autores, que reconhecem
que o uso de drogas pode operar, em alguns casos, como uma suplência à foraclusão do Nomedo-
Pai. Nossa tese é fundamentada pelo ensino de Lacan, com ênfase em suas contribuições
provenientes sobre o conceito de significante e a noção de Verwerfung, passando pelos avanços
decorrentes da conceituação do objeto a, cuja conseqüência foi a pluralização dos Nomes do
Pai, e da introdução da topologia dos nós, que lhe permitiu re-articular a noção de suplência na
década de 70. Ao longo desta trajetória, também nos apoiamos na obra de Freud, tomando como
bússola a articulação de Lacan dos textos freudianos. Nossa hipótese central desemboca em
mais duas hipóteses sobre o estatuto de droga: (1) a oscilação entre objeto e significante, e (2)
que o seu consumo comporta alguns modos de operação na dinâmica psíquica das psicoses.
Assim, identificamos dois modos de operação da droga: o primeiro corresponde à irrupção de
um gozo ilimitado, que pode comparecer nas psicoses já desencadeadas e participar da cena
dramática do desencadeamento desempenhando um papel coadjuvante. A relação entre droga e
gozo apresenta um paradoxo: para alguns casos, o seu consumo opera liberando um gozo
excessivo e, em outros, permite uma moderação do gozo. O segundo modo de operação da
droga corresponde às tentativas de estabilização e correspondem a cinco modalidades: a
moderação de gozo, a passagem ao ato, a compensação imaginária, o delírio e a escrita, que se
articulam com o recurso à droga de acordo com a singularidade de casos clínicos que serão
apresentados. Empreendemos uma articulação entre os modos de operação da droga e seu duplo
estatuto de objeto e significante. Quanto à dimensão da escrita, a partir do estudo de um caso
clínico encontramos um novo estatuto da droga, a saber, de letra, que condensa o gozo,
depositando-o nas palavras escritas.
A Carreira do Drodadicto
GADBEM, Mauricio Miguel, 2004
UNICAMP: Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas
Universidade Estadual de Campinas
O autor, a partir da experiência prática com usuários compulsivos de drogas, internados em uma clínica psiquiátrica, desenvolve a hipótese de que estes pacientes não possuem desenvolvida a capacidade para pensar de forma simbólica, conseqüente a uma falha no exercício da função paterna na sua formação. Esta limitação à simbolização estaria na origem de um comportamento onipotente, que inclui, entre suas formas de manifestação, o uso compulsivo de drogas. O uso de drogas funcionaria como um ?objeto transicional?, utilizado principalmente durante a adolescência, período interpretado como um ?espaço potencial?. A internação hospitalar seria um recurso de grande utilidade se pudesse exercer a função paterna para o desenvolvimento do indivíduo que ali se interna, bem como, para sua família
Fatores de risco para a infecção pelo virus da AIDS entre usuarios de drogas endovenosas da região de Campinas, São Paulo, Brasil
LIMA, Maria Patelli Juliani Souza, 1992
UNICAMP: Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas
Universidade Estadual de Campinas
A importância do uso de drogas injetáveis na transmissão do vírus HIV vem crescendo tanto nos países desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento, potencializando a transmissão heterossexual e conseqüentemente a vertical. (...continue)
Ayahuasca in Adolescence: A Preliminary Psychiatric Assessment
SILVEIRA, Dartiu Xavier Da; GROB, Charles S.; RIOS, Marlene Dobkin de; LOPEZ, Enrique; ALONSO, Luisa K.; TACLA, Cristiane & SILVEIRA, Evelyn Doering, 2005
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Journal of Psychoactive Drugs
Ayahuasca is believed to be harmless for those (including adolescents) drinking it within a religious setting. Nevertheless controlled studies on the mental/ psychiatric status of ritual hallucinogenic ayahuasca concoction consumers are still lacking. In this study, 40 adolescents from a Brazilian ayahuasca sect were compared with 40 controls matched on sex, age, and educational background for psychiatric symptomatology. Screening scales for depression, anxiety, alcohol consumption patterns (abuse), attentional problems, and body dysmorphic disorders were used. It was found that, compared to controls, considerable lower frequencies of positive scoring for anxiety, body dismorphism, and attentional problems were detected among ayahuasca-using adolescents despite overall similar psychopathological profiles displayed by both study groups. Low frequencies of psychiatric symptoms detected among adolescents consuming ayahuasca within a religious context may reflect a protective effect due to their religious affiliation. However further studies on the possible interference of other variables in the outcome are necessary.
Prevenção ao uso e abuso de drogas : um recorte na historia intelectual da enfermagem
OLIVEIRA, Telma Eliane Garcia Clajus, 2002
UNICAMP: Programa de Pós-Graduação em Enfermagem
Universidade Estadual de Campinas
A disseminação do uso de substâncias psicoativas emerge no momento atual como uma problemática complexa e crescente. Diante das diversas questões que envolvem as causas da drogadição, os métodos usuais da ciência médica e epidemiológica têm se mostrado insuficientes, principalmente pelo fato de se tratar de uma população marginalizada. Trazendo uma revisão teórica das transformações ocorridas no pensamento científico, a partir de uma contextualização histórica dentro dos modelos arqueológicos de Foucault, sinaliza-se a influência e a contribuição da racionalidade na exclusão do indivíduo dependente químico, e nas contradições das abordagens preventivas sobre a drogadição. Considerando que as conotações socioculturais exercem marcante influência nas motivações para o uso destas substâncias, o que requer uma inserção mais direta no campo de pesquisa, deu-se destaque aos modernos métodos antropológicos que priorizam as questões culturais e a subjetividade do indivíduo dependente químico. Uma vez determinados os referenciais de análise neste contexto, esta pesquisa objetivou conhecer a colaboração científica contemporânea da Enfermagem na temática da prevenção ao uso e abuso de drogas, e se esta categoria profissional em seus trabalhos científicos tem se utilizado de métodos que permitam a escuta do Outro, o principal objeto da assistência. Através de um recorte na história intelectual da Enfermagem, utilizando o referencial teórico da História das Mentalidades, expomos o perfil das idéias dos profissionais de Enfermagem referidos nos resumos de trabalhos acadêmicos e científicos publicados nos catálogos do Cepen (Centro de Estudos e Pesquisa em Enfermagem), e nos livros de resumos de eventos específicos: CBEn (Congresso Brasileiro de Enfermagem) eno VI Encontro de Pesquisadores em Saúde Mental. A análise revela que a Enfermagem se insere nesta temática de maneira evolutiva, e sua produção científica acompanha as revoluções da ciência, demonstrando por meio de suas idéias estar aberta à introdução de um novo paradigma que surge em sintoma com fatores socioculturais, nos quais o exercício da cidadania plena pode ser praticado numa ética de interlocução e interdisciplinaridade
Usuarios de Cocaina e Aids : Um Estudo Sobre Comportamentos de Risco
AZEVEDO, Renata Cruz Soares de, 2000
UNICAMP: Programa de Pós-Graduação em Clínica Médica
Universidade Estadual de Campinas
Objetivo - Caracterizar usuários de cocaína (uso pelas vias injetável e/ou pulmonar) do ponto de vista sociodemográfico, do comportamento sexual e de uso de drogas, do conhecimento e atitudes com relação à AIDS e detectar a soroprevalência para o HIV. Material e método - Foi realizado um estudo descritivo com 252 usuários de cocaína. Procedeu-se à aplicação do instrumento da OMS para o PSA: "Estudo Multicêntrico de Comportamentos e Soroprevalência para o HIV entre UDI" e testagem sorológica para detecção do HIV. Os dados foram analisados usando-se a Análise de Correspondências Múltiplas, estabelecendo-se similaridades e diferenças entre os subgrupos, UDI / DC, soropositivos e soronegativos. Resultados - A amostra estudada caracterizou-se por: ser predominantemente do sexo masculino (98%), ter menos de 30 anos (73%), ter vínculo empregatício (51%), policonsumo relatado em 76% dos casos, atividade sexual semanal em 47% dos entrevistados, fazer pouco uso de preservativos mesmo em caso de prostituição, em sua totalidade referindo ter informações sobre AIDS, porém, 51 % relatando não ter modificado em nada o seu comportamento desde o surgimento da AIDS. A soroprevalência global para o HIV foi de 20%, sendo 33% em UDls e 11% em UCs. Conclusões - O comportamento sexual dos usuários de drogas da amostra estudada pode ser considerado fator de risco para a contaminação pelo HIV. Os ~uários desta amostra diferenciam-se quanto às variáveis sociodemográficas, uso de cocaína e soroprevalência para HIV de acordo com o locus de origem. A soroprevalência para () HIV entre os UDls da amostra é compatível com os dados apontados na literatura. A taxa de soroprevalência do HIV encontrada nos DCs é um dado significativo. O uso de cocaína injetável apresenta maior risco de contaminação para HIV do que o uso de crack. Os usuários de cocaína deste estudo têm acesso à informações sobre HIV/ AIDS, não fazendo, no entanto, uso pleno destes conhecimentos. É necessário criar estratégias preventivas à contaminação e disseminação do HIV para a população de usuários de cocaína, inclusive para aqueles que não privilegiam a via injetável
Juventude, lazer e uso abusivo de alcool
ROMERA, Liana Abrão, 2008
UNICAMP: Programa de Pós-Graduação em Educação Física
Universidade Estadual de Campinas
A relação que na contemporaneidade se estabeleceu entre juventude, lazer e o uso abusivo de álcool tem representado tema de preocupações e estudos de diferentes segmentos da sociedade, devido aos impactos negativos de curto e médio prazo que vem ocasionando. Nesse sentido, este trabalho busca aprofundar o conhecimento destes sujeitos e fenômenos a partir dos locais onde eles ocorrem, na tentativa de melhor compreendê-los. A relação entre lazer, juventude e uso de drogas representa um dos grandes fenômenos da contemporaneidade, promovendo conseqüências diretas e indiretas em diferentes segmentos sociais. O álcool figura como droga lícita e, portanto, livremente comercializada no país, estando classificada, segundo pesquisas do CEBRID, como a substância de maior preferência de uso entre o público jovem brasileiro. Acompanhando tal situação, o álcool está presente na maioria dos casos de acidentes automobilísticos, brigas, agressões, discussões e mortes, especialmente entre o público jovem. Tal fato é resultado das reações que provoca no sistema nervoso central, fazendo com que a pessoa mude rapidamente de estado mental, indo de muito alegre para muito triste, de muito dócil para muito agressivo, além de ter bastante distorcida sua capacidade de ponderar, analisar e perceber as situações à sua volta. O esporte espetáculo é um dos mais importantes eventos de lazer do país, que tem como público, na maior parte, jovens, que formam as torcidas, e estes, por sua vez, têm sido atores de cenas nas quais a violência e a agressão aparentemente gratuita são facilmente observadas. O presente estudo teve por objetivo identificar o padrão de uso de álcool junto à população jovem, freqüentadora de espetáculos esportivos de futebol, elegendo, para tanto, os jovens torcedores de agremiações futebolísticas do país. Com utilização de método qualitativo, o trabalho foi realizado com três enfoques: bibliográfico, documental e de campo, supondo a inserção do pesquisador em estádios de futebol em eventos de esporte espetáculo, com aplicação do AUDIT, instrumento para avaliar o grau de comprometimento entre sujeito e álcool. Foram pesquisados 263 sujeitos em diferentes ocasiões de espetáculos futebolísticos no estado de São Paulo durante o Campeonato Paulista de Futebol nos anos de 2007 e 2008. Lançar-se ao desafio de abordar alguns pontos existentes entre juventude, lazer e drogas, a partir de suas inter-relações na sociedade atual, representa importante exercício de compreensão do fenômeno, com intuito de provocar a reflexão e o debate necessários, tomando o devido cuidado para que não se incorra em concepções moralistas e preconceituosas, imprimindo aos temas propostos uma compreensão simplista e reducionista. Compreender o fenômeno e as possíveis relações estabelecidas entre estes e a condutas de risco, por meio da detecção dos padrões de uso de álcool nas atividades vivenciadas no tempo livre, poderá remeter-nos à proposição de ações que contribuam tanto para a diminuição dos índices de violência quanto para a diminuição dos padrões de uso de álcool entre a população estudada.
Drogas na adolescencia : analise do uso de substancia quimicas entre adolescentes estudantes de escolas publicas e particulares de Campinas, SP
ARMANI, Maria Alice de Araujo, 2007
UNICAMP: Programa de Pós-Graduação em Saúde da Criança e do Adolescente
Universidade Estadual de Campinas
Objetivo: Pesquisar, entre adolescentes de diferentes níveis sócio-culturais, estudantes de escolas públicas e privadas, uso de medicações específicas (fórmulas laboratoriais que visam emagrecimento, inibidores do apetite, ?orlistat?, anabólicos e esteróides, laxantes, diuréticos), tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, início de vida sexual, prevenção de gestações e DST e utilização de métodos anticoncepcionais. Métodos: Foi realizada uma pesquisa entre adolescentes estudantes do sexo feminino, com idades de 14 a 18 anos, sendo 171 de duas escolas públicas e 105 de três escolas privadas de distintas regiões de Campinas, SP, aplicando-se a elas um questionário elaborado que buscou elucidar as referidas indagações, com prévia entrega de Termos de Consentimento Livre e Esclarecido. As respostas obtidas foram colocadas em banco de dados e submetidas a análise estatística específica. Resultados: No estudo, referiam tabagismo 26,32% (n=45) das alunas de escolas públicas e 28,57% (n=30) das alunas de escolas particulares. Afirmava uso de algum tipo de bebida alcoólica 80,70% (n=138) das alunas de escolas públicas e 94,29% (n=99) das alunas de escolas particulares. Foi relatada influência de amigos e familiares para ambos os hábitos. Em relação ao questionamento sobre modelagem corporal, possuía desejo de emagrecer 29,82% (n=51) de alunas de escolas públicas e 57,14% (n=60) de alunas de escolas particulares, havendo prevalência de uso de laxantes, fórmulas para emagrecer e moderadores de apetite, respectivamente entre 22,86% (n=24), 14,29% (n=15) e 16,19% (n=17) de alunas de escolas particulares. Ao serem interrogadas se utilizavam medicações com prescrição médica, apenas 4,68% das alunas de escolas públicas respondeu afirmativamente, contra 14,29% das alunas de escolas particulares. Já tinha iniciado vida sexual 52,05% (n=89) das alunas de escolas públicas e 23,81% (n=25) das alunas de escolas particulares, sendo que a idade predominante foi de 15 anos para as de escolas públicas e 16 anos para as estudantes de escolas particulares. Das alunas de instituições públicas que haviam iniciado vida sexual, 19,30% e 1,17% tinha, respectivamente, um e dois filhos. Referiram usar pílula anticoncepcional, 43,82% das alunas de escolas públicas e 60% das alunas de escolas particulares sexualmente ativas, respectivamente, 4,62% e 4,76% com receita médica. Apesar de ser o método mais usado entre as estudantes, havia adolescentes sexualmente ativas que negavam a utilização do preservativo (10,11% das estudantes de escolas públicas e 12% das de particulares), não evitando, portanto, gestação indesejada ou doença sexualmente transmissível. Bebiam, fumavam , faziam uso de algum medicamento e anticoncepcional: 41,67% (n=10) das alunas de escolas públicas e 58,33% (n=14) das alunas de escolas particulares. Conclusão: Considerável número de adolescentes, de níveis socioeconômicos e culturais diversos, com pesos adequados, gostariam de ser mais magras e, para tanto, principalmente estudantes de instituições particulares, usavam medicações. Há influência de familiares e amigos nos hábitos de fumar e beber. Havia adolescentes sexualmente ativas que ainda não utilizavam preservativo, não evitando, portanto, gestação indesejada ou doença sexualmente transmissível. O uso de anticoncepcional com prescrição médica foi escasso, tanto entre alunas de escolas públicas como alunas de escolas particulares. A associação do tabagismo e hábito de beber com início de vida sexual foi evidenciado, não se definindo, entretanto, qual hábito foi precursor
Estudo da soroprevalencia da infecção por HIV em população carceraria
MARTINS, Jose Ricardo Pio , 1996
UNICAMP: Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva
Universidade Estadual de Campinas
A população carcerária, dado sua especificidade, tem sido considerada como um grupo de grande vulnerabilidade para a infecção por HIV. Buscou-se neste estudo transversal, através de participação voluntária, conhecer a prevalência da infecção por IDV e AIDS nos dois presídios da cidade de Sorocaba, cuja população era de 1.065 homens. Encontrou-se uma prevalência de 12,5% da infecção por HIV na população estudada, nível este considerado intermediário, quando comparado com estudos anteriores realizados no país. Verificou-se uma associação entre o maior risco de infecção ao se analisar os fatores sócio-demo gráficos relacionados a naturalidade e a idade. Em relação a história de vida carcerária, observou-se que as variáveis "número de encarceramentos prévios na vida e o número de estabelecimentos penais pêlos quais os indivíduos já passaram, aumentam o risco de infecção de forma estatisticamente significativa. O tempo de encarceramento na vida e o tempo de encarceramento atual, mostram maiores prevalências na medida em que o tempo de encarceramento aumenta. Quanto ao tempo de condenação, encontrou-se maior prevalência entre aqueles que tinham menores condenações. Os crimes que .se mostraram associados ao maior risco de infecção foram aqueles relacionados ao tráfico e ao uso de drogas. As exposições que mostraram aumentar o risco de infecção foram o uso de drogas injetáveis e as práticas sexuais com mulheres de múltiplos parceiros, prostitutas, homossexuais prostitutos ou de múltiplos parceiros e parceria sexual com usuário de drogas. Verificou-se ainda que 72,2% dos detentos, já havia feito teste anti- HIV anteriormente, o que mostra o acesso ao exame nessas instituições. Constatou-se que os detentos têm percepção do risco da infecção por HIV, pois dentry os que referiam-se em risco verificou-se razão de prevalência de 5,17. A maioria dos detentos infectados mantiveram relações sexuais enquanto presos sendo 80,0% das vezes sem uso de preservativos além de ter-se registrado que 47,1% destes, afirmaram ter tido alguma manifestação sugestiva de D.S.T., nos últimos 5 anos. O uso de maconha durante encarceramento foi referido por 79,1 % dos infectados, enquanto que o uso de cocaína inalada foi de 47,7%, de cocaína endovenosa 19,8% e de crack 27,9%. Verificou-se ainda que mais da metade deste detentos têm filhos menores de 10 anos e portanto em risco de estar infectados ou doentes. Os antecedentes mórbidos dos detentos infectados mostrou intercorrências numerosas, chamando atenção a referência de pneumonias e moniliase em 14,9% e 13,8% respectivamente, além da referência de13,8% de tuberculose. O exame clínico, mostrou como principais alterações a poliadenopatia e hepatoesplenomegalia, alterações dennatólogicas, presença de moniliase oral e perda de força muscular, além de 14,9% dos detentos apresentarem lesões indicativas de D.S.T.. Em função destes achados, classificou-se estes detentos segundo os critérios do C.D.C.-1987, como 12,6% pertencentes ao Grupo TI, 24,1 % como Grupo IIT e 63,2% como sendo do Grupo IV ou seja, a maioria dos detentos já apresenta sinais ou sintomas sugestivos da Síndrome da Imunodeticiência Adquirida. Conclui-se então que a prevalência de AIDS neste mesmo grupo é de 6%, valor este 286 vezes maior que na população geral
Estudantes de graduação da UNICAMP : saude mental auto-avaliada e uso de risco de alcool e de outras substancias psicoativas
NEVES, Marly Coelho Carvalho, 2007
UNICAMP: Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas
Universidade Estadual de Campinas
Objetivo: Verificar as prevalências de transtorno mental auto-avaliado, de uso de risco de álcool, de uso de outras substâncias psicoativas e de comportamentos de risco decorrentes de uso de álcool e de outras substâncias psicoativas entre estudantes de graduação da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), identificando os fatores sócio-demográficos, culturais e estudantis associados a apresentar tais comportamentos. Métodos: Foi realizado um estudo de corte transversal de outubro de 2005 a novembro de 2006, com estudantes de ambos os sexos, regularmente matriculados nos cursos das áreas de ciências básicas, exatas, tecnológicas, humanas, artes e profissões da saúde, dos períodos diurno e noturno e dos campi Barão Geraldo (Campinas) e CESET (Centro Superior de Educação Tecnológica de Limeira). Um questionário anônimo e de auto-preenchimento foi aplicado dentro de sala de aula, utilizando-se um tipo de amostra proporcional por áreas dos cursos. Foi construído um questionário para a coleta dos dados sócio-demográficos, culturais e estudantis. Foram utilizados instrumentos quantitativos para a avaliação de saúde mental (M.I.N.I.: Mini International Neuropsychiatric Interview); de uso de risco de álcool (AUDIT: The Alcohol Use Disorder Identification Test); e de uso de outras substâncias psicoativas (questionário baseado no método do Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas Psicotrópicas - CEBRID). O procedimento estatístico consistiu em análise de associação das variáveis (teste qui-quadrado) e análise de regressão logística (univariada e multivariada). O nível de significância adotado para a análise estatística foi de 5%. Resultados: Foi analisado um total de 1.290 questionários, sendo 55,5% referentes ao gênero feminino e 44,5% ao gênero masculino. Um total de 92% dos estudantes é solteiro, 82% têm entre 17 e 23 anos, 67% estudaram o ensino médio em escola particular, 75% residem em Campinas, 56% moram em república e/ou pensionato e 33% residem com os pais. Um total de 77% é branco, 13% são pardos e negros e 9% são orientais. Em relação à religião, 47% são católicos, 24% não têm religião; 15% são espíritas e 14% são evangélicos. As seguintes prevalências foram encontradas: 58% de algum tipo de transtorno mental auto-avaliado; 24% de uso de risco de álcool; 27% de uso de outras substâncias psicoativas e 25% de comportamento de risco. Conclusão: O gênero feminino esteve mais associado a ter algum tipo de sofrimento mental subjetivo, além de apresentar maiores dificuldades psicossociais (interpessoais e ambientais) auto-percebidas. O gênero masculino esteve mais associado a fazer uso de risco de álcool (e uso de outras substâncias psicoativas pela análise univariada), assim como apresentou maior envolvimen to em comportamentos de risco, como beber e/ou usar drogas e dirigir; e beber e/ou usar drogas e ter relação sexual com parceiro (a) desconhecido (a). Encontrou-se entre o gênero masculino maior sociabilidade e melhor condição sócio-econômica. Problemas e riscos decorrentes do uso de álcool e de outras substâncias psicoativas, particularmente em estudantes do gênero masculino, parecem tender a ser considerados ?naturais? dentro do ethos estudantil. Tal situação não deflagra a necessidade de busca de ajuda, porém, implica risco à saúde física e mental
Uso frequente de alcool maconha e cocaina entre pacientes esquizofrenicos : estudo caso-controle
BOSCOLO, Marilia Montoya, 2004
UNICAMP: Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas
Universidade Estadual de Campinas
O objetivo deste trabalho é estudar o fenômeno do uso de Substâncias Psicoativas_SPA(álcool maconha e cocaína) na esquizoftenia. Trata-se de estudo comparativo, casocontrole, de dois grupos de pacientes esquizoftênicos pareados por sexo e idade, que preencheram os critérios diagnósticos do DSMIV para esquizoftenia. O grupo caso é definido por pacientes esquizoftênicos que têm história de uso fteqüente de álcool na vida e no último mês e/ ou história de uso fteqüente de maconha e/ou cocaína na vida. O grupo controle é definido por pacientes esquizoftênicos sem esse antecedente de uso de álcool e/ou maconha e/ou cocaína. Este estudo é um aprofundamento da pesquisa de mestrado da autora. A amostra foi composta por 63 pacientes por grupo, internados no Instituto Américo Bairral no município de Itapira - SP, internados na enfermaria ou acompanhados no ambulatório de Psiquiatria do HC-UNICAMP ou matriculados no CAPS Integração (Centro de Atenção Psicossocial) da Prefeitura Municipal da cidade de Campinas-SP. Foram estudadas variáveis demográficas, histórico psiquiátrico, psicopatologia (Escala P ANSS e GAS), . funcionamento familiar (GARF), tratamento farmacológico, sintomas extrapiramidais (ESRS), qualidade de vida (QLS) e impressão subjetiva do paciente em relação à medicação (DAI-3D e SSAS), ao álcoo_ maconha e cocaína (SSAS). Para a análise descritiva utilizou-se medidas de posição e dispersão para variáveis contínuas e tabelas de fTeqüência para variáveis categóricas. Para comparar proporções foi utilizado o teste Qui-quadrado ou o teste Exato de Fisher, quando necessário. Para comparação de medidas contínuas ou ordenáveis entre os dois grupos foi utilizado o teste de Mann Whitney. Para identificar as variáveis que diferenciam os grupos foi utilizada a análise de regressão logística multivariada - modelo logito, com nível de significância de 5% Os resultados demostram que os pacientes esquizoftênicos que usam álcool e/ou maconha e/ou cocaína, têm tendência a melhor desempenho escolar, são mais ativos profissionalmente e têm mais capacidade para realizar atividades da vida diária. Eles têm mais sintomas positivos e menos sintomas negativos da esquizoftenia. No entanto, têm pior adaptação social, mais internações e fazem maior uso de tabaco. Estes pacientes, com o uso da medicação, sentem subjetivamente que "os efeitos ruins dos remédios estão sempre presentes" e que "não há diferença em tomar ou não a medicação_dá na mesma". Além disso, eles têm objetivamente mais sintomas extra piramidais e subjetivamente, piora dos sintomas negativos, com o uso da medicação. Neste estudo, os pacientes do grupo caso podem estar fazendo uso de álcool e/ou maconha e/ou cocaína, para aliviar os efeitos extrapiramidais da medicação antipsicótica. Este achado, reforça a teoria do modelo da automedicação, que postula que os pacientes esquizo:fTênicos fariam uso de álcool e/ou drogas para atenuar os efeitos extrapiramidais indesejáveis dos antipsicóticos. A relação subjetiva com o álcool parece ser percebida como favorecedora de melhor interação social, bem como com a maconha. Essa última, no entanto, piora os sintomas negativos e acentua a sensação de pensamento confuso. A cocaína parece produzir subjetivamente mais alegria e maior capacidade de atenção; mas por outro lado, os pacientes sentem-se subjetivamente mais hostis, mais tensos, com mais sintomas positivos e negativos da esquizo&enia. A análise multivariada distinguiu os grupos caso e controle nas seguintes variáveis: os pacientes do grupo caso, quando comparados aos pacientes do grupo controle, são mais ativos laboralmente, tem mais antecedentes de uso de álcool na família e melhor estimativa global da inteligência. Eles têm menos sintomas negativos, menos esquiva social, menos maneirismos, no entanto, mais grandiosidade e mais falta de cooperação. A qualidade de vida demonstra mais relacionamentos interpessoais, no entanto, menos consistência intrapsíquica. Eles têm, subjetivamente mais sintomas negativos com o uso da medicação e mais sintomas extrapiramidais. Um achado paradoxal neste estudo é que os pacientes esquizo&ênicos que usam SP A apesar de terem potencialmente uma apresentação menos grave da esquizo&enia com melhor funcionamento cognitivo, por algum motivo têm pior evolução fazendo uso de álcool e/ou maconha e/ou cocaína
Uso do tabaco e do alcool por estudantes adolescentes de escolas publica e particular de Teresina-Piaui
PIRES, Catarina Fernandes, 2002
UNICAMP: Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas
Universidade Estadual de Campinas
A preocupação com o uso do tabaco e álcool entre adolescentes é evidente em várias partes do mundo. Estudos epidemiológicos mostram que o uso e abuso destas substâncias aumentam em ritmo acelerado, e que é na adolescência, que em geral se inicia o consumo. Com a finalidade de conhecer a prevalência do uso do tabaco e álcool por estudantes adolescentes de escolas pública e particular de Teresina, identificar fatores associados ao uso de cigarro e álcool nestes estudantes, e conhecer a opinião que têm em relação aos efeitos do cigarro e álcool, realizou-se um estudo transversal em 1155 estudantes adolescentes dos 1° 2° e 3? Anos do Ensino Médio de uma Escola Pública e uma Escola Particular da zona urbana de Teresina. Para a coleta de dados, utilizou-se um questionário auto-aplicável, devidamente adaptado, contendo questões referentes ao uso do cigarro e álcool. As variáveis estudadas foram: Tipo de escola, Gênero, Série, Idade, Religião, Atividade esportiva, Atividade artístico-cultural, Moradia, Escolaridade do pai, Escolaridade da mãe, Renda familiar, Atividade remunerada, Forma como utiliza cigarro, Idade da experimentação do Cigarro, Motivos para fumar, Motivos para não fumar, Efeitos do cigarro, Convivência com Fumantes, Forma como utiliza bebida alcoólica, Idade da experimentação de bebida alcoólica, Motivos para beber, motivos para não beber, Efeitos das bebidas alcoólicas, Convivência com usuários de bebidas alcoólicas e Uso do cigarro e álcool como fator de favorecimento para utilização de outras drogas. Em relação ao cigarro, os resultados demonstraram que a prevalência geral de uso na vida , foi de 26,3%. Os resultados por escolas separadamente, demonstraram que maior tendência de uso na vida ( apenas experimentou) foi 31,5% na escola pública , com 21,1% na escola particular. No que se refere ao uso regular de cigarro, a análise das duas escolas mostrou a prevalência de 6,4%, a análise das escolas separadamente , encontrou-se maior prevalência na escola particular. Em relação ao álcool, os resultados demonstraram que a prevalência geral de uso na vida (apenas experimentou) , foi de 71,5%. Os resultados por escolas separadamente, indicaram um discreto aumento na escola particular 75,7%, em relação à escola pública 68,9%. Considerando o uso regular de álcool, a prevalência nas duas escolas juntas, foi de 9,9%. A análise das escolas separadamente, mostrou prevalências semelhantes nas duas escolas, com 9,4% na escola pública e 9,7% na escola particular. Os fatores associados ao uso de cigarro foram o sexo masculino, a falta de religião e receber mesada . Os associados ao uso de bebidas alcoólicas, foram iguais aos do cigarro, acrescidos de praticar atividades esportivas e aumento de idade a cada ano. No que se refere à opinião dos estudantes sobre os efeitos do cigarro, a grande maioria tanto da escola pública quanto da escola particular, acredita que causam doenças respiratórias, câncer e envelhecimento precoce. Em relação às bebidas alcoólicas, a grande maioria da amostra estudada optou por causar doenças do fígado, ficar mais alegre e ficar mais corajoso
Transtorno de panico em dependentes de substancias psicoativas alcoolicas e não alcoolicas
MELO, Maria da Piedade Romeiro de Araujo, 2004
UNICAMP: Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas
Universidade Estadual de Campinas
Introdução: O objetivo desta pesquisa é levantar dados sobre a prevalência do Transtorno de Pânico (TP) em indivíduos com dependência de substâncias alcoólicas e não-alcoólicas. Método:. A amostra é do tipo intencional e composta de forma aleatória, no que se refere ao tipo de drogadependência, procedência, cor, estado civil, grau de instrução, profissão. Os instrumentos utilizados foram: Questionário Estruturado, e Entrevista Clínica Estruturada para o DSM-IV ? Transtorno do Eixo I (SCID-I/P) versão 2.0. Os dados foram levantados junto aos pacientes em tratamento no Centro de Referência e Informação em Alcoolismo e Drogadição ? CRIAD no Município de Campinas/SP. Resultados: Número de sujeitos: 163 sujeitos, 143 homens (87,70%) e 20 mulheres(12,30%). A maioria - 83,40% - possui o 1º grau completo ou incompleto. Em relação à cor 51,50% são caucasóides; 26,40% são negros; 19,0% são mulatos e 3,10% orientais. A idade variou entre 18 e 64 anos. O grupo sem TP apresentou média de 40,62 anos e desvio-padrão de 10,19 anos. O grupo com TP mostrou média de 37,33 anos e 12,94 anos de desvio-padrão, e o grupo com TP Agorafóbico 42,77 anos e 10,58 anos, respectivamente. Vinte e cinco sujeitos (15,33%) apresentaram TP. Destes, 12 apresentaram TP sem agorafobia e 13 TP com agorafobia. Vinte e dois (86,36%) são homens e três (13,64%) mulheres. O tempo médio de início dos ataques de pânico é de 5,14 anos. A análise do variável tempo de consumo da substância e o TP mostrou o seguinte: o grupo sem TP apresentou uma média de 20 anos de consumo (desvio padrão 10,17); o grupo com TP 16 anos (desvio padrão de 8,32) ; e TP com Agorafobia 15 anos (desvio-padrão de 7,42). Dos 13 sujeitos (8%) que apresentaram ataques de pânico somente durante o consumo da substância, 8 (61,5%) são homens e 5 (38,5%) são mulheres. O álcool está presente em todos os casos. Contudo, em apenas 4 casos é utilizado como única droga consumida. Nos 9 casos restantes está associado a pelo menos mais duas drogas, como: maconha, cocaína, crack, cogumelo, cola, tinta e lança perfume. A média do tempo de consumo é de 14,5 anos. Conclusões: A chance do dependente de substância experimentar um ataque de pânico durante o uso da droga é de 7,97%. Verificou-se que o farmacodependente possui aproximadamente 5 vezes mais chances de desenvolver o TP em comparação à população geral
Analise dos casos de obito em pacientes internados em Unidade Psiquiatrica de Hospital geral
SAMPAIO, Ana Lucia Prezia, 2007
UNICAMP: Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas
Universidade Estadual de Campinas
Introdução: Estudos atuais mostram que indivíduos com transtornos mentais graves têm uma menor expectativa de vida quando comparados à população geral. Realizou-se um estudo retrospectivo e descritivo da população de pacientes internados na Unidade de Internação Psiquiátrica do Hospital de Clínicas da Unicamp que foram a óbito no período de 18 anos. Objetivo: Descrever o perfil sócio demográfico e clínico dos casos de óbitos ocorridos na Unidade de internação Psiquiátrica do Hospital de Clinicas da Unicamp, comparando-os com uma amostra dos que receberam alta hospitalar. Método: Foi realizada uma análise descritiva de todos os casos de óbito num período de 18 anos, e uma comparação entre esses casos e um grupo sorteado de casos que receberam alta hospitalar. Resultados: Verificou-se que os pacientes que foram a óbito tinham o seguinte perfil: masculinos (58%), média de idade de 47,2 (DP=14,6) anos, procedentes da Região Metropolitana de Campinas (92%). Os diagnósticos psiquiátricos mais freqüentes no grupo de óbito foram de transtornos de humor e transtornos decorrentes do uso de álcool e drogas, e as causas de óbitos mais freqüentes foram doenças cardio-respiratórias (54%). Conclusões: Esses resultados sugerem que pacientes com transtornos mentais graves parecem morrer mais cedo que a população da Unidade Psiquiátrica do Hospital de Clínicas da Unicamp e a concentrarem-se nos grupo masculino, com transtornos do humor e transtornos relacionados a álcool e drogas
Report on Psychoactive Drug Use Among Adolescents Using Ayahuasca Within a Religious Context
SILVEIRA, Evelyn Doering; GROB, Charles S.; RIOS, Marlene Dobkin de; LOPEZ, Enrique; ALONSO, Luisa K.; TACLA, Cristiane; SILVEIRA, Dartiu Xavier Da, 2005
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Journal of Psychoactive Drugs
Ritual use of ayahuasca within the context of the Brazilian ayahuasca churches often starts during late childhood or early adolescence. Premature access to psychoactive drugs may represent a risk factor for drug misuse. Conversely, religious affiliation seems to play a protective role in terms of substance abuse. The objective of this study was to describe patterns of drug use in a sample of adolescents using ayahuasca within a religious setting. Forty-one adolescents from a Brazilian ayahuasca sect were compared with 43 adolescents who never drank ayahuasca. No significant differences were identified in terms of lifetime substance consumption. Throughout the previous year period, ayahuasca adolescents used less alcohol (46.3l%) than the comparison group (74.4%). Recent use of alcohol was also more frequent among the latter group (65.l%) than among ayahuasca drinkers (32.5%). Although not statistically significant, slight differences in terms of patterns of drug use were definitely observed among groups. Despite their early exposure to a hallucinogenic substance, adolescents using ayahuasca in a controlled setting were mostly comparable to controls except for a considerably smaller proportion of alcohol users. Religious affiliation may have played a central role as a possible protective factor for alcohol use. Thus, ayahuasca seems to be a relatively safe substance as far as drug misuse is concerned.
Estudo qualitativo de caracteristicas psicossociais de pacientes contaminados pelo HIV
LOPES, Maria Silvia, 1993
UNICAMP: Programa de Pós-Graduação em Saúde Mental
Universidade Estadual de Campinas
Este trabalho teve, como objetivo, o estudo de caracteristicas psicossociais de indivíduos contaminados pelo HIV, abordando principalmente o momento da comunicação do diagnóstico e as mudanças ocorridas em suas vidas desde então (hábitos, trabalho, relacionamentos, ganhos e perdas). Além disso, verificar a importância dos profissionais de saúde nesse processo de adaptação. Foram entrevistados 20 sujeitos HIV -positivos, em atendimento no Centro de Saúde-Escola e no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Os sujeitos confirmaram a importância do momento do diagnóstico e catorze referiram ter recebido comunicação adequada. Revelaram ter bom relacionamento com seus médicos clínicos e com os demais profissionais de saúde, o que os ajudava a lidar com a nova situação. Onze sujeitos estavam no grupo IV (segundo o CDC) ao receber o diagnóstico, um no grupo III e 8 no grupo II. No momento da entrevista, havia 4 sujeitos no grupo II e 16 no grupo III. Todos os sujeitos referiram se preocupar com seu estado de saúde, apresentando muita ansiedade ao surgimento de sintomas (que diminuía a eficácia do mecanismo de defesa da negação). Praticamente todos referiram mudança de hábitos com o objetivo de garantir melhor qualidade de vida. Dez sujeitos referiram ter sofrido perdas decorrentes do diagnóstico (principalmente no trabalho e nos relacionamentos) e nove sujeitos referiram ter obtido ganhos (relacionamento familiar e crescimento pessoal e espiritual). A maioria dos entrevistados referiu dificuldade para contar seu diagnóstico a outras pessoas, devido ao medo da rejeição e discriminação. Aqueles que conseguiram conversar a respeito receberam, na maioria dos casos, apoio e cuidado dos familiares e cônjuges. Para aqueles que escondem seu diagnóstico, é muito importante poder falar com os profissionais de saúde. Dez sujeitos eram usuários de drogas endovenosas e acreditavam que se contaminaram desta forma. Nove foram infectados através de relações sexuais e uma não soube dizer como se contaminou. Muitos deles (principalmente os usuários de drogas) referiram sentir culpa. Nas entrevistas os sujeitos puderam verbalizar a respeito de pensamentos, crenças e sentimentos a respeito da AIDS e do fato de estarem contaminados pelo HIV. Os dados obtidos podem servir de base para estudos mais aprofundados e para auxiliar os profissionais de saúde a compreender melhor seus pacientes e encontrar estratégias cada vez mais adequadas para o atendimento
Procura de tratamento por dependentes de substancias psicoativas : um estudo clinico qualitativo
FONTANELLA, Bruno Jose Barcellos, 2000
UNICAMP: Programa de Pós-Graduação em Clínica Médica
Universidade Estadual de Campinas
INTRODUÇÃO. O conhecimento das motivações e barreiras para a procura de tratamento por dependentes de substâncias psicoativas tem importantes implicações clínicas e na saúde pública. O problema formulado foi: o que leva alguns deles a procurarem tratamento formal, sob suas próprias óticas? O objetivo geral foi conhecer como vivenciam o processo de natureza psíquica e. os fatores de ordem sociofamiliar envolvidos na procura por assistência formal (isto é, por clínicos), a partir de uma amostra que efetivou a procura de assistência. MÉTODO E PROCEDIMENTOS. Utilizei o método denominado clínico-qualitativo. Trata-se de uma pesquisa exploratória, sintética, não comparativa, de casos múltiplos, que utilizou referenciais do método clínico e do método qualitativo em geral. Elementos de uma amostra intencional (fechada por saturação e variedade de tipos) de treze dependentes de substâncias psicoativas em início de tratamento foram entrevistados individualmente e de maneira semidirigida. O material transcrito foi categorizado e submetido a uma análise de conteúdo qualitativa. RESULTADOS E DISCUSSÃO. Obtive dos entrevistados referências manifestas e verbalizações a partir das quais inferi as categorias correspondentes aos objetivos propostos. Observei a atribuição de significados próprios às variáveis relacionadas à procura de tratamento, significados que foram discutidos e que revelaram compreensão aparentemente idiossincrática da amostra frente aos temas a eles sugeridos e aos problemas que vivenciam quanto ao seu quadro clínico. A análise de conteúdo qualitativa resultou na formulação de dezoito categorias (algumas contendo subcategorias) assim agrupáveis: 1. motivações para tratamento advindas de fenômenos relacionados ao psiquismo dos entrevistados; 2. motivações advindas da percepção de fenômenos sociofamiliares; 3. barreiras subjetivas à procura de tratamento mais precoce e 4. fatores de facilitação para a procura de tratamento formal. Foram discutidas a partir de conceituações do modelo transteórico, do modelo de crenças em saúde, da psicologia médica e da metapsicologia psicanalítica. CONCLUSÕES. Os objetivos da pesquisa foram considerados alcançados, tendo o método se mostrado adequado à exploração do objeto de estudo e dos objetivos do trabalho. As categorias formuladas implicam em: 1. os clínicos e os serviços de saúde poderem utiliza-las como ferramentas adicionais no manejo inicial do tratamento desta população; 2. serem utilizáveis no marketing institucional destes serviços, podendo fomentar a procura de tratamento pela subpopulação oculta que a eles não recorre; 3. algumas delas representam variáveis a serem estudadas em trabalhos quantitativos, tendo esta pesquisa procurado contribuir para a validade conceitual e operacional de futuros instrumentos aplicáveis à população brasileira; 4. trazem à tona elementos passíveis de serem aprofundados em novos estudos clínico-qualitativos ou com outras metodologias qualitativas, como a psicanalítica. As limitações da pesquisa são apontadas.
O extase : entre a imagem e a palavra : estabelecimento de um modelo descrititvo para o estudo antropologico das manifestações extasicas
MACHADO, Murilo d'Almeida, 1998
UNICAMP: Programa de Pós-Graduação em Multimeios
Universidade Estadual de Campinas
Resumo: Esta pesquisa apresenta uma proposta metodológica que sugere o auxílio da imagem fotográfica para enfrentar a abordagem antropológica de certas experiências "ligadas ao sagrado"; entre elas, as do êxtase (sair de "si mesmo"), tema principal deste trabalho. Os procedimentos metodológicos sugeridos incluem o registro fotográfico das atividades do grupo abordado (uma instituição espírita e filantrópica), como intuito de valorizar a "forma de significação" do êxtase neste contexto. Incluem, ainda, a representação da "imagem simbólica" de algumas manifestações extáticas sob a forma de imagem fotográfica. A construção desta imagem foi realizada a partir do feedback do grupo abordado e das possibilidades de processamento informatizado da imagem. Esta imagem foi chamada de "imagem de síntese" e tem como objetivo propor uma "metáfora da imagem", como estratégia da descrição antropológica. Um dos resultados desta abordagem foi a possibilidade de apreciar o "lugar", em nível intrínseco, que as experiências extáticas possuem no modelo de acesso ao conhecimento presente na instituição abordada, cujas "imagens de síntese" constituíram uma forte expressão representativa
Algumas formas de relacionamento em familias com adolescentes dependentes ou com uso abusivo de substancias psicoativas
PLASS, Angela Mynarski, 1996
Programa de Pós-Graduação em Saúde Mental
Universidade Estadual de Campinas
A presente .pesquisa visa descrever e tentar compreender algumas formas de relacionamento que famílias com adolescentes dependentes ou com uso abusivo de substâncias psicoativas estabelecem entre seus membros. O método utilizado foi o método clínico. A técnica foi a entrevista, na qual considerei informações explícitas e também deduzi o significado implícito nos relatos dos membros, buscando algum conhecimento do funcionamento dessas famílias. Ao longo do trabalho percebi que cada família tem uma realidade única; entretanto, dentro da individualidade de cada grupo familiar, encontrei aspectos comuns à maior parte delas, os quais agrupei em cinco categorias que constituem os resultados. A primeira categoria diz respeito às características da relação mãe-bebê e nela identifiquei dificuldades. Na segunda categoria, papel da mãe, encontrei superproteção das mães, especialmente em relação ao filho dependente químico. Mas foi no contato com essas mães que percebi maior disponibilidade afetiva dentro do grupo familiar em relação ao dependente químico. A terceira categoria, papel do pai, se caracterizou por figuras paternas que se afastaram ou foram afastados de suas funções. Na quarta categoria, características do casal parental, observei que os casais tinham dificuldades conjugais anteriores ao desenvolvimento da dependência química dos seus filhos. E na quinta categoria, dinâmica familiar, surgiram dificuldades dos pais em estabelecer limites ao filho dependente químico, irmãos críticos com o dependente químico e situações familiares diversas que caracterizam uma condição destrutiva dentro do meio familiar. Nesta pesquisa concluí que as famílias desenvolvem formas de relacionamento que dificultam um desernvolvimento mais favorável de, seus membros e, em especial, do filho dependente químico
Prescrição de medicamentos em serviço de emergencia psiquiatrica : um estudo farmacoepidemiologico
SANTOS, Murilo dos, 2002
UNICAMP: Programa de Pós-Graduação em Farmacologia
Universidade Estadual de Campinas
Introdução. Os tratamentos farmacológicos tornaram-se um dos principais instrumentos terapêuticos disponíveis nos serviços de emergência psiquiátrica (SEP) ainda que a forma como são de utilizados apresente variações significativas. Objetivo. Este estudo descreve as intervenções farmacológicas realizadas no SEP do HCI UNICAMP considerando os índices de utilização e suas indicações. Método. Foi realizado um estudo descritivo, retrospectivo, com informações obtidas nos registros de 258 atendimentos consecutivos prestados pelo SEP do HCI UNICAMP a pacientes maiores de 14 anos no período de 01 à 31/01/2001. Resultados. Duzentos e trinta pacientes com média de idade igual a 37,9 anos, portadores de diagnósticos graves como transtornos de humor, transtornos psicóticos e transtornos decorrentes do uso de substâncias psicoativas foram avaliados no período. A prescrição de medicamentos para serem administrados ainda no SEP ocorreu em 81 atendimentos (31,7%). Os fármacos prescritos com maior freqüência foram: haloperidol, prometazina, diazepam, midazolam, clorpromazina e vitamínicos. Estes medicamentos foram majoritariamente administrados por via intramuscular e associados entre si. A prescrição de medicamentos foi mais freqüente nos atendimentos demandados por pacientes do sexo masculino, intoxicados por substâncias psicoativas, que chegaram trazidos ao serviço e os encaminhados para internação psiquiátrica. Conclusão. Ainda que as intervenções farmacológicas tenham sido indicadas para o grupo de pacientes de maior complexidade clínica, a padronização e permanente revisão das condutas farmacológicas poderá contribuir para a racionalidade terapêutica no serviço.
Con-vivendo-com-a-maconha
RONCA, Paulo Afonso Caruso, 1985
UNICAMP: Programa de Pós-Graduação em Educação
Universidade Estadual de Campinas
 
Acidentes de transito em Maringa - PR : analise do perfil epidemiologico e dos fatores de risco de internação e de obito
SOARES, Doroteia Fatima Pelissari de Paula, 2003
UNICAMP: Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva
Universidade Estadual de Campinas
Os objetivos deste estudo foram analisar o perfil epidemiológico dos acidentes de trânsito com vítimas em Maringá-PR e identificar as características dos acidentes, das vítimas e dos condutores que constituíram fatores de risco para internação e óbito. Para o estudo foram consideradas as vítimas de acidentes de trânsito ocorridos no Município de Maringá - Pr, no ano 2000, com registro no Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (SIATE) e/ou Boletim de Ocorrência Policial (BO). Esta população incluiu as vítimas internadas nos hospitais de Maringá e/ou Hospital Metropolitano de Sarandi e as vítimas fatais. Para determinar os principais fatores de risco para internação e óbito, foi utilizada análise de regressão logística. Foram identificadas 3468 vítimas com base nas fontes BO e/ou SIATE, decorrentes de 2725 acidentes. As principais categorias de vítimas foram: motociclista (38,6%), ciclista (26,3%), ocupante de carro (22,5%) e pedestre (9,5%). As vítimas eram em sua maioria do sexo masculino (75,9%), da faixa etária de 15 a 39 anos (70,0%) e residentes em Maringá (83,2%). Entre as vítimas foi constatado o uso de equipamento de proteção em 90,0% e a presença de consumo de álcool em 14,3%. Quanto aos indicadores de gravidade, grande parte das vítimas apresentou graduação leve na ECGl (96,5%) e na ETR (98,5%); receberam atendimento médico no local da ocorrência 40,8% das vítimas e 41,2% apresentaram mais de três lesões. Na análise dos acidentes verificou-se o predomínio das colisões com carro/caminhonete. Os acidentes ocorreram principalmente nos períodos da tarde e da noite, e nos finais de semana. A região 1 foi a que apresentou a maior freqüência de vítimas (31,2%). O perfil epidemiológico dos condutores revelou que 50,4% conduziam carro/caminhonete, 32,5% eram motociclistas e 11,5% ciclistas, com concentração bastante importante na faixa etária jovem, totalizando 47,6% nas idades entre 18 a 29 anos e predomínio do sexo masculino. A maioria residia em Maringá (81,7%), possuía ensino fundamental ou médio completo (53,4%). Dos condutores, 97,9% usavam equipamento de proteção e 6,1% haviam feito uso de bebida alcoólica; 42,6% apresentavam até 4 anos de habilitação, 55,7% ocupavam veículos com tempo de uso inferior a 10 anos e 74,5% envolveram-se em acidentes que tiveram a participação de dois condutores. Na análise multivariada as variáveis que permaneceram no modelo indicando associação ao risco de internação foram: vítimas pedestres, ciclistas e motociclistas; idade acima de 50 anos; colisão com transporte pesado ou ônibus; acidentes ocorridos de madrugada e de tarde; nas regiões 5, 4 e 1; condutor residente em Maringá. Para o risco de óbito as variáveis que persistiram no modelo foram: vítimas ciclistas; sexo masculino; idade acima de 50 anos; colisão com transporte pesado ou ônibus; acidentes ocorridos na região 7; condutores envolvidos em acidentes com três ou mais veículos e acidentes com um veículo. Os resultados mostraram ainda uma cobertura maior da fonte SIATE em relação à fonte BO. As diferentes demandas de atenção verificadas nos resultados do presente estudo, analisadas sob diversos aspectos (das vítimas, dos acidentes e dos condutores), mostram as múltiplas dimensões envolvidas nesses eventos e reforçam a necessidade de ações articuladas com os diversos setores e segmentos da sociedade
Acidentes de transito : uma visão a partir das vitimas em Campinas
OLIVEIRA, Patricia Conceição Pires de, 2002
UNICAMP: Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas
Universidade Estadual de Campinas
O presente trabalho tem como objetivo trazer à tona o aspecto subjetivo do Acidente de Trânsito, baseado em análise qualitativa de acidentados. Pretende, mais especificamente, detectar o perfil sócio-econômico-demográfico (idade, sexo, profissão, local de residência, etc.) do acidentado; focalizar as circunstâncias físicas e psicológicas intervenientes no acidente e as conseqüências que o mesmo representa para o acidentado e suas famílias e analisar as representações sociais dos envolvidos no acidente, tendo em vista o seu significado diante de suas circunstâncias sociais e psicológicas. Pretende também focalizar o problema do AT através do conhecimento de técnicos da Secretaria do Transporte do Município de Campinas, com o propósito não só de dimensionar o problema como também encontrar posturas e obstáculos ao seu controle. O primeiro instrumento utilizado foi um roteiro de entrevista semi-estruturado aplicado a vítimas de AT, internadas em um Hospital Público de Campinas no ano de 1999. Pelo critério de saturação, foram entrevistados 20 pacientes, 15 do sexo masculino e 5 do sexo feminino, com idade acima de 18 anos. O segundo instrumento utilizado foi um roteiro de entrevista semi-estruturada aplicado a técnicos da Secretaria do Transporte de Campinas, incluindo o Secretário da gestão atual e anterior, no mesmo ano. Pelo mesmo critério, foram entrevistados 7 desses técnicos. Tanto as entrevistas com os técnicos como com as vítimas tiveram duração de 2 a 3 horas, foram gravadas e posteriormente transcritas. A análise dos dados revelou que os acidentes de trânsito estão intrinsecamente relacionados com a imprudência (não uso de equipamentos de segurança como capacete e cinto de segurança, consumo de drogas principalmente o álcool e excesso de velocidade); com o Stress e, principalmente, com a condição de juventude do sexo masculino (destaque para o grupo de condutores de motocicleta). Também foi possível verificar que, com a exceção das mortes entre condutores e ocupantes de motocicleta que triplicou nos anos de 1997 e 1998, houve, desde a municipalização do trânsito em Campinas (1992), uma queda significativa no índice total de mortes ocorridas no trânsito, queda esta atribuída a um conjunto de ações voltadas à segurança de pedestres e motoristas desenvolvida pela Secretaria dos Transportes. Dentre essas ações, destaca-se o Programa de Ensino de Trânsito nas Escolas (PETE), que faz parte do Programa de Educação e Segurança no Trânsito, cujo objetivo é promover uma mudança comportamental na população, pedestre ou motorista, conscientizando-a a adotar a segurança no trânsito como valor pessoal e prioritário. Concluímos que tanto os Acidentes de Trânsito como as representações sociais de sua ocorrência, variam significativamente conforme a idade, o sexo, a personalidade e a cultura dos indivíduos envolvidos. Sugerimos, em um nível mais abrangente, que a solução do problema de trânsito requer, sobretudo, a implementação de políticas públicas que levem em conta a dimensão cultural e enfatizem a educação para o trânsito.
Pesquisa de alterações cardiovasculares e caracterização de pacientes usuarios e ex-usuarios de cocaina e/ou derivados
OLIVEIRA, Daniela Camargo de, 2006
UNICAMP: Programa de Pós-Graduação em Clínica Médica
Universidade Estadual de Campinas . Faculdade de Ciências Médicas
No Brasil, o consumo de cocaína e derivados intensificou-se nas últimas décadas. Em 2001, 1.076.000 de pessoas admitiram o uso prévio. O uso abusivo evidenciou eventos cardiovasculares associados a tais substâncias. Para pesquisar alterações cardiovasculares e fatores de risco, este estudo observacional transversal avaliou pacientes usuários e ex-usuários de cocaína e derivados, atendidos pela disciplina de psiquiatria do Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas, entre novembro de 2004 e abril de 2006. Estes foram encaminhados para tratamento de dependência química e não por sintomas cardiovasculares como queixa principal. Inclusos 40 usuários menores de 70 anos, e excluídos portadores de doenças limitantes à realização dos exames do protocolo. Submeteram-se à avaliação de consumo, abstinência e caracterização amostral por meio de questionário. Seguiu-se anamnese geral, direcionada e exame físico. Solicitados: radiografia de tórax; avaliação laboratorial; eletrocardiograma; ecocardiograma com Doppler, fluxo a cores e Doppler tecidual; teste ergométrico e avaliação de reatividade endotelial por vasodilatação mediada pelo fluxo, segundo as diretrizes da American College of Cardiology. Quando indicado, os pacientes foram encaminhados para investigação invasiva e tratamento de fatores de risco. A análise estatística determinou médias, mediana e porcentagem de ocorrência de eventos e utilizou-se o teste X ² e Teste Exato de Fisher para avaliar significância estatística entre ocorrência de eventos pouco freqüentes. A amostra constituiu-se de maioria homem, branco, solteiro, com idade entre 17 e 50 anos (média de 32,25), com comorbidades mais freqüentes: litíase renal, rinossinusite, DPOC e hepatite tipo C. Os consumos de tabaco (fator de risco cardiovascular mais prevalente) e álcool, iniciados em idade escolar, com freqüência de 82,5% e 89,7% respectivamente; o de canabis ativa de 97,5%, sendo a maioria usuária de outras substâncias psicoativas e consumidora de mais de uma droga simultaneamente. O consumo de cocaína, de início mais tardio e freqüência de uso maior que cinco dias por semana, sendo o consumo em pó e crack admitido por 67,5% dos pacientes. Quanto à presença de sintomas, a angina típica relacionou-se a maior risco de eventos isquêmicos (P=0.003), mas tende a ser minimizada pelos usuários. O exame físico não apresentou alterações significativas relacionadas ao consumo. Ao realizarem os exames, os pacientes apresentavam abstinência média de 88 dias e mediana de 30 dias. O exame laboratorial que se relacionou ao uso de cocaína e derivados foi proteína C reativa. O eletrocardiograma e o teste ergométrico não apresentaram alterações significativas. Ao ecocardiograma as alterações encontradas foram compatíveis com dados da literatura. A presença de alteração de reatividade endotelial mediada pelo fluxo foi detectada em 71% dos pacientes, e a abstinência menor que 60 dias foi estatisticamente significativo (p=0,002), podendo indicar ação tóxica ao endotélio, levando a menor vasodilatação endotélio dependente, aumentando o risco cardiovascular destes pacientes. Ao cateterismo cardíaco evidenciaram-se lesões obstrutivas significativas em dois casos, já suspeitos de isquemia, pela anamnese dirigida e exames iniciais. Não foi possível a avaliação prospectiva de 64% dos pacientes que não atenderam à reconvocação
Transtorno obsessivo compulsivo : um estudo psicopatologico, neuropsicologico e de fluxo sanguineo cerebral regional (HMPAO-TC99M)
LACERDA, Acioly Luiz Tavares de, 2000
UNICAMP: Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas
Universidade Estadual de Campinas - Faculdade de Ciências Médicas
Estudamos 16 pacientes adultos com diagnóstico de Transtorno Obsessivo Compulsivo [(segundo critérios diagnósticos da CID-lO (pesquisa) e do DSM-IV)], emparelhados por idade, gênero, escolaridade e lateralidade cerebral com um grupo de controles saudáveis (n = 17). Foi medido o Fluxo Sangüíneo Cerebral regional (FSCr) através da técnica de SPECT (99m TC-HMP AO), em estado de repouso, em ambos os grupos. Tanto os pacientes quanto os controles não utilizaram medicação psicotrópica no periodo de 30 dias anteriores à realização do exame. Avaliamos também o desempenho neuropsicológico de ambos os grupos, nas mesmas condições, através de um conjunto de testes: Teste da Trilha (parte A e B), Teste Dígito-Símbolo, Teste da Fluência Verbal Alternada, Mini Exame do Estado Mental, Figura Complexa de Rey-Osterrieth (cópia e desenho após 5 minutos) e Wisconsin Card Sorting Test (WCST). As variáveis psicopatológicas foram examinadas através das Escalas de Hamilton para Ansiedade e Depressão, Yale-Brown Obsessive Compulsive Scale (Y-BOCS), Impressão Clínica Global antes (CGI 1) e após o tratamento (CGI 2) e Global Assessment Scale (GAS). O grupo de pacientes apresentou um FSCr significativamente maior que o grupo controle nas seguintes regiões: Frontal Inferior Direita, Frontal Superior Direita e Tálamos Direito e Esquerdo. Além de um pior desempenho nos Testes de Fluência Verbal Alternada, WCST (menor número de respostas corretas, maior número de erros totais e perseverativos), Teste da Trilha (maior tempo de execução em ambas as partes e maior número de erros na parte B), Figura Complexa de Rey-Osterrieth (menor escore na cópia e maior tempo para o desenho após 5 minutos). Quando analisados os resultados âe SPECT, encontramos um hiperfluxo frontal (achado bastante relatado na literatura)' apenas à direita e nos Tálamos (achado menos freqüente na literatura). Nos testes neuropsicológicos, observamos um prejuízo em Funções Executivas, Funções Visuoespaciais e Fluência Verbal, resultados bastante robustos na literatura. Analisados conjuntamente, ps resultados de SPECT e da avaliação neuropsicológica, permitiu-nos concluir que, em concordância com a literatura, os pacientes com Transtorno Obsessivo Compulsivo, possivelmente, apresentam um prejuízo (aparentemente mais pronunciado nos pacientes com maior gravidade) no funcionamento das estruturas que compõem o Circuito Pré Frontal - Cíngulo - Estriado - Tálamo Cortical e no Hemisfério Cerebral Direito
Revisão: funcionamento executivo e uso de maconha
ALMEIDA, Priscila Previato; NOVAES, Maria Alice Fontes Pinto; BRESAANL, Rodrigo Affonseca; LACERDA, Acioly Luiz Tavares de, 2008
Scientific Electronic Library Online - SciELO?
Revista Brasileira de Psiquiatria
Objetivos: A maconha é a droga ilícita mais consumida no mundo, porém ainda existem poucos estudos examinando eventuais prejuízos cognitivos relacionados ao seu uso. As manifestações clínicas associadas a esses déficits incluem síndrome amotivacional, prejuízo na flexibilidade cognitiva, desatenção, dificuldade de raciocínio abstrato e formação de conceitos, aspectos intimamente ligados às funções executivas, as quais potencialmente exercem um papel central na dependência de substâncias. O objetivo do estudo foi fazer uma revisão a respeito das implicações do uso da maconha no funcionamento executivo. Método: Esta revisão foi conduzida utilizando-se bases de dados eletrônicas (MedLine? , Pubmed, SciELO? and Lilacs). Discussão: Em estudos de efeito agudo, doses maiores de tetrahidrocanabinol encontram-se associadas a maior prejuízo no desempenho de usuários leves em tarefas de controle inibitório e planejamento; porém, este efeito dose-resposta não ocorre em usuários crônicos. Embora haja controvérsias no que se refere a efeitos residuais da maconha, déficits persistentes parecem estar presentes após 28 dias de abstinência, ao menos em um subgrupo de usuários crônicos. Conclusões: Os estudos encontrados não tiveram como objetivo principal a avaliação das funções executivas. A seleção de testes padronizados, desenhos de estudos mais apropriados e o uso concomitante com técnicas de neuroimagem estrutural e funcional podem auxiliar na melhor compreensão das conseqüências deletérias do uso crônico da maconha no funcionamento executivo.
Aspectos epidemiológicos dos dependentes de substâncias psicoativas ilícitas internados em instituição psiquiátrica de Criciúma-SC
Zunei Votri, Izabel Scarabeloti Medeiros, Ana Regina Losso, Sônia Maria Correa, Magada Tessmann Schwalm, Luciane Bisognin Ceretta, Josete Mazon, 2009
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
Revista Saúde.com - Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
A pesquisa trata de um estudo documental descritivo de
abordagem quantitativa, desenvolvida em outubro de 2008 no
Hospital Psiquiátrico do município de Criciúma-SC, com o objetivo
de identificar os aspectos epidemiológicos dos dependentes de
substâncias psicoativas ilícitas. Os objetivos específicos do estudo
foram: identificar dependentes de substâncias psicoativas ilícitas
internados, através de prontuários da instituição; averiguar o
número de reinternações psiquiátricas na população estudada;
identificar os tipos de substâncias psicoativas ilícitas mais comuns,
identificar aspectos epidemiológicos dos dependentes de
substâncias psicoativas a partir de variáveis dependentes: sexo,
idade, faixa etária, nível de instrução, etnia, estado civil e
procedência; e variáveis independentes: tipo de substância usada,
tempo de uso, número de internações e patologias clínicas
associadas. Foram averiguados 193 prontuários, sendo que 13
foram identificados com diagnóstico de substâncias psicoativas
ilícitas no período da coleta de dados, tendo a prevalência do sexo
masculino (9), da etnia branca (11), a maioria solteiros (7), com um
faixa etária jovem, em média 35 anos. A maioria internou
involuntariamente (8) e o número de reinternações foi equivalente a
50% e outros 50% tendo sua primeira internação. Quanto aos tipos
de substâncias psicoativas ilícitas mais utilizadas, as mais citadas
foram maconha (20%), crack (17%) e cocaína (17%). Quase a
metade da amostra possui doenças clínicas associadas, como
cardiopatia, diabetes, hepatite C, hipertensão arterial e HIV (Vírus
da Imunodeficência Humana). A partir destes resultados vê-se a
importância de esclarecimento e organização de programas
preventivos em relação ao uso e abuso de drogas num contexto
geral.
Consumo e uso abusivo de bebidas alcoólicas em estudantes universitários do município de Jequié-BA
Polianna Alves Andrade Rios, Analy Marquardt de Matos, Marcos Henrique Fernandes, Aline Rodrigues Barbosa, 2008
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
Revista Saúde.com - Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
Introdução: Estudos epidemiológicos para o uso de substâncias
psicoativas têm mostrado um panorama ascendente de consumo
abusivo de álcool nos segmentos etários de adolescentes e adultojovens.
Tal consumo vem a sobrepor o conhecimento dos danos
provocados pelo abuso dessas substâncias, especialmente para a
parcela da população que está no “auge das experiências de vida”;
os estudantes universitários. Objetivos: Estimar a prevalência do
consumo de bebidas alcoólicas e do uso abusivo de álcool em
estudantes universitários do município de Jequié-BA, e verificar a
associação entre o consumo de álcool e seu uso abusivo ao sexo,
cor, tabagismo e área de graduação. Métodos: Estudo de
prevalência o qual utilizou amostra (n = 129) probabilística aleatória
de uma população de 3.644 estudantes universitários, matriculados
em três Instituições de Ensino Superior. Foi empregado
questionário contendo variáveis sócio-demográficas,
questionamento a respeito do consumo de álcool e teste CAGE
para uso abusivo. Resultados: Foram encontradas prevalências de
63,6% para consumo de álcool, 21,7% para alto risco em uso
abusivo, e 8,5% para o abuso do álcool. Apesar de não ter sido
obtida associação estatística entre essas variáveis com: sexo, cor,
área de graduação e tabagismo; os dados demonstraram maiores
índices de consumo abusivo de álcool, e alto risco em desenvolvêlo,
em estudantes do sexo masculino, de cor parda, que cursam
graduação na área da saúde. Aqueles que fazem uso do tabaco
apresentaram maior percentual de alto risco para consumo abusivo
de bebidas alcoólicas. Conclusões: Atenta-se para os índices
encontrados, tanto para consumo de álcool quanto para uso
abusivo desse, já que refletem a necessidade de políticas de
prevenção ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas na
população em questão.
Epidemiologia do consumo de substâncias psicoativas.
MEDINA, M. G., SANTOS, D. N., ALMEIDA FILHO, N. & BAQUEIRO, C. C. D., 2001

 
REDUÇÃO DE DANOS
NUÑEZ, Maria Eugenia , 2010
CENTRO DE ESTUDOS E TERAPIA DO ABUSO DE DROGAS - CETAD / UFBA
Universidade Federal da Bahia
 
Tabagismo e câncer no Brasil: evidências e perspectivas
WÜNSCH FILHO, V; MIRRA, A. P.; LÓPEZ, R. V. M.; ANTUNES, L. F., 2010
Revista Brasileira de Epidemiologia
Revista Brasileira de Epidemiologia
Neste artigo analisa-se a tendência temporal
da prevalência do tabagismo no Brasil, bem como as assimetrias da prevalência de acordo com as regiões do país, a idade, o gênero e o nível socioeconômico da população.
Desde o estabelecimento da relação entre tabagismo e câncer de pulmão há 60 anos, o número de tumores malignos com evidências de associação causal com o tabagismo ascendeu a vinte. O declínio da prevalência do tabagismo na população brasileira tem sido constante desde o final da década de 80. Até 2003, foi mais intenso entre os homens. A partir daquele ano, a queda tornou-se mais pronunciada entre as mulheres. As mais altas prevalências de tabagismo encontram-se no Sudeste e Sul, as duas regiões com maiores incidências de neoplasias estritamente relacionadas ao tabaco (cavidade oral, esôfago e pulmão). A exposição ambiental à fumaça do tabaco também foi examinada considerando-se os efeitos para os adultos não fumantes, que apresentam maior risco de tumores de pulmão, laringe e faringe, e entre crianças de pais fumantes, suscetíveis ao risco de hepatoblastoma e leucemia linfocítica aguda. Apesar do incontestável sucesso da política de controle do tabagismo no país, as ações de prevenção devem considerar que as parcelas da população com piores condições socioeconômicas e com baixo nível educacional são as que apresentam taxas
mais altas de prevalência de tabagismo. Dentro destes segmentos populacionais os adolescentes representam uma prioridade.
Consumo frequente de bebidas alcoólicas por adolescentes escolares: estudo de fatores associados
Matos, Analy Marquardt de; Carvalho, Rosely Cabral de; Costa, Maria Conceição Oliveira; Gomes, Karina Emanuella Peixoto de Souza; Santos, Luciana Maia, 2010
Revista Brasileira de Epidemiologia
Revista Brasileira de Epidemiologia
Objetivo: Analisar fatores associados ao consumo frequente de bebidas alcoólicas por adolescentes escolares em Feira de Santana, BA. Método: Estudo transversal, com amostra aleatória, estratificada por conglomerado, totalizando 10 escolas de portes diferenciados e 776 estudantes de ambos os sexos que relataram consumo de bebidas alcoólicas, na faixa etária de 14 a 19 anos, assegurando representatividade das escolas e alunos. O instrumento auto-aplicável
foi elaborado segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) e questionários validados em outros estudos. A coleta garantiu
procedimentos para anonimato e sigilo. Foram considerados expostos adolescentes que referiram consumo frequente (em pelo menos todo final de semana). Resultados: O consumo frequente/pesado mostrou associações
significantes com sexo masculino, consumo precoce, parceiro sexual pouco conhecido, problemas com substâncias psicoativas (SPAs) na família, coabitação com companheiro, renda própria, tráfico de drogas, consumo com amigos, atividades na escola, motivações (ansiedade, animação/prazer); e consequências (outras SPAs, brigas, inadimplência ao trabalho\escola). Conclusões: O conhecimento dos fatores pessoais, interpessoais, familiares e ambientais
associados ao consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes devem ser considerados
na implementação de programas escolares e políticas públicas de prevenção, visando comportamentos que minimizem a exposição ao risco associado.
Consumo abusivo e dependência de álcool em população adulta no Estado de São Paulo, Brasil
Guimarães, Vanessa Valente; Florindo, Alex Antônio; Stopa, Sheila Rizzato; César, Chester Luiz Galvão; Barros, Marilisa Berti de Azevedo; Carandina, Luana; Goldbaum, Moisés, 2010
Revista Brasileira de Epidemiologia
Revista Brasileira de Epidemiologia
Objetivo: Descrever as prevalências de consumo abusivo e dependência de álcool em população adulta de 20 a 59 anos no Estado de São Paulo, e suas associações com variáveis demográficas e socioeconômicas. Métodos: Inquérito domiciliar do tipo transversal
(ISA-SP), em quatro áreas do Estado de São Paulo: a) Região Sudoeste da Grande São Paulo, constituída pelos Municípios de Taboão da Serra, Itapecerica da Serra e Embu; b) Distrito do Butantã, no Município de São Paulo; c) Município de Campinas e; d) Município de Botucatu. Foi considerado consumo abusivo de álcool a ingestão em dia típico de 30 gramas ou mais de etanol para os homens, e 24 gramas ou mais para as mulheres.
A dependência de álcool foi caracterizada pelo questionário CAGE. Análises bivariadas e multivariadas dos dados foram realizadas a partir de Modelos de Regressão de Poisson. Todas as análises foram estratificadas por sexo. Resultados: Em 1.646 adultos entrevistados,
a prevalência de consumo abusivo de álcool foi de 52,9% no sexo masculino e 26,8% no sexo feminino. Quanto à dependência
de álcool, foram observadas duas ou mais respostas positivas no teste CAGE em 14,8% dos homens e em 5,4% das mulheres que relataram consumir álcool. Isto corresponde
a uma prevalência populacional de dependência de 10,4% nos homens e 2,6% nas mulheres. O consumo abusivo de álcool no sexo masculino apresentou associação inversa à faixa etária e associação direta à escolaridade e ao tabagismo. No sexo feminino,
observou-se associação direta do consumo
abusivo de álcool com a escolaridade e o tabagismo, e com as situações conjugais sem companheiro. A dependência de álcool no sexo masculino associou-se a não exercer atividade de trabalho e à baixa escolaridade. No sexo feminino não houve associação do CAGE com nenhuma das variáveis estudadas.
Conclusões: Pela alta prevalência de consumidores e dependentes, é essencial a identificação dos segmentos sociodemográficos
mais vulneráveis ao consumo abusivo e dependência de álcool. As associações entre a dependência/abuso e não estar exercendo atividade de trabalho, no sexo masculino, e a maior prevalência em mulheres de escolaridade
universitária, sugerem componentes para programas de intervenção e controle.
Estudo das representações sociais da maconha entre agentes comunitários de saúde
ARAÚJO, Ludgleydson Fernandes de; CASTANHA, Alessandra Ramos; BARROS, Airton Pereira do Rêgo; CASTANHA, Christiane Ramos, 2006
Scientific Electronic Library Online - SciELO?
Revista Ciências e Saúde Coletiva
Tendo em vista o aumento do uso abusivo de substâncias psicoativas, em particular a maconha, na realidade brasileira, a presente pesquisa teve como objetivo verificar as representações sociais de agentes comunitários de saúde (ACS’s) acerca do uso da maconha. Participaram 70 ACS’s, de ambos os sexos, com média de idade de 26 anos. Foram utilizados como instrumentos: entrevistas semi-estruturadas e o Teste de AssociaçãoLivre? de Palavras (Talp). Os dados das entrevistas foram categorizados pela análise de conteúdotemática de Bardin (1977) e os Talp foram processados pelo software Tri-Deux-Mots, por meio da Análise Fatorial de Correspondência. Os resultados sugeriram representações da maconha como planta e droga alucinógena que pode alterar o metabolismo humano. No que se refere às conseqüências na vida do usuário os ACS’s objetivaram, de forma majoritária, atitudes de violência que ocasionam problemas relacionados à saúde e à família, contribuindo para iniciação a outras drogas e dependência. Concluiu-se pela importância da intervenção dos ACS’s na educação preventiva em saúde, com o intuito de diminuir o uso indevido de drogas.
Práticas organizacionais frente ao consumo de substâncias psicoativas: um estudo em indústrias de Vitória da Conquista
SOUZA, Ana Mara Dutra, 2005
Programa de Pós-Graduação em Administração
Universidade Federal da Bahia
Este estudo teve como objetivo analisar as práticas gerenciais de sete indústrias de Vitória da Conquista, frente ao consumo de substâncias psicoativas por trabalhadores. Foram identificadas a percepção dos gestores sobre as práticas adotadas nas respectivas organizações. Adota-se como referencial teórico os modelos explicativos do consumo de substâncias psicoativas divididos em três grandes eixos: saúde, religiosidade e psicosocial. Participaram do estudo sete empresas de Vitória da Conquista, onde foram entrevistados os diretores e gestores como informantes-clave. Entrevistaram-se também, três instituições que atuam diretamente com saúde do trabalhador: SESI, FUNDACENTRO e CESAT. Esta investigação é de natureza descritiva, transversal, usando entrevistas e questionários para coletas de dados. As práticas e a percepção dos gestores foram analisadas e sistematilizadas adotando a estratégia metodológica de mapas cognitivos, o que possibilitou organizar as falas dos entrevistados por ordem e freqüência de evocação do tema. Os principais resultados indicam que as práticas, gerenciais se limitam a encaminhamentos para instituições religiosas (comunidades terapêuticas), respaldando sua internação à questão de cunho moral e religioso. Assim, atribui-se toda a responsabilidade de problemas decorrentes do consumo de substâncias psicoativas apenas ao trabalhador, não desenvolvendo ações de prevenção, de redução de danos e de tratamento por iniciativa própria, uma vez que a Legislação trabalhista não regulamenta ações de saúde para esta área. Finalmente, este estudo permite indicar o fato de não haver políticas específicas que regulem legalmente o consumo de substâncias psicoativas entre trabalhadores, como uma questão de saúde e conseqüentemente de co-responsabilidade das empresas, juntamente com a família, o trabalhador e o Estado.
Corpo sarado, corpo saúdavel? Construção da masculinidade de homens adeptos da prática da musculação na cidade de Salvador
CHAVES, José Carlos Oliveira, 2010
Instituto de Saúde Coletiva
Universidade Federal da Bahia
A saúde na contemporaneidade vem sendo considerada um valor distintivo a ser conquistado, na qual o discurso sobre “saudável” incorpora significados como juventude, força e beleza. A crescente valorização da aparência física tem levado um número cada vez maior de pessoas a frequentar academias de musculação, bem como a consumir produtos farmacêuticos e nutricionais, em vista do aprimoramento das dimensões corpóreas. Este trabalho tem por objetivo descrever os cuidados com o corpo e analisar as concepções de saúde de homens das classes populares freqüentadores de academia na cidade de Salvador. Foi realizado um estudo etnográfico, com vistas a compreender como a construção do corpo musculoso se associa a masculinidade e a saúde nos praticantes de musculação de academias de bairros populares. Utilizou-se predominantemente a metodologia etnográfica proposta por Loic Wacquant (2002) da “Participação Observante”, no intuito de colher impressões, descrições e cenas que minuciosamente orientam o entendimento das práticas de musculação. Além disso, foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com freqüentadores de academias. A musculação se constitui como um esporte em que dar o máximo de si está diretamente ligado ao limite máximo de transformação do próprio corpo. O corpo funciona como um elemento que encarna uma idéia de controle físico e mental, fatores relacionados diretamente como elementos essenciais a saúde. Se por um lado os adeptos ostentam a necessidade de se ter uma vida regrada evitando os excessos da vida mundana, por outro lado utilizam para a manutenção e fabricação do corpo a prática excessiva dos exercícios físicos e o uso elevado de substâncias anabólicas. Esses homens que vêem na disciplina do esporte uma forma de negação de outras masculinidades construídas pelo tráfico de drogas e violência constroem novas hierarquias de masculinidades, na qual a figura do “homem de bem” se instaura como seu elemento estruturante. Observa-se que a idéia de saúde, no contexto estudado, também está diretamente ligada ao que se permeia no imaginário masculino: “saúde, sinônimo de força e externalização do bem-estar físico”, uma vez que esses homens vêem a representação física dos seus corpos como um marcador de saúde, mesmo que na construção do corpo “sarado” eles driblem a lógica do corpo tido como “saudável”. Assim, pode-se concluir que as formas de lidar com o corpo e com a identidade de gênero pode apreender uma riqueza de pormenores que em menor ou maior grau atinge os padrões de saúde e doença.
De facto
CABUS, Esdras Moreira, 2003
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - UFBA
 
Crack, cocaína: novos demônios?
NUÑEZ, Maria Eugênia, 2010
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
 
Avaliando a motivação para mudança em dependentes de cocaína
ORSI, Mylène Magrinelli and OLIVEIRA, Margareth da Silva, 2006
SciElo?
SciElo?
O objetivo desta pesquisa foi estudar a motivação para a mudança em indivíduos internados por dependência de cocaína através de
um delineamento transversal e correlacional. A amostra era composta por 70 indivíduos de ambos os sexos, idade média de 28,67
anos. Foram utilizados os seguintes instrumentos: Escala de Intensidade de Dependência de Cocaína, Beck Depression Inventory, Beck
Anxiety Inventory da University of Rhode Island Change Assessment. A intensidade da dependência de cocaína foi avaliada como leve
para 15,7% da amostra, moderada para 54,3% e grave para 30%. A média dos escores do Beck Anxiety Inventory foi 11,39 pontos e do
Beck Depression Inventory 17,31 pontos. As médias dos escores nas subescalas da University of Rhode Island Change Assessment foram:
17,03 na pré-contemplação, 35,63 na contemplação, 35,10 na ação e 38,33 na manutenção. Encontrou-se uma correlação significativa
entre os sintomas de depressão e a ansiedade e a gravidade da dependência, sugerindo que os indivíduos com grau de dependência
mais elevado possuíam maior intensidade de sintomas de depressão e ansiedade.
Uso de maconha na adolescência e risco de esquizofrenia
SOARES-WEISER, Karla; WEISER, Mark; DAVIDSON, Michael, 2003
SciElo?
SciElo?
 
Efeitos Combinados de ato de fumar, exposição ocupacional a ruído e idade para perda auditiva.
Silvia Ferrite Guimarães, 2002

Objetivos. Este estudo investiga os efeitos combinados de hábito de fumar, exposição ocupacional a ruído e idade para a perda auditiva. Métodos. A população do estudo foi composta por 535 homens, trabalhadores de uma indústria metalúrgica, que participaram do diagnóstico de um programa de promoção de saúde e que foram submetidos à audiometria. A perda auditiva foi definida com base nos limiares obtidos no exame audiométrico, para as freqüências de 3, 4, 6 e 8 KHz, bilateralmente. Uma matriz de exposição, baseada em postos de trabalho e níveis de exposição a ruído, foi construída por higienistas industriais. Com os dados da história ocupacional foi calculado o tempo total de exposição a ruído para cada trabalhador; e as informações sobre o hábito de fumar foram obtidas utilizando-se questionários aplicados individualmente por entrevistadores treinados. A fração de excesso devido ao sinergismo, que corresponde à proporção de casos, entre os grupos de exposição combinada, que não ocorreriam sem a presença de todos os fatores, foi utilizada para quantificar afastamentos de modelos aditivos. Resultados. Idade e exposição ocupacional a ruído estavam positivamente associados com a perda auditiva, isoladamente. Foi também encontrada uma associação positiva com o hábito de fumar, não estatisticamente significante. Contudo, quando em combinações, os grupos que incluíam fumantes/ex-fumantes apresentaram um forte aumento na prevalência de perda auditiva em comparação com os grupos de nunca fumantes. Estes três fatores, aparentemente, são responsáveis por efeitos combinados mais que aditivos para a perda auditiva, apresentando correspondentes frações de excesso devido ao sinergismo de 45,4% entre fumantes/ex-fumantes expostos a ruído; e 42,9%, entre fumantes/ex-fumantes com mais de 40 anos de idade. Conclusões. O sinergismo entre hábito de fumar, exposição a ruído e idade para a perda auditiva é biologicamente plausível. São evidências algumas similaridades nos mecanismos fisiopatológicos, processos e sítios de lesão. Ademais, substâncias potencialmente ototóxicas, apesar de presentes em pequenas quantidades na fumaça do cigarro, podem potencializar a ação do ruído para a perda auditiva. O número reduzido da população do estudo impede conclusões definitivas, mas a relevância do hábito de fumar e da exposição a ruído, ambos fatores de risco prevalentes, indicam a necessidade de novas investigações, com população e desenhos de estudo mais apropriados
A implementação da política de atenção integral a usuários de álcool e outras drogas no Estado da Bahia.
Patricia Maia von Flach, 2010
Instituição de Saúde Coletiva
Universidade Federal da Bahia - UFBA
No Brasil, a questão que envolve o consumo de álcool e outras drogas é considerada grave problema de saúde pública, constatação que encontra ressonância nos diversos setores e segmentos da sociedade. Apesar disto, é possível identificar uma lacuna assistencial consequente à omissão do governo em relação às políticas públicas voltadas para as necessidades de saúde dos usuários. A Política do Ministério da Saúde para Atenção Integral a Usuários de Álcool e outras Drogas (2003) pode ser considerada recente no país, o que justifica a escassa produção de estudos sobre sua implementação. Neste sentido, o presente trabalho trata da implementação de políticas de saúde por organizações públicas. Teve como objetivo geral analisar como a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB) tem conduzido o processo de implementação da Política de Atenção Integral a Usuários de Álcool e outras Drogas no Estado da Bahia. A estratégia de pesquisa utilizada foi o estudo de caso único, tendo como referencial teórico o ciclo da política pública, particularmente o momento da implementação, os conceitos de organização, poder e “triângulo de governo”. Foi estruturado um modelo lógico cujos componentes, atividades e resultados foram derivados do documento das diretrizes da Política do Ministério da Saúde para Atenção Integral a Usuários de Álcool e outras Drogas, que serviram como referência de como a política deveria ser implementada. As informações para a análise foram coletadas a partir da revisão de documentos federais e estaduais e realizadas entrevistas com informantes-chave, além da aplicação de grupo focal com o Núcleo de Apoiadores Institucionais da Área Técnica de Saúde Mental da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB). Os principais achados do estudo referem-se a: (1) Fragilidade do Projeto de Governo em relação à questão; (2) Baixa Governabilidade “interna” e escassa “externa”; (3) Reduzida Capacidade de Governo; (4) Insuficiente mobilização/ organização dos movimentos sociais; (5) Ineficiente organização dos processos de trabalho no âmbito central.
Prevalência do tabagismo e sua associação com o uso de outras drogas entre os escolares do Distrito Federal, Brasil
SOUZA, Márcia Cardoso Rodrigues, 2009
Universidade de Brasília - Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas
Universidade de Brasília
Objetivo: Estimar a prevalência do tabagismo e sua associação com o uso de outras drogas entre escolares, do ensino fundamental e médio, do Distrito Federal, Brasil. Métodos: Feito um estudo epidemiológico, de delineamento transversal, tendo como população de referência escolares do Distrito Federal (DF). Foram aplicados 2682 questionários, de auto-preenchimento, em alunos do ensino fundamental (5 a 8 série) e do ensino médio (1 a 3 série) em escolas da rede pública e particular. A distribuição foi proporcional, por rede pública e particular, entre as cidades representantes de cada grupo econômico. No total ficamos com 2661 questionários válidos, com a perda de 0,8%. A análise dos dados foi feita com alunos na faixa etária dos 9 aos 19 anos Para a análise estatística foram utilizados: média e desvio padrão (DP), razão de prevalência (RP) e o teste do qui-quadrado. Resultados: A prevalência do tabagismo entre escolares do Distrito Federal foi de 10,5%, sendo observada a associação entre o tabagismo da mãe com a dos escolares de uma forma geral (p < 0,05, OR = 1,47 e IC95%: 1,11 1,95) e com o tabagismo da filha (p < 0,05, OR = 1,52 e IC95%: 1,05 2,21). Também foi observada a associação do tabagismo de outro adulto fumante em casa com o tabagismo dos escolares, tanto de uma forma geral (p < 0,05, OR = 1,68 e IC95%: 1,29 -2,19) quanto por gênero masculino (p < 0,05, OR = 1,82 e IC 95%: 1,23 2,71) e feminino (p < 0,05, OR = 1,63 e IC95%: 1,14 2,32). Outro dado encontrado foi a associação do tabagismo com o uso de álcool (p < 0,05, OR =12,36 e IC95%: 9,17 16,66) e drogas ilícitas (p < 0,05, OR = 16,96 e IC95%: 11,12 25,87). Conclusão: A prevalência do tabagismo no Distrito Federal está diminuindo entre os escolares e entre os gêneros. Existe associação do tabagismo da mãe com o tabagismo da filha, e o tabagismo de outro adulto no domicílio com o tabagismo dos escolares. Também encontramos a associação do tabagismo com o uso de álcool e drogas ilícitas.
Política de proibição as drogas : solução ou problema?
ANDRADE, Marconi Tabosa, 2003
Universidade Estadual de Campinas - Instituto de Filosofia e Ciencias Humanas
Universidade Estadual de Campinas
A dissertação trata da política de proibição às drogas, procurando avaliar as condições em que ocorre sua reprodução. São estudados dois casos nos quais a proibição às drogas é posta em questão. Nestes estudos, observamos que há íntima relação entre o ambiente de ilegalidade criado em torno de algumas substâncias de efeito psicoativo e a dinâmica social na qual se dá seu consumo. Além disso, percebemos que a política de proibição às drogas, no que diz respeito ao consumo, tem sido alvo de críticas bastante intensas, colocando em questão sua continuidade. Mas é a esfera da oferta (tráfico de drogas) que confere o principal dinamismo à reprodução da política de proibição às drogas: em torno de algumas substâncias de uso proibido forma-se um sistema bipolar constituído, de um lado, pelos aparatos de repressão à produção, circulação e consumo das drogas e, de outro, por organizações criminosas cujas atividades garantem o abastecimento do mercado ilegal de drogas. Os lados que compõem este sistema são mutuamente determinados e reciprocamente constituídos. A reprodução da política de proibição às drogas decorre, fundamentalmente, desta interação sistêmica e do seu aspecto retroalimentativo
Cannabis Smoke and Cancer: Assessing the Risk
ARMENTANO, Paul, 2006
The National Organization for the Reform of Marijuana Laws - NORML
The National Organization for the Reform of Marijuana Laws - NORML
 
Entre a extensão e a intensidade: corporalidade, subjetivação e uso de drogas
VARGAS, Eduardo Viana, 2001
Universidade Federal de Minas Gerais
Universidade Federal de Minas Gerais
Esta tese versa sobre consumos de drogas e processos de subjetivação e corporalização. Seu objetivo é problematizar a partilha moral (médico-legal) entre usos lícitos e ilícitos de drogas e explicitar os critérios que fundamentam tal partilha. Para tanto, argumenta-se que droga é uma noção plurivalente, que, além de relativamente recente, mantém fronteiras mutantes e imprecisas com categorias vizinhas (alimentos, remédios, venenos, etc.); e que uma investigação epistemologicamente positiva dos usos de drogas deve envolver uma análise das práticas e das representações socialmente constituídas dos corpos e dos sujeitos humanos e subsidiar uma reavaliação crítica do estatuto dos sujeitos e dos corpos humanos na teoria social. A partir da interpretação de dados históricos, delineia-se uma genealogia das drogas no Ocidente que mostra que, embora o uso de substâncias que denominamos drogas remonte a tempos imemoriais, foi no contexto dos contatos entre os povos europeus e seus outros, tais como eles se deram nos últimos séculos da Idade Média, que as drogas emergiram enquanto tais; que as sociedades ocidentais têm mantido uma relação paradoxal simultaneamente de repressão e de incitação com os consumos de drogas; que essa relação constitui o que se propõe chamar de um dispositivo das drogas; e que, em seus efeitos visados e perversos, tal dispositivo é agenciado segundo diferentes critérios de avaliação e modos de experimentação da vida, os quais, sendo socialmente definidos, estão relacionados com diferentes processos de encorporação e subjetivação. A partir dos surveys realizados com amostras aleatórias de habitantes de Juiz de Fora e de estudantes da UFJF, mostra-se que praticamente todos consomem drogas, embora não as mesmas drogas, nem com a mesma freqüência; traça-se um perfil social dos usuários de drogas e esboça-se uma interpretação dos resultados apurados. A partir da etnografia realizada entre usuários de drogas de uso ilícito de Juiz de Fora, descrevem-se as redes de sociabilidade constituídas em torno do uso dessas drogas e mostrase que, do ponto de vista dos usuários, o consumo dessas drogas põe em jogo processos de alteração material e simbólica da percepção que envolvem o agenciamento de modos singulares de encorporação e de subjetivação. A partir da revisão bibliográfica de trabalhos que propõem ou aplicam teoria social à análise da temática do corpo, procura-se mostrar que a tendência dominante tem sido a de tomar como ponto de partida uma grande partilha entre a materialidade dos corpose a imaterialidade dos espíritos, concentrando-se a polêmica sobre o lado da partilha considerado determinante, e não sobre a pertinência da partilha propriamente dita; que essa partilha não é apenas de cunho epistemológico, mas é também cosmologicamente (in)formada por proposições ambivalentes sobre a natureza humana; e que o problema, inextricavelmente material e simbólico, dos consumos de drogas oferece um campo privilegiado para a problematização dessa partilha e sugere a necessidade de se buscarem alternativas teóricas. Por fim, argumenta-se que os diferentes usos de drogas configuram modos de produção de pessoas que privilegiariam quer a duração da vida na extensão, quer a intensidade de seus instantes, isto é, formas socialmente constituídas, entre outras mais ou menos convenientes, para agenciar modos intensivos ou extensivos de engajamento com o mundo.
Que lugar para as drogas no sujeito? Que lugar para o sujeito nas drogas?: uma leitura psicanalítica do fenômeno do uso de drogas na contemporaneidade
RIBEIRO, Cynara Teixeira, 2008
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Universal e milenar é a prática humana de consumir drogas. Tentando desvendar as razões do efeito de fascinação provocado por essas substâncias nos seres humanos, muitos saberes se dedicam a estudar a sua utilização. Dentre esses, a psicanálise se diferencia por abordar o uso de drogas como uma resposta possível do sujeito ao mal-estar existente na civilização. De acordo com tal perspectiva, a maior visibilidade desse uso na contemporaneidade está relacionada ao advento da ciência e à profusão da ideologia liberal, as quais inauguraram uma nova modalidade daquilo que Lacan denominou de discurso: o discurso do capitalista, que se caracteriza por representar o imperativo de um gozo auto-centrado, em contraposição ao estabelecimento dos laços sociais. Nesse sentido, tomando essa modalidade de discurso como orientadora do agir na atualidade, se pretende investigar como esta se relaciona ao alarmante uso de drogas na contemporaneidade. Porém, para mais além disso, nos perguntamos também: como esse discurso incide sobre cada sujeito singular e que influência tem sobre a forma como cada um se relaciona com as drogas? E, nesse sentido, o quê delimita a diferença entre a condição mórbida que tem sido largamente denominada de toxicomanias e a prática que se configura como o simples uso de drogas? Para pensar tais questões, serão analisadas duas entrevistas com sujeitos que fizeram uso de drogas, questionando se tais usos podem chegar a configurá-los como o que se designa de toxicômanos. Pretende-se que os achados proporcionados por essa pesquisa venham a propiciar uma melhoria no tratamento tanto dos chamados toxicômanos quanto dos demais usuários de drogas, bem como possam fazer avançar a psicanálise enquanto campo de saber
O sentido das drogas para adolescentes em situação de rua
SOUZA, Ana Silvia Ariza de, 2001
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Essa pesquisatem por objetivo apreender os sentidos das drogas atribuídos por adolescentes que viveram nas ruas do centro histórico da cidade de SãoPaulo? . O material analisado foi o registro etnográfico do dia a dia desses jovens, realizado em trabalho de educação social na rua. Conclue-se que os sentidos das drogas são multivariados e modificam-se de acordo com as situações e o tempo. Com relação ao tempo, utilizam inicialmente apenas cola, nesse período a droga tem o sentido lúdico e de prazer, posteriormente, passam a consumir também crack e aparece uma maior relação com a violência, tráfico de drogas e sofrimento. De modo geral, os adolescentes buscam nas drogas, uma forma de desenvolver atividades e ações necessárias à adaptação de seus modos de ser, sentir e agir diante das condições impostas pelo espaço da rua. As drogas auxiliam na comunicação, integração e superação de dificuldades individuais, possibilitando um convívio da forma desejada ou aliviandoe extinguindo temporariamente as sensações e sentimentos que os fazem sofrer, especialmente o desejo de serem reconhecidos como únicos e respeitados como sujeitos de qualidade. Aparecem ainda como um instrumento que possibilita uma forma de inclusão e integração aos agrupamentos. Outra constatação importante é que utilizam o sígnificado social da droga para receber acolhimento, seja de forma retórica, seja simulando consumo ou os efeitos das drogas. Embora os sentidos variem, eles têm uma base afetiva comum: o medo de se sentirem sós, serem desprezados, não reconhecidos e valorizados conforme suas necessidades; um afeto que se perpetua no tempo. Nesse sentido, levantamos a hipótese de que como consumo de drogas, a participação no tráfico e o discurso sobre as drogas, visam superar a servidão e alcançar a potência de ação
Mulheres convivendo com drogas: vulnerabilidade e representações sobre AIDS
OLIVEIRA, Jeane Freitas de , 2001
Universidade Federal da Bahia - Escola de Enfermagem
Universidade Federal da Bahia
O consumo de drogas, principalmente na forma injetável, tornou-se visível após disseminação da aids por esta via de transmissão, constituindo-se em um problema social de ordem mundial. Atualmente, o consumo de drogas é representado como um comportamento desviante, mais ainda quando praticada pela população feminina, o que vem corroborando para o ocultamento das mulheres adeptas da drogadição. As representações sociais constituem um saber compartilhado e elaborado socialmente que servem de orientação ao comportamento humano. A complexidade da disseminação da aids está sendo explicada pelo conceito de vulnerabilidade correspondendo à interação entre fatores de níveis e magnitudes distintos que facilitam ou dificultam a exposição de uma pessoa ou de uma população ao HIV. Tendo como problemática a disseminação da aids na população feminina decorrente do uso de drogas, este estudo tem como objetivo conhecer as representações sobre aids de mulheres usuárias de drogas e identificar situações de vulnerabilidade para aids decorrente da drogadição feminina. Optou-se pela abordagem qualitativa por permitir uma aproximação com o objeto de estudo a partir de suas múltiplas relações, percebidas a partir das falas das entrevistadas em suas vivências cotidianas tendo como pano de fundo a aids. Foram utilizadas as técnicas : observação participante no período de maio/99 a junho/00, em duas comunidades de Salvador-Ba, caracterizadas pelo alto consumo e tráfico de drogas; entrevista semi-estruturada, realizada com dezoito mulheres usuárias de drogas. Para o grupo pesquisado a aids é representada como doença da morte estando presente no dia-a-dia das mesmas como um risco muito próximo, fazendo emergir sentimentos de medo. Os relatos e as observações em campo levaram a conclusão de que o uso de drogas, independente da modalidade constitui-se em um fator de vulnerabilidade feminina para a aids, já que esta prática contribui para o entrecruzamento das principais vias de exposição à infecção pelo HIV, (sexual e uso de drogas) seja pela tendência das mulheres trocarem sexo por droga, seja pela manutenção de relações sexuais com parceiros usuários de drogas, sem o uso de preservativo. Isto posto, fica reafirmado a necessidade de assistência especializada para mulheres adictas de drogas com o objetivo de reduzir os danos negativos para elas próprias e para a comunidade de um modo geral. Para tanto, torna-se necessário a realização de novos trabalhos que tragam à tona a questão de forma a favorecer assistência adequado às mulheres usuárias de drogas, ampliando as possibilidades prevenção para a infecção pelo HIV e de diagnóstico precoce com tratamento adequado, quando infectadas
(In)visibilidade do consumo de drogas como problema de saúde num contexto assistencial: uma abordagem de gênero
OLIVEIRA, Jeane Freitas de, 2008
Universidade Federal da Bahia - Instituto de Saúde Coletiva
Universidade Federal da Bahia
Esta tese busca investigar as formas como profissionais que atuam numa unidade básica da rede pública de saúde, em Salvador Bahia representam e abordam o uso e o abuso de drogas e a influência dessa representação na assistência. Considerando que o consumo de drogas é uma conduta em expansão com repercussões sociais e de saúde diversas que, inevitavelmente, todo profissional de saúde enfrenta no cotidiano de suas atividades, nos distintos setores dos serviços de saúde, as representações sociais e práticas adotadas por profissionais em torno do consumo de drogas podem se constituir num elemento importante para implantação de estratégias de enfrentamento. Procurou-se conhecer a imagem construída por profissionais em atuação num contexto assistencial de saúde acerca das drogas e da pessoa usuária de drogas; analisar as representações sociais apreendidas numa perspectiva de gênero e identificar se e como as representações sociais apreendidas influenciam a visibilidade do consumo de drogas como problema de saúde. A Teoria das Representações Sociais foi adotada como eixo teórico e gênero como categoria de análise. Foi utilizada uma metodologia qualitativa mista, de cunho etnográfico, buscando contextualizar a realidade vivenciada pelos sujeitos investigados em seus distintos contextos de atuação. Foram utilizadas diversas técnicas e instrumentos possibilitando o envolvimento de todas as categorias profissionais em atuação na unidade: associação livre de palavras com 102 profissionais os quais foram organizados em três grupos, segundo nível de escolaridade e local de atuação; entrevista semi-estruturada com 21 desses profissionais; e observação participante das atividades assistenciais do serviço de saúde. Revelou-se que embora os profissionais reconheçam de formas distintas, dependendo do seu local de atuação e formação, que o consumo de drogas é um problema que atinge a comunidade e que causa repercussões para saúde, nas práticas profissionais nenhuma ação é direcionada para tal problema. As drogas e seu consumo são representados, pelos profissionais que atuam dentro da unidade como uma doença caracterizada por dependência, mostrando a hegemonia do modelo biomédico. A imagem da pessoa usuária de drogas é estereotipada de forma que aquelas que não conformam a tal imagem (a maioria da clientela que faz algum uso de drogas) não são reconhecidas como usuárias. A(O)s ACS produzem representações ancoradas na realidade vivenciada na comunidade de que as drogas e seu consumo causa sofrimento, tristeza e depressão. A hegemonia do modelo biomédico, a fragmentação das ações, a desarticulação entre os profissionais, a falta de capacitação específica e, ainda, as representações sociais estereotipadas sobre as drogas e seu consumo e sobre a pessoa usuária de drogas foram apontadas como elementos que influenciam na visibilidade do consumo de drogas como problema de saúde no contexto assistencial investigado.
Uso de "drogas", marcadores sociais e corporalidades: uma perspectiva comparada
RUI, Taniele Cristina, 2007
Universidade Estadual de Campinas - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Universidade Estadual de Campinas
Esta pesquisa pretende descrever e apreender distintas concepções e práticas do uso de "drogas". Para tanto, são descritos e analisados três grupos: ex-usuários que passam por tratamento de recuperação de "drogas", "meninos de rua" e estudantes universitários. Proponho que as diferenças entre os modos de conceber esses usos podem nos indicar caminhos para complexificar a questão das "drogas" na contemporaneidade; para o entendimento das classificações sociais e dos processos sociais envolvidos no consumo de "drogas" e na relação entre os grupos consumidores, bem como para o modo que o tema é abordado pelas ciências sociais. Temáticas essas que ganham em profundidade quando a materialidade do corpo e das "drogas" adquirem lugar nesta discussão.
Ética e uso de drogas: uma contribuição da ontologia social para o campo da saúde pública e da redução de danos
BRITES, Cristina Maria, 2006
Programa de Pós-Graduação em Serviço Social
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Neste estudo, realizamos uma abordagem ontológica sobre os fundamentos do ser social, na perspectiva de situar o uso de drogas como uma atividade que responde às necessidades postas pela práxis social. Analisamos as particularidades históricas da sociabilidade burguesa no contexto da reestruturação produtiva, identificando nesse processo as determinações que incidem sobre as mudanças no consumo de drogas, a partir da década de 70 do século passado. Procuramos apreender as mediações de natureza econômica, política e cultural que, no âmbito da ambiência cultural pós-moderna, alteram as configurações do espaço público, da práxis interativa e das formas de subjetividade dos indivíduos sociais, e o modo como essas mediações configuram o consumo de drogas e as respostas sociais e de saúde nessa área. Discutimos o contexto de emergência da abordagem de redução de danos em nosso meio, problematizando seu processo de desenvolvimento a partir de sua vinculação com as contingências postas pela epidemia do HIV/aids. Submetemos dois textos, uma crônica que relata a experiência de uso de drogas de um personagem de ficção e um texto pioneiro no debate sobre a redução de danos em nosso meio, a uma análise de perspectiva ontológica, procurando identificar o modo como os fundamentos da práxis social se expressavam nesses relatos. Os resultados de nossas análises indicam a necessidade de explicitação das diferenças éticas e políticas que permitem o confronto da redução de danos com as abordagens dominantes no campo de drogas. Indicam, também, as potencialidades da redução de danos para a construção de respostas sociais e de saúde na área de drogas, mais democráticas e orientadas para a afirmação da autonomia e liberdade dos indivíduos sociais frente ao consumo de drogas
Maconha - Uma Visão Multidisciplinar
Associação Brasileira Multidisciplinar de Estudos sobre Drogas - ABRAMD, 2006
Associação Brasileira Multidisciplinar de Estudos sobre Drogas - ABRAMD
Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas
 
Adições às drogas: o desencontro de uma ilusão
LOMBARDI, Rosane , 2004
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional.
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
A concepção deste trabalho surgiu a partir de observações de lacunas na clínica das adições às drogas. Com o objetivo de oferecer maior suporte no tratamento do uso abusivo de drogas, essa pesquisa propõe-se a abordar o problema reconhecendo a multiplicidade de fatores presentes nas adições. Inicialmente foi revisada a literatura sobre o uso de drogas na história da humanidade e seu possível significado de acordo com o momento histórico. Na pesquisa da literatura, procurou-se descrever o desenvolvimento psíquico do sujeito, e foram abordadas formas de resolução de conflitos comuns a quem chegou ao uso abusivo de drogas. Foi apresentada uma visão do sujeito na sua totalidade, tanto individual quanto social. Essa versão serviu como suporte para investigar a possível interferência da sociedade de consumo no uso de drogas. A investigação também deu ênfase às vicissitudes surgidas durante a trajetória do adicto após a tentativa de deixar esse comportamento. Para realização desse trabalho, foi utilizada metodologia qualitativa de caráter descritivo. Na pesquisa de campo, optou-se por entrevistas semi-estruturadas como instrumento de investigação. Essa escolha deu-se pela intenção de buscar na palavra do adicto uma percepção própria a respeito de sua trajetória após o tratamento, quando está experimentando um novo modo de existência. A análise das entrevistas mostrou um tipo de pensamento concreto presente no discurso do adicto. Isso foi identificado pela ausência de uma percepção crítica a respeito da influência do meio no uso de drogas. Essa verificação levou a algumas conclusões. A droga, usada como uma mentira, evita, de forma onipotente, que o adicto entre em contato com as verdadeiras emoções. Com o uso de drogas, o adicto fica impossibilitado de pensar, já que o pensamento supõe uma experiência emocional correspondente. Sem a possibilidade de ter uma referência simbólica, ele adere a crenças sem atingir o nível do pensar. Portanto, é importante que os profissionais envolvidos no tratamento das adições ajudem os sujeitos adictos a ampliarem a sua capacidade de pensar. Isso poderá ser feito através da integração do pensar e sentir. Somente assim será possível a utilização da palavra como recurso simbólico que permite tolerar e nomear, tanto a presença quanto a ausência de satisfação. Sem a capacidade de pensar ampliada, produz-se um hábito sem que ocorram transformações verdadeiras. Corre-se o risco de que o tratamento das adições não auxilie o sujeito a ter experiências reflexivas, onde o pensamento se antecipa à ação.
Desenvolvimento e avaliação do efeito de um jogo terapêutico para jovens usuários de drogas
WILLIAMS, Anna Virgínia , 2006
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Medicina.. Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas : Psiquiatria
Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
O uso de substâncias psicoativas está em crescimento no mundo, sendo grande a sua prevalência na população jovem. A adolescência é conhecida por ser um período de vulnerabilidade para o uso de drogas, e os danos em conseqüência do seu uso são de forte impacto na vida dos adolescentes. Portanto, devem ser intensos os investimentos em intervenções para essa condição. Recentemente, algumas intervenções focadas em habilidades cognitivas têm sido incorporadas aos tratamentos, como, por exemplo, o treinamento de habilidades de enfrentamento e de estratégias de recusa à oferta de drogas. Nessa perspectiva, o desenvolvimento de jogos terapêuticos que possam promover tais habilidades é uma alternativa inovadora e dinâmica para o tratamento de adolescentes usuários de drogas. A presente dissertação, composta por dois artigos, teve por objetivo desenvolver um jogo terapêutico para jovens usuários de drogas e avaliar o seu efeito. Intitulada “O Jogo da Escolha”, essa técnica pretende, de uma forma lúdica e atrativa, abordar crenças típicas de jovens com problemas com drogas e promover estratégias de enfrentamento para situações e pensamentos que os coloquem em risco para recaída. O processo de desenvolvimento do “O Jogo da Escolha” está descrito no primeiro artigo. Essa fase constituiu-se da elaboração, da adaptação da linguagem e das instruções do jogo. Para tanto, foram realizados grupos focais com pacientes ambulatoriais de um Centro para tratamento de dependência química em Porto Alegre. As sugestões obtidas nesses grupos foram submetidas à avaliação por profissionais especializados em dependência química; também foi realizada a avaliação do conteúdo da técnica e da organização de uma seqüência de apresentação das cartas do jogo. Um estudo piloto do jogo possibilitou modificações finais nas instruções, e no formato de aplicação, chegando à versão atual do “Jogo da Escolha”. A avaliação do efeito dessa versão, que constituiu o segundo artigo, foi realizada através de um quase-experimento. Os sujeitos foram recrutados por anúncio de jornal e rádio, e 110 sujeitos preencheram os critérios de inclusão e exclusão, permanecendo no estudo 32 jovens, com idade média de 19 anos, sendo 91% do sexo masculino e 96,9% apresentava dependência de substâncias e uso freqüente de crack e maconha. Os sujeitos foram submetidos a uma entrevista inicial que avaliou além do uso de drogas, pensamentos a respeito das vantagens e desvantagens de usar drogas, e motivação para cessar o consumo. Após a entrevista, eles participaram de três sessões individuais do “Jogo da Escolha”, com um intervalo de sete dias entre cada aplicação. Na última semana, os sujeitos retornaram para a avaliação final, quando lhes foram reaplicados os instrumentos. Os achados sugeriram que após a intervenção os sujeitos apresentaram um aumento na motivação, movendo-se do estágio de “Ambivalência” para o estágio de “Ação”; 27,6% da amostra moveu-se nessa direção (p=0,01). Eles também diminuíram os dias de uso de crack e de maconha no mês. No caso de crack, passou de, em média, 10 para 6 dias (p= 0,017) e de maconha, em média, 18 para 12 dias (p= 0,01); não houve decréscimo significativo no uso de álcool e de outras drogas. Além disso, a auto-eficácia, aferida através de uma escala de 0 a 10 para a pergunta “o quanto você se sente capaz de parar de usar drogas?”, aumentou significativamente de uma média de 6,8 para 7,6 (p=0,31); A intervenção, todavia, não mostrou efeito na pontuação da Balança Decisional. Os achados indicam que o “Jogo da Escolha” se presta para motivar pacientes que estão ambivalentes em relação a parar de usar drogas, aumentar o seu senso de autoeficácia e efetivamente diminuir o uso droga. Portanto, o jogo terapêutico pode ser ou indicado para ser aplicado no início do tratamento, como um motivador, ou como um pré-tratamento para pacientes que estão em uma lista de espera de atendimento. No entanto, são necessários novos estudos para testar os efeitos específicos da intervenção
Drogas da medicina à repressão policial: a cidade do Rio de Janeiro entre 1921 e 1945
SILVA, Maria Lourdes da, 2009
Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Este trabalho tratou de analisar o processo de criminalização das drogas no Brasil. A cidade do Rio de Janeiro entre os anos de 1921 e 1945 foi tomada como limite espaço-temporal desta investigação que teve por objetivo compreender como a sociedade carioca de então passou a processar a existência d as drogas a partir do momento em que elas se tornaram ilegais. O propósito foi entender como foram estabelecidos os campos de interdição para as drogas criminalizadas naqueles anos. O ponto de partida foram os discursos médicos produzidos no período resgatados das atas da Academia Nacional de Medicina, das publicações da Liga Nacional de Higiene Mental, da Liga Nacional Contra o Alcoolismo e em outras revistas e jornais da cidade procurando remontar suas argumentações para sustentar o novo ideário de ilegalidade das drogas ilegais. A visão médica pela própria natureza da função social deste campo do conhecimento à época se espraia pela sociedade alçando outros setores igualmente fundamentais no preparo da proscrição das drogas. Assim, a percepção do legislativo através da leitura da letra da lei mesma e do jurídico aqui esboçado apenas pela vertente da medicina-legal também foram analisadas. Utilizando clivagens sócio- antropológicas numa perspectiva diacrônica, a pesquisa alcança jornais, revistas especializadas, produção acadêmica (médica) e literária de então,além dos discursos da polícia através de seus relatórios e prática diária relativa às drogas para configurar questões raciais, sociais, político-ideológicas entre outras. A pesquisa se debruça sobre as implicações destas orientações na cultura das drogas desenvolvida desde então procurando observar como as instituições sociais forjavam seus instrumentos de controle e repressão.
Estudo in vitro de cito e fototoxicidade das drogas nitroheterocíclicas Nitracrina e Quinifuryl
ROSSA, Marcelo Muniz, 2005
Universidade Federal de São Carlos - Programa de Pós-Graduação em Genética e Evolução (Centro de Ciências Biológicas)
Universidade Federal de São Carlos
A Nitracrina, um agente antitumoral polonês, e o Quinifuryl, um anti-séptico russo, são compostos nitroheterocíclicos. A citotoxicidade dessas drogas foi investigada sobre três linhagens de células em condições de normoxia. Foi dada ênfase na comparação dos efeitos das drogas em tecidos tumorogênicos (células leucêmicas P388 e K562), e não tumorogênicos (células fibroblásticas NIH3T3? ). Ambas as drogas mostraram significativa citotoxicidade para todas as linhagens de células. A toxicidade sobre as células leucêmicas P388 de camundongos foi significativamente maior comparada com as células fibroblásticas NIH3T3? de camundongos. Adicionalmente, a taxa de morte celular foi 2 - 3 vezes maior no caso das células P388 versus NIH3T3? . As células K562 de eritroleucemia humana demonstraram incorporação das drogas 10 minutos após sua adição, enquanto que os valores de LC50 foram atingidos após um atraso de 3 horas devido às transformações intracelulares requeridas para matar as células. Também foi investigada a fotocitotoxicidade de ambas as drogas contra células tumorais e não transformadas de camundongos e de células de eritroleucemia humana. A citotoxicidade dessas drogas foi medida no escuro e no claro, sob iluminação com luz visível. Ambas as drogas mostraram elevada citotoxicidade quando iluminadas com valores de LC50 7 - 35 vezes menores, após 1 hora de iluminação, comparado à incubação por 1 hora no escuro. A citotoxicidade da Nitracrina contra todas as células estudadas excede às do Quinifuryl, tanto no escuro como sob iluminação. O efeito tóxico geral foi calculado pela morte celular direta e pela contenção da proliferação celular. As micelas (PEG-2000-estearato) e os lipossomos unilamelares (DSPC) foram escolhidos como veículos de transporte. A citotoxicidade das drogas livres e imobilizadas também foi estudada. Nossos resultados mostraram que o Quinifuryl e a Nitracrina podem ser efetivamente imobilizadas por micelas e lipossomos unilamelares. Ambas as drogas continuaram altamente tóxicas contra as linhagens de células quando imobilizadas em lipossomos DSPC. Um efeito protetor das micelas contra a toxicidade da Nitracrina sobre células P388 foi observado em baixa concentração da droga (0,2 nmol/ml), mas não em concentração mais alta (2 nmol/ml). As micelas também protegeram as células P388 contra a toxicidade do Quinifuryl.
Drogas e Alunos Usuários de Drogas na Escola: Estudo de Representações Sociais de Professores do Ensino Médio da Rede Estadual de São Paulo
RIBEIRO, Fátima Regina Matos, 2008
Universidade Metodista de São Paulo - Programa de Pós-Graduação em Educação
Universidade Metodista de São Paulo
Este estudo apresenta uma discussão a respeito de drogas e de alunos usuários de drogas na escola, explorando as Representações Sociais manifestadas por professores que atuam na Rede Estadual de São Paulo, no ensino Médio. O estudo resgata aspectos históricos e sociais que influenciaram representações sociais sobre drogas em diferentes contextos da sociedade, na perspectiva de buscar compreender a maneira como atualmente elas se apresentam. Discute aspectos conceituais da Teoria das Representações Sociais a partir de Moscovici, considerando contribuições de Jodelet, e outros autores. Os dados coletados por meio de questionários e entrevistas foram analisados com o auxílio de dois softwares, o ALCESTE para análise lexical e o EVOC para análise de associação de palavras ou expressões, em articulação com uma análise de conteúdo clássica sugerida por Maria Laura Puglisi Barbosa Franco. O resultado identificou que as representações sociais sobre drogas na escola e alunos usuários estão ancoradas no modo como a grande mídia trata o tema, de forma alarmista e sensacionalista, influenciando grande parte dos professores que associa drogas na escola à violência. Verificou-se ainda que objetivação do aluno usuário de drogas é simbolizada como doença e que o grupo pesquisado segue as representações sociais há muito tempo estruturadas na sociedade, tendo a normalidade como sinônimo de saúde e a drogadição como condição desviante, decorrente de patologias. Assim, espera-se estar contribuindo para a reflexão sobre o uso e abuso de drogas nas escolas, um tema indispensável e que precisa ser enfrentado para construir-se uma via que leve a uma Educação justa e democrática.(AU)
Uso de drogas entre crianças e adolescentes em situação de rua: um estudo longitudinal
NEIVA-SILVA, Lucas, 2008
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Psicologia. Curso de Pós-Graduação em Psicologia
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
O objetivo geral foi investigar, transversalmente e longitudinalmente, o uso de drogas entre crianças e adolescentes em situação de rua, identificando padrões de uso e fatores de risco e proteção. No Estudo I, foram entrevistados, em instituições abertas, 216 participantes entre 10 e 18 anos. No Estudo II, um ano após a coleta inicial, foram entrevistados novamente 68 participantes. No Estudo III, foram entrevistados 10 funcionários das instituições sobre os participantes não encontrados na etapa longitudinal. Observou-se elevado uso de drogas lícitas e ilícitas. Longitudinalmente, identificou-se um aumento significativo no uso de álcool, tabaco, solventes, maconha e cocaína/crack. As variáveis ¿Não morar com a família¿, ¿Passar mais de oito horas na rua¿ e ¿Estar há mais de cinco anos na rua¿ foram preditoras do uso de drogas ilícitas no último mês e do início de uso de crack no último ano. Subsídios para intervenção em nível primário e secundário são discutidos.
O Imaginário sobre Drogas na Formação Docente: O que se sabe, o que se fala e o que se faz
PRADO, Christiane Moema Alves Sampaio, 2007
Universidade Federal da Santa Maria - Programa de Pós-Graduação em Educação
Universidade Federal da Santa Maria
A questão das drogas, na atualidade, vem sendo subordinada a dois eixos: saúde e segurança. Esses eixos a cada dia se especializam mais, ligando suas ações a peritos e especialistas, reduzindo e limitando o conhecimento do todo ao conhecimento das partes, distanciando a questão das drogas dos processos educacionais. A educação tem papel primordial na formação ética sobre essa temática, segundo Freire (1996) faz parte do pensar certo do docente a rejeição a qualquer forma de discriminação. Aceitar e respeitar as diferenças são virtudes do educador progressista, sem esse respeito, não há possibilidade de escuta verdadeira ao educando. Iremos significar, enquanto problema de pesquisa, as representações imaginárias sobre drogas contidas na formação docente, elemento primordial para entender como os professores atuam em sua ação educativa sobre o tema, numa interseção com a complexa realidade educativa contemporânea. Com objetivo de investigar e problematizar as representações imaginárias sobre drogas elaboramos o curso Drogalidade, como principal fonte de coleta de dados para esta pesquisa. As oficinas foram elaboradas conforme análise das temáticas que, a nosso ver, seriam essenciais no processo de construção do curso. Com os dados coletados, fomos tecendo as análises ao longo dos escritos e fazendo uso dos referenciais teóricos, conforme seu valor, para interpretar o material coletado. Nesse processo, fomos favorecendo encontros que poderiam ser pontos de atrito a se transformarem em possibilidades, respeitando, obviamente, os limites de certos entraves. Porém, mostramos que diferentes contribuições podem agregar valores, já que a complexidade do tema irá perpassar uma multiplicidade de saberes que vão constituir as representações sobre drogas contidas no discurso e no olhar dos 34 professores investigados provenientes de diversas escolas do município de Santa Maria/RS. Através do material produzido nas oficinas e nas falas dos professores investigados, evidenciamos que as representações sobre drogas estão ligadas ao discurso antidrogas, hegemônico na sociedade atual, tendo como efeito a ação repressora, fazendo com que os professores exerçam uma função policial na relação com os alunos. Verificamos esse aspecto através de elementos como a ausência de percepção sobre as drogas através dos tempos e a importância de nossas representações enquanto sujeitos ativos nessas construções; o estigma constituído em torno dos usuários de drogas em contraponto com a ausência de olhar ao fato de que todos nós, de alguma forma, somos também usuários de alguma droga, encobertos pelo mito da legalidade e ilegalidade das drogas, que dificultam essa auto-percepção. Por fim, - e talvez a mais importante das análises - foi verificarmos as distintas maneiras pelas quais os docentes investigados entrelaçam-se na busca pelo prazer, bem como o quanto estes atrelam medo ao prazer, o que é estranho, nesse caso das drogas ilegais, pois faz com que se sintam ameaçados em perder seu marco referencial e seu sentido de continuidade. Sendo assim, as representações antidrogas são consensuais, constituídas de conteúdos familiares, vinculadas ao poder político pela mídia à mitos, ideologias e paradigmas que se instituem no processo de comunicação, configurando as representações dos professores investigados sobre o fenômeno das drogas em nossa sociedade. O presente trabalho faz parte da Linha de Pesquisa Formação Docente, do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFSM.
Tráfico de drogas: percepções e concepções de seus agentes na cidade de Ribeirão Preto
GUIMARÃES, Ana Lucia Ceolotto, 2005
Universidade de São Paulo - Programa de Pós-Graduação em Psicologia
Universidade de São Paulo
O uso e o tráfico de drogas, associados à violência, constituem-se numa das questões mais emblemáticas da sociedade contemporânea. Por acreditar na necessidade de realizar investigações e reflexões sobre este problema, visando subsidiar programas de promoção de saúde e cidadania através de um novo enfoque, realizei o presente estudo com os seguintes objetivos gerais: conhecer, sob o ponto de vista dos agentes participantes, as percepções e concepções relacionadas ao tráfico de drogas na cidade de Ribeirão Preto e região; e que tem por objetivos específicos, conhecer, sob o ponto de vista dos participantes: 1. as razões que levam as pessoas, principalmente os jovens, a se envolverem com o tráfico de drogas; 2. as percepções e concepções sobre a estrutura e/ou organização do tráfico de drogas, funções dos atores sociais envolvidos, inclusive com relação ao adolescente; 3. as apreciações sobre a violência relacionada ao tráfico de drogas e, em particular, sobre a participação do adolescente na mesma. Foram sujeitos deste estudo sete homens, com idades entre 27 e 60 anos, que têm ou já tiveram envolvimento no tráfico de drogas, na cidade de Ribeirão Preto e região. Os participantes foram intencionalmente escolhidos, levando-se em conta sua vinculação significativa com o problema investigado. Procedimento: a entrevista, com roteiro semi-estruturado, foi o principal instrumento para a coleta de dados. Foram realizadas vinte e três sessões de entrevistas individuais, no período de agosto de 2.001 a setembro de 2.002, e julho a agosto de 2.004. Como instrumentos complementares, foram utilizados registros em notas, em Diário de Campo, assim como, de narrativas fortuitas. Análise de dados: os dados obtidos foram analisados através de uma abordagem qualitativa, sob uma perspectiva compreensivista, a qual privilegia o ponto de vista dos agentes sociais envolvidos. O método de análise foi o de conteúdo temático. A análise dos dados mostrou os múltiplos motivos que podem levar alguém a envolverse com o tráfico de drogas, a partir do ponto de vista dos participantes. São razões que podem se dar isolada ou simultaneamente, e que, muitas vezes, se entrelaçam e se interpenetram. Nas concepções sobre a estrutura e a organização do tráfico de drogas, denominado por eles de “movimento”, sobre os atores envolvidos e os papéis desempenhados, recolhi uma variedade extensa de categorias. Elas sugerem que o tráfico de drogas está em constante mutação; é dinâmico, improvisado e repleto de alternativas: fraciona-se, migra, difunde-se, escapa e, ainda, é permeado de símbolos e folclores. As apreciações dos participantes sobre a violência relacionada ao tráfico de drogas e, em particular, à participação do adolescente neste contexto, trouxeram relatos, reflexões e questionamentos sobre as mais diversas representações inseridas na dinâmica do tráfico de drogas.
Entre o mel e o fel : drogas, modernidade e redução de danos" : análise do processo de regulamentação federal das ações de redução de danos ao uso de drogas
CHAIBUB, Juliana Rochet Wirth, 2009
Universidade de Brasília - Programa de Pós-Graduação em Política Social
Universidade de Brasília
O objetivo deste trabalho é investigar o processo de problematização social das drogas a partir do advento da modernidade, bem como os contextos sócio-histórico, nacional e internacional, dentro dos quais esse processo foi instaurado e desenvolvido. Para tanto, utiliza-se, como unidade de análise, o surgimento da agenda das ações de redução de danos associados ao uso de drogas no Brasil, reconstituindo o processo de formulação da regulamentação dessa estratégia em nível federal (Portaria n 1028/2005, do Ministério da Saúde), no período compreendido entre 2004 a 2005. O pano de fundo para as análises é o de que o advento da modernidade transformou profundamente a experiência do consumo das drogas na atualidade. Nesse sentido, o debate contemporâneo sobre o tema se situa no lugar de convergência das tensões da condição moderna: de um lado, a afirmação do indivíduo soberano e igual a todos os outros, que modifica seu estado de consciência usando sua liberdade e; de outro, o desenvolvimento de uma sociedade disciplinar e intervencionista. Sustenta-se que é do confronto entre objetividade e subjetividade que se constrói o que se pode denominar a questão das drogas. Se tal questão surge como uma das expressões da tensão inerente à condição moderna, as respostas escolhidas para seu enfrentamento, construídas historicamente a partir do proibicionismo e da medicalização, acabaram por elevá-la à categoria de problema social. Desde então, um conjunto de atores sociais e instituições estatais e privadas se ocupam dele, direta ou indiretamente, formando um campo de interação, que pode ser denominado campo das drogas. No interior desse campo são produzidos os discursos, imagens, textos, normas e políticas públicas que envolvem a produção, o comércio e o consumo das substâncias psicoativas, bem como seus modelos interpretativos e ações, projetos e programas de intervenção dentre eles os programas de redução de danos ao uso de drogas. O estudo do processo de formulação da regulamentação das ações de redução de danos ao uso de drogas permitiu concluir que a estratégia, considerada por muitos especialistas necessária e avançada, esbarra em discursos e práticas centradas na criminalização e na estigmatização dos usuários. Sustenta-se que, entendida numa perpsectiva mais abrangente, tal abordagem tem a potencialidade de resgatar, no âmbito das políticas de drogas vigentes, o sujeito omitido pelas políticas proibicionistas, considerando-o como parte essencial de uma proposta de proteção e de promoção à saúde, tendo em vista reduzir riscos e danos sociais e à saúde que o uso indevido de drogas possa acarretar. Trata-se de uma definição e de uma prática que se encontra em disputa e cujo futuro está relacionado às discussões sobre novos modelos de intervenção
The therapeutic potential of Cannabis
BAKER, David; PRYCE, Gareth; GIOVANNONI, Gavin; THOMPSON, Alan J., 2003
Drug Policy Aliance
The Lancet
Research of the cannabinoid system has many similarities with that of the opioid system. In both instances, studies into drug-producing plants led to the discovery of an endogenous control system with a central role in neurobiology. Few compounds have had as much positive press from patients as those of the cannabinoid system. While these claims are investigated in disorders such as multiple sclerosis spasticity and pain, basic research is discovering interesting members of this family of compounds that have previously unknown qualities, the most notable of which is the capacity for neuroprotection. Large randomised clinical trials of the better known compounds are in progress. Even if the results of these studies are not as positive as many expect them to be, that we are only just beginning to appreciate the huge therapeutic potential of this family of compounds is clear.
Trajetória dos adolescentes usuários de drogas em um serviço especializado: do primeiro uso ao tratamento
VASTERS, Gabriela Pereira, 2010
Universidade São Paulo - Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto
Universidade São Paulo
O uso de drogas na adolescência é uma questão debatida nas diferentes esferas da sociedade devido aos prejuízos que ocasionados precocemente. No tratamento especializado, essa questão torna-se ainda mais complexa e desafiadora frente aos fatores intrínsecos e extrínsecos do adolescente. O estudo tem como objetivo conhecer a trajetória dos adolescentes em um tratamento para uso de drogas, desde a primeira experimentação às percepções sobre o tratamento. Baseando-se na pesquisa qualitativa, buscou-se a compreensão dos atos e comportamentos dos sujeitos ao priorizar o ponto de vista dos mesmos. A coleta de dados ocorreu por meio de um roteiro semiestruturado de entrevista. Os adolescentes sujeitos do estudo pertenciam ou já haviam abandonado o Centro de Atenção Psicossocial para Álcool e Drogas II em Ribeirão Preto-SP. Analisaram-se os dados por meio da categorização temática do conteúdo. Quatorze adolescentes foram sujeitos do estudo, sendo oito participantes do tratamento e seis que o haviam abandonado, predominante do sexo masculino com idade entre 14 e 19 anos. A maioria apresentou-se abaixo do ano escolar adequado às suas idades. A maconha foi a droga mais utilizada. Os adolescentes que abandonaram o tratamento fizeram maior experimentação de outras drogas em relação aos que estavam em tratamento. A rede de relações composta por outros usuários de drogas mostrou-se muito influente ao uso da droga, à experimentação, como fator que aumentava vontade/ intensidade do uso e como motivo para o abandono do tratamento. Outro aspecto citado foi a má utilização do tempo livre e as atividades de lazer que favoreceram a aproximação com as drogas. A droga esteve relacionada como um escape dos conflitos e próprios sentimentos. Quanto ao tratamento especializado, muitos adolescentes o iniciaram por encaminhamentos, seja judicial ou pela família. Dentre os fatores favoráveis a permanência ao tratamento esteve a rede de relações sem usuários de drogas, a participação familiar, a \"força de vontade\" e a relação com equipe profissional do tratamento. Os fatores que predispuseram ao abandono do tratamento foram a acessibilidade à droga, a inadequação dos tratamentos, a rede de amigos, a ausência de apoio familiar e o não querer parar o uso de drogas. Os adolescentes sugeriram que um tratamento atrativo e efetivo deve dispor de uma equipe profissional adequada para trabalhar com esse público, propor atividades que despertem o interesse e os motivem, e estar atento às demandas destes sujeitos às noites e finais de semana, quando o uso mais intenso de drogas ocorre. Conclui-se que os achados deste estudo podem contribuir na elaboração de propostas de intervenções terapêuticas direcionadas a adolescentes usuários de drogas, favorecendo sua adesão ao tratamento
Análise do programa educacional de resistência às drogas e à violência em Pernambuco
LINS, Eleta Cristina Santos da Fonsêca, 2009

Universidade Federal de Pernambuco
O Programa Educacional de Resistência às Drogas e a Violência nasceu nos Estados Unidos na década de 80 e chegou ao Brasil no ano de 1992 através da Polícia Militar do Rio de Janeiro e em Pernambuco no ano de 2000. O objetivo deste programa é prevenir o uso indevido de drogas e a violência entre crianças, adolescentes, jovens e adultos, ajudando-os a reconhecer as pressões e influência diária para usar drogas e praticar a violência, por meio de um curso aplicado pelos Instrutores Proerd que são policiais militares capacitados para desenvolveram tal atividade. Considerando que a eficácia de uma política de prevenção ao crime está ligada à existência de uma relação sólida e positiva entre a polícia e a sociedade, o Proerd tem se mostrado eficiente no propósito de prevenir o uso indevido de drogas. Verifica-se a partir da análise de depoimentos, documentos oficiais e de questionários aplicados que existe uma grande aceitação do programa por instituições públicas e privadas, especialistas na área de educação, crianças, adolescentes, jovens e adultos que participam dos cursos. Mesmo após alguns anos da aplicação do Proerd os alunos não se esquecem das lições aprendidas e multiplicam as informações recebidas. Observa-se ainda que nossa juventude está vulnerável ao mundo das drogas, estando tanto as crianças quanto seus pais carentes de orientações sobre as drogas e suas consequências
A rede de apoio social de jovens em situação de vulnerabilidade social e o uso de drogas
COSTA, Letícia Graziela, 2009
Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Curso de Pós-Graduação em Psicologia.
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Esta dissertação teve o objetivo de investigar a rede de apoio em jovens brasileiros em situação de vulnerabilidade social e a relação com o uso de drogas, através de dois estudos. As análises foram feitas a partir da base de dados da Pesquisa Nacional sobre Fatores de Risco e Proteção da Juventude Brasileira, desenvolvida em sete capitais e cidades de médio porte no Brasil (Koller, Cerqueira, Santos, Morais & Ribeiro, 2005). Foram analisados 7316 questionários respondidos por jovens entre 14 e 24 anos, de nível socioeconômico baixo, de ambos os sexos. O primeiro estudo, de caráter exploratório inferencial, avaliou a rede de apoio social dos jovens, investigando família, escola, pares e comunidade. Observou-se diferenças na percepção de rede de apoio conforme a renda e o sexo: entre os participantes de maior renda houve uma percepção de maior apoio da família, e entre os de menor renda maior percepção de apoio da comunidade; e as meninas apresentaram maior percepção de apoio e mais amigos na escola e os meninos referiram maior apoio da comunidade e mais amizades na rua e no bairro. O segundo estudo, também exploratório inferencial, investigou a relação entre a rede de apoio social e o uso de drogas. Foi identificada elevada incidência de uso de drogas (78,9%), com diferenças significativas de gênero, sendo que os meninos usavam mais álcool e drogas ilícitas. Os apoios familiar, escolar e da comunidade apresentaram associação significativa com o uso de drogas, sendo que as médias mais altas de apoio estavam associadas ao não uso de drogas. Entretanto, não se pode determinar a direção desta relação. Conclui-se que a rede de apoio é um fator de proteção importante e sua relação com o uso de drogas entre os jovens deve ser mais bem investigada.
Estudo da permeabilidade intestinal em pacientes com tuberculose pulmonar ativa
PINHEIRO, Valéria Góes Ferreira, 2003
Universidade Federal do Ceará - Departamento de Filosofia e Farmacologia
Universidade Federal do Ceará
Níveis subterapêuticos de drogas antimicobacterianas têm sido observados no curso do tratamento de pacientes com tuberculose e nos co-infectados TB/HIV e podem facilitar o surgimento de cepas de M. tuberculosis resistentes às drogas. A mal-absorção intestinal inclue-se entre as provÃveis causas e tem sido descrita em tuberculosos desnutridos, alcoólatras, diabÃticos, aidéticos ou com patologias gastrointestinais associadas. Estudos da permeabilidade intestinal permitem a avaliação da funÃÃo intestinal em vÃrias doenÃas, mas tÃm sido escassos na tuberculose. O teste da lactulose / manitol tem sido utilizado como critÃrio de lesÃo com dÃficit absortivo da mucosa intestinal e pode ser de utilidade no prognÃstico da absorÃÃo intestinal de drogas em pacientes com tuberculose. Foram estudados 41 pacientes (30H e 11M). A coleta dos dados foi realizada no Hospital de MaracanaÃ? , Fortaleza-CE, em 2001. Procedeu-se descriÃÃo clÃnica, social e laboratorial do grupo de pacientes e estudo piloto de observaÃÃo utilizando o teste da lactulose / manitol em 40 pacientes com tuberculose pulmonar ativa, comparando com grupo controle de 28 voluntÃrios sadios objetivando estudar a permeabilidade intestinal. Testes de sensibilidade Ãs drogas antituberculose, pelo mÃtodo das proporÃÃes indireto, foram realizados em 20 pacientes com cultura de escarro positivas. O grau de nutriÃÃo avaliado atravÃs do Ãndice de Massa CorpÃrea? (IMC) e o nÃvel sÃrico das drogas foram correlacionados com os valores da permeabilidade intestinal. CinqÃenta? e nove por cento (24 pacientes) foram considerados desnutridos pelo IMC<18,5 kg/m2, sendo vinte e dois por cento (9 pacientes) considerados severamente desnutridos (IMC<16 kg/m2). Em 18 pacientes, apÃs 2 h da tomada de 600mg de rifampicina (R) e 400 mg de isoniazida (H) os nÃveis sÃricos de R (CRM 2h) e H (CINH 2h) foram analisados por HPLC. A taxa de excreÃÃo urinÃria de manitol (mÃdia  desvio padrÃo) foi significativamente menor p<0,001 (9,52  5,70) nos pacientes que dos controles (20,14  10,84). A taxa de excreÃÃo de lactulose foi significativamente maior p<0,05 nos pacientes (0,59  1,79) que nos controles (0,52  0,47) e a razÃo L/M foi aumentada de forma consistente, embora nÃo significativa p>0,05 (0,05  0,10 pacientes contra 0,02  0,02 controles). Considerando a faixa terapÃutica da R (8-24 mcg/mL ) e da H (3-6 mcg/mL) observamos que as CRM2h e CINH2h em 16/18 (88,8%) pacientes nÃo atingiram nÃveis sÃricos adequados para as duas drogas. 8/18 (44,4%) pacientes nÃo alcanÃaram nÃveis sÃricos para ambas as drogas simultaneamente. Na anÃlise das drogas isoladas verificamos que em 12/18 (66,7%) pacientes a CRM2h o nÃvel sÃrico mÃnimo nÃo foi alcanÃado (mÃdia R =6,47 mcg/mL) e 13/18 (72,2%) a CINH2h tambÃm foi reduzida (mÃdia H =2,17 mcg/mL). Quanto ao perfil de resistÃncia do M. tuberculosis em cultura de escarro, observamos 4/20 (20%) multirresistentes (3 à R+H e 1 à todas as drogas) e 2/20 (10%) monorresistentes à H sendo 14/20 (70%) amostras consideradas sensÃveis Ãs drogas testadas. Os resultados observados sugerem uma intensa reduÃÃo na Ãrea de absorÃÃo e lesÃo da mucosa intestinal nos indivÃduos estudados. Os dados sÃo consistentes com a reduÃÃo na biodisponibilidade de rifampicina e isoniazida e com o estado nutricional destes pacientes. Os dados preliminares recomendam estudos adicionais na avaliação completa da biodisponibilidade das drogas antimicobacterianas em pacientes com tuberculose
Dois infinitos se estreitando num abraço insano : as drogas e a violência no cotidiano dos jovens de escolas públicas e particulares em Maceió
RESENDE, Solange Enoi Melo de, 2009
Universidade Federal de Alagoas - Programa de Pós-Graduação Sociologia
Universidade Federal de Alagoas
Este trabalho destaca o aumento vertiginoso da circulação das drogas e da violência na sociedade e seu extraordinário poder de interferir na existência dos indivíduos e, em especial, na juventude. Esses reflexos são especialmente focalizados nos espaços de lazer, familiar e escolar em que esses jovens desenvolvem a sua dinâmica de vida. Por ser a juventude uma categoria que apresenta vivências diferenciadas quando se inclui em diferentes tipos de classe social, gênero, cor etc., buscamos encontrar as possíveis diferenças e/ou semelhanças nas formas como circulam as drogas na atualidade através do padrão de renda dos jovens, encontrados nas escolas públicas e privadas da cidade de Maceió (entrevistamos, para o trabalho, estudantes e professores das duas redes de ensino). Trataremos, neste trabalho, das drogas que circulam no campo da legalidade e da ilegalidade, destacando, como exemplo do primeiro tipo, o álcool como a droga mais inserida no cotidiano da juventude. As que circulam de forma ilícita, relacionamos a sua existência, principalmente, com o crime organizado, demonstrando especialmente a participação de agentes estatais nessa comercialização. Essas substâncias proibidas de circular livremente são vistas por nós de forma contraditória: elas produzem um saldo de morte assustador na sociedade através das ações do tráfico e, ao mesmo tempo, transformaram-se em uma alternativa de sobrevivência para muitos que não conseguem obter ganhos pelas vias tradicionais de mercado. Tratamos das drogas nos dois contextos de renda por nós pesquisados, e encontramos diferenciações importantes com relação aos efeitos produzidos por essa circulação. São os jovens pobres, em especial os que se encontram nos bairros de periferia, que sofrem as mais perversas conseqüências a partir do momento em que essas substâncias passam a circular, trazendo consigo o saldo de mortes desencadeadas pela sua relação mais direta com o tráfico, com a repressão do estado e da sociedade, com a estigmatização
Cartão do usuário de SPA
Centro Brasileiro de Política de Drogas - Psicotropicus,

Centro Brasileiro de Política de Drogas - Psicotropicus.
Cartão do usuário de substâncias psicoativas, com informações sobre seus direitos.
Folder Institucional
Centro Brasileiro de Política de Drogas - Psicotropicus ,

Centro Brasileiro de Política de Drogas - Psicotropicus
 
Álcool
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas,
Departamento de Psicobiologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo)
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas - Departamento de Psicobiologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo)
 
Anfetamina
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas ,
Departamento de Psicobiologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo)
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas - Departamento de Psicobiologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo)
 
Maconha
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas,
Departamento de Psicobiologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo)
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas - Departamento de Psicobiologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo)
 
Por uma abordagem multidisciplinar no estudo do consumo de psicoativos
SANTOS, Rafael Guimarães dos, 2007
Núcleo Interdiscipinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
?
Trata-se de um artigo que argumenta sobre a necessidade de se aproximar do estudo do consumo de substâncias psicoativas através de uma perspectiva multidisciplinar que englobe os aspectos biológicos, farmacológicos, psicológicos, históricos e socioculturais desta temática. O principal argumento do trabalho centraliza-se sobre a eficácia no controle sobre o consumo de substâncias psicoativas através de sanções e rituais informais. Argumenta-se que estes controles são mais eficazes que os modelos repressivos oficiais. O trabalho baseia-se em observações de campo realizadas em diversas instituições ayahuasqueiras, ou seja, que utilizam a ayahuasca � um psicoativo alucinógeno � como um veículo de comunicação com o sagrado.
Efficacy of two cannabis based medicinal extracts for relief of central neuropathic pain from brachial plexus avulsion: results of a randomised controlled trial
BERMAN, J.; SYMONDSB, Catherine; BIRCH, Rolfe, 2004
The UK Cannabis International Activist
Journal of the International Association for the Study of Pain
The objective was to investigate the effectiveness of cannabis-based medicines for treatment of chronic pain associated with brachial plexus root avulsion. This condition is an excellent human model of central neuropathic pain as it represents an unusually homogenous group in terms of anatomical location of injury, pain descriptions and patient demographics. Forty-eight patients with at least one avulsed root and baseline pain score of four or more on an 11-point ordinate scale participated in a randomised, double-blind, placebo-controlled, three period crossover study. All patients had intractable symptoms regardless of current analgesic therapy. Patients entered a baseline period of 2 weeks, followed by three, 2-week treatment periods during each of which they received one of three oromucosal spray preparations. These were placebo and two whole plant extracts of Cannabis sativa L.: GW-1000-02 (Sativexw), containing D9tetrahydrocannabinol (THC):cannabidiol (CBD) in an approximate 1:1 ratio and GW-2000-02, containing primarily THC. The primary outcome measure was the mean pain severity score during the last 7 days of treatment. Secondary outcome measures included pain related quality of life assessments. The primary outcome measure failed to fall by the two points defined in our hypothesis. However, both this measure and measures of sleep showed statistically significant improvements. The study medications were generally well tolerated with the majority of adverse events, including intoxication type reactions, being mild to moderate in severity and resolving spontaneously. Studies of longer duration in neuropathic pain are required to confirm a clinically relevant, improvement in the treatment of this condition.
Tabaco
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas,
Departamento de Psicobiologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo)
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas - Departamento de Psicobiologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo)
 
Solvente
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas,
Departamento de Psicobiologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo)
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas - Departamento de Psicobiologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo)
 
Ópio e morfina
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas,
Departamento de Psicobiologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo)
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas - Departamento de Psicobiologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo)
 
Cocaína
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas,
Departamento de Psicobiologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo)
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas - Departamento de Psicobiologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo)
 
Anabolizante
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas,
Departamento de Psicobiologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo)
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas - Departamento de Psicobiologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo)
 
Catálogo de Instituições que assistem Crianças e Adolescentes em Situação de Rua nas 27 Capitais Brasileiras - 2004
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, 2004
Departamento de Psicobiologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo)
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas - Departamento de Psicobiologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo)
 
Livreto Informativo sobre Drogas Psicotrópicas
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas,
Departamento de Psicobiologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo)
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas - Departamento de Psicobiologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo)
 
Drogas: Cartilha álcool e jovens
Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas - OBID,
Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD)
Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas - OBID
 
Drogas: mudando comportamentos
Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas - OBID,
Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD)
Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas - OBID
 
Drogas: para pais de adolescentes
Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas - OBID,
Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD)
Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas - OBID
 
Cannabis e Substâncias Cannabinóides em Medicina
CARLINI, Elisaldo; RODRIGUES, Eliana; GALDURÓZ, José Carlos F., 2004
European Coalition for Just and Effective Drug Policies
 
Drogas: para pais de crianças
Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas - OBID,
Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD)
Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas - OBID
 
Drogas: sobre maconha cocaína e inalantes
Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas - OBID,
Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD)
Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas - OBID
 
Drogas: Sobre o tabaco
Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas - OBID,
Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD)
Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas - OBID
 
MÓDULO PARA CAPACITAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DO PROJETO CONSULTÓRIO DE RUA
NERY FILHO, Antonio e VALÉRIO, Andréa Leite Ribeiro, 2010
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas (CETAD) e Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD)
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas (CETAD) - Universidade Federal da Bahia (UFBA), Ministério da Justiça, Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gabinete de Segurança Institucional
 
TOXICOMANIA: ESTRATÉGIAS DE ATENDIMENTO
BARETTO FILHO, Eduardo Pereira & RÊGO, Marlize, 2010
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
 
Praticas educativas da policia militar do estado de São Paulo : o programa educacional de resistência as drogas e a violência
MACEDO, Juliana de Carvalho Albrecht, 2008
Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação
Unicamp
Este trabalho teve por finalidade verificar os interesses que levaram o Drug Abuse Resistance Education, um programa de prevenção ao uso de drogas criado nos Estados Unidos no início da década de 1980, a ser aplicado pela Polícia Militar do Estado de São Paulo a partir de 1993, adotando no Brasil o nome de Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência, conhecido através da sigla PROERD. Para tanto, fez-se necessário estudar as políticas de prevenção ao uso de drogas adotadas pelos dois países, bem como a legislação que permitiu à polícia militar aplicar um programa de prevenção nas escolas. As relações entre Brasil e Estados Unidos a partir de 1930 também foram pesquisadas, fazendo-se um levantamento histórico desde então, até o final do regime militar e início da redemocratização do Brasil, abordando o papel desempenhado pelas forças repressivas do Estado durante este período. A criação da Polícia Militar do Estado de São Paulo no inicio da década de 1970 também foi pesquisada, assim como as mudanças sociais que ocorreram ao longo de sua existência e que passaram a exigir alterações em seu modo de agir, requerendo a adoção do policiamento comunitário. A imagem construída pela instituição policial militar, principalmente durante o regime militar, favoreceu o seu distanciamento da comunidade e a reprovação dos seus atos pelos cidadãos, que passaram a cobrar uma polícia comprometida com a defesa da vida e da integridade, sendo o PROERD e o policiamento comunitário tentativas de resgatar o relacionamento com a sociedade, construindo uma imagem mais positiva da polícia no que se refere a uma perspectiva humanista.
Drogas: fora da lei e dentro do usuário
NOVO, Maria Carolina D´ Arcádia, 2010

Editora Vox Forensis
Discorre sobre as drogas, relatando sua presença na história mundial. Analisa os tipos de drogas, seu descobrimento, a absorção pelo corpo humano e as consequências do seu uso. Trata das leis antidrogas (Lei nº. 6368 de 21 de Outubro de 1976 e a lei nº 8072 de 1990), bem como do efeito ilusório que elas promovem e do papel das famílias dos usuários.
CONTROLE PENAL SOBRE AS DROGAS ILÍCITAS: O IMPACTO DO PROIBICIONISMO NO SISTEMA PENAL E NA SOCIEDADE.
RODRIGUES, Luciana Boiteux de Figueiredo , 2006

USP
O estudo do controle penal sobre as drogas ilícitas tem por objetivo compreender a estratégia proibicionista de criminalização de determinadas drogas como meio puramente simbólico de proteção da saúde pública. Para tanto, investigou-se a forma pela qual esse modelo foi historicamente construído e concretamente aplicado, e as razões que têm dificultado a adoção de alternativas de controle, apesar do fracasso da proibição. O enfoque crítico sobre o problema volta-se para o impacto do proibicionismo no sistema penal e na sociedade, como meio para se avaliar as possibilidades de superação desse paradigma. São sugeridas políticas alternativas de drogas e a redução de danos como estratégias que devem ser adotadas pela legislação brasileira.
IMPERIALISMO E PROIBICIONISMO RAÍZES E INTERESSES DA PROIBIÇÃO DAS DROGAS E DA SUPOSTA GUERRA AO TRÁFICO
DELMANTO, Júlio , 2010

Neip
Parto princípio de que as drogas são necessidades humanas, e que sua proibição traz muito mais malefícios do que seu uso. As raízes desta proibição são apresentadas, para depois buscarmos compreender a que interesses ela serve hoje – do próprio tráfico, do sistema financeiro internacional e da política imperialista estadunidense
A economia das drogas ilegais : teorias, evidências e políticas públicas
CHITOLINA, Lia Santos, 2009
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Ciências Econômicas
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Ciências Econômicas
O estudo analisa o mercado de drogas e a maneira pela qual estas têm sido tratadas pela sociedade atual. A política de proibição das drogas é o foco do trabalho, suas justificativas, seus objetivos e resultados são postos em questão, em decorrência deste debate, surgem como alternativas a descriminalização, a política de redução de danos e a legalização das drogas.
Criminalização, Mercado e Controle de Drogas
MORAIS, Paulo César de Campos,
Universidade Federal de Minas Gerais, CRISP - Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública
Universidade Federal de Minas Gerais, CRISP - Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública
 
Adolescência, drogadição e políticas públicas : recortes no contemporâneo
RAUPP, Luciane Marques, 2006
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto de Psicologia. Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto de Psicologia. Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional
O abuso de álcool e outras drogas por adolescentes é considerado, atualmente, um grave problema de saúde pública. Devido à complexidade que envolve essa questão, considera-se que a mesma extrapola o campo da saúde pública, exigindo um olhar interdisciplinar, tanto na investigação de suas condições de surgimento, quanto na produção de respostas de enfrentamento. Para lidar com essa problemática, faz-se necessário compreender a adolescência de hoje como uma operação de passagem (Rassial,1997) e uma “crise psíquica” (Melman, 1995), na qual a busca por referências ocupa um lugar fundamental. Atualmente, esse processo se desenvolve em um contexto social no qual os valores vigentes se colam a padrões de consumo marcados pelo individualismo e pela instantaneidade, confundindo as novas gerações pela falta de referências (Bauman, 1998, 2001; Milnitsky-Sapiro, 2005). Nesse contexto de hedonismo, consumismo e referenciais voláteis, o abuso de drogas pode surgir como um caminho para o alívio das tensões inerentes ao processo adolescente e como uma fuga da invisibilidade pela via do consumo, realizando simbolicamente o ideal de nossa sociedade (Conte, 1998). O presente trabalho tomou serviços de tratamento a adolescentes usuários de drogas como objeto de pesquisa, refletindo sobre as concepções que norteiam suas práticas e a forma pela qual as políticas públicas que prescrevem o campo se apresentam, ou não, em seus programas. O contexto destas instituições, suas práticas e referenciais são problematizados, juntamente com trechos de entrevistas nas quais se buscou “dar voz” aos adolescentes em tratamento nesses locais, visando saber o que pensam e como avaliam o tratamento recebido. Também foram entrevistados profissionais que trabalham nesses serviços. Como método de pesquisa utilizou-se a Descrição Etnográfica da instituição, diálogos informais, observações e consultas documentais (Milnitsky-Sapiro, 2001). Para análise dos dados procedeu-se à Análise de Conteúdo (Bardin, 1977; Milnitsky-Sapiro, 2001) do material consultado e das narrativas dos entrevistados. Os resultados desse estudo indicam uma defasagem entre o que é preconizado pelas políticas públicas e as práticas dos serviços de tratamento. Dos três serviços pesquisados, apenas um se adequava às orientações das principais políticas que regulam o setor, apesar de possuir limitações principalmente relacionadas à escassez de recursos para qualificar e ampliar o alcance de sua atuação. Como conclusão, aponta-se o fato de que as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente e do Sistema Único de Saúde, entre outras, continuarão na instância teórica enquanto não houver propostas de adequação dos serviços e de capacitação dos profissionais que trabalham com esse público, visando qualificá-los a atender as especificidades do processo adolescente no contexto atual.
As necessidades humanas e o proibicionismo das drogas no século XX
Henrique Carneiro, 2002
Instituto de Estudos Socialistas
Instituto de Estudos Socialistas
 
Embasamento político das concepções e práticas referentes às drogas no Brasil
Jacqueline de Souza e Luciane Prado Kantorski, 2007
Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drogas
Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drogas
Trata-se de reflexão teórica que tem como eixo a concepção da problemática das drogas nas políticas públicas brasileiras. Tal reflexão foi sistematizada a partir dos documentos: Política Nacional sobre Drogas e Política do Ministério da Saúde para Atenção Integral aos Usuários de Álcool e outras Drogas. O objetivo é mostrar o panorama do modo como tais políticas orientam as ações da sociedade e, sobretudo, dos serviços de saúde no tocante ao uso e usuários de substâncias psicoativas no Brasil, bem como apresentar um quadro sobre a estruturação nacional dos órgãos relacionados às políticas públicas nesse setor, além disso, ressaltar os principais parâmetros que subsidiam a Política do Ministério da Saúde para Atenção Integral aos Usuários de Álcool e outras Drogas, possibilitando a visualização do lócus que ela ocupa na Política Nacional.

As principais inovações da nova Lei de Drogas
KÜMPEL, Vitor Frederico, 2007
Biblioteca Digital Jurídica do STJ
Revista do Tribunal Regional Federal da 1ª Região
Trata do uso de entorpecentes no Brasil, analisando a legislação nacional e conceituando figuras como a do traficante, do incentivador e do financiador.
Redes narcotraficantes e integração paralela na região amazônica
OLIVEIRA, Fernando Moreno Martim de, 2006
Universidade de Brasília, Instituto de Relações Internacionais, Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais
Universidade de Brasília, Instituto de Relações Internacionais
A dissertação perscruta a atuação das redes narcotraficantes na Região Amazônica, abrangendo o território de oito países: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. Analisa o combate travado contra o narcotráfico pelos agentes estatais. Investiga a gênese e a consolidação do regime sobre substâncias psicoativas no século XX, para as quais foi essencial a movimentação dos atores civis e da diplomacia estadunidense. Estudando os riscos associados às principais substâncias psicoativas, a pesquisa avalia as motivações para a realização dos Tratados Internacionais que as regulam. Analisa as relações das redes narcotraficantes amazônicas com outros grupos criminosos e com agentes relevantes na economia formal e na política. Mostra a intensidade e a freqüência das ações das redes narcotraficantes e de outros grupos criminosos que gera o fenômeno da integração paralela na Região Amazônica. O enfrentamento a tais questões, exemplificado pelo estudo de caso do Plano Colômbia, evidencia a forma como se desenrola o embate entre agentes estatais e narcotraficantes. Ao término da pesquisa, demonstra-se que o tratamento dispensado pelos agentes estatais ao fenômeno prioriza a repressão armada, em detrimento de outras práticas como a prevenção ao consumo de psicoativos ilícitos e o tratamento de dependentes.
O Estado frente à temática das drogas lícitas e ilícitas: avanços da nova legislação e desafios frente ao sistema único de saúde
Pires, Rodrigo Otávio Moretti, Carrieri, Camila Ghizelli and Carrieri, Giuliana Ghizelli, 2008
Portal de Revistas USP
Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drogas
O presente artigo se propõe a abrir discussão sobre avanços e desafios com a implementação da nova política nacional sobre álcool e drogas da Secretaria Nacional Antidrogas, principalmente no que se refere às transformações sobre o entendimento do papel da repressão e da prevenção no contexto dessa problemática, frente à dicotomia entre Segurança Pública e as necessidades de Saúde Pública.
Inconstitucionalidade do art. 40, inciso VII, da lei de drogas por inobservância ao ne bis in idem e violação à proibição de excesso
SILVA, Pablo Rodrigo Alflen da, 2008

O artigo trata sobre o tradicional princípio ne bis in idem e sua qualificação como princípio constitucional, bem como sobre o crime de financiamento ou custeio ao tráfico de drogas e a majorante da pena de financiamento ou custeio ao tráfico. Analisa-se em um primeiro momento a inobservância ao ne bis in idem já pelo legislador, como hipótese de violação ao princípio da proibição de excesso, sendo que, em segundo momento, identifica-se a majorante do art. 40, inciso VII da Lei de Drogas, como hipótese manifesta de violação ao princípio ne bis in idem, por autorizar a dupla punição, e, por fim, identifica-se o dispositivo como inconstitucional ante a falta de ponderação entre os objetivos punitivos da lei e os meios empregados para tal.
O uso da Ayahuasca e a experiência de alívio, transformação e cura na União do Vegetal (UDV)
RICCIARDI, Gabriela Santos, 2008
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Universidade Federal da Bahia
A cura religiosa é um tema que tem sido bastante abordado pelas Ciências Sociais, principalmente em virtude de relatos de adeptos de diversas religiões e seitas envolvendo a cura. A cura não médica, espiritual ou religiosa, precisa ser estudada pela ciência a fim de que se possa ter um panorama mais completo sobre as questões envolvendo doença, saúde, aflição e alívio, e como os indivíduos interagem com os seus problemas buscando diversos tipos de tratamento. Este trabalho visa compreender como se dá a experiência de transformação, alívio e cura na União do Vegetal (UDV) numa perspectiva sócio-antropológica. A União do Vegetal é uma das religiões que utiliza um chá enteógeno (cientificamente denominado Ayahuasca) nos rituais religiosos. Fundada na região amazônica em 22 de julho de 1961, por um seringueiro baiano de nome José Gabriel da Costa, Mestre Gabriel, possui uma base doutrinária cristã reencarnacionista e hoje está presente nos centros urbanos do Brasil e exterior. Os adeptos se referem à UDV como sendo uma religião que possibilita transformações positivas nas suas vidas, alívio e cura para os problemas enfrentados. Os problemas vão desde doenças físicas ou da matéria, a depressão, angústia, dependência de drogas dentre outros. Tendo em vista a importância da narrativa na experiência da aflição e enfermidade, busca-se compreender, através do discurso dos adeptos, como eles concebem tais processos, a que ou a quem atribuem essas transformações, alívio e cura. A finalidade é contribuir com conhecimento científico, expandindo os paradigmas a respeito do fenômeno da cura religiosa ou cura espiritual.
Justiça terapêutica tolerância zero : arregaçamento biopolítico do sistema criminal punitivo e criminalização da pobreza
RIBEIRO, Fernanda Mendes Lages, 2007
Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana
Universidade Estadual do Rio de Janeiro
A presente dissertação tem como tema de estudo a Justiça Terapêutica (JT), uma pena de tratamento direcionada aos sujeitos apreendidos por porte/uso de substâncias classificadas como ilícitas. Essa política configura-se como uma Pena Alternativa, não encarcerando o sujeito, mas restringindo seus direitos, veiculada como uma “humanização” da lei. Constitui-se em tratamento compulsório, por tempo determinado por juiz em sentença judicial; seu modelo é importado dos EUA a exemplo das Droug Courts e prega a total abstinência, ou Tolerância Zero. Esta política, para além de ações relacionadas às drogas, dirige-se às pequenas ilegalidades, instituindo, nos EUA, práticas como toques de recolher em bairros pobres. A Justiça Terapêutica Tolerância Zero é problematizada como certa ampliação do sistema penal, na forma extramuros, operando uma criminalização dos eventos relacionados às drogas e de certos sujeitos, uma vez que o sistema não atinge toda a população, mas penaliza prioritariamente certa parcela desta. Para realizar esta pesquisa foram utilizados como referenciais teóricos, principalmente, os conceitos de biopoder e de sociedade de controle, inaugurados, respectivamente, por Michel Foucault e Gilles Deleuze, problematizando a JT como tecnologia biopolítica pós-moderna de controle dos indesejáveis distúrbios relacionados às drogas, supostos causadores dos mais diversos males urbanos. Foram desenvolvidos cinco capítulos onde foram abordados temas como: algumas legislações sobre drogas, o proibicionismo norte-americano, o território contemporâneo onde vem se instituir a Justiça Terapêutica e as políticas de Tolerância Zero, o papel da mídia na difusão de certos medos e de pedidos por endurecimento de penas, o especialismo na prática psi. Como metodologia utilizo também a Análise de Implicações, conceito trazido por René Lourau, principalmente para analisar o trabalho do profissional psicólogo como um dos agentes executores desta política. Objetivei, com esse estudo, colocar em questão algumas das políticas penais/sociais que vimos instituindo contemporaneamente, especificamente a JT, e suas funções de controle, principalmente das populações pobres-periculosas, não produtivas.
Punctum Diabolicum: A Nova Lei de Drogas
Warley Belo, 2008
Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC
Universidade Federal de Santa Catarina
Com a nova lei de drogas, reabre-se a discussão em torno do polêmico assunto. A criminalização do uso tem como objeto jurídico a saúde pública, mas não há preocupação em demonstrar se o grau de lesão é aceitável ou mesmo existente em condutas como o simples porte de substância. O grave problema social apresentado pelo uso de drogas seria em decorrência de sua ilegalidade aleatória e ausência de políticas públicas. Conclui apresentando propostas para minimizar o problema.
O Tribunal de Drogas e o Tigre de Papel.
BATISTA, Vera Malaguti , 2006
Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC
Universidade Federal de Santa Catarina
 
Violência comunitária, exposição às drogas ilícitas e envolvimento com a lei na adolescência
Silvia Pereira da Cruz Benetti, Cíntia Gama, Márcia Vitolo, Marina Bohnen da Silva, Aline D’Ávila, Maria Lucrecia Zavaschi, 2006
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Revista Psico, da Editora PUC RS
O impacto da violência no desenvolvimento de crianças e adolescentes tem merecido destaque na área da psicologia. As conseqüências da exposição à violência comunitária – agressões, estupros, assaltos, homicídios e drogas, incluem alterações fisiológicas, psicológicas e de âmbito interpessoal. Este estudo teve como objetivo verificar a prevalência de exposição à violência comunitária e identificar associações com exposição às drogas ilícitas e envolvimento com a lei. Uma amostra de 683 adolescentes respondeu ao questionário “Triagem da Exposição de Crianças à Violência na Comunidade”. No total, 616 (90,2%) adolescentes sofreram diretamente e 626 (91,6%) foram expostos a pelo menos um episódio de violência. Adolescentes expostos às drogas e com maior envolvimento com a polícia tiveram maior exposição à violência comunitária. A escola e as relações familiares foram fatores de proteção da violência. Verificou-se, também, a importância de investigações sobre as conseqüências da violência para o desenvolvimento de intervenções clínicas e programas preventivos.
Mídia e drogas: análise documental da mídia escrita brasileira sobre o tema entre 1999 e 2003
RONZANI, Telmo Mota; FERNANDES, Ameli Gabriele Batista e outros. , 2009

Este artigo busca analisar os conteúdos que a mídia escrita brasileira apresenta sobre drogas. Foram pesquisados artigos sobre drogas em uma revista de circulação nacional, entre 1999 e 2003, através de análise de conteúdo. Foram encontrados 481 artigos. A subcategoria "consumo" foi a mais abordada, sendo as drogas mais citadas: cocaína (21%), maconha (19%), álcool (12%) e cigarro (12%). Quanto à categoria "saúde", o cigarro apresentou 57% dos artigos relacionados aos "malefícios do uso", enquanto o álcool foi caracterizado pela ambivalência (ocorrências iguais para benefícios e malefícios) e associado à dependência (23%); no tocante à cocaína, mais ocorrências relacionaram-se ao tráfico (30%). De modo geral, a cocaína e a maconha receberam destaque da mídia, enquanto o álcool e solventes tiveram pouco destaque em comparação aos dados epidemiológicos de uso. Percebe-se que existe uma incompatibilidade entre o enfoque da mídia e o consumo de drogas no Brasil, fato que pode influenciar as crenças das pessoas sobre determinadas substâncias e as políticas públicas sobre drogas no Brasil.
Fatores de risco e de proteção para o uso de drogas na adolescência
SCHENKER,Miriam; MINAYO, Maria Cecília de Souza, 2005

Ciência & Saúde Coletiva
Este artigo apresenta uma visão compreensiva da complexidade dos fatores de risco e de proteção para o uso de drogas na adolescência. Discorre sobre a interdependência dos diversos contextos – individual, familiar, escolar, grupo de pares, midiático e comunidade de convivência – propícios tanto ao risco quanto à proteção ao uso das drogas lícitas e ilícitas, fornecendo, por último, algumas estratégias de prevenção.
Prevalência do consumo de drogas na FEBEM, Porto Alegre
FERIGOLO, Maristela e outros, 2004

Revista Brasileira de Psiquiatria
OBJETIVO: Identificar a prevalência do uso de drogas entre crianças e adolescentes institucionalizados e avaliar o uso associado das substâncias lícitas, álcool e tabaco, com drogas ilícitas; e verificar qual a droga de uso inicial para o consumo das substâncias psicoativas ilícitas. MÉTODOS: Realizou-se um estudo transversal na Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor do Rio Grande do Sul, na cidade de Porto Alegre. Um questionário elaborado pela Organização Mundial da Saúde, anônimo, sobre o uso de drogas e sua quantificação, auto-aplicado em salas de aula, foi respondido pela população de crianças e adolescentes alfabetizados que cumpriam medidas socioeducativas ou medidas protetivas. A análise visou descrever o uso de drogas entre os dois subgrupos levando em conta gêneros e idades de início de uso.RESULTADOS: Os resultados foram obtidos a partir de 382 indivíduos. As substâncias mais experimentadas foram: álcool (81,3%), tabaco (76,8%), maconha (69,2%), cocaína (54,6%), solventes (49,2%), ansiolíticos (13,4%), alucinógenos (8,4%), anorexígenos (6,5%) e barbitúricos (2,4%). Em torno de 80% afirmaram ter usado experimentalmente alguma droga ilícita. As meninas usaram principalmente medicamentos e os meninos drogas ilícitas, álcool e tabaco. As crianças albergadas por atos infracionais mostraram uso significativamente mais freqüente de álcool, maconha, cocaína e solventes. A idade de início do álcool e tabaco ocorreu antes dos 12 anos; maconha e solventes, antes dos 13, e cocaína, antes de completar 14, em média. Verificou-se alta freqüência de uso concomitante de drogas lícitas e ilícitas por esta população. CONCLUSÕES: A prevalência de experimentação e uso de drogas entre crianças e adolescentes institucionalizados é alta e precoce. As drogas lícitas foram usadas mais precocemente que as ilícitas. Indivíduos do sexo masculino e albergados por atos infracionais apresentam maior probabilidade de já terem utilizado drogas ilícitas.
Uma visão crítica das políticas de descriminalização e de patologização do usuário de drogas
NASCIMENTO, Ari Bassi , 2006

Psicologia em Estudo
Concorda-se que conseqüências da manufatura, síntese, tráfico e uso de drogas resultem em ameaça ao bem-estar
coletivo. Todavia, o Estado dispõe de políticas públicas que só simbolicamente previnem a materialização dessa ameaça. É
possível identificar duas políticas públicas com vistas a atenuar problemas derivados do uso de drogas. A primeira
fundamenta suas ações sobre os princípios do estatuto punitivo brasileiro, perpetuando uma afronta ao princípio da lesividade,
já que constitucionalmente a autolesão não tipifica conduta criminosa. A segunda ampara-se sobre uma abordagem de
descriminalização, mas patologiza o usuário. O objeto de ação das duas políticas é a conduta ou o usuário e ambas se
fundamentam sobre o viés filosófico da retributividade ou da máxima de que punição resulta em educação; tratando-o como
criminoso ou como doente, as conseqüências dessas políticas resultam em robustez da economia da droga e iatrogenia do mal
a ser tratado
A SUPREMA CORTE NORTE-AMERICANA E O JULGAMENTO DO USO DE HUASCA PELO CENTRO ESPÍRITA BENEFICENTE UNIÃO DO VEGETAL (UDV). COLISÃO DE PRINCÍPIOS: LIBERDADE RELIGIOSA V. REPRESSÃO A SUBSTÂNCIAS ALUCINÓGENAS. UM ESTUDO DE CASO
GODOY, Arnaldo Sampaio de Moraes, 2006
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Revista Jurídica
 
Drogas: famílias que protegem e que expõem adolescentes ao risco
HORTA, Rogério Lessa e outros, 2006

Jornal Brasileiro de Psiquiatria
OBJETIVO: Este estudo tem por objetivo avaliar o consumo de substâncias psicoativas (bebidas alcoólicas, tabaco e drogas ilícitas) por adolescentes do município de Pelotas (RS), de acordo com a presença de pai e/ou mãe no domicílio e o hábito de fumar ou não de ambos.
MÉTODOS: Foi realizado, em 2002, um estudo transversal na área urbana de Pelotas. Empregou-se amostragem em múltiplos estágios para se obter uma amostra de adolescentes entre 15 e 18 anos de idade. As entrevistas foram realizadas com questionário auto-aplicado.
RESULTADOS: A coabitação de pais ou mães e adolescentes parece reduzir significativamente as chances de os adolescentes consumirem tabaco, diminuir discretamente para drogas ilícitas e não tem influência em relação ao consumo de bebidas alcoólicas.
CONCLUSÃO: O tabagismo de pais e mães parece aumentar as chances de os adolescentes fumarem. Não houve interação entre as duas variáveis em relação ao consumo de qualquer das substâncias estudadas.
O perfil dos usuários do CAPSad-Blumenau e as políticas públicas em saúde mental
DE FARIA, Geovane Gomes e SCHNEIDER, Daniela Ribeiro, 2009
Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, Brasil
Psicologia & Sociedade
O momento é emblemático para as políticas públicas em saúde no Brasil, pois os novos modelos de
atenção, que rompem com a lógica da psiquiatria tradicional, já estão implementados, mas sua legitimação e consistência
teórico-metodológica precisam ainda ser consolidadas na práxis coletiva. Dessa forma, o objetivo deste
estudo é estabelecer reflexões sobre as práticas nos novos dispositivos de atenção à saúde, como os CAPS – Álcool
e Drogas e sua relação com as políticas realizadas pelo Ministério da Saúde. Sustentado em estudo do tipo exploratório
descritivo, baseado na análise de 1122 prontuários do CAPSad da cidade de Blumenau-SC, nos anos de 2005
e 2007, o presente trabalho traçou o perfil dos usuários desse serviço. Utilizaram-se análises estatísticas univariadas
e bivariadas. Estabeleceram-se discussões entre os dados obtidos e as proposições da Reforma Psiquiátrica.
A promoção da saúde enquanto estratégia de prevenção ao uso das drogas
BÜCHELE, Fátima; COELHO, Elza Berger Salema; LINDNER Sheila Rubia., 2009

Ciência & Saúde Coletiva
Este artigo descreve a promoção da saúde e prevenção ao uso das drogas, revisando abordagens, conceituações, sem especificar sua classificação, sejam elas lícitas ou ilícitas. Tem como objetivo descrever a prevenção ao uso de drogas e levantar aspectos pertinentes ao uso indevido na construção de uma estratégia de promoção da saúde. A atenção sobre drogas no Brasil tem investido na formulação de políticas de promoção, proteção e recuperação da saúde; porém, enfoques mais humanizados, intersetoriais, descentralizado, democrático e participativo necessitam de implementações. Essa revisão mostra a necessidade de ampliar discussões sobre a promoção da saúde e a prevenção ao uso das drogas, envolvendo educadores, pais, comunidade, num processo estruturado composto de múltiplas facetas, que integre e comprometa instituições e setores na co-responsabilidade de promover e prevenir a saúde da população neste sentido. Mostra também nossa preocupação em percorrer caminhos que contribuam para implementar políticas públicas na questão da drogadição.
Políticas de drogas: prevención, participación y reducción del daño (a). Drug Policies: prevention, participation and harm reduction
ROMANÍ, Oriol , 2008
Universidad Nacional de Lanús
Salud Colectiva
Este texto, después de una introducción al campo de las drogas, se inicia con el abordaje del concepto de prevención general, desde la perspectiva teórica de La antropología médica, para después abordar, de forma más específica, la prevención em dicho campo. Tanto en un nivel como en el otro, la participación de los propios interesados se revela como un elemento clave para su posible eficacia. Para ejemplificar la discusión se analizarán las aportaciones preventivas de los programas de reducción del daño en distintos ámbitos geográficos y temáticos como son, en este último caso, el de los consumos endovenosos de adultos socialmente "marginales" y el de los consumos de jóvenes "integrados" en contextos de ocio nocturno. En la última parte se plantea la necesidad de incorporar técnicamente la participación en las políticas y programas preventivos en el campo de las drogas, así como de ir creando un marco general más coherente con la potenciación de dicha participación que el predominante en la actualidad; para finalizar con unas reflexiones acerca del alcance teórico-político del concepto de reducción del daño.
Adolescência, drogadição e políticas públicas: recortes no contemporâneo
RAUPP, Luciane; MILNITSKY-SAPIRO, 2009

Estudos de Psicologia (Campinas)
O abuso de drogas por adolescentes é, atualmente, um grave problema de saúde pública, com consequências potencialmente danosas à sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento. Visando aprofundar essa questão, este trabalho investigou três instituições que recebem adolescentes usuários de drogas para tratamento. Buscou-se compreender as concepções que norteiam as práticas de tratamento nesses serviços, assim como as formas pelas quais as principais políticas públicas que prescrevem o campo estão (ou não) presentes nesses locais. A descrição etnográfica foi utilizada como método de investigação, seguida da análise de conteúdo dos diálogos informais, consultas documentais e entrevistas realizadas com profissionais e adolescentes nos locais pesquisados. Os resultados apontam uma defasagem entre o que é prescrito pelas políticas e a realidade dos serviços, ressaltando a importância de intervenções que considerem as peculiaridades da adolescência, assim como a singularidade de cada sujeito.
Uso da maconha e suas representações sociais: estudo comparativo entre universitários
COUTINHO,Maria da Penha de L.; DE ARAÚJO,Ludgleydson Fernandes; GONTIÈS,Bernard, 2004

Esta pesquisa teve como objetivo comparar as representações sociais dos universitários concluintes de cursos das áreas
tecnológica, da saúde e jurídica acerca do uso da maconha. Dela participaram 60 universitários, de ambos os sexos, com idade entre
22 e 30 anos. Foram utilizados como instrumento entrevistas semi-estruturadas e o material coletado categorizado através da análise de
conteúdo temática de Bardin (1977). Os dados obtidos entre os universitários possibilitaram representações consensuais e
particularidades de acordo com os campos de atuação profissional. Os universitários de direito objetivaram suas representações com
base nas questões legais e sociais; os de saúde, nas concepções médico-orgânica e psicossocial; e os de tecnologia fundamentaram
suas representações em elementos psicossociais. Conclui-se haver a necessidade da formulação/mudança de estratégias que sirvam de
subsídios/dados à formação de profissionais, principalmente das áreas de saúde e jurídica, para serem aplicados nas suas práticas
futuras de intervenção junto aos usuários de drogas e seus familiares, bem como na implementação de políticas públicas de educação e
promoção da saúde.
A história da maconha no Brasil
CARLINI, Elisaldo Araújo , 2006

Jornal Brasileiro de Psiquiatria
A história da maconha no Brasil tem seu início com a própria descoberta do país. A maconha é uma planta exótica, ou seja, não é natural do Brasil. Foi trazida para cá pelos escravos negros, daí a sua denominação de fumo-de-Angola. O seu uso disseminou-se rapidamente entre os negros escravos e nossos índios, que passaram a cultivá-la. Séculos mais tarde, com a popularização da planta entre intelectuais franceses e médicos ingleses do exército imperial na Índia, ela passou a ser considerada em nosso meio um excelente medicamento indicado para muitos males. A demonização da maconha no Brasil iniciou-se na década de 1920 e, na II Conferência Internacional do Ópio, em 1924, em Genebra, o delegado brasileiro Dr. Pernambuco afirmou para as delegações de 45 outros países: "a maconha é mais perigosa que o ópio". Apesar das tentativas anteriores, no século XIX e princípios do século XX, a perseguição policial aos usuários de maconha somente se fez constante e enérgica a partir da década de 1930, possivelmente como resultante da decisão da II Conferência Internacional do Ópio. O primeiro levantamento domiciliar brasileiro sobre consumo de psicotrópicos, realizado em 2001, mostrou que 6,7% da população consultada já havia experimentado maconha pelo menos uma vez na vida (lifetime use), o que significa dizer que alguns milhões de brasileiros poderiam ser acusados e condenados à prisão por tal ofensa à presente lei. No presente, um projeto de lei foi aprovado no Congresso Nacional propondo a transformação da pena de reclusão por uso/posse de drogas (inclusive maconha) em medidas administrativas.
Políticas e leis sobre drogas ilícitas no Brasil e a perspectiva de familiares e pessoas próximas a usuários de drogas: estudo na Cidade de Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
Carla Aparecida Arena Ventura; Bruna Brands; Edward Adlaf; Norman Giesbrecht; Laura Simich; Maria da Gloria Miotto Wright; Paulo Sérgio Ferreira, 2009

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.17 no.spe Ribeirão Preto 2009
A legislação brasileira sobre drogas evoluiu de um sistema proibicionista para um sistema menos repressor no que diz respeito aos usuários de drogas. O objetivo desta pesquisa foi identificar a percepção dos familiares e pessoas próximas a usuários de drogas da cidade de Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil, sobre as leis e políticas relacionadas às drogas no país. Os dados foram coletados através de questionário estruturado e a amostra foi constituída por 100.
Familiares e pessoas conhecidas de usuários de drogas ilícitas: recorte de opiniões sobre leis e políticas públicas de uma comunidade da Zona Oeste do Rio de Janeiro, Brasil
Jaqueline da Silva; Bruna Brands; Edward Adlaf; Norman Giesbrecht; Laura Simich; Maria da Gloria Miotto Wright, 2009
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Rev. Latino-Am.Enfermagem vol.17 no.spe Ribeirão Preto 2009
Este artigo é parte do estudo "Uso de drogas ilícitas em sete países latino-americanos e Canadá: perspectivas críticas de familiares e pessoas conhecidas" (7LACC) que investigou quatro domínios: fatores protetores e de risco, iniciativas de prevenção, unidades de tratamento e leis e políticas. Apresenta uma seção dos resultados baseados em quatro itens do domínio leis e políticas - como percebidas por familiares e pessoas conhecidas de usuários de drogas ilícitas, residentes na comunidade, recrutados em unidades urbanas de cuidados primários à saúde, localizadas na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro. Trata-se de estudo corte temporal, multimétodos que entrevistou 100 adultos maiores de 18 anos, cognitivamente saudáveis. Resultados e conclusões chave foram o não atendimento dos princípios fundamentais da legislação do Sistema Único de Saúde (SUS)/Lei 8.080/90 e a equivocada aplicação das leis e políticas públicas sobre drogas ilícitas.
Uso e Tráfico de drogas ilícitas: Um estudo sobre sua relação com a criminalidade em Feira de Santana
Walter Fernandes Junior, 2010
Universidade Estadual de Feira de Santana
Universidade Estadual de Feira de Santana
Este trabalho monográfico trata da problemática do Uso e Tráfico de Drogas, como realidade vivenciada universalmente e fenômeno gerador de violência e descontrole social.Nesse sentido, apresenta-se a temática buscando entender a relação do uso e tráfico de drogas e sua influência na criminalidade, buscando através de dados disponibilizados pela Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes(DTE), estabelecer se há relação do uso e tráfico de drogas com a criminalidade no município de Feira de Santana. Trata-se de um estudo de caráter descritivo, na abordagem qualitativa, que tem como objetivo compreender de que forma o uso e o tráfico de drogas está associada à criminalidade, retratando neste ínterim o perfil do tráfico de drogas no município de Feira de Santana. Para tanto, procedeu-se à escuta de quatro detentos do Conjunto Penal de Feira de Santana e de três policiais da DTE, buscando analisar, através dos discursos dos entrevistados, possibilidades de correlação entre o tráfico e a criminalidade, a prática policial no enfrentamento ao tráfico de drogas.Utilizou-se como técnica de coleta de dados a entrevista semi-estruturada e a observação descritiva e para tratamento dos dados foi utilizada a análise de conteúdo.Os resultados mostraram a influência significativa do uso e tráfico de drogas na prática de outros delitos, entre os quais se identificou como os de maiores índices os crimes contra o patrimônio, seguidos de homicídio, este último um mecanismo de controle do comércio de drogas e de cobranças dos usuários devedores.Conclui-se ainda que uso de drogas torna o usuário um refém e fomenta a prática de furtos de objetos e de violência intrafamiliar. A análise dos dados da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes de Feira de Santana demonstraram que a maior parte do tráfico de drogas na cidade é pratica por jovens entre 18 e 24 anos, do sexo masculino e, juntamente às entrevistas, permitiu concluir que existe, de fato, uma estreita relação entre o uso e o tráfico de drogas com a criminalidade
Narcóticos Anônimos: Um Estudo Sobre Estigma e Ritualidade
LOECK, Jardel Fischer, 2006
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Reunião Brasileira de Antropologia
 
Toxicomania: Movimentos de uma clínica
RÊGO, Marlize, 2009
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
CETAD
 
Follow-up em saude mental de pessoas que experimentam pela primeira vez a Ayahuasca em contexto religioso
BARBOSA, Paulo Cesar Ribeiro , 2008
Faculdade de Ciências Médicas
Universidade Estadual de Campinas.
Este trabalho objetivou a realização de uma avaliação em saúde mental de pessoas que usam a beberagem psicodélica ayahuasca nos contextos rituais do Santo Daime ou da União do Vegetal, e dá continuidade ao estudo anterior que avaliou 28 sujeitos, 4-2 dias antes do primeiro uso da ayahuasca e 1-2 semanas após. Na presente fase, são apresentados resultados de um follow-up que avalia 23 daqueles sujeitos (15 do Santo Daime e 8 da União do Vegetal) 6 meses após o primeiro uso da beberagem psicoativa. Os métodos consistiram na integração de procedimentos qualitativos e quantitativos de avaliação, incluindo entrevistas semi-estruturadas para avaliar comportamentos relativos a aspectos psicossociais, busca por outras agências religiosas e terapêuticas e envolvimento nos processos do Santo Daime e UDV. Foram usados também instrumentos padronizados para avaliar sintomas psiquiátricos menores, qualidade de vida e traços de personalidade. As variáveis independentes consistiram na freqüência do uso da ayahuasca e no período de wash-out na avaliação de seis meses. Como principais resultados, se destacam a repetição do uso da ayahuasca por 74% e a filiação a uma das denominações religiosas (União do Vegetal) por 17% dos sujeitos. A integração de insight pessoal e religioso associado à ayahuasca foi relatada por 43% da amostra. As entrevistas qualitativas identificaram melhoras comportamentais em 65% dos sujeitos, dos quais 43% as associaram à ayahuasca. Os 22% dos sujeitos que referiram mudanças comportamentais negativas não as associaram ao psicoativo. Comparações com os resultados das avaliações feitas 4-2 dias antes do primeiro uso da ayahuasca revelaram que nos 6 meses seguintes houve uma significativa diminuição na intensidade dos sintomas psiquiátricos no grupo do Santo Daime, mas não na amostra geral. Os sujeitos do Santo Daime apresentaram também traços mais confiantes e otimistas de personalidade. O grupo da União do Vegetal apresentou diminuição da dor física e diminuição de traços de personalidade relacionados à dependência de gratificação. Esta última foi correlacionada positivamente com a freqüência do uso da ayahuasca e correlacionada negativamente com o período de wash-out
Contrastes e continuidades em uma tradição Amazonica : as regiões da Ayahuasca
GOULART, Sandra Lucia, 2004
Programa de Pós-Graduação em Filosofia e Ciências Humanas
UNIVERSIDADE ESTADUAL
DE CAMPINAS
A presente tese enfoca a comparação entre religiões distintas de uma mesma tradição, identificadas aqui como cultos ayahuasqueiros, por se caracterizarem pela utilização ritual da bebida psicoativa ayahuasca, denominada de Daime ou Vegetal nos casos pesquisados. Esta tradição é dividida em linhas, segmentos, centros, núcleos e igrejas. Trata-se de três grandes linhas (Santo Daime, Barquinha e União do Vegetal), com suas várias fragmentações internas. A perspectiva comparativa tem como objetivo captar os contrastes e as semelhanças entre os diferentes grupos da mencionada tradição, procurando esclarecer, simultaneamente, como ela se constrói e se transforma através de um constante jogo de oposições, acusações e alianças entre esses grupos. Por isso, privilegiamos, na tese, a análise de eventos de crise e conflitos que envolvem os adeptos das três linhas religiosas enfocadas.
A reinvenção do uso da ayahuasca nos centros urbanos
LABATE, Beatriz Caiuby, 2000
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS
As religiões ayahuasqueirasbrasileiras, sobretudo a União do Vegetal (UDV) e o Santo Daime, vêm se espalhando pelos grandes centros urbanos brasileiros a partir das décadas de 70 e 80, respectivamente, e por outros países, sobretudo desde o final da década 80. Um desdobramento deste processo é o surgimento de novas modalidadesurbanas de consumo da ayahuasca: pequenos grupos experimentais que utilizam a bebida em atendimento psicoterapêutico em vivências no universo neuJage, em contextos relacionado às artes, como no teatro e na música, ou mesmo atividades com os moradores de rua da cidade de São Paulo (SP). Estes pequenos grupos em formação foram denominados neo-ayahuasqueiros. Tais sujeitos vivem uma tensão entre, por um lado, rejeitar os modelos religiosos tradicionais das matrizes ayahuasqueiras disponíveis e, por outro, não cair no uso representado como profano de drogas. São então fabricados novos tipos de rituais e elaborados discursiva e simbolicamente referenciais filosóficos, existenciais, terapêuticos e mesmo religiosos, que introduzem rupturas significativas no universo de consumo da ayahuasca no Brasil. Neo-ayahuasqueiros estão inseridos numa rede urbana de consumo da ayahuasca, onde há uma circulação constante de informações, conhecimentos, pessoas, substâncias e capital. Esta rede faz parte do campo ayahuasqueiro brasileiro que interliga os diversos grupos tidos como tradicionais (Alto Santo, CEFLURIS, Barquinha e UDV) e atravessa em alguns casos nossas fronteiras, atingindo curandeiros peruanos ou mesmo modernos curandeiros oriundos de países do primeiro mundo. Estas novas modalidades urbanas de consumo da bebida de origem amazônica estão ligadas a processos mais amplos que vêm ocorrendo na modernidade. A dissertação é principalmente um estudo de caso de um neo-ayahuasqueiro, o terapeuta holístico Janderson, coordenador de um centro erapêutico na cidade de São Paulo e líder de um grupo chamado de Caminho do Coração. Completamos essa etnografia com um panorama de outras tendências ayahuasqueiras urbanas, visando fornecer uma contribuição para a compreensão do campo ayahausqueiro brasileiro em suas contínuas reinvenções, assim como a respeito da natureza e dinâmica das novas religiosidades urbanas.
Os trajetos do êxtase dissidente no fluxo cognitivo entre homens, folhas, encantos e cipó: uma etnografia ayahuasqueira nordestina
LIRA, Wagner Lins, 2009
Centro de Filosofia e Ciências Humanas - Programa de Pós-Graduação em Antropologia
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
O fenômeno ritual da bebida xamânica ayahuasca revela inúmeras potencialidades
místicas, afetivas e culturais. Nossas urbes contemporâneas elaboram distintas
configurações diante do alcance divinal promovido pela ingestão de tal infusão, oriunda
dos antigos povos andinos. O uso do chá expandiu-se nos centros urbanos, por
intermédio das principais linhas religiosas ayahuasqueiras brasileiras (daimista e
udevista), responsáveis pela propagação de suas doutrinas pelo país e pelo mundo,
construindo e ajudando a ampliar uma rede de relações formada a partir da ritualização
deste enteógeno. Atualmente, observa-se o surgimento de novos grupos, que
reinterpretam e dão continuidade à tradição, mesmo afastados das instituições ditas
“originais”. Estes são os dissidentes, pois seguem um caminho próprio na comunhão do
chá das florestas, permanecendo com a tradição, apesar da série de conflitos e acordos
inerentes à legitimação de suas ações simbólicas e rituais. O direcionamento dos
trabalhos espirituais permanece norteado pelos ensinos doutrinários elaborados pelos
antigos mestres daimistas e ou udevistas, relembrados, reelaborados e cotidianamente
adaptados às realidades dessas irmandades. A sacralidade da infusão continua atuante,
de forma que, o alcance divinal promovido pela mesma não foge às atmosferas místicas
e ritualísticas, de onde emergem padrões de consumo, que auxiliam os adeptos tanto no
lidar com a experiência de adentrar no mundo da ayahuasca, quanto em tirar proveito
dessas jornadas astrais, em prol da reformulação contínua de atos e conceitos inerente
ao contato com o sagrado. Cabe à antropologia urbano-contemporânea o registro
consciente dessas dissipações, no fortuito intuito de desmistificar àquilo que se ignora
por não se conhecer. Cabe às ciências sociais como um todo tentar acompanhar e
compreender o motivo da busca por tais práticas, aparentemente distantes, assim como o
motivo que leva essas pessoas a se mobilizarem diante da construção de um novo grupo
ayahuasqueiro, conseguindo produzir o próprio chá e ajudando, dessa forma, a dar
continuidade e amplitude à tradição, com responsabilidade, a partir de suas necessidades
e realidades materiais e espirituais. Dois núcleos nordestinos foram visitados para tal
análise etnográfica: a Sociedade Espiritualista União do Vegetal, localizada no
município de Riacho das Almas (PE) e o Centro de Harmonização Interior Essência
Divina, situado em Riacho Doce (AL). Ambos dissidentes, mas derivados das antigas
matrizes ayahuasqueiras. Ao longo dessa dissertação, direcionaremos nosso olhar tanto
à mobilização desses dois grupos, quanto às suas interpretações simbólicas a respeito
dos fenômenos presenciados em cada sessão ou trabalho, nos quais os fiéis se reúnem
na comunhão desse chá sagrado que, para esses religiosos, é um ser vivo, divino, com
poder, vontade própria, exigência e sabedoria.
Images of healing: spontaneous mental imagery and healing process of the baraquinha, a brazilian ayahuasca religious system.
MERCANTE, Marcelo Simão, 2006
Saybrook Graduate School and Research Center
Saybrook Graduate School and Research Center
This dissertation investigated the hypothesized interdependent nature of subjective and objective elements of conscious experience within a spiritual context. This was done by studying the spontaneous mental imagery (the mirações) of people under treatment in the Centro Espírita Obras de Caridade Príncipe Espadarte (the Center). The Center is a congregation of the Barquinha, a Brazilian syncretic religious system that uses the psychoactive beverage Ayahuasca (locally called Daime) as a sacrament. The ethnographic method, involving experiential observation of the religious and symbolic universe of the Center, was used for investigating the Centers history, the healing techniques implemented during rituals, the concepts of healing and sickness among healers and patients, and the relationship between mirações and the healing process. Several narratives about mirações and healing experiences were collected on site, and five were analyzed more carefully. The conjunction of ingestion of Daime and the participation in the ceremony appeared to reliably promote the occurrence of the mirações. These were considered by the participants as a process of inner perception, the moment when different entities (physical body, thoughts, feelings, culture, emotions, mind, soul, spiritual space, etc.) become connected within their conscious awareness. The experience of mirações was considered to be the source of healing. At the Center, sickness is considered to have a spiritual source, being understood as an unbalance of forces. Healing is considered to be accomplished when one puts oneself into a hypothetical current of healing energy that is felt during the ceremonies. Mirações mediated and made conscious a coherent and workable whole that encompassed the ritual, the Daime, the processes of self-transformation/ knowledge/ exploration, elements of the individuals consciousness and physiological condition, and factors in a spiritual space. Mirações were believed to occur in a spiritual space, thought to be nonmaterial and multidimensional, nesting and informing the material world. This spiritual space is perceived as basic, generating dispositions, intentions, and meanings, and as containing within it the physical and psychological levels of existence. The exploration of that space during a ceremony was considered to accelerate ones spiritual development.
Entre a rosa e o beija-flor: um estudo antropológico de trajetórias na União Vegetal (UDV) e no Santo Daime
GREGANICH, Jéssica, 2010
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Dentro dos "novos movimentos religiosos" encontramos as religiões ayahuasqueiras brasileiras União do Vegetal (UDV) e o Santo Daime. Essas duas religiões se baseiam no uso do chá psicoativo ayahuasca, conhecido como vegetal e daime, respectivamente. Tiveram início na região amazônica e estão presentes nos centros urbanos em praticamente todo o Brasil e em outros países, a partir de uma difusão configurada no contexto da "nova consciência religiosa". Este contexto é marcado por uma pluralidade religiosa referente a uma tradição de ecletismo e circularidade. Esta intensa mobilidade e circulação das pessoas entre diferentes experiências espirituais está calcada numa dinâmica de conversões, desconversões e reconversões típico da bem emprega metáfora do peregrino de Hervieu-Léger (1999). Numa pesquisa etnográfica centrada na União do Vegetal (UDV) e no Santo Daime de Porto Alegre/Grande Porto Alegre (RS) buscou-se através de um estudo comparativo e de análise de trajetórias compreender como os fiéis conjugam mobilidade e fidelidade religiosa focalizando os processos de conversão, desconversão e reconversão, partindo da hipótese de que o processo de conversão estaria ligado a uma interface entre a "estrutura" e a experiência religiosa com base na perspectiva da "butinage religiosa" proposta por Edio Soares (2009), num contraponto a idéia de "bricolage". A "tradução" da pesquisa foi construída com base numa metáfora que representa a simbologia nativa: a rosa e o beija-flor. Para a UDV a rosa representa o chá ayahuasca e o beija-flor simboliza o Espírito Santo para os daimistas, representado no próprio espírito dos mestres fundadores da doutrina.
Em busca da santa luz: um estudo sobre a experiência do êxtase místico-religioso na comunidade do santo daime
SILVEIRA, Tamara Christine Carneiro , 2007
Universidade Federal de Juiz de Fora
Universidade Federal de Juiz de Fora
Esta dissertação visa estudar o significado das manifestações do êxtase místico-religioso na comunidade do Santo Daime através da análise dos relatos colhidos a partir do estabelecimento de um contato com os adeptos do núcleo daimista juizforano, localizado no bairro Floresta. Ademais, procuramos constatar que influências a utilização da ayahuasca e de outros elementos ritualísticos exercem durante as cerimônias religiosas como propiciadores do êxtase, ou seja, até que ponto esses elementos são potencializadores desta experiência extática. Buscamos compreender também os sentidos outorgados pelos ayahuasqueiros às suas experiências por meio da dissecação de suas produções discursivas sobre as mirações, com o intuito de emtender o uso da ayahuasca como uma geradora do êxtase, além de enfocar o que os praticantes captam como alterações comportamentais provenientes delas. Por conseguinte, fez-se necessário adotar neste trabalho uma análise interdisciplinar do fenômeno, lançando mão do uso da fenomenologia por ser uma abordagem mais compreensiva e ter como cerne de seus estudos o enfoque da experiência religiosa, assim como o emprego da metodologia de pesquisa e de conceitos relativos ao tema propostos pela antropologia e pela sociologia, além de conceitos teológicos pertinentes ao presente estudo.
Entre terreiros e roçados: a construção da agrobiodiversidade por moradores do Rio Croa, Vale do Juruá (AC)
SEIXAS, Ana Carolina Pinto de Souza, 2008
Centro de Desenvolvimento Sustentável - Universidade de Brasília
Universidade de Brasília
Esta dissertação trata da diversidade de plantas cultivadas por famílias habitantes das margens e arredores do rio Croa, Vale do Juruá, estado do Acre. Ela tem como objetivo analisar as formas de manejo, uso, conservação e circulação das espécies e variedades agrícolas entre os moradores da comunidade do Croa. Foram realizadas duas expedições a campo, cada uma com dois meses de duração. Foram levantados os dados sobre a origem, o uso e a história das plantas cultivadas e feito o mapeamento dos espaços agrícolas onde estas ocorrem. O levantamento foi realizado junto a 19 famílias da comunidade. O cruzamento dos dados sobre a diversidade agrícola com as histórias de vida e as genealogias dos moradores permitiu entender as trajetórias sociais e espaciais nas quais se inserem essas plantas cultivadas bem como a organização espacial das moradias e as formas locais de acesso à terra e aos seus recursos. Pôde-se constatar uma elevada diversidade agrícola, sobretudo nos espaços adjacentes à casa com numerosas plantas ornamentais. Já os roçados, cujo principal cultivo é a mandioca (ou roça), manejados por meio de corte e queima da vegetação, são constituídos por um número mais restrito de espécies e variedades, ainda que algumas plantas sejam conservadas dentro da capoeira até uma nova derrubada. Dois novos cultivos estão emergentes nessas comunidades: o da rainha (Psychotria sp.) e o do jagube (Banisteriopsis caapi) para produção do chá ayahuasca. Estas plantas de valor religioso e simbólico representam atualmente fonte de renda significativa para os moradores da região. Os dados obtidos permitem uma análise do estado da agrobiodiversidade no Croa e aponta para possíveis mudanças frente à pavimentação da BR-364, com uma maior ligação aos pólos de agrobusiness e à futura transformação da área do Croa em reserva extrativista.
Tambores para a rainha da floresta: a inserção da umbanda no Santo Daime
JUNIOR, Antonio Marques Alves, 2007
Mestrado em Ciências da Religião - Pontifícia Universidade de São Paulo
Pontifícia Universidade de São Paulo
A presença da Umbanda dentro do Santo Daime, verificada no conjunto de preceitos e ritos que compõem a cosmovisão daimista, adquiriu visibilidade a partir dos anos oitenta, no bojo da expansão que levou esta religião para fora dos limites da floresta amazônica. Sob o comando de Sebastião Mota de Melo, o Santo Daime testemunhou o crescimento da importância da Umbanda em sua constelação doutrinária, a ponto de distinguir-se por ela no conjunto das religiões ayahuasqueiras, entre as quais aquelas derivadas da criação do Mestre Irineu. Na geração que corresponde à liderança do Padrinho Sebastião, um conjunto de ocorrências precipitou os elementos dispersos, mas presentes, que permitiram a recepção da Umbanda. A primeira delas resulta do impacto da chegada de um macumbeiro que fascinou a jovem comunidade daimista e seu líder espiritual com suas performances tão familiares ao nosso meio: consultas, advertências, demandas e espetáculo. Interpretava-se nos acontecimentos um embate entre as forças da Verdade e as falanges do Mal, ali representada pelo Rei dos Exus, o Tranca Rua, que ao final, sob a luz da bebida sagrada, firmou um pacto com o Santo Daime: o de ser seu defensor contra os espíritos das trevas. Imprimia-se, ainda que sem nome, o ethos umbandista no imaginário da comunidade. Os anos finais do Padrinho Sebastião foram concomitantes ao grande crescimento do Santo Daime, particularmente na cidade do Rio de Janeiro. Impregnados pelas perspectivas da cultura alternativa, que parecia fazer o elo entre a religião da mítica Floresta e a exótica Umbanda, encontraram-se a Umbanda e o Santo Daime nas pessoas de seu padrinho e de uma mãe-de-santo carioca, à frente de um grupo de discípulos que se aproximava do Santo Daime. Alguns destes discípulos viriam a cumprir papel fundamental na formatação dos ritos que expressaram esta aliança. O papel do sucessor do Padrinho Sebastião, Alfredo Gregório de Melo, seu filho, foi o de reconhecer a demanda, talvez irresistível, da Umbanda e expressá-la na criação de novos rituais, oficializando, por assim dizer, aquela inserção e presença, e a posicionando mais próxima do centro de sua floresta de crenças.
The Objectivity of Spiritual Experiences: Spontaneous Mental Imagery and the Spiritual Space
MERCANTE, Marcelo Simão, 2006
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Revista Eletrônica Informação e Cognição
Abstract The purpose of this article is to investigate the nature of spontaneous mental imagery that people experienced after ritualistically ingesting Ayahuasca. The combination of ingestion of Daime and the participation in a ceremony appear to reliably promote the occurrence of spontaneous mental imageries, referred as mirações, which were considered as a process of perception, the moment when different entities (physical body, thoughts, feelings, culture, emotions, mind, soul, spiritual space, etc.) become connected within consciousness. Mirações are believed to take place in a non-physical - although very objective - �spiritual space,� which is believed to the shared by participants in the ceremonies. The spiritual space is immaterial and multidimensional, precluding, nesting and informing the material world. The spiritual space is perceived as original, generating dispositions, intentions, and meanings, and as containing within it the physical and psychological levels of existence. The exploration of that space during a ceremony was considered a process of spiritual development.
Santo Daime - O Professor dos Professores: A Transmissão do Conhecimento através dos Hinos
OLIVEIRA, José Erivan Bezerra de, 2008
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS - PÓS-GRADUAÇÃO EM SOCIOLOGIA
Universidade Federal do Ceará
O trabalho se propõe a analisar os hinos da doutrina do Santo Daime. A hipótese central
é que eles são, ao mesmo tempo, o conhecimento em si e o veículo de transmissão desse
conhecimento. São analisados hinos que acompanham a evolução do Santo Daime
destacando três momentos de sua história: a fundação por Raimundo Irineu Serra, na
década de 30 do século passado; a consolidação por Sebastião Mota de Melo, a partir de
1971, e a expansão levada à frente por Alfredo Gregório de Melo atualmente. A partir
dos conceitos de memória social e performance, analiso os diversos tipos de rituais que
constituem o corpus da religião em questão e destaco a relação entre ensino e
aprendizagem a partir dos hinos, do transe e da performance.
Consumo de álcool, sedentarismo, transtornos mentais menores e síndrome metabólica: um estudo populacional em Salvador-Bahia
MAGALHÃES, Lucelia Batista Neves Cunha , 2007
Instituto de Saúde Coletiva - UFBA
Universidade Federal da Bahia
A síndrome metabólica (SM) é um agregado de fatores de risco cardiovasculares, incluindo obesidade visceral, nível sérico baixo de colesterol-HDL, aumento das triglicérides, hiperglicemia e pressão arterial elevada. Esta constelação de fatores de risco contribui para o desenvolvimento da doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA). A relação entre consumo de álcool e SM é pouco estudada. Este hábito é determinante de doenças crônicas ou agudas e pode estar associado a fatores de proteção e risco à saúde. Este estudo testa a hipótese da associação entre consumo leve ou moderado de álcool, comparado com consumo ausente ou excessivo, e SM, em homens e mulheres adultas, em Salvador, Bahia. Estudo transversal, de base populacional de ambos os sexos com idade 20anos. Definida pelos critérios da Fundação Internacional do Diabetes, considerando-seSM quando, na presença de obesidade abdominal (84 cm de cintura para mulheres e 88cm de cintura para homens) encontram-se dois dos seguintes critérios: hipertensão arterial (130/85mmHg), hiperglicemia (100mg/dl), hipertrigliceridemia (150mg/dl) e hipoalfalipoproteinemia (colesterol-hdl menor 40mg/dl para mulheres e menor 50 para homens). Consumo de álcool foi classificado em três categorias: uso excessivo, incluindo três ou mais doses ao dia, ou 21 ou mais doses por semana (1 dose correspondendo a 14g de etanol), uso leve/moderado ? consumo inferior ao descrito e ausência de consumo, sendo os indivíduos abstêmios, aqueles com ausência de ingesta no últimos 12 meses. A amostra final resultou em 1.333 indivíduos. Na regressão logística, a razão de prevalência ajustada do consumo extremo de álcool e a SM para as mulheres foi de 1,35 (IC 95% 0,95-1,82). Para os homens a razão de prevalência ajustada foi de 1,17 (IC 95% 0,77-1,71) Os confundidores, que se apresentaram com uma associação estatisticamente significativa foram, situação conjugal (as) para ambos os sexos. E entre os homens o sedentarismo. Entre as mulheres, houve tendência a associar abstemias e 34 consumidoras contumazes e SM. Nossos dados levantam a situação conjugal como um provável fator de risco cardiovascular. Esta variável poderá ser mais bem investigada em estudos posteriores.
Sou eu, mas não sou eu: as interações de mulheres mexicanas com o álcool
RAMÍREZ, Leticia Cortaza, 2007
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Universidade de São Paulo
O consumo de álcool na mulher é uma problemática cada dia maior devido ao aumento nos padrões de consumo e na idade precoce em que se da o início do consumo de bebidas alcoólicas. O processo de adição é complexo e afeta a mulheres de todas as classes sociais, estas mulheres vistas em uma perspectiva externa não parecem ter muitas coisas em comum, mas compartilham o consumo de álcool de maneira impulsiva. Daí surge a finalidade deste estudo que foi compreender em que momento o álcool começou a fazer parte da vida da mulher que o consome e que significado atribui para o seu consumo. Diante da natureza do problema, este foi abordado segundo a metodologia qualitativa, tendo como referencial metodológico o estudo de caso, sob a perspectiva teórica de alguns dos pressupostos do Interacionismo Simbólico. Participaram deste estudo 10 mulheres que reconheceram consumir ou ter consumido bebidas alcoólicas. A história oral temática foi a técnica utilizada para a coleta de informação. As entrevistas gravadas foram transcritas, codificadas e categorizadas tomando como referência a análise de conteúdo. A análise de dados obteve como categorias centrais: O mundo das mulheres e sua interação com os objetos que as conformam e Encadeando ações em direção ao consumo de álcool. A partir das interações se evidenciou que a perspectiva da maioria das mulheres sobre o seu mundo foi uma visão continua de eventos de maustratos e objetos (pai, mãe e marido) agressores, atribuindo significados às situações vivenciadas como: dor e sentimentos associados, como ódio, raiva, revolta e humilhação. O relacionamento conjugal da maioria foi com pessoas que consumiam álcool, as quais influenciaram seu comportamento aumentando seu consumo de bebidas alcoólicas. As relações sexuais foram complexas, pois a maioria sofreu abusos sexuais, dessa forma quando se encontravam em uma situação de intimidade com um homem reviviam a situação do abuso, o que impedia ou dificultava o encontro. No tocante aos filhos a agressividade mãe - filho colocou-as numa situação de dor quando recordavam suas agressões, reproduzindo o esquema aprendido em sua infância. Na interação consigo mesma emergem sentimentos de desvalorização pessoal ante os outros em decorrência da vida levada tanto na infância como na idade adulta, percebendo que seu status dentro da sociedade era diminuído. O consumo de álcool deu-se em geral estimulado pelos grupos de referência como: a família, os amigos, seu parceiro e colegas de trabalho. Compartilhando os significados e as perspectivas auferidas através do álcool, o consumo formava parte da cultura de todos os seus grupos de referência. Percebeu-se que o álcool permitia a expressão do seu "eu", aquele que elas queriam de fato ser; gostavam dele por que as fazia sentir-se bem, razão da continuidade do consumo, que ocorria em níveis cada vez mais elevados. Observou-se que o "eu" dessas mulheres se encontrava reprimido pelas suas vivencias no decorrer do seu desenvolvimento, consolidando um Self que era mais "mim" do que "eu", era fruto do contexto e que somente através do álcool esse "eu" podia expressar-se. Nesse momento descobriam que "sou eu, mas não sou eu" quando ingeriam álcool. Verificou-se que somente quando entram em um processo reflexivo do que havia sido a sua vida com o álcool são capazes de redirigir sua ação e pensar em alternativas de reabilitação, como a possibilidade de ser outra e deixar aflorar as potencialidades do seu "eu" sem a necessidade do álcool. A reflexão permite que descubram a possibilidade de serem elas próprias sem o álcool, enfrentando uma luta consigo mesmas nesse processo, pois a maioria das pessoas significativas que as rodeiam continua consumindo álcool.
Conexões sociológicas entre questão social e questão criminal: desigualdades, segregação sócio-espacial e delinqüência em Porto Alegre (2000-2003)
MEDEIROS, Alexandre da Silva , 2004
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Programa de Pós-Graduação em Sociologia.
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
A presente pesquisa tem como propósito objetivar uma análise acerca dos condicionantes objetivos, estruturais e institucionais que determinam a distribuição sócio-espacial de apenados, em Porto Alegre, entre os anos de 2000 e 2003. Desse modo, intenta-se construir uma reflexão sociológica que identifique os fatores que revelam maior influência no condicionamento da probabilidade de envolvimento dos indivíduos com a questão criminal. Nesta pesquisa são abordadas quatro modalidades de crime, a saber: tráfico de entorpecentes (art. 12), homicídio doloso (art. 121), furto qualificado (art.155) e roubo (art. 157). A análise é realizada a partir de uma tipologia sócio-espacial construída para Porto Alegre, em função das categorias sócio-ocupacionais predominantes nos diferentes espaços da cidade. Tal tipologia foi desenvolvida por pesquisadores do Núcleo de Estudo Regionais e Urbanos (NERU/FEE), para o estudo das desigualdades sócio-espaciais na região metropolitana e na capital. A pesquisa se justifica tanto do ponto de vista das políticas públicas de segurança, já que se propõe a fornecer uma visão mais acurada do problema do crime, quanto do ponto de vista teórico-metodológico, por abrir novas perspectivas de análise da questão criminal na cidade.
Competência social, dificuldades interpessoais e consumo de drogas em adolescentes escolares de Monterrey, N.L. México
GARCÍA, Karla Selene López, 2007
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Universidade de São Paulo
Estudo descritivo, correlacional, cujos objetivos foram realizar a adaptação transcultural para México dos instrumentos Teenagee Inventory of Social Skills (TISS) e o Cuestionario de Evaluación de Dificultades Interpersonales en la Adolescencia (CEDIA) e identificar as características pessoais, familiares e sociais (competência social e dificuldades interpessoais) que podem influenciar o consumo de drogas em adolescentes escolares de Monterrey, N. L. México. Seguiram-se as etapas metodológicas para a adaptação transcultural: 1) Tradução, 2) Retrotradução, 3) Revisão por um comitê de especialistas 4) Aplicação de uma prova piloto e analise das propriedades psicométricas de validação e confiabilidade dos instrumentos TISS e CEDIA, numa amostra de 1.221 estudantes de ensino fundamental. Os resultados encontrados mostraram que o instrumento TISS é uma ferramenta confiável na avaliação da competência social, obtendo-se valores de consistência interna aceitáveis ao aplicar-se em adolescentes escolares mexicanos. As Inter-correlações entre as subescalas de conduta pró-social e anti-social demonstraram ser negativas e estatisticamente significativas, o que confirma a existência de domínios de condutas diferentes, além de verificar a existência de dois fatores através da análise fatorial aplicada ao instrumento TISS. Em relação ao Questionário CEDIA, encontraram-se adequadas propriedades psicométricas, elevada confiabilidade e valores aceitáveis do coeficiente Alpha de Cronbach para a escala total e cada uma das subescalas de dificuldades interpessoais (assertividade, relações heterossexuais, falar em público, relações familiares e relações com amigos), indicaram-se coeficientes de correlação positivos e significativos entre as subescalas; e se afirmou a natureza multidimensional do questionário CEDIA. Por outro lado, apresentaram-se diferenças significativas da conduta pró-social e antisocial segundo sexo, idade e escolaridade. Além de encontrar diferenças das dificuldades interpessoais segundo sexo e idade nos adolescentes. Em relação ao consumo de drogas legais alguma vez em sua vida, mais do 40,0% consumiu bebidas alcoólicas, 36,2% consumiu tabaco. Sobre às drogas ilegais, assinalou-se que 2,4% usaram inalantes, 2,0% experimentaram maconha e 0,8% consumiram cocaína alguma vez em sua vida. Não se encontraram diferenças de consumo de drogas por sexo. No entanto encontraram-se diferenças de consumo de tabaco nos adolescentes escolares por idade, escolaridade e ocupação e ou viver ou não com o pai. Identificou-se que mais do 80,0% apresentava muito baixa dependência de consumo de tabaco através do questionário FAGESTROM. Em relação ao consumo de álcool, os homens mostram mais alta proporção de consumo atual, destacando-se diferenças de consumo por idade e escolaridade. O instrumento AUDIT mostrou que mais do 30,0% apresentava consumo de álcool em risco, 14,8% dos participantes apresentaram sintomas de dependência e 29,7% manifestavam danos relacionados ao consumo de álcool. Em relação ao consumo de drogas ilegais não se apresentaram diferenças nas variáveis do estudo. Observou-se que quanto a maior conduta pró-social menor é o consumo de drogas nos adolescentes. Encontrou-se relação da conduta anti-social com o consumo de álcool e drogas ilícitas. As dificuldades interpessoais não apresentaram relação com o consumo de drogas. As variáveis que têm a probabilidade de predizer o consumo de tabaco, são idade, sexo, conduta anti-social, dificuldades interpessoais para falar em público e relações heterossexuais. Referente ao consumo de álcool, as variáveis que predizem o consumo são idade, sexo, escolaridade, conduta anti-social, dificuldades interpessoais na assertividade, relações heterossexuais, relações familiares e relações com amigos. Mostrou-se que a conduta anti-social é a única variável que tem a probabilidade de predizer o consumo de drogas ilícitas nos adolescentes escolares.
Incidência de hipertensão arterial pelo consumo de álcool : é modificável pela raça?
STEFFENS, André Avelino, 2005
Programa de Pós-graduação em Cardiologia e Ciências Cardiovasculares - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
A associação entre consumo de bebidas alcoólicas e a incidência de hipertensão pode ser dependente do padrão de consumo e raça. Em um estudo de coorte de base populacional, foram entrevistados no domicílio 1089 adultos, selecionados ao acaso. A pressão arterial e medidas antropométricas foram aferidas de acordo com recomendações padronizadas. A quantidade de álcool consumida foi avaliada por um questionário de quantidade-freqüência. Binge drinking foi definido pelo consumo de 5 ou mais drinques em uma ocasião para homens ou 4 drinques para mulheres, e abuso de álcool, por consumo de 30 ou mais gramas por dia em homens ou 15 g ou mais em mulheres. Os entrevistadores classificaram a cor da pele dos participantes em brancos e não-brancos. Casos incidentes de hipertensão foram caracterizados por PA ¿ 140/90 mmHg ou uso de medicamento anti-hipertensivo. A razão de risco (RR) para incidência de hipertensão arterial foi computada em modelo de Cox. Entre os 589 indivíduos normotensos na entrevista basal, foram identificados 127 casos incidentes de hipertensão, após um seguimento de 5,6 ± 1,1 anos. Não houve associação de binge drinking e dependência de álcool (CAGE) com a incidência de hipertensão. A RR ajustada (idade, educação) para a incidência de hipertensão (IC 95% ) foi significativa apenas para indivíduos não-brancos que consumiam 30 g ou mais de etanol por dia: 7,3 (1,4 - 39,3). A pressão arterial sistólica aumentou entre os abusadores não brancos 16,1 ± 3,5 mmHg, em comparação com 4,9 ± 1,5 mmHg entre os abusadores brancos (P= 0,004). Indivíduos com ancestrais africanos que consumisam grandes quantidades de álcool apresentaram maior risco de desenvolverem hipertensão arterial. Este risco não foi explicado por binge drinking ou dependência de álcool.
O direito ao uso de enteógenos
TEIXEIRA, Eduardo Didonet, 2007
Faculdade de Direito
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Este trabalho se propõe a analisar o regime jurídico pertinente aos usuários de substâncias psicoativas em situações ritualístico-religiosas. Constatou-se, desde o início, que o uso de drogas na sociedade contemporânea difere substancialmente do uso feito por certas religiões. Enquanto na sociedade em geral o uso de drogas se da de maneira recreacional e aditiva, o uso religioso esta associado ao sagrado, à contemplação e ao auto-conhecimento. Para além dos preceitos constitucionais de liberdade de crença e saúde, o permissivo legal da nova lei de drogas, n 11.343/2006, permite concluir que existe uma categoria especial de usuários; trata-se de uma atipicidade cuja prática possui amparo constitucional e de lei ordinária. Por exemplo, o uso religioso de substâncias psicoativas consideradas sagradas se aproxima do direito à saúde, já que o consumo dessas substâncias está, para esses usuários, associado a cura, bem estar e qualidade de vida. Foi abordado o uso dessas substâncias não só por religiões mais tradicionais, mas também por integrantes do movimento Nova Era e por usuários localizados em centros urbanos. Nessa perspectiva, indagou-se o papel da ANVISA como agência reguladora e órgão responsável por emitir a norma técnica definidora das substâncias de uso restrito ou proibido no Brasil. A questão do déficit democrático das agências reguladoras em geral deve ser suprida principalmente pela utilização da audiência publica. Por fim, chegou-se à conclusão de que, ate o presente momento, os mecanismos auto-regulatórios das religiões usuárias de enteógenos são suficientes para evitar o uso abusivo dessas substâncias.
Construção e validação de escalas para medida de crenças e de percepção de controle do consumo de bebidas alcoólicas.
FARNESI, Carla Costa, 2009
Programa de Pós-graduação em Psicologia - Instituto de Psicologia da Universidade Federal de Uberlândia
Universidade Federal de Uberlândia
Através da validação de instrumentos de medida de variáveis psicossociais, este estudo visou ampliar o conhecimento sobre o papel de fatores cognitivos relacionados ao consumo de álcool e teve como objetivos principais: (a) construir e validar a Escala de Benefícios e Barreiras percebidos em Evitar o Consumo de Bebidas Alcoólicas para amostras brasileiras, (b) adaptar e validar uma versão da escala DRIE (Drinking Related Internal-External Locus of Control Scale) para amostras brasileiras, (c) testar a capacidade de predição das crenças e percepção de controle sobre o consumo de álcool. Para isso, o projeto constou de duas fases distintas e, em ambas, o AUDIT (Alcohol Use Disorders Identification Test) foi utilizado para medida do padrão de consumo de álcool no último ano. Na fase inicial foram entrevistados 66 bebedores-problema, em tratamento ou não, para levantamento de benefícios e barreiras percebidos em evitar o consumo de álcool, tendo como base teórica o Modelo de Crenças em Saúde. Os resultados desta fase possibilitaram a construção dos itens da versão piloto da escala. Já a escala DRIE original em inglês passou por uma tradução e retradução e, em seguida, as duas escalas passaram por avaliação semântica e validação de conteúdo e por uma aplicação piloto. Na segunda fase do estudo, para validação empírica das escalas, participaram 433 servidores de uma instituição federal de ensino superior. Os dados foram analisados através do programa SPSS for Windows, para avaliar a estrutura fatorial e a confiabilidade dos instrumentos. As análises fatoriais apontaram os 19 itens da versão final da Escala de Benefícios e Barreiras Percebidos em Evitar o Consumo de Bebidas Alcoólicas, reunidos em dois fatores de segunda ordem (benefícios percebidos e barreiras percebidas), ambos com índices satisfatórios de consistência interna. A versão brasileira da escala DRIE, após análises fatoriais, permaneceu com 35 itens alocados em dois fatores (externalidade e internalidade), também com índices bastante satisfatórios de consistência interna. Os resultados dos testes de correlação e comparação entre os grupos foram, em sua maioria, coerentes com as expectativas teóricas. O grupo de bebedores-problema percebeu significativamente menos benefícios e mais barreiras em evitar o consumo de álcool e mostrou-se mais externo no locus de controle do comportamento de beber do que o grupo de abstêmios ou usuários de baixo risco. Foram encontradas correlações positivas entre o escore do AUDIT e as barreiras percebidas, e correlações negativas entre o padrão de consumo de álcool e benefícios percebidos. Em relação ao locus de controle, o escore no AUDIT correlacionou-se positivamente somente com a Externalidade. Análises de regressão múltipla apontaram que o modelo testado neste estudo predisse significativamente o consumo de álcool nos últimos 12 meses, explicando 16% da variância total da variável dependente. Conclui-se que os instrumentos aqui validados podem contribuir para o desenvolvimento de pesquisas no meio brasileiro e para planejamento de programas de prevenção e intervenção, visto que se mostraram úteis também na população de não-alcoolistas.
O consumo de álcool entre os adolescentes estudantes de escolas privadas católicas de Natal-RN
FONSECA E SILVA, Karina Bezerra da, 2006
Programa de Pós-graduação em Serviço Social - Centro de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
O estudo O consumo do álcool entre adolescentes estudantes de escolas privadas católicas de Natal RN, 2004-2005 tem como objeto a compreensão do fenômeno do consumo do álcool que ocorre entre os adolescentes. Adota-se como lócus de pesquisa escolas privadas católicas de Natal RN, as quais atendem alunos provenientes de grupos sociais pertencentes às classes atendidas pelas escolas privadas de Natal. O público pesquisado corresponde a 87 adolescentes que responderam ao questionário misto, com perguntas abertas e fechadas. A pesquisa utiliza como procedimento a amostra intencional, a qual, pelas facilidades de acesso, privilegia indivíduos que no momento de realização da pesquisa mostram-se em condição de participar da mesma. O estudo apresenta caráter quantitativo e qualitativo. Apresenta os seguintes objetivos: 1-Analisar em que circunstâncias os adolescentes fazem uso de bebidas alcoólicas; 2- Identificar o conhecimento que os adolescentes têm sobre os efeitos do álcool; 3 - Entender o papel de atuação da instituição escola na prevenção do uso do álcool pelos adolescentes. A análise privilegia a interpretação das respostas. No tocante à fundamentação teórico-metodológica adotam-se como referencial a Teoria do Controle Social e a Teoria do Interacionismo Simbólico. Os capítulos aqui constantes encontram-se organizados da seguinte maneira: O primeiro capitulo aborda a situação atual de consumo adolescente de drogas em geral e o enfrentamento social desta situação. O segundo capitulo apresenta aspectos socioculturais do consumo do álcool e a descrição de algumas características do público pesquisado. O terceiro capitulo enfatiza a escola e sua atuação junto aos jovens e à sociedade em geral, no sentido de prevenção e combate ao uso do álcool bem como das demais drogas.
Aplicaciones de la LSD en psicoterapia: una historia interrumpida
VILLAESCUSA, Manuel, 2006
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
ULISSES - Revista de Viajes Interiores
 
Exposição materna ao álcool e incidência de sinais característicos da Síndrome do Álcool Fetal em adolescentes infratores e em escolares de Porto Alegre.
MOMINO, Wakana, 2005
Programa de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular - Instituto de Biociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
A Síndrome do Álcool Fetal (SAF) se refere a um conjunto de malformações que podem estar presentes em crianças, filhas de mães que consumiram bebida alcoólica durante a gestação. Esta síndrome apresenta um conjunto distinto de anomalias onde as mais freqüentes são fissura palpebral estreita, lábio superior fino, filtro liso, restrição de crescimento e anomalias do sistema nervoso central. A exposição pré-natal ao álcool pode trazer sérias conseqüências que permanecem a vida toda. Sua incidência, nos Estados Unidos, chega a 1 em cada 100 nascimentos, mas esta estimativa varia de país para país devido a diferenças culturais, genéticas e do método de avaliação. O cérebro é o órgão mais vulnerável do corpo aos efeitos da exposição pré-natal ao álcool. O dano causado ao sistema nervoso central por tal exposição resulta em danos neurológicos permanentes, incluindo anomalias de comportamento e atraso de desenvolvimento. A redução no intelecto é a manifestação comportamental mais comum observada do dano causado ao sistema nervoso central. Apesar disto, o déficit de comportamento social está se tornando uma seqüela frequentemente encontrada em indivíduos expostos. Recentemente, vários estudos têm sugerido que crianças com SAF apresentam dificuldades emocionais e comportamentais que podem levar a uma série de problemas secundários. Este estudo tem como objetivo avaliar o consumo de álcool materno durante a gestação e verificar a presença de sinais relacionados à SAF em adolescente e jovem adultos, de escolas públicas, e comparar com uma amostra de indivíduos institucionalizados. Também, analisar fatores de risco ambiental que possam estar relacionados com o comportamento antisocial observado nestes adolescentes. Cento e quarenta e cinco estudantes (controles) e 262 adolescentes da Fundação de Atendimento Sócio-Edudativo - FASE (probandos) foram avaliados em relação a características maternas, história familiar, consumo materno de álcool durante a gestação, exame físico e teste de QI. Quase 40% dos controles e 49% dos probandos tiveram exposição pré-natal ao álcool. Todas as análises estatísticas foram feitas comparando as variáveis previamente citadas com a quantidade de ingesta materna de álcool durante a gestação: nenhuma, esporádica e muita. Entre os estudantes, não encontramos diferenças significantes nas características gestacionais e de ambiente familiar quando comparadas entre os padrões de consumo materno de álcool. No que diz respeito aos sinais físicos da SAF, as seguintes medidas foram estatisticamente diferentes: perímetro cefálico e fissura palpebral. Em relação aos adolescentes institucionalizados, diferenças foram encontradas entre as características de ambiente familiar: não amamentar é mais comum entre as mulheres que bebem, bem como ter um membro da família condenado ou preso. A violência doméstica, criminalidade familiar, abuso infantil e alcoolismo familiar são as quatro variáveis que predizem o uso de álcool durante a gestação. Quando comparamos ambos os grupos juntos como uma única amostra constatou-se que algumas características do ambiente familiar eram muito importantes, como criminalidade familiar e abuso infantil; as medidas antropométricas não foram diferiram entre expostos e não expostos, exceto pelo perímetro cefálico. Estas particularidades do ambiente familiar estão influenciando o comportamento anti-social de modo a tornar os efeitos do consumo materno de álcool menos evidente entre os caracteres físicos. Mesmo assim, todos os indivíduos com sinais de SAF mostraram características similares: crescimento e desenvolvimento pobre, algumas dismorfias faciais e baixo escore no teste de QI.
Viés atencional e expectativas associadas ao consumo alcoólico de risco em universitários
PEUKER, Ana Carolina Wolf Baldino, 2006
Curso de Pós-Graduação em Psicologia do Desenvolvimento (até 2007) - Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
O consumo excessivo de álcool é recorrente entre universitários e está associado a inúmeras conseqüências negativas. Fatores ambientais (bottom-up) podem favorecer este consumo (ex.: influência do grupo, pistas associadas à droga). Além destes, fatores individuais podem influenciar o comportamento de beber desta população, entre eles fatores cognitivos (top-down). Bebedores freqüentes tendem a apresentar um viés atencional para estímulos associados ao álcool. Com o uso repetido do álcool, pistas ambientais associadas aos efeitos desta droga tornam-se salientes, em função de suas propriedades reforçadoras, atraindo a atenção do usuário em detrimento de outros estímulos e exacerbam o desejo de beber. O uso freqüente de álcool também tem sido relacionado a um conjunto de expectativas predominantemente positivas acerca dos seus efeitos e riscos para desenvolver dependência que podem influenciar o início e a manutenção do uso. Neste contexto, o objetivo deste estudo foi: a) examinar a relação entre o padrão de consumo e expectativas em relação aos efeitos do álcool entre universitários e b) desenvolver uma tarefa para investigar o viés atencional para pistas relacionadas ao álcool em indivíduos com diferentes padrões de consumo. Participaram deste estudo graduandos da UFRGS (N=79), do sexo masculino, com 22 anos de idade em média (dp=2,81). O padrão de consumo de risco e as expectativas positivas foram acessados através do Alcohol Use Disorders Identification Test (AUDIT) e do Inventário de Expectativas e Crenças Pesssoais acerca do Álcool (IECPA), respectivamente. Participaram deste estudo graduandos da UFRGS (N=79), do sexo masculino, com 22 anos de idade em média (dp=2,81). O padrão de consumo de risco e as expectativas positivas foram acessados através do Alcohol Use Disorders Identification Test (AUDIT) e do Inventário de Expectativas e Crenças Pesssoais acerca do Álcool (IECPA), respectivamente. Examinou-se o viés atencional através de uma tarefa computadorizada. O consumo de risco de álcool, que inclui o beber problemático e o padrão binge, estava associado a altas expectativas positivas em relação aos seus efeitos. Constatou-se que 43% dos participantes eram bebedores de alto risco para desenvolver dependência, conforme o AUDIT. Além disso, 68,4% deles foram caracterizados como bebedores com padrão binge de uso de álcool e 44,3% possuíam expectativas positivas em relação aos efeitos do álcool altas. Houve correlação entre beber problemático e expectativas positivas. Quanto à avaliação do viés atencional, não foi observado nenhum efeito de grupo, de tempo de exposição, nem de interação entre grupo e tempo de exposição. Identificar os fatores top down e bottom-up envolvidos no consumo de álcool de risco é essencial para formulação de modelos teóricos que compreendam este preocupante fenômeno. A avaliação das expectativas a respeito dos efeitos do álcool contribui para o planejamento de intervenções terapêuticas e estratégias preventivas mais precisas, visando a reduzir os riscos comportamentais e de saúde associados ao álcool. Além disso, o estudo do viés atencional pode favorecer o entendimento da relação entre fissura e atenção, da transição do uso ocasional para a dependência e da recaída.
Padrão de consumo de bebidas alcoólicas entre universitários da área da saúde de uma faculdade do interior do Estado de São Paulo
RIBEIRO, Elaine, 2007
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Universidade de São Paulo
A preocupação com o uso do álcool entre universitários é evidente em várias partes do mundo. Diversos estudos mostram que o uso e abuso dessa substância vêm aumentando em ritmo acelerado. Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo identificar o padrão de consumo de álcool e suas conseqüências entre universitários da área de saúde de uma Faculdade privada do interior do estado de São Paulo. Trata-se de um estudo descritivo e exploratório com uma amostra de 1007 estudantes universitários. Para a coleta de dados, utilizou-se um questionário auto-aplicável, contendo três partes: a primeira referente aos dados sóciodemográficos, a segunda refere-se ao padrão de consumo de álcool e a terceira refere-se aos problemas vivenciados por essa população após beber. Entre os resultados estão que a maioria dos estudantes pertence ao sexo feminino 84%, estado civil solteiro 85,1%, com idade entre 18 e 25 anos 79%, provenientes de outras cidades 62,6% e 60,0% referiram não trabalhar. A maioria dos estudantes pertence ao curso de enfermagem 24,2% e em relação ao ano do curso, 30,3% são calouros. Quanto à moradia, 75,1% referiram morar com a família. No que se refere ao tipo de religião 64% afirmaram ser católicos e 67% referem que a religião é muito importante em suas vidas. Em relação ao consumo de álcool, 64% fazem uso de baixo risco, incluindo os abstêmios 11%, enquanto que 20% são bebedores de risco moderado e 5% bebedores de alto risco. A análise de associação demonstrou que o consumo de álcool é maior entre o gênero masculino, na faixa etária entre 18 e 25 anos, entre os casados, entre aqueles que tiram notas baixas em relação à média, entre os que moram sem a família, e entre aqueles que não pertencem a nenhum tipo de religião. O aparecimento de náuseas, vômito e ressaca, o fato de dirigir após beber ou dirigir bebendo, perder aulas por estar passando mal, ?matar aulas? após beber demais, apresentar problemas com a lei ou com a administração da faculdade por beber, tirar notas baixas, a freqüência que fuma, ser criticado por beber, brigar após beber ou ainda apresentar qualquer tipo de comportamento negativo por beber, foi encontrado com maior freqüência entre os universitários que apresentaram um maior consumo de álcool. A bebida de maior consumo foi a cerveja. Esses resultados nos evidenciam a importância do planejamento de estratégias de cunho preventivo no âmbito universitário, na tentativa de detectar precocemente aqueles com potencial para o abuso e possíveis problemas relacionados ao consumo dessa substância.
Adicção e ajuda mútua: estudo antropológico de grupos de narcóticos anônimos na cidade de Porto Alegre (RS)
LOECK, Jardel Fischer, 2009
Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Desde a metade do século XX os grupos de ajuda mútua de Narcóticos Anônimos vêm se firmando como uma alternativa terapêutica válida para pessoas que desenvolvem a síndrome de "dependência química". Surgidos como uma dissidência dos Alcoólicos Anônimos, estes grupos utilizam de maneira pragmática o conceito de "adicção" para nomear esta doença e classificam-na como incurável, sendo possível apenas o controle dos sintomas. Desta forma, a sua proposta terapêutica é pautada na abstinência total do uso de qualquer substância psicoativa e em um conjunto de princípios éticos, espirituais e subjetivos que devem ser seguidos pelos participantes com o objetivo de "vivenciarem a recuperação" através de uma mudança radical de visão de mundo. Este trabalho tem como universo de pesquisa a rede de Narcóticos Anônimos da cidade de Porto Alegre. Dentro deste universo empírico um dos objetivos da pesquisa é demonstrar, através da apresentação de quatro histórias de vida de participantes dessa rede, que a categoria "membro de Narcóticos Anônimos" é menos homogênea do que aparenta ser; há espaço para a apropriação instrumental deste universo simbólico e também para a preservação de particularidades subjetivas no processo de incorporação dessa identidade. Outro objetivo é apresentar as implicações da utilização do seu conceito próprio de "adicção" enquanto doença incurável. Finalmente, através de um relato etnográfico, procura apresentar as reuniões do grupo como um espaço marcadamente ritual, mas que preserva momentos de interação e difusão de símbolos também "fora do ritual".
Percepção de suporte social e consumo de álcool em desempregados
RIBEIRO, Mônica Bezerra, 2008
Programa de Pós-graduação em Psicologia da Saúde e Fonoaudiologia da Universidade Metodista de São Paulo
Universidade Metodista de São Paulo
O desemprego tem sido objeto de preocupação no contexto político, econômico e social, uma vez que a população de trabalhadores desempregados enfrenta dificuldades diárias para a obtenção de trabalho/ou emprego, situação que gera intenso sofrimento psíquico e pode repercutir de modo negativo na saúde do trabalhador. Este estudo teve por objetivo investigar a percepção de suporte social e o consumo de álcool em desempregados. Por meio de estudo epidemiológico, quantitativo e transversal constituímos uma amostra de 300 indivíduos, recrutados em uma agência pública em São Bernardo do Campo SP, que capta vagas no mercado e encaminha trabalhadores para recolocação profissional. A amostra resultou em 54,3% pessoas do gênero masculino, com idade média de 29,30, com mínimo de 18 anos e máximo de 56 anos; 67% tinham ensino médio, sendo 50% solteiros, 52% encontravam-se desempregados de um a seis meses, 37% residiam em imóvel próprio, e 37% possuíam renda familiar de um a dois salários mínimos. Foram utilizados três instrumentos auto-aplicáveis para coleta dos dados: a) Questionário de características sócio-demográficas; b) Escala de Percepção de Suporte Social (EPSS); c) Teste para Identificação de Problemas Relacionados ao Uso de Álcool (AUDIT). Os dados coletados foram submetidos ao programa estatístico SPSS, versão 15.0 para Windows que permitiu fazer as correlações entre as variáveis. Os resultados indicaram correlações significativas entre as variáveis: suporte prático e renda; suporte prático e suporte emocional, com idade. Estas correlações sugeriram que os sujeitos apresentavam melhor percepção de suporte prático na medida em que aumentava a renda familiar, e que quanto maior a idade, menor é a percepção do suporte prático e emocional recebido pela rede social. O AUDIT não apontou correlações significativas entre as variáveis estudadas, e 76% da amostra se situou na zona 1 consumo de baixo risco ou abstinência. Não verificamos correlação entre consumo de álcool e desemprego.
Associação entre consumo de álcool e tentativas de suicídio no transtorno de humor bipolar.
CARDOSO, Betina Mariante , 2008
Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas: Psiquiatria - Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Introdução O consumo de álcool é altamente prevalente em pacientes com Transtorno de Humor Bipolar (THB); este, por sua vez, é o transtorno de eixo I associado ao maior risco de co-ocorrência com Transtornos por Uso de Substâncias (TUS), incluindo os Transtornos por Uso de álcool, especificamente. Os efeitos deletérios de um dos transtornos são potencializados pela presença do outro. Nos padrões de abuso e de dependência de álcool, há prejuízo ao curso do THB quanto à funcionalidade, qualidade de vida e gravidade clínica, como o aumento do número de tentativas de suicídio nos pacientes com a comorbidade. O objetivo do presente estudo é o de examinar o impacto do consumo de álcool, representado pelos padrões de abuso e dependência, nestes parâmetros do THB, sobretudo no que concerne às tentativas de suicídio, dada a gravidade deste desfecho. Metodologia Este é um estudo transversal realizado com 186 pacientes ambulatoriais do Programa de Atendimento do Transtorno de Humor Bipolar (PROTAHBI) do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Os pacientes, com diagnóstico de THB I e II pelo SCID I, foram avaliados quanto aos parâmetros de Funcionalidade, através da Escala Global de Funcionamento (GAF); qualidade de vida, através do instrumento WHOQOL-BREF, e número de tentativas de suicídio, por protocolo padronizado, através do qual também foram avaliadas as características sociodemográficas e dados clínicos. Os pacientes foram então divididos em dois grupos: pacientes com Transtorno de Humor Bipolar e Transtorno por Uso de Álcool em comorbidade (abuso e dependência), com diagnóstico conforme SCID I, e pacientes bipolares sem a referida comorbidade, e os grupos comparados quanto aos parâmetros em estudo; além disso, realizou-se também a avaliação destes parâmetros nos subgrupos de abuso e dependência de álcool. Resultados Abuso e dependência de álcool estão associados a gênero masculino, educação incompleta, início mais precoce do THB, psicose no primeiro episódio, sintomas depressivos e piora na funcionalidade; em contrapartida, não houve alteração nos escores de qualidade de vida dos pacientes com a comorbidade. Há associação significativa com comorbidade adicional de Transtorno por uso de substâncias não-álcool, mas não com Transtornos de Ansiedade. Ainda, há associação significativa entre abuso e dependência de álcool e maior número de tentativas de suicídio nos pacientes bipolares com a comorbidade em relação àqueles sem esta. Conclusão Os achados do presente estudo sugerem que a co-ocorrência de abuso e dependência de álcool estão associados a um aumento no número de tentativas de suicídio ao longo da vida, o que pode refletir em parte a maior gravidade dos sintomas e a pior funcionalidade dos pacientes com a comorbidade. A discrepância entre os achados de pior funcionalidade sem que houvesse alteração significativa nos escores de qualidade de vida aponta para o prejuízo cognitivo e de insight nos pacientes acometidos pelos transtornos comórbidos. Tendo em vista que ambas as condições tem mútuo impacto deletério, com importante prejuízo nos desfechos do THB, salienta-se a importância de uma abordagem terapêutica dirigida aos transtornos em conjunção.
Tendências e preditores da criminalidade violenta no Rio Grande do Sul
SCHABBACH, Leticia Maria, 2007
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Programa de Pós-Graduação em Sociologia.
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Esta Tese analisa as principais tendências e causas da criminalidade violenta em três regiões socioculturais do Rio Grande do Sul – Colônia Velha, Fronteira, Metropolitana de Porto Alegre -, durante a década de 1990 e início da seguinte. A criminalidade violenta foi expressa por taxas por 100.000 habitantes de homicídios, lesões corporais e roubos, além das relativas a dois cenários criminais: 1) não organizados entre conhecidos, abrangendo ameaças e lesões corporais leves; e 2) não organizados entre desconhecidos, reunindo modalidades ordinárias de roubos. Conjuntamente com fatores socioeconômicos, o modelo explicativo incluiu: a disposicionalidade social para a violência, a oferta de serviços de segurança pública e privada, a prevenção comunitária, bem como a presença de gangues de crianças e de adolescentes e do crime organizado, ambos representando a dinâmica da criminalidade violenta. Como fundamentação teórica das variáveis examinou-se diversas correntes sociológicas e criminológicas. Elaboraram-se indicadores sociais e criminais de 32 municípios com 20.000 ou mais habitantes pertencentes às três regiões socioculturais, utilizando-se dados primários e secundários, para então se efetuar a análise estatística multivariada que testou a influência de cada indicador sobre as taxas de delitos violentos. Em termos de resultados, sobressaíram-se como fatores explicativos: a) para os homicídios, a urbanização, a presença de gangues escolares e a segurança privada; b) para as lesões corporais, as taxas de pessoas sem companheiro, de tráfico de entorpecentes e de armas registradas; c) para os roubos, a precariedade domiciliar e a segurança privada; d) para o cenário do crime 1, a vulnerabilidade familiar; e) para o cenário do crime 2, a segurança privada. A Tese também apresenta uma extensa revisão bibliográfica das principais linhas de análise da violência e do crime no Brasil, assim como uma relação de estratégias de enfrentamento da criminalidade violenta que demandam a articulação de vários atores, públicos e privados.
Impacto da utilização de agrotóxicos sobre a saúde dos idosos em Cachoeira do Sul/RS: um estudo transversal.
SILVA, Eveline Fronza da, 2008
Curso de Pós-graduação Stricto Sensu - Mestrado em Ambiente e Desenvolvimento - UNIVATES
UNIVATES
Este estudo teve como objetivo principal estabelecer o perfil da saúde da população idosa de Cachoeira do Sul/RS sujeita a exposição direta ou indireta a agrotóxicos. Para tanto, utilizou-se um delineamento transversal. Os dados foram coletados na zona urbana e rural, com indivíduos de ambos os sexos e acima de 60 anos, por meio de questionário semiestruturado. A amostra foi composta principalmente por mulheres (56,33%), com idade média de 73 ± 8 anos e os homens com 71 ± 7 anos. Do total da amostra, 57,2% residiam na zona urbana. A exposição a agrotóxicos teve associação positiva com o gênero masculino (p<0,05) e com baixa escolaridade, 45,6% dos indivíduos expostos tem menos de 4 anos de estudo. Observaram-se correlação positiva entre exposição a agrotóxicos e esquecimento, constipação, dores nas pernas, doença de Parkinson e diabetes mellitus. Considerando este bloco de resultados é importante estimular a promoção de medidas de proteção à saúde do trabalhador rural exposto aos agrotóxicos. Quando se estabeleceu o perfil da saúde da população idosa, considerando somente a idade, ou seja, não considerar a exposição a agrotóxicos, observou-se que doenças crônicas do SNC, como depressão, insônia e doença de Alzheimer e doenças cardiovasculares, hipertensão e diabetes mellitus apresentaram associação positiva com o aumento da idade. Ao analisarmos as doenças do sistema cardiovascular e o consumo de tabaco ou álcool, evidenciou-se associação significativa do consumo de tabaco com hipertensão. Entre os entrevistados 19,2% relataram serem usuários de álcool, sendo em sua maioria homens. A idade mostrou associação positiva com uso de álcool na análise multivariada. Ao se avaliar a prevalência de doenças do sistema cardiovascular, percebeu-se que 62,5% dos indivíduos entre 60 e 65 anos apresentam alguma patologia versus 61,1% com mais de 65 anos, não foi observada associação significativa entre doenças cardiovascular e consumo de álcool. Os resultados obtidos corroboram com estudos anteriores e demonstram que é fundamental incentivar o abandono do consumo de tabaco e álcool entre os idosos, bem como, desenvolver programas de saúde pública que auxiliem na promoção de saúde desses indivíduos, salientando a necessidade de considerar a possível exposição dessa população a agrotóxicos.
Uso de álcool na gestação e sua relação com sintomas depressivos no pós-parto
ALIANE, Poliana Patrício , 2009
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP
Universidade de São Paulo
O consumo de álcool durante a gestação tem sido associado na literatura científica a uma maior intensidade de sofrimento psiquiátrico durante a gestação e no pós-parto. Este estudo teve como objetivo principal verificar se o consumo de álcool em gestantes está relacionado a um aumento de sintomas depressivos e/ou ao diagnóstico de depressão no pós-parto. Para tal foi realizado um estudo prospectivo, com dois tempos de coleta de dados. Foram convidadas a participar gestantes da rede pública de saúde da cidade de Juiz de Fora/MG. Inicialmente foram entrevistadas 260 mulheres no terceiro trimestre gestacional, das quais 177 foram entrevistadas entre 15 dias a 3 meses após o parto. Para avaliação do uso de álcool durante a gestação foram utilizados os instrumentos T-ACE (Tolerance, Annoyed, Cut down, Eye opener) e AUDIT C (Alcohol Use Disorders Identification Test C), além do relato das gestantes sobre a quantidade de álcool ingerida durante toda a gestação. Para avaliação de sintomas depressivos no pós-parto foi utilizado o instrumento EPDS (Edinburgh Postnatal Depression Scale) e para o diagnóstico de Episódio Depressivo Maior foi utilizada a entrevista diagnóstica MINI (Mini International Neuropsychiatric Interview). Os resultados obtidos apontaram para um aumento de sintomas depressivos no pós-parto proporcional ao aumento do consumo de álcool durante a gestação medido pelo total do AUDIT C (Spearman Correlation, r=0,251; p<0,001) e pelo total em gramas de álcool consumido durante toda a gestação (Spearman Correlation, r=0,185; p=0,01). Além disso, foi observado uma maior prevalência de depressão pós-parto entre as mulheres que tiveram pelo menos um binge alcoólico durante a gestação (Non-parametric Chi-Square, value=88,28, p< 0,001). Os dados apresentados permitem concluir que existe um aumento de sintomatologia depressiva no pós-parto à medida que aumenta o consumo de álcool na gestação e aumento de diagnóstico para aquelas que tiveram pelo menos um binge alcoólico durante a gestação.
Associação entre impulsividade, idade do primeiro consumo de álcool e abuso de substâncias psicoativas em adolescentes de uma região do sul do Brasil
DIEMEN, Lisia Von, 2006
Programa de Pós-graduação em Ciências Médicas: Psiquiatria - Faculdade de Medicina da Universidade federal do Rio Grande do Sul
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Os problemas advindos dos transtornos por uso de substâncias (TUS) apresentam alta prevalência tanto em nível mundial quanto no Brasil e se destacam por atingirem principalmente adolescentes e adultos jovens, ocasionando alto impacto econômico e social. Os fatores de risco que levam ao início e à evolução de tais transtornos são investigados há várias décadas, mas o que já foi demonstrado explica apenas parcialmente a variabilidade dessa patologia. A impulsividade tem se destacado por estar associada a diversos fatores de risco como transtorno de personalidade anti-social, déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) entre outros, podendo ser o elo que liga essas patologias ao TUS. Embora a impulsividade tenha sido associada a transtornos relacionados ao álcool e outras drogas em diversos estudos, há uma carência de evidências em amostras comunitárias, particularmente em adolescentes. A literatura identifica também a associação da idade do primeiro consumo de álcool (IPCA) com TUS. Contudo, ainda há controvérsias a respeito da IPCA ser um fator de risco independente ou uma manifestação de outras características e transtornos associados à TUS. Além disso, as evidências da associação IPCA/TUS são na sua maioria provenientes de estudos norte-americanos; considerando-se que a IPCA pode ser afetada por características culturais, esses achados necessitam ser reproduzidos em outros países. No que compete à avaliação da impulsividade, esta tem sido aferida principalmente por medidas laboratoriais de comportamento e escalas de auto-relato; entretanto, nenhuma das escalas disponíveis foi validada para o uso no Brasil, dificultando estudos nessa área. Objetivos: Os objetivos dessa dissertação são: adaptar para o português e validar para uso em adolescentes uma escala adequada para aferir impulsividade, avaliar a associação entre impulsividade, IPCA e TUS em adolescentes masculinos e se associação da IPCA com TUS é independente da impulsividade. Método: Foram realizados dois estudos em seqüência. O primeiro estudo descreve a adaptação e validação da Barrat Impulsiveness Scale (BIS) 11, que foi traduzida de forma independente por duas psiquiatras, unificada em uma versão final e testada em 10 indivíduos de idade e escolaridade heterogêneas. A versão final foi retro-traduzida para o inglês e enviada ao autor da escala que a aprovou para testes de campo. Dezoito estudantes de medicina bilíngües responderam à versão em inglês e em duas semanas à versão em português para a análise do coeficiente de correlação intra-classe (CCI). A consistência interna (utilizando a de Crombach) foi avaliada em uma amostra comunitária de 464 adolescentes masculinos de 15 a 20 anos provenientes de uma região geograficamente delimitada de Canoas. Para aferição da validade de constructo foi utilizada uma sub-amostra de 126 adolescentes e foi baseada nas correlações do escore total da BIS 11 com os escores da SNAP-IV para TDAH e para transtorno de oposição e desafio (TOD) e com o número de sintomas de transtorno de conduta (TC). Para o segundo estudo foi utilizado um delineamento de caso-controle aninhado a um estudo transversal que utilizou a mesma amostra de 464 adolescentes descrita no primeiro estudo, tendo sido excluídos os adolescentes que nunca haviam utilizado álcool, totalizando uma amostra final de 418 adolescentes. Os casos foram identificados através da seção de álcool e drogas do Mini International Neuropsychiatric Interview como tendo abuso ou dependência de álcool, maconha, cocaína ou inalantes (n=63) e os controles (n= 355) eram aqueles que não preenchiam critérios para TUS e que já haviam utilizado álcool. As outras medidas utilizadas foram a BIS 11 e um questionário de avaliação sócio-demográfica. Para a análise estatística foram estimadas Razões de Chances (RC) brutas e ajustadas com intervalo de confiança de 95% através de regressão logística com um modelo hierárquico, tendo o diagnóstico de TUS como variável dependente e variáveis sócio-demográficas (nível um), impulsividade (nível dois), idade, número de repetências, ter pais separados e ser religioso (nível três) e idade do primeiro consumo de álcool (nível quatro) como variáveis independentes. Resultados: no primeiro estudo, o CCI obtido nos estudantes de medicina foi de 0,90. Nos adolescentes masculinos, a consistência interna foi de 0,62 para os 30 itens. A análise fatorial exploratória não identificou os 3 fatores da escala original. Os escores totais da BIS 11 apresentaram correlação significativa com os escores para TDHA, TOD e com número de sintomas para TC, indicando uma apropriada validade de constructo da escala. No segundo estudo, os adolescentes era predominantemente brancos, com média de idade de 17,4±1,7 anos, níveis elevados de repetência escolar e baixa renda familiar. Impulsividade e idade do primeiro consumo de álcool foram significativamente associadas com abuso de substâncias. Tanto maior impulsividade (RC 3,3, IC 95% 1,4-7,8) quanto maior idade do primeiro consumo de álcool (RC 0,8, IC 95% 0,7-0,9) permaneceram independentemente associados com abuso de substâncias após os ajustes do modelo. Conclusão: O estudo de validação da BIS 11 identificou um alto CCI da escala, apontando para a semelhança de medidas das versões em inglês e português em sujeitos de alta escolaridade. A consistência interna com um a de 0,62 na amostra de adolescentes foi um pouco abaixo do esperado, mas pode ser considerada aceitável, levando-se em consideração as características da amostra. Além disso, mesmo com uma consistência interna abaixo do ideal, a validade de constructo pôde ser detectada, sugerindo que a escala pode ser utilizada em adolescentes masculinos, embora sem os sub-escores. No estudo de casocontrole, os achados indicam a forte associação entre impulsividade, IPCA e transtornos aditivos, ilustrando esses aspectos em adolescentes masculinos e acrescentando validade transcultural aos achados já descritos na literatura. A temporalidade e as relações de causa-efeito dos resultados necessitam ser confirmados em estudos longitudinais. Entretanto, em conjunto com as evidências já existentes na literatura sobre o papel da impulsividade e da IPCA nos TUS, os achados sugerem que tais aspectos possam ser incorporados na elaboração de medidas preventivas ao uso de substâncias psicoativas entre os jovens.
Velhas plantas e novas modalidades no circuito enteógenico: um estudo sobre o uso contemporâneo de enteógenos
MALHEIRO, Luana, 2008
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Reunião Brasileira de Antropologia
As substâncias enteógenicas (ayahuasca, jurema, lsa, salvia divinorum, cannabis sativa) historicamente acompanharam as biografias de vida de uma infinidade de povos, cada comunidade significou o uso de enteógenos de acordo com o seu contexto sócio-cultural de uso, formando um fenômeno cultural que se transforma a cada novo significado atribuído por uma coletividade. Na atualidade há uma série de práticas que se formam a partir do uso de enteógenos, permitindo a formação de um campo de sociabilidades e da construção de um sistema de conhecimento etnobotânico que permite a construção de �agenciamentos�, ou controle sociais internos que regulam as modalidades de uso, promovendo assim um uso �controlado� da substância. Neste campo de sociabilidades observam-se padrões comportamentais para administrar o uso, são valores e regras sociais internalizados pelos usuários na experiência com a substância formando uma �subcultura do enteógeno�. Este artigo tem como objetivo central perceber a construção de um saber etnobotânico a partir do agenciamento da SPA nas trajetórias de vida analisadas, percebendo assim a formação de uma �cultura do enteógeno�
Fatores associados e a dinâmica progressiva no uso de drogas lícitas e ilícitas entre jovens no sul do Brasil
SILVA, Rodrigo Sinnott, 2009
Universidade Católica de Pelotas
Universidade Católica de Pelotas
Introdução: A temática das drogas é uma constante fonte de interesse tanto no meio científico como na população em geral e um longo caminho já se percorreu com a finalidade de entender a relação do homem com substâncias entorpecentes. Objetivo/Metodologia: Mantendo o interesse em avaliar essa relação, esse estudo terá como foco analisar a prevalência do uso de drogas em uma amostra de 1291 jovens de 18 a 24 anos de uma cidade no interior do Rio Grande do Sul Brasil. Resultados: A média de idade de inicio de uso de drogas foi de 14,5 anos onde a maior prevalência foi entre 10 a 15 anos (55,8%). Com relação ao uso de drogas na vida, 44,5% usaram tabaco, 81,1% usaram álcool, 18,2% usaram maconha, 8,3% usaram cocaína, 2,5% usaram crack, 6,6% usaram estimulantes, 5,2% usaram inalantes, 7,0% hipnóticos, 1,6% alucinógenos e 0,5% usaram opióides. Conclusão: O uso de drogas lícitas ou ilícitas, por si só, aumenta os riscos de problemas de saúde e, através de estudos populacionais quantifica-se o saber sobre os problemas sociais e específicos de cada população que levam a complicações ainda maiores, portanto, consideramos importante chamar a atenção para a necessidade de estudos que extrapolem o ambiente dos ambulatórios, hospitais e centros de tratamento, para que se possibilite um entendimento cada vez melhor desse fenômeno, uma maior flexibilidade e abrangência de trabalho com os resultados e, dessa forma, melhorias nas abordagens preventivas ao consumo entre os jovens.
Efeitos do etanol e nicotina sobre a resistencia mecanica do osso e osteogenese ao redor de implantes de hidroxiapatita
SOARES, Evelise Aline, 2007
Programa de Pós-Graduação em Biologia Celular e Estrutural - Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas
Universidade Estadual de Campinas
O consumo de álcool ou nicotina é prejudicial à integridade do tecido ósseo, conseqüentemente, pode dificultar ou até mesmo impedir a fixação e manutenção dos implantes osseointegráveis. O objetivo do presente trabalho foi avaliar os efeitos do etanol e nicotina sobre a resistência mecânica do osso e a neoformação óssea ao redor de implantes de hidroxiapatita, quando consumidos isoladamente e simultaneamente. Foram utilizados 20 ratos divididos em quatro grupos de 05, sendo controle (CT), álcool (A), nicotina (N) e nicotina+álcool (N+A). Após quatro semanas de consumo de álcool e/ou nicotina, corpos cerâmicos densos (HAD) e porosos (HAP) de hidroxiapatita foram implantados em cavidades produzidas cirurgicamente nas tíbias. Após as cirurgias os animais continuaram a consumir álcool e/ou nicotina. Completado noventa dias, os animais foram sacrificados e as tíbias e fêmures isolados para o processamento histológico e ensaio mecânico. Em todos os animais foi encontrado tecido ósseo junto aos corpos cerâmicos de HAD e HAP. O volume de osso formado ao redor dos corpos cerâmicos foi maior no grupo CT em relação aos demais grupos. Os animais do grupo N+A foram aqueles que apresentaram menor volume de osso neoformado. Nos animais do grupo A ocorreu formação de menor volume de osso ao redor dos implantes em relação aos animais do grupo Nicotina. A menor resistência do osso a cargas mecânicas foi encontrada nos animais do grupo N, A e N+A, respectivamente. De acordo com os resultados podemos concluir que o consumo de nicotina ou álcool produziu efeito negativo sobre a resistência mecânica do osso e osteogênese ao redor dos implantes de HAD e HAP. Em adição, o consumo simultâneo das duas substâncias intensificou os efeitos deletérios.
Idade penal: aspectos relevantes da punibilidade no ordenamento jurídico brasileiro
MORAES, Laura Rolim de, 2008
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Mestrado em Direito das Relações Sociais- Direito Penal.
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
No Brasil, a questão que envolve a idade penal para fins de responsabilização do menor infrator, vem sendo tratada há muitos anos e tem dividido muito a opinião pública, sem falar dos juristas e estudiosos do assunto, cuja grande maioria tem se posicionado categoricamente contra a redução da idade de 18 (dezoito) para 16 (dezesseis) anos, como pretendem alguns Parlamentares que apresentaram junto ao Congresso Nacional mais de vinte Projetos de Emendas Constitucionais, motivados pelo crescente aumento da criminalidade praticada por adolescentes, nos últimos anos, mormente em alguns casos que causam grande comoção junto à opinião pública. Por ser assunto de grande complexidade, exige tratamento prioritário dos órgãos governamentais e uma participação mais efetiva da sociedade na busca de uma solução satisfatória. A lei especial que trata do assunto, o Estatuto da Criança e do Adolescente, apesar de ter sido uma evolução neste contexto, tem se mostrado ineficaz e insatisfatório em relação aos adolescentes tanto na teoria, ao conter algumas falhas que precisam ser revistas e corrigidas, como na prática, pelo não cumprimento das finalidades propostas. Todavia, a imputabilidade aos dezesseis anos não seria para todos os crimes, mas sim, somente para aqueles considerados mais graves e que pressupõem uma conduta mais impetuosa por parte do agente, como é o caso, por exemplo, dos homicídios, estupros, tráfico de entorpecentes e etc. crimes estes, de natureza grave e que também são considerados hediondos pela nossa legislação vigente. Procuramos mostrar, contudo, os aspectos mais relevantes da punibilidade do menor infrator, sempre tomando o devido cuidado de mencionar os dois lados da questão a todo tempo, inclusive os relativos à política criminal. Na atual conjuntura, devido às opiniões contrárias de renomados juristas, da inclusão do tema no texto constitucional, cuja alteração envolve polêmica interpretação e tramitação demorada, da falta de recursos para implantação de uma política eficiente na área da delinqüência juvenil, a tese da redução da idade penal dificilmente poderá prosperar.
REDUCCION DE DAÑOS EN EL ESCENARIO SOCIAL ACTUAL. UN CAMBIO DE PERSPECTIVA
Galante A., Rossi D., Goltzman P., Pawlowicz M.P, 2009
Universidad Nacional de La Plata
Universidad Nacional de La Plata
En Argentina, el enfoque de reducción de daños se implementó como modo de afrontar la alta prevalencia de la epidemia del virus de la inmunodeficiencia humana entre los usuarios de drogas que utilizaban la vía inyectable. Sus intervenciones se centraban en la información y El cambio de actitud de los usuarios de drogas y de sus redes de consumo respecto del uso compartido del material de inyección. Actualmente, la reducción de daños incluye acciones relativas a una variedad de problemas, con mayor énfasis en la intervención comunitaria. La ampliación de las acciones en reducción de daños se relaciona con la necesidad de adecuarse a los cambios en los patrones de consumo de drogas y en los paradigmas epistemológicos que transforman los modos de comprender y actuar sobre los problemas sociales. Finalmente, se plantean los alcances y límites del enfoque de reducción de daños para facilitar la integración social de los usuarios de drogas.
Guia de direitos humanos loucura cidadã
CORREIA, Ludmila Cerqueira, 2011
Associação Metamorfose Ambulante de Usuários e Familiares do Sistema de Saúde Mental do Estado da Bahia (AMEA)
Associação Metamorfose Ambulante de Usuários e Familiares do Sistema de Saúde Mental do Estado da Bahia (AMEA)
 
Droga y Violencia: Fantasmas de la Nueva Metrópoli Latinoaméricana
Hopenhayn, Martín, 2002
Universidad Bolivariana
Universidad Bolivariana
 
Adaptação brasileira da University of Rhode Island Change Assessment (URICA) para usuários de substâncias psicoativas ilícitas.
SZUPSZYNSKI, Karen Priscila Del Rio , 2006
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul/ Programa de pós-graduação em Psicologia/ Mestrado em Psicologia Clínica
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Estudos têm mostrado que o consumo de drogas tem aumentado em todas as regiões do país. No relatório publicado no I Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil verificou-se que o consumo de drogas aumentou na grande maioria das cidades brasileiras, sendo que 19,4% da população estudada fez uso de drogas na vida, exceto tabaco e álcool. Esse problema tem preocupado a sociedade e sugerido a construção de inúmeros métodos de combate à dependência química tais como grupos de auto-ajuda, psicoterapia, medicamentos, tratamentos ambulatoriais, internações, atendimento a família. Prochaska e DiClemente? (1992) afirmam que avaliar a motivação para mudança, independentemente do tratamento utilizado, parece ser um aspecto importante para a utilização de intervenções adequadas para os pacientes. Esta dissertação compreende dois artigos, sendo um de revisão teórica e um empírico. No artigo teórico realizou-se uma revisão de estudos acerca do construto do Modelo Transteórico de Mudança de Comportamento, (Transtheoretical Model of Change), desenvolvido por James O. Prochaska. O objetivo do estudo foi realizar uma revisão teórica sobre o Modelo Transteórico (MTT) em tratamentos para dependência química, descrevendo seus princípios e sua relevância no atendimento a adictos.Foram realizadas buscas em Bases de Dados Pschynfo, Web of Science, Medline e Lilacs. Os descritores utilizados foram stages of change, substance abuse, treatment, assessment, drugs, addiction e readiness to change e o período pesquisado foi compreendido entre 1996 e 2006. O segundo artigo, empírico, responde ao projeto de pesquisa que deu origem a esta dissertação. Seu objetivo foi estudar as propriedades psicométricas da University of Rhode Island Change Assessment (URICA) para usuários de substâncias ilícitas (maconha, cocaína, crack e solventes). Este estudo apresenta o processo de adaptação e validação da URICA para drogas ilícitas. A amostra, por conveniência, foi de 214 sujeitos, sendo que 89 estavam realizando atendimento ambulatorial e 125 estavam internados por problemas com drogas ilícitas. Do total da amostra, 48 eram dependentes de maconha, 70 eram dependentes de cocaína e 33 eram dependentes de crack. Os participantes utilizavam mais de uma droga ilícita concomitantemente. As análises estatísticas evidenciaram validade de alta intensidade (a=0,657) para a URICA total (24 itens), bom como para suas sub-escalas. A URICA Adaptação Brasileira para drogas ilícitas apresentou bons resultados psicométricos, podendo ser usada em estudos que se proponham a avaliar a motivação para mudança no habito de usar drogas ilícitas
La guerra de las drogas: cien años de crueldad y fracasos sanitarios
REMENTERÍA, de Ibán, 2009
Revista Nueva Sociedad
Revista Nueva Sociedad
El fracaso humanitario de la guerra de las drogas es evidente. Partiendo de esta base, el artículo analiza la lógica profunda de esta guerra: desde el éxito de las drogas en sociedades altamente ansiógenas hasta la función de control social y político que tal guerra desempeña. Y lasexternalidades negativas (los tremendos costos en términos de violaciones a los derechos humanos) y positivas (sus efectos redistribuidores en los campesinos pobres y los microtraficantes urbanos). En suma, la guerra de las drogas, que ya lleva cien años, genera costos humanos mucho mayores que los beneficios sanitarios que supuestamente debería producir.
FILOSOFIA, EDUCAÇÃO E RELIGIÃO: CONEXÕES A PARTIR DO SANTO DAIME
ALBUQUERQUE, Maria Betânia Barbosa, 2007
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Encontro de Pesquisa Educacional do Norte e Nordeste
Trata-se o presente artigo de uma reflexão acerca das possíveis conexões entre filosofia, educação e religião tendo como referência a religião amazônida do Santo Daime. A religiosidade daimista, centrada no culto a uma bebida de nome Ayahuasca ou Daime, é interpretada como uma agência educativa cujos saberes fornecem a lógica que direciona o modo de pensar e viver das pessoas que dela comungam. Tem como objetivos identificar os elementos que caracterizam sua pedagogia, mais especificamente, os saberes e valores ensinados, os métodos de transmissão e o papel do professor, com vistas a evidenciar que a educação pode ocorrer sob diferentes roupagens, para além dos saberes formais e escolares. O artigo é uma síntese resultante de uma investigação de caráter documental e bibliográfico centrada, sobretudo, nos hinos que conformam o �vangelho�daimista, bem como na literatura pertinente a esta religião, além de referências relacionadas ao campo da educação.
O currículo do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência PROERD da Polícia Militar do Estado de São Paulo: exercício de cidadania
NOGUEIRA, Adriana Nunes , 2010
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
O presente trabalho analisa o currículo de formação do policial militar instrutor do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência e de que maneira os currículos vivenciados na formação do policial se dirigem à escola, especificamente às 4s séries/5s anos do ensino fundamental, trazendo temas como drogas e violência nas escolas e exercício da cidadania e discussões sobre a relação Polícia Militar-Escola. Apoiando-se em Dussel, Giroux, Vygotsky e Paulo Freire, busca-se a compreensão sobre como o currículo pode construir atitudes e crenças adequadas sobre o uso e o abuso de drogas e o não-respeito à diversidade, uma das manifestações de violência nas escolas, e ainda de que maneira a Polícia Militar pode colaborar nesse processo. Trabalha-se com a hipótese de que as mudanças curriculares do PROERD alteraram o trabalho policial militar nas escolas, afastando a concepção errônea de autoritarismo, retomando a concepção de polícia cidadã (razão histórica de sua existência) e de respeito aos direitos humanos, numa filosofia de polícia comunitária. Ao abordar os direitos humanos e a dignidade da pessoa humana no trato do policial militar com o cidadão, evidencia-se o equívoco do autoritarismo na formação do policial militar instrutor PROERD e ressalta-se a idéia de polícia na contribuição para resolução dos conflitos e na constante integração com estudantes e integrantes das escolas. Sustenta-se também que é essencial oferecer uma formação continuada aos instrutores em conjunto com os segmentos sociais e profissionais envolvidos na educação, saúde e segurança pública. Esta integração possibilita uma formação híbrida do instrutor que, somada ao caráter militar de sua formação, possibilita sua melhor inserção na sociedade, fortalecendo a rede de prevenção e potencializando a capacidade de resolução de problemas afetos à sistematização da prevenção ao consumo indevido de drogas, de maneira mais democrática. Por fim, considera-se o currículo na contemporaneidade, articulando-se identidade, alteridade, diferença, subjetividade, significação e discurso, saber e poder, conhecimento e cultura, na formação do instrutor PROERD e sua atuação nas escolas das redes pública e particular de ensino, já que o consumo indevido de drogas vem aumentando entre os estudantes. Também são apontados em qual contexto social e policial militar está inserido, o que apontam as avaliações sobre o Programa e também são propostas algumas ações para manutenção e expansão do Programa a serem implantadas pela Polícia Militar e pelas escolas, a fim de fortalecer o caráter preventivo como minimizador do consumo indevido de drogas e como melhoria da qualidade de vida e saúde social
Diferenças no padrão de uso de drogas entre adolescentes do sexo masculino e feminino em tratamento
GIUSTI, Jackeline Suzie , 2004

USP
Embora adolescentes do sexo masculino e feminino consumam drogas na mesma proporção, a procura por tratamento especializado é maior entre o sexo masculino. Poucos são os estudos sobre as diferenças entre os sexos dos adolescentes usuários de drogas, principalmente no Brasil. O objetivo deste estudo é descrever as características e investigar possíveis diferenças entre os gêneros dos adolescentes usuários de drogas em tratamento quanto ao padrão de consumo de drogas, conseqüências do uso e evolução no tratamento. Foram avaliadas as diferenças entre os gêneros de 124 adolescentes em tratamento. As variáveis estudadas foram: idade de início do uso de drogas e quando procurou tratamento, companhia do primeiro uso, antecedente familiar, tipos de drogas consumidas, envolvimento em atos ilícitos, problemas com a polícia, atraso escolar, comorbidades, tempo de abstinência durante o tratamento e tempo de tratamento. O sexo masculino foi mais prevalente do que o feminino (81,5% e 18,5%, respectivamente). A idade média na admissão foi de 15,4 ± 1,3 ano e a idade de primeiro uso foi de 13,3 ± 1,5 ano. Setenta e oito porcento dos adolescentes tinham antecedente familiar de uso de drogas. A primeira droga ilícita consumida foi a maconha, sendo esta também a principal droga consumida no ano anterior ao tratamento. Aproximadamente 78% dos adolescentes tinham envolvimento em atividades ilegais, 1,6% tinham comorbidade com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e 5,6% com transtorno de conduta. A média de permanência em tratamento foi de 21,1 ± 19,7 semanas e __ estavam abstinentes ao final do tratamento. Em todas estas variáveis não houve diferenças entre os gêneros. O sexo feminino apresentou maior prevalência de uso de benzodiazepínico na vida (17,4%), primeiro uso de drogas com familiares (21,1%), outros diagnósticos além do transtorno por uso de substância (25,4%), transtorno depressivo maior (43,5%), tentativa de suicídio (35,5%) e maior período de abstinência durante o tratamento (média de 30,2 ± 24,4 semanas). Entre o sexo masculino foi observado maior prevalência de repetência (87,1%) e problemas com a polícia (48,5%). As conseqüências do uso de drogas (problemas com a polícia e atraso escolar) são mais evidentes entre o sexo masculino, o que poderia explicar a maior prevalência do sexo masculino em tratamentos especializados. Apesar disso, o sexo feminino consome drogas e pratica atividades ilegais nas mesmas proporções do sexo masculino. Tentativas de suicídio e depressão são mais prevalentes entre o sexo feminino, o que parece ser um fator precipitante para a busca de tratamento especializado neste sexo. Estas diferenças observadas justificam a necessidade de diferentes abordagens terapêuticas para ambos os sexos, assim como o desenvolvimento de programas para ajudar a identificação de problemas relacionados ao uso de drogas principalmente entre o sexo feminino.
Os significados do consumo e uso nocivo de álcool e de outras drogas pelos alunos de graduação da PUC-SP, Campus Monte Alegre, 2005 - 2007: uma questão acadêmica desafiadora.
SANTANNA, Silvio Nececkaite , 2008
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
A presente tese trata do consumo e uso nocivo de álcool e de outras drogas na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), campus Monte Alegre e procede a uma reflexão sobre essa questão, bem como dos estigmas dos alunos envolvidos. O estudo foi realizado na PUC-SP, universidade responsável pela formação acadêmica de 13.581 alunos no ano letivo de 2007. Dentre estes, foram sujeitos significativos da pesquisa 1.115 estudantes de oito (8) faculdades e vinte e dois (22) cursos de graduação, sendo utilizada a metodologia de natureza quantitativa. O objetivo geral foi conhecer e analisar a realidade atual dos alunos dos cursos de graduação da PUC-SP, no que tange às evidências empíricas do consumo e uso nocivo de álcool e de outras drogas, ou mesmo a dependência química no campus Monte Alegre. Propõe-se a aprofundar o debate sobre essa questão visando encontrar outros caminhos que apontem para uma política mais abrangente e efetiva de abordagem, atendimento biopsicossocial e educacional dos envolvidos. A temática central recai sobre o paradoxo existente entre a proposta acadêmica educacional da PUC-SP e a convivência com o consumo e uso nocivo de álcool e de outras drogas pelos seus alunos, referenciada na literatura biopsicossocial e contemporânea de autores brasileiros e estrangeiros. Este estudo revelou que o estigma social de que a PUC-SP é um antro de maconha é desprovido de comprovação científica, visto que no universo pesquisado, apenas 6% têm simpatia pelo uso de álcool e de outras drogas; 4% sentem curiosidade e 1% não tem opinião formada. A pesquisa demonstrou também que, na PUC-SP, a insuficiência de políticas adequadas ao enfrentamento do consumo e uso nocivo de álcool e de outras drogas, constitui uma questão acadêmica desafiadora
Os profissionais do programa saúde da família frente ao uso, abuso e dependência de drogas
DE BARROS, Marcelle Aparecida, 2006
Universidade de São Paulo/ Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto
Universidade de São Paulo
O estudo tem como objetivo conhecer os sentimentos e as atitudes frente ao uso, abuso e dependência de drogas entre profissionais que atuam do Programa Saúde da Família (PSF) no município de Araçatuba – SP. A amostra foi composta por 286, enfermeiros, médicos, odontólogos, auxiliares de enfermagem, auxiliares de consultório dentário e agentes comunitários de saúde. Trata-se de um estudo, quantitativo, descritivo. Para o instrumento de coleta de dados foi formatado um questionário individual, estruturado com perguntas fechadas contendo: identificação sócio-demográfica, check – list de substâncias consideradas drogas de abuso, um, check - list de sentimentos ao lidarem com pacientes que fazem uso, abuso ou são dependentes de drogas, a escala de atitudes “The Seaman & Mannello Nurse’s Attitudes Toward Alcohol and Alcoholism Scale”. Foi realizada uma análise descritiva e multivariada entre as variáveis com um intervalo de confiança de 95%. Verificou-se que, as substâncias consideradas drogas de abuso em unanimidade foram a cocaína, a maconha e o crack. Na avaliação da assistência, os profissionais do PSF percebem que os problemas relacionados ao abuso e dependência de drogas estão presentes entre os agravos à saúde (61,5%), e ainda 89% deles consideram muito importante assistir esses pacientes, havendo média maior para os profissionais com nível superior; porém, as dificuldades são consideráveis (69,2%), e no tocante a assistência realizada, tais profissionais (64%) percebem que tem pouco ajudado estes pacientes, e que os mesmos se beneficiam pouco da assistência oferecida (69%). Quase a metade dos profissionais de saúde apresentou os sentimentos de compaixão e tristeza frente ao paciente usuário de drogas. As atitudes foram positivas em relação a esses de uma forma geral, embora algumas vezes estivessem associados a sentimentos como ansiedade, estresse, medo, insegurança e desconforto. Quanto à satisfação profissional e pessoal ao trabalhar com pacientes usuários, houve uma média maior para os profissionais com curso de graduação. Estes profissionais também apresentaram maior percepção dos problemas físicos relacionados ao uso de drogas, e um prognóstico não muito positivo quanto aos pacientes usuários. Já o grupo dos profissionais de saúde do PSF sem curso de graduação, que é composto então em sua maioria por agentes comunitários de saúde, apresentam sentimentos e atitudes que demonstram maior aceitação quanto ao uso e usuário de drogas, porém com maiores dificuldades na abordagem junto aos mesmos. O estudo mostrou que existem possibilidades e uma relativa motivação para o desenvolvimento do conhecimento e intervenção junto aos usuários de drogas; mas ainda não tem sido significativamente o suficiente para gerar efeitos objetivos no PSF de acordo com os seus próprios profissionais.

Uso de drogas entre meninos e meninas em situação de rua : subsídios para uma intervenção comunitária
BRITO, Raquel Cardoso , 1999
Universidade Federal do Rio Grande do Sul/ Curso de Pós Graduação em Psicologia do Desenvolvimento
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Esse estudo teve quatro objetivos: (a) descrever as instituições de assistência a meninos e meninas em situação de rua, em Porto Alegre (Estudo 1), (b) caracterizar o uso de drogas nessa população (Estudo 2), (c) descrever sua visão sobre serviços de intervenção e prevenção ao uso de drogas direcionados à população de rua (Estudo 3), (d) e avaliar sua rede de apoio social (Estudo 4). Participaram 55 adultos, membros das instituições, e 83 meninos e meninas que vivem em situação de rua, com idade entre 10 e 18 anos. Os resultados foram obtidos através de questionários, entrevista semiestruturada e do Diagrama da Escolta de Apoio Social. Os dados mostraram que todas as instituições têm educadores em sua equipe e o objetivo de resgatar a cidadania. As drogas que já foram usadas pelo menos uma vez na vida, por meninos e meninas em situação de rua, são: tabaco (74,7%), loló (69,9%), álcool (55,4%) e maconha (53%), entre outras. A visão dos participantes sobre serviços de atenção às drogas está influenciada pelo modelo médico. A construção da Escolta de Apoio Social, no ambiente da rua, não parece ter sido influenciada pelo sexo ou pelo uso de drogas. Os dados mostraram que existe a necessidade de valorizar a rua como ambiente de desenvolvimento e espaço de aprendizagens. Os resultados podem subsidiar a implementação e qualificação de trabalhos comunitários, visando a promoção da resiliência em crianças e adolescentes em situação de rua.
O FENÔMENO DO CHÁ E A RELIGIOSIDADE CABOCLA: Um estudo centrado na União do Vegetal
ANDRADE, Afrânio Patrocínio de, 1995
Instituto Metodista de Ensino Superior - São Bernardo do Campo
Instituto Metodista de Ensino Superior - São Bernardo do Campo
A temática “Religião e Natureza” é familiar ao ser humano desde a antigüidade, nas mais diversas civilizações. Discute-se a “volta” do homem à natureza, no contexto do fluxo e refluxo do pensamento ocidental, que em grande parte suprimiu a noção de encantos da natureza, a partir da fragmentação. Examina-se o reencontro do ser humano com a natureza no caso da religiosidade aqui estudada, a qual tem seu fundamento nas práticas dos indígenas da região Amazônica que preservaram sua antiga ligação com a natureza. Estuda-se, também, como se deu o elo de ligação entre os indígenas e os seringueiros, razão de ser desta religiosidade. Estuda-se o nascimento da Religiosidade Cabocla, cujos maiores representantes são o Santo Daime e a União do Vegetal, e o deslocamento desta religiosidade em direção às cidades, na época dos seus fundadores. Apresenta e analisa o sistema de crenças da União do Vegetal, apontando possíveis motivos pelos quais a classe média o adota nos grandes centros urbanos, como é o caso de uma comunidade paulista pesquisada. Por fim, procura ver as comunidades da União do Vegetal como Comunidades Terapêuticas ou oásis, no interior das quais se encontram respostas para as perguntas existenciais dos adeptos.
Entheogenic Mysticism: A Jamesian Assessment
BARNARD, G.William, 2008
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
National Conference of the American Academy of Religion
 
Adolescentes, Drogas e Aids - Avaliando a Prevenção e Levantando Necessidades.
SOARES, Cassia Baldini , 1997
Universidade de São Paulo
Universidade de São Paulo
O objeto deste estudo é a prevenção relacionada ao uso de drogas e dirigida aos adolescentes. Seu objetivo é avaliar políticas públicas na área. Particularmente, analisa-se um projeto de prevenção realizado nas escolas públicas do Estado de São Paulo de 91 a 94 - o Projeto Escola é Vida. Essa análise foi desenvolvida a partir de considerações sobre: a diversidade e complexidade das relações dos indivíduos com as drogas no mundo contemporâneo; e os processos de socialização dos adolescentes, sempre historicamente determinados. As considerações teóricas propõem que, para que a prevenção seja adequada, ela deve considerar a complementaridade entre duas abordagens sociológicas. Uma que se aproxima do problema da relação dos indivíduos com as drogas a partir das interações sociais que acontecem no âmbito microssocial. E outra, que coloca em evidência o peso dos fatores econômicos ou macrossociais na determinação de uma relação prejudicial dos indivíduos com as drogas. As categorias analisadas por referência à prevenção são: objetivos da prevenção; concepções sobre drogas e adolescentes; AIDS como um possível prejuízo ao nível do processo saúde?doença. A análise dessas categorias foi feita a partir dos depoimentos de: supervisores do projeto, professores treinados pelo projeto; escolares que participaram de atividades do projeto e escolares de escolas que não participaram do projeto. No sentido de trazer para o campo da prevenção, alguns elementos da realidade concreta, levantou-se as características dos adolescentes que adquiriram AIDS pelo uso de drogas injetáveis com objetivo de apreender: elementos sócio-culturais referentes à prática do uso de drogas; situações de transmissão do HIV; e suas propostas em relação à prevenção. Por fim, apresenta-se conclusões que têm implicações para as políticas públicas de prevenção na área de drogas e AIDS junto ao grupo de adolescentes.
Uso problemático de álcool e outras drogas em moradia estudantil: conhecer para enfrentar
ZALAF, Marilia Rita Ribeiro , 2007
Universidade de São Paulo/ Escola de Enfermagem
Universidade de São Paulo
Este estudo teve como objetivos compreender como se dá o processo saúde-doença de universitários que residem na moradia estudantil do campus Butantã da Universidade de São Paulo no que se refere ao uso problemático do álcool e outras drogas, identificar as condições objetivas desse processo e analisar as manifestações subjacentes às questões de gênero relacionadas a ele. Foi utilizada como base teórico-metodológica a Teoria da Determinação Social do Processo Saúde-Doença aliada à categoria analítica Gênero, que contribuiu para uma melhor compreensão da qualidade desse processo em cada sujeito. A coleta de dados se deu por meio de entrevistas com oito moradores, sobre suas histórias de vidas e comportamentos relativos ao uso problemático de álcool e outras drogas, antes e depois do ingresso na moradia, temas relacionados à discriminação e diferenças de uso de drogas entre homens e mulheres. Após o tratamento dos dados utilizando a análise de conteúdo e a metodologia de Pierre Bourdieu que considera a realidade expressa nos discursos dos sujeitos que a vivem, concluiu-se que o ambiente de liberdade da moradia estudantil, a depressão, o desemprego e as características próprias desse espaço acadêmico são algumas condições favoráveis ao agravamento do uso problemático de álcool e outras drogas para os sujeitos que ingressaram na universidade em situação de dependência. Concluiu-se também que na moradia estão reproduzidas estereotipias de gênero como subalternidade feminina, preconceito e culpabilização pelo uso de drogas
A trajetória da prevenção às drogas no Brasil: do proibicionismo à redução de danos e seus reflexos nas políticas locais
Sergio Trad, 2010
Departament d’Antropologia, Filosofia i Treball Social - Programa de doctorat d’Antropologia de la Medicina
Universitat Rovira i Virgili
 
A presença das bebidas alcoólicas e outras substâncias psicoativas na cultura brasileira
ESPINHEIRA, Gey e ANDRADE, Tarcisio,

 
Crack. Uma abordagem multidisciplinar.
CRUZ, Marcelo; VARGENS, Renata; RAMÔA, Marise., 2011
SENAD
Impactos sobre o uso do crack na saúde pública e sociedade exigem a implementação de uma política de atenção aos problemas com drogas no Brasil.
Educação e redução de danos: um caminho para a inclusão social
Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura,
Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura
 
Seminário: Educação e Redução de danos - Um caminho para a inclusão social
DUARTE, Paulina do Carmo Arruda Vieira, 2008
Secretária Nacional de Políticas sobre Drogas Adjunta
 
Por que temos medo do uso de Drogas? Que tal, refletir e agir de outro modo?
Gilberta,
UERJ
 
Terapia Comunitária: Educação como processo de redução de vulnerabilidades relacionadas ao uso de drogas
BARRETO, Adalberto,
UFC
 
Experiência da ABORDA: Tecendo Redes no movimento da Roda
VEDOVATTO, Semiramis Maria Amorim,
ABORDA
 
An exploration of psychotherapeutic aspects of Santo Daime ceremonies in the UK
VILLAESCUSA, Manuel, 2002
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Middlesex University
This research explores the experience of participants in rituals organized by the Santo Daime, a Brazilian religious organization. These rituals involve the use of Ayahuasca, an Amazonian psychoactive brew traditionally used as a healing medicine in South America.The study used semi-structured interviews to explore the thoughts and attitudes of six participants of Santo Daime rituals in the UK.The findings highlight a number of themes addressed in the discussion as follows: 1) increased awareness; 2) beneficial and negative effects; 3) modification of values and behaviour; 4) Ayahuasca as a teacher and as a discipline. Recommendations and considerations about the psychotherapeutic potential of Ayahuasca rituals will be offered to support the integration of this traditional healing medicine in Western psychotherapy practice.
Gerência de Prevenção
Programa Estadual DST/AIDS - SP,
Secretaria da saúde
 
Comportamento de risco de mulheres usuárias de Crack em relação às DST/AIDS
NAPPO, Solange,

 
Moradia universitária: processos de socialização e consumo de drogas
LARANJO, Thais Helena Mourão e SOARES, Cássia Baldini, 2006
Departamento de Enfermagem em Saúde Coletiva. Escola de Enfermagem - Universidade de São Paulo e Centro de Atenção Psicossocial em Álcool e Drogas de Ermelino Matarazzo. Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo
Universidade de São Paulo
OBJETIVO: Conhecer e analisar o discurso dos moradores de um conjunto
residencial estudantil universitário sobre os processos de socialização e consumo de
drogas.

MÉTODOS: Pesquisa qualitativa, realizada com 20 alunos de graduação residentes
em moradia estudantil universitária em São Paulo, SP, 2003. Tomou-se a moradia
como um espaço de socialização juvenil que viabiliza a presença de estudantes de
baixa renda, na universidade. As entrevistas abordaram o conhecimento dos alunos
sobre a história da moradia, a experiência de viver em uma moradia estudantil e a
percepção dos moradores sobre o consumo de drogas. O procedimento metodológico
que serviu de base para a coleta, organização e análise das entrevistas foi o discurso
do sujeito coletivo.

RESULTADOS: Os resultados mostraram que: os estudantes têm pouco conhecimento
sobre a história da moradia; as alternativas para os problemas que enfrentam na
moradia têm sido buscadas individualmente; observou-se entre os moradores as duas
principais concepções de prevenção ao consumo de drogas; guerra às drogas e
redução de danos. Observou-se haver uma visão negativa sobre a moradia estudantil
relacionada com a constante divulgação de fatos conturbados e com o desconhecimento
sobre a importância da moradia para viabilizar a permanência de estudantes pobres na
universidade.

CONCLUSÕES: Na opinião de seus moradores, a moradia estudantil viabiliza o
acesso a universidade, apesar de dificuldades na convivência coletiva e na
administração da universidade. Em relação ao uso de drogas na moradia, parte dos
moradores ressalta a necessidade de menor tolerância ao consumo de drogas e
outra parte destaca a importância de trabalho educativo, principalmente com os
ingressantes.
Uso de bebidas alcoólicas e outras drogas nas rodovias brasileiras
PECHANSKY, F. DUARTE, P. C. A. V. DE BONI, R. B. ,
UFRGS
UFRGS
 
Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico
MOURA, E. C. et al., 2008

MINISTÉRIO DA SAÚDE
Secretaria de Vigilância em Saúde
Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa
 
Política nacional sobre o álcool - SENAD
Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, 2007

Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas - SENAD
 
Relatório brasileiro sobre drogas
DUARTE, P.; STEMPLIUK, V.; BARROSO, L., 2009
SENAD
Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas
 
A política do ministério da saúde para a atenção integral a usuários de álcool e outras drogas
Ministério da Saúde, 2004
Ministério da Saúde
Ministério da Saúde
 
Levantamento nacional sobre o uso de drogas entre crianças e adolescentes em situação de rua nas 27 capitais brasileiras
NOTO, A. R. et al., 2003
CEBRID
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas - CEBRID
 
O MICROCOSMO DAS RAVES PSICODÉLICAS
NASCIMENTO, Ana Flávia Nogueira,
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
 
Informe sobre el estado de la seguridad vial en la región de las Américas
Organización Panamericana de la Salud, 2009

Organización Panamericana de la Salud
 
Prevalência do consumo de drogas psicotrópicas entre adolescentes do Ensino Fundamental e Médio do município de Dourados-MS, 2009
MURAKI, Silvia Mara Pagliuzo , 2009
Universidade de Brasília/ Faculdade de ciências da saúde
Universidade de Brasília
Droga pode ser definida como qualquer substância capaz de modificar o funcionamento dos organismos vivos, resultando em mudanças fisiológicas ou de comportamento. As drogas capazes de alterar o funcionamento mental ou psíquico de um indivíduo são denominadas drogas psicotrópicas, por atuar sobre o cérebro alterando a maneira de sentir, de pensar e muitas vezes de agir do indivíduo. O problema do uso de drogas entre adolescentes compreende um dos mais sérios problemas de saúde pública do mundo e, considerando a quantidade e a freqüência de uso, podem provocar danos irreparáveis à saúde. Esta dissertação estimou a prevalência do uso de diferentes drogas psicotrópicas entre adolescentes de escolas públicas do ensino fundamental e médio, do município de Dourados, estado de Mato Grosso do Sul, Brasil, no ano de 2009. Delineou-se um estudo descritivo de corte transversal. Aplicou-se um questionário fechado de autopreenchimento, adaptado no Brasil por Carlini-Cotrin et al. (1993), e utilizado pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), em levantamentos epidemiológicos nacionais. A amostra foi tomada entre abril a agosto de 2009, e composta por 1021 estudantes, sendo 43,3% do sexo masculino e 56,7% do sexo feminino; 57,4% são do ensino fundamental e 42,6% do ensino médio, e estão compreendidos na faixa etária de 12 a 18 anos. As prevalências de consumo na vida foram: álcool (75,2%), energéticos (30%), tabaco (26,2%), solventes (21,2%), seguido das anfetaminas (9,1%), dos tranqüilizantes (7,3%), maconha (6,7%), crack, anticolinérgicos (1,9%), alucinógenos (1,6%) entre outros. Considerando o uso na vida, verificou-se uma proporção estatisticamente significativa de uso entre os participantes do sexo masculino para o tabaco, solventes, maconha, crack e barbitúricos. Quanto ao sexo feminino, as proporções de freqüência foram maiores para o uso de álcool, anfetaminas e tranqüilizantes, sem significância estatística. No presente estudo, verificou-se uma caracterização da prevalência de consumo acima das médias nacionais.
Serviço social e liderança sindical: a parceria entre a ação do assistente social e os trabalhadores usuários de álcool e outras drogas na CESP Companhia Energética de São Paulo S.A.
DE SOUZA, Alvandira Generosa , 2009
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/ Mestrado em Serviço Social
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
A presente dissertação tem como proposta analisar o processo da ação do Serviço Social no Programa de Dependência Química oferecido pela CESP - Companhia Energética de São Paulo, em parceria com o Sindicato dos Eletricitários da base de São Paulo, em 2006. O estudo toma como eixo central de reflexão as grandes mudanças políticas e estruturais vivenciadas pelo setor elétrico, especificamente na CESP. A retórica corporativa dos programas de qualidade de saúde do trabalhador passa por inúmeros entraves sociais, até chegar ao impacto real que é a saúde do trabalhador dependente de álcool e de outras drogas. Embora pareça cada vez mais aceitável e natural, ainda é um problema lidar com essa demanda no interior da CESP. O Serviço Social busca encaminhamentos e ações cautelosas e éticas, procurando evitar preconceitos e julgamentos tanto no âmbito da gestão da empresa quanto das relações interpessoais e sociais. A pesquisa foi realizada nas dependências da CESP, em três das suas unidades: sede da empresa em São Paulo, Capital; Usina Paraibuna e Usina Jaguari, ambas localizadas no Vale do Paraíba. Utilizou-se o questionário como instrumento de pesquisa e, com base nos resultados encontrados, procedeu-se à análise articulada, inclusive no contexto do trabalhador na empresa, ao conhecimento que se construiu sobre a matéria e à participação do Sindicato no Programa Prevenção e Tratamento de Álcool e de outras drogas. Esta pesquisa contribuiu para que se visualizasse melhor a extensão do problema na empresa - o aumento do uso de álcool e outras drogas e para se conhecer como os empregados, usuários de álcool ou drogas, ou não, veem a ação do Serviço Social na empresa. Contribuiu ainda, para se elaborar um novo planejamento coordenado, buscando novas formas de conduzir e administrar este e outros programas aos empregados da CESP
Lidar com substâncias psicoativas: o significado para o trabalhador de enfermagem
MARTINS, E. R.; CORRÊA, A. K., 2004
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - USP
Universidade de São Paulo
Neste estudo propus-me a compreender o significado do lidar com substâncias psicoativas para os trabalhadores de enfermagem que atuam em clínica médica de uma unidade hospitalar. Para alcançar tal propósito, foram utilizadas idéias do referencial metodológico fenomenológico. Foram feitas entrevistas a partir da questão norteadora "o que é para você lidar com substâncias psicoativas?". A análise das falas revelou que esse lidar se mostra aos trabalhadores, em sua essência, um trabalho "como qualquer outro", sendo significativa a ênfase dada ao fazer em detrimento da prática reflexiva; o receio de falar sobre "o proibido", o que "compromete", sendo a droga enfocada como uma possibilidade real de uso no cotidiano dos trabalhadores. Suas experiências reafirmam a necessidade de refletir e discutir sobre o fenômeno drogas, articulando as vivências intersubjetivas ao contexto das Políticas Nacionais e Internacionais de Saúde, favorecendo aos profissionais perceberem de forma mais crítica e questionadora o fenômeno.
Influencia del consumo de sustancias psicoactivas en el ámbito familiar sobre la autoestima de escolares
PEREIRA, N. B. R.; DUVICQ, C. G. F.; CARVALHO, A. M. P. , 2005
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - USP
Universidade de São Paulo
El objetivo de esta investigación es relacionar comparativamente el nivel de autoestima de los escolares de 6° año de educación básica de colegios públicos de la comuna de Chiguayante, provincia de Concepción-Chile, con el consumo de sustancias psicoactivas de parte de sus familiares. Este estudio es no experimental, correlacional y transversal aplicado a una muestra de 303 niños. Se aplicó un instrumento conformado por antecedentes sociodemográficos y por el Inventario de Autoconcepto en el Medio Escolar de García (1995). A nivel general, se obtuvo que el 89,1% de los alumnos presentan una autoestima global alta, situación que se repitió al comparar el grupo de niños que informaron consumo (en cualquiera de sus formas) de sustancias psicoactivas en su familia, con el grupo de niños que no vivían tal situación. Sin haber mayores diferencias entre ambos grupos de niños, se pudo establecer que el consumo moderado de cualquier sustancia psicoactiva no influiría en la autoestima de los escolares de este nivel de educación.
Álcool e violência em homens e mulheres
ALMEIDA, R. M. M. de; PASA, G. G.; SCHEFFER, M., 2009

Universidade do Vale do Rio dos Sinos
O uso nocivo do álcool configura-se como um problema de saúde pública, associado ao aumento da violência, envolvendo ambos os sexos. Esse artigo tem por objetivo discutir sobre o impacto do uso do álcool em homens e mulheres do ponto de vista neurobiológico, enfatizando a ação psicoativa da substância e sua implicação no comportamento violento. Foi conduzida uma análise baseada em artigos selecionados nas fontes eletrônicas do Scielo, LILACS, MEDLINE, PubMed? e Web of Science no período de 1996 a 2008. Do total de 420 artigos selecionados, 90 foram considerados relevantes para a análise. Verificou-se que o uso nocivo do álcool causa mudanças neuroquímicas e alterações nas funções cognitivas, podendo gerar comportamentos violentos em homens e mulheres, entretanto, evidenciou-se importantes diferenças entre os sexos quanto à ação psicoativa do álcool, assim como, no tipo de violência expressa. Estudos sobre a temática proposta ainda são escassos, sugerindo a necessidade de pesquisas futuras que possam contribuir para um melhor entendimento e para ações preventivas eficazes.
Associação tabagismo-alcoolismo: introdução às grandes dependências humanas
CHAIEB, J. A.; CASTELLARIN, C. , 1998
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Universidade de São Paulo
OBJETIVO: Verificar a existência da associação tabagismo-alcoolismo em amostra da população geral e comparar uma amostra alcoolista com outra abstêmia, pareadas pela idade e sexo. MATERIAL E MÉTODO: Na Unidade Sanitária Murialdo de Porto Alegre, RS numa área delimitada, com uma população estimada de 65.000 habitantes, foi feito estudo por corte transversal em que se definiu uma amostra representativa de indivíduos com 35 anos e mais. Através da Escala CAGE, identificou-se a população alcoolista que foi comparada a uma amostra aleatória de não-alcoolistas, pareada à alcoolista pela idade e sexo. Dentre 1.387 adultos com 35 anos ou mais, identificaram-se 129 indivíduos alcoolistas. Da listagem geral, selecionou-se aleatoriamente, uma amostra-controle de 129 indivíduos não-alcoolistas, criando-se, assim, dois grupos comparativos. Foram obtidos dados comparativos através de 19 itens de um questionário. As informações de caráter genérico eram pessoais ou familiares, como renda e hábito tabágico. O grau de escolaridade, ocupação, doenças e sintomas respiratórios, medida do fluxo expiratório (Pico do Fluxo) e história de alcoolismo eram exclusivas dos indivíduos com 35 anos ou mais que responderam ao questionário. RESULTADOS: Dos 129 indivíduos (9,3%) alcoolistas, 109 (84,4%) eram do sexo masculino e 20 (25,6%) do feminino. Entre alcoolistas, é maior a prevalência de fumantes (67%) se comparada com a prevalência entre os não-alcoolistas (43%) (p<.002). O tipo de ocupação profissional distinguiu os dois grupos. A ocupação de grau elementar prevalece entre alcoolistas enquanto a de grau médio é mais freqüente entre não-alcoolistas (p< .003). A renda familiar bem como a pessoal é maior entre não-alcoolistas (P < .001). Há predominância não significativa de não brancos e iletrados bem como é maior o número de fumante na família dos alcoolistas, do que na de abstêmios (p< .06). Mesmo não atingindo níveis de significância, houve tendência dos alcoolistas iniciarem-se no tabagismo mais cedo, fumarem durante mais tempo um maior número de cigarros. CONCLUSÕES: O estudo demonstra que, na amostra da população geral, houve associação estatística entre a dependência alcoólica e a tabágica. Nessa amostra o alcoolismo predominou entre as categorias de mais baixa renda e de nível cultural e profissional, considerados elementares.
Tempo de alcoolismo no desenvolvimento de doenças orgânicas em mulheres tratadas no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, SP, Brasil
DANTAS, R. O., 1985
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Universidade de São Paulo
Com o objetivo de conhecer o tempo de ingestão freqüente de bebidas
alcoólicas (ingestão média de mais de 100 ml de etanol por dia, pelo menos três
dias por semana), até o aparecimento de sinais e sintomas de doenças orgânicas conseqüentes
ao hábito, estudamos 95 mulheres tratadas entre 1978 e 1982 no Hospital
das Clínicas de Ribeirão Preto, portadoras de doenças orgânicas associadas ao alcoolismo.
Foi feito diagnóstico clínico e laboratorial de cirosse hepática em 32 pacientes,
de pancreatite crônica em 13 e de outras doenças (pelagra, desnutrição, neurite periférica
e hepatite alcoólica) em 50. Pacientes com apenas sintomas psiquiátricos não
foram estudadas. A obtenção das informações ocorreu após alguns dias de tratamento.
Em média a idade em que começaram a ter sinais e sintomas das doenças que motivaram
a procura de hospital para tratamento foi de 35,30 ± 7,72 anos na pancreatite
crônica, 36,53 ± 8,39 anos na cirrose hepática e de 33,90 ± 11,27 anos nas outras
doenças. O tempo de ingestão da bebida foi de 15,92 ± 7,15 anos na pancreatite crônica,
14,62 ± 8,70 anos na cirrose hepática e 13,24 ± 9,58 anos nas outras doenças.
Antecedentes familiares de alcoolismo estiveram presentes em 64,2% dos casos, geralmente
marido ou companheiro. Nenhuma delas tinha outras mulheres na família
com problemas de alcoolismo. A média do tempo de alcoolismo para o aparecimento
de cirrose hepática nas mulheres (14,62 anos) foi menor do que a encontrada para
homens da mesma população (21,10 anos), estudados em trabalhos anteriores.
Consumo de substâncias psicoativas entre estudantes de rede privada.
GODOI, Alcinda Maria Machado; MUZA, Gilson Maestrini; COSTA, Marisa Pacini; GAMA, Maria Lydia Teixeira, 1991
Faculdade de Saúde Pública - Universidade de São Paulo
Universidade de São Paulo
Em uma amostra de 1.441 alunos, representativa de estudantes de primeiro e segundo graus da rede privada do Distrito Federal (Brasil), foi realizado, em 1988, pesquisa com o objetivo de determinar a prevalência de consumo de álcool, fumo e drogas. Como instrumento de coleta de dados utilizou-se questionário adotado pela OMS, modificado. As prevalências do uso de substâncias psicoativas na vida (incluindo desde a experimentação até o uso diário) mostraram taxas de 67,2% para o álcool, 28,7% para o fumo, 13,9% para os inalantes, 6,1% para a maconha e 1,8% para a cocaína. O consumo da maioria das drogas mostrou-se crescente com a idade. Em relação ao sexo, as drogas ilícitas foram mais freqüentemente utilizadas pelos homens.
Pedagogia Punitiva: Dos Discursos Pedagógicos às Práticas Punitivas das Medidas Sócio-Educativas Privativas de Liberdade
ROSA, Pablo Ornelas, 2008
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política - PPGSP da Universidade Federal de Santa Catarina � UFSC
Quando, no período da adolescência, um sujeito comete um grande número de atos infracionais ou apenas um tido como grave, sendo julgado culpado provavelmente a ele será aplicada uma medida sócio-educativa privativa de liberdade com o intuito de educá-lo para não mais cometer delitos. O presente trabalho propõe uma reflexão sobre o caráter pedagógico (e suas lacunas) conferido a essas medidas pelo ECA � Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90) e as efetivas práticas das instituições responsáveis por sua execução. Considerando que a privação de liberdade com os adultos não os re-insere socialmente, questionaremos a possibilidade deste mesmo tipo ação ser realmente efetiva em relação a estes jovens.
Associação entre paracoccidioidomicose e alcoolismo
MARTINEZ, R.; MOYA, M. J., 1992
Faculdade de Saúde Pública - Universidade de São Paulo
Universidade de São Paulo
A associação entre alcoolismo e paracoccidioidomicose foi avaliada pelo método de caso-controle, comparando-se o hábito de ingestão etílica de 70 doentes com o de outros 70 pacientes hospitalizados por razões diversas e pareados por sexo e idade. Os participantes foram interrogados de maneira padronizada sobre a quantidade, tipo e periodicidade da ingestão de bebidas alcoólicas, duração do consumo e também sobre manifestações de abuso e/ou dependência do álcool. Na forma crônica da micose foi observada proporção significativamente maior de doentes com ingestão média de álcool acima de 60 ml/dia (50,0% x 30,0%) e com preferência por aguardente de cana (89,4% x 68,3%) em relação ao grupo controle, além dos grandes bebedores (>100 ml/dia) mostrarem tendência de reativação da doença durante ou após seu tratamento. Na forma aguda/subaguda da paracoccidioidomicose verificou-se que 64,3% dos consumidores de bebidas alcoólicas já haviam tido um ou mais episódios de embriaguez etílica, versus 17,6% no grupo controle. Os dados sugerem que o alcoolismo seja fator predisponente da paracoccidioidomicose e talvez possa prejudicar sua cura, principalmente da forma crônica da infecção.
Alcoolismo e problemas relacionados: dificuldades na implementação de estudos de prevalência.
COUTINHO, E. S. F., 1992
Escola Nacional de Saúde Pública - Fundação Oswaldo Cruz
Fundação Oswaldo Cruz
No artigo, são apresentadas algumas dificuldades metodológicas no estudo da prevalência do alcoolismo e dos problemas relacionados com o consumo abusivo de bebidas alcoólicas. Abordam-se questões como a definição de alcoolista e os obstáculos para a sua identificação através de instrumentos utilizados em estudos populacionais. Discutem-se ainda as vantagens e desvantagens dos diferentes deliamentos de pesquisa para estimar a prevalência do alcoolismo e dos problemas associados ao álcool.
Prevalência de consumo de bebidas alcoólicas e de alcoolismo em uma região metropolitana do Brasil
ALMEIDA, L. M.; COUTINHO, E. S. F., 1993
Faculdade de Saúde Pública - Universidade de São Paulo
Universidade de São Paulo
Foi realizado Inquérito epidemiológico com o objetivo de estimar o uso de substâncias psicoativas e a prevalência de alcoolismo. Tomou-se como referência a população de maiores de 13 anos de idade de região administrativa da cidade do Rio de Janeiro, RJ (Brasil), da qual se extraiu uma amostra aleatória de 1.459 indivíduos. Os resultados referentes ao uso de bebidas alcoólicas e alcoolismo, identificados através do teste CAGE, mostraram: prevalência de 51% para o consumo de álcool e de 3% para alcoolismo, sendo 4,9% em homens e 1,7% em mulheres; maior proporção de consumidores de álcool e de alcoolistas entre homens de 30 e 49 anos; abstinência mais freqüente entre os viúvos, protestantes e indivíduos com níveis de renda inferiores.
Alcoolismo e sífilis: prevalência e alterações clínicas e bioquímicas hepáticas
BORINI, P., 1993
Instituto de Medicina Tropical de São Paulo
Instituto de Medicina Tropical de São Paulo
Avalia-se a prevalência de sífilis em alcoolistas crônicos e as alterações hepáticas, clínicas e bioquímicas, em pacientes portadores de ambas entidades. A prevalência de sífilis em doentes com outros diagnósticos psiquiátricos foi tomada para comparação. Os pacientes eram assintomáticos ou oligossintomáticos com relação à disfunção hepática causada pelo alcoolismo e não apresentavam manifestações correspondentes aos estágios clínicos da sífilis. Duzentos e seis alcoolistas e 228 pacientes com distúrbios psiquiátricos foram submetidos a exame clínico e às reações sorológicas quantitativas de Wasserman e VDRL para diagnóstico de sífilis. Encontrou-se prevalência de soropositividade em 6,3% e 3,1% dos alcoolistas e doentes psiquiátricos, respectivamente. Nenhuma diferença estatisticamente significante foi observada entre os alcoolistas, com sorologias positivas e negativas para sífilis, quanto às frequências das manifestações clínicas e alterações bioquímicas indicativas de acometimento hepático.
Adolescência e as expectativas em relação aos efeitos do álcool
ARAUJO, L. B.; GOMES, W. B., 1998
Instituto de Psicologia - UFRGS
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Trata-se dois estudos interdependentes. No Estudo 1, 188 estudantes secundaristas de uma escola pública de Porto Alegre - RS responderam a um protocolo sobre tipos de bebida, locais de consumo, idades de experimentação, uso mais comuns e efeitos esperados em relação a informação de consumo de álcool no mês anterior. Os resultados permitiram a classificação dos adolescentes em três padrões de consumo (abstinência, moderado e elevado) e mostraram que expectativas agradáveis dos efeitos do álcool estavam associadas ao consumo elevado. No Estudo 2, entrevistou nove sujeitos que haviam participado do Estudo 1, com o objetivo de conhecer os conteúdos das expectativas no contexto da história pessoal e familiar de consumo de álcool. A escolha dos sujeitos foi intencional, de acordo com idade (14 a 16 anos), freqüência do uso de álcool no último mês e tipos de expectativas, ou seja três representantes de cada perfil. As descrições das entrevistas foram classificadas em unidades de sentido e a seguir agrupados em categorias temáticas. As interpretações destacaram o uso do álcool como parte do desenvolvimento psicológico do adolescente em nossa sociedade e o impacto da orientação e modelo familiar nos hábitos de consumo e nas escolhas da bebida dos filhos adolescentes.
A complexidade das relações entre drogas, álcool e violência
MINAYO, M. C. de S.; DESLANDES, S. F., 1998
Escola Nacional de Saúde Pública - Fundação Oswaldo Cruz
Fundação Oswaldo Cruz
Este artigo discute as complexas relações existentes entre drogas e violência. Valendo-se de alguns estudos com base empírica e dos discursos correntes, analisa os problemas conceituais e metodológicos relacionados ao estabelecimento de nexos causais, riscos e associações. Ao demonstrar as dificuldades teóricas e práticas destas delimitações, aponta também para um debate necessário no campo da saúde pública e das políticas sociais. Preocupa-se com que as intervenções e a prevenção não se contaminem por falácias, que em nada ajudam a compreensão e a ação relativas à problemática social das drogas.
A participação da genética nas dependências químicas
MESSAS, G. P. , 1999
Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)
Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)
Este artigo procura examinar a questão da herdabilidade nas dependências químicas. Através da revisão de estudos em famílias, em gêmeos e de adoção, encontramos evidências para afirmar a importância dos fatores genéticos na transmissão da vulnerabilidade às dependências. Essa transmissão pode ser melhor compreendida através de um modelo epigenético de desenvolvimento do transtorno onde condições biológicas hereditárias associem-se a situações ambientais ao longo da vida para a produção da dependência. Neste artigo apresentamos essas condições biológicas intermediárias vinculadas ao alto risco para dependência, focadas no caso do álcool e da cocaína. Por fim, descrevemos os estudos moleculares que vêm estabelecendo associações entre polimorfismos e as dependências, com relevo para o sistema dopaminérgico.
Perfil sócio-demográfico epidemiológico dos usuários de drogas injetáveis e características de mulheres e homens do Projeto AJUDE -Brasil II.
CINTRA, Ana Maria de Oliveira , 2006
Universidade Federal de Minas Gerais/ Programa de pós-graduação em sãúde pública
Universidade Federal de Minas Gerais
Este estudo teve como objetivo descrever as características sócio-demográficas e de saúde dos usuários de drogas injetáveis (UDIs) do Projeto AjUDE? -Brasil-II com ênfase na comparação entre mulheres e homens, verificando a relação entre iniciação ao uso de injetável, uso de drogas, prática sexual e infecção pelo HIV. Constou de um estudo transversal, multicêntrico, realizado no ano de 2000-2001, em seis Projetos de Redução de Danos (PRDs) brasileiros. A maioria dos entrevistados era do sexo masculino (82,9%) e relatou viver a maior parte do tempo em casa (81,0%). Cerca de 20% ficou sem local para morar nos seis meses prévios à entrevista. Desemprego foi comum a 75,4% e em torno de 20% respondeu não ter fonte de renda. História de detenção foi relatada por 80,2% e 33,0% cumpriu pena, metade por furto e roubo. Agressões e envolvimento em brigas foram comuns em 44,4% dos entrevistados. A maconha foi a droga de iniciação (64,6%), seguida pela cocaína (11,9%) e por inalantes (11,8%). O álcool (90,1%), a maconha (86,7%), o cigarro (81,3%), a cocaína injetada e cheirada (76,4 e 76,0%, respectivamente) e o crack (46,9%) foram as drogas mais usadas nos seis meses prévios à entrevista. A maioria dos participantes não procurou tratamento para uso de drogas na vida (65,2%). Já para a saúde em geral, 73,7% relataram ter buscado algum tipo de tratamento na vida. Nos seis meses prévios à entrevista, entretanto, cerca de 80,1% dos entrevistados procuraram tratamento, tanto para uso de drogas, quanto para a saúde. O PRD foi usado por 70,3% dos entrevistados. Foram entrevistados 146 mulheres e 709 homens, com médias de idades de 29,5 + 8,58 e 28,3 + 8,16 anos, respectivamente. Na comparação entre homens e mulheres, 57% dos homens e 45% das mulheres relataram ter cursado da 5ª à 8ª série do ensino fundamental (p= 0,05), diferença significativa foi observada quanto ao estado conjugal, cor de pele e ocupação: maior proporção das mulheres viviam maritalmente ou eram viúvas (47,9% e 5,5% versus 30,8% e 2,0% dos homens, respectivamente) e eram não brancas (62,8% versus 51,1% dos homens). Mulheres e homens iniciaram o uso de drogas injetáveis com idades semelhantes (18,6+5,0 e 19,3+5,6 anos, respectivamente), porém quando comparadas aos homens, as mulheres foram mais freqüentemente iniciadas por seus parceiros sexuais no uso injetável de drogas, na obtenção da droga, seringas e mesmo no ato de injeção da droga. As mulheres, mais que os homens, também relataram parcerias sexuais regulares (83,5% versus 72,0%, p<0,05), e menos freqüentemente parcerias sexuais eventuais (39,0% versus 58,2%, p<0,01). Entretanto, uma maior proporção de mulheres relatou usar drogas com seus parceiros regulares (57,3% versus 11,7%, p<0,001) e eventuais (50,0% versus 18,2%, p<0,001), além da troca de sexo por drogas (43,5% versus 12,2%, p<0,001). Neste estudo, 39,3% das mulheres e 36,0% dos homens UDI eram HIV-soropositivos. Mais mulheres infectadas do que homens infectados viviam maritalmente (OR=2,56 IC=(1,4;4,8)) e eram não brancas. O parceiro sexual, foi facilitador na obtenção da droga, mais freqüentemente entre mulheres (OR=20,97 IC=(4,6;105,4)), para a obtenção de material para injeção (OR=16,50 IC=(2,8;124,8)) e também para o ato de injetar a droga pela primeira vez (OR=31,42 IC=(7,3;148,3)). Mulheres infectadas tiveram maior chance de ter parceiros regulares que também usavam drogas, comparadas aos homens infectados (OR=10,41 IC=(4,2;25,9)), e com parceiros eventuais, tiveram maior chance de terem relações sexuais para obter drogas (OR=4,33 IC=(1,3;14,8)). As mulheres UDIs apresentaram aspectos comportamentais sugestivos de uma maior vulnerabilidade à infecção pelo HIV do que os homens.
Pesquisa-ação com mulheres detentas sobre sexualidade, DST - Aids e drogas
GIORDANI, Annecy Tojeiro , 2000
Universidade de São Paulo/ Escola de enfermagem de Ribeirão Preto/ Departamento de Enfermagem Psiquiátrica e Ciências Humanas
Universidade de São Paulo
Sensibilizadas com as questões relativas à sexualidade, DST, aids e drogas, voltadas principalmente para pessoas em detenção em sistema penitenciário, procuramos desenvolver esta pesquisa-ação com 49 mulheres detentas de três cadeias públicas femininas do interior paulista, objetivando levantar com elas seus problemas frente à sexualidade, DST, aids e drogas, trabalhando a seguir, um programa educativo sobre estes temas, possibilitando-lhes, conhecimentos e habilidades nesta área, bem como, preparando-as para serem agentes multiplicadores. Coletamos os dados através de entrevistas individuais gravadas, a partir de questionário aberto e com questões norteadoras as quais nos permitiram qualitativamente verificar o significado positivo que as mulheres dão à vida, à família, sublimando a maternidade. Sentem profunda tristeza pela situação em que se encontram, sendo que a maioria está presa devido ao uso e tráfico de drogas. Praticam qualquer tipo de sexo, mais preferem o vaginal. São promíscuas e algumas bissexuais. Atribuem às DST-aids, a desinformação do povo e possuem grande interesse em saber e participar de atividades educativas no interior das cadeias sobre estas temáticas. Algumas revelam presença de DST em sua vida, referindo-se ao uso inadequado do preservativo, afirmando ser difícil negociar sexo seguro com o parceiro. Demonstram conhecimento simples às vezes ingênuo sobre sexualidade, sexo, DST-aids e drogas e não desenvolvem a consciência para a mudança de comportamento. Depreendemos então, que estas mulheres não têm preparo para lidarem com a sua sexualidade e contra às DST-aids e drogas.
Guiado pela Lua
MACRAE, Edward, 1992
Grupo interdisciplinar de Estudos sobre Substâncias Psicoativas - GIESP
Editora Brasiliense
Resultado de um trabalho de campo de muitos anos junto aos grupos religiosos do Santo Daime, com diversas viagens do autor à Amazônia e ao Céu do Mapiá onde está sediada a comunidade mais importante do Santo Daime, este livro pioneiro foi um dos primeiros a constituir o campo de estudos antropológicos sobre os usos religiosos da ayahuasca e a influência do xamanismo amazônico na cultura brasileira.
Transtornos depressivos em usuários de drogas injetáveis infectados pelo HIV: um estudo controlado
MALBERGIER, A.; ANDRADE, A. G. , 1999
Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)
Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)
OBJETIVO: Estudar os transtornos psiquiátricos em pacientes usuários de drogas injetáveis infectados pelo HIV. MÉTODOS: Pacientes que se apresentavam para tratamento da dependência de drogas, foram divididos em dois grupos de acordo com a sorologia para o HIV (vírus da imunodeficiência humana), vírus causador da síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS). Trinta pacientes HIV-positivos e 30 pacientes HIV-negativos submeteram-se a uma entrevista estruturada para avaliação de transtornos psiquiátricos. Inicialmente, foram analisados os transtornos depressivos e os relacionados ao uso de substâncias psicoativas. RESULTADOS: Os resultados revelaram que o diagnóstico de dependência de cocaína foi mais freqüente em pacientes infectados pelo HIV do que nos não-infectados. A sorologia positiva para o HIV não foi fator associado a maior prevalência de depressão. As tentativas de suicídio foram freqüentes nesta amostra, mas as freqüências foram iguais nos dois grupos. CONCLUSÃO: Os pacientes HIV-positivos tendem a diminuir ou cessar o consumo de cocaína após conhecimento de sua sorologia.
Tabagismo e etilismo em funcionários da Universidade Estadual do Ceará
SABRY, M. O. D.; SAMPAIO, H. A. de C. SILVA, M. G. C., 1999
Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia
Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia
O presente estudo pretendeu identificar os hábitos de tabagismo e etilismo de funcionários da Universidade Estadual do Ceará, em Fortaleza. O estudo abrangeu 317 funcionários. Aplicou-se um questionário contendo dados de identificação, socioeconômicos e referentes ao tabagismo e etilismo, que foram tabulados e analisados pelo Epi-Info 6.0. O grupo entrevistado foi constituído de 157 homens e 160 mulheres, com faixa etária predominante de 30-49 anos e alta escolaridade. A renda familiar para 146 funcionários situou-se na faixa igual ou superior a 10 salários mínimos mensais. Declararam-se fumantes 83 funcionários, observando-se maior prevalência no sexo masculino (56). Em média, o consumo de cigarros foi de 12,3/dia e tal atividade era exercida havia 23,2 anos. Quanto ao etilismo, 183 indivíduos ingeriam bebida alcóolica, também encontrando-se maior prevalência nos homens. A freqüência do consumo foi principalmente em fins de semana ou raramente. A bebida mais citada foi a cerveja - 96, seguida pela aguardente de cana - 20 pessoas. O consumo médio diário de etanol foi de 29,9g. Os consumidores simultâneos de tabaco e álcool foram eminentemente do sexo masculino. A escolaridade e a renda foram maiores nas mulheres exclusivamente fumantes e a renda foi maior entre as exclusivamente etilistas. Apesar de as prevalências de tabagismo e etilismo encontradas não terem sido elevadas, ainda configuram um risco para doenças crônico-degenerativas, principalmente quanto à quantidade de etanol ingerida pelos homens, devendo haver aprofundamento do estudo em relação à associação com outras diferentes variáveis ambientais.
Vidas errantes e alcoolismo: uma questão social
NASCIMENTO, E. C. do; JUSTO, J. S., 2000

Universidade Estadual Paulista/Assis
O fenômeno da errância, impulsionado por motivos sócio-econômicos ou mesmo por razões pessoais, traz consigo profundas transformações no plano psicossocial. A presente pesquisa se propôs a investigar as razões que levam os "trecheiros" à ruptura com a vida sedentária e o papel que o alcoolismo exerce nesse processo de deserção. Foram entrevistados doze sujeitos que fazem uso de bebidas alcoólicas, albergados numa Instituição Assistencial da cidade de Assis, SP, sendo as entrevistas submetidas, posteriormente, a uma análise de conteúdo. Os resultados mostraram que a morte dos pais, os conflitos familiares e o desemprego têm sido um dos principais motivos para a ruptura com o sedentarismo. O uso do álcool, no "trecho", é atribuído pelos próprios sujeitos à necessidade de "esquecer problema", maior encorajamento e apaziguar conflitos remanescentes, em geral, conflitos afetivos que possuem como epicentro a infidelidade conjugal.
Prevalência do uso de drogas e desempenho escolar entre adolescentes
TAVARES, B. F.; BERIA, J. U.; LIMA, M. S. de. , 2001
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Universidade de São Paulo
OBJETIVO: Avaliar a prevalência do uso de drogas entre adolescentes de escolas com segundo grau. MÉTODOS: Com base em um delineamento transversal, foi realizado estudo em 1998 , em Pelotas, RS. Um questionário anônimo, auto-aplicado em sala de aula, foi respondido por uma amostra proporcional de estudantes com idade entre 10 e 19 anos, matriculados no primeiro grau (a partir da 5a série) e no segundo grau, em todas as escolas públicas e particulares na zona urbana do município que tinham segundo grau. Realizou-se até três revisitas para aplicação aos alunos ausentes. RESULTADOS: Foram entrevistados 2.410 estudantes e o índice de perdas foi de 8%. As substâncias mais consumidas, alguma vez na vida, foram álcool (86,8%), tabaco (41,0%), maconha (13,9%), solventes (11,6%), ansiolíticos (8,0%), anfetamínicos (4,3%) e cocaína (3,2%). Os meninos usaram mais do que as meninas maconha, solventes e cocaína, enquanto elas usaram mais ansiolíticos e anfetamínicos. Uso no mês, uso freqüente, uso pesado e intoxicações por álcool foram mais prevalentes entre os meninos. Após controle para fatores de confusão, permaneceu positiva a associação entre uso de drogas (exceto álcool e tabaco) e turno escolar noturno, maior número de faltas à escola no mês anterior e maior número de reprovações escolares. CONCLUSÕES: A prevalência de experimentação de drogas em adolescentes escolares é alta, sendo importante detectar precocemente grupos de risco e desenvolver políticas de prevenção do abuso e dependência dessas substâncias.
Prevalência e fatores de risco relacionados ao uso de drogas entre escolares
BAUS, J.; KUPEK, E.; PIRES, M. , 2002
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Universidade de São Paulo
OBJETIVO: Analisar a prevalência e os fatores de risco relacionados ao uso indevido de drogas entre estudantes de uma escola pública de primeiro e segundo graus. MÉTODOS: Foi realizado estudo descritivo transversal, utilizando, como instrumento de pesquisa, um questionário anônimo, padronizado e amplamente testado no Brasil para levantamento do uso de drogas. A população estudada foi constituída de 478 estudantes de escola pública de primeiro e segundo graus, de Florianópolis, SC. Os questionários foram aplicados por estudantes universitários devidamente treinados. Entre os estudantes pesquisados, 43% e 32% foram de faixa etária de 13 a 15 anos e de 16 a 18 anos, respectivamente, com predomínio de classes socioeconômicas mais altas. RESULTADOS: A prevalência de uso de maconha na vida (19,9%), solventes (18,2%), anfetamínicos (8,4%) e álcool (86,8%) foi elevada em Florianópolis, comparada a outras capitais da região Sul e à média brasileira. Notou-se elevado e freqüente uso (seis ou mais vezes por mês) de álcool (24,2%), maconha (4,9%), solventes (2,5%) e anfetamínicos (2,3%). Os fatores demográficos relacionados ao uso de drogas na vida foram idade, sexo, classe socioeconômica e vida junto aos pais. A chance de garotas usarem remédios para emagrecer ou ficarem acordadas foi o dobro da chance de garotos e, quanto ao uso de tranqüilizantes, quase o triplo. Os garotos tinham um risco quase duas vezes maior de uso de solvente do que as garotas. A classe socioeconômica alta foi associada a um risco duas vezes maior do uso de álcool do que a classe baixa. O risco de uso de cigarro e maconha na vida foi 84% e 67% maior, respectivamente, para alunos cujos pais estavam separados. CONCLUSÃO: Constatou-se alta prevalência de uso de várias drogas entre os alunos de primeiro e segundo graus.
Barreiras na relação clínico-paciente em dependentes de substâncias psicoativas procurando tratamento
FONTANELLA, B. J. B.; TURATO, E. R. , 2002
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Universidade de São Paulo
INTRODUÇÃO: Conhecer as barreiras para a procura de tratamento por dependentes de substâncias psicoativas tem óbvias implicações clínicas e na saúde pública. Assim, objetivou-se construir hipóteses sobre variáveis psicológicas e sociofamiliares configuráveis como barreiras subjetivas para procura mais precoce por tratamento formal. MÉTODOS: Foi realizada pesquisa qualitativa exploratória sobre amostra intencional (fechada por saturação e variedade de tipos) de 13 dependentes de substâncias psicoativas que procuraram tratamento. Foram realizadas entrevistas semidirigidas com questões abertas, e o material transcrito foi submetido à análise qualitativa de conteúdo. RESULTADOS: As principais barreiras situadas na relação clínico-paciente caracterizaram-se pelo medo, por parte dos usuários, em relação a clínicos e instituições (percebidos como possuindo características "sádicas") e pela percepção, pelos mesmos, de um "distanciamento" clínico-paciente. CONCLUSÕES: Deve ser considerada, pelos clínicos, a possibilidade de ocorrência dessas barreiras para procura de tratamento por pacientes ou potenciais pacientes, e o sistema público de saúde deve considerá-las na elaboração de seu marketing institucional. Tópicos como "medo de ser maltratado" e "os clínicos não saberiam tratar" deveriam constar nos questionários estruturados dos estudos quantitativos que investigam a freqüência das diferentes barreiras para procura de tratamento por dependentes.
Seqüência de drogas consumidas por usuários de crack e fatores interferentes
SANCHEZ, Z. M.; NAPPO, S. A. , 2002
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Universidade de São Paulo
OBJETIVO: Identificar, entre usuários de crack, uma progressão no uso de drogas e seus fatores interferentes. MÉTODOS: Utilizou-se metodologia qualitativa para uma investigação mais profunda, considerando o ponto de vista que o entrevistado tem do fenômeno. Foram aplicados entrevistas de longa duração e questionários semi-estruturados. Foi delineada uma amostra intencional, e uma amostragem com critérios foi conseguida. Para atingir a saturação teórica, foram entrevistados 31 usuários ou ex-usuários de crack. RESULTADOS: Foram detectadas duas fases distintas de uso de drogas. A primeira, com drogas lícitas, sendo o cigarro e o álcool as mais citadas pela amostra. Parentes e amigos dos entrevistados foram os incentivadores do consumo, e o motivo alegado para o uso dessas substâncias foi a necessidade de autoconfiança. A idade precoce do consumo e o uso pesado de uma ou ambas as drogas foram determinantes para o início de uma escalada de drogas ilícitas. A maconha foi a primeira droga dessa segunda fase. Uma postura mais ativa na busca da droga como fonte de prazer passou a ser o motivo do consumo. CONCLUSÕES: O estudo revela que a identificação de uma seqüência de drogas parece estar mais associada a fatores externos (pressões de grupo, influência do tráfico etc.) do que à preferência do usuário. Foram identificadas duas progressões diferentes: entre os mais jovens (=30 anos), cuja a escalada começou com o cigarro e/ou álcool e passou pela maconha e cocaína aspirada até o uso de crack; e os mais velhos (>30 anos), que iniciaram o uso de drogas pelo cigarro e/ou álcool, seguido de maconha, medicamentos endovenosos, cocaína aspirada, cocaína endovenosa e, por fim, crack.
Drogas e saúde na imprensa brasileira: uma análise de artigos publicados em jornais e revistas
NOTO, A. R. et al. , 2003
Escola Nacional de Saúde Pública - Fundação Oswaldo Cruz
Fundação Oswaldo Cruz
O presente estudo analisa as informações que a imprensa escrita vem divulgando atualmente no Brasil sobre as implicações do uso de drogas para a saúde. Por meio de análise de conteúdo, foi pesquisada uma amostra de 502 artigos divulgados ao longo do ano de 1998 em jornais e revistas. Entre os psicotrópicos mais evidenciados nas manchetes, destacaram-se o cigarro comum (18,1%), derivados da coca (9,2%), maconha (9,2%), bebidas alcoólicas (8,6%) e anabolizantes (7,4%). Em contrapartida, os solventes, que são os psicotrópicos mais usados no Brasil (excetuando-se o álcool e o tabaco), foram evidenciados em apenas um artigo. Esses dados indicam um descompasso entre o enfoque jornalístico e o perfil epidemiológico do consumo de psicotrópicos no Brasil. A dependência foi a conseqüência mencionada com maior freqüência nos artigos (46%), seguida de violência (9,2%), síndrome de abstinência (8,0%) e AIDS (6,8%). Os artigos apresentaram diferentes enfoques de acordo com a droga em questão; por exemplo, enquanto para a maconha prevaleceram os artigos sobre o seu uso terapêutico e a descriminalização, para a cocaína predominaram temas relacionados aos danos decorrentes do uso, ao tratamento e à repressão.
Redução de danos: estratégia de cuidado com populações vulneráveis na cidade de Santo André - SP
SILVA, S. M. et al., 2009
Universidade de São Paulo
Universidade de São Paulo
A Unidade de Redução de Danos (URD) da Secretaria Municipal de Saúde de Santo André, compreendida como instrumento do serviço de saúde em atuação avançada, tem por finalidade transformar a situação de saúde de sujeitos que fazem parte de grupos sociais estigmatizados e, portanto, vulnerabilizados; são indivíduos que circulam ou trabalham nas ruas - usuários de drogas, michês, mulheres profissionais do sexo, homens que fazem sexo com homens, adolescentes em situação de exploração sexual, transexuais, travestis, lésbicas e mulheres que trabalham em casas de programas. Nosso objetivo é assegurar aos indivíduos desses grupos o direito à saúde e, baseados no princípio de Integralidade do SUS, apoiar o acesso a outros direitos sociais. Desde 2002, através do trabalho de campo, foi possibilitada a vinculação de 240 profissionais do sexo, 120 travestis, 10 crianças e adolescentes, 28 usuários de droga injetável e usuários de crack, que até então não tinham acesso aos recursos e dispositivos de saúde do Município.
El Santo Daime y la espiritualidad brasileña
MACRAE, Edward, 2000
Grupo interdisciplinar de Estudos sobre Substâncias Psicoativas - GIESP
Ediciones Abya-Yala
Este livro relata a história das religiões do Santo Daime, a partir do tronco criado por Raimundo Irineu Serra nos anos 30, seguido pelo Padrinho Sebastião, e enfoca os principais questões teóricas do uso de psicoativos na antropologia das religiões, destacando as relações do culto e da doutrina do Daime com outras vertentes da religiosidade brasileira como as religiões mediúnicas em geral e o kardecismo em particular.
Crack cocaine use and its relationship with violence and HIV
CARVALHO, H. B.; SEIBEL, S. D. , 2009
Faculdade de Medicina - Universidade de São Paulo
Universidade de São Paulo
OBJECTIVES: To evaluate crack cocaine use practices, risk behaviors associated with HIV infection among drug users, and their involvement with violence. INTRODUCTION: HIV infections are frequent among drug users due to risky sexual behavior. It is generally accepted that crack cocaine use is related to increased levels of violence. Several reports point to an increase in violence from those involved in drug trafficking. Although HIV infections and risky sexual behavior among drug users have been quite well studied, there are few studies that evaluate violence as it relates to drugs, particularly crack. METHODS: A total of 350 drug users attending drug abuse treatment clinics in São Paulo, Brazil were interviewed about their risky behaviors. Each patient had a serological HIV test done. RESULTS: HIV prevalence was 6.6% (4.0 to 10.2). Violence was reported by 97% (94.7 to 99.1) of the subjects (including cases without personal involvement). Acts of violence such as verbal arguments, physical fights, threats, death threats, theft, and drug trafficking were significantly higher among crack users. A decrease in frequency of sexual intercourse was observed among users of injected drugs, though prostitution was observed as a means of obtaining drugs. A high number of crack cocaine users had a history of previous imprisonment, many for drug-related infractions. DISCUSSION: The data presented are in accordance with other reports in the literature, and they show a correlation between drug use, imprisonment, violence, and drug trafficking. CONCLUSION: A high HIV prevalence and associated risky sexual behaviors were observed among crack cocaine users. The society and the authorities that deal with violence related to crack users and drug trafficking should be aware of these problems.
Caracterização da cultura de crack na cidade de São Paulo: padrão de uso controlado.
OLIVEIRA, L. G.; NAPPO, S. A., 2008
Faculdade de Saúde Pública - Universidade de São Paulo
Universidade de São Paulo
OBJETIVO: Caracterizar a situação do uso de crack na cidade de São Paulo, assim como o perfil sociodemográfico de seu usuário. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS: Estudo qualitativo etnográfico com amostra intencional de usuários (n=45) e ex-usuários de crack (n=17). Os participantes foram recrutados pela técnica de amostragem em cadeias e responderam a uma entrevista semi-estruturada, direcionada por questionário, durante os anos de 2004 e 2005. O conjunto de cada questão e suas respectivas respostas originou relatórios específicos que foram interpretados individualmente. ANÁLISE DOS RESULTADOS: O perfil predominante do usuário de crack foi ser homem, jovem, solteiro, de baixa classe socioeconômica, baixo nível de escolaridade e sem vínculos empregatícios formais. O padrão de uso mais freqüentemente citado foi o compulsivo, caracterizado pelo uso múltiplo de drogas e desenvolvimento de atividades ilícitas em troca de crack ou dinheiro. Entretanto, identificou-se o uso controlado que consiste no uso não-diário de crack, mediado por fatores individuais, desenvolvidos intuitivamente pelo usuário e semelhantes, em natureza, às estratégias adotadas por ex-usuários para o alcance do estado de abstinência. CONCLUSÕES: A cultura do uso de crack tem sofrido mudanças quanto ao padrão de uso. Embora a maioria dos usuários o faça de forma compulsiva, observou-se a existência do uso controlado, que merece maior detalhamento, principalmente quanto às estratégias adotadas para seu alcance.
Uma visão psiquiátrica sobre o fenômeno do crack na atualidade
ESSLER, F.; PECHANSKY, F., 2008
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
 
O crack, o pai e os psiquiatras e psicanalistas
RAMOS, S. P., 2008

 
Perfil do usuário de crack e fatores relacionados à criminalidade em unidade de internação para desintoxicação no Hospital Psiquiátrico São Pedro de Porto Alegre (RS)
GUIMARAES, C. F.; SANTOS, D. V. V.; FREITAS, R. C.; ARAUJO, R. B. , 2008
Sociedade de Psiquiatria do Rio Grande do Sul
Sociedade de Psiquiatria do Rio Grande do Sul
INTRODUÇÃO: O presente estudo transversal foi realizado com usuários de crack do sexo masculino internados na Unidade de Desintoxicação do Hospital Psiquiátrico São Pedro de Porto Alegre (RS) no período de março a dezembro de 2007. O objetivo do presente estudo foi identificar o perfil sociodemográfico e de consumo de substâncias psicoativas e a presença de conduta anti-social, sintomas de ansiedade e de depressão em usuários de crack internados na Unidade de Desintoxicação do Hospital Psiquiátrico São Pedro de Porto Alegre (RS), bem como verificar fatores associados à criminalidade nessa clientela. MÉTODO: Trinta sujeitos participaram do estudo, e os instrumentos utilizados foram: questionário sociodemográfico e de avaliação do consumo de substâncias psicoativas e de antecedentes criminais com 55 questões, Mini-Exame do Estado Mental, Inventário Beck de Ansiedade, Inventário Beck de Depressão, Fagerström Test for Nicotine Dependence e Escala Analógico-Visual de Fissura. RESULTADOS: Os principais resultados apontam para uma população de adultos jovens, de cor/raça branca, com idade média de 27,3 anos e em situação de subemprego ou desemprego. A presença de antecedentes criminais foi observada em 40% da amostra e está associada a maior fissura (U = 58,00; p = 0,035), a mais sintomas de ansiedade (U = 56,50; p = 0,028) e de depressão (U = 47,00; p = 0,009). CONCLUSÕES: É freqüente a presença de antecedentes criminais em dependentes de crack e esta variável está relacionada a mais ansiedade, depressão e fissura. Estudos deste tipo permitem ampliar o conhecimento da população atendida, para delinear de forma mais efetiva o plano terapêutico para esta clientela.
Adolescentes em conflito com a lei
PRIULI, R. M. A.; MORAES, M. S. , 2007
Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva
Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva
O estudo focou o adolescente autor e vítima da violência, fenômeno crescente no Brasil. Dados coletados dos prontuários dos internos de São José do Rio Preto e seleção das variáveis: local de moradia, idade, escolaridade, tipo e local das infrações, uso de drogas e ocupação, composição familiar, renda, escolaridade e trabalho dos pais. Os resultados revelaram perfil sociodemográfico, infracional e relacional de parte significativa com 17 anos, ensino fundamental incompleto, evadido da escola, sem trabalho e residente na região norte, de menor poder socioeconômico. A infração de maior percentual foi roubo, seguida de furto, tentativa de homicídio, homicídio, roubo qualificado, tráfico de drogas e roubo com morte, nos bairros da região norte. A maioria usava tabaco, maconha, álcool, crack; a minoria, cocaína, thinner e cola. Detectou-se realidade precária de familiares com baixo nível de renda, escolaridade, profissão e abuso de álcool, contribuindo para transformar os adolescentes em vítimas. A maioria das mães, provedora do lar, principal figura na internação e mediadora entre o adolescente, o poder judiciário e a comunidade. Considerando o elevado custo da violência interpessoal, concluímos, nesse estudo, a necessidade de políticas públicas para crianças e adolescentes na cidade de São José do Rio Preto.
A utilização do mapeamento cognitivo e de histórias estruturadas para diminuir comportamentos de risco para a contaminação pelo HIV entre consumidores de cocaína injetável e de crack no Sul do Brasil
PECHANSKY, F. et al. , 2007
Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)
Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)
OBJETIVOS: Comparar as mudanças em conhecimento sobre AIDS e comportamentos de risco em usuários de cocaína brasileiros submetidos a uma intervenção experimental. MÉTODO: 119 sujeitos foram aleatoriamente designados para uma intervenção padrão ou uma intervenção padrão adicionada a um "mapa cognitivo", e re-entrevistados duas e oito semanas após admissão no estudo, utilizando-se instrumentos de coleta padronizados. Os efeitos da intervenção foram examinados utilizando modelo de equações de estimação generalizadas. RESULTADOS: Foram observados aumentos significativos no conhecimento sobre AIDS e uso de preservativos no grupo experimental, bem como modificações significativas nos subescores para risco sexual e uso de drogas. A intervenção experimental teve menos sucesso em diminuir dias de uso de cocaína quando comparada com a intervenção padrão. CONCLUSÃO: Apesar de não serem robustos, os achados sugerem que os componentes do modelo de mapa cognitivo experimentados poderiam ser úteis em combinação com outras abordagens.
Caracterização do consumo de maconha entre escolares do ensino médio de São José do Rio Preto, SP, Brasil, 2003
PAVANI, R. A. B.; SILVA, E. F.; MORAES, M. S.; CHIARAVALLOTI NETO, F. , 2007
Associação Brasileira de Pós -Graduação em Saúde Coletiva
Associação Brasileira de Pós -Graduação em Saúde Coletiva
OBJETIVO: Caracterizar o consumo de maconha entre escolares do ensino médio do município de São José do Rio Preto - SP. MÉTODO: Utilizou-se um estudo de corte transversal em escolas públicas do ensino médio com uma amostragem de conglomerados. Foram aplicados 1.041 questionários autopreenchíveis de maneira coletiva nas classes, mantidos sem identificação. As variáveis selecionadas foram cruzadas e para a associação foi realizado o teste do qui-quadrado com nível de significância de 5%. RESULTADOS: As prevalências do consumo de maconha foram: uso na vida, 12,1%; no ano, 7,4%; no mês, 4,1%; e na semana, 2,9%. O consumo de maconha na vida foi mais prevalente no sexo masculino, período escolar noturno, estado civil casado, não ter ou não praticar religião e não morar com pai e/ou mãe. Relacionamento bom com os pais e os pais viverem juntos com bom relacionamento estavam associados a menor consumo de maconha. Dentre as atividades de lazer, aqueles que experimentaram maconha referiram mais sair sem destino certo, ir dançar, freqüentar bares e ficar com namorado(a), e menos assistir televisão, sair com a família e ir ao cinema. Ingerir bebida alcoólica toda semana e usar tabaco estiveram associados a um maior índice de experiência com maconha. Experimentar maconha relacionou-se com maiores índices de experiência com anfetamínicos, alucinógenos, cocaína e crack. CONCLUSÃO: O consumo de maconha está relacionado a muitas variáveis. Família e religiosidade estão associadas a menor consumo de maconha, enquanto desajuste familiar e uso de álcool e tabaco estão associados a maiores índices de consumo da droga.
Consumo de Sustancias Psicoactivas en Adolescentes, Bucaramanga, Colombia, 1996-2004
MARTINEZ-MANTILLA, J. A. et al., 2007
Instituto de Salud Publica, Faculdad de Medicina - Universidad Nacional de Colombia
Universidad Nacional de Colombia
Objetivo Determinar la prevalencia de uso de sustancias psicoactivas entre estudiantes de los dos últimos años de bachillerato y comparar la variación frente a lo encontrado en 1996 y 1997. Métodos Estudio descriptivo. Una muestra de 2 291 estudiantes seleccionados al azar diligenció un cuestionario autoadministrado sobre consumo de sustancias legales e ilegales. Resultados La edad promedio fue 15,9 años (DE 1,09); 53,9 % eran mujeres. Se observó un incremento en la prevalencia de consumo anual de marihuana (1,5 % a 4,4 %), bazuco (0,4 % a 1,2 %), inhalantes (0,1 % a 1,2 %), estimulantes (0,7 % a 1,9 %), tranquilizantes (2,0 3,1 %) y de consumo semanal de alcohol hasta la embriaguez (6,5 % a 7,7 %). La prevalencia anual de uso de éxtasis fue 2,5 % (no investigada en 1996 y 1997). Conclusiones El consumo de sustancias de inhalantes y tranquilizantes se incrementó en forma importante en los últimos años. El consumo de éxtasis alcanzó una cifra significativa.
Rodas de fumo: o uso da maconha entre camadas médias urbanas
MACRAE, Edward; SIMÕES, Júlio, 2004
Grupo interdisciplinar de Estudos sobre Substâncias Psicoativas - GIESP
Editora da Universidade Federal da Bahia - Edufba
Este estudo toma por objeto um uso social específico da maconha: entre pessoas das camadas médias urbanas formalmente integradas à sociedade de consumo e ao mercado de trabalho, no pleno gozo de sua sanidade física e mental. Inicialmente, os autores procuram delimitar o tema à luz de dados sociológicos e históricos referentes ao uso da maconha no Brasil. Em seguida apresentam os resultados de uma pesquisa qualitativa envolvendo observação participante e entrevistas com usuários habituais e controlados de maconha em duas cidades brasileiras, São Paulo e Salvador, Na análise destacam-se, entre outros, dados sobre iniciação ao consumo, percepção dos efeitos, desenvolvimento de controles informais do uso, estratégias de aquisição e associação do uso com outras atividades. Com base nesse material, os autores argumentam em favor da importância de se considerar o ponto de vista dos usuários de substâncias psicoativas para se obter uma compreensão mais abrangente do "problema das drogas", além da consideração unilateral de seus efeitos farmacológicos, e dessa forma, contribuir para uma ação educativa e preventiva mais eficiente
Usuários de crack, comportamento sexual e risco de infecção pelo HIV
AZEVEDO, R. C. S.; BOTEGA, N. J.; GUIMARAES, L. A. M., 2007
Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)
Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)
OBJETIVO: Comparar uma amostra de usuários de cocaína injetável e usuários de crack avaliando comportamento sexual, risco para contaminação pelo HIV e sua soroprevalência. MÉTODO: Avaliou-se 109 usuários de cocaína injetável e 132 usuários de crack, utilizando o questionário da Organização Mundial de Saúde para o "Estudo Multicêntrico de Comportamentos e Soroprevalência de HIV entre Usuários de Droga Injetável" ampliado e sorologia para o HIV. Os dados foram avaliados pela Análise de Correspondências Múltiplas. RESULTADOS: Os usuários de crack apresentaram menor tempo gasto no consumo de drogas quando comparados com os usuários de cocaína injetável. Apesar disso, tiveram maiores taxas de atividade sexual de risco, diferenças no consumo de múltiplas drogas e maiores taxas de problemas com a justiça. A soroprevalência do HIV entre os usuários de crack, embora inferior aos usuários de cocaína injetável (7% x 33%), é elevada quando comparada à população geral nesta faixa etária. CONCLUSÕES: O comportamento sexual dos usuários de crack da amostra estudada pode ser considerado fator de risco para a contaminação pelo HIV. Os usuários de crack têm acesso à informações sobre HIV/AIDS, porém, não as utilizam para modificar comportamentos de risco que os expõem à possibilidade de contaminação e disseminação do HIV. A soroprevalência do HIV entre eles (7%) é um dado preocupante, o que torna necessário criar estratégias preventivas de contaminação e disseminação do HIV especificamente direcionadas a esta população.
Usuárias brasileiras de crack apresentam níveis séricos elevados de alumínio
PECHANSKY, F. et al., 2007
Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)
Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)
OBJETIVO: Não há informação na literatura sobre o impacto do uso de crack fumado em latas de alumínio utilizadas como cachimbos improvisados, uma forma comum de uso de crack no Brasil. Uma vez que a ingestão de alumínio está associada a dano neurológico, nós medimos alumínio sérico em usuários de crack. O objetivo deste estudo foi avaliar os níveis de alumínio em usuários de crack que fumam em cachimbos improvisados de lata de alumínio. MÉTODO: Setententa e uma usuárias de crack, com média de idade de 28,0 anos (± 7,7), forneceram informação sobre seu uso de drogas e tiveram amostras de seu sangue testadas para níveis séricos de alumínio. RESULTADOS: Cinqüenta e seis (79%) sujeitos fumaram crack usando cachimbos de lata e 15 (21%) fumaram em outros formatos. Cinqüenta e dois (73,2%) dos 71 sujeitos apresentaram níveis de alumínio sérico de 2 µg/l e 13 (18,3%) tinham níveis no ponto de corte 6 µg/l, o que está acima dos valores de referência. Quando comparados com não-usuários pareados por média de idade e do mesmo gênero, os sujeitos tiveram valores medianos e intervalos inter-quartil para níveis séricos similares [3 (2-4,6) para usuários de crack; 2,9 (1,6-4,1) para os controles], porém com médias e desvios-padrão diferentes (4,7 ± 4,9 e 2,9 ± 1,7, respectivamente). DISCUSSÃO: Usuários de crack apresentam altos níveis de alumínio sérico, mas não temos certeza disto estar associado completamente com as latas de alumínio. Mais estudos são necessários. Se tal associação se mostrar verdadeira em pesquisa no futuro, questões terão que ser debatidas a respeito deste problema, incluindo planejamento apropriado e avaliação das políticas públicas nesta área.
Complicações cardiovasculares em usuário de cocaína: relato de caso
GAZONI, F. M. et al. , 2006
Associação de Medicina Intensiva Brasileira - AMIB
Revista Brasileira de Terapia Intensiva
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A cocaína é uma droga ilícita amplamente utilizada e o seu uso tem sido associado a efeitos decorrentes da toxicidade aguda e crônica em praticamente todos os órgãos, particularmente no sistema cardiovascular. Este artigo visou descrever um caso de cardiomiopatia em paciente jovem usuário crônico de cocaína. RELATO DO CASO: Paciente do sexo masculino, 19 anos, usuário de cocaína por inalação e crack desde os 15 anos de idade. Foi internado em fevereiro de 2006 devido a dispnéia progressiva aos mínimos esforços e expectoração sanguinolenta. Ao exame físico apresentava edema nos membros inferiores, estase jugular e dispnéia em repouso. Foram observados no ecocardiograma: dilatação das quatro câmaras cardíacas, com hipocinesia difusa de ventrículo esquerdo (VE), trombo mural em VE de 17 mm e fração de ejeção de 12%. Realizada broncoscopia pulmonar que identificou sangramento em língula ativo, tratado com embolização. Após 48h do procedimento, o paciente manteve-se assintomático e sem expectoração sanguinolenta. Iniciado tratamento antitrombótico com warfarina e enoxaparina. A cineangiocoronariografia não evidenciou lesões obstrutivas e o paciente recebeu alta após melhora clínica. Re-internado em julho de 2006 com dor precordial de forte intensidade e dispnéia de repouso. Nova cineangiocoronariografia evidenciou oclusão de terço médio da artéria descendente anterior. CONCLUSÕES: Os efeitos agudos da cocaína freqüentemente motivam atendimento de emergência. Já as suas manifestações crônicas, como as doenças cardiovasculares, podem produzir alterações de difícil correlação futura ao seu consumo prévio. O uso prolongado da cocaína está relacionado à alteração da função sistólica ventricular esquerda por hipertrofia ou dilatação miocárdica, aterosclerose, disritmias cardíacas, apoptose de cardiomiócitos e lesão simpática.
As mensagens sobre drogas do rap: como sobreviver na periferia
DA SILVA, Vinicius Gonçalves Bento, 2004
Universidade de São Paulo/ Escola de Enfermagem/ Área de concentração Enfermagem em Saúde Coletiva
Universidade de São Paulo
Este trabalho toma por objeto as mensagens sobre drogas nas letras de rap. Compreende que esse gênero musical é parte de um movimento cultural maior – o hip hop – que difunde uma visão social de mundo principalmente nas periferias das grandes cidades do país. Teve como objetivo analisar as mensagens sobre drogas das letras de rap de grupos com representatividade e influência entre os jovens da periferia de São Paulo. Por meio da metodologia de Análise de Discurso estudou-se onze letras de nove grupos de rap. O tema marcante nas letras é a vida na periferia que é retratada pelo tráfico e consumo de drogas, pela violência e discriminação enfrentados pelos jovens. O problema do consumo de drogas é compreendido por alguns grupos no âmbito estrutural - como conseqüência do modo de produção capitalista - e por outros no âmbito particular - pelas características individuais, pela influência da família e dos amigos. As propostas do rap para o enfrentamento e para a superação desses problemas estão voltadas ao fortalecimento e responsabilização do sujeito, que através de um esforço pessoal, não se envolveria com o tráfico e com o consumo de drogas consideradas perigosas e potencialmente destrutivas como o crack e a cocaína. O fortalecimento de laços familiares, de amizade e a educação são também elencados como saídas para os problemas advindos do envolvimento com as drogas. Assim as propostas apoiam-se fortemente no sujeito, invocando um discurso que além da denunciar a situação dos jovens de periferia propõe mecanismos de proteção para criar uma alternativa de “vida possível” - de convivência com a violência, com o tráfico e com o consumo de drogas. Tal tática identitária tem a finalidade de garantir a sobrevivência dos jovens na periferia.
Novas Fronteiras do Trabalho: Vivências à Margem dos Trabalhadores do Tráfico de Drogas
DE OLIVEIRA, Juliana e Silva , 2009
Universidade Federal do Ceará/ Centro de Humanidades/ Programa de pós-graduação em Psicologia
Universidade Federal do Ceará
O presente trabalho visa trazer uma compreensão sobre a vivência de trabalhadores frente à realidade do processo de inserção laboral de formas atípicas de trabalho, segundo o modelo salarial, consideradas em uma posição à margem da sociedade. Mais especificamente, temos o objetivo de fazer uma pesquisa exploratória sobre os trabalhadores do tráfico de drogas frente à sua posição de marginalidade, levando em consideração a importância de seus ganhos financeiros. Damos início a este estudo discutindo sobre as mutações do sistema capitalista, a partir de novas forças de dominação, que traz como conseqüência algumas reformulações nas formas de gerir o trabalho, disseminando a flexibilidade e a precarização, que por sua vez tem justificado o aparecimento de ocupações cada vez mais atípicas de inserção. Partindo da visão de produção de subjetividade por meio das práticas sociais, percebemos que esse processo de reestruturação produtiva interfere na constituição dos trabalhadores na contemporaneidade, regida pelos princípios do consumo. Com base nessa contextualização, tentamos investigar as realidades laborais dos trabalhadores do tráfico de drogas. Observamos que tal ocupação também obedece à lógica do capital e que surge em resposta à marginalidade econômica, funcionando como uma alternativa ilegal à massa de trabalhadores que não consegue uma inserção legal. Traçado esse percurso teórico, seguimos para a realização da pesquisa qualitativa com cinco trabalhadores do tráfico de drogas de dois bairros da cidade de Fortaleza. Realizamos entrevistas semi-dirigidas que foram submetidas a uma análise semântica de conteúdo. Os conteúdos foram organizados em quatro categorias, para efeito meramente didático, com o intuito de facilitar a compreensão dos dados: motivos de inserção e permanência, os significados atribuídos ao trabalho, organização do trabalho no tráfico de drogas, consumo e a inserção limitada. A partir das análises, podemos dizer que o tráfico de drogas é uma categoria complexa e traz contradições, visto que se encontra em uma posição de marginalidade, mas acaba correspondendo, devido aos ganhos que proporciona, a um meio de reconhecimento e inserção, pelo menos ao nível do consumo. No entanto, tal inserção mostra-se limitada, idéia aproximada com o conceito de inserção marginal de Castel (1998), pois os trabalhadores de tal atividade continuam vivenciando uma situação marginal, ante a restrição de participação social de determinados grupos e coletivos frente ao contexto mais amplo da sociedade.
Modelo de atenção à saúde de usuários de álcool e outras drogas no Contexto do Centro de Atenção Psicossocial CAPSad.
ALVES, Vânia Sampaio , 2009
Universidade Federal da Bahia/ Instituto de Saúde Coletiva
Universidade Federal da Bahia
No Brasil, a rede de atenção às questões relacionadas ao consumo de álcool e outras drogas caracteriza-se incipiente. O modelo de atenção à saúde baseado na internação e na abstinência como meta terapêutica exclusiva ainda se apresenta hegemônico. Esta realidade tem sido apontada como um reflexo da lacuna assistencial resultante da pouca ênfase conferida pelas políticas públicas à atenção à saúde de usuários de álcool e outras drogas e suas famílias. A partir da presente década, observa-se a expansão do número de Centros de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (CAPSad), principal instituição pública de atenção especializada aos transtornos decorrentes do uso abusivo e dependência de álcool e outras drogas. Por constituírem serviços de implementação recente no país, a produção de trabalhos empíricos sobre os saberes e as práticas de saúde em construção a partir dos CAPSad caracteriza-se escassa e de circulação restrita. Este trabalho tem por objetivo analisar o modelo de atenção à saúde de usuários de álcool e outras drogas no contexto do CAPSad. Para tanto, realizou-se estudo de caso único e de cunho etnográfico em um serviço no Estado da Bahia. Os dados foram produzidos entre janeiro de 2007 e março de 2008 mediante a triangulação de múltiplas fontes de evidências: análise de documentos, entrevistas semi-estruturadas com gestores, grupos focais com profissionais e familiares, observação direta, observação participante, entrevistas narrativas com usuários. Os dados demonstram que a parceria estabelecida para a implementação do CAPSad estudado com um centro de referência pioneiro no país no desenvolvimento de programas de redução de danos contribuiu incisivamente para uma trajetória institucional diferenciada e favorável à construção de uma experiência de atenção à saúde de usuários de álcool e outras drogas referenciada nos princípios da reforma psiquiátrica e da lógica de redução de danos. A abordagem de redução de danos distingue-se como uma estratégia potente para a atenção psicossocial de usuários de álcool e outras drogas no contexto de um serviço substitutivo de saúde mental. As práticas de atenção produzidas a partir do CAPSad estudado caracterizaram-se pela humanização do cuidado e o compromisso com o resgate da cidadania de usuários e suas famílias. Conclui-se que, a despeito dos desafios da atenção psicossocial a usuários de álcool e outras drogas e suas famílias no contexto do CAPSad, o alcance de suas práticas de saúde evidencia a potencialidade de um modelo de atenção orientado pela lógica da redução de danos.
Relação entre consumo de drogas e comportamento sexual de estudantes de 2o grau de São Paulo
SCIVOLETTO, S. et al., 1999
Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)
Revista Brasileira de Psiquiatria
OBJETIVO: Estudar a relação entre o consumo de substâncias psicoativas e o comportamento sexual de estudantes de uma escola pública de segundo grau na cidade de São Paulo. MATERIAL E MÉTODOS: Foram colhidos 689 questionários, que foram respondidos por alunos com idades entre 13 e 21 anos. Os questionários continham questões sobre o consumo de substâncias psicoativas e comportamento sexual. Assim, comparou-se as diferenças de comportamento sexual entre os usuários e os não usuários de drogas. RESULTADOS: Os usuários de drogas ilícitas (n=366) referiram: maior história de relação sexual completa: 80,8% dos usuários contra 57,6% dos não usuários (n=305), (p< 0,001); início mais precoce da atividade sexual (média de 15,2 anos entre os usuários contra 15,7 anos dos não usuários, p<0,05); mais pagamento por sexo (31,1% entre os usuários contra 15% dos não usuários, p<0,001); e tendência a menor uso de preservativos (56,8% entre os usuários contra 65,3% dos não usuários, p<0,10). Estes resultados também se repetiram quando foi estudado cada tipo de droga separadamente e a associação de diferentes tipos de drogas. CONCLUSÕES: A freqüência de uso de drogas não alterou o comportamento sexual. As substâncias que apresentaram associação com mais comportamento sexual de risco foram o álcool e a maconha. O uso de crack esteve associado com início precoce de vida sexual.
Cognitive bias and drug craving in recreational cannabis users
FIELD, Matt; MOGG, Karin; BRADLEY, Brendan P., 2004
School of Psychology - Univesity of Southampthon
Drug and Alcohol Dependence
Recent theories propose that repeated drug use is associated with attentional and evaluative biases for drug-related stimuli, and that these cognitive biases are related to individual differences in subjective craving. This study investigated cognitive biases for cannabis-related cues in recreational cannabis users. Seventeen regular cannabis users and 16 non-users completed a visual probe task which assessed attentional biases for cannabis-related words, and an implicit association test (IAT) which assessed implicit positive or negative associations for cannabis-related words. Results from the IAT indicated more negative associations for cannabis-related words in non-users compared to users. Among cannabis users, those with high levels of cannabis craving had a significant attentional bias for cannabis-related words on the visual probe task, but those with low levels of craving did not. Results highlight the role of craving in attentional biases for cannabis-related stimuli.
Raciocínio moral e uso abusivo de bebidas alcoólicas por adolescentes
LEPRE, R. M.; MARTINS, R. A. , 2009
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - Bauru e São José do Rio Preto
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - Bauru e São José do Rio Preto - São paulo
O uso abusivo de álcool por adolescentes é uma questão que preocupa os envolvidos com a educação, uma vez que as consequências desse fato podem gerar sérios prejuízos ao processo ensino-aprendizagem e ao adolescente que abusa. Com o objetivo de contribuir para o debate na busca de uma intervenção efetiva que possa ser utilizada, sobretudo nas escolas, procuramos detectar a possível relação entre uso abusivo de álcool e raciocínio moral. Para tanto, participaram alunos do ensino médio de uma escola pública, selecionados por meio da aplicação do AUDIT (The Alcohol Use Disorder Identification Test), que posteriormente foram entrevistados, conforme a Moral Judgement Interview (MJI) proposta por Kohlberg. Os resultados obtidos revelam níveis e estágios morais aquém dos esperados. Concluímos que a prevenção pode ser pensada por meio da Educação Moral como uma proposta de intervenção efetiva contra o uso abusivo de álcool e outras drogas.
Cannabis e saúde mental - uma revisão sobre a droga de abuso e o medicamento
KESSLER, F., 2009
Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Nota em periódico sobre o livro "Cannabis e saúde mental".
Apreciação de propagandas de cerveja por adolescentes: relações com a exposição prévia às mesmas e o consumo de álcool
VENDRAME, A.; PINSKY, I.; FARIA, R.; SILVA, R. , 2009
Escola Nacional de Saúde Pública - Fundação Oswaldo Cruz
Escola Nacional de Saúde Pública - Fundação Oswaldo Cruz
No Brasil, evidências epidemiológicas entre jovens e adolescentes indicam preocupante padrão de consumo de álcool. Entre os fatores que influenciam o consumo dos mais jovens estão as estratégias de publicidade. Pretendeu-se avaliar a relação entre apreciação das propagandas televisivas de cerveja, exposição a essas propagandas e consumo de álcool entre adolescentes. Trinta e duas propagandas recentes foram exibidas a 133 estudantes, de 1º e 2º anos do Ensino Médio de escolas públicas de São Bernardo do Campo, São Paulo, Brasil. Para cada propaganda, atribuíram notas (0 a 10) representando a apreciação e quantas vezes já tinham assistido cada uma anteriormente (exposição). Responderam se consumiam álcool e com qual freqüência. Dez das 32 propagandas foram incluídas na análise estatística (as cinco mais e as cinco menos apreciadas). As cinco propagandas mais apreciadas já tinham sido assistidas anteriormente, o que não ocorreu com as menos pontuadas. Ademais, entre as cinco mais apreciadas, notas estatisticamente maiores foram atribuídas pelos adolescentes que consumiram cerveja no último mês. O estudo encontrou uma relação positiva entre apreciação e exposição, bem como com o consumo de álcool.
Aspectos familiares de meninas adolescentes dependentes de álcool e drogas
GUIMARAES, A. B. P.; HOCHGRAF, P. B..; BRASILIANO, S.; INGBERMAN, Y. K. , 2009
Faculdade de Medicina - Universidade de São Paulo
Universidade de São Paulo - USP
CONTEXTO: O consumo de drogas entre adolescentes tem sido alvo de várias pesquisas nos últimos anos. Sabe-se que a família pode ser um fator tanto de proteção quanto de risco para o uso de substâncias nessa fase. OBJETIVO: O presente artigo é uma revisão da literatura sobre o tema família de adolescentes abusadoras e/ou dependentes de substâncias psicoativas, a fim de levantar quais dados a literatura já dispõe sobre esse assunto com o intuito de capacitar profissionais da área da saúde na atuação clínica bem como na prevenção desta síndrome. MÉTODOS:Revisão bibliográfica no sistema MedLine? (Index Medicus), ScieLO? , PubMed? , a partir das seguintes palavras-chave: adição, abuso de drogas, meninas, adolescência e família. RESULTADOS:Observou-se que essas famílias em sua maioria possuem características disfuncionais como laços familiares conflitivos, pouca proximidade entre os membros, falta de uma hierarquia bem definida e pais que não dão exemplo positivo quanto ao uso de drogas. Diferenças entre gêneros também são apontadas: meninas necessitam maior apoio familiar que os meninos como fator protetor do envolvimento com grupo de pares desviantes. As meninas também são tão sensíveis ao abuso psicológico quanto ao físico, diferentemente dos meninos que consideram pior o abuso físico. Destaca-se ainda que a presença de relações de apoio com irmãs mais velhas é fator protetor para o abuso de substâncias em meninas. Outros temas, como transmissão transgeracional e estilo parental, também são abordados. CONCLUSÕES:Conclui-se que este tema é pouco explorado na literatura, principalmente no que se refere a estudos que abordem isoladamente a relação entre meninas e dependência.
Trajetórias e rotina de prisioneiras por tráfico de drogas : autoras e coadjuvantes
BIELLA, Janete Brígida , 2007
Universidade Federal de Santa Catarina/ Centro de Filosofia e Ciências Humanas/ Programa de Pós-graduação - Mestrado em Sociologia Política
Universidade Federal de Santa Catarina
Este trabalho traz parte da história de vida de treze mulheres encarceradas no único Presídio Feminino de Santa Catarina, em Florianópolis, acusadas e/ou condenadas por tráfico de drogas proibidas. No Brasil e no mundo, o narcotráfico por si só desperta atenção, mas poucos são os trabalhos a focar a criminalidade à luz das relações de gênero. É o que propomos: compreender em que medida a participação das mulheres no tráfico de drogas ilícitas está permeada pelo papel a elas imposto por nossa cultura e também como a participação delas se intersecciona com as relações afetivas com seus companheiros, pais, irmãos, filhos e com suas mães, irmãs e filhas.Tendo como ponto de partida dados quantitativos e qualitativos, a hipótese central foi: será o ingresso da mulher no tráfico de drogas induzido por seu(s) companheiro(s)? Considerando que autoridades e pesquisadores, como Alba Zaluar (1994), apontavam que as mulheres não eram as protagonistas principais no tráfico de drogas, decidimos ver se isto se confirmava na realidade, porém do ponto de vista das prisioneiras. Assim, com esta primeira hipótese, nos fundamentamos nas teorias de gênero e na revisão da literatura para abordar os seguintes aspectos: criminalidade, vida carcerária e sistema penal e prisional. Embora façamos uso de dados quantitativos, a metodologia do trabalho é qualitativa. As entrevistadas foram selecionadas de duas formas: cruzamento de dados da instituição e convite interpessoal. O roteiro foi elaborado de modo a apreender dois momentos de suas trajetórias de vida: os vários contextos de inserção e o da participação no tráfico de drogas. Em ambos os casos dialogamos com diversos autores. Os resultados são surpreendentes, tanto do ponto de vista prático quanto teórico. Primeiro descortinamos o presídio, damos cor às relações sociais do convívio e do sistema através da rotina das presidiárias na instituição, destacando vários aspectos (rituais de entrada, distribuição e uso do espaço, visitas, vigilância e castigo, etc.). Depois projetamos luz nos relacionamentos afetivos das mulheres entrevistadas para, enfim, perceber que embora o padrão androcêntrico pretenda para os homens tudo que é superior, inclusive dizer que seriam os homens os responsáveis pelo ingresso delas na criminalidade, algumas vezes isto não se confirmou, como mostram nossos dados.
Alterações na sensibilidade ao contraste relacionadas à ingestão de álcool
CAVALCANTI, M. K.; SANTOS, N. A. , 2008
Instituto de Psicologia - Universidade de Brasília
Universidade de Brasília
O objetivo deste trabalho foi caracterizar a função de sensibilidade ao contraste (FSC) para freqüências espaciais de 0,25, 1,0 e 4,0 cpg (ciclos por grau de ângulo visual) na ausência (Grupo Controle-GC) e após a ingestão moderada de álcool (Grupo Experimental-GE). Para tanto, foi utilizado o método psicofísico da escolha forçada. Participaram do estudo quatro mulheres, de 21 a 30 anos, com acuidade visual normal ou corrigida. Os resultados mostraram diferenças significativas entre os grupos na freqüência de 4,0 cpg (p = 0,039), sendo o GE mais sensível ao contraste do que o GC. Estes resultados sugerem alterações na FSC relacionadas à ingestão moderada de álcool.
A política antidrogas brasileira: velhos dilemas
GARCIA, M. L. T.; LEAL, F. X.; ABREU, C. C., 2008
Programa de Pós-Graduação em Psicologia - Universidade Federal de Santa Catarina
Universidade Federal de Santa Catarina
O debate atual sobre drogas tem sido organizado em torno de discursos científicos que tendem a configurar a questão ora como problema de segurança pública (relacionado ao tráfico e à repressão), ora como problema de saúde pública (relacionado à repressão da demanda por um lado e à redução de danos por outro). O presente texto traz uma reflexão que busca configurar como a política de enfrentamento às drogas no Brasil enseja em suas proposições uma luta entre as lógicas de segurança pública e de saúde pública expressas no embate entre as duas políticas instituídas pelo governo brasileiro no enfrentamento à questão - a política nacional antidrogas regulamentada em 2003 pela Secretaria Nacional Antidrogas (estrutura criada no governo Fernando Henrique Cardoso - FHC - por meio da medida provisória nº 1669, de 1998, e modificada no governo Lula para "Política Pública Sobre Drogas") e a Política de Atenção Integral ao Usuário de Álcool e Drogas do Ministério da Saúde (também formulada no governo FHC).
Ensino aprendizagem na prática da redução de danos.
PAES, Paulo Cesar Duarte , 2006
Universidade Federal de São Carlos/ Centro de Educação e Ciências Humanas/ Programa de Pós-graduação em Educação
Universidade Federal de São Carlos
Os problemas decorrentes do uso de drogas têm sido objeto de diferentes políticas públicas de saúde, dentre as quais destaca-se a redução de danos, que visa evitar doenças e danos físicos e sociais e desenvolver junto aos usuários o controle sobre o uso de drogas. A redução de danos aceita que os usuários continuem fazendo uso de drogas, ao contrário do modelo tradicional que exige a abstinência. Os Programas de Redução de Danos PRDs - atuam capacitando usuários de drogas, profissionais de saúde e outras pessoas da comunidade para abordarem os grupos de usuários nos seus locais de uso e de convivência cotidiana, através de atividades educativas. O objetivo desta tese é investigar o processo de ensino e aprendizagem que se estabelece entre os redutores de danos e os usuários de drogas de dois PRDs que atuam na região de fronteira do Brasil com a Bolívia e o Paraguai, que atendem usuários que compõem o exército industrial de reserva. Foram realizados grupos focais, entrevistas individuais com sete redutores e nove usuários e um levantamento de informações documentais prévias. A fundamentação sócio-histórica nos levou à escolha das categorias: atividade; sentido; significado; conceitos científicos e espontâneos; alienação e práxis. Uma primeira análise demonstrou a relevância e a eficácia da prática educativa da redução de danos proporcionando junto aos usuários: o controle sobre o uso de drogas, a interação com a família e a comunidade e mais cuidados com a saúde. Quando fundamentamos a análise nas categorias teóricas evidenciou-se que a pratica educativa de redução de danos centrou-se nos aspecto espontâneos e cotidianos, restritos ao meio imediato, não objetivando a apreensão da totalidade das relações sociais, reproduzindo os próprios danos sociais que combate.
Percepção de apoio social e caracterização da rede de dependentes e não dependentes de substâncias psicoativas
DE SOUZA, Jacqueline , 2010
Universidade de São Paulo/ Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto
Universidade de São Paulo
A sociedade brasileira marcada pelo traço de desigualdade social é um dos cenários no qual a questão do uso de álcool e drogas coexiste com as condições e relações sociais, arranjos familiares e situações de estresse. Assim, a dependência de substância, as co-morbidades, modalidades de tratamento e recaídas durante o processo de reabilitação são fatores que devem ser contextualizados neste cenário. Em relação às políticas públicas a Organização Mundial da Saúde, no âmbito da saúde mental, prevê o tratamento dos portadores de sofrimento psíquico como seres sociais visando a reintegração destes sujeitos na comunidade; o Ministério da Saúde, na proposta do Sistema Único de Saúde por sua vez, preconiza a atenção integral aos usuários de álcool e outras drogas priorizando a atenção primária, a educação em saúde, garantia de atenção na comunidade e envolvimento das redes sociais. Os estudos recentes trazem à luz a importância da abordagem da rede e apoio social nesta área como possibilidade de repensar e propor novas perspectivas para o aprimoramento da pesquisa e da prática em saúde mental com foco nos indivíduos dependentes de substâncias psicoativas. Portanto o presente estudo diz respeito ao apoio social e uso de drogas considerando os sujeitos inseridos em seus contextos de relações e condições sociais. Logo o objetivo proposto foi o de analisar a diferença entre dependentes e não dependentes de substâncias quanto à percepção de apoio, utilizando um instrumento de medida de apoio social validado, e identificar possíveis especificidades da rede de apoio destes indivíduos. O referencial teórico metodológico adotado é o de apoio social na perspectiva do Buffering Model, e a Análise de Redes Sociais (ARS). A amostra dos sujeitos foi composta por indivíduos do Centro de Atenção Psicossocial álcool e drogas (CAPSad) e de uma Unidade Básica Distrital de Saúde (UBDS) do município de Ribeirão Preto totalizando 102 indivíduos sendo 50 dependentes e 52 não dependentes de substâncias. Foram observados os aspectos éticos da pesquisa envolvendo seres humanos a saber, aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa, consentimento livre e esclarecido e observação do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Quanto aos resultados a amostra foi homogênea em relação às baixas condições sócio-econômicas e escore referente ao número de apoiadores. No entanto, em relação ao escore de satisfação com o apoio social os dependentes de substâncias mostraram-se menos satisfeitos com o apoio social disponível quando comparados com os não dependentes de drogas (diferença estatisticamente significante). Apesar disso, os indivíduos do CAPSad apresentaram redes mais diversificadas em sua composição enquanto os não dependentes de drogas apresentaram redes mais densas centradas, de um modo geral, no círculo familiar. Convém destacar que entre os não dependentes de substâncias, 27% consomem álcool e ou outras drogas num padrão que, embora não caracterize dependência, de acordo com os pontos de corte do Questionário para Triagem do Uso de Álcool, Tabaco e outras Substâncias (ASSIST) seriam beneficiados da intervenção breve. A discussão dos resultados deste estudo, certamente dará uma contribuição importante tanto para direcionar as práticas terapêuticas vigentes quanto para subsidiar futuras investigações da área.
Estudo de comorbidades psiquiátricas entre adolescentes com transtornos por uso de substâncias psicoativas atendidos em um hospital universitário
MORIHISA, Rogério Shigueo , 2006
Universidade de São Paulo
Universidade de São Paulo
Muitos estudos demonstram a associação entre o abuso de drogas em adolescentes e sintomas de baixa auto-estima, depressão, comportamento anti-social, rebeldia, agressividade, criminalidade, delinqüência, evasão e baixo rendimento escolar. Em adolescentes, os transtornos por uso de substâncias psicoativas freqüentemente co-ocorrem com outros transtornos psiquiátricos, sendo o transtorno de conduta e os transtornos de conduta na vida - três ou mais sintomas de transtorno de conduta na vida - as comorbidades mais freqüentemente associadas ao transtorno por uso de substâncias em adolescentes. O objetivo deste estudo é descrever as características dos adolescentes usuários de drogas em tratamento quanto ao padrão de consumo de drogas, conseqüências do uso e comorbidades psiquiátricas presentes, bem como analisar o diagnóstico de transtorno de conduta na vida segundo gênero, idade de início do uso de drogas e tipos de drogas consumidas. Foram avaliados 187 adolescentes. As variáveis estudadas foram: idade de início do uso de drogas e da procura de tratamento, companhia do primeiro uso, tipos de drogas consumidas, envolvimento em atos ilícitos, problemas com a polícia, atraso escolar, comorbidades e transtorno de conduta na vida. O sexo masculino foi mais prevalente do que o feminino (76,5% e 23,5%, respectivamente). A idade média na admissão foi de 15,4 ± 1,4 anos e a idade de primeiro uso foi de 13,7 ± 1,7 anos. A primeira droga ilícita consumida foi a maconha. Aproximadamente 59% deles já haviam praticado algum tipo de roubo alguma vez na vida. Ainda mais, 38,6% dos adolescentes já haviam sido presos e 32,3% possuía história pregressa de tráfico de drogas, 39,0% apresentaram diagnóstico de transtorno por uso de múltiplas substâncias, 24,1% tinham comorbidade com depressão e 9,6% com transtorno de conduta. Quando se inclui os critérios diagnósticos para transtorno de conduta na vida, a prevalência do diagnóstico de transtorno de conduta na população estudada aumenta para 65,2% (intervalo de confiança de 58,4% - 72,0%, com coeficiente de confiança de 95%), sendo que os meninos apresentam uma prevalência maior que as meninas. As médias de idade de início de drogas entre estes adolescentes, bem como os tipos de drogas consumidas não diferem das idades médias da amostra total de todos os adolescentes. Em termos gerais, tabaco, álcool, maconha e cocaína são usados antes do primeiro roubo, do primeiro tráfico e da primeira prisão. Os dados sugerem a necessidade de realizar uma avaliação neuropsiquiátrica detalhada e abrangente antes de considerar o jovem como simplesmente portador de um transtorno de conduta, pois os sintomas deste transtorno podem estar presentes em muitas síndromes psiquiátricas.
Issue in the Biomedical Approach to the Use of Cannabis as a Medication
FRENOPOULO, Christian, 2004
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
University of Regina - Departament of Anthropology
 
A primeira experiência do uso de drogas e o ato infracional entre os adolescentes em conflito com a lei
MARTINS, Mayra Costa , 2007
Universidade de São Paulo/ Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto
Universidade de São Paulo
A delinqüência juvenil e o uso de drogas são problemas sociais e de saúde pública, que vem recebendo uma atenção especial por parte dos profissionais que atuam nesta área e dos órgãos públicos para um melhor entendimento dessa realidade e uma ação efetiva em relação às possibilidades de prevenção. Este estudo tem como objetivo identificar a primeira experiência do uso de drogas e do ato infracional entre os adolescentes em conflito com a lei e analisar sua possível relação. A amostra foi composta por 150 adolescentes do sexo masculino, com idade entre 12 a 21 anos e que estavam em cumprimento de medida sócio-educativa de internação, nas unidades da FEBEM (Fundação Estadual do Bem estar do Menor) de Sertãozinho e Ribeirão Preto-SP. Este é um estudo quantitativo descritivo. Para o instrumento de coleta de dados foi formatado questionário individual, estruturado com perguntas fechadas, divididos em três partes: 1ª) contém as informações sócio-demgráficas, 2ª) o uso de drogas e a 3ª) o ato infracional. Foram realizadas análises descritivas e univariável com intervalo de confiança de 95%. Dentre as caracterisitcas sócio-demográficas, os adolescentes tinham idade de 16 anos, cor pardo ou negro, procedentes da região de Ribeirão Preto-SP, com nível baixo de escolaridade e 99(66%) pertencem à família monoparental e se sustenta com prática infracional. Os índices do primeiro uso do álcool, cigarro e maconha são elevados e ocorrem concomitantemente com idade média de 12 anos. Com relação aos delitos, os mais praticados são roubo 61(40,7%), seguido do tráfico de drogas 44(29,4%) e o furto 14(9,3%) e ocorrem precocemente como o uso da droga com idade média de 13 anos. A associação destas variáveis demonstrou que existe uma correlação significativa entre o uso do álcool e da maconha e os atos infracionais, exceto o homicídio, o estudo também apontou uma relação entre o uso do crack e o tráfico de droga. Este dado confirma que quando o uso destas drogas ocorre precocemente, existe uma chance maior deste adolescente a se envolver mais cedo em comportamentos de risco como, por exemplo, a prática infracional. Não foi encontrada nenhuma relação estatisticamente significativa entre o uso do cigarro e da cocaína e o ato infracional. Os resultados do presente estudo nos aponta indicadores para o desenvolvimento de programas preventivos do uso de drogas entre adolescentes, que podem contribuir para uma redução a escalada para outros comportamentos de riscos.
Uso prejudicial e dependência de álcool e outras drogas na agenda da saúde pública: um estudo sobre o processo de constituição da política pública de saúde do Brasil para usuários de álcool e outras drogas
MACHADO, Ana Regina , 2006
Universidade Federal de Minas Gerais/ Programa de Pós-graduação em saúde pública
Universidade Federal de Minas Gerais
Este estudo tem como objeto o processo de constituição da política pública de saúde do Brasil para usuários de álcool e outras drogas, estabelecida no ano de 2003. Partindo do pressuposto de que as políticas de saúde não são estabelecidas exclusivamente a partir das necessidades de atenção em saúde, buscou-se identificar os fatores e as condições que possibilitaram o surgimento da política pública de saúde para usuários de álcool e outras drogas. O estudo utilizou a entrevista semi-estruturada como fonte privilegiada, além da pesquisa bibliográfica e documental. Estabeleceu-se uma amostra composta por nove informantes-chaves, selecionados em função da participação que tiveram no processo investigado. Os resultados do estudo mostraram que o estabelecimento da política pública de saúde para usuários de álcool e outras drogas tornou-se possível a partir dos avanços técnicos, políticos e ideológicos viabilizados pela implementação do Sistema Único de Saúde (SUS), da política de prevenção de AIDS - especialmente dos programas de redução de danos - e da política de reestruturação da atenção em saúde mental. Esses avanços contribuíram para que os gestores de saúde, no âmbito nacional, pudessem abordar o uso prejudicial e a dependência de álcool e outras drogas como problemas de saúde pública e não a partir de uma perspectiva moralista ou antidrogas. Além dessas condições favoráveis, o estudo mostrou que essa política foi estabelecida em um cenário marcado pelo crescimento do impacto financeiro dos problemas associados ao consumo de álcool e outras drogas no setor público de saúde e do impacto desses problemas na saúde da população e na sociedade brasileira.
Representações sociais dos profissionais do Programa Saúde da Família sobre o uso de drogas psicoativas no município de Fortaleza
DE MEDEIROS, Joedna Souza, 2006
Universidade Federal do Ceará/ Faculdade de Medicina/ Departamento de Saúde Comunitária
Universidade Federal do Ceará
As transformações que vêm ocorrendo no mundo globalizado tem ocasionado mudanças nos diversos segmentos sociais como o educacional, econômico, cultural e o de saúde, contribuindo, assim, para a condição de instabilidade na vida moderna. Nesse contexto, muitas pessoas desejam escapar, seja pela destruição da velha ordem e criação de um mundo novo e melhor, seja pela retirada para um mundo interior, utilizando, para isso, as substâncias psicoativas O consumo das drogas sejam lícitas ou ilícitas que parecem ter aumentado na conjuntura atual, tem-se tornado um desafio no campo da saúde e para os estudiosos das áreas humanas, sociais, educacionais e jurídicas, que tentam compreender como as informações e medidas preventivas podem enredar-se em leituras de teias simbólicas inscritas em ações concretas vividas pelas populações. Nesse ponto, destacamos que o Programa Saúde da Família, por ser estratégia do Sistema Unico de Saúde e por visar a ações de promoção e prevenção em saúde popular, deveria favorecer e garantir a mudança de paradigmas, de práticas e de resultados em torno do campo da saúde. Assim, este estudo teve como objetivo apreender as representações sociais dos profissionais da equipe de saúde da família na Unidade de Saúde do Pirambu, acerca das drogas psicoativas e seus usuários no município de Fortaleza. O estudo utilizou, como método de investigação, a análise qualitativa e foi estruturado com o aporte teórico-metodológico da Teoria das Representações Sociais. O instrumento utilizado para coletar os dados foi um roteiro de entrevista semidirigida, em que foi utilizado um gravador mediante a autorização dos participantes. Os dados foram analisados conforme o método de categorização proposto por Bardin (1977). Os profissionais do PSF que participaram do estudo utilizam um discurso da ordem do direito e da penalidade, demonstrando ofuscar o potencial de suas ações na comunidade, sobretudo no âmbito preventivo, insentando-se de vinculações com as práticas de saúde. Para esses profissionais parece existir uma representação de naturalização e vulgarização do consumo das drogas ilícitas na comunidade estudada. Verificamos que os profissionais reificam os sujeitos usuários das substâncias ilícitas. Assim, as representações sociais dos profissionais do Programa Saúde da Família estudado, parecem caracterizar o usuário das drogas ilícitas como um indivíduo excludente do meio social, que está ancorado no imaginário social do qual se desvincula o ato do uso da droga e do todo da pessoa, com suas características subjetivas, singulares de cidadão, negando-se-lhe uma visão mais totalizadora de si como sujeito. Nesse ponto, percebemos que as práticas de saúde preventivas voltadas para o sujeito usuário, principalmente quando o início do consumo ocorre na juventude, possui uma dimensão esquecida no PSF em decorrência do modelo formado dos profissionais que situam o discurso, ora no nível patológico, ora no campo jurídico das sanções. É importante, então, no campo da representação social, a orientação para uma reconstrução da complexidade das relações sociais estabelecidas por esses profissionais, bem como da sociedade em relação às drogas ilícitas e seus usuários
Avaliação dos fatores associados ao uso de álcool e drogas na criminalidade : um estudo no sistema penitenciário
WELLAUSEN, Rafael Stella , 2009
Universidade Federal do Rio Grande do Sul/ Instituto de Psicologia/ Programa de pós-graduação em Psicologia
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
A presente Dissertação de Mestrado consiste de um capítulo introdutório na qual são apresentados os quatro eixos que formam a estrutura teórica de dois estudos empíricos apresentados em forma de artigos. Os estudos foram realizados no Presídio Central de Porto Alegre e contaram com uma amostra de 50 prisioneiros sem condenação prévia com idades entre 18 e 35 anos. No primeiro estudo foram utilizados dois instrumentos: O Parental Bonding Instrument (PBI) e a Mini International Neuropsychiatric Interview (MINI). Buscou-se verificar a qualidade dos vínculos afetivos entre os presidiários e seus pais, assim como avaliar os principais quadros psiquiátricos que acometem esta população. Para análise dos dados foram realizadas análises estatísticas com o Teste t e o Teste Qui-quadrado. Os resultados desse estudo revelaram a presença de diversos transtornos psiquiátricos e problemas no vínculos afetivos entre pais e filhos. Houve alta incidência de uso/dependência de drogas sendo a maconha e o crack as mais consumidas. Aqueles prisioneiros que apresentavam um Transtorno Antissocial de Personalidade (TASP) também apresentavam fracasso biparental. Independentemente do diagnóstico psiquiátrico os crimes mais freqüentes foram os contra o patrimônio. O segundo estudo procurou investigar a relação entre uso de álcool e drogas e comportamento sexual de risco para HIV/AIDS. Neste estudo o Addiction Severity Index (ASI6) foi o instrumento utilizado para avaliar gravidade de dependência e comportamento sexual. Os resultados indicaram que com o advento do crack houve uma redução no número de usuários de drogas injetáveis (UDI). Apesar disso, foi verificado que o risco para a contaminação com o vírus do HIV ainda é alto entre os prisioneiros. Duas são as possíveis razoes: um descuido geral em relação à saúde, e o sexo ter-se tornado uma moeda de troca por drogas. Ambos os estudos têm relevância uma vez que revelaram aspectos pouco conhecidos sobre a realidade daqueles que se encontram aprisionados.
A motivação para a mudança em adolescentes usuários de maconha : um estudo longitudinal.
ZAMBOM, Luís Fernando , 2009
Faculdade de Psicologia/ Mestrado em Psicologia
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
O uso de drogas é um fenômeno bastante antigo na história da humanidade e constitui um grave problema de saúde pública com sérias conseqüências pessoais e sociais no futuro dos jovens e de toda a sociedade. Assim como no Brasil, a maconha é a droga ilícita mais usada em todo mundo. Esse problema tem preocupado a sociedade e sugerido a construção de inúmeros métodos de combate à dependência química tais como grupos de auto-ajuda, psicoterapia, medicamentos, tratamentos ambulatoriais, internações, atendimento a família. Para alguns autores, a implicação mais importante de suas pesquisas foi a descoberta da necessidade de, inicialmente, acessar a motivação para a mudança do cliente e só então, adequar as intervenções terapêuticas ao estado motivacional do mesmo. Há uma tendência humana para ignorar os problemas, antes de reconhecer os caminhos que podem levar à resolução dos mesmos, sendo, desta forma creditada à motivação a força propulsora que move os indivíduos a um objetivo específico. Nesse contexto surgiu o Modelo Transteórico de Prochaska e DiClemente? (1982) como importante contribuição para a compreensão dos fenômenos motivacionais em pacientes com comportamentos aditivos. O modelo descreve como prontidão para a mudança os estágios nos quais o indivíduo transita. Este modelo está fundamentado na premissa de que a mudança comportamental acontece ao longo de um processo, no qual as pessoas têm diversos níveis de motivação de prontidão para mudar. O presente estudo visa avaliar se houve mudança no consumo de maconha e outras drogas e nos estágios de motivação de adolescentes após, aproximadamente, 3 anos da participação em um programa de avaliação e intervenção motivacional. Esta dissertação compreende dois estudos: uma revisão de literatura e um estudo empírico. No primeiro estudo realizou-se uma revisão de artigos atuais sobre a técnica da Entrevista Motivacional em adolescentes usuários de maconha através de buscas nas bases de dados Medline, Scielo, Psycinfo e EBSCO entre o período de 2004 a 2008. Os descritores utilizados foram Motivational Interview, Motivational Enhancement Therapy, Readiness to Change, Adolescentes, Marijuana, Cannabis and Drugs Use. Os descritores nas bases de língua portuguesa foram: Entrevista Motivacional, Intervenção Motivacional, Prontidão para Mudança, Adolescentes, Maconha e Drogas Psicoativas. Encontrou-se na literatura pesquisas, em sua maioria de língua inglesa, descrevendo os aspectos teóricos da Entrevista Motivacional, estudos de viabilidade e custo benefício da entrevista motivacional e estudos de impacto e efetividade da intervenção motivacional com adolescentes usuários de maconha. Os dados obtidos com os diferentes tipos de estudo, sugerem que a Entrevista Motivacional traz benefícios importantes relacionados à conscientização acerca do problema de usar drogas, na diminuição dos padrões de uso de substância, na redução dos dias de uso por mês assim como de sintomas relacionados à dependência de maconha. O estudo empírico objetivou avaliar se houve mudança no consumo de maconha e outras drogas e mudanças nos estágios motivacionais de adolescentes após aproximadamente 3 anos da participação em um programa de avaliação e intervenção motivacional. Foram utilizados 5 instrumentos nesse estudo: ficha de dados sócio-demográficos, Entrevista clínica semi-estruturada, elaborada segundo critérios do DSM-IV-tr (2002) para diagnóstico de Transtornos Disruptivos, URICA - University of Rhode Island Change Assessment - para medir o estágio motivacional e Inventários de Ansiedade e de Depressão de Beck - BAI e BDI. A amostra foi constituída por 30 sujeitos com idades entre 16 e 22 anos, com escolaridade mínima da 5 série do ensino fundamental, de uma população total de 102 adolescentes encaminhados pela justiça por ato infracional de uso de maconha para um serviço de atendimento especializado. Foi um estudo quantitativo, do tipo longitudinal, sendo 13 avaliado e comparado o grupo de adolescentes. A avaliação foi realizada em dois momentos distintos (antes e depois): Avaliação Inicial (AI) realizado durante o programa de atendimento e intervenção, e Avaliação Final (AF) aproximadamente 3 anos após a avaliação inicial. Os participantes da AF (n= 30) foram divididos em 2 grupos: os que terminaram (n=9) o programa de avaliação e intervenção inicial (aderiu) e os que abandonaram (n=21) o programa de avaliação e intervenção inicial (não aderiu). Os achados mostraram, na comparação entre AI e AF, que 50% dos adolescentes não utiliza mais a maconha atualmente. Não houve correlação significativa entre os estágios nos diferentes momentos de avaliação, embora exista uma importante tendência relacionada ao aumento do escore do estágio "Ação" na AF (p= 0,006). Na análise de interação entre AI e AF e grupos (aderiu e não aderiu) pode-se constatar diferenças significativas no que se refere aos estágios da contemplação (p= 0,004), Ação (p= 0,005) e manutenção (p= 0,001). Este estudo conclui que existiram importantes mudanças nos estágios motivacionais da Pré-Contemplação, Contemplação, Ação e Manutenção apontando para a importância de programas de atendimentos e suas repercussões à longo prazo na mudança do comportamento dos adolescentes usuários de maconha e outras drogas.
Adesão ao tratamento de HIV/AIDS por pacientes com AIDS, tuberculose e usuários de drogas de São Paulo
LIMA, Helena Maria Medeiros , 2006
Universidade de São Paulo/ Faculdade de Saúde Pública/ Área de concentração de Epidemiologia
Universidade de São Paulo
Objetivo. Subsidiar profissionais de saúde para melhoria das estratégias de adesão e base para Política Nacional de Adesão, definida como o conjunto de atitudes do paciente para melhor aproveitamento do tratamento. Pacientes com aids, tuberculose e usuários de drogas têm dificuldades para aderir. Métodos. Estudo descritivo, metodologia qualitativa - Rapid Assessment, Response and Evaluation (RARE) em quatro serviços públicos de Doenças Sexualmente Transmissíveis/ Aids de São Paulo, 37 profissionais de saúde (mulheres, casadas, 45 anos) que atendem à população estudada e 27 pacientes (maiores de idade, com aids, tuberculose e usuários de drogas/ 35 anos, sexo masculino, escolaridade baixa, solteiros/ sozinhos, desempregados, diagnóstico de HIV e início de tratamento de aids há mais de cinco anos). Resultados. Profissionais de saúde sem experiência prévia e capacitações específicas em tuberculose e dependência de psicoativos. Conhecimentos técnicos desatualizados sobre interações, genotipagem, sub-tipos HIV, resistência, falência, tuberculose multidrogarresistente, exceto infectologistas. Sem padronização de conduta para troca de esquema terapêutico de ARV. Exigência de abstinência. Pacientes: ingestão de todas as doses de uma só vez/dia; falhas por esquecimento, uso de drogas (álcool), evitar efeitos colaterais, não-revelação de diagnóstico usuários de crack compartilham cachimbo; trocam médico e/ou serviço para mudar esquema de anti-retrovirais. Serviços de DST/Aids sem interação com Programa de Tuberculose e Saúde Mental. Conclusões e recomendações. Profissionais de saúde necessitam de capacitações tuberculose e drogas para melhoria da adesão destes pacientes, elaboração de Planos Individuais de Adesão e introdução da Redução de Danos como estratégia; construção da Política Nacional de Adesão. Descritores: Adesão, Saúde Pública, Tuberculose, Aids, Drogas.
O sub-relato e fatores correlacionados ao uso de cocaína e maconha no terceiro trimestre de gestação em adolescentes grávidas.
BESSA, Marco Antonio do Socorro Marques Ribeiro, 2010
Universidade Federal de São Paulo
Universidade Federal de São Paulo
O uso de drogas por adolescentes grávidas é um grave problema de saúde pública, tanto pelas conseqüências provocadas na saúde da mãe quanto na do recémnato. Por isso a identificação correta dos casos e dos fatores correlacionados ao uso de drogas nessa população são importantes para o entendimento desse fenômeno, para a identificação das adolescentes em alto risco para essa condição e para o auxílio do desenvolvimento de possíveis políticas públicas de prevenção e de tratamento adequado desses casos. Objetivos: 1) Verificar a validade do auto-relato do uso de drogas por adolescentes grávidas, através da comparação de suas respostas a uma entrevista estruturada sobre o seu consumo de cocaína e maconha durante a gravidez com o teste de seus fios de cabelo. 2) Investigar, em uma população de gestantes adolescentes de uma maternidade pública de São Paulo, Brasil, a associação entre o consumo de cocaína e maconha durante a gravidez com distúrbios psiquiátricos, status social e história sexual. Métodos: Mil adolescentes grávidas foram entrevistadas por meio do Composite International Diagnostic Interview no centro obstétrico de um hospital público de São Paulo, foram submetidas ao teste de cabelo para identificar o uso de maconha e de cocaína e responderam a um questionário complementar com informações demográficas e socioeconômicas, de comportamento sexual e de exposição à violência. Resultados: Das 1000 pacientes entrevistadas 6% consumiram drogas durante o terceiro trimestre da gravidez (maconha: 4,0%, cocaína: 1,7%, ambos: 0,3%). Quanto aos fatores correlacionados na população de adolescentes grávidas avaliada, ter três ou mais parceiros sexuais na vida está significativamente associado ao uso de maconha ou cocaína durante a gestação. Esta associação sugere que programas de intervenção específicos devem ser dirigidos a essas jovens. As associações com os Transtornos Somatoforme, Bipolar e de Estresse Pós-traumático sugerem que o uso de drogas pode ser uma tentativa de escapar da rude realidade da vida e os transtornos psiquiátricos são mais um tipo de problema que podem ocorrer, agravando essa realidade. Conclusão: Esse estudo, através de dados obtidos a partir de entrevistada estruturada e exames de confirmação biológica aplicados a uma amostra grande contribui para a obtenção de informações sobre o sub-relato de uso de drogas no terceiro trimestre da gestação de adolescentes e dos fatores correlacionados ao uso drogas por adolescentes grávidas, colaborando para o conhecimento que pode orientar a organização de políticas públicas para a prevenção desse grave problema de saúde pública.
Habilidades sociais em adolecentes usuários de maconha.
WAGNER, Marcia Fortes , 2007
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul/ Programa de pós-graduação em Psicologia/ Mestrado em Psicologia Clínica
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
O uso de drogas é um fenômeno que ocorre com muita freqüência na adolescência, por ser um período de maior vulnerabilidade, no qual o indivíduo ainda não desenvolveu de forma adequada algumas habilidades. Como é uma etapa do desenvolvimento que envolve adaptações e mudanças, pode propiciar o surgimento de transtornos psicológicos, comportamentais e sociais, entre os quais, o transtorno por uso de substâncias. Entre as drogas ilícitas, a maconha é a mais usada, aparecendo em primeiro lugar nas pesquisas e com maior uso por adolescentes do sexo masculino. Nos transtornos por uso de maconha, podem existir déficits em habilidades sociais sob a forma de baixa competência social e dificuldades específicas, como enfrentamento de situações de risco à auto-estima e resolução de problemas. O objetivo dessa dissertação é contribuir para o conhecimento científico a partir da compreensão dos comportamentos de interação social em nossa realidade, com a proposta de verificar a associação entre as habilidades sociais em adolescentes com abuso ou dependência de maconha com as habilidades sociais de adolescentes sem uso de maconha. Esta dissertação compreende dois estudos: uma revisão teórica e um estudo empírico. Na parte teórica, realizou-se uma revisão sobre as habilidades sociais em adolescentes usuários de maconha, através de buscas nas bases de dados Pschynfo, Web of Science, Cochrane Library, Proquest, Medline e Lilacs, entre 1996 e 2006. Os descritores utilizados foram social skills, social skills training, social competence, assertiveness, adolescents, teeenagers, substance abuse, drugs abuse, cannabis e marijuana. Nas bases de língua portuguesa, os descritores foram habilidades sociais, treinamento em habilidades sociais, assertividade, adolescentes, abuso de substâncias, drogas e maconha. Também foram analisados livros e artigos que não se encontravam nas referências das fontes indexadas. Encontrou-se na literatura pesquisas, em sua maioria de língua inglesa, apontando a existência de déficits, principalmente a dificuldade em resistir às drogas e dizer não, além de concluir que a construção de habilidades de resistência ao oferecimento de drogas, a auto-eficácia e o estímulo à capacidade de tomada de decisões, pode reduzir o uso de substâncias. Poucos estudos brasileiros foram encontrados abordando esta temática. O estudo empírico objetivou avaliar as habilidades sociais de adolescentes usuários de maconha e comparar seu desempenho com não usuários de maconha, a fim de identificar se há ou não maior déficit nas habilidades sociais no grupo de usuários. Os instrumentos utilizados foram: ficha de dados sócio-demográficos, entrevista clínica estruturada, baseada nos critérios do DSMIV; Inventário de Habilidades Sociais IHS; Screening Cognitivo do WISC-III e do WAIS-III e Inventários de Ansiedade e de Depressão de Beck - BAI e BDI. A amostra total constituiu-se de 98 adolescentes, subdividida em dois grupos, 49 usuários de maconha e 49 não usuários de maconha, com idades entre 15 e 22 anos, e escolaridade mínima de 5 série do Ensino Fundamental. Foi um estudo quantitativo, transversal, observacional, de comparação entre dois grupos: usuários de maconha e não usuários de maconha. Os resultados mostraram diferenças significativas no screening cognitivo e na avaliação da presença de sintomas de ansiedade e depressão, com maiores prejuízos no grupo de usuários de maconha. Os achados finais apontam que não houve diferenças estatísticas significativas no escore geral do IHS entre o grupo de usuários e não usuários, mas foram encontradas diferenças significativas entre os grupos em relação a dois dos cinco fatores do IHS. O grupo de usuários de maconha apresentou um desempenho mais prejudicado no Fator 4, Auto-exposição a desconhecidos ou a situações novas e no Fator 5, Autocontrole da agressividade a situações aversivas.Conclui-se com esse estudo que adolescentes usuários de maconha apresentam mais prejuízos nas habilidades que adolescentes não usuários de maconha.
Cannabis Vaporizer Combines Efficient Delivery of THC with effective Suppression of Pyrolytic Compounds
GIERINGER, Dale; LAURENT, Joseph St.; GOODRICH, Scott, 2004
The UK Cannabis Internet Activist
Journal of Cannabis Terapeutics
Cannabis vaporization is a technology designed to deliver inhaled cannabinoids while avoiding the respiratory hazards of smoking by heating cannabis to a temperature where therapeutically active cannabinoid vapors are produced, but below the point of combustion where noxious pyrolytic byproducts are formed. This study was designed to evaluate the efficacy of an herbal vaporizer known as the Volcano®, produced by Storz & Bickel GmbH? &Co. KG, Tuttlingen, Germany (http://www.storz-bickel.com). Three 200 mg samples of standard NIDA cannabis were vaporized at temperatures of 155°-218°C. For comparison, smoke from combusted samples was also tested. The study consisted of two phases: (1) a quantitative analysis of the solid phase of the vapor using HPLC-DAD-MS (High Performance Liquid Chromatograph-Diode Array-Mass Spectrometry) to determine the amount of cannabinoids delivered; (2) a GC/MS (Gas Chromatograph/Mass Spectrometer) analysis of the gas phase to analyze the vapor for a wide range of toxins, focusing on pyrene and other polynuculear aromatic hydrocarbons (PAHs). The HPLC analysis of the vapor found that the Volcano delivered 36%-61% of the THC in the sample, a delivery efficiency that compares favorably to that of marijuana cigarettes. The GC/MS analysis showed that the gas phase of the vapor consisted overwhelmingly of cannabinoids, with trace amounts of three other compounds. In contrast, over 111 compounds were identified in the combusted smoke, including several known PAHs. The results indicate that vaporization can deliver therapeutic doses of cannabinoids with a drastic reduction in pyrolytic smoke compounds. Vaporization therefore appears to be an attractive alternative to smoked marijuana for future medical cannabis studies.
Entre a cultura do controle e o controle cultural : um estudo sobre práticas tóxicas na cidade de Porto Alegre
ALVES, Marcelo Mayora , 2010
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul/ Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais/ Programa de Pós-graduação em Ciências Criminais
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
A presente dissertação, realizada junto à linha de pesquisa Criminologia e Controle Social, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, pretendeu analisar as práticas tóxicas, a constituição dos desvios relacionados a tais práticas e o controle penal dos usos de drogas. Tendo como referencial teórico a teoria interacionista do desvio, sobretudo a obra de Howard Becker, o trabalho buscou reaproximar a criminologia das análises micro, bem como dos estudos culturais, para situar cada prática tóxica e cada discurso sobre tal prática no contexto em que emergem. O objetivo foi encontrar os significados atribuídos aos diferentes usos de drogas, bem como os espaços simbólicos que ocupam, individual e coletivamente, à luz das características da contemporaneidade. Para tanto, tomou-se como campo a cidade de Porto Alegre e alguns contextos nos quais ocorre o uso de drogas. Além disso, considerando que algumas substâncias com potencial de gerar estados alterados de consciência submetem-se ao regime proibicionista, realizou se pesquisa de campo nos Juizados nos quais os casos de posse de drogas para consumo são julgados, de maneira a diagnosticar e a criticar as respostas penais atualmente adotadas e seus efeitos sociais.
Guia prático de matriciamento em saúde mental
Dulce Helena Chiaverini (Organizadora) ... [et al.]., 2011
Ministério da Saúde: Centro de Estudo e Pesquisa em Saúde Coletiva
Ministério da Saúde
A Política Nacional de Saúde Mental, apoiada na lei 10.216/02,busca consolidar um modelo de atenção à saúde mental aberto e de base comunitária. Isto é, que garante a livre circulação das pessoas com transtornos mentais pelos serviços, comunidade e cidade, e oferece cuidados com base nos recursos que a comunidade oferece. Este modelo conta com uma rede de serviços e equipamentos variados tais como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT), os Centros de Convivência e Cultura e os leitos de atenção integral (em Hospitais Gerais, nos CAPS III). O Programa de Volta para Casa que oferece bolsas para egressos de longas internações em hospitais psiquiátricos, também faz parte desta Política.
A lei que se tem: Portugal e Bélgica
MACEDO, Marco Aurélio Bastos de., 2011

Centro de Estudos e Terapias do Abuso de Drogas - UFBA
 
A Legislação e a Política de Drogas na Holanda
MACRAE, Edward, 2011

Centro de Estudos e Terapias do Abuso de Drogas - UFBA
 
Suíça – Política Criminal sobre Drogas
COHIM, Jane, 2011

Centro de Estudos e Terapias do Abuso de Drogas - UFBA
 
A LEI 11.343/2006: alguns nós da lei que se tem
CORREIA, Ludmila Cerqueira, 2011

Centro de Estudos e Terapias do Abuso de Drogas - UFBA
 
Discurso e memória autobiográfica em adolescentes usuários de drogas
DE OLIVEIRA, Christian Cesar Candido, 2007
Universidade de São Paulo/ Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
Universidade de São Paulo
A memória autobiográfica é uma memória de longo prazo relacionada à história de vida individual e coletiva que reflete o funcionamento cognitivo, lingüístico e afetivo. Torna-se mais elaborada na adolescência, fase da vida em que grande parte das pessoas experimenta álcool e drogas. O objetivo desta tese foi o de traçar e relacionar o perfil dos discursos autobiográfico oral livre e eliciado de fatos ocorridos na infância em 77 adolescentes usuários e não usuários de drogas, de ambos os gêneros. Os usuários de álcool e/ou drogas (n=37) estavam em tratamento para dependência química no Grupo de Adolescentes e Drogas do Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e os não usuários de drogas (n=40) estavam regularmente matriculados em Escola Municipal de Ensino Fundamental da Cidade de São Paulo. O discurso autobiográfico oral livre foi analisado com base em dois modelos: o de Peterson e McCabe? (1983) - que privilegia a estrutura discursiva através da identificação dos elementos cenário, complicação, resposta interna, tentativa, conseqüência e reação - e o de Brown et al. (1986) - que verifica os temas das memórias (pessoal, público e ocupacional). Foram igualmente aplicados questionários para as avaliações da memória autobiográfica (Borrini et al., 1989) e da memória semântica com características autobiográficas (Kihlstrom e Schacter, 1995). Apesar de não terem sido encontradas diferenças significativas em relação aos temas (Brown et al.,1986), de acordo com o modelo de Peterson e McCabe? (1983), em geral, os usuários tiveram menos incidência de estruturas discursivas do que os não usuários e os meninos usuários tiveram pior desempenho do que os demais sujeitos. Este achado foi semelhante para o questionário de memória semântica com características autobiográficas (Kihlstrom e Schacter, 1995). Para o questionário de memória autobiográfica (Borrini et al., 1989), foram encontrados desempenhos semelhantes entre usuários e não usuários. Porém, os meninos usuários apresentaram menos lembranças do que os meninos não usuários e do que as meninas usuárias. Além disso, os meninos não usuários também apresentaram menos lembranças do que as meninas não usuárias. Esta tese constatou que, apesar de todos os jovens falarem sobre temas semelhantes, relacionados principalmente às questões pessoais, adolescentes que usam drogas tiveram maior dificuldade para acessarem suas memórias autobiográficas, tanto em discurso oral livre quanto em discurso eliciado de fatos ocorridos na infância. Este dado parece não só ser indicativo de alterações cognitivas e lingüísticas decorrentes do uso de drogas mas, também, de questões relacionadas ao impacto que as drogas têm nos processos de busca de novos conhecimentos e de socialização. O gênero feminino (usuárias e não usuárias) parece ter um perfil mais homogêneo do que o masculino (usuários e não usuários).
Fatores de risco e o significado do consumo de drogas em adolescentes e jovens marginais de bandos juvenis
FACUNDO, Francisco Rafael Guzman, 2007
Universidade de São Paulo/ Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto
Universidade de São Paulo
O abuso no consumo de drogas constitui problema social e de saúde pública na maioria dos países pelas múltiplas conseqüências negativas que provocam sobre o desenvolvimento emocional e físico das pessoas. Grupos reconhecidos como de maior risco para consumir drogas são os grupos marginais e, dentro destes, estão os adolescentes e jovens pertencentes aos bandos juvenis. Os objetivos do presente estudo foram: analisar o efeito dos fatores de risco pessoais (idade, sexo, problemas de saúde mental, baixo nível educacional, ter trabalho remunerado, anos de escolaridade) e interpessoais (relação com amigos sob condutas desajustadas e relação inapropriada com pais) sobre o consumo de drogas lícitas (álcool e tabaco) e ilícitas (maconha, cocaína e inalantes) e, num segundo momento, desenvolver modelo teórico representativo dos significados do consumo de droga em adolescentes e jovens marginais de bandos juvenis. Para tal efeito, realizou-se estudo com metodologia quanti-qualitativa, onde se consideraram 175 sujeitos para o primeiro objetivo. Estimou-se a amostra para uma regressão linear múltipla com sete variáveis, com potência de 0,90, nível de significância de 0,05, para variância estimada de 20% e, para o segundo objetivo, utilizou-se o referencial metodológico da Teoria Fundamentada nos Dados à luz do Interacionismo Simbólico, com amostra de 16 sujeitos. Os resultados dos modelos de regressão logística mostraram efeito significativo dos fatores pessoais sobre o consumo de álcool (x2=30,19; p<0,05), maconha (x2=47,78; p<0,001), cocaína (x2=55,54; p<0,001) e inalantes (x2= 41,79; p<0,001), os fatores de risco pessoais que mostraram maior contribuição nos modelos foram: o sexo (ser homem), idade, problemas de saúde mental e baixo nível educacional; e, os fatores interpessoais: relações com amigos sob condutas desajustadas e relação inapropriada com pais, mostraram um efeito positivo sobre o consumo de álcool (x2=11,96; p=0,003), maconha (x2= 22,56; p<0,001), cocaína (x2=12,44; p=0,002) e inalantes (x2= 14,80; p<0,001). Os fatores de risco pessoais e interpessoais não mostraram efeitos significativos para o consumo de tabaco. Depois de transcrever as entrevistas dos 16 sujeitos, codificou-se em três etapas: codificação aberta, axial e seletiva. Da análise comparativa dos dados resultou a categoria central A GLÓRIA DO PRAZER SOBRE AS CONSEQÜÊNCIAS em relação ao significado do consumo de drogas, e representa as vantagens dos efeitos prazerosos, emocionais, de bemestar, relaxamento, desinibição e, conseqüentemente, risos, denotando sentimentos de felicidade sobre as possíveis conseqüências do consumo de drogas. Esses resultados possibilitaram a reflexão de que, em um futuro próximo, há a necessidade de elaboração de programas adequados direcionados à prevenção nesse grupo de jovens marginais.
A(s) pedagogia(s) com jovens em contextos de uso de drogas
GIRON, Maria Francisca Rodrigues, 2009
Universidade Federal do Rio Grande do Sul/ Faculdade de Educação/ Programa de Pós-graduação em Educação
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
O presente trabalho deriva de uma pesquisa cujo objetivo central foi o de discutir que pedagogia(s) são utilizadas para abordar e tratar jovens em contextos de uso de drogas, os quais se constituem como dependentes químicos, bem como investigar como a educação se articula nessas relações. A questão central da investigação é: que concepção de educação sustenta tais ações? Ela produz pedagogias, ou seja, intervenções que possibilitem produzir outras trajetórias para esses jovens que não a da morte anunciada? Defendo a idéia de que a educação abre perspectivas importantes para o desenvolvimento humano, tendo em vista que os sujeitos se constituem nas e pelas interações sociais e históricas. No estudo dos jovens e sua exposição ao "negócio da droga" - eufemismo para "negócio da morte" -, foi possível perceber que o que se chama de "educação", no âmbito das ações do Estado em relação aos "usuários de drogas" ou "dependentes químicos", configura-se como política de devolução do problema aos próprios dependentes. O trabalho desenvolvido pelas ONGs para Redução de Danos não afastam os jovens das drogas, posto que esse não é seu intento. Sua proposta é educativa e gera uma pedagogia cuja perspectiva, concretizada pelos redutores de danos, não faz intervenção direta no prognóstico de morte anunciada pelo uso de drogas, mas coloca em ação a estratégia de Redução de Danos que tem em vista a preservação da vida e de sua consciência sobre ela. Foi importante, nesse processo, estabelecer múltiplas interações entre juventude(s), drogas, redução de danos e outras propostas de recuperação frente às ações educativas possíveis neste momento histórico. No que toca ao campo empírico, investiguei a ONG Indústria da Solidariedade: compromisso com a vida - ISO, localizada em Imbituba - Santa Catarina, que atua também em municípios próximos. Com uma perspectiva etnográfica, acompanhei os redutores de danos em suas abordagens com jovens e realizei observação participante, tanto das abordagens como das intervenções em suas ações educativas. Além disso, observei como se expressam, na comunidade, a inserção e a aceitação da proposta de Redução de Danos. Registrei o cotidiano da ONG por meio de um diário de campo e coletei depoimentos de usuários de drogas. O segundo campo empírico foi o Centro de Convivência Ecologia do Ser, onde acompanhei - com observação, caderno de campo e entrevistas com a coordenadora da proposta - jovens internos desde o período de desintoxicação até o processo de reinserção social, quando colocaram em ação metas, como o retorno ao estudo, cursos e a prática de esportes. Esses jovens escreveram depoimentos, nos quais descreveram suas trajetórias até então e o significado da droga em suas escolhas de vida. Do cruzamento dessas várias experiências, resultou a compreensão da educação como possibilidade aberta para o ser humano, para ter outras perspectivas de relacionar-se socialmente, de ser capaz de interpretar e conduzir a própria história em qualquer época da sua vida, ou seja, de ter um futuro aberto. Concluo evidenciando os limites da estratégia de Redução de Danos como política estatal e as possibilidades pedagógicas presentes em intervenções que viabilizem outras trajetórias para os jovens em contextos de uso de drogas, que não a da dependência química.
LIVRO 1 - SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
Conselho Nacional de Secretários de Saúde, 2011
Conselho Nacional de Secretários de Saúde.
Brasil. Conselho Nacional de Secretários de Saúde.
O CONASS lança a Coleção Para Entender a Gestão do SUS 2011. Revisada e com conteúdos atualizados que contemplam toda a mudança que ocorrida no SUS até hoje, a Coleção 2011 incorpora ainda, novos temas que foram prioridades do CONASS nos últimos quatro anos, como, por exemplo, o impacto da violência no SUS, as recentes decisões sobre a questão das demandas judiciais, o processo de implementação do Pacto pela Saúde e a organização das Redes de Atenção à Saúde.
O livro Sistema Único de Saúde apresenta os antecedentes históricos da criação do SUS, a conformação legal a partir da Constituição de 1988 e os seus desdobramentos normativos até os dias de hoje. Aborda os instrumentos e estratégias fundamentais para a sua implementação, como planejamento, sistemas de informação e a participação social e descreve o processo de implantação do SUS, seus avanços e desafios.
Esta publicação aborda ainda, a importância das Secretarias Estaduais de Saúde e da sua entidade representativa – o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) – na construção do sistema público de saúde no Brasil, além de fazer um registro do processo de implantação do Pacto pela Saúde no momento atual.
A Resolução 196/96 e a imposição do modelo biomédico na pesquisa social: dilemas éticos e metodológicos do antropólogo pesquisando o uso de substâncias psicoativas
MACRAE, Edward; VIDAL, Sergio, 2006
Revista de Antropologia da USP
Revista de Antropologia da USP
A Resolução 196/96, instituída pelo Ministério da Saúde com a pretensão de regular os aspectos éticos de qualquer pesquisa "envolvendo seres humanos", ainda não foi plenamente apreciada em suas implicações para os estudos antropológicos. Este artigo ressalta as dificuldades que se apresentam para pesquisas de campo, especialmente as que enfocam atividades ilícitas, tais como o uso de substâncias psicoativas. Esses estudos freqüentemente adotam abordagens etnográficas que pressupõem a ida do pesquisador ao campo e o estabelecimento de relações pessoais entre ele e os sujeitos por meio da participação cotidiana direta em seu meio cultural. Essa metodologia e a condição ilícita das atividades estudadas demandam considerações éticas específicas, às quais as disposições da Resolução 196/96 não atendem. Algumas áreas problemáticas são: (a) a necessidade de aprovação do projeto por um comitê de ética; (b) a dificuldade para obter consentimento informado quando se trabalha com populações ocultas; (c) "acobertamento", "apologia" ou participação em atos ilegais; (d) a dificuldade em fazer crítica social sem ferir interesses de nenhum dos sujeitos estudados; (e) o anonimato em pesquisas que também tenham caráter de registro histórico. As especificidades de diferentes disciplinas reforçam a noção de que comissões de ética devem ser setoriais, sob pena de se avaliar questões diferenciadas segundo padrões somente aplicáveis a algumas delas.
An evalution of the quality of medicinal grade cannabis in the Netherlands
HAZEKAMP, A., 2006
International Association for Cannabis as Medicine
Cannabinoids
Since 2003 medicinal grade cannabis is provided in the Netherlands on prescription through pharmacies. Growing, processing and packaging of the plant material are performed according to pharmaceutical standards and are supervised by the official Office of Medicinal Cannabis (OMC). The quality is guaranteed through regular testing by certified laboratories. However, in the Netherlands a tolerated illicit cannabis market exists in the form of so-called ‘coffeeshops’, which offers a wide variety of cannabis to the general public as well as to medicinal users of cannabis. Since cannabis has been available in the pharmacies, many patients have started to compare the price and quality of OMC and coffeeshop cannabis. As a result, the public debate on the success and necessity of the OMC program has been based more on personal experiences, rather than scientific data. The general opinion of consumers is that OMC cannabis is more expensive, without any clear difference in the quality. This study was performed in order to show any differences in quality that might exist between the official and illicit sources of cannabis for medicinal use. Cannabis samples obtained from randomly selected coffeeshops were compared to medicinal grade cannabis obtained from the OMC in a variety of validated tests. Many coffeeshop samples were found to contain less weight than expected, and all were contaminated with bacteria and fungi. No obvious differences were found in either cannabinoid- or water-content of the samples. The obtained results show that medicinal cannabis offered through the pharmacies is more reliable and safer for the health of medical users of cannabis.
LIVRO 2 - O FINANCIAMENTO DA SAÚDE
Brasil. Conselho Nacional de Secretários de Saúde , 2011
Conselho Nacional de Secretários de Saúde.
Brasil. Conselho Nacional de Secretários de Saúde.
O CONASS lança a Coleção Para Entender a Gestão do SUS 2011. Revisada e com conteúdos atualizados que contemplam toda a mudança que ocorrida no SUS até hoje, a Coleção 2011 incorpora ainda, novos temas que foram prioridades do CONASS nos últimos quatro anos, como, por exemplo, o impacto da violência no SUS, as recentes decisões sobre a questão das demandas judiciais, o processo de implementação do Pacto pela Saúde e a organização das Redes de Atenção à Saúde.
O Financiamento da Saúde é um livro que traz o panorama do financiamento do setor no Brasil, as informações mais atualizadas sobre as mudanças ocorridas a partir do Pacto pela Saúde e reflete a preocupação constante com a inadequação do financiamento para a área. Trata do financiamento setorial da saúde com foco no setor público e aborda, entre outros aspectos, as principais formas de financiá-lo, a Emenda Constitucional n. 29, a origem e a distribuição das receitas públicas e a evolução do gasto com saúde das três esferas de governo. O livro traz ainda as fontes de receitas federais do SUS, suas prioridades alocativas e seus efeitos no processo de descentralização.
LIVRO 3 - ATENÇÃO PRIMÁRIA E PROMOÇÃO DA SAÚDE
Brasil. Conselho Nacional de Secretários de Saúde., 2011
Conselho Nacional de Secretários de Saúde.
Conselho Nacional de Secretários de Saúde.
O Livro aborda o conceito de Atenção Primária à Saúde (APS), o seu papel na construção do SUS, seus princípios e sua importância para a eficiência e efetividade dos sistemas de saúde, bem como destaca alguns desafios para o seu fortalecimento. Apresenta com destaque o papel da APS na conformação das redes de atenção à saúde e na coordenação do cuidado. Nesse sentido merece destaque as ações do CONASS por meio da realização de Oficinas sobre Redes de Atenção à Saúde e de Planificação da Atenção Primária à Saúde. São abordados os aspectos organizacionais, de financiamento, com ênfase para a Estratégia de Saúde da Família (ESF).
LIVRO 4 - ASSISTÊNCIA DE MÉDIA E ALTA COMPLEXIDADE
Conselho Nacional de Secretários de Saúde. , 2011
Conselho Nacional de Secretários de Saúde.
Brasil. Conselho Nacional de Secretários de Saúde.
Este livro aborda a organização da assistência à saúde no que se refere às ações de média e alta complexidade do SUS e a base normativa vigente por área de assistência, além de conter informações de caráter prático e operacional sobre a organização, financiamento e gestão. Nele, são apresentados os conceitos gerais sobre assistência de média e alta complexidade no SUS, a relação entre atenção primária e atenção em média e alta complexidade, a importância da produção de média e alta complexidade no SUS e o papel a ser desempenhado pelas três esferas de governo.Também são descritas, com informações atualizadas, as Políticas Nacionais de Saúde por área com ênfase na assistência de média e alta complexidade ambulatorial e hospitalar, além de toda a legislação que orienta a organização das ações de média e alta complexidade, as responsabilidades dos gestores e a forma de financiamento
LIVRO 5 - VIGILÂNCIA EM SAÚDE - PARTE 1
Conselho Nacional de Secretários de Saúde, 2011
Conselho Nacional de Secretários de Saúde.
Brasil, Conselho Nacional de Secretários de Saúde.
O livro Vigilância em Saúde – parte 1 apresenta a organização atual da área de Vigilância em Saúde nos seus aspectos políticos, técnicos e operacionais e traz informações atualizadas sobre o perfil demográfico e epidemiológico do Brasil, abordando o Sistema Nacional de Vigilância em Saúde, sua organização nas três esferas de gestão do SUS e seu financiamento. Quanto à vigilância em saúde do trabalhador, apresenta a atual situação epidemiológica, a organização da Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (Renast) e seu financiamento. Também são abordados os sistemas de informações da Vigilância em Saúde e ainda as responsabilidades compartilhadas entre as três esferas de gestão, os principais programas de prevenção e controle de doenças transmissíveis e não transmissíveis.
LIVRO 6 - VIGILÂNCIA EM SAÚDE - PARTE 2
Conselho Nacional de Secretários de Saúde., 2011
Conselho Nacional de Secretários de Saúde
Conselho Nacional de Secretários de Saúde.
Este livro trata do tema Vigilância Sanitária visando proporcionar aos Secretários de Estado de Saúde e sua equipe a visão de como esta área está inserida no Sistema Estadual de Saúde. Apresenta o campo de abrangência da Vigilância Sanitária, sua área de atuação e o processo de trabalho no contexto da administração pública e detalha sua organização, sob quais preceitos foi criada e como está sendo desenvolvida no Brasil. O Sistema Nacional de Vigilância Sanitária também é apresentado em seus aspectos estruturais, de financiamento e de gestão, bem como sua inserção no processo de pactuação do SUS.
LIVRO 7 - ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA NO SUS
Conselho Nacional de Secretários de Saúde, 2011
Conselho Nacional de Secretários de Saúde.
Conselho Nacional de Secretários de Saúde
Este livro aborda os principais aspectos relacionados à Assistência Farmacêutica no SUS e serve de fonte de informação para os gestores e técnicos das Secretarias Estaduais de Saúde, pois apresenta de forma sistemática toda a gestão da Assistência Farmacêutica, com ênfase para o ciclo da Assistência Farmacêutica em seus aspectos técnico-operacionais. Traz ainda, as informações mais atualizadas sobre a Assistência Farmacêutica no SUS no contexto do Pacto pela Saúde e dos componentes estabelecidos: Básico, Estratégico e Especializado. Nele, é enfatizada a importância da adoção dos protocolos clínicos como orientadores e disciplinadores do acesso aos medicamentos no SUS, e apresentada a questão das demandas judiciais para fornecimento de medicamentos e as informações mais recentes sobre importantes decisões tomadas no âmbito do Poder Judiciário sobre o tema.
LIVRO 8 - A GESTÃO ADMINISTRATIVA E FINANCEIRA NO SUS
Conselho Nacional de Secretários de Saúde, 2011
Conselho Nacional de Secretários de Saúde
Conselho Nacional de Secretários de Saúde
O presente livro aborda questões relacionadas à gestão administrativa e financeira do SUS, envolvendo toda a sistemática processual, indo do planejamento à aquisição, da elaboração à assinatura dos contratos administrativos, abordando inclusive a fiscalização dos mesmos. Trata da incorporação de novos conhecimentos e novas tecnologias e modernas ferramentas gerenciais e administrativas, principalmente no campo da tecnologia da informação e comunicação. O livro aborda também, de forma detalhada, as alternativas de gerência de unidades públicas de saúde como Organizações Sociais, Fundação Estatal e Consórcios Públicos.
LIVRO 9 - GESTÃO DO TRABALHO E DA EDUCAÇÃO NA SAÚDE
Conselho Nacional de Secretários de Saúde, 2011
Conselho Nacional de Secretários de Saúde
Conselho Nacional de Secretários de Saúde
O livro Gestão do Trabalho e Educação na Saúde aborda questões como planos de cargos, carreira e salários; a implantação de mesas estaduais de negociação; o planejamento, a modernização e a informatização do sistema de informação de Recursos Humanos (RH) nas SES; a formulação e a implementação de programas de educação permanente, além de apresentar as políticas e programas pactuados pelos gestores do SUS para operacionalização da Política Nacional de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, com informações atualizadas e análises consistentes, de modo a tornar a leitura ágil e facilitar a compreensão de todos.
LIVRO 10 - REGULAÇÃO EM SAÚDE
Conselho Nacional de Secretários de Saúde, 2011
Conselho Nacional de Secretários de Saúde
Conselho Nacional de Secretários de Saúde
Este livro traz uma reflexão sobre os conceitos de regulação como macrofunção de gestão do SUS. Aborda os conceitos relativos à regulação assistencial, a política de regulação vigente e os aspectos técnico operacionais para a implantação dos complexos reguladores. Apresenta a base legal e normativa vigente no SUS relativa a contratualização dos serviços de saúde, ao controle e avaliação e o papel do Sistema Nacional de Auditoria, além de contemplar a programação de ações e serviços para atendimento às necessidades da população.
LIVRO 11 - CIÊNCIA E TECNOLOGIA EM SAÚDE
Conselho Nacional de Secretários de Saúde, 2011
Conselho Nacional de Secretários de Saúde
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Este livro aborda a importância da ciência e da tecnologia em saúde no provimento efetivo de ações e serviços de saúde, enfatizando os aspectos que se configuram como de responsabilidade dos gestores. Contempla o panorama atual do complexo econômico-industrial da saúde, enfocando os principais produtos e insumos estratégicos para as políticas e programas, e apresenta conceitos básicos relativos à gestão da tecnologia da informação. Também são apresentados os principais aspectos relacionados a estudos e pesquisas em saúde no Brasil, bem como as informações atualizadas sobre os desafios da incorporação de tecnologia no SUS e as linhas de pesquisa no SUS, além de trazer de forma detalhada a Política Nacional de Ciência e Tecnologia e Inovação em Saúde.
Aspectos terapêuticos de compostos da planta Cannabis sativa
HONÓRIO, Káthia Maria; ARROIO, Agnaldo; SILVA, Albérico Borges Ferreira da, 2006
Scientific Electronic Library Online - SciELO?
Química Nova
THERAPEUTICAL ASPECTS OF COMPOUNDS OF THE PLANT Cannabis sativa. Several cannabinoid compounds present therapeutic properties, but also have psychotropic effects, limiting their use as medicine. Nowadays, many important discoveries on the compounds extracted from the plant Cannabis sativa (cannabinoids) have contributed to understand the therapeutic properties of these compounds. The main discoveries in the last years on the cannabinoid compounds were: the cannabinoid receptors CB1 and CB2, the endogenous cannabinoids and the possible mechanisms of action involved in the interaction between cannabinoid compounds and the biological receptors. So, from the therapeutical aspects presented in this work, we intended to show the evolution of the Cannabis sativa research and the possible medicinal use of cannabinoid compounds.
LIVRO 12 - SAÚDE SUPLEMENTAR
Conselho Nacional de Secretários de Saúde, 2011
Conselho Nacional de Secretários de Saúde
Conselho Nacional de Secretários de Saúde
Um dos desafios encontrados nos últimos anos para os gestores da área da saúde tem sido a regulação do setor de saúde suplementar e o estabelecimento da necessária interface com o SUS. Neste livro a regulamentação do setor de planos e seguros de saúde no Brasil é apresentada de forma detalhada com a apresentação das características gerais do sistema de saúde no Brasil, com a situação atual do mercado de saúde suplementar e o papel da ANS. O livro traz também informações atualizadas sobre o ressarcimento dos planos de saúde, a cobertura por região e o faturamento das operadoras, e a recente ampliação de procedimentos previstos. Nele, são abordadas as interfaces do setor de saúde suplementar com o Sistema Único de Saúde (SUS) e os mecanismos de articulação institucional.
LIVRO 13 - LEGISLAÇÃO ESTRUTURANTE DO SUS
Conselho Nacional de Secretários de Saúde, 2011
Conselho Nacional de Secretários de Saúde
Conselho Nacional de Secretários de Saúde
O livro ressalta a Lei Orgânica da Saúde (Lei N. 8.080, de 19 de setembro de 1990), que dispõe sobre as condições para a promoção, a proteção e a recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes. Está aqui reunida a legislação considerada fundamental para a criação e a implementação do SUS, com uma síntese da história do sistema de saúde brasileiro, a partir do início do século XX, enfatizando a criação e a implantação do SUS, bem como a conjuntura em que foram editadas as principais leis e atos normativos. Estão inseridos, ainda, na íntegra, os textos de 29 atos normativos publicados desde o ano de 1953 até 2010.
Álcool e suas conseqüências: uma abordagem multiconceitual
Arthur Guerra de Andrade e James C. Anthony [Org], 2009
ICAA – International Council on Alcohol and Addictions e IPq – Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP
ICAA – International Council on Alcohol and Addictions e
IPq – Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP
Livro: Álcool

Os transtornos relacionados ao uso do álcool, tais como abuso e dependência alcoólica, foram considerados, por muito tempo, assuntos importantíssimos em termos de saúde publica e na medicina devido a sua alta prevalência e seus efeitos devastadores no individuo, na família e na sociedade. O abuso e a dependência do álcool, no entanto, constituem somente uma pequena parcela das conseqüências decorrentes do uso do álcool.

Nas ultimas décadas, outros padrões de consumo como o uso moderado, o “beber pesado” e o “binge drinking” ganharam destaque, seja pela associação do beber moderado a uma diminuição das taxas de morbi-mortalidade decorrentes da atividade cardioprotetora do álcool, seja pela exposição do bebedor “pesado” e do bebedor “binge” a situações de risco como acidentes de trânsito, violência e sexo desprotegido.

Álcool e suas conseqüências: uma abordagem multiconceitual tem o intuito de reunir conceitos e resultados provenientes de estudos científicos recentes sobre padrões de consumo do álcool e conseqüências agudas e crônicas decorrentes destes padrões. Escrito por especialistas do meio acadêmico-científico nacionais e internacionais com vasta experiência neste tema, este livro pode ser considerado uma referência na área.

Organizado por duas renomadas instituições - o Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq-HCFMUSP) e a organização não governamental européia, International Council on Alchohol and Addictions (ICAA) - o livro possui duas versões, uma em português e outra em inglês. A publicação foi editada pelos especialistas James C. Anthony, professor da Universidade de Michigan, nos EUA, e Arthur Guerra de Andrade, psiquiatra, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e presidente executivo do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA).

James C. Anthony é um dos maiores epidemiologistas na área de estudos do consumo de álcool, foi professor da Universidade Johns Hopkins até 2003 e atualmente é professor do Departamento de Epidemiologia da Michigan State University Medical School. Publicou mais de 300 artigos e livros e tem sido reconhecido através de várias homenagens e prêmios, incluindo a denominação de pesquisador altamente influente na literatura científica de Psicologia, Psiquiatria e Ciências Sociais.

A publicação, que apresenta diversas informações e resultados das mais recentes pesquisas sobre o consumo de álcool ao redor do mundo, foi organizada em nove capítulos, abordando temas como: dados epidemiológicos mundiais sobre o consumo nocivo de álcool; as principais consequências em longo prazo relacionadas ao consumo moderado de álcool; dependência do álcool; consumo nocivo de álcool entre estudantes; padrões de consumo do álcool e problemas decorrentes do beber pesado episódico no Brasil; álcool e HIV/AIDS; álcool e violência; álcool e trânsito; e consumo nocivo de álcool durante a gravidez.

Além da participação do Dr. Arthur Guerra de Andrade, a publicação trouxe a colaboração de outros profissionais, como a coordenadora do CISA, Camila Magalhães Silveira, co-editora e autora de dois artigos, e pesquisadores de diversas outras instituições nacionais e internacionais: André Malbergier, Carla Storr, Danilo Baltieri, Fernanda Cortez, Gabriel Andreuccetti, Hermann Grinfeld, Julio Ponce, Laura Andrade, Luciana Cardoso, Lúcio Garcia de Oliveira, Maria Carmem Viana, Salme Ahlström, Silvia Martins, Wolfgang Heckmann, Vilma Leyton e Yuan-Pang Wang, todos especialistas em temas relacionados à área da saúde e álcool.
It's Just a Plant
Ricardo Cortés, 2011

It's Just a Plant is an illustrated children's book about marijuana. It follows the journey of a young girl as she learns about the plant from a diverse cast of characters including her parents, a local farmer, a doctor, and a police officer.

Marijuana can be hard to talk about. Many parents have tried it, millions still use it, and most feel awkward about disclosing such histories (many duck the question), for fear that telling kids the truth might encourage them to experiment too.

Meanwhile, "drug facts" children learn in school can be more frightening than educational, blaming pot for everything from teenage pregnancy to terrorism. A child's first awareness of drugs should come from a better source.

It's Just a Plant is a book for parents who want to discuss the complexities of pot in a thoughtful, fact-oriented manner.
Sobre drogas e Redução de Danos - o cotidiano dos profissionais de saúde no programa +Vida no Recife
LINS, Juliana; PIMENTEL, Pollyanna; UCHÔA, Roberta (org), 2010
Escola de Redução de Danos do Recife
Escola de Redução de Danos do Recife
 
Perguntas e Respostas: Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP)
Secretaria Nacional de Assistência Social (SNAS) / Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), 2011
Departamento de Proteção Social Especial
Secretaria Nacional de Assistência Social (SNAS) / Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS)
Esta publicação, organizada em formato didático de perguntas e respostas, tem como propósitos fundamentais orientar e apoiar estados, municípios e o Distrito Federal no planejamento, implantação, coordenação e acompanhamento do Centro POP e da oferta do Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua.
Perguntas e Respostas: Centro de Referência Especializado de Assistência Social - CREAS
Secretaria Nacional de Assistência Social (SNAS) / Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), 2011
Departamento de Proteção Social Especial
Secretaria Nacional de Assistência Social (SNAS) / Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS)
Esta publicação, organizada em formato didático de perguntas e respostas, tem como objetivo orientar e apoiar estados, municípios e o Distrito Federal no que diz respeito à implantação, gestão e organização do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS).
Folder Informativo Sobre o CRACK
Centro Brasileiro de Política de Drogas - Psicotropicus , 2011
Centro Brasileiro de Política de Drogas - Psicotropicus
Centro Brasileiro de Política de Drogas - Psicotropicus
Dicas de Redução de Danos relacionados ao uso de Crack
Drogas: controvérsias e perspectivas
Labate, Beatriz Caiuby, 2009

 
Toxicomanias: incidências clínicas e socioantropológicas
Nery Filho, Antonio, 2009

Centro de Estudos e Terapias do Abuso de Drogas - CETAD/UFBA
 
Maconha: qual a amplitude de seus prejuízos?
JUNGERMAN, Flavia S; LARANJEIRA, Ronaldo; BRESSAN, Rodrigo A., 2006
Scientific Electronic Library Online - SciELO?
Revista Brasileira de Psiquiatria
 
Fenômeno das drogas: análise de reportagens veiculadas em um jornal de Salvador
Souza, Márcia Rebeca Rocha de Oliveira, Jeane Freitas de, 2008

Pesquisa desenvolvida com o objetivo de analisar o conteúdo de reportagens divulgadas em um jornal de grande circulação no estado da Bahia, acerca do fenômeno das drogas. Trata-se de uma análise documental, de caráter descritivo, fundamentada na Teoria das Representações Sociais, cujos dados foram analisados seguindo etapas da análise de conteúdo temática. De agosto a setembro/2008 foram identificadas 97 reportagens, assinalando interesse da mídia pela problemática das drogas, com destaque para as substâncias ilícitas. As reportagens foram organizadas em dois grupos temáticos: consumo e tráfico. Para estes foram identificados subtemas específicos. Situações relacionadas ao fenômeno da violência foram abordadas em ambos os grupos. Linguagem sensacionalista, fotografias e chamadas em primeira página foram utilizadas para divulgar notícias sobre o tráfico, diferentemente das demais. Os dados, embora limitados, confirmam o enfoque reducionista da mídia em relação às drogas; reproduzem a ideia de vinculação das drogas com o fenômeno da violência, atribuindo a tais substâncias a responsabilidade pela prática de atos violentos; divulgam imagem estereotipada da pessoa envolvida com drogas centrada no sexo masculino, de etnia negra e residente em bairros periféricos; e apontam para o envolvimento das mulheres com o fenômeno das drogas.
GÊNERO E DROGAS Contribuições para uma atenção integral à saúde
MORAES, M.; CASTRO, R.; PETUCO, D., 2011
Instituto PAPAI
Universidade Federal de Pernambuco
Esta publicação é resultado de um processo coletivo de reflexão e
produção sobre os temas de gênero e usos de drogas e tem como
objetivo contribuir para promoção da integralidade na atenção às
pessoas que usam álcool e outras drogas, no contexto do Sistema
Único de Saúde brasileiro.
É um material que oferece textos e atividades práticas sobre distintos
temas relacionados à atenção integral à saúde das pessoas que usam
drogas, como uma forma de preparar para a adoção de um olhar de
gênero sobre a questão. Ajuda a reconhecer especificidades de gênero
que marcam as relações das pessoas com as drogas, assim como a
compreender e transformar as práticas em saúde relacionadas e
orientadas pelas construções de gênero.
Nosso foco último é a visibilização das questões de gênero
relacionadas à socialização dos homens, fundadas em práticas e
valores que ampliam a vulnerabilidade dessa população frente à
infecção pelo HIV/Aids e outras doenças de transmissão sanguínea e
sexual, à violência (como agentes ou vítimas) e às relações
problemáticas com distintas drogas, sejam elas lícitas ou ilícitas.
DROGAS E DEMOCRACIA: RUMO A UMA MUDANÇA DE PARADIGMA Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia
Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, 2011
Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia
Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia

Open Society Institute

Instituto Fernando Henrique Cardoso

Viva Rio

Centro Edelstein de Pesquisas Sociais
Drogas e Democracia: rumo a uma mudança
de paradigma apresenta ao debate público
as principais conclusões da Comissão Latino-
Americana sobre Drogas e Democracia.
Criada pelos ex-presidentes Fernando Henrique
Cardoso do Brasil, César Gaviria da Colômbia
e Ernesto Zedillo do México e integrada por
17 personalidades independentes, a Comissão
avaliou o impacto das políticas de “guerra
às drogas” e formulou recomendações para
estratégias mais eficientes, seguras e humanas.
As propostas apresentadas nesta Declaração
configuram uma mudança profunda de paradigma
no entendimento e enfrentamento do problema
das drogas na América Latina.
PROCEDIMENTOS DE GESTÃO SOCIAL NA ESCUTA QUALIFICADA: elementos para um programa de formação continuada em serviço de saúde
RAIMUNDO, Jader Sebastião, 2011
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO CONTINUADA, PESQUISA E EXTENSÃO MESTRADO EM GESTÃO SOCIAL, EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO LOCAL
Centro Universitário UNA
A Política Nacional de Humanização (PNH) do Sistema Único de Saúde (SUS)
apresenta, além de outros princípios, o acolhimento, a escuta qualificada e a
valorização dos diferentes sujeitos implicados no processo de produção de saúde:
usuários, trabalhadores e gestores. Entretanto, a PNH vem passando por uma
série de desafios com vistas à operacionalização de mudanças nas práticas de
gestão e de atenção. Assim, destaca-se, neste trabalho, a escuta qualificada
como ferramenta de gestão para institucionalizar um trabalho de transformação
que possibilite o encaminhamento de soluções mais eficazes e eficientes na
assistência de saúde. Nesse contexto, esta pesquisa objetivou verificar, por meio
de relatos dos profissionais da saúde, o que é escuta qualificada e o que deve
conter um programa institucional de formação em serviço voltado para o
desenvolvimento das capacidades dos profissionais da saúde de realizar escutas
qualificadas. Trata-se de uma pesquisa qualitativa que teve como cenário para o
seu desenvolvimento o Ambulatório Bias Fortes do Hospital das Clínicas da
Universidade Federal de Minas Gerais e como sujeitos seis profissionais de saúde
que responderam a quatro questões norteadoras da entrevista. Esta teve como
fundamentação para sua análise a técnica do Discurso do Sujeito Coletivo. Os
resultados da análise desvelaram que as práticas relativas ao uso da escuta
qualificada em saúde no contexto da gestão (gestores, usuários e profissionais)
ainda são incipientes; evidenciaram que os trabalhadores do ambulatório anseiam
por mudanças, baseadas no modelo de cogestão democrático e participativo, com
equalização de poder entre o gestor e os trabalhadores da saúde; que os
profissionais aspiram a práticas consistentes de liderança e a imensa necessidade
de formação continuada por meio de capacitação para construção coletiva para a
escuta qualificada e, portanto, para o acolhimento. O estudo mostrou, também, as
perspectivas de realização profissional com métodos democráticos de
organização dos processos produtivos e gerenciais. Os resultados obtidos
ressaltam a implementação de estratégias, como a da gestão social na Política
Nacional de Humanização, que contribuirá para um novo olhar e saber-fazer dos
profissionais pautados no modelo de atendimento centrado no usuário. Desta
forma, poderão desenvolver assistência mais humanizada, acolhedora e
participativa, com escuta afinada, de modo a possibilitar o alcance do ideário de
saúde para todos, com garantia de atenção de qualidade e de efetividade de uma
verdadeira gestão mais social.
Cartilha DIREITO À SAÚDE MENTAL
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL / PROCURADORIA FEDERAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO,
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL / PROCURADORIA FEDERAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
 
Diminuir para somar - Cartilha de Redução de Danos para Agentes Comunitários de Saúde
ONG Viva Rio, 2011
ONG Viva Rio
ONG Viva Rio
Esta cartilha “Diminuir para Somar” visa a apoiar as ações desenvolvidas pelos profissionais da Saúde da Família – em especial, pelos Agentes Comunitários de Saúde – que dão atenção às pessoas usuárias de álcool e outras drogas.

Para identificar e levantar as principais questões e problemas vividos no trabalho cotidiano, a oficina sobre “Redução de Danos e Seus Desafios Concretos” foi realizada com esses profissionais, em parceria com a equipe do Centro de Referência para Assessoramento e Educação em Redução de Danos de Porto Alegre, RS. Para maior clareza e facilidade, os levantamentos realizados na oficina encontram-se presente na cartilha sob a forma de perguntas e respostas.
RELATÓRIO DA COMISSÃO GLOBAL DE POLÍTICAS SOBRE DROGAS
Comissão Global de Políticas sobre Drogas, 2011

A guerra global contra as drogas fracassou,
deixando em seu rastro conseqüências
devastadoras para pessoas e sociedades em
todo o mundo. Cinquenta anos depois da
adoção da Convenção Única da ONU sobre
Narcóticos e 40 anos depois que o presidente
Nixon decretou guerra às drogas, é
urgente e imperativa uma revisão completa
das leis e políticas de controle de drogas no
plano nacional e mundial.
Os imensos recursos gastos na erradicação
da produção, repressão aos traficantes
e criminalização dos usuários não foram
capazes de reduzir a oferta nem de reduzir
o consumo de drogas. Pequenos êxitos,
obtidos aqui e ali com a eliminação de uma
determinada fonte de produção foram invariavelmente
compensadas pelo surgimento
de outras organizações criminosas e pela
migração da produção para outras áreas.
O direcionamento prioritário das ações
repressivas contra os consumidores tem
o efeito desastroso de dificultar o acesso
à medidas de saúde pública capazes de
reduzir mortes decorrentes da contaminação
pelo vírus do HIV / AIDS, overdose e
outras conseqüências nocivas do consumo
de drogas. A insistência em ações ineficazes
de repressão da produção e encarceramento
de usuários representa um imenso
desperdício de recursos públicos que poderiam
ser muito melhor utilizados em ações
voltadas para a redução da demanda por
drogas e para a redução do dano causado
pelas drogas.
Nossos princípios e recomendações
podem ser sintetizados nas seguintes
grandes linhas:
Acabar com a política repressiva e ineficaz
de criminalização, marginalização e estigmatização
de pessoas que usam drogas sem, no
entanto, causar danos a outras pessoas. Questionar,
ao invés de reforçar, preconceitos e
visões equivocadas sobre temas controversos
com equívocos comuns sobre o mercado de
drogas, uso de drogas e tóxico- dependência.
Estimular os governos a experimentarem
modelos de regulamentação legal de drogas
com o objetivo de enfraquecer o poder do
crime organizado e preservar a saúde e a
segurança de seus cidadãos. Esta recomendação
se aplica especialmente à cannabis,
mas também incentivamos outras experiências
de descriminalização e regulamentação legal
que possam alcançar os objetivos de proteção
da saúde e segurança acima mencionados.
Oferecer serviços de saúde e tratamento para
todos que deles necessitem. Assegurar que
diversas modalidades de tratamento estejam
disponíveis, incluindo não só o tratamento
com metadona e buprenorfina mas também
os programas de tratamento assistido com
heroína que se revelaram exitosos em vários
países europeus e no Canadá. Implantar
também programas de acesso seguro a
seringas e outras medidas de redução de
danos que têm se mostrado eficazes na
redução da transmissão do HIV e outras infecções
transmitidas pelo sangue, bem como na
prevenção de overdoses fatais.
Respeitar os direitos humanos das pessoas
que usam drogas. Abolir práticas abusivas
impostas a pretexto de tratamento – como
a detenção forçada, trabalho forçado, e
abuso físico ou psicológico – que infrinjam
os direitos humanos ou que violem o direito
das pessoas à autodeterminação.
Aplicar os mesmo princípios e políticas acima
descritas para as pessoas envolvidas na base
dos mercados de drogas ilegais, tais como
agricultores, pequenos traficantes ou mulas
e distribuidores. Muitas dessas pessoas
são vítimas de violência e intimidação ou
dependentes de drogas. A prisão e encarceramento
de dezenas de milhares dessas
pessoas nas últimas décadas encheram as
prisões e destruíram vidas e famílias, sem
reduzir a disponibilidade de drogas ilícitas ou
o poder das organizações criminosas. Parece
quase não haver limite ao número de pessoas
dispostas a participar de tais atividades para
melhorar de vida, sustentar sua família ou
escapar da pobreza. Os recursos das políticas
de controle de drogas podem ser mais úteis
em outros tipos de iniciativas.
Direcionar as ações repressivas para a luta
contra organizações criminosas violentas
com vistas a reduzir seu poder e influência,
bem como sua capacidade de gerar
corrupção, violência e intimidação. Direcionar
as ações repressivas não tanto para
reduzir o mercado da droga em si, mas para
reduzir os danos que o tráfico de drogas
causa às pessoas, comunidades e à sociedade
como um todo.
Investir em atividades voltadas para prevenir
o uso de drogas por jovens bem como para
prevenir, na medida do possível, que usuários
de drogas venham a ter problemas sérios de
saúde. Abrir mão de mensagens simplistas e
ineficazes como as palavras de ordem “Basta
dizer não” ou “Tolerância zero”, substituindoas
por ações educativas e programas de
prevenção, com base em informação confiável
complementados por ações sociais e de apoio
recíproco. Os programas de prevenção mais
bem sucedidos têm sido os que têm como
público-alvo grupos de risco específicos.
Enfrentar o desafio de por em marcha um
processo de transformação do regime global
de proibição das drogas. Substituir as estratégias
de combate às drogas impostas por
visões ideológicas e conveniência política por
estratégias apoiadas em conhecimento científico,
saúde, segurança e direitos humanos,
adotando também critérios adequados para
sua avaliação. Revisar a classificação internacional
das drogas que contém aberrações
evidentes, como as caracterizações inadequadas
quanto à nocividade da cannabis,
folha de coca e MDMA. Assegurar que as
convenções internacionais vigentes sejam
interpretadas e/ou revisadas para acolher a
implantação de políticas experimentais de
redução de danos, descriminalização e regulação
legal de determinados tipos de drogas.
Quebrar o tabu em relação ao debate e à
busca de maneiras mais eficientes e humanas
de lidar com as drogas. A hora de agir é agora.
Relatório da 4ª Inspeção Nacional de Direitos Humanos: locais de internação para usuários de drogas
Conselho Federal de Psicologia, 2011
Conselho Federal de Psicologia
Conselho Federal de Psicologia
As Comissões de Direitos Humanos do Sistema Conselhos de Psicologia elegem
dois dispositivos – além de intervenções cotidianas envolvendo campos problemáticos
que “se impõem” como pauta – para fazer funcionar suas discussões: a
Campanha Nacional de Direitos Humanos e as Inspeções Nacionais em unidades
de privação de liberdade.
O que têm em comum as unidades psiquiátricas (2004), as unidades de cumprimento
de medidas socioeducativas (2006), as instituições de longa permanência de
idosos (2007) e as atuais unidades de acolhimento (ou recolhimento?) de usuários de
álcool e outras drogas? Que liberdades são privadas e quais direitos são violados no cotidiano
de suas práticas?
Assumindo a prática da normalização, muitos de nós somos capturados pela engrenagem
da máquina fundamentalista e reproduzimos modelos que aprisionam e mortificam
modos singulares de existência. Negar-se a ocupar esse lugar significa construir
estratégias de resistência a esses dispositivos de controle, que sirvam para abrir caminhos
a processos outros de singularização.
Conhecer a realidade das unidades que hoje elegemos como foco deste trabalho
é uma tarefa que transcende a visita de estabelecimentos e estruturas. Reconhecemos
que a potência da inspeção está em interrogar a emergência de discursos e práticas,
que se apresentam muito mais por formas sutis rotuladas como proteção e cuidado
do que pela superlotação e pelo maus-tratos aparentes, como percebemos em outras
unidades de aprisionamento.
Denúncias que insistentemente chegam ao Observatório de Saúde Mental e Direitos
Humanos da Rede Internúcleos de Luta Antimanicomial (Renila) fizeram-nos
tomar a decisão de abordar, neste ano, a questão das drogas como disparador de nossa
inspeção. Tema que vem sendo entendido neste país como “epidemia”, forjado a partir
de ideais advindos de uma natureza descontextualizada política e historicamente. Tema
que insiste em vincular “tratamento” à noção de castigos ou penas advindos de um ideal
normativo que não suporta a transgressão como parte de um devir humano, reduzindo
à condição de objeto e privado da cidadania os sujeitos-alvos das ações impostas.
A potência da prática do psicólogo, compromissada com a produção de direitos
humanos, está na problematização da violência e da exclusão produzidas na sociedade.
Os diversos modelos de aprisionamento produzem efeitos no mundo, que podemos (e
devemos) colocar em análise. A individualização da problemática em questão configurase
como uma armadilha, pois entende que há um sujeito errado a ser corrigido. Uma
alternativa possível está no reconhecimento de tal produção coletiva e do caráter político
das práticas que se articulam a discursos de proteção e de cuidado. Questionar respostas
políticas que são produzidas antes mesmo de ser formuladas como perguntas. Produzir
redes de conversa e interrogação, apontando que a urgência do tema não pode prescindir
da amplitude de nossas discussões.
A Inspeção Nacional, coordenada pela Comissão Nacional de Direitos Humanos
do Conselho Federal de Psicologia, foi executada em setembro de 2011, envolvendo
os atuais vinte Conselhos Regionais de Psicologia, que simultaneamente, em
25 unidades federativas do país, inspecionaram 68 unidades, contando com o apoio
de inúmeros parceiros locais.
As Comissões de Direitos Humanos do Sistema Conselhos de Psicologia, assim,
tornam
Saúde Mental em Dados 10
Ministério da Saúde, 2010
Ministério da Saúde
Ministério da Saúde; Secretaria de Atenção à Saúde;
Departamento de Ações Programáticas Estratégicas;
Coordenação Geral de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas
 
Uma Guerra sem Sentido - Drogas e Violência no Brasil
IULIANELLI, Jorge Atilio Silva Iulianelli; GUANABARA, Luiz Paulo; FRAGA, Paulo Cesar Pontes; BLICKMAN, Tom, 2004
Koinonia - Presença Ecumênica e Serviço
Drogas e Conflito
 
O prazer de beber
Angelina Bulcão Nascimento , 2007
EDUFBA
EDUFBA
 
Estratégias desenvolvidas por usuários de crack para lidar com os riscos decorrentes do consumo da droga
RIBEIRO, Luciana Abeid; SANCHEZ, Zila M.; NAPPO, Solange Aparecida, 2010
Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro
Jornal Brasileiro de Psiquiatria
OBJETIVOS: O objetivo deste estudo foi identificar, sob a ótica de usuários de crack, quais são as estratégias que eles utilizam para minimizar ou evitar os riscos decorrentes do consumo de crack. MÉTODO: Utilizou-se método qualitativo de pesquisa, desenvolvido mediante entrevistas semiestruturadas em profundidade. Foi entrevistada uma amostra intencional por critérios, composta por 30 usuários de crack, selecionados por meio de informantes-chave e distribuídos em oito diferentes cadeias. As entrevistas foram transcritas literalmente, inseridas e analisadas no software NVivo 8, com exploração dos dados mediante a técnica de análise de conteúdo. RESULTADOS: Os entrevistados acreditam que os maiores riscos decorrentes da dependência do crack sejam os relacionados aos efeitos psíquicos da droga, como fissura, sintomas paranoides transitórios e sintomas depressivos, assim como os decorrentes da ilegalidade dela, como a polícia e as questões referentes ao tráfico. Entretanto, os riscos de complicações físicas do consumo quase não foram apontados. As estratégias se concentraram no controle dos efeitos psíquicos, principalmente pelo consumo de álcool e maconha. Para lidar com as consequências da ilegalidade da droga, mostraram se preocupar com a postura que adotam perante o traficante e a polícia. CONCLUSÕES: As estratégias desenvolvidas pelos usuários focam na tentativa de se autoprotegerem principalmente dos episódios de violência e no alívio de sintomas desagradáveis causados pela droga – principalmente fissura e sintomas paranoides transitórios. Essas estratégias podem parecer efetivas a curto prazo, porém apresentaram riscos de longo prazo, tais como dependência de álcool e maconha.
Uso de drogas ilícitas e perspectivas críticas de familiares e pessoas próximas na cidade do Rio de Janeiro - Zona Norte, Brasil.
LOYOLA, Cristina Maria Douat et al., 2009
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
O trabalho apresenta resultados quantitativos do Brasil, recorte centro da cidade do Rio de Janeiro (n=108), de uma pesquisa multicêntrica, multimétodos e corte temporal, envolvendo sete países latino-americanos e Canadá. A pergunta central da pesquisa foi "como familiares e pessoas próximas a usuários de drogas ilícitas descrevem fatores de proteção e de risco, iniciativas de prevenção, serviços de tratamento, leis e políticas sobre as drogas ilícitas". Os dados quantitativos foram coletados por meio de instrumento com perguntas fechadas, aplicados em 108 jovens adultos >18anos que se identificaram como pessoalmente afetados pela droga sem serem usuários. Para 104 entrevistados (96%), a dinâmica familiar que mais expõe à droga é a negligência e, para 106 (98%), a que mais protege é a relação de apoio com os pais. A política, a polícia e o sistema criminal não têm diminuído o consumo e não protegem o usuário.
Percepción de tentaciones de uso de drogas en personas que reciben tratamiento
AGUILAR, Lucio Rodríguez and PILLON, Sandra Cristina, 2005
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
O objetivo foi investigar as principais circunstancias que geram tentações para o uso de drogas em pacientes que receberam tratamento, a relação com o tempo de tratametno e o uso atual de drogas. Este é um estudo descritivo correlacional, a amostra foi não probabilistica convencional por cota, com 61 participantes. O intrumento Escala de Tentaciones de Uso de Drogas com consistência interna de .93. As principais circunstâncias que geraram tentação para o uso de drogas foi estar em locais onde todos usam drogas, estar com alguém que usa drogas, ir às festas com os amigos, observar alguien usando e disfrutam as drogas. Para o menor tempo de tratamento foi percebido as maiores tentación para o uso de drogas. Aqueles que refiriram consumir algum tipo de droga relataram médias mais altas de tentação que aqueles que não consomem. Os que indicaram como droga de impacto a maconha e outras drogas ilícitas, mostraram maior tentação ao uso de drogas.
Relación entre las características de la adolescente embarazada y la resistencia al consumo de droga.
MARTINEZ, Liliana del C. and FERRIANI, Maria das Graças Carvalho., 2004
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
Este é um estudo qualitativo. Foram realizadas entrevistas com 20 adolescentes grávidas, que aceitaram participar da pesquisa sobre a relação entre as características da adolescente grávida e a resistência contra o consumo de drogas. Foi observado que tiveram contato com drogas legais e ilegais, e a sua decisão para rejeitá-las, desistir ou diminuir o consumo; também identificamos a falta de conhecimento das jovens sobre saúde reprodutiva e as modificações corporais. Para essa população, é importante poder contar com o parceiro e o filho, como apoio para não consumir substâncias tóxicas aditivas.
Fissura por crack: comportamentos e estratégias de controle de usuários e ex-usuários
CHAVES, Tharcila V; SANCHEZ, Zila M; RIBEIRO, Luciana A and NAPPO, Solange., 2011
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Revista de Saúde Pública
OBJETIVO: Compreender a fissura do usuário de crack, bem como descrever os comportamentos desenvolvidos sob fissura e estratégias utilizadas para seu controle. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS: Estudo qualitativo com amostra intencional por critérios de 40 usuários e ex-usuários de crack em São Paulo, SP, nos anos de 2007 e 2008. Os entrevistados foram recrutados pela técnica da bola de neve e submetidos à entrevista semi-estruturada em profundidade, até a saturação teórica. Após transcrição literal, seguiu-se a análise do conteúdo das entrevistas para elaboração de inferências e hipóteses alicerçadas nessas narrativas. ANÁLISE DOS RESULTADOS: Os entrevistados estavam igualmente distribuídos quanto ao sexo, possuíam idade entre 18 e 50 anos, abrangeram todos os níveis de escolaridade e a maior parte possuía poucos recursos financeiros. Além da fissura sentida na abstinência de crack e da fissura induzida por pistas ambientais e emocionais, constatou-se um tipo de fissura que faz parte do próprio efeito do crack. Esta última apareceu como forte fator mantenedor dos binges de consumo, que foram os maiores responsáveis pelo rebaixamento de valores do usuário, sujeitando-o a práticas arriscadas para a obtenção da droga. Os métodos mais citados para a obtenção de crack ou dinheiro para comprá-lo foram: prostituição, manipulação de pessoas, endividamento, troca de pertences por crack e roubo. Foram relatadas estratégias para o alívio da fissura e táticas farmacológicas e comportamentais para evitar o seu desenvolvimento, como: comer, ter relação sexual, jogar futebol, trabalhar, evitar o contexto social de uso de crack e usar drogas que causam sonolência. CONCLUSÕES: Os binges de consumo de crack são causados pela fissura induzida durante o uso da droga. As medidas criadas pelo próprio usuário para lidar com a sua fissura melhoram sua relação com o crack e podem ser ferramenta importante para o aprimoramento do tratamento.
Characteristics of male and female injecting drug users of the AjUDE-Brasil II Project.
CINTRA, Ana Maria de Oliveira; CAIAFFA, Waleska Teixeira; MINGOTI, Sueli Aparecida., 2006
Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz
Cadernos de Saúde Pública
Este estudo teve como objetivo comparar homens e mulheres usuários de drogas injetáveis (UDIs) quanto ao perfil sócio-demográfico e aspectos da iniciação ao uso de droga injetável. Constou de estudo transversal, multicêntrico, realizado entre 2000/2001, em seis Programas de Redução de Danos brasileiros. Foram entrevistados 146 mulheres e 709 homens, com médias de idades de 29,5 e 28,3 anos, respectivamente. Ambos os grupos iniciaram o uso de drogas injetáveis com idades semelhantes, 18,6 e 19,3 anos, respectivamente para mulheres e homens, porém elas foram mais freqüentemente iniciadas por parceiros sexuais na obtenção da droga, seringas e no ato de injeção. Comparadas aos homens, mulheres relataram significativamente mais parcerias sexuais regulares (83% versus 72%); menos eventuais (39% versus 58%), maior uso de drogas injetáveis com seus parceiros, além da "troca" de sexo por drogas. Entre HIV-soropositivos, mulheres apresentaram menor escolaridade, tiveram mais chance de contar com a participação de parceiro sexual em sua iniciação com drogas injetáveis, além de relatarem mais freqüentemente parceiros sexuais que usavam esse tipo de droga. As mulheres UDIs apresentaram aspectos comportamentais sugestivos de maior vulnerabilidade à infecção pelo HIV do que os homens.
O uso de drogas por adolescentes e suas percepções sobre adesão e abandono de tratamento especializado.
ASTERS, Gabriela Pereira and PILLON, Sandra Cristina., 2011
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
O uso de drogas na adolescência é questão importante a ser debatida pelos prejuízos ocasionados precocemente. Neste estudo objetivou-se conhecer o uso de drogas entre adolescentes, da primeira experimentação às percepções sobre adesão ao tratamento, com base na pesquisa qualitativa, e se buscou essa compreensão através do ponto de vista dos sujeitos. Os dados foram analisados por categorização temática. Quatorze adolescentes foram entrevistados: maioria do sexo masculino, idade entre 14 e 19 anos e baixa escolaridade. Maconha foi a droga mais utilizada na primeira experimentação. Amigos, tempo livre e "festas" favoreceram a aproximação às drogas. Essas também foram utilizadas pelos adolescentes como escape dos conflitos e sentimentos. Diferentes aspectos intrínsecos e extrínsecos foram referidos como favoráveis à adesão e abandono do tratamento. Os achados podem contribuir para a elaboração de propostas de intervenções terapêuticas, direcionadas a adolescentes usuários de drogas.
Risky behavior regarding drug use and HIV infection: an Internet questionnaire coupled with short education texts for Portuguese speakers.
STRAZZA, Leila; AZEVEDO, Raymundo S. and CARVALHO, Heráclito B., 2007
Sociedade Brasileira de Medicina Tropical - SBMT
Revista da Sociedade Brasileira da Medicina Tropical.
Levantamentos de comportamento de risco para HIV/AIDS são geralmente feitos para grupos de risco onde a prevalência é normalmente esperada ser maior que na população geral. Assim, foi criada uma homepage educacional em português para informar/perguntar sobre conhecimento e comportamento aos internautas. Os internautas foram classificados em grupos: adolescentes (13 a 25a) e adultos (>25a). DST foi relatada como 1,8 ± 2,6 infecções (intervalo de 1 a 20 infecções); 43% usaram preservativo durante ralação sexual. Álcool foi referido por 63%, droga ilícita por 32% (maconha 24% e inalantes 15%). Trinta e um por cento dos jovens não classificaram álcool como droga. Adultos referiram maior freqüência em homossexualismo, sexo anal e DST, embora jovens apresentem altas taxas no comportamento de risco. Os resultados mostram necessidade de atingir internautas com melhores estratégias de controle. Diferentes tipos de estratégias devem ser encorajados, a fim de alcançar pessoas que usam este meio de comunicação e de entretenimento.
Prohibitionism Drug Policies and the Subtulture of Cannabis Use in Two Brazilian Middle Class Urban Settings
MACRAE, Edward; SIMÕES, Júlio, 2005
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
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Análisis de la frecuencia de experimentación y consumo de drogas de alumnos de escuelas de nivel médio.
SOLEDAD BURRONE, Maria et al., 2010
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem.
Este estudo teve como objetivo analisar a frequência de experimentação e consumo de drogas em alunos de escolas médias de Córdoba, Argentina, relacionada às variáveis sociodemográficas. Trata-se de estudo observacional e analítico, baseado no cadastro da Secretaria de Programação para a Prevenção da Drogadição e Luta contra o Narcotráfico. O processamento estatístico foi de análise bivariada, razão de risco e intervalos de confiança para cada variável. O consumo de álcool foi mais frequente entre os rapazes, 12,2% dos adolescentes experimentaram algum tipo de droga ilegal. Os tranquilizantes são os psicofármacos mais empregados. O valor do consumo de drogas cresce conforme o aumento da faixa etária, o nível de estudos e a disponibilidade de dinheiro. As descobertas do presente trabalho identificaram realidade epidemiológica útil para desenvolver estratégias de prevenção da adição em adolescentes.
Às vezes eles vão...: compreendendo qualidade de vida e promoção da saúde sob a ótica de uma mãe de pré-adolescentes.
CARTANA, Maria do Horto Fontoura., 2005
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem.
Uma pesquisa multicéntrica com mães pré-adolescentes foi realizada no Brasil, Argentina e Chile. Foi utilizada a etnografia enfocada como método de pesquisa. Dessa pesquisa realizada em um bairro de Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, apresenta-se estudo de caso de uma mãe. Os achados apresentam as percepções de uma mãe de pré-adolescentes sobre qualidade de vida e promoção da saúde antes e imediatamente após o primeiro uso de droga ilícita por um de seus filhos. Observou-se mudança na ênfase dos fatores promotores de saúde, inicialmente com ênfase no controle das companhias dos filhos e posteriormente no reforço dos laços afetivos.
Factores de riesgo relacionados al uso de drogas ilegales: perspectiva crítica de familiares y personas cercanas en un centro de salud público en San Pedro Sula, Honduras.
RODRIGUEZ FUNES, Gladys Magdalena et al., 2009
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem.
São apresentados, aqui, dados quantitativos de um estudo multicêntrico, multimétodos, de corte transversal, realizado em um centro de saúde pública em San Pedro Sula, Honduras. O objetivo foi descrever a perspectiva crítica dos membros da família ou pessoas que se sentem afetadas por terem alguém próximo que usa ou usou drogas ilegais, em relação aos fatores de risco. Os dados foram coletados através de questionário aplicado em 100 indivíduos. A maioria era composta por mulheres pobres, com pouca escolaridade. Os consumidores eram majoritariamente varões, com idade média de 23,3 anos. A droga mais utilizada foi a maconha (78%), seguida por crack/cocaína (72%), cola/inalantes (27%), alucinógenos (ecstasy/LSD) (3%), anfetaminas/estimulantes (1%), heroína (1%). Entre os fatores de risco identificados estão: experiência anterior com álcool/fumo, ter amigos/amigas que usam drogas, falta de conhecimento, baixa autoestima, idade, entre outros fatores pessoais, familiares e sociais. Em conclusão, deve-se reforçar a prevenção e proteção.
El consumo de drogas y su tratamiento desde la perspectiva de familiares y amigos de consumidores – Guatemala.
DIAZ C, Jorge Bolívar et al., 2009
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
Na Guatemala, a maioria das pessoas dependentes, afetadas pelo problema, é composta por multiusuários. A cocaína e maconha, seguidas por benzodiazepínicos, são as drogas de maior abuso. Este estudo quantitativo e qualitativo descreve a perspectiva das famílias e dos membros das famílias dos dependentes sobre o uso de drogas ilegais, em sete países latino-americanos. Dos respondentes, 46% entende que o consumo de droga é questão de decisão pessoal. Também reconhecem a família como o fator mais importante para a proteção. Os amigos que usam drogas e a pressão dos pares foram identificados como os principais fatores de risco. A população reconhece que a resposta dos serviços de saúde é insuficiente, não há disponibilidade de iniciativas preventivas e as abordagens existentes são consideradas inadequadas. Esses resultados ressaltam a necessidade de mais estudos para atualizar o conhecimento sobre o problema da droga na Guatemala. É necessário realizar, no futuro, estudos qualitativos e quantitativos sobre esse tema.
Normas percebidas por estudantes universitários sobre o uso de álcool pelos pares.
OLIVEIRA, Elias Barbosa de et al., 2009
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
O álcool é a droga lícita de maior prevalência entre estudantes universitários e consumida de forma recreacional. Os objetivos deste estudo foram identificar as normas percebidas sobre o uso de álcool entre estudantes universitários, contrastar a percepção dos estudantes em relação ao uso de álcool por seus pares com a atual prevalência do uso de álcool e comparar o próprio uso de álcool com a percepção do uso de álcool pelos pares. Utilizou-se a técnica (survey) com 275 estudantes de uma universidade pública do Rio de Janeiro (Brasil), em 2008. A percepção dos estudantes sobre o uso de álcool pelos pares uma vez na vida e nos últimos doze meses foi acurada, porém, em relação aos últimos trinta dias houve percepção errônea (hiperestimativa). Os estudantes consomem bebidas alcoólicas de forma recreacional, principalmente em festas e bares, em companhia de amigos e pares. O consumo se mostra acima dos padrões estabelecidos.
Opiniões de adolescentes estudantes sobre consumo de drogas: um estudo de caso em Lima, Peru.
GIL, Hilda Luz Bolaños; MELLO, Débora Falleiros de; FERRIANI, Maria das Graças Carvalho  and  SILVA, Marta Angélica Iossi., 2008
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
O consumo de drogas tem aumentado em todas as regiões do mundo e tem se tornado um problema de saúde pública, afetando principalmente adolescentes. Este estudo tem como objetivo identificar as opiniões dos adolescentes em idade escolar sobre o uso de drogas e sobre o consumidor de drogas em uma escola de Lima, Peru. Estudo descritivo e transversal com questionário auto-aplicável a 386 estudantes. Foram obtidos dados pessoais dos estudantes, percepção de risco do consumo de drogas, motivações, informação sobre medidas preventivas, disponibilidade da droga, opinião sobre o consumidor de drogas e aceitação familiar e social do consumidor de drogas. O sexo masculino foi predominante. A maioria tem opinião desfavorável sobre a percepção de risco e sobre os motivos de consumo, e é a favor da informação. Temos um papel relevante na explicação de condutas assim como para por em prática programas adequados e eficazes de prevenção e tratamento.
Especificidades de usuários(as) de drogas visando uma assistência baseada na heterogeneidade.
OLIVEIRA, Jeane Freitas de; NASCIMENTO, Enilda Rosendo do  and  PAIVA, Mirian Santos., 2007
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Escola Anna Nery
O artigo enfoca a heterogeneidade de grupos e de pessoas usuárias de drogas, com ênfase nas especificidades de mulheres. Trata-se de revisão da literatura sobre o fenômeno das drogas e saúde, a partir de textos selecionados que utilizam a variável empírica sexo. Foram identificadas diferenças no consumo de drogas entre homens e mulheres e especificidades entre mulheres tanto em relação a aspectos epidemiológicos quanto aos determinantes sócio-culturais do fenômeno. Identificou-se que a taxa de consumo, tipo da droga, idade, mortalidade e comorbidade foram aspectos responsáveis pelas principais diferenças de gênero. Especificamente em grupos de mulheres, foram identificadas diferenças relacionadas ao tipo de droga versus idade e procura por tratamento versus tipo de atividade desenvolvida pela unidade de saúde. Os dados demonstram que a assistência às pessoas usuárias de drogas deve contemplar especificidades individuais e de grupos.
Avaliação de ações educativas sobre consumo de drogas e juventude: a práxis no trabalho e na vida.
SOARES, Cássia Baldini; CAMPOS, Célia Maria Sivalli; BERTO, Juliana Sette and PEREIRA, Érica Gomes., 2011
Fundação Oswaldo Cruz, Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio
Trabalho, Educação e Saúde
O objetivo deste artigo é analisar como conhecimentos sobre consumo de drogas e juventude foram incorporados às práticas sociais de participantes de oficinas para debate, sensibilização e instrumentalização de trabalhadores de instituições sociais, ocorridas há três anos. Foram realizadas 13 entrevistas, utilizando-se roteiro com questões sobre: temas discutidos e estratégias utilizadas, contribuição para o desenvolvimento pessoal e profissional, análise de situações-problema. Os resultados indicaram que os participantes desenvolvem práticas no trabalho e na vida caracterizadas por compreender a rede de causalidade imbricada no consumo de drogas, que envolve reflexões sobre mercadorização da droga, problemas decorrentes da criminalização e do mercado de trabalho. Foram também discutidos valores contemporâneos e dificuldades da família e da escola na socialização dos jovens. Nessa direção, observam-se cuidados para compor discursos que não culpabilizem os usuários. Preferir-se-ia uma atitude de compreensão e diálogo diante das situações-problema colocadas. Embora haja discursos que oscilem, entre formas hegemônicas e críticas de apreensão do problema, é possível perceber que a compreensão mais geral remete ao complexo sistema de produção, consumo e distribuição de psicoativos e à busca de soluções sociais ampliadas. As práticas sociais desenvolvidas, no entanto, evidenciaram ausência de políticas públicas para o enfrentamento do problema.
Redução de danos: análise das concepções que orientam as práticas no Brasil.
SANTOS, Vilmar Ezequiel dos; SOARES, Cássia Baldini  and  CAMPOS, Célia Maria Sivalli., 2010
Instituto de Medicina Social da UERJ
Physis: Revista de Saúde Coletiva
Este estudo teve como objetivo analisar as concepções que orientam as práticas de Redução de Danos (RD) no Brasil. Selecionaram-se 46 publicações nacionais, de 1994 a 2006, tendo como referência principal a base de dados LILACS. Partindo das categorias centrais objeto (aquilo que se pretende transformar) e sujeito (para quem as ações são direcionadas), a análise mostrou que a RD apresenta-se de maneira bastante heterogênea, com a unidade objeto-sujeito representada por diferentes equações: dependência-dependente; doenças transmissíveisusuários de droga das populações marginalizadas e excluídas; consumo-usuário de drogas; moradores-modo de vida de uma dada "comunidade"; riscos sociais e população em geral; e produção, comércio e consumo de Substâncias Psicoativas (SPA)-classe social. Pode-se concluir que as diferentes concepções de RD expressam tendências que vão se constituindo no Brasil como respostas aos problemas relacionados ao complexo fenômeno do consumo de drogas, e significam o envolvimento de diversas áreas e a ampliação do debate teórico.
Ópio - A droga dos sonhos
Cinara Vasconcelos da Silva e Eudes da Silva Velozo,

Sociedade Brasileira de Química
 
Harm reduction: the cannabis paradox
MELAMENTE, Robert, 2005
PubMed? Central (PMC) - U.S. National Institutes of Health (NIH)
Harm Reduct Journal
This article examines harm reduction from a novel perspective. Its central thesis is that harm reduction is not only a social concept, but also a biological one. More specifically, evolution does not make moral distinctions in the selection process, but utilizes a cannabis-based approach to harm reduction in order to promote survival of the fittest. Evidence will be provided from peerreviewed scientific literature that supports the hypothesis that humans, and all animals, make and use internally produced cannabis-like products (endocannabinoids) as part of the evolutionary harm reduction program. More specifically, endocannabinoids homeostatically regulate all body systems (cardiovascular, digestive, endocrine, excretory, immune, nervous, musculo-skeletal, reproductive). Therefore, the health of each individual is dependant on this system working appropriately.
UM DIÁLOGO DE RENOVAÇÃO: EXTENSÃO JURÍDICA POPULAR E EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS
LUA MARINA MOREIRA GUIMARÃES, 2012
Curso de graduação em Direito da Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS
Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS
O presente trabalho explora caminhos de superação para o problema do ensino jurídico, situado contextualmente na atual crise da Educação e da Universidade, que, por seu turno, são reflexos de uma crise muito mais ampla, que abrange o conhecimento, a racionalidade e o próprio paradigma da modernidade. O problema central analisado é a extensão jurídica popular como alternativa para a superação da crise localizada nos cursos de direito, como uma possibilidade de construção de uma nova cultura jurídica. Esse método inovador de extensão universitária trabalha o direito em uma nova perspectiva, centrada nos grupos e sujeitos excluídos, utilizando-se do método e da concepção da educação popular.
A partir dessa proposta pedagógica, os horizontes foram alargados, estabelecendo-se um paralelo da crítica da educação bancária hegemônica, com uma nova proposta de educação emancipatória, a educação em direitos humanos. Essa proposta tem os direitos humanos como começo, meio e fim, e, por isso, comunga de muitos dos objetivos da educação popular. No curso de direito da UEFS, já existem projetos de extensão que trabalham por essa via alternativa, com a educação popular na luta por afirmação de direitos humanos. Dois deles foram acompanhados numa pesquisa participativa e descritos, como estudo de caso, apontando-se seus pontos de contato e suas expectativas para com a educação em direitos humanos.
O uso de drogas entre estudantes de medicina em Tegucigalpa, Honduras.
BUCHANAN, Juana Carolina  and  PILLON, Sandra Cristina., 2008
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
O uso de drogas em Honduras envolve 25% dos estudantes universitários. As drogas lícitas estão entre as de maior consumo, como no caso das bebidas alcoólicas, que são consumidas de forma recreacional. Este estudo objetivou identificar o uso de drogas e os fatores sócio-demográficos em uma amostra de 260 estudantes de medicina de ambos os sexos. RESULTADOS: idade média 20 anos, predominantemente mulheres, solteiras e sem filhos, religiosas e que não trabalham. A droga mais utilizada nos últimos seis meses foi o álcool de forma recreacional. Os estimulantes de consumo freqüente são a cafeína e o mate, as bebidas energizantes e coca-cola. Drogas como maconha, cocaína, valium e os indutores do sono, foram encontradas em menor proporção. As razões alegadas pelas mulheres foram aliviar o cansaço e melhorar o rendimento acadêmico. Os homens alegaram diversão e alívio da tensão psicológica. Esta pesquisa tem como propósito o desenvolvimento de programas preventivos no uso de drogas na universidade.
Percepções de famílias de baixa renda sobre o uso de drogas por um de seus membros.
MARTINS, Mayra; SANTOS, Manoel Antonio dos  and  PILLON, Sandra Cristina., 2008
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem.
Famílias que vivem em situação de exclusão social são vulneráveis a problemas relacionados ao uso de substâncias psicoativas. O objetivo deste estudo é identificar a percepção do uso de drogas entre familiares que vivem em situação de pobreza extrema, participantes de um grupo socioeducativo da periferia de uma cidade do interior do Estado de São Paulo. Foi realizado estudo do tipo survey, segundo enfoque quantitativo, com 70 familiares participantes dos grupos socioeducativos do Programa de Atenção Integral à Família. Os resultados indicam que 67(95,7%) são casados, com idade média de 37 anos, e a maioria possui ensino fundamental incompleto, estão desempregados e 55(78,6%) possuem algum familiar que faz uso do álcool, 52(74,3%) do cigarro e 23(32,9%) algum tipo de droga ilícita. A convivência com um familiar usuário de drogas é percebida como problema que desperta sentimento de revolta, mas também conformismo, nos demais familiares.
Violência contra a mulher, coesão familiar e drogas.
RABELLO, Patrícia Moreira  and  CALDAS JUNIOR, Arnaldo de França., 2007
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.
Revista de Saúde Pública
OBJETIVO: Avaliar a associação entre coesão, adaptabilidade e risco mental familiar com violência física contra a mulher e uso de drogas. MÉTODOS: Estudo tipo caso-controle pareado realizado entre 2004 e 2005 na cidade de João Pessoa, Paraíba. A amostra foi constituída por 260 mulheres, divididas em 130 agredidas e 130 não agredidas. O grupo caso foi constituído de mulheres que prestaram queixa por agressão física doméstica na Delegacia Especializada da Mulher. O grupo controle foi pareado com mulheres vizinhas de bairro das vítimas queixosas na Delegacia. A coesão, a adaptabilidade e o risco mental foram avaliados pela escala Family Adaptability and Cohesion Evaluation Scales. Na análise estatística, foram utilizados os testes qui-quadrado e Exato de Fisher, com nível de significância de 5%. RESULTADOS: Os dois grupos se comportaram de forma diferente em relação ao risco mental e coesão, mas semelhantes quanto à adaptabilidade familiar (p=0,0917). As mulheres agredidas apresentaram risco mental alto (43,1%) e médio (39,2%), diferentemente das não agredidas (p=0,0016), que apresentaram médio risco (55,4%). Houve diferença significativa entre os dois grupos para o uso de drogas, com consumo maior nas famílias das mulheres agredidas (90,8%) do que das não agredidas (56,9%). A droga mais utilizada foi o álcool, sendo o mais alto fator de risco para a agressão, quando consumido diariamente (OR=37,33) ou associado a outra droga (OR=29,56). CONCLUSÕES: O desequilíbrio pela falta de união entre a família e o uso de drogas altera decisivamente no funcionamento familiar, podendo gerar conflitos e agressões domésticas.
A interferência do contexto assistencial na visibilidade do consumo de drogas por mulheres.
OLIVEIRA, Jeane Freitas de; PAIVA, Mirian Santos  and  VALENTE, Camila Motta Leal., 2007
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
Considerando a crescente demanda por assistência à drogadição feminina e sua internacionalmente reconhecida especificidade, este estudo qualitativo, realizado em Salvador-Ba, no período de outubro/2003 a setembro/2004, com profissionais de saúde, propõe investigar se o contexto assistencial em que eles se encontram interfere na visibilidade do consumo feminino de drogas. Através da observação participante e da análise de conteúdo de entrevistas com dezenove profissionais, revelaram-se situações específicas quanto à visibilidade de mulheres usuárias de acordo com o local de atendimento ("instituição" versus "rua"). Diferenças na percepção da demanda, tipo de droga utilizado, idade, papéis sociais desempenhados e influência do parceiro para início e manutenção do consumo de drogas demonstraram que o contexto assistencial influencia na representação daqueles profissionais sobre as usuárias de drogas, o que pode interferir nas estratégias assistenciais implementadas. Recomenda-se a articulação entre os dois contextos assistenciais na unidade estudada e desta com outros serviços de saúde.
Tabaco, álcool e substâncias ilegais: experiências e posicionamento entre estudantes universitários italianos
KRAčMAROVA, Lenka; KLUSOňOVA, Hana; PETRELLI, Fabio  and  GRAPPASONNI, Iolanda. Tobacco, alcohol and illegal substances: experiences and attitudes among Italian university students. Rev. Assoc. Med. Bras. [online]. 2011, vol.57, n.5, pp. 523-528. ISSN 0104-4230., 2011
Associação Médica Brasileira
Revista da Associação Médica Brasileira
OBJETIVO: O objetivo desta pesquisa foi avaliar o uso de drogas que causam dependência entre os estudantes da Universidade de Camerino, Italia, e verificar os aspectos relacionados ao uso de substâncias psicoativas nesta população. MÉTODOS: A pesquisa foi realizada por meio de um questionário anônimo composto por 345 participantes selecionados aleatoriamente entre os alunos da universidade. O questionário tem sido utilizado, para esse tipo de estudo na República Tcheca, desde 2002. O teste qui-quadrado foi utilizado para a avaliação estatística dos fatores, conforme o uso da substância. RESULTADOS: A maioria dos alunos entrevistados teve alguma experiência com substâncias legais que causam dependência: 28,0% dos participantes fumam cigarros regularmente e 23,2% dos entrevistados admitiram consumo regular de álcool. Além disso, 50,4% dos indivíduos já experimentaram uma droga ilícita; a substância mais experimentada foi cannabis (46,7%), seguida da cocaína (13,3%). Dos estudantes que experimentaram drogas, 19% admitiram o uso da substância no último mês (cannabis 87,5%). CONCLUSÃO: Nossos resultados confirmam o aumento experimental do uso de drogas cannabis entre os jovens na Europa e revelam um longo tempo de uso de drogas, principalmente de cocaína, entre os estudantes universitários.
O uso de drogas no Brasil: comparação de dois levantamentos domiciliares: 2001 e 2004.
FONSECA, Arilton Martins; GALDUROZ, José Carlos Fernandes; NOTO, Ana Regina  and  CARLINI, Elisaldo Luiz de Araújo., 2010
Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva
Ciência & Saúde Coletiva
O CEBRID realizou duas pesquisas domiciliares sobre drogas no Brasil, uma em 2001 e uma em 2004, permitindo, pela primeira vez, uma comparação usando a mesma metodologia. O universo estudado correspondeu à população brasileira que vive nas 107 cidades brasileiras com mais de 200.00 habitantes. 8,589 pessoas foram entrevistadas na primeira pesquisa realizada em 2001 e 7,939 pessoas, na segunda. Os dados sobre a prevalência mostraram que houve um aumento significativo do uso na vida de drogas psicotrópicas (inclusive para o tabaco e o álcool). Em 2001, 19,4% dos entrevistados relataram ter usado algum tipo de droga e, em 2004, foi 22,8% de uso na vida de drogas, um aumento estatisticamente significativo. Verificou-se também um aumento estatisticamente significativo no uso na vida de álcool e tabaco na comparação entre os dois levantamentos.
O dito e o não dito pelos usuários de drogas, obtidos mediante as vivências e da técnica projetiva.
FARIAS, Francisca Lucélia Ribeiro de and  FUREGATO, Antonia Regina Ferreira., 2005
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
Neste estudo, procurou-se conhecer alguns significados manifestos e latentes da vivência dos usuários de drogas. As entrevistas foram associadas à Técnica Projetiva (desenho livre e com tema) a partir das quais foram analisados o conteúdo subjetivo e o exteriorizado pelos usuários. Os resultados demonstraram a existência de desestruturação familiar, estigma e preconceito.
Comportamentos de risco ao HIV em utilizadores de heroína em um distrito português: estudo qualitativo.
MARSDEN, Vanessa Fabiane Machado Gomes. Comportamentos de risco ao HIV em utilizadores de heroína em um distrito português: estudo qualitativo. Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul [online]. 2009, vol.31, n.3, pp. 138-144. ISSN 0101-8108., 2009
Sociedade de Psiquiatria do Rio Grande do Sul
Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul
OBJETIVO: Explorar relatos de utilizadores de heroína sobre seus comportamentos de risco para transmissão do vírus da imunodeficiência humana (HIV) no distrito de Vila Real, Portugal, já que a heroína é a droga predominante no que se refere ao uso problemático de drogas em Portugal, e 48% de todas as notificações de infecção por HIV no país são associadas à dependência de drogas. MÉTODO: Utilizadores de heroína recebendo tratamento ambulatorial para dependência em clínica pública foram selecionados aleatoriamente e convidados a participar do estudo. A coleta de dados foi realizada através de entrevista qualitativa semiestruturada, desenvolvida para explorar os relatos dos participantes sobre seu comportamento de risco associado ao uso de heroína. RESULTADOS: Vinte e cinco entrevistas foram realizadas. A idade média foi de 32 anos, e 92% eram homens. Os participantes relataram um tempo médio de uso de heroína de 14,7 anos, e 64% deles mencionaram uso diário da droga. Dois terços relataram uso de heroína e 16% referiram uso intravenoso da droga nos 30 dias anteriores à entrevista. 75% referiram compartilhamento de seringas ou parafernália de injeção. Front-loading ou back-loadingforam técnicas comuns e não reconhecidas como comportamento de risco. 84% referiram ter sido testados anteriormente para o HIV. CONCLUSÕES: O desenvolvimento de melhores programas de prevenção ao HIV para este grupo de risco é essencial através do uso de informações sobre movimentos demográficos e padrões de comportamento de utilizadores de heroína, abordando seus comportamentos de risco nas práticas sexuais e no compartilhamento de parafernália de injeção.
Adolescentes, drogas e AIDS: avaliação de um programa de prevenção escolar.
SOARES, Cássia Baldini and JACOBI, Pedro Roberto., 2000
Fundação Carlos Chagas
Cadernos de Pesquisa.
O objetivo deste estudo foi o de analisar um projeto de prevenção de drogas e Aids desenvolvido nas escolas públicas estaduais de São Paulo. A análise foi desenvolvida considerando-se a diversidade e a complexidade do uso contemporâneo de drogas e o papel da escola, como uma agência de socialização, ambos historicamente determinados. As concepções analisadas são concepções sobre drogas; a relação entre drogas e Aids - como um dos eventos vinculados ao processo saúde-doença; e concepções e objetivos da prevenção. A análise é baseada em documentos e nos depoimentos dos supervisores do projeto, professores treinados pelo projeto e estudantes que participaram das atividades. O estudo encaminha conclusões que implicam o ordenamento das políticas públicas de prevenção relacionadas a droga e Aids.
Psychiatric effects of cannabis use: A critical analysis of scientific results and research methods
PEUSKENS, J., 2006
Belgian Science Policy
Cannabisproject - Universitair Psychiatrisch Centrum
 
Anormalidades de fluxo sangüíneo cerebral em indivíduos dependentes de cocaína.
NICASTRI, Sergio; BUCHPIGUEL, Carlos A and ANDRADE, Arthur G., 2000
Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP
Revista Brasileira de Psiquiatria.
Introdução: Nos últimos anos, tem havido relatos de anormalidades do fluxo sanguíneo cerebral em indivíduos com o abuso de cocaína, detectadas por meio de tomografia computadorizada por emissão de fóton único (SPECT). Esse padrão anormal de perfusão cerebral tem sido associado a prejuízos cognitivos mas não a alterações observáveis por meio de exames de neuroimagem estrutural. Um problema envolvendo a maioria dos trabalhos publicados sobre esse tema é a inclusão de um grande número de usuários de heroína nas amostras estudadas. Essa outra droga também parece afetar o padrão de perfusão cerebral, particularmente durante estados de abstinência. Métodos: Quatorze pacientes dependentes de cocaína (nenhum com uso de opióides) e 14 voluntários normais (grupo controle) foram submetidos a exames de SPECT com dímero de etil-cisteína marcado com tecnécio-99m. A análise dos exames de SPECT foi realizada por meio de análise visual qualitativa das imagens obtidas (procedimento padrão na prática clínica), realizada por um radiologista não informado sobre o diagnóstico dos indivíduos avaliados. Resultados: A análise visual revelou um padrão sugestivo de irregularidades do fluxo sangüíneo cerebral em nove pacientes, mas em apenas dois controles (p = 0,018; teste exato de Fisher bicaudal). Conclusões: Anormalidades de circulação cerebral podem ter relação com prejuízos cognitivos relatados em populações de dependentes de cocaína. Embora déficits de perfusão cerebral associados ao uso de cocaína possam ser irreversíveis, têm surgido relatos na literatura de tratamentos para essas anormalidades de fluxo sangüíneo. Alterações de fluxo sangüíneo cerebral associadas à dependência de cocaína ocorrem mesmo na ausência de abuso ou dependência de opióides.
Fatores associados a perfusão cerebral anormal em dependentes de cocaína.
SILVEIRA, Dartiu X da et al., 2001
Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP
Revista Brasileira de Psiquiatria
OBJETIVO: Avaliar a relação entre o padrão de uso da cocaína e a perfusão cerebral de dependentes da substância. MÉTODOS: Estudou-se uma amostra de 30 dependentes de cocaína por meio de tomografia computadorizada por emissão de fóton único (single photon emission computed tomography – SPECT) com hexametil-propileno-amina-oxima, marcada com tecnécio 99 m (99 m-Tc-HMPAO), e comparou-se o padrão de perfusão cerebral com o padrão de consumo da droga. RESULTADOS: Dos dependentes, 80% apresentaram alterações de perfusão cerebral, focais ou difusas, com grau de intensidade variável. Não foram observadas diferenças de perfusão cerebral entre usuários de crack e usuários de cloridrato de cocaína. As alterações tomográficas tampouco permitiram distinguir os dependentes em abstinência dos dependentes na vigência do uso. Não foi possível evidenciar associação entre o relato da quantidade diária de droga utilizada e a perfusão cerebral dos pacientes. Entretanto, foi observada correlação entre o número de meses durante os quais os pacientes consumiram droga e o grau de comprometimento da perfusão cerebral (coeficiente de correlação de Spearman: r=0,45, p<0,05). CONCLUSÃO: Este estudo documenta a freqüência elevada de alterações funcionais cerebrais em dependentes de cocaína, estabelecendo a influência do tempo de consumo da droga no grau de comprometimento do fluxo cerebral dos pacientes.
Sequência de drogas consumidas por usuários de crack e fatores interferentes.
SANCHEZ, Zila van der Meer and NAPPO, Solange Aparecida., 2002
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Revista de Saúde Pública
OBJETIVO: Identificar, entre usuários de crack, uma progressão no uso de drogas e seus fatores interferentes. MÉTODOS: Utilizou-se metodologia qualitativa para uma investigação mais profunda, considerando o ponto de vista que o entrevistado tem do fenômeno. Foram aplicados entrevistas de longa duração e questionários semi-estruturados. Foi delineada uma amostra intencional, e uma amostragem com critérios foi conseguida. Para atingir a saturação teórica, foram entrevistados 31 usuários ou ex-usuários de crack. RESULTADOS: Foram detectadas duas fases distintas de uso de drogas. A primeira, com drogas lícitas, sendo o cigarro e o álcool as mais citadas pela amostra. Parentes e amigos dos entrevistados foram os incentivadores do consumo, e o motivo alegado para o uso dessas substâncias foi a necessidade de autoconfiança. A idade precoce do consumo e o uso pesado de uma ou ambas as drogas foram determinantes para o início de uma escalada de drogas ilícitas. A maconha foi a primeira droga dessa segunda fase. Uma postura mais ativa na busca da droga como fonte de prazer passou a ser o motivo do consumo. CONCLUSÕES: O estudo revela que a identificação de uma seqüência de drogas parece estar mais associada a fatores externos (pressões de grupo, influência do tráfico etc.) do que à preferência do usuário. Foram identificadas duas progressões diferentes: entre os mais jovens (=30 anos), cuja a escalada começou com o cigarro e/ou álcool e passou pela maconha e cocaína aspirada até o uso de crack; e os mais velhos (>30 anos), que iniciaram o uso de drogas pelo cigarro e/ou álcool, seguido de maconha, medicamentos endovenosos, cocaína aspirada, cocaína endovenosa e, por fim, crack.
Estudo caso-controle sobre distúrbios psiquiátricos e com álcool como fatores de risco para padrão de abuso de drogas.
LOPES, Claudia S. and SICHIERI, Rosely., 2002
Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz
Cadernos de Saúde Pública.
Avaliou-se os transtornos mentais e a dependência de álcool como fatores de risco para padrão de abuso de drogas em um estudo caso-controle (370 adultos). Casos (usuários de drogas) e controles foram selecionados na comunidade segundo a técnica de "bola de neve" e pareados por sexo, idade e amizade. A coleta de dados foi feita por meio do CIDI (Composite International Diagnostic Interview). Considerou-se três padrões de abuso/dependência de drogas de acordo com o tipo utilizado: abuso/dependência de qualquer droga, apenas maconha e cocaína, e outras drogas. Na regressão logística condicional, dependência ao álcool, associou-se fortemente ao padrão de abuso/dependência de drogas. Comparado ao grupo de "não usuários de drogas", o odds ratio(OR) associado ao abuso/dependência de cocaína/outras drogas era de 10,2 (IC95%: 4,9-21,2), enquanto que para abuso/dependência de maconha, o OR era de 1,0. Para distúrbios afetivos o OR associado à cocaína/outras drogas foi de 2,0 (IC95%: 1,10-3,64), enquanto que para aqueles com consumo apenas de maconha não foi encontrada associação. Concluindo, não há um grupo homogêneo de "usuários de drogas" e o papel dos fatores de risco depende do padrão de consumo.
Estudo brasileiro sobre abuso de substâncias por adolescentes: fatores associados e adesão ao tratamento.
SILVA, Vilma A da et al. Brazilian study on substance misuse in adolescents: associated factors and adherence to treatment. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2003, vol.25, n.3, pp. 133-138. ISSN 1516-4446., 2003
Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP
Revista Brasileira de Psiquiatria
OBJETIVOS: Investigar fatores relacionados ao desenvolvimento e ambiente associados ao abuso de substâncias por adolescentes atendidos em hospital universitário brasileiro. Comparar esses fatores com a literatura científica disponível e sugerir intervenções preventivas para uma política nacional no Brasil. MÉTODOS: Foram avaliados 86 adolescentes na admissão ao serviço através de uma entrevista semiestruturada, aplicada ao guardião do adolescente e incluindo dados sociodemográficos, relacionamento familiar, história da gravidez e perinatal, desenvolvimento psicomotor, educacional, relacionamento social, história de doenças anteriores e familiares, incluindo abuso de drogas. RESULTADOS: A amostra foi predominantemente masculina (90%). Os adolescentes encaminhados pela justiça criminal eram mais velhos do que os encaminhados por outras fontes (16,4 x 15,4 anos,p=0,00). Tiveram repetência escolar 44% dos adolescentes, duas vezes mais do que o relatado nas estatísticas brasileiras para a população geral. Tinha envolvimento com a justiça 40% da amostra, principalmente por tráfico de drogas. Cannabis foi a droga mais prevalente entre os relatos. Viver com ambos os pais foi fator protetor, atrasando a iniciação às drogas em um ano. Violência doméstica foi mais comum entre pais que faziam uso de drogas ilicitas (38,1% x 12,5%, p<0,05). Alcoolismo e dependência química por pais e familiares foram cerca de quatro vezes mais altos do que o relatado por outras amostras brasileiras. Não se encontrou correlação entre os fatores investigados e adesão ao tratamento. CONCLUSÃO: Os dados desse estudo indicam que os programas devem incluir o tratamento dos adultos e educação dos pais e futuros pais. O abandono do tratamento no primeiro mês parece ter causas externas ao adolescente.
Impacto das fases de intoxicação e de abstinência de álcool sobre a fobia social e o transtorno de pânico em pacientes alcoolistas hospitalizados
TERRA, Mauro Barbosa; FIGUEIRA, Ivan and BARROS, Helena Maria Tannhauser., 2004
Faculdade de Medicina / Universidade de São Paulo - FM/USP
Revista do Hospital das Clínicas
OBJETIVO: Estudar o impacto das fases de intoxicação e de abstinência do uso de álcool sobre o curso da fobia social e do transtorno de pânico. MÉTODO: Um grupo de 41 pacientes hospitalizados por dependência de álcool foi entrevistado com o SCID-I (DSM-IV), adicionado de perguntas para detectar as flutuações no curso da fobia social e do transtorno do pânico em função das diferentes fases do uso da droga (intoxicação, abstinência e intervalo lúcido). RESULTADOS: Apenas um (2,4%) paciente, apresentou transtorno de pânico ao longo da vida e nove (21.9%) tiveram ataques de pânico na intoxicação ou na síndrome de abstinência. Dezesseis (39%) pacientes dependentes de álcool apresentavam fobia social, que iniciava-se antes de começar o uso de bebidas alcoólicas. No entanto, com o tempo, o álcool perdeu o efeito de aliviar os sintomas da fobia social ou piorou estes sintomas em 31.2% dos pacientes fóbicos sociais. Enquanto os pacientes com fobia social relataram uma melhora significativa dos sintomas psiquiátricos na fase de intoxicação, os pacientes com pânico pioraram significativamente na fase de intoxicação. Na fase de abstinência, os pacientes com fobia social tenderam a piorar com maior freqüência. CONCLUSÃO: Nossos achados indicam que o impacto do álcool, na intoxicação, é diferente na fobia social, quando comparado com o pânico, diminuindo os sintomas fóbicos sociais a princípio e agravando-os posteriormente. No transtorno de pânico, o impacto da intoxicação pelo álcool é mais deletério, ao menos a curto prazo.
Prevalência do consumo de drogas na FEBEM, Porto Alegre.
FERIGOLO, Maristela et al., 2004
Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP
Revista Brasileira de Psiquiatria
OBJETIVO: Identificar a prevalência do uso de drogas entre crianças e adolescentes institucionalizados e avaliar o uso associado das substâncias lícitas, álcool e tabaco, com drogas ilícitas; e verificar qual a droga de uso inicial para o consumo das substâncias psicoativas ilícitas. MÉTODOS: Realizou-se um estudo transversal na Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor do Rio Grande do Sul, na cidade de Porto Alegre. Um questionário elaborado pela Organização Mundial da Saúde, anônimo, sobre o uso de drogas e sua quantificação, auto-aplicado em salas de aula, foi respondido pela população de crianças e adolescentes alfabetizados que cumpriam medidas socioeducativas ou medidas protetivas. A análise visou descrever o uso de drogas entre os dois subgrupos levando em conta gêneros e idades de início de uso. RESULTADOS: Os resultados foram obtidos a partir de 382 indivíduos. As substâncias mais experimentadas foram: álcool (81,3%), tabaco (76,8%), maconha (69,2%), cocaína (54,6%), solventes (49,2%), ansiolíticos (13,4%), alucinógenos (8,4%), anorexígenos (6,5%) e barbitúricos (2,4%). Em torno de 80% afirmaram ter usado experimentalmente alguma droga ilícita. As meninas usaram principalmente medicamentos e os meninos drogas ilícitas, álcool e tabaco. As crianças albergadas por atos infracionais mostraram uso significativamente mais freqüente de álcool, maconha, cocaína e solventes. A idade de início do álcool e tabaco ocorreu antes dos 12 anos; maconha e solventes, antes dos 13, e cocaína, antes de completar 14, em média. Verificou-se alta freqüência de uso concomitante de drogas lícitas e ilícitas por esta população. CONCLUSÕES: A prevalência de experimentação e uso de drogas entre crianças e adolescentes institucionalizados é alta e precoce. As drogas lícitas foram usadas mais precocemente que as ilícitas. Indivíduos do sexo masculino e albergados por atos infracionais apresentam maior probabilidade de já terem utilizado drogas ilícitas.
Religião e uso de drogas por adolescentes.
DALGALARRONDO, Paulo; SOLDERA, Meire Aparecida; CORREA FILHO, Heleno Rodrigues and SILVA, Cleide Aparecida M., 2004
Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP
Revista Brasileira de Psiquiatria
INTRODUÇÃO: Estudos internacionais e nacionais mostram que a religiosidade é um modulador importante no consumo de álcool e drogas entre estudantes adolescentes. OBJETIVOS: verificar se diferentes variáveis da religiosidade influenciam o uso freqüente e/ou pesado de álcool e drogas entre estudantes de 1º e 2º graus. MÉTODOS: Estudo transversal com uma técnica de amostragem do tipo intencional. Foi utilizado um questionário anônimo de autopreenchimento. A amostra foi constituída por 2.287 estudantes de escolas públicas periféricas e centrais e escolas particulares da cidade de Campinas, SP, entrevistados no ano de 1998. As drogas estudadas foram: álcool, tabaco, solventes, medicamentos, maconha, cocaína e ecstasy. As variáveis independentes incluídas na análise de regressão logística foram: filiação religiosa, freqüência de ida ao culto/missa por mês, considerar-se pessoa religiosa e educação religiosa na infância. Para identificar como as variáveis de religiosidade influenciam o uso de álcool e drogas utilizaram-se análises bivariadas e a análise de regressão logística para resposta dicotômica. RESULTADOS: O uso pesado de pelo menos uma droga foi maior entre os estudantes que tiveram educação na infância sem religião. O uso no mês de cocaína e de "medicamentos para dar barato" foi maior nos estudantes que não tinham religião. O uso no mês de ecstasy e de "medicamentos para dar barato" foi maior nos estudantes que não tiveram educação religiosa na infância. CONCLUSÕES: Várias dimensões da religiosidade relacionam-se com o uso de drogas por adolescentes, com possível efeito inibidor. Particularmente interessante foi que uma maior educação religiosa na infância mostrou-se marcadamente importante em tal possível inibição.
Diretrizes para o tratamento de pacientes com síndrome de dependência de opióides no Brasil.
BALTIERI, Danilo Antonio et al., 2004
Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP
Revista Brasileira de Psiquiatria
Existe uma prevalência relativamente baixa do uso de ópioides no Brasil, em particular envolvendo o uso não médico da codeína e de xaropes que contêm opióides. No entanto, a síndrome de dependência apresenta um significativo impacto total na mortalidade e morbidade. Nos últimos 20 anos, o avanço científico tem modificado nosso entendimento sobre a natureza da adição aos opióides e os variados tratamentos possíveis. A adição é uma doença crônica tratável se o tratamento for realizado e adaptado tendo em vista as necessidades do paciente específico. Há, de um fato, um conjunto de tratamentos que podem efetivamente reduzir o uso da droga, ajudar a gerenciar a fissura pela droga, prevenir recaídas e recuperar as pessoas para o funcionamento social produtivo. O tratamento da dependência de drogas será parte de perspectivas de longo prazo do ponto de vista médico, psicológico e social. Esta diretriz almeja fornecer um guia para os psiquiatras e outros profissionais de saúde que tratam de pacientes com Síndrome de Dependência de Opióides. Ela tece comentários sobre o tratamento somático e psicossocial que é utilizado nesses pacientes e revisa as evidências científicas e seu poder. Da mesma forma, os aspectos históricos, epidemiológicos e neurobiológicos da dependência de opióides são revisados.
Fatores de risco para transmissão do HIV em usuários de drogas de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.
PECHANSKY, Flavio et al., 2004
Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz
Cadernos de Saúde Pública
Em um estudo transversal com uma amostra de 420 usuários de drogas de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, foram avaliados demografia, uso de drogas e situações de risco para contaminação pelo HIV por meio da versão brasileira do questionário Comportamentos de Risco para AIDS. A prevalência de HIV positivos foi de 22,6%; 39,3% tinham 30 anos ou mais e 69,5% eram homens. Nos trinta dias prévios à coleta, 56,8% tinham usado maconha, 43,6% cocaína inalada, 17,6% cocaína injetada e 42,4% álcool freqüentemente. As variáveis que se mantiveram associadas com infecção por HIV após regressão logística foram idade superior a trinta anos (RC: 2,89; IC95%: 1,17-7,12), ter menos de sete anos de estudo (RC: 2,10; IC95%: 1,02-4,36), renda de menos de um salário mínimo (RC: 2,89; IC95%: 1,32-6,32) e ter usado droga injetável (DI) (RC: 5,18; IC95%: 2,89-9,28). A taxa de infecção pelo HIV encontrada foi alta, considerando que 70,0% nunca haviam usado DI. As variáveis associadas com contaminação por HIV estão de acordo com as literaturas nacional e internacional e com o modelo teórico de exposição a risco proposto pelo primeiro autor.
La "Droga" e il "Farmaco". Una rassegna della letteratura dal 1970 ad oggi
VERGA, M. , 2007

Centro Interuniversitario per le ricerche sulla Sociologia del Diritto e delle Istituzioni Giuridiche - C.I.R.S.D.I.G.
In questo contributo verrà descritto un succinto quadro storico, politico e sociale della Cannabis, nella duplice accezione di “droga” e di “farmaco”, attraverso una rassegna della saggistica divulgativa e scientifica, italiana ed internazionale, dal 1970 ad oggi. Una particolare attenzione verrà rivolta al processo di rivalutazione della Cannabis per uso terapeutico, che ha dato origine ad un movimento di opinione sempre più vasto e capace di porre quesiti di natura etica ormai inderogabili. Lo sfondo è caratterizzato da un rinnovato conflitto sociale in materia di Cannabis, nato con l’approvazione del Marijuana Tax Act negli Stati Uniti (1937) e storicamente consolidatosi con il procedere della war on drugs statunitense. Sotto questo profilo, non è casuale che la maggior parte della saggistica sia stata pubblicata negli Stati Uniti, sebbene anche in Italia il panorama editoriale offra saggi di ottimo livello, soprattutto grazie al ruolo pionieristico svolto da Giancarlo Arnao.
Consumo de drogas e violência no trabalho feminino Zapallal - Lima/Peru.
MUSAYON, Yesenia and CAUFIELD, Catherine., 2005
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
Este é um estudo descritivo, correlacional, transversal, e qualitativo. Seus objetivos foram identificar os fatores de risco socio-demográficos e de trabalho para o consumo de drogas, tipos de violência no ambiente de trabalho relacionados ao uso de drogas e compreender a percepção da mulher trabalhadora sobre o fenómeno. Foram entrevistadas 125 mulheres trabalhadoras da área de Zapallal, Lima; com entrevistas detalhadas junto a 16 mulheres que haviam sofrido violência no seu ambiente de trabalho. 52,8% das mulheres faziam consumo de álcool, e 6,4% consumiam alguma droga ilícita. As católicas apresentaram risco maior para o consumo de álcool, assim como as com idade inferior a 20 anos apresentaram risco maior para o consumo de drogas ilícitas. Nesta amostra, 17,6% havia sofrido violência verbal no trabalho, 9,6% algum tipo de violência física e 1,6 por cento, assédio sexual no trabalho. A mulher trabalhadora se percebe como grupo vulnerável para a ocorrência de violência no trabalho, sente-se fraca para defender-se, e, em alguns casos, apesar de sentir medo e vergonha, notifica a violência.
A relação entre o uso de drogas e comportamentos de risco entre universitários brasileiros.
PILLON, Sandra Cristina; O'BRIEN, Beverley and CHAVEZ, Ketty Aracely Piedra., 2005
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
O objetivo desse artigo é descrever a relação existente entre o uso de drogas e comportamentos de risco entre universitários do primeiro ano de graduação da Universidade de São Paulo-Ribeirão Preto. O Youth Risk Behavior Survey (YRBS) é um questionário anônimo que foi utilizado para a coleta de dados. A amostra foi composta por 200 (100%) alunos de primeiro ano. Destes, (50%) eram homens e (50%) mulheres, com idade entre 18 e 26 anos. Os resultados mostraram a presença do uso recreacional de substâncias psicoativas, com as mulheres bebendo dentro dos limites de baixo risco e os homens mais pesadamente. Para o uso de drogas ilícitas, os resultados foram em menor proporção para ambos os sexos. Os homens dirigem mais sob efeito do álcool que as mulheres e estiveram mais envolvidos em brigas com amigos e polícia do que as mulheres. Em relação aos comportamentos sexuais, os homens tiveram relações em maior número, com um número maior de parceiras e com menor proteção e sob efeito de álcool. Este estudo conclui que o gênero está associado com o uso recreacional de drogas, bem como outros comportamentos de riscos entre estudantes universitários.
Êxtase: revisão farmacológica
FERIGOLO, Maristela; MEDEIROS, Fernanda B.  and  BARROS, Helena M. T., 1998
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Revista de Saúde Pública
Neste estudo fez-se uma revisão bibliográfica sobre a 3,4- metilenodioximetan-fetamina (MDMA), mais conhecida como "êxtase", uma droga em expansão de abuso entre os jovens. Descreve-se o histórico, desde sua síntese até seu uso inicial como auxiliar em psicoterapia e, mais recentemente, como droga de abuso. Apresenta-se o perfil de uso em outros países, tentando prever o possível padrão de uso no Brasil, onde já se iniciou o abuso. O detalhamento sobre a farmacocinética da MDMA visa a justificar as conseqüências sobre a atividade farmacológica e toxicológica. Resumem-se as manifestações clínicas de toxicidade a curto e a médio prazo, descrevendo-se os efeitos na intoxicação grave com o "êxtase". São apresentados os estudos dos mecanismos de ação no sentido de justificar seus efeitos tóxicos psíquicos e físicos, detalhar os mecanismos pelos quais a droga é auto-administrada e as possibilidades terapêuticas para reverter os efeitos.
La violencia intrafamiliar, el uso de drogas en la pareja, desde la perspectiva de la mujer maltratada
VAIZ BONIFAZ, Rosa G.  and  NAKANO, Ana Marcia Spanó., 2004
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
O presente estudio tem a finalidade de fazer visivel a violência que afeita as mulheres, tendo como elementos principais a atitude violenta do agresor por ingesta de álcool e drogas. Os objetivos do presente estudo são conhecer os significados que a mulher atribui a violência; reconhecer os diferentes fatores relacionados aocorrência da violência intrafamiliar e identificar como é o processo de consumo de drogas no casal. O tipo de estudo é exploratorio e descritivo, foi utilizada a metodologia qualitativa, o recorte empírico o constituiu seis mulheres que realizam a denuncia na Comisaria de mulheres de Lima. Os hallazgos mostram que o tempo deunião oscilo entre dois meses e dezoito anos, acontecendo o maltrato em quasi o tempo todo da uniao. Com respeito ao tipo de violência sofrida a de maior magnitude foi a violencia fisica, a violência psicologica foi menor e a violência sexual nao foi referida. O dineiro e a siume foram referidos como foucos desencadenantes das discussões, as que estao asociadas ao uso de álcool e droga no agressor. As categorias emergentes foram: O tipo de violência sofrida pelas mulheres, o contexto da violência, a repercusao da violência sofrida pela mulher na sua saude e a reação da violência sofrida por meio do reclamo. As principais conclusões que temos é que a violência contra as mulheres é evidenciada como um tema social e sanitario, com repercusoes na morbi-mortalidade e qualidade de vida das mulheres, no campo da saude, é necesario reconhecer as mulheres em situação de violência, considerar como fatores de risco para o casal o consumo de álcool e drogas, as mulheres ocultam por vergonha a problemática que vivem, o pessoal da saude é capaz de diagnosticar a violência em seus diferentes formas, expresadas por queixas e a dor crônica sem causas aparentes.
Circuitos de uso de crack na região central da cidade de São Paulo
RAUPP, Luciane  and  ADORNO, Rubens de Camargo Ferreira., 2011
Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva
Ciência & Saúde Coletiva
Apesar de o uso de drogas ser uma prática presente desde os primórdios da humanidade, atualmente o seu abuso adquiriu dimensões preocupantes, configurando-se como um problema de saúde pública. O surgimento do crack, droga derivada da pasta de coca, agravou esse quadro ao aumentar os danos sociais e à saúde dos usuários. Visando conhecer o impacto de sua inserção no cotidiano dos usuários, foi realizado um estudo etnográfico em locais de venda e uso de crack na região central da cidade de São Paulo (SP, Brasil). Foi utilizado um diário de campo para registrar as observações e os diálogos informais efetuados com as pessoas que circulavam no local estudado. Os resultados apontaram os circuitos percorridos pelos usuários, suas dinâmicas e as relações que estabelecem com outros atores sociais, as quais são permeadas por permanente tensão, envolvendo a prática de atos violentos nos quais os usuários são tanto agressores quanto vítimas. O estudo também sugere a importância de outros fatores como a história da região pesquisada, as políticas públicas, questões econômicas e ausência de investimentos sociais e em saúde pública. Sugere-se que o alto grau de degradação da região pesquisada não seria consequência apenas das pessoas e atividades exercidas no local, mas principalmente do processo urbano que gerou tal quadro social.
Neurobiologia da Cannabis: do sistema endocanabinoide aos transtornos por uso de Cannabis
COSTA, José Luis G. Pinho et al., 2011
Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro
Jornal Brasileiro de Psiquiatria
OBJETIVOS: Diante das lacunas na efetividade das terapêuticas para transtornos por uso de Cannabis, a droga ilícita mais consumida no mundo, este trabalho propõe-se a rever os conhecimentos sobre o substrato neuroanatômico, biomolecular e celular do sistema endocanabinoide, descrever os mecanismos de neuroplasticidade dependente dos canabinoides e relacioná-los com a neurobiologia dos transtornos por uso deCannabis (abuso e dependência). MÉTODOS: Recorreu-se às bases de dados Medline, Scopus e ISI Web of Knowledge; as palavras-chave pesquisadas foram "Cannabis", "neurobiology", "endocannabinoid system", "endocannabinoids", "receptors, cannabinoid", "neuronal plasticity", "long-term synaptic depression", "long-term potentiation", "marijuana abuse" e "tetrahydrocannabinol". Foram incluídos 80 trabalhos nesta revisão. DISCUSSÃO: A distribuição neuroanatômica, celular e biomolecular do sistema endocanabinoide adequa-se perfeitamente às suas funções de neuromodulação (via neuroplasticidade e metaplasticidade), nomeadamente em vias relacionadas aos transtornos por uso de substâncias. Os canabinoides exógenos perturbam essas funções. CONCLUSÃO: O sistema endocanabinoide contribui para a definição de setpoints em diversas vias neuronais, incluindo vias cruciais na instalação de transtornos por uso de substâncias; com o uso de Cannabis, essessetpoints tornar-se-ão mais permissivos, facilitando os transtornos por uso de Cannabis. Os avanços no entendimento da neurobiologia da Cannabis abrem uma janela de oportunidades para novas estratégias terapêuticas nos transtornos por uso de Cannabis.
Conocimientos y practicas sobre el consumo de tabaco en estudiantes de pregrado de farmacia, Lima, Peru
DANJOY LEON, Delia; FERREIRA, Paulo Sérgio; PILLON, Sandra Cristina, 2011
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
O objetivo do estudo foi determinar os conhecimentos e as práticas do uso de tabaco entre estudantes de farmácia, segundo os aspectos sociodemográficos e acadêmicos. Participaram 276 (55,2%) estudantes de farmácia de uma universidade privada peruana. Foi utilizada a Encuesta Global de Tabaco para jovens - GYTS. Identificou-se a prevalência do uso na vida de tabaco em 93,7% dos homens e 77,6% das mulheres. A idade de início do consumo ocorreu aos 16 anos. A prevalência de uso na vida para o álcool foi de 70,8% e, para as drogas ilegais, 14,1% para a maconha. Existe porcentagem elevada de estudantes que fizeram uso na vida e, ainda, consomem tabaco, nesta amostra. A maioria dos estudantes iniciou o uso de drogas aos 16 anos. Existe forte associação entre o consumo de tabaco entre os que possuem pelo menos um dos pais fumantes e a exposição ao fumo dentro de casa.
Prevalência do consumo de álcool, tabaco e entorpecentes por estudantes de medicina da Universidade Federal de Minas Gerais
PETROIANU, Andy et al, 2010
Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva
Revista da Associação Médica Brasileira
OBJETIVO: Verificar a prevalência do consumo de álcool, tabaco e entorpecentes por estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais e determinar fatores relacionados a esse consumo. MÉTODOS: Este trabalho foi realizado com estudantes de todos os anos do curso de Medicina, convidados a participar, de forma anônima, respondendo a um questionário autoaplicável, que foi previamente avaliado e adequado à realidade brasileira. Esse questionário foi estruturado com base no World Health Organization's Guidelines for Student Substance Use Survey e consistiu de 25 perguntas relacionadas ao uso de drogas. A comparação das médias foi por teste T de Student e as proporções foram avaliadas usando o teste Qui quadrado. RESULTADOS: Contato com bebidas alcoólicas ocorreu em 85,2% e com tabaco em 16,3% dos entrevistados. Dentre as drogas entorpecentes, a maconha foi consumida por 16,5%, LSD por 6,9%, ansiolíticos por 12%, estimulantes por 7,5% e solventes por 16,8% dos estudantes. Foi raro o consumo de cocaína, crack, opioides, xaropes ou anabolizantes. CONCLUSÃO: A droga mais consumida foi o álcool. Seu uso relacionou-se com o consumo de outras substâncias, sendo que a adesão a drogas ocorreu mais em estudantes solteiros, do sexo masculino, que moram longe da família e não dependem de si para seu sustento ou o de sua família.
Uso de álcool e drogas e sua influência sobre as práticas sexuais de adolescentes de Minas Gerais, Brasil
BERTONI, Neilane et al., 2009
Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz
Cadernos de Saúde Pública
Os achados provêm de um estudo transversal de 5.981 estudantes de escolas públicas de Minas Gerais, Brasil. Avaliou-se a influência do uso de drogas sobre as práticas sexuais. Dos rapazes com relacionamento casual que referiram ter utilizado drogas ilícitas, 55,7% disseram usar preservativos de forma consistente (em todas as relações sexuais), enquanto entre os que nunca fizeram uso de tais substâncias, esse percentual foi de 65,4%. Entre os rapazes com relacionamento fixo, que utilizaram droga ilícita, o uso consistente de preservativos foi referido por 42,7%, ao passo que, para os que nunca fizeram uso dessas substâncias, esse percentual foi de 64,1%. No subgrupo dos rapazes com parceria fixa que nunca utilizaram drogas ilícitas, o uso consistente do preservativo foi menos freqüente entre os que utilizaram cigarro e/ou álcool do que entre os que não referiram este uso (60,7% vs. 71,1%). As moças apresentaram menor proporção de uso consistente do preservativo do que os rapazes, independentemente do tipo de parceria, sem influência aparente dos padrões de consumo. Os achados sugerem a necessidade de integrar a prevenção do uso de drogas à de infecções sexualmente transmissíveis/gravidez indesejada.
Qualidade de vida e comprometimento do sono em dependentes crônicos de cocaína
LIMA, Adriana; ROSSINI, Sueli; REIMAO, Rubens, 2008
Academia Brasileira de Neurologia - ABNEURO
Arquivos de Neuro-Psiquiatria
OBJETIVO: Avaliar a qualidade de vida (QV) em dependentes de cocaína na fase de uso de droga e comprometimento da qualidade do sono. MÉTODO: Foram avaliados 40 pacientes dependentes de cocaína (37 M; 3 F), com média de idade de 29,92 anos; e 40 controles, equiparando-se as variáveis de gênero e idade e utilizando-se os seguintes instrumentos: a) Entrevista clínica semi-dirigida; b) Classificação Econômica Brasil; c) Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh; d) World Health Organization Quality of Life-BREF (WHOQOL-Breve).  RESULTADOS: Os dependentes de cocaína apresentaram prejuízo na QV, com alterações nos domínios físico, psicológico e também das relações sociais. No grupo estudo não houve associação entre QV e qualidade do sono, ou seja, para os sujeitos desta amostra, a qualidade do sono não afetou a QV. CONCLUSÃO: No grupo estudo a QV foi considerada prejudicada, mas não devida de forma primordial ao comprometimento da qualidade do sono. Nestes pacientes a cocaína é provavelmente o fator primordial negativo sobre a QV e não o comprometimento do sono.
Cannabis Use in Canada: Policy Options for Control
FISCHER, Benedikt; SINGLE, Eric;ROOM, Robin; POULIN, Christiane; SAWKA, Ed; THOMPSON,Herb;TOPP, John, 1998
Institute for Research on Public Policy
Options Politiques
 
Crack na cidade de São Paulo: acessibilidade, estratégias de mercado e formas de uso.
OLIVEIRA, Lúcio Garcia de and NAPPO, Solange Aparecida., 2008
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
Revista de Psiquiatria Clínica
CONTEXTO: No Brasil, levantamentos epidemiológicos têm apontado o aumento do uso de crack, possivelmente em razão de mudanças de seu acesso, estratégias de mercado e formas de uso. OBJETIVO: Identificar tais aspectos da cultura de uso de crack, na cidade de São Paulo, sob a perspectiva do próprio usuário. MÉTODOS: Adotou-se amostra intencional, selecionada por critérios, composta de usuários (n = 45) e ex-usuários de crack (n = 17). Recrutados por meio de informantes-chave e técnica de amostragem em cadeias, cada participante submeteu-se à entrevista semiestruturada. RESULTADOS: Atualmente, conforme os entrevistados, o acesso a crack é simples, facilitado por estratégias de mercado como a entrega em domicílio do crack (crack delivery). As pedras têm sido substituídas pelo farelo, forma mais barata e adulterável da droga. Embora o cachimbo artesanal de alumínio seja a forma de uso mais comum, têm-se identificados o shotgun e o uso combinado de crack a tabaco ou maconha. CONCLUSÕES: Embora de caráter preliminar, esse estudo aponta que a qualidade, o mercado e as estratégias de uso de crack têm sofrido mudanças, implicando potenciais riscos à saúde do usuário, sugerindo sua consideração à atualização das políticas públicas e dos programas de intervenção atualmente vigentes.
Representações sociais de professores sobre o uso abusivo de álcool e outras drogas na adolescência: repercussões nas ações de prevenção na escola.
ARALDI, Jossara Cattoni; NJAINE, Kathie; OLIVEIRA, Maria Conceição de and GHIZONI, Angela Carla., 2012
Revista Interface - Comunicação, Saúde, Educação
Interface - Comunicação, Saúde, Educação
O álcool é a droga mais consumida em qualquer faixa etária e a sua utilização vem aumentando de forma significativa entre adolescentes. Este estudo qualitativo buscou refletir de que modo as representações sociais de professores sobre o uso abusivo de álcool e outras drogas repercutem nas ações de prevenção na escola. Foram realizados grupos focais com professores do Ensino Fundamental II, de escolas públicas e particulares de Lages/SC, e entrevistas com gestores dessas instituições. Também foram realizadas observações de campo e análise documental dos projetos político-pedagógicos das escolas investigadas no ano de 2008. Os resultados da pesquisa apontaram que as representações sociais dos educadores é caracterizada por uma visão estigmatizante da adolescência e do uso de álcool e outras drogas nessa faixa etária. Esse fato dificulta o diálogo aberto sobre essa questão com os adolescentes e para uma atuação de prevenção nas escolas.
Uso de álcool entre adolescentes escolares: um estudo-piloto.
DALLO, Luana  and  MARTINS, Raul Aragão., 2011
Universidade de São Paulo, Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto
Paidéia (Ribeirão Preto)
O uso de álcool entre adolescentes é um tema que preocupa profissionais da saúde pelos prejuízos acarretados e pela displicência da sociedade quanto ao uso desta droga por essa faixa etária. Este artigo analisa o consumo de álcool entre alunos do ensino médio de três escolas de Cascavel-PR. O instrumento utilizado foi o Alcohol Use Disordens Identification Test (AUDIT), além de levantamento de informações sobre o nível socioeconômico, religião e o beber problemático de familiar. O resultado mostrou que 34,7% dos estudantes bebem de maneira arriscada, não havendo diferenças significativas por escola, gênero e nível socioeconômico. Ter familiar que bebe foi considerado fator de risco e ter religião, fator protetor. Esta pesquisa pode alertar a sociedade paranaense para a necessidade de estudos mais amplos, com o objetivo de desenvolver políticas públicas que incluam projetos de prevenção e intervenção dirigidos à população jovem.
Perfil dos dependentes químicos atendidos em uma unidade de reabilitação de um hospital psiquiátrico.
SILVA, Luiz Henrique Prado da et al., 2010
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Escola Anna Nery
Pesquisa descritiva. Objetivo: caracterizar o perfil dos dependentes químicos atendidos na unidade de reabilitação de um hospital psiquiátrico.Participaram 30 dependentes químicos. Os dados foram coletados mediante entrevista. A faixa etária prevalente foi entre 26 e 33 anos: 50% estavam empregados; 77% perderam o emprego pelo menos uma vez pelo abuso de drogas; 80% tiveram episódios de separação relacionada com o uso de drogas; 11 participantes tinham diagnóstico de transtorno mental antes do internamento e, destes, 9 tentaram suicídio; 71% iniciaram o uso de drogas pelo álcool com maior prevalência na faixa etária dos 12 a 19 anos; 71% tiveram contato com a droga no meio familiar e 30% dos casos, por meio de amigos. O abuso dessas substâncias afeta pessoas em idade produtiva, adultos jovens, e prejudica o desempenho no trabalho e na relação familiar.
Uso de drogas ilícitas e perspectivas críticas de familiares e pessoas próximas, na cidade do Rio de Janeiro, Zona Norte, Brasil.
VARGENS, Octavio Muniz da Costa et al., 2009
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
Este artigo apresenta resultados parciais quantitativos da cidade do Rio de Janeiro, Zona Norte, Brasil, de estudo multicêntrico envolvendo sete países latino-americanos e Canadá. O objetivo foi descrever a perspectiva de familiares/pessoas próximas a usuários de drogas ilícitas sobre fatores protetores e de risco, iniciativas de prevenção, serviços de tratamento e aspectos legais relacionados às drogas ilícitas. Foram entrevistados 99 indivíduos autodeclarados pessoalmente afetados por terem um familiar/pessoa próxima usuário de drogas ilícitas, abordando sua perspectiva quanto aos domínios chave. Os informantes eram principalmente mulheres (73,7%); os familiares usuários de drogas eram principalmente homens (78,2%); a droga mais usada era a maconha (77,8%). Como fator protetor destacou-se a existência na comunidade de atividades recreativo-esportivas (88,9%) e, como fator de risco, a curiosidade por novas experiências (94,4%). Os principais serviços de tratamento eram de grupos de igrejas (51,5%) e as leis deveriam ser mais punitivas (82,8%). Conclui-se que essas informações são essenciais na luta contra o uso/abuso de drogas, indicando a necessidade de ações que valorizem perspectivas diversas em diferentes níveis.
Infecção pelo HIV, hepatites B e C e sífilis em moradores de rua, São Paulo.
BRITO, Valquiria O. C.; PARRA, Deolinda; FACCHINI, Regina  and  BUCHALLA, Cassia Maria., 2007
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Revista de Saúde Pública
OBJETIVO: Estimar a prevalência das infecções pelo HIV, vírus das hepatites B e C, e da sífilis em moradores de rua. MÉTODOS: Estudo transversal com intervenção educativa, realizado no município de São Paulo, de 2002 a 2003. Selecionou-se amostra de conveniência de moradores de rua que utilizavam albergues noturnos, segundo os critérios: >18 anos e não apresentar distúrbios psiquiátricos. Em entrevistas, foram coletados dados sociodemográficos e de comportamento, e realizados exames laboratoriais para HIV, hepatite B e C e sífilis, e aconselhamento pós-teste. RESULTADOS: Participaram 330 usuários dos albergues, com 40,2 anos (média), 80,9% homens, nas ruas, em média, há um ano. Observaram-se prevalências de 1,8% de HIV, 8,5% de vírus de hepatite C, 30,6% de infecção pregressa por hepatite B, 3,3% de infecção aguda ou crônica pelo vírus hepatite B e 5,7% de sífilis. Uso consistente de preservativo foi referido por 21,3% e uso de droga injetável, por 3% dos entrevistados. A positividade para HIV foi de 10% e 50% para vírus da hepatite C entre usuários de drogas injetáveis, versus 1,5% para HIV e 7,3% para hepatite C nos demais, evidenciando associação entre esse vírus e uso de droga injetável. Prisão anterior foi referida por 7,9% das mulheres e 26,6% dos homens, com prevalência de 2,6% para HIV e 17,1% para vírus da hepatite C. CONCLUSÕES: As elevadas prevalências de HIV e vírus de hepatite B e C requerem programas de prevenção baseados na vacinação contra hepatite B, diagnóstico precoce dessas infecções e inserção dos moradores de rua em serviços de saúde.
Modelo preditivo do uso de cocaína em prisões do Estado do Rio de Janeiro.
CARVALHO, Márcia Lazaro de; VALENTE, Joaquim Gonçalves; ASSIS, Simone Gonçalves de  and  VASCONCELOS, Ana Glória Godoi., 2005
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Revista de Saúde Pública
OBJETIVO: Identificar variáveis preditoras e grupos mais vulneráveis ao uso de cocaína em prisão. MÉTODOS: Foram selecionados 376 presos com história de uso de cocaína em prisão (casos) e 938 presos sem história de uso de cocaína na vida (controles), que cumpriam pena no sistema penitenciário do Rio de Janeiro em 1998. A análise considerou as variáveis de exposição em três níveis de hierarquia: distal, intermediário e proximal. Na análise bivariada utilizou-se regressão logística e na multivariada, regressão hierarquizada, resultando em valores de odds ratio. RESULTADOS: As variáveis associadas ao uso de cocaína na prisão, no nível proximal, foram uso de álcool e maconha e tempo de reclusão em anos. O efeito das variáveis de vulnerabilidade social (nível distal) é intermediado pelas variáveis dos níveis seguintes. Considerando apenas os níveis distal e intermediário, o uso de maconha antes de ser preso (OR=4,50; IC 95%: 3,17-6,41) e o fato de ter cometido delito para obter droga (OR=2,96; IC 95%: 1,79-4,90) são as mais fortemente associadas ao desfecho. Para cada ano a mais que se passa na prisão, a chance de usar cocaína aumenta em 13% (OR=1,13; IC 95%: 1,06-1,21). CONCLUSÕES: Considerando os níveis distal e intermediário, o uso de maconha antes da prisão e delito para obtenção de droga foram as variáveis com maior poder de predição. O modelo final revelou o uso de álcool, de maconha na prisão e o tempo de cumprimento de pena são importantes preditores do desfecho. O ambiente carcerário aparece como fator estimulante da continuidade do uso de drogas.
Perfil sociodemográfico e de padrões de uso entre dependentes de cocaína hospitalizados.
FERREIRA FILHO, Olavo Franco; TURCHI, Marilia Dalva; LARANJEIRA, Ronaldo  and  CASTELO, Adauto., 2003
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Revista de Saúde Pública
OBJETIVO: Avaliar o perfil sociodemográfico e o padrão de uso da cocaína entre usuários de drogas hospitalizados. MÉTODOS: Estudo transversal com dependentes químicos maiores de 18 anos, internados em alguns hospitais psiquiátricos da região metropolitana da Grande São Paulo, Brasil, com condições clínicas de responder a questionário padronizado e que concordaram em participar do estudo. Foram selecionados seis hospitais psiquiátricos que recebiam, por procura espontânea, pacientes da rede pública e privada de toda a região da Grande São Paulo. A coleta de informações foi feita por meio de entrevistas estruturadas, aplicada individualmente por psicóloga treinada. Para análise estatística utilizou-se do teste t de Sudent e Qui-quadrado, e o nível de significância foi fixado em 5%. RESULTADOS: Encontrou-se maior taxa (38,4%) de usuários de crack e pequena prevalência (1,6%) de usuários de drogas injetáveis. Os dependentes de cocaína fumada apresentavam baixa escolaridade, encontravam-se mais freqüentemente desempregados, haviam morado nas ruas, usavam maiores quantidades de droga e tinham sido presos em maior número de vezes do que aqueles que usavam outras vias de administração da droga. CONCLUSÕES: Os resultados sugerem que o uso de drogas é um grave problema de saúde pública na Grande São Paulo, mostrado pelo número de internações hospitalares por dependência. Os usuários de crack apresentam pior condição socioeconômica e maior envolvimento com a violência e a criminalidade.
Pais não autoritativos e o impacto no uso de drogas: a percepção dos filhos adolescentes.
BENCHAYA, Mariana C et al., 2011
Sociedade Brasileira de Pediatria
Jornal de Pediatria
OBJETIVO: Verificar a associação entre uso de drogas e estilos parentais percebidos pelos filhos adolescentes brasileiros. MÉTODOS: Este estudo transversal foi realizado com adolescentes de 14 a 19 anos que ligaram para o Serviço Nacional de Orientações e Informações sobre a Prevenção do Uso Indevido de Drogas. Participaram do estudo 232 adolescentes. As entrevistas, realizadas por telefone, incluíram: a Escala de Responsividade e Exigência Parental, que classifica os estilos materno e paterno percebidos pelos adolescentes em autoritativo, negligente, indulgente e autoritário; variáveis sociodemográficas; e instrumento para avaliar consumo no mês e abuso de substâncias. RESULTADOS: Os estilos parentais materno e paterno percebidos como negligente, indulgente ou autoritário (não autoritativos) tiveram associação significativa para uso de drogas [odds ratio (OR) = 2,8, intervalo de confiança de 95% (IC95%) 1,3-5,7 para mães, e OR = 2,8, IC95% 1,3-6,3 para pais]. Os estilos não autoritativos também demonstraram relação significativa com uso de tabaco no mês para o estilo materno (OR = 2,7, IC95% 1,2-6,5) e para o paterno (OR = 3,9, IC95% 1,4-10,7), uso de cocaína/crack no mês (OR = 3,9, IC95% 1,1-13,8) e abuso de qualquer droga (OR = 2,2, IC95% 1,0-5,1) somente para o estilo paterno. A análise de regressão logística mostrou que o estilo materno (OR = 3,3, IC95% 1,1-9,8), sexo do adolescente (OR = 3,2, IC95% 1,5-7,2) e idade (OR = 2,8, IC95% 1,3-6,2) tiveram associação com o uso de drogas. CONCLUSÕES: Adolescentes que avaliam suas mães como não autoritativas apresentam maior chance de usar drogas. Os pais não autoritativos têm mais associação com abuso de drogas pelos adolescentes.
Cannabis as a Substitute for Alcohol - A Harm-Reduction Approach
MIKURIYA, Tod. H. , 2004
Mikurya Medical Practice
Journal of Cannabis Terapeutics
Ninety-two Northern Californians who use cannabis as an alternative to alcohol obtained letters of approval from the author. Their records were reviewed to determine characteristics of the cohort and efficacy of the treatment, which was defined as reduced harm to the patient. All patients reported benefit, indicating that for at least a subset of alcoholics, cannabis use is associated with reduced drinking. The cost of alcoholism to individual patients and society at large warrants testing of the cannabis-substitution approach and study of the drug-of-choice phenomenon.
A entrevista motivacional em adolescentes usuários de droga que cometeram ato infracional.
ANDRETTA, Ilana  and  OLIVEIRA, Margareth da Silva., 2011
Curso de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Psicologia: Reflexão e Crítica
A drogadição na adolescência é um problema de saúde publica com alto custo para a sociedade, e há uma relação direta entre este e o cometimento de ato infracional. O objetivo deste estudo foi verificar a efetividade da Entrevista Motivacional (EM) em adolescentes que cometeram ato infracional, usuários de drogas. Utilizou-se a Entrevista Motivacional no grupo experimental e no grupo controle a Psicoeducação. Participaram do estudo 48 adolescentes: 27 no grupo da EM e 21 no grupo da Psicoeducação. O grupo da EM diminuiu consumo de maconha e tabaco e o grupo da Psicoeducação diminuiu o consumo de maconha e álcool. Com relação aos estágios motivacionais, independente do grupo, observou-se redução na média da pré-contemplação. As técnicas apresentaram resultados positivos em relação à diminuição do consumo de drogas e da média de pré-contemplação, entretanto, não houve diferença significativa entre as duas.
Atitudes dos pneumologistas brasileiros em face da dependência de nicotina: inquérito nacional.
VIEGAS, Carlos Alberto de Assis; VALENTIM, Antonio Gabriel Teles; AMORAS, Jaene Andrade Pacheco  and  NASCIMENTO, Euler Junior Moreira., 2010
Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia
Jornal Brasileiro de Psneumologia
O tabagismo é uma condição médica por haver dependência de droga, devendo ser abordado por todos os profissionais de saúde como uma doença crônica. Objetivando conhecer a conduta dos pneumologistas brasileiros perante fumantes, realizamos um inquérito nacional, por meio da aplicação de um questionário via internet, enviado para 2.800 desses profissionais, com um retorno de 587 questionários (21%). Observamos que 3,2% dos respondedores não entendem o tabagismo como uma condição médica. Somente 14,7% responderam tratar o tabagismo, e 32,4% disseram encaminhar o fumante para outro colega tratá-lo. Os resultados sugerem que os pneumologistas brasileiros não têm conhecimento suficiente sobre as terapias de cessação do tabagismo.
Viés atencional no abuso de drogas: teoria e método.
PEUKER, Ana Carolina; LOPES, Fernanda Machado  and  BIZARRO, Lisiane., 2009
Instituto de Psicologia, Universidade de Brasília
Psicologia: Teoria e Pesquisa
O viés atencional pode eliciar fissura, diminuir a concentração em tarefas não relacionadas à droga e aumentar a vulnerabilidade à recaída em dependentes de drogas. O objetivo deste estudo é discutir visões teóricas recentes e principais métodos de investigação do papel do viés atencional nos comportamentos aditivos. Realizou-se busca nas bases de dados Medline, Pubmed e Lilacs. Essa busca revelou que a dot-probe task e o teste emocional de Stroop estão entre os principais métodos de investigação do viés atencional. Também foram apontadas limitações metodológicas nas investigações sobre viés atencional, sugerindo que esse fenômeno deve ser estudado sob condições melhor controladas, que considerem níveis de dependência, privação e fissura. Estudar o viés atencional pode contribuir para identificar mecanismos cognitivos subjacentes aos comportamentos aditivos.
Estudo das habilidades sociais em adolescentes usuários de maconha.
WAGNER, Marcia Fortes  and  OLIVEIRA, Margareth da Silva., 2009
Departamento de Psicologia - Universidade Estadual de Maringá
Psicologia em Estudo
Esse estudo objetivou avaliar as habilidades sociais de adolescentes usuários de maconha e comparar seu desempenho com o de não-usuários. Os instrumentos utilizados foram: Inventário de Habilidades Sociais – IHS;Screening Cognitivo do WISC-III e do WAIS-III, Inventários de Ansiedade e Depressão de Beck. A amostra constituiu-se de 98 adolescentes, com idades de 15 a 22 anos, dos quais 49 eram usuários de maconha e 49 não o eram. Os resultados mostraram maiores prejuízos no grupo de usuários de maconha no screening cognitivo e na presença de sintomas de ansiedade e depressão. Os achados evidenciaram diferenças estatísticas significativas no grupo de usuários de maconha, com um desempenho mais prejudicado no Fator 4 (auto-exposição a desconhecidos ou a situações novas) e no Fator 5 (autocontrole da agressividade em situações aversivas). Conclui-se que adolescentes usuários de maconha apresentam mais prejuízos nas habilidades do que adolescentes não usuários de substâncias.
Aspectos legais do uso de drogas ilícitas no México
GALLEGOS TORRES, Ruth Magdalena et al., 2009
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
Este estudo teve como objetivo conhecer as opiniões de um grupo de pessoas sobre questões jurídicas no domínio dos vícios. É estudo transversal, descritivo. Para o levantamento, foi utilizado um questionário estruturado com quatro temas. Um dos critérios para a participação era de que a pessoa não usasse drogas e que tivesse alguém próximo que usasse. Os dados foram processados usando SPSS V. 14. Participaram 100 indivíduos, dos quais 75% eram do sexo feminino, 38% tinham relação amigável com um usuário de drogas ilícitas, principalmente consumidores de maconha e cocaína. Como opinião geral sugeriram que as leis deviam ser mais punitivas para aqueles que consomem, vendem ou transportam drogas. As leis vigentes não melhoram o comportamento criminoso dos consumidores. É importante conduzir estudos de opinião sobre o fenômeno para que se possa ter visão mais realista do problema do consumo de droga.
Factores de protección relacionado al uso de drogas ilícitas: perspectiva crítica de familiares y personas cercanas a los usuarios de drogas, en la Ciudad de Guayaquil, Ecuador.
OVIEDO RODRIGUEZ, Ruth Jakeline et al., 2009
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
O objetivo deste estudo foi determinar as perspectivas dos familiares e pessoas próximas sobre fatores protetores para o uso de drogas ilícitas, em um centro de saúde em Guayaquil. Estudo descritivo, transversal, que utilizou questionário em amostra composta por 100 indivíduos. Os dados foram obtidos a partir das pessoas que têm um familiar ou amigo que usa drogas. Os resultados mostram que dos fatores pessoais e familiares que podem proteger contra o uso de drogas estão: 97% declararam que é possuir sólidos princípios morais, 96% expressar suas emoções, 98% dedicar tempo à família, 95% ter relação de apoio com um dos pais. Na comunidade, estão de acordo com a necessidade de ter um governo que entenda esse problema, 99% apontam para a necessidade da existência de policiais honestos e 99% programas que protejam as pessoas do uso de droga e instituições empenhadas na prevenção. Família, comunidade e a decisão pessoal têm influência e devem ser envolvidos, portanto, mostra-se a importância de se trabalhar para reforçar os fatores protetores e assim reduzir o número de pessoas adictas.
Canabidiol: de um canabinóide inativo a uma droga com amplo espectro de ação
ZUARDI, Antonio Waldo., 2008
Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP
Revista Brasileira de Psiquiatria
OBJETIVO: O objetivo desta revisão é descrever a evolução histórica das pesquisas sobre o canabidiol. MÉTODO: Esta revisão foi conduzida utilizando-se bases de dados eletrônicas (Medline, Web of Science e SciELO? ). DISCUSSÃO: Após a elucidação de sua estrutura química, em 1963, os estudos iniciais do canabidiol demonstraram que ele não foi capaz de mimetizar os efeitos da maconha. Na década de 70, o número de publicações sobre o canabidiol atingiu um primeiro pico, com as investigações centrando-se principalmente na sua interação com o delta9-THC e nos seus efeitos antiepiléptico e sedativo. As duas décadas seguintes apresentaram um menor nível de interesse e as propriedades terapêuticas potenciais do canabidiol investigadas foram, principalmente, as ansiolíticas, antipsicóticas e seus efeitos sobre as doenças motoras. Os últimos cinco anos têm demonstrado um notável aumento de publicações sobre o canabidiol, principalmente estimulado pela descoberta dos seus efeitos anti-inflamatório, anti-oxidativo e neuroprotetor. Estes estudos têm sugerido uma vasta gama de possíveis efeitos terapêuticos da canabidiol em várias condições, incluindo doença de Parkinson, doença de Alzheimer, isquemia cerebral, diabetes, náusea, câncer, artrite reumatóide e outras doenças inflamatórias. CONCLUSÃO: Nos últimos 45 anos, foi possível demonstrar uma vasta gama de efeitos farmacológicos do canabidiol, muitos dos quais são de grande interesse terapêutico, que ainda necessitam ser confirmados por estudos clínicos.
Complicações pulmonares após uso de crack: achados na tomografia computadorizada de alta resolução do tórax.
MANCANO, Alexandre et al., 2008
Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia
Jornal Brasileiro de Pneumologia
Relatamos os achados na tomografia computadorizada de alta resolução de um paciente que, após uso de cocaína fumada (crack), desenvolveu quadro de hemoptise, dispnéia e dor torácica súbitas. As radiografias de tórax mostravam consolidações predominando em lobos superiores. A tomografia de alta resolução evidenciava opacidades em vidro fosco, consolidações e nódulos do espaço aéreo. Nova tomografia de controle, após suspensão da droga e uso de corticóides, mostrou regressão parcial das lesões e aparecimento de escavações. A correlação entre os achados clínicos, laboratoriais e de imagem permitiu o diagnóstico de "pulmão de crack".
Transtorno do rótulo – a relação entre problemas de conduta e uso de drogas em adolescentes.
MORIHISA, Rogerio Shigueo; BARROSO, Lúcia Pereira  and  SCIVOLETTO, Sandra., 2007
Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP
Revista Brasileira de Psiquiatria
OBJETIVO: Verificar como o transtorno de conduta e os problemas de conduta se associam ao gênero, a idade de início do uso de drogas e aos tipos de drogas consumidas. MÉTODO: Realizou-se teste de associação entre presença de comorbidade e sexo. As médias de idade do primeiro uso de cada droga foram comparadas com as médias de idade da primeira prisão e das práticas do primeiro roubo e do primeiro tráfico. RESULTADOS: Aproximadamente 59% dos adolescentes já haviam praticado algum tipo de roubo, 38,6% já haviam sido presos, 32,3% possuíam história pregressa de tráfico de drogas, 24,1% tinham depressão e 9,6% transtorno de conduta. A prevalência de problemas de conduta foi de 65,2%. Tabaco, álcool, maconha e cocaína foram usados antes do primeiro roubo, do primeiro tráfico e da primeira prisão. DISCUSSÃO: Os atos ilegais ocorreram posteriormente ao início do uso de drogas, denotando ser conseqüência deste consumo ou, talvez, conseqüência da "invisibilidade social" (sensação de não-pertencimento a nada ou a ninguém) pela qual passam estes jovens. CONCLUSÕES: A rotulação destes jovens como portadores de transtorno de conduta pode ofuscar uma realidade bem diferente, além de submetê-los a uma maior marginalização e estigmatização.
Hepatites B e C em usuários de drogas injetáveis vivendo com HIV em São Paulo, Brasil.
MARCHESINI, Angela Mattos et al., 2007
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Revista de Saúde Pública
OBJETIVO: Descrever o perfil de usuários de drogas injetáveis vivendo com HIV/Aids e estimar a prevalência de hepatites B e C nesse grupo. MÉTODOS: Estudo transversal realizado com 205 pessoas vivendo com HIV/Aids, usuários de drogas injetáveis em acompanhamento em três unidades de atendimento da rede pública do Município de São Paulo, em 2003. Foi selecionada amostra não-probabilística, obtida de forma consecutiva e voluntária, nos dias em que compareciam para consulta nas unidades de atendimento. Por meio de entrevistas, foram levantados dados pessoais e informações sobre comportamento sexual, uso de drogas e conhecimento de hepatites. Foram realizados testes para detecção da infecção pelos vírus das hepatites B e C. RESULTADOS: Dos entrevistados, 81% eram homens e 19% mulheres, com idade média de 39 anos (dp=6,1) e seis anos de educação formal (dp=2,0). Não havia diferença em relação ao estado marital entre os sexos, 48% eram solteiros, 42% casados e 8% divorciados. A idade média do primeiro uso de tabaco, álcool e drogas ilícitas foi 13, 15 e 18 anos, respectivamente. Prevalências de hepatites B e C foram, respectivamente, de 55% (IC 95%: 49;63) e 83% (IC 95%: 78;88). Antes de usar droga injetável pela primeira vez, 80% dos respondentes não tinham ouvido falar de hepatites B e C. CONCLUSÕES: A alta prevalência de hepatites B e C e o baixo nível de conhecimento sobre a doença justificam a inclusão de esclarecimentos sobre as infecções hepáticas e de vacinação contra hepatite B nas estratégias de redução de danos pelo HIV. 
Abordagens qualitativas na compreensão do uso de psicoativos
MACRAE, Edward , 2004
Grupo interdisciplinar de Estudos sobre Substâncias Psicoativas - GIESP
 
Cannabis and Harm Reduction
SWIFHT, W. , 2000
Curtin´s Research Depository
Drug and Alcohol Dependence
 
Uso de substâncias psicoativas entre estudantes de enfermagem.
MARDEGAN, Paula Silva; SOUZA, Renata Santos de; BUAIZ, Vitor  and  SIQUEIRA, Marluce Miguel de., 2007
Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro
Jornal Brasileiro de Psiquiatria
OBJETIVO: Traçar o perfil do uso de substâncias psicoativas entre os universitários do curso de Enfermagem do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Espírito Santo. MÉTODOS: Trata-se de um estudo exploratório, descritivo, transversal e quantitativo, desenvolvido com universitários de Enfermagem do primeiro ao último ano do curso. O instrumento utilizado na coleta de dados foi o "Questionário sobre o Uso de Droga", uma adaptação do proposto pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e desenvolvido pela WHO – Research and Reporting Project on the Epidemiology of Drug Dependence. Os dados foram tabulados e analisados por meio do programa Statistical Packcage for the Social Science (SPSS, 2005). RESULTADOS: Dos universitários, 82% são do sexo feminino, 46,6% se encontram na faixa etária de 20 a 22 anos e 41% pertencem à classe social B. Quanto ao uso de substâncias psicoativas, 43,9% fizeram uso na vida de alguma substância, exceto álcool e tabaco, 82,1% relataram uso na vida de álcool, 11,7% informaram uso freqüente e 6,2% uso pesado dessa substância, e 22,4% mencionaram uso na vida de tabaco. CONCLUSÃO: Faz-se necessária a prevenção do uso indevido de substâncias psicoativas entre universitários, por meio de disciplinas curriculares que abordem a temática ou de programas específicos destinados a essa população.
Percepção do papel materno das mulheres que vivem no contexto da droga e da violência.
ROLDAN, María Carmen Bernal  and  GALERA, Sueli Aparecida Frari., 2005
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
Há um reconhecimento de que há um número grande de mulheres envolvidas com drogas, com experiência diante da violência e daqueles próximos a elas em sua vida cotidiana. Muitas destas mulheres são mães. O objetivo deste estudo é investigar a percepção de mães que receberam tratamento para dependência de droga e que vivem em um contexto de cultura envolvida com drogas e violência. Mais especificamente,as mães colombianas (n=6) que têm filhos entre um mês e cinco anos de idade, foram perguntadas sobre o papel materno em um trabalho individual e multicêntrico; entre dois países, Colômbia e Brasil. Utilizou-se um enfoque etnográfico e as entrevistas foram submetidas a análise de conteúdo latente. As descobertas incluem percepções das participantes na compreensão da violência de seu contexto sócio-cultural e o consumo de drogas no ambiente da família de origem. Eventos que possivelmente as induziram a tornarem-se dependentes de drogas estão incluídos, assim como quanto isto influenciou seu papel materno. Além de tudo, as mães expressaram ambivalência sobre seus papéis que elas idealizaram, mas sabiam que eram mães viciadas.
Satisfacción personal del adolescente adicto a drogas en el ambiente familiar durante la fase de tratamiento en un instituto de salud mental
CARRANZA, Doris Violeta Velásquez  and  PEDRAO, Luiz Jorge., 2005
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
O presente estudo se realizou com o objetivo de analisar o nível de satisfação pessoal dos adolescentes adidos à droga no ambiente familiar durante a fase de tratamento em um instituto de saúde mental. Utilizou-se a Escala de Satisfação Familiar por Adjetivos, adaptada, validada e aplicada a uma amostra constituída por 34 pacientes que reuniram critérios de inclusão e exclusão estabelecidos. Encontrou-se uma relação significativa entre o nível de satisfação e as boas relações dos pais dentro do matrimônio. 61% dos adolescentes apresentaram um nível de satisfação pessoal de nível médio, e 41,18% dos adolescentes são provenientes de famílias nucleares cuja manutenção provém de ambos os pais. Não existem estudos similares, por isso se pretende contribuir ao melhoramento dos programas de adições na perspectiva da enfermagem, facilitando a relação entre a família e o adido no tratamento.
Razões para o não-uso de drogas ilícitas entre jovens em situação de risco.
SANCHEZ, Zila van der Meer; OLIVEIRA, Lúcio Garcia de  and  NAPPO, Solange Aparecida., 2005
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Revista de Saúde Pública
OBJETIVO: Embora existam muitos estudos a respeito dos fatores de risco ao uso de drogas, pouco se sabe sobre as razões que mantêm jovens afastados do seu consumo. O objetivo do estudo foi identificar, entre adolescentes de baixo poder aquisitivo, quais os motivos que os impediriam a experimentação e o conseqüente uso de drogas psicotrópicas, mesmo quando submetidos a constante oferta. MÉTODOS: Adotou-se metodologia qualitativa, com amostra intencional selecionada por critérios. Foram entrevistados 62 jovens, com idade entre 16 e 24 anos, de classe social baixa, que nunca experimentaram drogas psicotrópicas ilícitas (32 sujeitos) ou que delas fizeram uso pesado (30 sujeitos). Cada entrevista durou, em média, 110 minutos. RESULTADOS: Entre não-usuários, a disponibilidade de informações e estrutura familiar protetora foram observadas como razões no afastamento dos jovens das drogas. A informação completa sobre as conseqüências do uso de drogas e os laços afetivos entre pais e filhos, garantidos por sentimentos como a cumplicidade e respeito, parecem ser importantes para a negação da droga. A importância desses fatores como razões do afastamento de jovens das drogas é enfatizada quando sua ausência é relatada e criticada entre os usuários de drogas. CONCLUSÕES: Torna-se necessária a inclusão do ponto de vista daqueles que nunca experimentaram drogas e das motivações que permitiriam tal atitude em programas de prevenção para adolescentes de baixa condição socioeconômica.
Efeitos cerebrais da maconha – resultados dos estudos de neuroimagem.
CRIPPA, José Alexandre et al., 2005
Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP
Revista Brasileira de Psiquiatria
A maconha é a droga ilícita mais utilizada. Apesar disto, apenas um pequeno número de estudos investigaram as conseqüências neurotóxicas de longo prazo do uso de cannabis. As técnicas de neuroimagem se constituem em poderosos instrumentos para investigar alterações neuroanatômicas e neurofuncionais e suas correlações clínicas e neuropsicológicas. Uma revisão computadorizada da literatura foi conduzida nos indexadores MEDLINE e PsycLIT? entre 1966 e novembro de 2004 com os termos 'cannabis', 'marijuana', 'neuroimaging', 'magnetic resonance', 'computed tomography', 'positron emission tomography', 'single photon emission computed tomography", 'SPET', 'MRI' e 'CT'. Estudos de neuroimagem estrutural apresentam resultados conflitantes, com a maioria dos estudos não relatando atrofia cerebral ou alterações volumétricas regionais. Contudo, há uma pequena evidência de que usuários de longo prazo que iniciaram um uso regular no início da adolescência apresentam atrofia cerebral assim como redução na substância cinzenta. Estudos de neuroimagem funcional relatam aumento na atividade neural em regiões que podem estar relacionadas com intoxicação por cannabis e alteração do humor (lobos frontais mesial e orbital) e redução na atividade de regiões relacionadas com funções cognitivas prejudicadas durante a intoxicação aguda. A questão crucial se efeitos neurotóxicos residuais ocorrem após o uso prolongado e regular de maconha permanece obscura, não existindo até então estudo endereçando esta questão diretamente. Estudos de neuroimagem com melhores desenhos, combinados com avaliação cognitiva, podem ser elucidativos neste aspecto.
Padrão de comportamento relacionado às práticas sexuais e ao uso de drogas de adolescentes do sexo feminino residentes em Vitória, Espírito Santo, Brasil, 2002.
MIRANDA, Angélica Espinosa; GADELHA, Angela Maria Jourdan  and  SZWARCWALD, Célia Landmann., 2005
Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz
Cadernos de Saúde Pública
Adolescentes constituem um subgrupo populacional vulnerável às doenças sexualmente transmissíveis (DST). O objetivo foi descrever o padrão de comportamento de adolescentes do sexo feminino, de 15 a 19 anos, relacionado às práticas sexuais e uso de drogas, residentes na região de Maruípe em Vitória, Brasil, assistida pelo Programa Saúde da Família. Foi realizado um estudo descritivo, de março a junho de 2002, aplicadas entrevistas face a face e coletada uma amostra de urina para realização de teste para Chlamydia trachomatis. Durante o estudo, 464 adolescentes foram incluídas, 69,0% das adolescentes já tinham iniciado vida sexual; 12,8% relataram história de DST; 14,0% o uso de alguma droga ilícita e 3,7% história de prostituição. Somente 23,4% relataram uso regular de preservativos apesar de mais de 90,0% ter relatado acesso às informações sobre riscos e prevenção de DST/AIDS. A história de gravidez foi relatada por 31,6% das adolescentes e a realização prévia do teste HIV foi relatada por 17,0%. Apesar de terem conhecimento das formas de transmissão das DST/AIDS, as adolescentes não se previnem adequadamente. Os resultados mostram a necessidade de ações preventivas, incluindo, entre outras, testes de rotina para detecção de DST e programas de redução de riscos.
O encontro transformador em moradores de rua na cidade de São Paulo.
ALVAREZ, Aparecida Magali de Souza; ALVARENGA, Augusta Thereza de  and  FIEDLER-FERRARA, Nelson., 2004
Associação Brasileira de Psicologia Social
Psicologia & Sociedade
Este trabalho busca a caracterização do encontro transformador entre seis moradores de rua e duas professoras na cidade de São Paulo. Este encontro possibilitaria a transformação psíquica dos envolvidos, no sentido de promover o despertar das potencialidades de self, do sentido de suas vidas, contribuindo para a promoção daresiliência. À resiliência, compreendida como "a capacidade humana de fazer frente às adversidades da vida, superá-las e sair delas fortalecido ou inclusive transformado", foi associada a noção do ágape, amor ao próximo, articulado com conceitos de self e falso self . Neste estudo longitudinal, o morar na rua surgiu como situação existencial excludente, favorecendo envolvimentos com droga e criminalidade. Revelou-se nova configuração nas psiques dos moradores de rua - em movimento transformador - junto às pessoas que foram seus pontos de apoio positivos. No entanto, tiveram dificuldades na permanência nesse processo sem o apoio mais amplo da Sociedade Civil e Estado.
O enfermeiro de unidade básica de saúde e o usuário de drogas - um estudo em Biguaçú-SC.
SPRICIGO, Jonas Salomão  and  ALENCASTRE, Márcia Bucchi., 2004
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
O presente estudo buscou conhecer a opinião do enfermeiro sobre usuários de drogas, identificar de qual abordagem a opinião dos enfermeiros se aproxima e levantar que conhecimentos consideram essenciais para o cuidado de enfermagem. As informações foram obtidas através de entrevista semi-estruturada com sete enfermeiros lotados em Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município de Biguaçú-SC, e submetidas à técnica de análise de conteúdo de Bardin. A análise mostra que as opiniões concentram-se na abordagem médica e sócio-cultural. No entanto, alguns extratos das falas podem estar indicando a compreensão de que o processo de globalização possa estar contribuindo para a "desregulamentação" do uso de drogas, aproximando-se da abordagem Crítico-Holístico de Saúde Internacional.
Alterações pulmonares em usuários de cocaína
TERRA FILHO, Mário; YEN, Chen Chin; SANTOS, Ubiratan de Paula  and  MUNOZ, Daniel Romero., 2004
Associação Paulista de Medicina - APM
São Paulo Medical Journal
CONTEXTO: Recentemente, os pesquisadores brasileiros reconheceram que o número de pessoas que utilizam drogas de abuso e as conseqüências decorrentes desse hábito aumentaram consideravelmente, constituindo, hoje, um dos maiores problemas de saúde pública abrangendo uma camada de população potencialmente produtiva. Nos últimos anos, vários artigos médicos têm dado especial ênfase às complicações pulmonares relacionados ao uso de cocaína nos seus usuários. Com base nessas informações e na experiência adquirida com grupos de usuários de cocaína, redigimos esta revisão com o intuito de alertar a classe médica quanto aos diferentes efeitos no sistema respiratório. OBJETIVO: Apresentar aos médicos os aspectos pulmonares envolvidos com o uso da cocaína e alertá-los quanto aos diversos efeitos dessa droga sobre o aparelho respiratório, ressaltando aqueles relacionados com o uso a longo prazo. TIPO DE ESTUDO: Revisão narrativa. MÉTODO: São descritas complicações pulmonares, tais como, infecções (Staphylococcus aureus, tuberculose pulmonar e extrapulmonar, síndrome da imunodeficiência adquirida, aids, etc.), pneumonia aspirativa, abscesso pulmonar, empiema, embolia séptica, edema pulmonar não-cardiogênico, barotrauma, granulomatose pulmonar, bronquiolite obliterante com pneumonia em organização, pneumonite e fibrose intersticial, pneumonite por hipersensibilidade, infiltrados pulmonares e eosinofilia em pessoas com hiper-reatividade brônquica, hemorragia alveolar difusa, vasculite, enfarto pulmonar, hipertensão pulmonar e alterações de troca gasosa. Assim, é necessário que os médicos atentem, hoje em dia, na sua rotina diária, para as diversas complicações pulmonares e manifestações clínicas associados ao uso de cocaína, particularmente nos jovens.
Triexifenidila: caracterização de seu consumo abusivo por um grupo de usuários na cidade de São Paulo.
RAYMUNDO, Marcelo et al., 2003
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
Revista de Psiquiatria Clínica
O abuso de drogas anticolinérgicas na indução de estados mentais alterados, como alucinações e delírios, é amplamente conhecido. Entre essas, a triexifenidila (TEF) (Artane®) parece ser a mais abusada. No Brasil, seu consumo já foi observado entre pacientes psicóticos, estudantes de 1º e 2º graus da rede pública, meninos de rua e usuários de crack. Diante da carência de relatos brasileiros que retratassem o consumo inadequado da triexifenidila, esse estudo foi conduzido para caracterizar a população usuária e as razões subjacentes ao seu abuso. Utilizando-se de metodologia qualitativa e amostra intencional selecionada por critérios (21 usuários e 16 ex-usuários), observou-se a predominância de homens solteiros, poliusuários e sem vínculos empregatícios, que relataram o abuso da droga na obtenção, principalmente, de alucinações e delírios. A TEF, consumida em associação a álcool, outras drogas lícitas (BZD) e ilícitas, interfere nas funções cognitivas, como memória, atenção e aprendizado, prejudicando os usuários no desempenho de muitas de suas atividades cotidianas. Por ser relatada como medicamento de fácil acesso, baixo custo e com efeitos drásticos na vida do usuário, os resultados apontam para a necessidade de medidas mais efetivas em sua liberação, além da necessidade de adoção de medidas preventivas para que seu abuso seja evitado.
Criminal - Punctum Diabolicum: A Nova Lei de Drogas.
BELO, W., 2007
Revista Jurídica Netlegis
Revista Jurídica Netlegis
Com a nova lei de drogas, reabre-se a discussão em torno do polêmico assunto. A criminalização do uso tem como objeto jurídico a saúde pública, mas não há preocupação em demonstrar se o grau de lesão é aceitável ou mesmo existente em condutas como o simples porte de substância. O grave problema social apresentado pelo uso de drogas seria em decorrência de sua ilegalidade aleatória e ausência de políticas públicas. Conclui apresentando propostas para minimizar o problema.
Adaptação e validação de questionário sobre comportamentos de risco para Aids em usuários de droga
PECHANSKY, Flavio; HIRAKATA, Vânia  and  METZGER, David., 2002
Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP
Revista Brasileira de Psiquiatria
Objetivos: Iniciar o processo de validação da versão brasileira de um instrumento americano de coleta de dados auto-aplicável denominado CRA (Comportamentos de Risco para Aids), que cobre aspectos relativos a uso de drogas, testagem para HIV, comportamento sexual e preocupação com a transmissão do vírus. O instrumento foi submetido à tradução reversa e validação concorrente. O trabalho também teve o intuito de testar a utilidade de um escore geral de risco (EGR) para a transmissão do vírus HIV ou de subescores de risco para uso de drogas (ERUD) e para risco sexual (ERS). Métodos: Vinhetas clínicas de dez casos típicos tiveram seus escores CRA comparados ao julgamento de juízes independentes. Resultados: Na comparação com os juízes das áreas específicas, houve diferenças sistemáticas, sugerindo que apenas o EGR tem validade clínica e, especificamente, no que compete à exposição a risco de infecção/reinfecção pelo HIV. Conclusão: O instrumento em sua forma e utilização atuais não é adequado para expressar comprometimento já causado pela exposição ao vírus. Os subescores específicos não foram clinicamente válidos para expressar tal risco, e o instrumento necessita do acréscimo de uma seção mais abrangente sobre uso de drogas injetáveis para utilização em estudos posteriores.
Cocaína: lendas, história e abuso.
FERREIRA, Pedro Eugênio M  and  MARTINI, Rodrigo K., 2001
Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP
Revista Brasileira de Psiquiatria
A civilização ocidental tem estado envolvida com múltiplos problemas sociais, sendo o abuso de drogas um deles. A cocaína e os transtornos decorrentes de seu abuso tornaram-se um problema de saúde pública. O presente trabalho tem como objetivo colaborar pelo aprofundamento da investigação histórica desse tema. Há mais de 4500 anos, as folhas de coca são usadas por índios da América do Sul. Com a industrialização no século XIX, a cocaína chegou aos países desenvolvidos da época. Na medicina, essa substância também se mostrou presente, sendo usada, tanto por Freud quanto por outros médicos, na tentativa de curar inúmeras enfermidades. No entanto, a maior disponibilidade e a queda dos preços nos últimos 30 anos possibilitaram que essa droga fosse usada abusivamente por um número crescente de pessoas, trazendo conseqüências assustadoras para a saúde do indivíduo e para a sociedade como um todo.
Perfil da automedicação em município do Sul do Brasil.
VILARINO, Jorge F. et al., 1998
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Revista de Saúde Pública
Caracterizar o usuário de medicamentos, especialmente aquele que se automedica. Material e Método: Foram entrevistadas 413 pessoas do Município de Santa Maria, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil, sobre o consumo de medicamentos no último mês. Resultados Dos entrevistados, 69,9% utilizaram medicamentos e destes 76,1% o fizeram através de automedicação. Cefaléia (28,8%) foi a principal queixa motivadora de automedicação. O ácido acetilsalicílico foi a droga mais utilizada (25,4%). Dos fármacos utilizados na automedicação, 51,2% foram indicados por terceiros e 51,7% dessas indicações eram prescrições médicas emitidas em consultas anteriores. Conclusão: Idade, grau de escolaridade e acompanhamento médico periódico correlacionaram-se significativamente com automedicação.
A percepção de cegos e cegas diante das drogas.
CEZARIO, Kariane Gomes  and  MARIANO, Monaliza Ribeiro., 2009
Escola Paulista de Enfermagem, Universidade Federal de São Paulo
Acta Paulista de Enfermagem
OBJETIVO: Compreender a percepção de mulheres e homens cegos sobre as drogas, comparando semelhanças e diferenças. MÉTODOS: Estudo descritivo, qualitativo, realizado em uma associação de cegos, em Fortaleza-CE, entre outubro de 2006 e março de 2007. A coleta de dados utilizou a entrevista com questão norteadora. A amostra foi limitada por saturação com cinco mulheres e sete homens. Adotou-se o método de Análise de Conteúdo, obtendo-se três temas. RESULTADOS: Os temas - O que sei - definem o que é droga e abrangência desta problemática; O que vivi - relatam repercussão das experiências pessoais e familiares com o uso das drogas; e O que penso sobre a prevenção - opinam sobre estratégias de prevenção. CONCLUSÕES: A problemática é entendida como agravante à saúde pública, afetando a sociedade e a vida do usuário. As influências de familiares, amigos e mídia aproximam às drogas ou não, reforçando a pertinência da promoção da saúde e prevenção entre os cegos.
A educação em saúde como uma estratégia para enfermagem na prevenção do alcoolismo.
SILVA, Sílvio Éder Dias da et al., 2007
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Escola Anna Nery
Os relatórios de organizações internacionais evidenciam que 200 milhões de pessoas consumiram alguma droga ilícita entre 2001 e 2002, ou seja, 3,4% da população mundial. Este artigo apresenta uma reflexão sobre a educação em saúde como uma estratégia viável para a Enfermagem na prevenção e promoção da saúde em relação ao alcoolismo. Na primeira parte do texto, tratamos da problemática do alcoolismo no mundo; na segunda parte, apresentamos aspectos teóricos contextuais acerca da educação em saúde, como estratégia de apoio à promoção da saúde e prevenção do alcoolismo; na terceira parte, apresentamos algumas experiências de sucesso na prevenção do uso e abuso do álcool e, finalmente, na terceira parte desta reflexão, colocamos a importância da atuação da Enfermagem e da equipe de saúde na utilização da educação em saúde como possibilidade para atuar de forma preventiva contra o alcoolismo.
A experiência da toxicomania e da reincidência a partir da fala dos toxicômanos.
SANTOS, Clayton Ezequiel dos  and  COSTA-ROSA, Abílio da., 2007
PPG em Psicologia, Pontifícia Universidade Católica de Campinas
Estudos de Psicologia (Campinas)
Este estudo teve como objetivo examinar o fenômeno da toxicomania e sua reincidência a partir da fala dos toxicômanos. Foi realizado em instituição especializada no tratamento da dependência química e problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas, contando com dados do acompanhamento de onze sujeitos. Utilizou-se o referencial teórico psicanalítico para a escuta de indivíduos em situação de toxicomania, com o dispositivo das entrevistas preliminares, dentro do referencial da "clínica da urgência" em psicanálise. Os resultados do trabalho de escuta e da reflexão apontaram uma série de características psicológicas dos indivíduos estudados de clara relevância para o planejamento de estratégias individuais ou coletivas de atenção ao problema. Destacamos a hipótese de duas modalidades de toxicomania relacionadas com as formas particulares da subjetividade em que ocorre. A questão da reincidência na toxicomania aparece como um falso problema para os sujeitos, que demonstraram que a desintoxicação, concomitante à abstinência e provocada pela internação, é somente um momento de privação, simultaneamente necessária e forçada, do gozo propiciado pela droga. Finda a internação segue-se, geralmente, um novo período de uso. A aceitação da abstinência não significa que os sujeitos fazem uma renúncia, correlata, ao desejo pela droga. É apenas uma parada provavelmente ligada à menor tolerância psíquica à modalidade de gozo em ação na toxicomania, um gozo capaz de confrontar o sujeito com a morte. A abstinência forçada, como estratégia da política pública de saúde, presente no tratamento comum da toxicomania, mostrou conseqüências altamente negativas para o resultado do tratamento, parecendo indicar a necessidade de sua revisão urgente. Procurou-se problematizar a questão da abertura à dimensão subjetiva da experiência dos toxicômanos como estratégia capaz de interferir na trajetória dos sujeitos na relação com as drogas a partir do momento em que buscam ajuda.
Dependência de drogas.
GARCIA-MIJARES, Miriam  and  SILVA, Maria Teresa Araujo., 2006
Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo
Psicologia USP
O texto discute três teorias atuais de dependência de drogas: a Teoria Comportamental da dependência como escolha de Heyman, a Teoria da Sensibilização do incentivo de Robinson e Berridge, e a Teoria Neurobiológica da dependência como escolha, de Kalivas. Todas concordam em caracterizar a dependência como resultante de processos de aprendizagem em que droga e estímulos associados a seus efeitos adquirem controle potente sobre o comportamento. Diferenciam-se quanto aos processos de aprendizagem envolvidos. A Teoria Comportamental enfatiza componentes operantes e sustenta que o consumo repetido de drogas diminui o valor reforçador de atividades concorrentes. A Teoria da Sensibilização enfatiza componentes respondentes, propondo a dependência como resultado da sensibilização da potência eliciadora de estímulos condicionados aos efeitos da droga. A Teoria Neurobiológica integra as duas primeiras, descrevendo as mudanças no circuito do reforço que acontecem no processo de dependência.
Primeiro levantamento domiciliar sobre o abuso de drogas no Estado de São Paulo Brasil, 1999: principais resultados
GALDUROZ, José Carlos Fernandes; NOTO, Ana Regina; NAPPO, Solange Aparecida  and  CARLINI, Elisaldo Luiz de Araújo., 2003
Associação Paulista de Medicina - APM
São Paulo Medical Journal
CONTEXTO: Para se estabelecerem programas preventivos sobre o abuso de drogas numa determinada população é necessário antes fazer um diagnóstico da situação por meio de estudos epidemiológicos. OBJETIVO: Este estudo buscou detectar, na população geral, a prevalência do uso de drogas ilegais, de álcool e tabaco e de medicamentos de psicotrópicos, podendo-se estimar o número de pessoas dependentes em álcool e nicotina e avaliar a percepção delas em relação à facilidade de obter drogas psicotrópicas. TIPO DE ESTUDO: Pesquisa epidemiológica. LOCAL: Todas as 24 cidades do Estado de São Paulo com mais de 200 mil habitantes. MÉTODO: A amostra foi estratificada em conglomerados, probabilística, obtida por duas fases de seleção. Em cada município pesquisado, foram sorteados setores censitários (geralmente consistindo em 200 a 300 residências) na primeira fase, em seguida as casas e os respondentes. O questionário usado foi o SAMHSA (Abuso de Substância e Administração de Serviços de Saúde Mental) do Departamento Norte-americano de Serviço de Saúde Pública, que foi traduzido e adaptado para as condições brasileiras. RESULTADOS: Um total de 2.411 pessoas foi entrevistado, das quais 39,9% eram homens e todos os participantes estavam na faixa de idade de 12 a 65 anos. Uso na vida de qualquer droga, além de álcool e tabaco, foi de 11,6%, muito menos que nos Estados Unidos (34,8%). Em relação às estimativas de dependentes de álcool, a porcentagem foi de aproximadamente 6%, uma porcentagem semelhante ao observado em estudos de outros países. O uso na vida de maconha foi de 6,6%, muito abaixo que nos Estados Unidos (32%). O uso na vida de inalantes, de 2,7%, foi cerca de 10 vezes menor que no Reino Unido (20%). O uso na vida de cocaína (2,1%) foi aproximadamente cinco vezes menor que nos Estados Unidos (10,6%). Não houve nenhum relato de uso de heroína, embora a percepção da população em relação à facilidade de obter a heroína foi surpreendentemente alta: 38,3%. CONCLUSÃO: Este estudo apresenta subsídios para a implementação de programas de prevenção adequados à situação de abuso de droga no estado de São Paulo.
Estudo sobre as características de usuários de drogas injetáveis que buscam atendimento em Porto Alegre, RS.
PECHANSKY, Flavio et al., 2000
Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP
Revista Brasileira de Psiquiatria
Introdução: O estudo descreve uma amostra de usuários de droga injetável (UDI) que buscam atendimento na cidade de Porto Alegre, a fim de conhecer melhor os métodos de exposição ao vírus HIV, gerando hipóteses para estudos futuros e diretrizes para programas preventivos. Métodos: Foram entrevistados 142 UDI, utilizando uma entrevista estruturada para levantamento de fatores de risco. Foram analisadas características demográficas e das relações sexuais, utilizando-se como desfechos de interesse o status sorológico e as características do uso de drogas, tais como freqüência e tipo de droga utilizada. Resultados: 97% dos indivíduos havia injetado cocaína (8,6 dias do mês, 9,3 vezes por dia) e usado álcool e maconha no mês prévio à entrevista; apenas 44 apresentavam testes HIV (54,5% soropositivos). Quase 90% haviam recebido aconselhamento para HIV, porém a mudança de condutas aconteceu somente numa parcela dos casos, sem informação adequada sobre limpeza de seringas; 53% dos indivíduos relataram compartilhamento de equipamento prévio à coleta de dados, utilizando 16,2 vezes a mesma seringa. Os entrevistados eram sexualmente ativos e predominantemente heterossexuais, com uma média de sete relações por mês; 44% não usou camisinha nas relações sexuais e 48% afirmou ter utilizado pelo menos álcool antes ou durante as relações. Conclusões: Os achados sugerem que o aconselhamento é importante para modificar hábitos dos UDI mas não contempla necessidades de usuários recreacionais. A limpeza de seringas é infreqüente, talvez produto da pouca informação sobre práticas de risco. Os UDI são sexualmente ativos, heterossexuais e na maioria têm poucos parceiros, o que pode justificar o baixo uso de preservativos nessa amostra. É possível que o uso freqüente de drogas antes ou durante as relações contribua para tal fato.
Effects of the Western Australian Cannabis Infringement Notice Scheme on regular cannabis users regarding attitudes, use, and drug market factors - Baseline, Year 1.
CHANTELOUP, F.; LENTON, Simon; BARRATT, Monica; FETHERSTON, James, 2005
National Drug Law Enforcemente Research Fund - Curtin University of Technology
National Drug Law Enforcemente Research Fund - Curtin University of Technology
 
A compreensão dos operadores de direito do Distrito Federal sobre o usuário de drogas na vigência da nova lei.
SANTOUCY, Luiza Barros; CONCEICAO, Maria Inês Gandolfo  and  SUDBRACK, Maria Fátima Olivier., 2010
Curso de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Psicologia: Reflexão e Crítica
O usuário de drogas tem recebido tratamentos contraditórios que promovem sua estigmatização e clandestinidade e limitam a compreensão do fenômeno. O objetivo foi investigar como Promotores e Juízes estão entendendo e aplicando a nova lei que legisla sobre a conduta de usar e portar drogas no Brasil. Onze operadores do Direito do Distrito Federal (DF) participaram de entrevistas semi-estruturadas divididas em três eixos: a visão em relação ao usuário de droga; como a lei vem sendo aplicada; e como concebe o trabalho da equipe multidisciplinar. As respostas demonstraram posições muito heterogêneas, denotando não haver ainda unanimidade quanto à compreensão da nova lei: se por um lado há uma crença compartilhada de que o uso de drogas é um problema de saúde pública, por outro, acredita-se que o usuário deve receber uma punição por seu ato ilegal. Um diálogo interdisciplinar efetivo permitiria uma atuação eficaz e reflexiva visando a beneficiar as pessoas que chegam à justiça.
Consumo de drogas em jovens da cidade de Guayaquil, Equador
RIOFRIO GUILLEN, Rosa  and  NASCIMENTO, Lucila Castanheira., 2010
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
O objetivo desta investigação foi conhecer as causas predominantes e o tipo de droga mais consumida por jovens, de 10 a 18 anos, que ingressaram em uma instituição que acolhe crianças e adolescentes infratores, em uma cidade do Equador. É um estudo descritivo, de abordagem qualitativa, cujos dados foram coletados por meio de entrevista semiestruturada e individual. Participaram dez jovens, com idade entre 10 e 16 anos. A análise de conteúdo resultou em três temas: a carência do apoio familiar; as influências do ambiente em que os jovens se desenvolvem e o desconhecimento do efeito que as drogas causam e os planos para o futuro. Identificou-se que a droga mais consumida foi a maconha, seguida do álcool e inalantes. Explorar as causas que levaram esses jovens a consumir drogas contribuiu para identificar suas necessidades e espaços importantes para o cuidado em saúde, com ênfase na promoção de saúde.
Ser fumante em um mundo antitabaco: reflexões sobre riscos e exclusão social.
SPINK, Mary Jane P., 2010
Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo. Associação Paulista de Saúde Pública.
Saúde e Sociedade
Esta pesquisa foi realizada no contexto das atuais medidas para controle do tabagismo e teve por objetivo entender os sentidos do ato de fumar para os fumantes e a maneira como vivenciam as pressões para cessar de fumar. Com base em 50 entrevistas com diferentes segmentos de uma universidade paulista (professores, funcionários de carreira e terceirizados, alunos de graduação e de pós-graduação), a análise focalizou três aspectos: por que as pessoas fumam, a ambivalência entre o prazer de fumar e os malefícios do tabaco, e as experiências de discriminação de fumantes. Concluiu-se que, na perspectiva da Saúde Coletiva, é necessário informar o público sobre os riscos associados ao tabagismo, contrapor os danos aos efeitos sedutores da publicidade da indústria tabagística e oferecer apoio para os que desejam cessar de fumar. Entretanto, para além dessas medidas, é preciso também entender o ponto de vista dos fumantes para os quais o tabaco ainda é uma droga legalizada que produz efeitos positivos, apesar de causar dependência física e psicológica, havendo, portanto, muitos obstáculos a serem enfrentados para dar fim a esse hábito. Tal cenário de múltiplas dificuldades nos leva a indagar se fumar não se enquadraria nos estilos de vida arriscados para os quais são pertinentes as abordagens voltadas à redução de danos.
Salvia divinorum Epling & Játiva (Maria Pastora) e Salvinorina A: crescente uso recreacional e potencial de abuso.
SCHNEIDER, R.J.  and  ARDENGHI, P., 2010
UNESP
Revista Brasileira de Plantas Medicinais
A planta Salvia divinorum Epling & Játiva (SDI), da família Lamiaceae, tem sido usada por séculos pela cultura mazateca e vem ganhando popularidade como droga recreacional nos últimos anos. Seu princípio ativo - Salvinorina A (SA) - é agonista dos receptores opióides kappa, com potencial psicotrópico. A utilização da planta vem crescendo na Europa e na América do Norte, apesar de ainda não existirem provas concretas sobre abuso. A presente revisão da literatura contemporânea aborda as evidências sobre o potencial de abuso de SDI, bem como o crescente uso recreacional, ainda que seja alucinógeno permitido legalmente e de fácil compra em muitos países.
Comportamento de risco para a saúde de escolares do ensino médio de Barra dos Coqueiros, Sergipe, Brasil.
LIMA, Jadson de Oliveira; FONSECA, Vânia and GUEDES, Dartagnan Pinto., 2010
Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte
Revista Brasileira de Ciências do Esporte
O objetivo do estudo foi analisar a prevalência de comportamentos de risco para a saúde em escolares do ensino médio das redes pública e privada do município de Barra dos Coqueiros, Ilha de Santa Luzia, que recentemente foi ligada a Aracaju, capital do Estado de Sergipe, Brasil. As informações foram coletadas mediante questionário auto-administrado. Dos escolares analisados, 89,2% referiram ser sedentários; 32,6% já haviam experimentado cigarro; 41,9% consomem freqüentemente bebida alcoólica; e 9,1% já usaram algum tipo de droga ilícita. Estes resultados reforçam a necessidade de novos estudos de base populacional, de forma a permitir melhor compreensão das relações entre os comportamentos de risco e o ambiente social dos jovens.
Perfil dos idosos atendidos em um centro de atenção psicossocial - álcool e outras drogas.
PILLON, Sandra Cristina; CARDOSO, Lucilene; PEREIRA, Gisela Amorim Marques  and  MELLO, Emmanuel., 2010
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Escola Anna Nery
O objetivo do estudo foi identificar o perfil dos idosos usuários de substâncias psicoativas atendidos no Centro de Atenção Psicossocial de álcool e drogas no interior paulista, no período de 1996 a 2009. O desenho metodológico é descritivo, do tipo retrospectivo, baseado em dados secundários. A amostra foi composta por 191 clientes com idade acima de 60 anos, que correspondem a 3,2% de todos os atendidos no referido serviço. Os idosos caracterizaram-se por serem predominantemente do sexo masculino; a média de idade foi 64 anos, com baixo nível de escolaridade; 78,4% tinham até o ensino fundamental; e 86% eram aposentados. As drogas de maior uso foram: o álcool, a maconha, o crack e a cocaína. Conclui-se que o número de idosos que buscam assistência especializada é muito baixo. Estudos dessa natureza são importantes para avaliar as necessidades desse grupo em evidente crescimento, bem como o uso de substâncias psicoativas para o planejamento de práticas efetivas.
Tratamento de exposição a estímulos e treinamento de habilidades como coadjuvantes no manejo do craving em um dependente de crack.
ARAUJO, Renata Brasil et al., 2011
Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul
Trends in Phychiatry and Psychoterapy
OBJETIVO: Tem-se observado um aumento da prevalência de dependentes de crack em amostras clínicas, o que torna necessária a realização de pesquisas quanto a estratégias de tratamento direcionadas a essa clientela. O objetivo deste estudo foi descrever o caso de um dependente de crack internado no qual foram utilizados o tratamento de exposição a estímulos (TEE) e o treinamento de habilidades (TH) como coadjuvantes ao tratamento tradicional. DESCRIÇÃO DO CASO: O paciente é do sexo masculino, 29 anos de idade, solteiro, ensino médio completo. Era dependente de crack e de maconha e fazia uso nocivo de álcool. O paciente já estava internado havia 2 semanas e tinha passado por um protocolo de quatro sessões com entrevista motivacional e prevenção à recaída. Foram feitas seis sessões, ao longo de 2 semanas, de TEE e TH, nas quais o paciente foi exposto in vivo e pela imaginação a estímulos evocadores de fissura, como cachimbo de crack, isqueiro, pedras simuladas, lembranças de locais e amigos associados ao uso da droga. Ele também foi treinado para utilizar estratégias de manejo da fissura. Após 3 meses da alta hospitalar, foi realizado screening toxicológico para avaliar a manutenção de abstinência. O paciente avaliou o uso das técnicas como importante para a manutenção da abstinência após 3 meses da alta e para sua baixa média de fissura pelo crack. COMENTÁRIOS: Talvez o TEE e o TH para manejo da fissura possam ser úteis como coadjuvantes no tratamento de dependentes de crack. Tal uso deve ser avaliado em ensaios clínicos para demonstrar seu real benefício.
Perfil epidemiológico da toxicodependência em estudantes universitários.
ORTEGA-PEREZ, Carlos Alexander; COSTA-JUNIOR, Moacyr Lobo da and VASTERS, Gabriela Pereira., 2011
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
Trata-se de estudo exploratório com metodologia quantitativa. Os dados foram obtidos por meio de questionário estruturado fechado e autoaplicável, com 500 estudantes universitários. O processamento e análise dos dados foram baseados em frequências simples e estratificadas. Dos estudantes, 185 (37,1%) consumiram ou tinham usado drogas pelo menos uma vez na vida. A idade da iniciação do consumo, sua primeira droga, começou entre 13 e 21 anos. O álcool foi a primeira droga utilizada, seguido pelos inalantes, depois maconha, benzodiazepínicos e anfetaminas. A respeito das percepções de autoefeito das drogas entre os usuários, esse grupo mostrou tendência a negar que as drogas exercessem algum impacto em seu desempenho acadêmico e, ainda, que o uso de drogas não é percebido como problema que afeta a si próprio, mas afeta apenas os outros colegas que as consomem.
A terapia multifamiliar no tratamento da dependência química: um estudo retrospectivo de seis anos.
SEADI, Susana M. Sastre and OLIVEIRA, Margareth da Silva., 2009
Departamento de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Psicologia Clínica
INTRODUÇÃO: A inclusão de intervenções focadas na família, através da terapia unifamiliar, ou da terapia multifamiliar (TGMF) vem crescendo como uma forma de enfrentar um problema tão grave e complexo como é a dependência química. OBJETIVOS: Investigar e avaliar fatores associados à adesão ao tratamento multifamiliar no tratamento de dependentes químicos hospitalizados. MÉTODO: A pesquisa é um estudo transversal retrospectivo, com uma amostra de 672 famílias participantes da TGMF durante o período de seis anos (de março 1997 a julho de 2003). Foi realizado um estudo dos fatores sociodemográficos como idade, sexo, tempo de uso da substância e quanto ao tipo de droga mais prevalente e investigada a associação entre o grau de parentesco do familiar participante do programa e a adesão ao tratamento multifamiliar. Foram pesquisados 672 prontuários de sujeitos que estiveram internados e ingressaram no programa de tratamento multifamiliar e os relatos das sessões descritos pelo terapeuta coordenador do grupo. RESULTADOS: Há associação entre a participação da família e adesão ao tratamento. A participação de dois ou mais familiares repercute na adesão. DISCUSSÃO: Os resultados sugerem que inclusão de um número maior de familiares poderá repercutir em uma maior adesão ao tratamento.
A terapia multifamiliar no tratamento da dependência química: um estudo retrospectivo de seis anos.
SEADI, Susana M. Sastre and OLIVEIRA, Margareth da Silva., 2009
Departamento de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Psicologia Clínica
INTRODUÇÃO: A inclusão de intervenções focadas na família, através da terapia unifamiliar, ou da terapia multifamiliar (TGMF) vem crescendo como uma forma de enfrentar um problema tão grave e complexo como é a dependência química. OBJETIVOS: Investigar e avaliar fatores associados à adesão ao tratamento multifamiliar no tratamento de dependentes químicos hospitalizados. MÉTODO: A pesquisa é um estudo transversal retrospectivo, com uma amostra de 672 famílias participantes da TGMF durante o período de seis anos (de março 1997 a julho de 2003). Foi realizado um estudo dos fatores sociodemográficos como idade, sexo, tempo de uso da substância e quanto ao tipo de droga mais prevalente e investigada a associação entre o grau de parentesco do familiar participante do programa e a adesão ao tratamento multifamiliar. Foram pesquisados 672 prontuários de sujeitos que estiveram internados e ingressaram no programa de tratamento multifamiliar e os relatos das sessões descritos pelo terapeuta coordenador do grupo. RESULTADOS: Há associação entre a participação da família e adesão ao tratamento. A participação de dois ou mais familiares repercute na adesão. DISCUSSÃO: Os resultados sugerem que inclusão de um número maior de familiares poderá repercutir em uma maior adesão ao tratamento.
Cannabis use, a stepping stone to other drugs? The case of Amsterdam
COHEN, Peter; ARJAN, Sas, 1997
Centre for Drug Research - University of Amsterdam
Centre for Drug Research - University of Amsterdam
 
A terapia multifamiliar no tratamento da dependência química: um estudo retrospectivo de seis anos.
SEADI, Susana M. Sastre and OLIVEIRA, Margareth da Silva., 2009
Departamento de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Psicologia Clínica
INTRODUÇÃO: A inclusão de intervenções focadas na família, através da terapia unifamiliar, ou da terapia multifamiliar (TGMF) vem crescendo como uma forma de enfrentar um problema tão grave e complexo como é a dependência química. OBJETIVOS: Investigar e avaliar fatores associados à adesão ao tratamento multifamiliar no tratamento de dependentes químicos hospitalizados. MÉTODO: A pesquisa é um estudo transversal retrospectivo, com uma amostra de 672 famílias participantes da TGMF durante o período de seis anos (de março 1997 a julho de 2003). Foi realizado um estudo dos fatores sociodemográficos como idade, sexo, tempo de uso da substância e quanto ao tipo de droga mais prevalente e investigada a associação entre o grau de parentesco do familiar participante do programa e a adesão ao tratamento multifamiliar. Foram pesquisados 672 prontuários de sujeitos que estiveram internados e ingressaram no programa de tratamento multifamiliar e os relatos das sessões descritos pelo terapeuta coordenador do grupo. RESULTADOS: Há associação entre a participação da família e adesão ao tratamento. A participação de dois ou mais familiares repercute na adesão. DISCUSSÃO: Os resultados sugerem que inclusão de um número maior de familiares poderá repercutir em uma maior adesão ao tratamento.
O processo saúde-doença e a dependência química: interfaces e evolução.
PRATTA, Elisângela Maria Machado and SANTOS, Manoel Antonio dos., 2009
Instituto de Psicologia, Universidade de Brasília
Psicologia: Teoria e Pesquisa
O uso de drogas atualmente é considerado um grave e complexo problema de saúde pública. Falar sobre drogadição é discutir o processo saúde/doença, considerando-se os modelos que contribuem para a compreensão do fenômeno no momento atual e das estratégias de intervenção estabelecidas. Discutir a dependência química hoje exige uma reflexão sobre como a droga foi encarada ao longo da história, tendo em vista as questões de saúde/doença e os paradigmas hegemônicos em cada momento. Este estudo visa: a) mostrar as bases teórico-conceituais de três eixos (saúde, doença e dependência química) e suas interseções; b) propiciar uma reflexão crítica sobre a questão da promoção da saúde frente à dependência de drogas, de acordo com o modelo biopsicossocial presente na atualidade. Esse modelo considera o ser humano integral, dotado de subjetividade, de saberes e fazeres próprios, ativo no processo saúde/doença, ressaltando a necessidade de rompimento com o modelo cartesiano ainda predominante na saúde.
Vulnerabilidade de mulheres usuárias de drogas ao HIV/AIDS em uma perspectiva de gênero.
OLIVEIRA, Jeane Freitas de and PAIVA, Mirian Santos., 2007
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Escola Anna Nery
Este artigo discute a vulnerabilidade de mulheres usuárias de drogas à infecção pelo HIV/AIDS. Trata de estudo qualitativo cujos dados foram apreendidos pela observação de campo e entrevista com dezoito mulheres, durante atividades de extensão direcionadas a pessoas usuárias de drogas. A análise apontou condutas relacionadas às práticas sexuais e ao uso de drogas, interligadas e norteadas por construções sócio-culturais que ampliam a vulnerabilidade das usuárias à infecção pelo HIV. Independente do tipo de droga, modalidade e rede de uso, o consumo de drogas por mulheres e sua convivência com pessoas usuárias de drogas, em relacionamentos sexuais e afetivos, constituem situações de vulnerabilidade à infecção pelo HIV, com grau diferenciado nos níveis individual e social. Essas situações estão permeadas por relações desiguais de gênero e poder e apontam para necessidade de estudos e de intervenção numa abordagem de gênero contemplando pessoas usuárias de drogas, em particular as do sexo feminino.
Representações sociais de universitários de psicologia acerca da maconha.
FONSECA, Aline Arruda da et al., 2007
PPG em Psicologia, Pontifícia Universidade Católica de Campinas
Estudos de Psicologia (Campinas)
O uso abusivo de substâncias psicoativas lícitas e ilícitas ganhou proporções tão alarmantes que, na atualidade, é um desafio da saúde pública. Salienta-se que a maconha é a droga ilícita mais utilizada no Brasil. Esta pesquisa objetivou investigar as representações sociais de estudantes de Psicologia acerca da maconha. Participaram 200 universitários de ambos os sexos (76,2% feminino), com idades entre 18 e 26 anos. Foi utilizado o Teste de Associação Livre de Palavras, tendo como estímulo indutor a palavra maconha. Os dados foram processados pelo software tri-deux-mots (versão 6.1) por meio da análise fatorial de correspondência. Os resultados apontaram diferenças de gênero nas formas de representarem a maconha. Os universitários objetivaram a maconha nas questões voltadas para a busca do prazer/hedonismo e as universitárias nos aspectos psicossociais. Os estudantes mais jovens apresentaram uma visão negativa da erva e os mais velhos deram ênfase ao preconceito sofrido pelos usuários.
Fatores de risco para violência contra a mulher no contexto doméstico e coletivo.
VIEIRA, Luiza Jane Eyre de Souza et al., 2008
Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo. Associação Paulista de Saúde Pública.
Saúde e Sociedade
Este trabalho descreve os fatores de risco para violência doméstica e coletiva contra a mulher, a compreensão dessas mulheres sobre a violência doméstica e coletiva e a aplicação do Modelo Calgary de Avaliação em Famílias (MCAF), em moradores de uma comunidade, em Fortaleza, Ceará. Foi um estudo de caso com 20 famílias, e, entre estas, foram escolhidas quatro que apresentaram maior potencial para violência contra a mulher, em 2005. Os resultados mostraram que as mulheres conhecem alguns fatores de risco para violência, porém aparentam não saber agir no sentido de evitá-la; as condições desfavoráveis de habitação e entorno familiar são percebidos como risco. A violência é percebida, principalmente pela mulher, como "algo comum" no cotidiano do casal. O álcool, o uso da droga ilícita, o desemprego e a baixa escolaridade também agravam a ocorrência da violência entre as famílias participantes. Conclui-se que as mulheres enfrentam, em seu cotidiano, diferentes modos de violência. Elas vivem em um sistema de isolamento social e político que pode contribuir para a reprodução de mecanismos mais complexos de violência, impedindo-as de manifestarem-se de forma mais autônoma.
Prevalência do uso de substâncias em pacientes com traumas em um pronto socorro brasileiro
REIS, Alessandra Diehl; FIGLIE, Neliana Buzi and LARANJEIRA, Ronaldo., 2006
Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP
Revista Brasileira de Psiquiatria
OBJETIVO: Ainda que haja significativa literatura sobre a associação entre álcool e trauma, pouco se sabe sobre o uso de outras substâncias e trauma em pronto socorro. O objetivo do estudo foi estimar a prevalência do uso de substâncias em pacientes admitidos em um pronto socorro por trauma não fatal. MÉTODO: Um estudo prospectivo de corte transversal avaliando todos os pacientes admitidos dentro de 6 horas antes de trauma não fatal em pronto socorro durante um período de três meses. Um questionário padronizado pela Organização Mundial de Saúde, o auto-relato do consumo de drogas nas últimas 24 horas antes do contato; Drug Abuse Screening Test); screening de urina para maconha, cocaína e benzodiazepínicos e Concentração de Álcool no Sangue foram utilizados como medidas de avaliação do uso de álcool e drogas. Foram realizadas análises descritivas e o intervalo de confiança foi de 95%. RESULTADOS: Foram incluídos 353 pacientes, tendo sido coletados screenings de maconha e cocaína de 242 pacientes e de 166 pacientes para benzodiazepínicos. A Concentração de Álcool no Sangue foi positiva em 11% (n = 39) e 10% (n = 33) apresentaram algum grau de intoxicação alcoólica. O teste de maconha foi positivo em 13,6% (n = 33); respectivamente de cocaína em 3,3% (n = 8) e de benzodiazepínicos em 4,2% (n = 7). CONCLUSÕES: O uso de substâncias nesses indivíduos que sofreram trauma é altamente prevalente. Nesta amostra, a freqüência para maconha (uma droga ilícita) esteve próxima ao de álcool. Mais estudos são necessários a fim de identificar a realidade brasileira e elaborar identificações adequadas para estes casos, visando à redução do uso de substâncias e suas conseqüências.
Álcool e agentes comunitários de saúde: um estudo das representações sociais.
CASTANHA, Alessandra Ramos and ARAUJO, Ludgleydson Fernandes de., 2006
Universidade de São Francisco, Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia
Psico-USF
Esta pesquisa teve como objetivo verificar as Representações Sociais de Agentes Comunitários de Saúde (ACS's) acerca do uso do álcool. Participaram 70 ACS's da cidade de Ipojuca -PE, de ambos os sexos, com média de idade 26 anos. Foram utilizados como instrumentos entrevistas semi-estruturadas e o Teste de Associação Livre de Palavras. O material coletado pela entrevista foi categorizado pela análise de conteúdo temática e os do teste de associação foram processados pelo software Tri-Deux-Mots, através da análise fatorial de correspondência. Os dados obtidos entre os ACS's revelaram representações do álcool como uma droga prejudicial à saúde e que pode levar à morte. No que se refere às conseqüências na vida do usuário, de forma majoritária os ACS's apontaram os problemas familiares decorrentes do álcool. Conclui-se da necessidade de intervenções no âmbito da prevenção primária com o intuito de diminuir as conseqüências advindas do uso abusivo do álcool.
Urban violence and public health in Latin America: a sociological explanatory framework.
BRICENO-LEON, Roberto., 2005
Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz
Cadernos de Saúde Pública
Interpersonal violence has become one of the main public health issues in Latin American cities. This article presents a framework for sociological interpretation that operates on three levels, expressed in the factors that originate, foment, or facilitate violence. Macro-social factors include: social inequality due to the increase in wealth versus poverty; the paradox of more schooling with fewer employment opportunities; increasing expectations and the impossibility of meeting them; changes in family structure; and loss of importance of religion in daily life. At the meso-social level the analysis highlights: increased density in poor areas and urban segregation; masculinity cult; and changes in the local drug market. The micro-social level includes: an increase in the number of firearms; alcohol consumption; and difficulties in verbal expression of feelings. The article concludes with an analysis of how violence is leading to the breakdown not only of urban life but also of citizenship as a whole in Latin America.
Álcool e outras drogas
Conselho Regional de Psicologia da 6ª Região (org)., 2011
Conselho Regional de Psicologia da 6ª Região (org).
Conselho Regional de Psicologia da 6ª Região (org).
Esta publicação foi concebida a partir de uma leitura crítica do panorama atual que cerca o fenômeno do uso/abuso de substâncias psicoativas, principalmente as ilícitas. Nos últimos dois anos, temos visto uma retomada da discussão em torno do uso de drogas, principalmente do emergente e, antes localizado, crack. A constante aparição deste debate acontece na mídia, que tem alardeado a situação de forma distorcida, e também nas campanhas eleitorais, nos discursos de políticos e na definição de estratégias de ação e de políticas públicas. Ao mesmo tempo em que se reacende a discussão sobre o assunto, é surpreendente o quão superficial e cheia de preconceitos ela está acontecendo, como se não tivéssemos nunca lidado com o uso de drogas na história da humanidade. Esta publicação vem fazer frente a isso, para mostrar o que já vem sendo feito e pensado sobre essa questão.
PRÁTICAS EMERGENTES E INOVADORAS DE PSICÓLOGOS(AS) NO CAMPO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS
Conselho Federal de Psicologia, 2012
CREPOP/CFP - CEAPG/FGV
Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas do Conselho Federal de Psicologia (CREPOP/CFP) - Conselho Federal de Psicologia e o Centro de Estudos
em Administração Pública e Governo da Fundação Getúlio Vargas (CEAPG/FGV)
A publicação Práticas em Psicologia e Políticas Públicas tem por objetivo dar visibilidade a ações que, desenvolvidas pelos/as psicólogos/as, tragam inovações para as práticas cotidianas nos diferentes campos de atuação.
O Crepop apresenta neste número o relato de uma prática inovadora desenvolvida em um serviço de referência para casos de usuários de Álcool e outras Drogas. Trata-se da experiência de uma psicóloga que, durante o período da pesquisa sobre as práticas dos psicólogos e psicólogas no campo das Políticas Públicas sobre álcool e outras drogas, foi coordenadora do Serviço Hospitalar de Referência de Álcool e outras Drogas do Hospital de Urgência e Emergência em Rio Branco-AC. O trabalho é desenvolvido no contexto de uma enfermaria do hospital e as ações são realizadas por uma equipe multiprofissional. A experiência demonstra que as ações integradas com a rede de serviços existentes na cidade têm sido fundamentais para os sucessos terapêuticos alcançados.
A descrição das práticas dos/as psicólogos/as é um dos produtos da pesquisa realizada pelo Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas do Conselho Federal de Psicologia (CREPOP/CFP), em parceria com o Centro de Estudos em Administração Pública e Governo da Fundação Getúlio Vargas (CEAPG/FGV).
O modo como se deu a escolha das experiências publicadas está descrito no documento intitulado “A identificação das práticas emergentes e inovadoras”. Os textos são de responsabilidade de seus autores, que autorizaram a publicação dos mesmos.
Arrests and convictions for cannabis-related offences in a New Zealand birth cohort
FERGUSSON, DM; SWAIN-CAMPBELL, NR; HORWOOD, LJ., 2003
University of Otago - Christchurch
Drug and Alcohol Dependence
To examine the associations between the use of cannabis and arrest/conviction for cannabis related offences. Methods: Data on cannabis use and arrests/convictions for cannabis related offences were gathered during the course of a 21-year longitudinal study of a birth cohort of Christchurch (NZ) born children. Information on cannabis use, arrests and convictions was gathered over the period from 16 to 21 years. Results: By the age of 21, over two thirds of the cohort had used cannabis on at least one occasion with 5% using cannabis on more than 400 occasions. Amongst cannabis users, 5.1% had been arrested for a cannabis related offence and 3.6% had been convicted of an offence. There was a strong association between the extent of cannabis use and risks of arrest/conviction: over a quarter of those using cannabis on more than 400 occasions had been arrested or convicted for a cannabis related offence compared with less than 1% of those using cannabis on fewer than 10 occasions. M?ori, those with a previous arrest record for non cannabis related offences and those reporting involvement in violent/property offending were more likely to be arrested or convicted than other cohort members having the same level of cannabis use; in addition, males were more likely to be convicted than females with the same level of cannabis use. Arrest/conviction for a cannabis related offence did not reduce the use of cannabis: of those arrested/convicted, 95% either increased their use or continued with the same level of cannabis use subsequent to their arrest. Conclusions: The results of this study reinforce concerns about laws relating to the use and possession of cannabis. The findings show that the law was administered in an inefficient way, the application of the law was biased, and the law was ineffective in reducing cannabis use.
Sentidos produzidos acerca do consumo de substâncias psicoativas por usuários de um programa público
CRIVES, Miranice Nunes dos Santos  e  DIMENSTEIN, Magda., 2003
Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo. Associação Paulista de Saúde Pública.
Saúde e Sociedade
Este trabalho objetiva discutir os sentidos produzidos acerca do consumo de substâncias psicoativas por usuários do Programa de Prevenção e Tratamento de Alcoolismo e outras Dependências, implantado, em 1993, no ambulatório do Centro de Saúde de Pirangi da Secretaria Municipal de Saúde de Natal/RN. Foram realizadas 14 entrevistas com usuários de quatro categorias: em tratamento; de alta; os que entraram no programa de forma voluntária; os que entraram de forma compulsória. As falas foram analisadas segundo a perspectiva da análise do discurso. Os resultados indicam que as substâncias mais consumidas são o álcool e a maconha. Os fatores motivadores do uso de drogas são: a) fuga dos problemas; b) curiosidade; c) influência dos amigos; d) insatisfação com a vida; e) busca de prazer e fraqueza pessoal; sinalizando a complexidade e a multideterminação do uso de drogas. O uso de drogas, para os usuários, apresenta tanto um sentido negativo, associado aos danos físicos e sociais decorrentes do uso, quanto um sentido positivo, relacionado com a sensação de bem-estar sentida e "esquecimento" e fuga dos problemas. Outro aspecto observado nas entrevistas revela representações construídas socialmente em torno das pessoas que usam drogas, tidas como "marginais", "fora da lei", prevalecendo uma visão punitiva e discriminatória da questão.
Possível hepatotoxicidade do uso crônico de maconha
BORINI, Paulo; GUIMARAES, Romeu Cardoso  e  BORINI, Sabrina Bicalho., 2004
Associação Paulista de Medicina - APM
São Paulo Medical Journal
CONTEXTO: Hepatotoxidade é uma complicação potencial do uso de várias drogas ilícitas, possivelmente como conseqüência do seu metabolismo hepático. Entretanto, informações sobre tal possibilidade são escassas na bibliografia médica. OBJETIVO: Estudar a ocorrência de alterações clínicas e laboratoriais hepáticas que podem ocorrer em usuários crônicos de maconha, isoladamente ou associadas ao uso de outras drogas lícitas e ilícitas. TIPO DE ESTUDO: estudo transversal. LOCAL: Hospital Espírita de Marília, Marília - SP, Brasil. PARTICIPANTES: Foram estudados 123 pacientes, internados no Hospital Espírita de Marília de outubro de 1996 a dezembro de 1998, divididos em três grupos: 26 (21%) usuários exclusivamente de maconha, 83 (67,5%) usuários de maconha e crack e 14 (11,4%) usuários de maconha e álcool. PROCEDIMENTOS E VARIÁVEIS ESTUDADAS: Os pacientes foram examinados clinicamente, com especial ênfase nos aspectos relativos aos tipos de drogas usadas e rotas de usos, idade de início do uso, tempo e padrão de uso, presença ou ausência de tatuagem, icterícia, hepatomegalia e esplenomegalia. Foram determinados os níveis séricos de proteínas totais, albumina, globulina, bilirrubina total e frações, aspartato-aminotransferase (AST), alanina-aminotransferase (ALT), fosfatase alcalina (FA), gama-glutamiltransferase e atividade da protrombina. RESULTADOS: Entre os usuários exclusivos de maconha foram observados hepatomegalia em 57,7% e esplenomegalia em 73,1% dos casos, e estavam discretamente elevadas a AST (42,3%), ALT (34,6%) e FA (53,8%). Os três grupos não diferiram significativamente nas prevalências de hepatomegalia, esplenomegalia e hepatoesplenomegalia. No grupo maconha/álcool foram observadas as maiores prevalências de alterações e níveis mais elevados das aminotransferases. Os níveis médios da fosfatase alcalina estavam acima do valor normal em todos os grupos. CONCLUSÕES: O uso crônico de maconha, exclusivo ou associado a outras drogas, associou-se a alterações morfológicas e enzimáticas hepáticas, sugerindo serem os canabinóides substâncias possivelmente hepatotóxicas.
Confiabilidade de questionário sobre uso de drogas por escolares, Brasil
MACHADO NETO, Adelmo de Souza et al., 2010
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Revista de Saúde Pública
OBJETIVO: Analisar a confiabilidade de um questionário auto-aplicável sobre o uso e abuso de substâncias entre adolescentes escolares. MÉTODOS: Foram realizados dois estudos transversais para teste e re-teste do questionário em amostra representativa de alunos de ambos os sexos, de 11 a 19 anos, de escolas públicas e privadas (do curso fundamental e médio) de Salvador, BA, em 2006. Foram aplicados 591 questionários na primeira aplicação e 467 na segunda. Foram calculados a estatística descritiva, o índice kappa, alfa de Cronbach e correlação intraclasse. RESULTADOS: A prevalência do uso/abuso das substâncias foi semelhante em ambas as avaliações. Para as variáveis sociodemográficas o índice kappa indicou concordância "moderada" a "quase perfeita" e a análise do alfa de Cronbach e correlação intraclasse indicaram consistência "satisfatória". A idade de experimentação das substâncias psicoativas (tabaco, álcool e maconha) e idade dos estudantes foram semelhantes nas duas avaliações. A idade de iniciação do consumo e padrões de uso foram considerados indicadores confiáveis. CONCLUSÕES: A confiabilidade do questionário foi satisfatória para a população estudada.
Consumo de álcool e drogas: principais achados de pesquisa de âmbito nacional, Brasil 2005
BASTOS, Francisco I; BERTONI, Neilane; HACKER, Mariana A  e  GRUPO DE ESTUDOS EM POPULACAO, SEXUALIDADE E AIDS., 2008
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Revista de Saúde Pública
OBJETIVO: Analisar os padrões de consumo de álcool e drogas de uma amostra representativa da população urbana brasileira na sua inter-relação com a saúde sexual e reprodutiva. MÉTODOS: Dados de inquérito de base populacional, de abrangência nacional, com plano amostral complexo, realizado em 2005. Foram entrevistados 5.040 indivíduos de ambos os sexos, na faixa etária de 16 a 65 anos. Analisaram-se questões relativas consumo de álcool e drogas e comportamento sexual. Utilizou-se análise bivariada e multivariada. RESULTADOS: O álcool foi a substância mais freqüentemente utilizada, com relato de uso regular, na vida, por 18% dos entrevistados. O consumo de drogas ilícitas foi referido por 9% dos entrevistados, especialmente, maconha e cocaína aspirada, com uso de drogas injetáveis infreqüente. Observou-se declínio do consumo de cocaína aspirada e incremento do uso de maconha (nos últimos 12 meses), comparados a resultados de pesquisa similar realizada em 1998. Histórico de abuso sexual constituiu fator de risco do consumo de drogas e uso regular de álcool. A referência por parte do entrevistado ao papel da religião na sua formação, ser branco e do sexo feminino se mostraram protetores frente ao consumo regular de álcool, particularmente prevalente entre homens mais velhos. As opções de lazer e a ausência de práticas religiosas atuais se mostraram associadas ao consumo de drogas. CONCLUSÕES: O consumo de álcool, regular ou não, é prevalente na população urbana brasileira, enquanto o uso de drogas injetáveis se mostrou raro. Ao longo da última década observou-se declínio no consumo de cocaína. Histórico de abuso sexual se mostrou central ao consumo posterior de drogas e álcool.
Consumo precoz de tabaco y alcohol como factores modificadores del riesgo de uso de marihuana
IGLESIAS, Verónica; CAVADA, Gabriel; SILVA, Claudio  e  CACERES, Dante., 2007
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Revista de Saúde Pública
OBJETIVO: Avaliar a relação entre consumo precoce de tabaco e álcool e o risco de consumir maconha por escolares. MÉTODOS: Estudo transversal com dados do IV Estudio Nacional de Consumo de Drogas en Población Escolar, ano 2001 no Chile. Analisaram-se 54.001 escolares de oito a 20 anos de idade. As variáveis preditoras consideradas foram: consumo de tabaco e álcool, a idade de início de consumo de tabaco e/ou álcool e a intensidade de uso de tabaco. Uso de maconha e idade de início do consumo foram as variáveis de desfecho. Para a análise dos dados se utilizou regressão de Poisson e regressão de Weibull. RESULTADOS: Os escolares apresentaram alta prevalência de consumo de tabaco, álcool maconha (77%, 79% e 23%, respectivamente). O consumo de tabaco na presença de consumo de álcool foi um fator de risco de uso de maconha (RP=10,4; IC 95%: 8,9;12,2). O início tardio de consumo de tabaco (HR=0,85; IC 95%: 0,84;0,86) e álcool (HR=0,90; IC 95%: 0,89;0,91) resultou ser um fator protetor do uso de maconha. A probabilidade de consumo de maconha foi maior naqueles que fumavam diariamente ou quase, em relação àqueles que fumavam somente aos fins de semana (RP=3,11; IC 95%: 2,96;3,26 vs. RP=1,70; IC 95%: 1,58;1,83). CONCLUSÕES: O risco de consumo de maconha se associou significativamente à idade de início de consumo de tabaco, à freqüência de consumo de tabaco e ao consumo simultâneo de álcool. As estratégias de prevenção deveriam proteger os escolares do consumo precoce de tabaco.
Freqüência de jogo patológico entre farmacodependentes em tratamento
CARVALHO, Simone Villas Boas de; COLLAKIS, Silvia Teresa; OLIVEIRA, Maria Paula Magalhães Tavares de  e  SILVEIRA, Dartiu Xavier da., 2005
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Revista de Saúde Pública
OBJETIVO: Investigar a freqüência de jogo patológico entre dependentes de álcool e/ou outras drogas que procuraram tratamento em serviço especializado. MÉTODOS: Foram entrevistados 74 pacientes de três serviços especializados em tratamento de farmacodependência. Para diagnóstico de jogo patológico foi utilizada a escala SOGS (South Oaks Gambling Screen). O diagnóstico de dependência de álcool e de outras drogas foi estabelecido a partir dos critérios do DSM-IV e da escala SADD (Short Alcohol Dependence Data). Foram aplicadas as versões brasileiras das escalas SRQ (Self Report Questionnaire) para detecção de sintomas de psiquiátricos e CES-D (Center for Epidemiological Studies Depression Scale) para sintomas depressivos. As médias da pontuação obtida nessas escalas foram comparadas pelo teste t de Student. RESULTADOS: Todos os sujeitos preencheram critério para farmacodependência, sendo que 61,6% preencheram critérios para dependência de álcool 60,3% para cocaína/crack, e 34,2% para maconha. Segundo a escala SOGS, a maioria dos farmacodependentes (70,3%) foi classificada como jogador social, 10,8% como "jogador problema" e 18,9% como jogador patológico. Confirmou-se a presença de sintomas psiquiátricos e depressão na amostra. Pacientes jogadores patológicos apresentaram mais sintomas depressivos que pacientes não jogadores patológicos. CONCLUSÕES: Foi encontrada alta freqüência de jogo patológico entre os farmacodependentes entrevistados. Os resultados mostram a importância da investigação de jogo patológico em pacientes farmacodependentes e inclusão de estratégias para o tratamento desse transtorno nos programas de tratamento.
Uso de drogas entre trabalhadores de regiões do Brasil
SILVA, Ovandir Alves  e  YONAMINE, Mauricio., 2004
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Revista de Saúde Pública
OBJETIVO: No Brasil, desde 1992, inúmeras empresas comerciais e industriais vêm adotando programas de controle do uso de drogas de abuso no ambiente de trabalho. Nenhuma medida disciplinar ou demissionária é tomada sem antes se tentar a reabilitação do funcionário. O objetivo do estudo é apresentar o perfil do uso de drogas de abuso entre trabalhadores de diferentes empresas brasileiras. MÉTODOS: Amostras de urina de 12.700 indivíduos provenientes das cinco regiões geográficas brasileiras foram analisadas visando à detecção das principais drogas de abuso utilizadas no País: cocaína, maconha e anfetamina. A técnica de enzimaimunoensaio (EMIT) foi usada como análise de triagem para as substâncias pesquisadas. A confirmação dos resultados foi realizada pela espectrometria de massa associada à cromatografia em fase gasosa (GC/MS). A distribuição das amostras de acordo com as regiões geográficas foi: 72,0% foram coletadas na região Sudeste, 13,8% no Nordeste, 7,9% originaram-se na região Sul, 5,7% no Centro-Oeste e 0,6% na região Norte. RESULTADOS: Os resultados obtidos foram: 1,8% de todas as amostras analisadas foram positivas para a presença de drogas de abuso, sendo que 0,5% eram provenientes da região Sul, 1,1% da região Nordeste, 1,2% do Centro-Oeste, 1,3% da região Norte e 2,2% do Sudeste. A freqüência com que as diferentes drogas foram encontradas foi: 59,9% para maconha, 17,7% para cocaína, 14,6% para anfetamina e 7,7% para drogas em associação. CONCLUSÕES: A distribuição das drogas de abuso detectadas apresentou variações regionais. A maconha foi encontrada nas amostras de todas as regiões; a cocaína estava presente somente em amostras oriundas das regiões Centro-Oeste e Sudeste. A anfetamina foi detectada nas amostras provenientes do Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste.
Uso de drogas psicotrópicas por estudantes: prevalência e fatores sociais associados
SOLDERA, Meire; DALGALARRONDO, Paulo; CORREA FILHO, Heleno Rodrigues  e  SILVA, Cleide A M., 2004
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Revista de Saúde Pública
OBJETIVO: Determinar a prevalência do uso pesado de drogas por estudantes de primeiro e segundo graus em uma amostra de escolas públicas e particulares, e identificar fatores demográficos, psicológicos e socioculturais associados. MÉTODOS: Trata-se de um estudo transversal com uma técnica de amostragem do tipo intencional comparando-se escolas públicas de áreas periféricas e centrais e escolas particulares. Foi utilizado um questionário anônimo de autopreenchimento. A amostra foi constituída por 2.287 estudantes de primeiro e segundo graus da cidade de Campinas, SP, no ano de 1998. Considerou-se uso pesado, o uso de drogas em 20 dias ou mais nos 30 dias que antecederam a pesquisa. Para análise estatística, utilizou-se a análise de regressão logística politômica – modelo logito, visando identificar fatores que influenciem este modo de usar drogas. RESULTADOS: O uso pesado de drogas lícitas e ilícitas foi de: álcool (11,9%), tabaco (11,7%), maconha (4,4%), solventes (1,8%), cocaína (1,4%), medicamentos (1,1%), ecstasy (0,7%). O uso pesado foi maior entre os estudantes da escola pública central, do período noturno, que trabalhavam, pertencentes aos níveis socioeconômicos A e B, e cuja educação religiosa na infância foi pouco intensa. CONCLUSÕES: Maior disponibilidade de dinheiro e padrões específicos de socialização foram identificados como fatores associados ao uso pesado de drogas em estudantes.
Consumo de drogas psicoativas por adolescentes escolares de Assis, SP
GUIMARAES, José Luiz et al., 2004
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Revista de Saúde Pública
Com o objetivo de quantificar o consumo das diferentes drogas psicoativas entre os estudantes da cidade de Assis, SP, e investigar as variáveis relacionadas com seu uso, foi aplicado um questionário que identificava dados sociodemográficos e padrão de uso não-médico de psicotrópicos em 20% dos estudantes das escolas públicas e privadas da cidade. Os maiores índices de consumo para o uso na vida foram os do álcool com 68,9% e o tabaco com 22,7%. As drogas mais utilizadas foram: solventes (10,0%); maconha (6,6%); ansiolíticos (3,8%); anfetamínicos (2,6%); cocaína (1,6%) e anticolinérgicos (1,0%).
Comportamentos de saúde entre jovens estudantes das redes pública e privada da área metropolitana do Estado de São Paulo
CARLINI-COTRIM, Beatriz; GAZAL-CARVALHO, Cynthia  e  GOUVEIA, Nélson., 2000
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Revista de Saúde Pública
OBJETIVO: Estudar a freqüência de vários comportamentos de saúde entre estudantes secundários de escolas estaduais e particulares da cidade de São Paulo, SP. MÉTODOS: Estudo de corte transversal, com o sorteio de dez escolas estaduais e a seleção de sete particulares. Em cada escola, quatro salas de aula foram sorteadas, entre a sétima série do ensino fundamental e a terceira série do ensino médio. Para a coleta de dados, utilizou-se a versão do questionário de autopreenchimento utilizado pelo "Centers for Disease Control" para monitorar comportamentos de risco entre jovens. RESULTADOS: Uma proporção significativa de estudantes engajam-se em comportamentos de risco à saúde, principalmente na faixa de 15 a 18 anos de idade. Nas escolas públicas, os comportamentos mais freqüentes foram: andar de motocicleta sem capacete (70,4% dos estudantes que andaram de motocicleta); não utilização de preservativos na última relação sexual (34% dos sexualmente ativos); andar armado (4,8% dos respondentes no último ano) e tentar suicídio (8,6% nos últimos 12 meses). Nas escolas privadas, o uso de substâncias psicoativas foi o comportamento de risco mais proeminente: 25% relatou pelo menos um episódio de uso de álcool; 20,2% usou algum inalante no último ano; e 22,2% consumiu maconha no mesmo período. As estudantes do sexo feminino relataram menos comportamentos de risco, à exceção de tentativas de suicídio e de controle de peso por métodos não saudáveis. CONCLUSÕES: As informações obtidas podem contribuir para a estruturação de ações programáticas que considerem a distribuição de comportamentos de saúde na clientela-alvo.
War on Drugs is War on People
HENMAN, A., 1980
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
The Ecologist
 
Inventário de Expectativas de Resultados em Usuários de Maconha (IERUM): construção e validação
PEDROSO, Rosemeri Siqueira; CASTRO, Maria da Graça Tanori de  e  ARAUJO, Renata Brasil., 2010
Sociedade de Psiquiatria do Rio Grande do Sul
Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul
Introdução: Este estudo apresenta a construção e validação do Inventário de Expectativas de Resultados em Usuários de Maconha (IERUM), o qual avalia as expectativas de resultados em relação ao uso de maconha, podendo ser importante no tratamento e prognóstico dos dependentes químicos dessa substância. Método: O estudo foi realizado em uma amostra de 181 sujeitos usuários de maconha, homens (n = 145) e mulheres (n = 36), entre 18 e 55 anos (28,34±8,57); 118 estavam internados em unidade de dependência química, 23 em tratamento ambulatorial, 25 em grupo de autoajuda (narcóticos anônimos, alcoólatras anônimos) e 15 não estavam em tratamento. A escala de 17 itens foi criada a partir da experiência em dependência química e em validação de escalas, sendo realizada primeiramente a validação semântica. Resultados: De acordo com a análise fatorial, o IERUM dividiu-se em cinco fatores (aspectos emocionais, percepção, craving, aspectos cognitivos e sexualidade) que responderam por 60,18% da variância. Conclusão: O IERUM apresentou bons resultados psicométricos, podendo avaliar as expectativas de resultados relacionadas ao uso de maconha. 
Perfil dos usuários do serviço de teleatendimento sobre drogas de abuso VIVAVOZ
SOUZA, Marilise Fraga de et al., 2008
Sociedade de Psiquiatria do Rio Grande do Sul
Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul
INTRODUÇÃO: O abuso de drogas é um problema importante de saúde pública, e intervenções telefônicas são utilizadas como uma modalidade de tratamento. Objetivou-se descrever o perfil sociodemográfico, o padrão de consumo e a dependência de substâncias psicoativas dos usuários que buscaram auxílio em um serviço de teleatendimento para drogas de abuso. MÉTODOS: Foram utilizados os dados do 1º ano de funcionamento do serviço, coletados por consultores previamente capacitados, através de protocolo informatizado. Foram aplicados instrumentos para caracterização sociodemográfica, padrão de consumo e dependência dos usuários. Utilizou-se estatística descritiva para estimar a distribuição das variáveis, e os dados apresentam-se em freqüências. RESULTADOS: No período, foram atendidas 28.257 ligações, sendo 7.956 incluídas no estudo. No total, foi encontrada maior prevalência de mulheres, estudantes, solteiros, maiores de 35 anos, com ensino fundamental incompleto e renda familiar menor que cinco salários mínimos procurando o teleatendimento. Dentre os usuários de drogas, predominaram homens, de 18 a 25 anos. As drogas mais utilizadas foram tabaco, maconha, álcool e cocaína. O uso de tabaco foi semelhante para ambos os sexos. Indivíduos do sexo masculino usaram mais drogas ilícitas. A maioria dos usuários era dependente, sendo que os homens apresentaram maiores índices de dependência para tabaco e solventes. CONCLUSÕES: Esses resultados traçam o perfil do usuário que procura auxílio telefônico para a questão de drogas, e revelam a importância desses serviços à população, auxiliando no direcionamento de ações preventivas. 
Atitudes e comportamentos de adolescentes em relação à ingestão de bebidas alcoólicas
SILVA, Sílvio Éder Dias da  e  PADILHA, Maria Itayra., 2011
Universidade de São Paulo, Escola de Enfermagem
Revista da Escola de Enfermagem da USP
Pesquisa descritiva qualitativa que teve como objetivo analisar as atitudes dos adolescentes diante da ingestão de bebidas alcoólicas. Foram realizadas entrevistas com 40 adolescentes vinculados a uma instituição de apoio no Pará. A análise de conteúdo temático levou à seguinte categoria: atitudes e comportamentos em relação à ingestão de bebidas alcoólicas. O consumo da bebida alcoólica está associado a diversão, mas também significa um modo de não pensar nos problemas. Os adolescentes utilizaram outros tipos de drogas em alguns momentos, porém o uso do álcool é unanimidade. Concluiu-se que, para o adolescente, o álcool favorece a socialização e o prazer e que isso pode levar ao uso abusivo e contato com drogas ilícitas, como a maconha, a cocaína e o tíner.
Drogas de abuso e gravidez
YAMAGUCHI, Eduardo Tsuyoshi; CARDOSO, Mônica Maria Siaulys Capel; TORRES, Marcelo Luis Abramides  e  ANDRADE, Arthur Guerra de., 2008
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
Revista de Psiquiatria Clínica
CONTEXTO: Embora seja um problema crescente na população mundial, existem poucos trabalhos publicados sobre o uso de drogas durante a gravidez. OBJETIVOS: Abordar de maneira objetiva as drogas de abuso (álcool, cocaína, maconha e tabaco) mais comumente utilizadas pelas mulheres em idade reprodutiva. MÉTODOS: Foi realizada revisão bibliográfica (MEDLINE, LILACS) dos textos mais recentes abordando o uso de drogas de abuso em mulheres em idade reprodutiva. RESULTADOS: Foram descritas as principais conseqüências da utilização de drogas de abuso, tanto para a mãe quanto para o bebê. CONCLUSÕES: Trata-se de um problema de saúde pública pouco discutido, devendo envolver uma equipe multidisciplinar em sua abordagem. A publicação de mais trabalhos se faz necessária, a fim de se estabelecer a melhor estratégia de intervenção nesta população.
Abuso e dependência da maconha
RIBEIRO, Marcelo et al., 2005
Associação Médica Brasileira
Revista da Associação Médica Brasileira
Objetivo: Auxiliar o médico que faz atendimento geral ou primário a reconhecer, orientar, tratar ou encaminhar ao serviço especializado o usuário com potencial de desenvolver, ou que já apresenta abuso ou dependência da maconha.
Estudo da efetividade da intervenção breve para o uso de álcool e outras drogas em adolescentes atendidos num serviço de assistência primária à saúde
DE MICHELI, Denise; FISBERG, Mauro  e  FORMIGONI, Maria Lucia O.S., 2004
Associação Médica Brasileira
Revista da Associação Médica Brasileira
OBJETIVOS: O principal objetivo deste estudo foi avaliar a efetividade de uma intervenção breve e de uma orientação preventiva do uso de álcool e/ou outras drogas, dirigidas a adolescentes. MÉTODOS: Noventa e nove adolescentes que buscaram atendimento médico em um serviço ambulatorial especializado no atendimento de adolescentes foram divididos de acordo com seus níveis de consumo de substâncias em usuários no último mês (UM) e não usuários no último mês (NUM). Cada um destes grupos foi dividido em dois: um grupo controle de usuários no último mês (COUM), um grupo controle de não usuários no último mês (CONUM), um grupo que receberia Intervenção Breve no caso de serem usuários no mês (UM-IB) e um grupo que receberia Orientação Preventiva no caso de serem não usuários no mês (NUM-OP), totalizando quatro grupos. A orientação preventiva teve duração de 2 a 3 minutos e intervenção breve de 20 minutos, sendo realizada segundo roteiro pré-estruturado. Todos os participantes foram novamente avaliados após seis meses. RESULTADOS: No seguimento realizado ao final de seis meses, observou-se um aumento significativo na prevalência de consumo de maconha, álcool e tabaco bem como na intensidade de problemas e comportamentos de risco no grupo CONUM. No grupo NUM-OP, embora também tenha sido observado aumento na prevalência de consumo de drogas lícitas (álcool e tabaco), este foi significativamente menor em freqüência e intensidade do que o observado no grupo CONUM. Além disso, neste grupo não ocorreu aumento no uso de maconha. No grupo de adolescentes usuários no último mês que receberam Intervenção Breve (UM-IB), observou-se redução significativa na proporção de usuários em relação à maioria das substâncias avaliadas, bem como redução na intensidade dos problemas e comportamentos de risco. CONCLUSÃO: Nossos resultados confirmam a efetividade de uma sessão única de intervenção breve dirigida a adolescentes usuários de substâncias psicoativas na redução do consumo de substâncias. Embora outros fatores possam ter também contribuído para isto, a orientação preventiva parece ter reduzido o aumento no consumo de maconha, mas aumentado o de álcool e tabaco. São necessários estudos mais aprofundados sobre a efetividade de programas de prevenção do uso de álcool e outras drogas, a fim de que se desenvolvam abordagens mais abrangentes e eficazes.
Validação da versão brasileira do teste de triagem do envolvimento com álcool, cigarro e outras substâncias (ASSIST)
HENRIQUE, Iara Ferraz Silva et al., 2004
Associação Médica Brasileira
Revista da Associação Médica Brasileira
OBJETIVO: Considerando-se os índices cada vez maiores do uso de substâncias psicoativas no Brasil, faz-se necessário um instrumento para a sua detecção precoce que seja válido, confiável e passível de ser utilizado em serviços de atenção primária à saúde. Para tal finalidade, foi desenvolvido um instrumento denominado teste de triagem do envolvimento com álcool, tabaco e outras substâncias (ASSIST), em um projeto multicêntrico coordenado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O presente estudo teve como objetivo avaliar as propriedades psicométricas da versão brasileira deste instrumento, sua validade concorrente e confiabilidade na detecção do uso de substâncias psicoativas e problemas associados. MÉTODOS: O ASSIST e três instrumentos diagnósticos validados (MINI-Plus, AUDIT e RTQ) foram aplicados a 99 pacientes que procuraram serviços de assistência primária/secundária à saúde e a 48 pacientes em tratamento especializado para dependência de álcool ou outras substâncias. RESULTADOS: Os escores do ASSIST para álcool apresentaram boa correlação com os escores do AUDIT. O ASSIST apresentou boa sensibilidade e especificidade na detecção de uso abusivo/dependência de álcool, maconha e cocaína, considerando como padrão-ouro o diagnóstico do MINI-Plus. A confiabilidade do instrumento foi boa (alfa de Cronbach de 0,80 para álcool, 0,79 para maconha e 0,81 para cocaína). CONCLUSÃO: As propriedades psicométricas da versão brasileira do ASSIST se mostraram satisfatórias, o que recomenda a sua aplicação a pacientes de serviços de atenção primária/secundária à saúde.
Caracterização de estudantes de licenciatura em enfermagem e suas percepções sobre o consumo de drogas lícitas e ilícitas
ROJAS VALENCIANO, Ligia; COSTA JUNIOR, Moacyr Lobo da  e  VASTERS, Gabriela Pereira.  , 2010
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
É um estudo quantitativo, descritivo e transversal. A população participante correspondeu a 69 estudantes que cursavam o quinto ano de Licenciatura em Enfermagem. Utilizou-se questionário autoadministrado, previamente validado com estudantes de enfermagem que cursavam outros anos do curso. Esse instrumento é dividido em cinco partes: informação geral, sociodemográfica, econômica, pessoal, familiar e sociocultural. O estudo sugere que o fenômeno das drogas é multifatorial, pois está associado a características sociodemográficos, econômicas, pessoais, familiares e socioculturais. Entre as principais características dos estudantes encontra-se: é uma carreira preponderantemente feminina, de classe média, com bom rendimento acadêmico, mas com inadequados estilos de vida. Em relação ao consumo de drogas, 44,9% tinham consumido e consomem, atualmente, bebidas alcoólicas, outra porcentagem menor fuma tabaco e 1,4% fuma maconha, porém, não existe consciência clara das consequências e condutas de risco a que estão expostos por realizar tais práticas.
Acidentes e lesões por consumo de álcool e drogas em pacientes atendidos em uma sala de urgência
OLIVA RODRIGUEZ, Nora Nelly; DALRI, Maria Célia Barcellos; ALONSO CASTILLO, María Magdalena  e  LOPEZ GARCIA, Karla Selene. , 2010
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
Os propósitos deste estudo foram descrever a diferença do consumo de álcool por sexo, escolaridade e ocupação e conhecer o efeito das características sociodemográficas sobre o consumo de álcool, em 120 pacientes. Os resultados mostraram diferenças significativas por sexo (t=-3.570; p<0,01) e escolaridade (t=2,636; p<0,01) com o consumo de álcool. Ademais, foi encontrado efeito significativo da idade, idade de início de consumo de álcool, quantidade de bebidas ingeridas, idade de início de consumo da maconha e horas decorridas do consumo de maconha ao acidente (F7, 116=15.519; p<0,00) sobre o consumo de álcool com variância explicada de 40%.
Normas percebidas pelos estudantes universitários sobre seus pares e uso de drogas de uma universidade Chilena
RAMIREZ CASTILLO, Julia et al., 2009
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
Analisa-se a relação entre normas percebidas do consumo de drogas pelos pares e o uso da mesma entre estudantes universitários. Este é um estudo quantitativo, multicêntrico, aplicado aos alunos do 2 e 3 ano dos cursos da área da saúde de uma universidade chilena, constituída por 286 (75,2%) de 380 estudantes. RESULTADOS: mais de 50%, percebem que seus pares consomem cigarro diariamente, álcool três vezes por semana, maconha uma vez por semana; cocaína ao menos uma vez no ano. O campus é o local onde mais se consome; o consumo de cocaína se dá na casa de amigos. Entre os estudantes, 68% já fumou uma vez em sua vida, 57% todos os dias; 88% já bebeu uma vez em sua vida; 26% consumiu maconha uma vez na vida, 16% nos últimos 12 meses. Estudantes desconhecem a existência de políticas universitárias relacionadas ao consumo de drogas. Alguns resultados confirmam a subestimação do consumo de drogas.
A growing market: The domestic cultivation of cannabis
HOUGH, M. Et. al., 2003
Joseph Rowntree Foundation
Joseph Rowntree Foundation
 
Normas percebidas por estudantes universitários de três carreiras, da área da saúde, sobre o uso de drogas entre seus pares
CARVALHO, Ana Maria Pimenta et al.,
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
O presente estudo abordou alunos de segundo e terceiro anos de três cursos da área da saúde tendo como objetivos identificar a estimativa do uso de drogas por estudantes universitários (norma percebida), a frequência de uso na presente amostra (norma real), comparar as estimativas com a frequência e identificar condições nas quais as drogas são usadas. Os estudantes superestimaram o uso, por seus pares, de tabaco, maconha e cocaína, na vida e nos últimos 12 meses. O álcool foi exceção. A porcentagem de uso relatada pelos estudantes da amostra e a estimativa do uso por estudantes em geral foram muito próximas. As substâncias são mais consumidas em festas e na companhia de colegas da universidade. Os dados foram interpretados à luz da Teoria das Normas Sociais, da Atribuição de Causalidade e da Normalização.
Normas percebidas pelos estudantes universitários acerca dos seus pares e o uso de drogas em Bogotá, Colômbia
MEDINA MATALLANA, Luz Stella et al., 2009
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
Com este trabalho objetivou-se estimar a diferença entre as normas percebidas sobre o uso de drogas pelos estudantes universitários e os seus pares, com idades entre 18 e 24 anos, das faculdades de educação e saúde. É um estudo transversal, baseado em censo e questionário autoadministrado, sem identificação do respondente. Participaram 365 estudantes. Quanto aos resultados, vê-se que a proporção do consumo de tabaco no último ano foi 43,6%; álcool 96,2%, maconha 8,2% e 2,2% cocaína. A norma percebida para a proporção do consumo de tabaco no último ano foi de 78,9%, álcool 88,3%, maconha 35,4% e 20,9% para a cocaína. A proporção do consumo de bebidas alcoólicas e a norma percebida estiveram muito próximas, para o consumo de tabaco esteve sobreestimada. Para o acesso fácil ou muito fácil no campus universitário, foi encontrada subestimação para o cigarro e a cocaína, e superestimação para a maconha. Conclui-se que os estudantes universitários sobreestimam o consumo de tabaco, maconha e cocaína pelos seus pares e têm percepção exata do consumo de álcool. A sustância mais sobreestimada foi o tabaco.
Consumo percebido e uso das drogas lícitas e ilícitas em estudantes universitários, Antioquia, Medellín, Colômbia
MONTOYA VASQUEZ, Erika Maria et al., 2009
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
O objetivo deste estudo foi avaliar a diferença entre o consumo percebido entre os pares e o consumo real das drogas que fazem os estudantes universitários do segundo e terceiro ano, entre 18 e 24 anos de idade, em uma universidade pública na cidade de Medellín, Colômbia. Este é um estudo descritivo transversal, baseado em censo. Todos os alunos do segundo e terceiro ano das faculdades de medicina, odontologia, enfermagem e saúde pública foram convidados a responder, anonimamente, um questionário. Participaram 427 estudantes. Quanto aos resultados foi observada superestimação do consumo de tabaco, maconha e cocaína nos últimos doze meses. O consumo de álcool foi percebido com precisão. Os alunos que consumiram no período mencionado, superestimam mais do que aqueles que não o fizeram, como as mulheres sobreestimam mais do que os homens o consumo de maconha.
Normas percebidas por estudantes universitários de enfermagem sobre seus pares e o uso de drogas, em Lima, Peru
CHANAME, Eva et al., 2009
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
Com o objetivo de estimar a diferença entre as normas percebidas sobre o uso de drogas por estudantes universitários, foi realizado estudo quantitativo transversal, baseado em censo com 196 estudantes de enfermagem de Lima, Peru. Utilizou-se questionário com a finalidade de medir a percepção do uso de drogas e do próprio uso, analisando-se a informação com estatística descritiva, considerando valor maior, menor ou igual a 10 pontos para estabelecer a diferença. As normas percebidas para o álcool e tabaco foram maiores que 50%, enquanto que para maconha e cocaína foi de 6%; 57,7% referiram ter usado tabaco, 84,7% álcool, 2,6% maconha e 1% cocaína. Existe superestimação do uso de maconha e cocaína, subestimação para o uso de álcool e percepção exata para o uso de tabaco. Os resultados são úteis para sensibilizar as autoridades universitárias e implementar políticas de prevenção.
Normas percebidas por estudantes peruanos sobre uso de drogas entre seus pares
BUSTAMANTE, Inés V. et al., 2009
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
O objetivo deste estudo foi avaliar a diferença entre as normas percebidas pelos estudantes universitários, com idade entre 18 e 24 anos, sobre o uso de drogas pelos seus pares e o uso de drogas relatado pelos próprios estudantes em cursos da área da saúde. Foi usado o método transversal, baseado em censo realizado através de questionário, preenchido pelos próprios estudantes, sem identificação. O número de participantes foi de 306 (82%). Como resultados obteve-se: a proporção de estudantes que utilizou drogas no último ano foi de 51,3% para o tabaco, 90,8% para o álcool, 5,9% para a maconha e 0,7% para a cocaína. Diferença entre as normas percebidas e o uso de drogas foi observada para o tabaco (70% vs 51,3%), maconha (10% vs 5.9%) e cocaína (8,3% vs 0,7%). Conclui-se que os estudantes universitários apresentaram estimativa aumentada sobre o consumo de tabaco, maconha e cocaína entre seus pares.
Normas percebidas pelos estudantes universitários hondurenhos sobre os pares e o uso de tabaco, álcool, maconha e cocaína
FIGUEROA, Syntia Dinora Santos et al.,
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
O objetivo do presente estudo foi estimar a diferença entre as normas percebidas sobre o uso de drogas pelos pares e o próprio uso em estudantes universitários, entre 18 e 24 anos, do segundo e terceiro ano da área de educação. A teoria das Normas Sociais foi usada como marco referencial. Participaram do estudo 286 estudantes, sendo que 67% declararam ter consumido álcool ao menos uma vez na vida e 28%, diariamente. Os estudantes estimaram que 62% dos pares consomem tabaco e 63%, álcool. A norma percebida para o consumo de drogas foi ligeiramente mais alta em mulheres do que em homens. Como conclusão os resultados indicaram hiperestimativa ao se comparar a norma percebida com o próprio consumo, em relação ao tabaco, ao álcool, à maconha e à cocaína.
Norma percebida de consumo de maconha sobre os pares de estudantes universitários
CAZENAVE, Angélica et al., 2009
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
Descreve-se, aqui, a relação entre norma percebida de consumo de maconha entre os pares e consumo reportado em alunos de uma universidade chilena. Este é um estudo quantitativo, multicêntrico, transversal. Participaram 449 estudantes, com livre consentimento. As informações foram coletadas mediante questionário autoaplicado e analisadas através do programa SPSS 15.0. RESULTADOS: a maioria são mulheres, solteiras, entre 20 e 21 anos, estudantes de enfermagem e educação. A norma percebida é maior do que nos estudos nacionais (32,1% vs 21%) e maior do que o consumo autorreportado (32,1% vs 5,6%). Observa-se maior consumo nas mulheres, e dos cursos de educação e de enfermagem. Confirma-se a feminização do consumo, o qual se inicia na universidade, por uso recreativo, e haver maior tolerância ao consumo entre os pares. Observa-se, também, maior estimação do consumo de maconha o que, de acordo a Teoria das Normas Sociais e de Normalização, tem influência no aumento do consumo. Esta pesquisa constitui-se em contribuição às políticas do país e da universidade.
Normas percebidas por estudantes universitários sobre seus companheiros e uso de drogas: um estudo multicêntrico em cinco países da América Latina
BUSTAMANTE, Inés V. et al. , 2009
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
Este estudo transversal comparou a percepção dos companheiros de usuários de drogas em uma amostra de estudantes universitários da América Latina. Os estudantes de nove universidades, localizadas em cinco países (Brasil, Chile, Colômbia, Honduras e Peru) responderam questionário que abordou questões sobre o tagagismo, álcool, maconha e cocaína. A análise foi focalizada na comparação da percepção e da realidade dos atuais usuários de drogas. Os resultados confirmaram, de forma geral, a ideia de que os estudantes superestimam o uso de drogas. Resultados inesperados foram identificados em relação ao uso de álcool. Enquanto os estudantes geralmente superestimam o uso de tabaco, maconha e cocaína, entre seus pares, estimaram com bastante precisão ou subestimaram o uso de álcool entre seus pares. Apesar desse resultado inesperado, este estudo mostra que a percepção do uso de drogas entre estudantes universitários da América Latina se comporta de maneira similar ao uso de drogas em outras localidades. Os resultados também apóiam a sugestão de que intervenções, usando retroalimentação normativa, seriam úteis para fortalecer os programas de prevenção ao uso de drogas, dirigidos aos jovens da América Latina.
Percepção dos benefícios do consumo de drogas e das barreiras para seu abandono entre estudantes da área da saúde
HENRIQUEZ, Patricia Cid  e  CARVALHO, Ana Maria Pimenta de., 2009
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
Diversos estudos evidenciam o consumo de drogas entre estudantes universitários da área da saúde, de quem se espera comportamentos modelo em relação ao cuidado com a saúde. O objetivo deste estudo foi acessar a percepção de estudantes universitários de três carreiras diferentes na área da saúde, quanto às barreiras para deixar de consumir e os benefícios do consumo. Responderam a um questionário auto-administrável 80 estudantes do terceiro ano. As variáveis estudadas foram: condição de consumo, barreira e benefícios relacionados ao consumo ou deixar de consumir drogas, características pessoais e familiares. Um terço dos estudantes relatou uso de tabaco; 5% relataram usar maconha mais de uma vez ao mês; 15% relataram consumo de álcool e 6% de tranqüilizantes; 18% relataram serem fumantes, e 13% reportaram consumo de álcool desde antes dos 15 anos. Os benefícios do consumo são: relaxamento, sentimento de prazer, aceitação social. As barreiras para deixar de consumir referem-se à habituação e vício. Recomenda-se criar, no contexto da formação desses profissionais, auto-responsabilidade no cuidado com a saúde.
Adolescência e uso de substâncias psicoativas: o impacto do nível socioeconômico
PRATTA, Elisângela Maria Machado  e  SANTOS, Manoel Antônio dos., 2007
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
Estudos recentes têm enfatizado que é necessário precisar o impacto de dimensões específicas do contexto socioeconômico que pode funcionar como fator de risco em relação ao uso de drogas. Objetivou-se, com esse estudo, verificar possíveis relações entre uso de drogas psicoativas na adolescência e nível socioeconômico. Participaram 568 adolescentes que responderam questionário anônimo de autopreenchimento. As análises envolveram a descrição da distribuição das variáveis na amostra e análises estatísticas para determinar as diferenças encontradas. Contrariando expectativas do senso comum, adolescentes das classes média/média superior apresentaram percentual significativamente maior de uso, na vida, de álcool, tabaco, maconha e solventes, quando comparados com seus pares das classes baixa/baixa inferior. Esses dados sugerem a importância de estudos que busquem clarificar as possíveis influências do status socioeconômico sobre o consumo de drogas entre adolescentes.
Laws applyig to minor cannabis offences in Australia and their evaluation
LENTON, S. Et al., 1999
Curtin´s Research Depository
International Journal of Drug Policy
 
Uso de drogas e comportamentos de risco no contexto de uma comunidade universitária
CHAVEZ, Ketty Aracely Piedra; O'BRIEN, Beverley  e  PILLON, Sandra Cristina., 2005
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
Este estudo tem como objetivo avaliar o uso de drogas e os comportamentos de risco entre estudantes da Universidade de Guayaquil-Equador. Foi utilizado o questionário Youth Risk Behavior Survey (YRBS). A amostra foi composta por 751 estudantes de primeiro ano de graduação: 328 (44%) eram homens e 423 (56%) mulheres, com idade média 20 anos, e 88,5% solteiros. As substâncias mais utilizadas foram o álcool, o tabaco e a maconha, que são usados de forma recreacional entre os estudantes. O uso de drogas (lícitas e ilícitas) entre estudantes tem se tornado um campo de estudo bastante favorável para o estabelecimento de políticas preventivas.
Consumo de drogas e violência ocupacional em mulheres trabalhadoras de Monterrey, N. L. México
CASTILLO, Maria Magdalena Alonso; CAUFIELD, Catherine  e  GOMEZ MEZA, Marco Vinicio., 2005
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
O propósito do estudo foi explorar o consumo de drogas e violência ocupacional em uma amostra de 669 mulheres maiores de idade, que trabalham e moram em treze Áreas Geo-Estatísticas Básicas de Monterrey, Nuevo León, México. Foi adotado um desenho descritivo e correlacional com abordagem qualitativa. Resultados revelaram que 37,1% das mulheres consumiram álcool, 29,1% tabaco, 0.4% maconha, 0,1% inaláveis e, entre as drogas médicas, 5% consumiu tranqüilizantes e 1,0% outras sustâncias (barbitúricos, antidepressivos, Tylenol/Codeína). O teste qui-quadrado não encontrou diferença significativa dos fatores sócio-demográficos e ocupacionais com o consumo de drogas (p>.05), exceto com a forma de trabalho (c2=18.08, gl=4, p=.001). No entanto, o índice de violência mostrou associação positiva com o consumo de drogas (p<.05). Foram encontrados 126 casos de violência, dos quais 34 narraram sua experiência. A percepção do consumo de drogas e violência identificou-se em 2 categorias: A Conceptualização da Violência Ocupacional e a Relação entre a Violência e o Consumo de Drogas.
Uso de drogas psicotrópicas no Brasil: pesquisa domiciliar envolvendo as 107 maiores cidades do país – 2001
GALDUROZ, José Carlos F.; NOTO, Ana Regina; NAPPO, Solange A.  e  CARLINI, E.A.., 2005
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
O objetivo foi estimar a prevalência do uso de drogas, álcool, tabaco e o uso não médico de medicamentos psicotrópicos. Este estudo abrangeu as 107 maiores cidades do Brasil; amostra: idades entre 12 e 65 anos. Amostragem em três estágios; setores censitários; domicílios e o respondente. Entrevistadas 8.589 pessoas. O uso na vida de álcool com 68,7% foi próximo aos 70,8% do Chile. O uso na vida de tabaco foi de 41,1%, inferior aos EUA (70,5%). O uso na vida de maconha foi de 6,9% próximo ao da Colômbia (5,4%) e abaixo dos EUA (34,2%). O uso na vida de cocaína foi 2,3%, inferior aos EUA (11,2%). O uso de solventes foi de 5,8%, bem menor que no Reino Unido (20,0%). Os estimulantes tiveram 1,5% de uso na vida e os benzodiazepínicos com 3,3%. Estes achados permitirão a implantação de políticas públicas adequadas à nossa realidade no campo das drogas psicotrópicas.
Estudo descritivo do uso de drogas em adolescentes de educação média supeiror da cidade de monterrey, Nova Leon, México
MARTINEZ RODRIGUEZ, Gregorio  e  LUIS, Margarita Antonia Villar., 2004
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo
Revista Latino-Americana de Enfermagem
Buscou-se estabelecer o perfil de consumo de drogas lícitas e ilícitas, padrões de consumo e estratégias de enfrentamento e resistência ao álcool, tabaco e outras drogas em adolescentes de educação média superior. O estudo fundamentou-se nos conceitos de autores especializados no tema, considerando-se as características comportamentais, psicológicas normativas da pessoa. A amostra, não probabilística, consistiu de 325 jovens. Os resultados indicaram que 67%, 65% e 7% dos adolescentes aceitaram haver usado álcool, tabaco e maconha alguma vez na vida respectivamente e no último mês, 33%, 38% e 3% essas mesmas substâncias; 65% consideram que a maioria de seus companheiros fez uso; 56% tiveram que recusar uma vez a oferta de álcool, 64% tabaco e 51% maconha, no último mês. Com base nesses achados recomenda-se a implementação de um programa de prevenção orientado a apoiar os aportes dos adolescentes para resistir à pressão para o consumo.
Vulnerabilidade na adolescência: a experiência e expressão do adolescente
JESUS, Flávia Barbosa de et al., 2011
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escola de Enfermagem
Revista Gaúcha de Enfermagem
Estudo transversal, quantitativo, cujo objetivo foi identificar situações de vulnerabilidade vivenciadas pelos adolescentes do ensino médio da rede pública de Cuiabá, Mato Grosso, no segundo semestre de 2009. Utilizou-se questionário fechado. Os resultados revelaram que 10,5% dos meninos e 5,8% das meninas já fizeram uso de drogas ilícitas, aos 15 anos, sendo a cocaína (28,9%) e a maconha (15,7%) as mais relatadas; 45,2% dos meninos e 52,4% das meninas consomem bebidas alcoólicas, sendo a cerveja a mais comum. Entre os que se declararam fumantes (16,0%), a maioria iniciou o consumo aos 15 anos. Houve relato de violência sexual, dos quais somente 33,3% dos meninos e 25,0% das meninas procuraram ajuda. Entre os que não procuraram ajuda, o motivo relatado foi medo e vergonha. Destaca-se a necessidade de serviços específicos para prevenção e tratamento de adolescentes em situações de vulnerabilidade, tendo em vista a ocorrência e consequências destes agravos.
Evidências de déficits executivos persistentes após um mês de abstinência na dependência de maconha
GONCALVES, Priscila Dib et al., 2010
Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP
Revista Brasileira de Psiquiatria
Carta ao editor.
Exploração farmacológica do sistema endocanabinoide: novas perspectivas para o tratamento de transtornos de ansiedade e depressão?
SAITO, Viviane M.; WOTJK, ACarsten T.  e  MOREIRA, Fabrício A.., 2010
Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP
Revista Brasileira de Psiquiatria
OBJETIVO: Este artigo revisa o sistema endocanabinoide e as respectivas estratégias de intervenções farmacológicas. MÉTODO: Realizou-se uma revisão da literatura sobre o sistema endocanabinoide e a sua farmacologia, considerando-se artigos originais ou de revisão escritos em inglês. DISCUSSÃO: Canabinoides são um grupo de compostos presentes na Cannabis Sativa (maconha), a exemplo doΔ9-tetraidrocanabinol e seus análogos sintéticos. Estudos sobre o seu perfil farmacológico levaram à descoberta do sistema endocanabinoide do cérebro de mamíferos. Este sistema é composto por pelo menos dois receptores acoplados a uma proteína G, CB1 e CB2, pelos seus ligantes endógenos (endocanabinoides; a exemplo da anandamida e do 2-araquidonoil glicerol) e pelas enzimas responsáveis por sintetizá-los e metabolizá-los. Os endocanabinoides representam uma classe de mensageiros neurais que são sintetizados sob demanda e liberados de neurônios pós-sinápticos para restringir a liberação de neurotransmissores clássicos de terminais pré-sinápticos. Esta sinalização retrógrada modula uma diversidade de funções cerebrais, incluindo ansiedade, medo e humor, em que a ativação de receptores CB1 pode exercer efeitos dos tipos ansiolítico e antidepressivo em estudos préclínicos. CONCLUSÃO: Experimentos com modelos animais sugerem que drogas que facilitam a ação dos endocanabinoides podem representar uma nova estratégia para o tratamento de transtornos de ansiedade e depressão.
Pesquisas com a maconha no Brasil
CARLINI, Elisaldo A.., 2010
Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP
Revista Brasileira de Psiquiatria
Editorial.
Correlatos do uso de substâncias durante a gravidez na adolescência em São Paulo, Brasil
BESSA, Marco Antonio et al., 2010
Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP
Revista Brasileira de Psiquiatria
OBJETIVO: Investigar, numa população de gestantes adolescentes de uma maternidade pública de São Paulo-SP, Brasil, a associação entre o consumo de cocaína e maconha durante a gravidez com distúrbios psiquiátricos, status social e história sexual. MÉTODO: Mil adolescentes grávidas foram avaliadas por meio do Composite International Diagnostic Interview e de um questionário sociodemográfico e socioeconômico no centro obstétrico de um hospital público de São Paulo. Destas, foi colhida amostra para análise de fios de cabelo. RESULTADOS: Os seguintes dados foram associados com o uso de cocaína e/ou maconha durante o terceiro trimestre de gravidez: ter menos de 14 anos, ter história de mais do que três parceiros sexuais e ter transtornos psiquiátricos, em especial, transtorno afetivo bipolar, transtorno do estresse pós-traumático e transtorno somatoforme. CONCLUSÃO: Na população de adolescentes grávidas avaliada, ter menos de 14 anos e ter três ou mais parceiros sexuais na vida está significativamente associado ao uso de maconha ou cocaína durante a gestação. Esta associação sugere que programas de intervenção específicos devem ser dirigidos a essas jovens.
Consumo de drogas entre estudantes de medicina em São Paulo: influências de gênero e ano letivo
OLIVEIRA, Lucio Garcia de et al., 2009
Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP
Revista Brasileira de Psiquiatria
OBJETIVO: Analisar o consumo de álcool, tabaco e outras drogas entre os estudantes de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo dentro de um período de cinco anos (1996-2001). MÉTODO: Participaram 457 universitários que responderam a um questionário anônimo sobre o uso de drogas (medidas: uso na vida, nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias). A influência do gênero e do ano letivo do universitário sobre o uso de drogas também foi analisada. DISCUSSÃO: Entre os estudantes de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, observou-se um aumento do uso de inalantes, especialmente entre os alunos do sexo masculino e dos primeiros anos de graduação. Sugere-se que seja um comportamento específico dos estudantes de Medicina, tendo corroborado com os resultados de estudos prévios. CONCLUSÃO: O uso de inalantes é crescente entre os universitários de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Devido aos seus efeitos nocivos sobre a saúde, outros estudos são necessários para aprofundar a compreensão desse fenômeno, assim como para que sejam desenvolvidas medidas de prevenção que interrompam sua evolução. RESULTADOS: Em cinco anos, houve um aumento do uso de drogas ilegais entre os estudantes de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, especialmente de inalantes e anfetaminas. Há uma convergência desse consumo entre os gêneros (exceto para maconha e inalantes) e o ano letivo é fator interferente de relevância.
The Social Impact of a Minor Cannabis Offence Under Strict Prohibition - The Case of Western Australia
LENTON, S. Et al., 1999
Curtin´s Research Depository
National Centre for Research into the Prevention of Drug Abuse
 
Influência de depressão e experiências adversas na dependência de drogas ilícitas: um estudo de caso-controle
FERIGOLO, Maristela; STEIN, Airton T.; FUCHS, Flavio D.  e  BARROS, Helena M. T.., 2009
Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP
Revista Brasileira de Psiquiatria
OBJETIVO: O objetivo do presente estudo foi investigar a associação entre depressão e dependência de drogas ilícitas entre a população Latino-Americana. MÉTODO: Indivíduos dependentes de drogas ilícitas (n = 137) e controles (n = 274) foram entrevistados pela Entrevista Diagnóstica para Estudos Genéticos para investigar desordem depressiva corrente, ou durante sua vida, e dependência de drogas ilícitas (cocaína, maconha ou inalantes). Análise de regressão logística foi usada para estimar a razão de chances para dependência de drogas levando em conta o diagnóstico de depressão. RESULTADOS: O diagnóstico de depressão durante sua vida (p = 0,001; OR = 4,9; 95% CI, 1,9-12,7) prediz a dependência de drogas ilícitas. Os dados sociodemográficos sexo masculino (p < 0,001; OR = 36,8; 95% CI, 11,8-114) e situação ocupacional (p = 0,002; OR = 5,0; 95% CI, 1,8-13), e a dependência de álcool (p = 0,01; OR = 3,4; 95% CI, 1,3-8,7) influenciam significativamente a depressão e a dependência de drogas. Ainda, outros fatores importantes que influenciam são ter pais (p = 0,006; OR = 18,9; 95% CI, 2,3-158) ou amigos (p < 0,001; OR = 64,4; 95% CI, 6,5-636) dependentes de drogas ilícitas. CONCLUSÃO: O delineamento utilizado não possibilitou evidenciar a seqüência de eventos no processo de causalidade. No entanto, a variável depressão ocorreu com maior freqüência após a iniciação do uso de drogas. Sugere-se a realização de estudos para avaliar se a depressão é uma comorbidade da dependência ou uma conseqüência do abuso de drogas ou abstinência.
Uso de álcool e drogas entre estudantes universitários: diferença entre os gêneros
WAGNER, Gabriela Arantes et al., 2007
Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP
Revista Brasileira de Psiquiatria
OBJETIVO: Este estudo comparou o padrão de consumo de álcool e de drogas lícitas e ilícitas entre estudantes da Universidade de São Paulo nos anos de 1996 e 2001. MÉTODO: Amostragens de 2.564 (1996) e 2.837 (2001) estudantes responderam ao questionário proposto pela Organização Mundial de Saúde que caracteriza o consumo de drogas durante a vida, nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias. RESULTADOS: Entre os homens, observou-se aumento significativo no uso durante a vida de tabaco (de 44,8% para 50,9%), maconha (de 33,7% para 39,5%) e alucinógenos (de 6,6% para 14,1%) entre os anos de 1996 e 2001. Não foi observada diferença significativa entre as mulheres no uso de tranquilizantes ao longo da vida entre 1996 e 2001. Para o consumo relatado nos últimos 12 meses, para ambos os gêneros observou-se aumento significativo no uso de maconha (de 22,3% para 27,1% entre os homens e de 12,9% para 16,9% entre as mulheres), anfetaminas (de 1,9% para 5,0% entre os homens e de 3,4% para 5,6% entre as mulheres) e inalantes (de 9,8% para 15,7% entre os homens e de 5,4% para 10,6% entre as mulheres). A maior diferença entre os gêneros foi observada no consumo relatado nos últimos 30 dias, com aumento significativo no consumo de tabaco entre os homens (de 19,6% para 23,5%), maconha (de 15,8% para 20,5%), anfetaminas (de 1,1% para 3,2%) e inalantes (de 4,0% para 7,9%). O uso de substâncias relatado nos últimos 30 dias permaneceu estável para as mulheres entre os dois levantamentos. CONCLUSÃO: Observou-se aumento no uso de diversas substâncias entre os estudantes universitários. As diferenças observadas entre os gêneros quanto ao uso de substâncias devem ser levadas em conta quando do desenvolvimento de estratégias preventivas e de tratamento para essa população.
Gravidez na adolescência: uso de drogas no terceiro trimestre e prevalência de transtornos psiquiátricos
MITSUHIRO, Sandro Sendin et al., 2006
Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP
Revista Brasileira de Psiquiatria
OBJETIVO: Determinar, em adolescentes de baixa renda, a prevalência de transtornos psiquiátricos durante a gravidez, a prevalência de uso de cocaína e maconha no terceiro trimestre de gestação e descrever suas características sociodemográficas. MÉTODO: Mil adolescentes grávidas foram avaliadas por meio do Composite International Diagnostic Interview e de um questionário sociodemográfico e socioeconômico no centro obstétrico de um hospital público de São Paulo. Dessas, foi colhida amostra para análise de fios de cabelo. RESULTADOS: Das mil pacientes entrevistadas, 53,6% têm baixa renda, 60,2% abandonaram a escola, 90,4% estão desempregadas e 92,5% são financeiramente dependentes, 6% usaram drogas durante o terceiro trimestre da gravidez (maconha: 4%, cocaína: 1,7%, ambos: 0,3%) e 27,6% tiveram ao menos um transtorno psiquiátrico. Os diagnósticos mais freqüentes foram: depressão (12,9%), transtorno de estresse pós-traumático (10,0%) e ansiedade (5,6%). DISCUSSÃO: Famílias desestruturadas, evasão escolar, desemprego e baixa capacitação profissional são fatores que contribuem para a manutenção desta situação socioeconômica desfavorável, cenário no qual são elementos importantes a alta prevalência de uso de cocaína e maconha no 3º trimestre da gravidez e de transtornos psiquiátricos.
Estudo comparativo entre 1996 e 2001 do uso de drogas por alunos da graduação da Universidade de São Paulo -Campus São Paulo
STEMPLIUK, Vladimir de Andrade et al.,
Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP
Revista Brasileira de Psiquiatria
OBJETIVO: Esta pesquisa teve como objetivo comparar as prevalências de uso de diversas drogas e as opiniões sobre esses usos entre estudantes de graduação da Universidade de São Paulo (USP) nos anos de 1996 e 2001. MÉTODOS: Os dois estudos seguiram as mesmas metodologias de amostragem e coleta de dados. Os alunos foram randomicamente selecionados de acordo com suas áreas de estudo (Biológicas, Exatas e Humanas) e responderam a um questionário anônimo e de autopreenchimento, desenhado de modo a levantar o uso na vida, nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias de substâncias psicoativas lícitas e ilícitas. Para a comparação entre as duas pesquisas foram aplicados testes de Wald da igualdade das prevalências e construídos intervalos de confiança (95%) para a diferença entre as prevalências para cada substância investigada pelo total de alunos. RESULTADOS: Observou-se aumento na aprovação do uso experimental e regular de cocaína, crack, anfetaminas e inalantes. As drogas que apresentaram aumento de uso estatisticamente significativo foram: na vida: álcool, tabaco, maconha, inalantes, alucinógenos, anfetaminas, anticolinérgicos, barbitúricos e ilícitas em geral; nos últimos 12 meses: maconha, inalantes, anfetaminas, alucinógenos e ilícitas em geral; nos últimos 30 dias: maconha, inalantes, anfetaminas e ilícitas em geral. DISCUSSÃO: Os aumentos de uso observados entre as duas pesquisas parecem refletir as atitudes e opiniões favoráveis acerca do uso experimental e regular de algumas substâncias psicoativas e seguir uma tendência mundial de aumento do uso de drogas.
Efeito do uso de maconha na atividade cerebral humana
MARTIN-SANTOS, Rocío; ATAKAN, Zerrin  e  MCGUIRE, Philip., 2005
Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP
Revista Brasileira de Psiquiatria
Editorial
Comentário sobre o editorial: Uso de maconha na adolescência e risco de esquizofrenia
CARLINI, EA; GALDUROZ, José Carlos; NOTO, Ana Regina  e  NAPPO, Solange A., 2004
Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP
Revista Brasileira de Psiquiatria
Carta ao editor.
Loucura do baseado - revisitada: maconha e psicose
WITTON, John  e  MURRAY, Robin M., 2004
Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP
Revista Brasileira de Psiquiatria
Editorial. Autores convidados.
Vira Mundo - Boletim Informativo da Rede de Atenção Psicossocial
Área Técnica de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas , 2012
Área Técnica de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas - Dapes/SAS/MS
Área Técnica de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas - Dapes/SAS/MS
É com grande satisfação que o Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas - DAPES se dirige a usuários, famílias, profissionais, gestores, estudantes e militantes para apresentar: Viramundo. Trata-se de um periódico mensal que concentrará informações sobre questões e atividades principais desenvolvidas por toda a equipe da Coordenação Nacional de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas do Ministério da Saúde para ampliar o acesso e a qualidade da atenção às pessoas com problemas de saúde mental no âmbito do SUS. Esperamos, portanto, que o Viramundo se constitua um instrumento de difusão de esforços coletivos para a construção de um mundo mais acolhedor!”
Drogas e cultura : novas perspectivas
Beatriz Caiuby Labate ... [et al.], (orgs.), 2008
EDUFBA, Co-edição com : Minc, Fapesp, NEIP.
EDUFBA, Co-edição com : Minc, Fapesp, NEIP.
 
Reflexões sobre Políticas de Drogas no Brasil
Andrade, Tarcísio Matos de, 2011

Este artigo trás algumas reflexões sobre as políticas de drogas no Brasil, desde os momentos iniciais do enfrentamento do HIV/AIDS entre os usuários de drogas injetáveis. Nos dois primeiros capítulos, tendo como ponto de partida os programas de trocas de seringas (PTS), o autor aborda o percurso da Política de Redução de Danos no Brasil e o papel nela desempenhado pelo Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais. O terceiro capítulo traz as ações desenvolvidas pela Coordenação Nacional de Saúde Mental Álcool e outras Drogas e pela Secretaria de Políticas sobre Drogas - SENAD, a partir da retração do Departamento de DST e AIDS nas políticas sobre drogas, bem como o surgimento do PEAD e do “Plano Crack”, enquanto planos emergenciais para fazer face ao aumento do consumo de crack no país. No quarto e quinto capítulos são discutidos os dispositivos da atual política brasileira sobre drogas, suas limitações vinculadas, sobretudo, à fragilidade da Estratégia Saúde da Família, e são analisadas criticamente algumas das ações previstas no PEAD e no “Pano Crack”. No sexto capítulo o autor trás os efeitos da repressão em nome do combate ao tráfico na política brasileira sobre drogas, tendo como pano de fundo a marginalização e a exclusão social dos usuários. Por fim, são apresentadas algumas proposições para a Política de Álcool e Drogas no Brasil.
The Regulamentation of Cannabis Possession, Use and Supply - A discussion document prepared for The Drugs and Crime Prevention Committee of The Parliamente of Victoria
LENTON, S. Et al., 2000
National Drug Research Institute - NIDA
National Drug Research Institute - NIDA
The material presented in this monograph was produced for the Drugs and Crime Prevention Committee (DCPC) of the Victorian Parliament as part of a project funded by the Victorian Government through the DCPC. The views expressed are those of the authors and do not reflect current or proposed Victorian Government Policy, nor do they necessarily represent the final position of the Victorian Parliamentary Drugs and Crime Prevention Committee. Under the terms of the contract between the DCPC and the National Drug Research Institute (Formerly the National Centre for Research into the Prevention of Drug Abuse) the intellectual property in all information created is retained by the Department of the Legislative Assembly of the State of Victoria.
Especificidades de usuários(as) de drogas visando uma assistência baseada na heterogeneidade
Oliveira, Jeane Freitas de Nascimento, Enilda Rosendo do Paiva, Mirian Santos, 2007

O artigo enfoca a heterogeneidade de grupos e de pessoas usuárias de drogas, com ênfase nas especificidades de mulheres. Trata-se de revisão da literatura sobre o fenômeno das drogas e saúde, a partir de textos selecionados que utilizam a variável empírica sexo. Foram identificadas diferenças no consumo de drogas entre homens e mulheres e especificidades entre mulheres tanto em relação a aspectos epidemiológicos quanto aos determinantes sócio-culturais do fenômeno. Identificou-se que a taxa de consumo, tipo da droga, idade, mortalidade e comorbidade foram aspectos responsáveis pelas principais diferenças de gênero. Especificamente em grupos de mulheres, foram identificadas diferenças relacionadas ao tipo de droga versus idade e procura por tratamento versus tipo de atividade desenvolvida pela unidade de saúde. Os dados demonstram que a assistência às pessoas usuárias de drogas deve contemplar especificidades individuais e de grupos.
Modelos de atenção à saúde de usuários de álcool e outras drogas: discursos políticos, saberes e práticas
Alves, Vânia Sampaio, 2009

O presente artigo tem por objetivo caracterizar os modelos de atenção à saúde de usuários de álcool e outras drogas existentes no contexto brasileiro. Para tanto, realizou-se uma análise do discurso de políticas públicas de drogas no Brasil a partir da década de 1970. Tal análise foi contextualizada por uma breve digressão sobre os principais posicionamentos políticos identificados entre países do mundo para o enfrentamento de questões relacionadas ao consumo de substâncias psicoativas. As políticas públicas brasileiras de drogas apresentam-se, a partir da presente década, permeáveis ao enfoque da redução de danos, repercutindo na reorientação do modelo de atenção à saúde. Conclui-se que a estruturação e o fortalecimento de uma rede de atenção integral aos usuários de álcool e outras drogas e às suas famílias, centrada na atenção comunitária, orientada pela concepção ampliada de redução de danos e articulada com outras redes de serviços sociais e de saúde constitui, na atualidade, um importante desafio à saúde pública.
Manual sobre o cuidado à saúde junto a população em situação de rua
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica, 2012
Ministério da Saúde
Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. – Brasília : Ministério da Saúde.
Este manual inaugura um novo marco na atenção à saúde da População em Situação de Rua (PSR) no Sistema Único de Saúde (SUS). Em que se pretende ampliar o acesso e a qualidade da atenção integral à saúde dessa população. Sendo a atenção básica um espaço prioritário para o
fortalecimento do cuidado e a criação de vínculo na rede de atenção à saúde, possibilitando sua inserção efetiva no SUS, tendo como porta de entrada prioritária na Atenção Básica (AB) as equipes do Consultório na Rua.
O Ministério da Saúde (MS), ao eleger como modelo a criação de uma política pública de saúde para a população em situação de rua em convergência com as diretrizes da atenção básica e a lógica da atenção psicossocial com sua proposição de trabalhar a redução de danos, assume legitimamente a responsabilidade da promoção da equidade, garantindo o acesso dessa população às outras possibilidades de atendimento no SUS, com a implantação dos Consultórios na Rua. Abaixo, segue esquema que contextualiza a junção das duas experiências anteriores que culminaram com a atual proposta da atenção básica no que se refere ao cuidado integral de saúde dessa população.
O copo, o trono e a fé na marca do pênalti!
VALENÇA, Tom, 2012
Universidade do Estado da Bahia - UNEB
Universidade do Estado da Bahia - UNEB
 
Guia do projeto consultório de rua
Antonio Nery Filho, Andréa Leite Ribeiro Valério, Luiz Felipe Monteiro, 2012
SENAD e CETAD
 
Álcool e outras Drogas
Conselho Regional de Psicologia-SP, 2012

Conselho Regional de Psicologia-SP
 
A Clínica Psicossocial das Psicoses
Marcus Vinícius de Oliveira Silva, 2007
LEV - Laboratório de Estudos Vinculares e Saúde Mental.
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas
Departamento de Psicologia

As psicoses são tensas. Tensas para fora. Tensas para dentro. Registro de uma experiência subjetiva de
precários equilíbrios do sujeito, instabilizadora de sua presença no mundo social. O sujeito psicótico
vive o enigma da sua pertença como sócio da sociedade como uma produção subjetiva complexa,
tensa e, por vezes, dolorosa. A psicose também se apresenta como fonte de tensão para aqueles que
se dispõem a ocupar um lugar de cuidador diante dela.
A clínica das psicoses é uma clínica tensa. Tensa para dentro, fazendo importantes exigências
subjetivas para que seu agente possa estar bem situado diante de um sujeito que se movimenta em
precária estabilidade possibilitada pelo seu arranjo psíquico. Tensa para fora, exigindo que seu agente
disponha de habilidades de mediador, intermediário entre as necessidades sinalizadas pelo sujeito e
as exigências da cultura.
O ensino da clínica das psicoses é também tenso. Tenso para fora. Espaço de uma disputa teóricoconceitual
entre concepções que divergem sobre a sua natureza e sobre a priorização dos cuidados
que devem ser ensinados aos futuros profissionais. Tenso para dentro: como ensinar? Como aprender?
Como transmitir matéria que articula objetividade e subjetividade, num fazer que se situa nos limites
entre a técnica e a arte?
Os espaços institucionais de cuidado dos sujeitos psicóticos são tensos. Tensos para dentro, no manejo
dos settings que pretendem proteger (a quem?), isolar, excluir os sujeitos psicóticos e o agente de
cuidados no mundo reduzido das hospitalizações, das emergências e dos consultórios acéticos. Tensos
para fora, diante da exigência ética de uma clínica que se construa no território, ocupando a cidade
e fazendo circular as representações estagnadas sobre as potencialidades dos sujeitos atendidos.
In-tensa. Ex-tensa. Neste número, o PIC - Programa de Intensificação de Cuidados a Pacientes Psicóticos,
submete-se à revista. Prestamos contas de um ensino que se faz extra-muros, em que a universidade
executa extensão e pesquisa. Revela o vigor próprio da vida que existe fora das salas de aula
como um recurso de aprendizagem e para a produção de conhecimento. Ensino que articula a teoria
e a prática, prestando serviços à população e participando ativamente da disputa teórica e técnica
acerca dos conceitos que devem orientar a Reforma Psiquiátrica brasileira.
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Intensificação de cuidados versus internação hospitalar: dois projetos distintos em suas éticas, em
suas técnicas, suas formas de se transmitir. Intensificação de cuidados, esforço para identificar, decodificar
as necessidades dos sujeitos chamados psicóticos, para fazer segundo suas necessidades e não
segundo as possibilidades – sempre menores e mesquinhas – que geralmente conformam o conforto
das instituições e profissionais. Clínica que se faz onde o sujeito vive e habita, em seu domicílio e com
a sua “comunidade”: sua família e seus conhecidos, os sócios com os quais ele compartilha sua vida
social.
Articulando recursos diversos - Atenção Domiciliar, Acompanhamento Terapêutico, Coletivos de
Convivência, Redes Sociais, Suporte e Assessoria, Cuidados à Família, projetos, passeios, festas e uma
regra única: intensificar os cuidados humanos, realizando as ofertas compatíveis com as necessidades
dos sujeitos, assumindo as responsabilidades através de uma presença intensa e orientada.
Clínica Psicossocial. Resgatamos do limbo este conceito que, apesar de nomear o carro chefe da
nova institucionalização dos serviços territoriais - os CAPS - não parece estar merecendo maiores
atenções. Centro de Atenção Psicossocial, onde o signo em questão parece registrar apenas, sob
forma de junção, a urgência de se considerar uma certa dimensão expurgada – o social – das teorias
hegemônicas da clínica que fazem, no mesmo viés individualista, o triunfo do biológico e do psíquico.
Ilusão, pois fora da sociedade não existe sociedade. Todos os fatos psíquicos são fatos sociais. Não
existe sociedade humana que não se inscreva psiquicamente. Contra o que há que se afirmar: por uma
Clínica Integral das Psicoses. As demais não serão senão a sua redução.
Os artigos que fazem parte dessa coletânea têm o sabor da espontaneidade com que foram produzidos:
por absoluta necessidade dos estagiários darem conta das suas experiências e sem qualquer
exigência acadêmica que os obrigasse a isso – coisa rara e deliciosa para quem trabalha com a transmissão.
Tentativas de articular a marca de uma experiência forte, que tem como pressuposto a idéia
de que a psicose, ela própria, nos ensina.
Aprendizes de feiticeiros, os estagiários que participaram do nosso programa imprimem nos seus
escritos um pouco de sua técnica e sua arte: um desejo, uma coragem de viver assim tão próximos
deste encontro com a realidade delicada dos sujeitos atendidos, com uma cidade maltratada, com os
domicílios simples e muitas vezes precários, ruas, ruelas, becos, faltas e carências diversas, desorganização
social e psíquica, pobreza e desalento. Para desse mundo tão duro e doído, extraírem a riqueza
dos sons, cores, palavras, encontros que traduzem as emoções proporcionadas pela oportunidade
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de estarem vivendo a vida tal como ela é, fora das salas de aula e das proteções que, muitas vezes,
os mimam e os sedam. Cada um trouxe o que tinha e o que pôde aportar, o que lhe marcou no seu
encontro e enganchamento com a clínica da psicose. Resultado de uma transmissão que se fez.
Supervisores, patronos e cúmplices - Eduarda Mota e eu - cumprimos com satisfação a tarefa de coordená-
los e organizar essa possibilidade da sua expressão inaugural, contando cada um o que viveu.
De minha parte, incluo nessa publicação despretensiosamente alguns dos meus “artigos de crença”:
aulas e notas que expressam um esforço pessoal para cultivar a teoria como recurso generoso que,
distribuído, nos iguala e nivela na tarefa-obrigação de sustentarmos publicamente a explicitação do
que fazemos, o que ensinamos, por que o fazemos e por que o ensinamos.
Que a Clínica Psicossocial das Psicoses que juntos temos reinventado nesses quatro anos de existência
do nosso PIC possa nos trazer novas emoções e um próximo número. Que cada texto seja capaz
de falar em nome do seu autor.
Programa de Intensificação de Cuidados: Experiência Docente-Assistencial em Psicologia e Reforma Psiquiátrica
Marcus Vinicius de Oliveira Silva, Fernanda Rebouças Maia Costa & Luane Matos Neves , 2010
LEV - Laboratório de Estudos Vinculares e Saúde Mental
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas - Departamento de Psicologia
Este trabalho relata a experiência formativa do Programa de Intensificação de Cuidados a Pacientes Psicóticos (PIC), em Salvador. Durante quatro anos e meio, foram acompanhados por duplas de estagiários 40 pacientes e capacitados 111 profissionais para atenção à saúde mental. Foram realizadas atividades de atenção domiciliar, acompanhamento terapêutico (AT), espaços de convivência e sociabilidade, apoio aos familiares e suporte às necessidades individuais, conduzidos por dois supervisores, que utilizavam múltiplas referências teóricas na interpretação e intervenções com os sujeitos, com o agravante de estes terem precárias condições psíquicas, sociais e consequente desorganização familiar. Os resultados do projeto podem ser avaliados como experimento pedagógico docente-assistencial nos impactos no plano da formação e da assistência. O programa fomentou a produção teórica dos estagiários e, na Universidade, deu origem ao Laboratório de Estudos Vinculares e Saúde Mental. O amadurecimento profissional percebido nos estagiários refletiu-se nas suas inserções profissionais, com reconhecimento de diferenciada qualificação técnica. No plano assistencial, foi observada grande melhora na qualidade de vida dos pacientes, com significativa dispensa da internação como via de tratamento. Este trabalho aponta a necessidade de construção de espaços formativos ancorados no fazer prático, que apostem e estimulem a autonomia, a criatividade e o compromisso ético dos estudantes.
Cartilha de Serviços de Saúde Mental para Crianças e Adolescentes da Rede Municipal da Cidade do Rio de Janeiro
Coordenação de Saúde Mental - RJ, 2012
Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil
Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil
Como perceber ou identificar se há algum problema de saúde mental com
uma criança? Onde procurar informações e ajuda? Essas duas perguntas
são muito comuns entre os pais. As dúvidas mais comuns são sobre a forma
como as crianças se relacionam com as pessoas e com o meio (escola,
ambiente familiar...), e ainda se estão realizando as atividades cotidianas e
educativas de acordo com a idade.
Para ajudar os pais a conseguirem informações, a Secretaria Municipal de
Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro (SMSDC/RJ) criou esta cartilha.
Aqui há uma lista com todas as unidades da rede pública onde os pais
podem conseguir respostas para todas as suas dúvidas, e os locais que
oferecem atendimento e ajuda. Dessa forma, a Secretaria pretente facilitar
o acesso à rede de assistência em Saúde Mental Infanto-Juvenil.
Relatório brasileiro sobre drogas
Paulina do Carmo Arruda Vieira Duarte, Vladimir de Andrade Stempliuk e Lúcia Pereira Barroso [org.], 2009
Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas
Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas.
Esta publicação é o resultado do trabalho que vem sendo desenvolvido pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República e pelos diversos órgãos da Administração Pública, responsáveis pelas políticas setoriais relacionadas ao tema, bem
como pelas instituições acadêmicas produtoras de conhecimentos sobre drogas no Brasil.
Este relatório preenche lacuna até então existente, ao disponibilizar de forma reunida, aos
componentes do Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas - SISNAD - à população
em geral e à comunidade internacional, os dados mais abrangentes e relevantes sobre a situação
nacional do consumo de drogas e suas consequências, bem como as ações empreendidas para
reduzir a sua oferta no Brasil.
As informações ora apresentadas restringem-se aos anos de 2001 a 2007, em função de nossa
responsabilidade em apresentar os dados já consolidados pelos grandes sistemas e bases de dados nacionais. Descreve-se, portanto, neste relatório o que ocorreu no país em passado recente
para inferir-se, de modo mais preciso, sobre as circunstâncias da situação presente.
A possibilidade da reunião desses dados nesta publicação, por si só já demonstra que neste
período o país avançou signifi cativamente na organização de serviços e na produção de conhecimentos sobre os principais aspectos do problema. Ao mesmo tempo, as estatísticas apresentadas descrevem de forma mais precisa a distribuição do consumo, tráfi co e outros problemas
associados ao uso de drogas lícitas e ilícitas, na população brasileira, apontando claramente a dimensão do seu impacto negativo sobre a sociedade. A complexidade do fenômeno e a diversidade de aspectos da vida do cidadão afetado difi -
cultam a elaboração de explicações sobre as razões de certos dados. Assim, o objetivo desse primeiro relatório é dotar o país com uma fonte unifi cada de informações, de modo a orientar o
foco da atenção para alguns dos principais aspectos do problema, facilitando a avaliação de seu
impacto sobre a sociedade. Esperamos, também, que este relatório estimule o desenvolvimento
de novas pesquisas que tenham o propósito de esclarecer os pontos ainda pouco compreendidos
desse fenômeno.
É o caso, por exemplo, das informações referentes ao consumo do crack e suas consequências
no Brasil. Os dados reunidos mostram um consumo discreto e estável na população brasileira
entre os anos de 2001 e 2005, mas há, no entanto, fortes evidências de que a partir deste ano o
consumo desta substância, bem como sua associação a diversos agravos à saúde, à criminalidade
e à violência tem se tornado mais frequente.
Com vistas a melhor lidar com esta problemática, o Governo Federal, por meio da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas – SENAD e do Programa Nacional de Segurança Pública
com Cidadania - Pronasci, lançou, em 2009, programa específi co para prevenir o consumo de
crack e suas consequências em 5 regiões metropolitanas que apresentam alta prevalência dessa
substância: Brasília, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e Vitória. O programa foi iniciado
com a realização de um amplo estudo epidemiológico e etnográfi co com o objetivo de gerar informações atualizadas sobre a extensão, padrões de uso e impactos sobre o indivíduo e a comunidade, de modo a subsidiar o planejamento das ações a serem empreendidas para prevenir o
uso e tratar as pessoas com o problema. Além disso, o programa prevê também a realização de
uma pesquisa para o desenvolvimento de modelos mais efi cazes de tratamento, bem como de
um conjunto de ações a serem desenvolvidas de forma integrada pelos governos Federal, Estaduais e Municipais e as Organizações da Sociedade Civil locais para fazer frente à problemática identificada.
Seguindo esta mesma linha de raciocínio, outros estudos relevantes serão iniciados em 2010
de forma a avançar inexoravelmente no aperfeiçoamento e atualização das informações sobre o
tema.
Para o campo das políticas públicas, os dados são de extrema importância, pois informam sobre os principais aspectos dessa problemática em nível nacional e estadual e também nas capitais
brasileiras, permitindo sua comparabilidade. Além disso, o relatório constitui-se referência para
estudos e avaliações futuras sobre a efetividade das políticas públicas atualmente implementadas no Brasil.
Os dados são também um alerta para o Governo e a sociedade, uma vez que aponta claramente que o consumo indevido e o tráfi co de drogas provocam graves danos ao país. Milhares
de pessoas são direta e indiretamente afetadas, gerando custos sociais e econômicos que demandam a implementação de políticas abrangentes, descentralizadas e integrais que visem a sua redução.
Antropologia: Aspectos Sociais, Culturais e Ritualísticos
MACRAE, Edward , 2001
Grupo interdisciplinar de Estudos sobre Substâncias Psicoativas - GIESP
 
Times they are a-changing: policing of cannabis
MAY, Tiggey Et. Al., 2002
Joseph Rowntree Foundation
Joseph Rowntree Foundation
 
Drogas e Cidadania em Debate
Conselho Federal de Psicologia, 2012

Conselho Federal de Psicologia
 
Drogas: Criminalização, Alternativas e Tendência Legislativa Brasileira
MORAIS. P. , 2005
CENTRO DE ESTUDOS DE CRIMINALIDADE E SEGURANÇA PÚBLICA - CRISP, da Univesidade Federal de Minas Gerais - UFMG
CENTRO DE ESTUDOS DE CRIMINALIDADE E SEGURANÇA PÚBLICA - CRISP, da Univesidade Federal de Minas Gerais - UFMG
 
Tolerância zero - A má interpretação dos resultados
WENDEL, T. , 2002
Scientific Electronic Library Online - SciELO?
Horizontes Antropológicos
As estratégias e a realidade do policiamento praticado nas ruas de Nova Iorque têm mudado dramaticamente nos últimos vinte anos. Programas agressivos visando a apreensão de armas e drogas são os principais objetivos das novas estratégias anticrime. Enquanto as taxas de criminalidade têm sido as mais baixas em 30 anos, as prisões por pequenos delitos são as mais altas de todos tempos. Existem poucas evidências para sugerir que o mercado de venda de drogas foi eliminado ou substancialmente reduzido. Esta pesquisa etnográfica explora o impacto destas estratégias de policiamento na qualidade de vida nos bairros da cidade de Nova Iorque. Este trabalho argumenta que para se entender o relacionamento entre o mercado de drogas e os crimes violentos devemos fazer mais do que comparar os números de prisões geradas pelas estratégias empregadas e entender o papel que as drogas ilegais desempenham na política econômica.
Does Prohibition deter cannabis use?
WEATHERBURN, D.; JONES, C, 2001
Lawlink Corporate
Crime and Justice Bulletin
Despite the prohibition against cannabis which exists in most Australian States and Territories, 44 per cent of males and 35 per cent of females have used the drug at least once in their lifetime. Use of the drug has increased in the last few years, prompting some to argue that the prohibition against cannabis is both costly and ineffective, and should be lifted. The present research was designed to assess the influence of prohibition on young people who have never used cannabis or who have not used it in the last 12 months. It was also designed to assess some of the potential effects of lifting the prohibition against cannabis use. The study results suggest that the illegal status of cannabis does act to limit its use. However, fear of arrest, fear of imprisonment, the cost of cannabis or its availability do not appear to exert much effect on the prevalence of cannabis use, although they may exert some restraining effect on cannabis consumption among frequent cannabis users.
I Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil - 2001
CARLINI, E. A. [et al.] , 2001
SENAD - Secretaria Nacional Antidrogas ; CEBRID/UNIFESP.
SENAD - Secretaria Nacional Antidrogas ; CEBRID/UNIFESP.
 
Uso da maconha e suas representações sociais: estudo comparativo entre universitários
COUTINHO, Maria da Penha de L.; ARAUJO, Ludgleydson Fernandes de; GONTIES, Bernard, 2004
Scientific Electronic Library Online - SciELO?
Psicologia em Estudo
Esta pesquisa teve como objetivo comparar as representações sociais dos universitários concluintes de cursos das áreas tecnológica, da saúde e jurídica acerca do uso da maconha. Dela participaram 60 universitários, de ambos os sexos, com idade entre 22 e 30 anos. Foram utilizados como instrumento entrevistas semi-estruturadas e o material coletado categorizado através da análise de conteúdo temática de Bardin (1977). Os dados obtidos entre os universitários possibilitaram representações consensuais e particularidades de acordo com os campos de atuação profissional. Os universitários de direito objetivaram suas representações com base nas questões legais e sociais; os de saúde, nas concepções médico-orgânica e psicossocial; e os de tecnologia fundamentaram suas representações em elementos psicossociais. Conclui-se haver a necessidade da formulação/mudança de estratégias que sirvam de subsídios/dados à formação de profissionais, principalmente das áreas de saúde e jurídica, para serem aplicados nas suas práticas futuras de intervenção junto aos usuários de drogas e seus familiares, bem como na implementação de políticas públicas de educação e promoção da saúde.
Nem Soldados nem inocentes: Jovens e Tráfico de Drogas no Munícipio do Rio de Janeiro
MOREIRA, M. , 2005
Portal de Teses da FIOCRUZ
Departamento de Ciências Sociais da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz
Intrinsecamente ligado ao crescimento da criminalidade no Rio de Janeiro, o tráfico de drogas revela-se enquanto uma atividade ilícita que atua em sincronia com a conformação social do Município, transformando os problemas públicos enfrentados pela população em fator de desenvolvimento próprio e envolvendo um número cada vez maior de crianças e jovens. Utilizando-se de diversas estratégias, apresenta-se a este segmento como uma possibilidade concreta de garantir a plena satisfação de seus anseios de consumo, engendrando um processo que se aproveita de um forte componente de vulnerabilidade, misturando frustrações pessoais, familiares e sociais. Estigmatizados como “Soldados do Tráfico”, estes jovens aparecem ao senso comum como “agentes portadores da violência”, encobrindo, com sua delinqüência e óbitos, os setores mais lucrativos do tráfico de drogas que para serem operacionalizados requerem a participação de pessoas que tenham influência política e contatos no poder público e no mercado legal. Neste contexto o presente trabalho analisa de forma mais ampla as implicações na saúde dos jovens advindas de sua inserção no tráfico de drogas, procurando demonstrar que a abrangência e extensão de tais agravos extrapolam os limites pessoais e individuais. Contempla 88 jovens envolvidos com o tráfico de drogas, relacionando suas experiências de vida e depoimentos a uma análise sócio-histórica, desvendando este universo, com seus riscos e implicações, visando contribuir para o enfrentamento e superação desta grave questão social.
Expectativas de resultados frente ao uso de álcool, maconha e tabaco
PEDROSO, Rosemeri Siqueira et al., 2006
Sociedade de Psiquiatria do Rio Grande do Sul
Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul
Este artigo teve como objetivo realizar uma revisão teórica acerca do construto expectativas de resultados frente ao uso de álcool, maconha e tabaco. As expectativas de resultados são determinadas a partir do que as pessoas acreditam acerca dos efeitos de determinada droga, sendo uma variável importante no tratamento de dependentes químicos. Foram realizadas buscas de artigos publicados nas bases de dados MEDLINE, PsycINFO? , ProQuest? , Ovid, LILACS e Cork, usando os descritores belief, expectancy, expectation, drugs, psychoactive e effect. Os resultados demonstraram que as expectativas de resultados frente ao uso dessas substâncias podem surgir de fontes como: exposição a estímulos condicionados, dependência física, crenças pessoais e culturais e fatores situacionais e ambientais. Conclui-se que ainda há necessidade de novas pesquisas quanto às expectativas relacionadas às diferentes substâncias psicoativas e faixas etárias para uma melhor compreensão deste construto.
NATUREZA E PROTESTO:Os dois lados da Cannabis na visão de mundo rastafari
REHEN, L. , 2005
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
 
Revival of Industrial Hemp: A systematic analysis of the current global industry to determine limitations and identify future potentials within the concept of sustainability
YOUNG, M., 2005
Lund University International Master’s Programme in Environmental Studies and Sustainability Science
Lund University - International Environmental Science
Industrial hemp or Cannabis sativa L. is a quick growing, annual herb with a multitude of uses covering a range of products derived from fiber or oilseed that have been known throughout history. Cultivation in industrialized countries more or less halted in the early 20th century when hemp became intrinsically linked with marijuana, the species other phenotype, which contains larger quantities of the psychoactive compound, THC. Recently, a renewed interest in hemp for industrial purposes has occurred due to environmental concerns, the over production of food crops coupled with a need for new sources of fiber. The aim of this research is to present a comprehensive foundation in order to evaluate the hemp industry and its contribution to sustainable agriculture. This includes determining the variables limiting growth at this stage. Hemp scores high in environmental and social aspects but the economics were not as convincing. If the industry is to receive a substantial share in any particular market, industry limitations caused by educational, technical, and political obstacles need to be addressed. Further investigation into the future potential of hemp markets revealed that only niche markets are viable in the near future. More market opportunities exist for the mid and long term future of the industry, especially for value added products. Recommendations include addressing the social stigma, and research efforts aimed at improving farm gate profitability through breeding and technological improvements. If the recommendations are applied and effectively used to reduce the industry’s obstacles, the economic outlook for the industry will substantially improve, especially if bioregional economics is employed. This study has shown that industrial hemp can play an important role in sustainable agriculture - environmentally, socially and ultimately economically.
Bebidas alcoólicas e outras drogas na época moderna - Economia e embriaguez do século XVI ao XVIII
CARNEIRO, Henrique, ?

 
Industrial Hemp: Global Operations, Local Implications
VANTREESE, V., 1998
Departament of Agricultural Economics - University of Kentucky
Departament of Agricultural Economics - University of Kentucky
-
Industrial Hemp: Global Markets and Prices
VANTREESE, V., 1997
Departament of Agricultural Economics - University of Kentucky
Departament of Agricultural Economics - University of Kentucky
-
A saliva como espécime biológico para monitorar o uso de álcool, anfetamina, metanfetamina, cocaína e maconha por motoristas profissionais
YONAMINE, Maurício., 2004
Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo
Programa de Pós-Graduação em Toxicologia e Análises Toxicológicas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo
O uso indiscriminado de substâncias psicoativas por motoristas e suas conseqüências no trânsito têm sido objeto de grande preocupação por parte de especialistas e da sociedade em geral. O Código de Trânsito Brasileiro de 1997 determina como infração gravíssima �dirigir sob a influência de álcool, em nível superior a seis decigramas por litro de sangue, ou de qualquer substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica�. Desta forma, o presente trabalho teve como intuito investigar a utilização da saliva como espécime biológico para verificar o uso de álcool e drogas (anfetamina, metanfetamina, cocaína e maconha) por motoristas no trânsito. Para alcançar esse objetivo, um método foi desenvolvido e validado para determinação seriada desses analitos em uma única alíquota de saliva, utilizando a técnica de headspace e a microextração em fase sólida (SPME). Amostras coletadas aleatoriamente de motoristas de caminhão (n=561) que trafegavam em rodovias de São Paulo foram submetidas ao método proposto. Do total de amostras de saliva analisadas, 17 (3,0%) apresentaram resultado positivo, sendo 8 para etanol, 4 para anfetamina, 2 para cocaína, 2 para tetraidrocanabinol (THC) e 1 para cocaína e THC. A pesquisa retrata de forma pioneira no Brasil a utilização da saliva como possível amostra biológica para monitorar motoristas que estariam dirigindo sob a influência de drogas.
O trabalho oculto e exotérico de Raimundo Irineu Serra
GABRICH, Débora de Carvalho Pereira, 2005
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Primeiro Encontro Brasileiro de Xamanismo
Este trabalho analisa brevemente a evolução do grupo comunitário liderado por Raimundo Irineu Serra, desde quando iniciou a doutrina do Santo Daime, por volta de 1912, até o seu falecimento em 1971. São apontados detalhes rituais, relatos de experiência espirituais e a formação organizacional propícia à vivência exotérica de apreensão do saber, especificamente em um patamar cívico e rural.
De Infratores à Redutores de Danos: Experiências com jovens que cometeram atos infracionais durante a adolescência em Santa Catarina
ROSA, Pablo Ornelas, ?
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
?
-
Estados Modificados de Consciencia con Enteógenos en el Tratamiento de las Drogodependencias
FERNÁNDEZ, Xavier, 2003
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
BI. Revista de Etnopsicología
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O Usuário e a Nova Lei de Drogas: apontamentos preliminares para pesquisa
MENDONÇA FILHO, Frederico Policarpo de , 2008
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Reunião Brasileira de Antropologia
 
O Santo Daime: sonhos, lutas e fé no Brasil contemporâneo
ARAÚJO, Maria Clara Rebel, 2007
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
Museu da República - Rio de Janeiro
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Que guerra é essa? A propósito da partilha moral entre drogas e fármacos
VARGAS, Eduardo V., 2000
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
Conjuntura Política
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Religion at the edge of ethnic identity
MOTA, Clarice Novaes da, 2001
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos - NEIP
THE 2001 INTERNATIONAL CONFERENCE - The Spiritual Supermarket: Religious Pluralism in the 21st Century
The Kariri-Shoko community is composed of descendants from indigenous tribes that inhabited the region of Northeast Brazil. It is located in the area by the town Colégio, in the state of Alagoas. After five centuries of a colonization process that scattered and annihilated the majority of tribal communities in the area, the Kariri-Shoko have managed to survive, through the changes imposed by European colonizers, conforming to the rural life style of the larger society. They are still identified as a tribal group that has kept part of its traditional system of beliefs and rituals. In this paper I argue - and support my argument with ethnographic data - that they have been keeping the faith in their ancestral deities as a means of empowerment against the outside pressures and claims over their territory. They have kept a part of the ancestral land as a ceremonial village, where the "tribal secret" - surrounding the intake of an entheogenic beverage known as Jurema - takes place. Only members of the indigenous community can participate in the religious ritual surrounded by secrecy. It is thus that they keep symbolic and real frontiers against non-tribal members, solidifying their traditions and their ethnic identity.
 
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Revision 121 Jan 2010 - JoenioCosta

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